Categoria: Procedimentos

  • Ovodoação: entenda as possibilidades

    No texto a seguir abordamos os aspectos da ovodoação, técnica de alta complexidade da medicina reprodutiva  que vem se tornando cada dia mais conhecida. Isto se dá pois a ovodoação ultrapassa barreiras, possibilitando que pessoas em diferentes configurações familiares possam ter filhos. Desta forma, mulheres com infertilidade, casais homoafetivos masculinos e pais solos, encontram na doação de óvulos uma chance de ter um bebê.

    No texto a seguir mostramos como esse tratamento acontece e os fatores que devem ser considerados por quem decide embarcar nessa linda jornada. 

    Boa leitura!

    O que é ovodoação?

    A ovodoação é um tratamento de reprodução assistida que beneficia principalmente mulheres que enfrentam dificuldades para engravidar com seus próprios óvulos.  Assim, essa técnica permite que mulheres com insuficiência ovariana severa, com falência ovariana, menopausa precoce, que passaram por tratamento oncológicos, entre outros, realizem o sonho de ter filhos.

    Além disso, a ovodoação é uma alternativa valiosa para casais com alterações genéticas, produções independentes e casais homoafetivos masculinos que desejam formar suas famílias. Nestes dois últimos casos, além da doação de gametas femininos, será necessário ainda contar com a ajuda de um útero solidário.

    Nesse processo, uma mulher (doadora) cede seus óvulos para que outra (receptora) os utilize na tentativa de engravidar. Isso é possível através da Fertilização In Vitro, em que a fecundação do óvulo da doadora ocorre em laboratório, utilizando o espermatozoide do parceiro da receptora. Em alguns casos, podem ser usados gametas masculinos de um banco de esperma. Desta forma, o  embrião resultante da fecundação é então transferido para o útero da receptora, onde será gestado.

    Prós da ovodoação

    Como vimos, a ovodoação é um tratamento capaz de ultrapassar diversas barreiras, e assim, ajudar pessoas com diferentes dificuldades para engravidar. Nesse sentido, a ovodoação aumenta significativamente as chances de sucesso em tratamentos de Fertilização In Vitro (FIV), especialmente quando os óvulos doados são de mulheres jovens e saudáveis. 

    Também na ovodoação há a possibilidade de realizar teste genético no embrião quando indicado. No tratamento com óvulos doados, o embrião é formado em laboratório, o que permite a realização de exames para identificar alterações cromossômicas e doenças genéticas antes da transferência para o útero.

    Além disso, se por um lado a doação de óvulos é muito favorável para quem recebe os gametas, por outro também beneficia quem doa. Isso porque no caso de ovodoação compartilhada, a doadora, além de dividir seus óvulos com a receptora, divide também os custos do tratamento. 

    Desta forma, além da satisfação pessoal de estar ajudando uma pessoa ou casal a formar sua família, ainda torna o tratamento mais acessível para ambas as partes. 

    Maior taxa de sucesso

    As taxas de sucesso da FIV com ovodoação dependem de alguns fatores como a receptividade endometrial da receptora, e principalmente a idade da mulher ao doar os óvulos. 

    Portanto, na ovodoação, o importante é a idade do óvulo (doadora) e não do útero (receptora), o que aumenta as chances de gravidez.  Assim,  como existem critérios na escolha das doadoras, que incluem mulheres com menos de 35 anos, as chances de gestação com óvulos doados são de 50 a 60%.

    Ajuda a realizar o sonho de ser mãe

    A doação de óvulos é uma decisão solidária que tem como objetivo ajudar outras pessoas a terem seus filhos. Nesse sentido, existem dois tipos de ovodoação:

    Ovodoação altruísta

    A ovodoação voluntária se dá quando a doação dos óvulos é feita por uma mulher fértil de até 35 anos e com único objetivo de ajudar pessoas com dificuldades para ter filhos. Dessa forma, a doadora se submete a um processo de estimulação ovariana e coleta dos óvulos. 

    Ovodoação compartilhada

    A ovodoação compartilhada ocorre quando uma mulher, que está em tratamento de reprodução assistida, divide seus óvulos coletados com outra paciente que também passa pelo processo de FIV. Ou seja, a doadora utiliza parte dos seus óvulos e doa outra parte para a mulher receptora.

    Nesse caso, além dos gametas, elas compartilham também os custos do tratamento. Vale ressaltar que tudo ocorre de forma anônima e por intermédio da clínica.

    Veja alguns casos quando a ovodoação é indicada:

    Contribuição para a ciência e outras famílias

    A doação de óvulos representa um grande avanço da ciência, sendo um pilar importante na pesquisa e desenvolvimento de novas técnicas de reprodução assistida. Assim, o aprimoramento da medicina reprodutiva acarreta melhora das taxas de sucesso das FIVs, e contribui para a descoberta de novos tratamentos eficazes e seguros. 

    Hoje a ovodoação já ajuda milhares de pessoas impossibilitadas de gerar um embrião com seus gametas a formarem suas famílias. Por conseguinte, ainda que uma mulher não consiga engravidar com seus óvulos, ela pode gestar seu filho e ter a vivência da gravidez. 

    Portanto,  a ovodoação é um passo gigante no leque de possibilidades da medicina reprodutiva na busca pela realização do sonho de ter filhos.

    Contras da ovodoação

    Como já foi dito, a ovodoação é uma alternativa promissora para mulheres que enfrentam dificuldades para engravidar com seus próprios gametas. Além disso, a técnica permite também que casais homoafetivos masculinos e pais solos tenham filhos.

    Aspectos emocionais e psicológicos

    Outro aspecto a se considerar é um possível impacto emocional, tanto para a doadora quanto para a receptora dos óvulos. 

    Nesse sentido, quem doa seus óvulos pode ter um sentimento de perda ou arrependimento em ter doado seus gametas que carregam sua genética.

    Já para a receptora, pode surgir a preocupação com a falta de vínculo genético com o futuro filho, o que gera inseguranças e dúvidas sobre a maternidade. Entretanto, estudos  demonstram que a epigenética e o ambiente de criação têm papéis fundamentais na herança, nos comportamentos e nos vínculos que se formam.

    Desta maneira, a epigenética pode interferir na forma como o DNA vai funcionar,  agindo na expressão dos genes. Portanto, apesar do embrião carregar a herança genética do óvulo doado e do espermatozoide usado na Fertilização in Vitro (FIV), ele pode sofrer influências além da genética.

    Inclusive o ambiente intrauterino pode promover essas modificações epigenéticas. Com isso, mães que passaram por ovodoação tendem a deixar marcas únicas e duradouras no bebê que gestam. 

    Essas mudanças podem se manifestar de diversas formas, como no comportamento social, no QI e até mesmo no padrão alimentar dos indivíduos.

    Riscos e complicações

    Riscos-e-complicacoes

    É importante esclarecer que a ovodoação, assim como o congelamento de óvulos e demais tratamentos de reprodução humana, é segura quando realizada por profissionais qualificados. Entretanto, alguns procedimentos  médicos podem causar efeitos colaterais ou riscos associados aos próprios tratamentos.

    Neste caso, para doadora, que passa por estimulação ovariana através de hormônios, é comum haver inchaço abdominal, alterações de humor e dores de cabeça. Além disso, embora rara, outra complicação decorrente dos indutores de ovulação usados para aumentar os números óvulos é a síndrome do hiperestimulação ovariana (SHO).  

    Ainda que minimamente também podem ocorrer infecções, sangramentos ou complicações anestésica decorrente da coleta dos óvulos. 

    Já para as receptoras, os possíveis riscos são os mesmos de qualquer gestação como aborto espontâneo,  hipertensão,  diabetes gestacional, parto prematuro, entre outros.

    Aspectos éticos e legais

    Quando falamos sobre ovodoação é comum surgirem dúvidas sobre questões éticas e legais que envolvem essa técnica de reprodução assistida.  Neste sentido, é importante saber que em muitos países a doação de óvulos segue regulamentações rígidas que definem os limites deste tratamento. 

    No Brasil, a ovodoação é protegida por normativas como a Resolução – RDC N° 771/2022 da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

    Além disso, as regras tratamentos da reprodução humana também estão definidas na Resolução nº 2.320/22, do Conselho Federal de Medicina (CFM), publicada em 2022.

    Conheça as regras para ovodoação no Brasil:

    1. A doação não poderá ter caráter lucrativo ou comercial;

    1. Os doadores não devem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa, a não ser nos casos de doações de parentes até 4° grau de parentesco, contanto que não ocorra consanguinidade; 

    1. A idade limite para a doação de gametas é de 37 anos para a mulher e de 45 anos para o homem;

    1. No caso das doações anônimas, mantém-se, obrigatoriamente, sigilo sobre a identidade dos doadores de gametas e embriões, bem como dos receptores. Em situações especiais como motivação médica, informações sobre os doadores podem ser fornecidas exclusivamente para médicos, resguardando-se a identidade civil do(a) doador(a); 

    1. A escolha das doadoras de oócitos é de responsabilidade do médico assistente. Dentro do possível, deverá garantir que a doadora tenha a maior semelhança fenotípica com a receptora;

    1. Permite-se a doação voluntária de gametas, bem como a doação compartilhada de oócitos em RA, quando a doadora e receptora participam de tratamento de medicina reprodutiva. Desta forma, compartilham tanto do material biológico quanto dos custos financeiros que envolvem os tratamentos, sendo que a doadora tem preferência sobre o material biológico;

    1. Doação entre parentes.

    Processo de ovodoação

    processo-de-ovodoacao

    A ovodoação é um tratamento  que envolve várias etapas. Assim, compreende estímulo ovariano e punção de gametas da doadora, coleta dos espermatozoides (sêmen), fecundação in vitro, preparo do útero da receptora para transferência do embrião.  

    Para que o tratamento tenha sucesso, é preciso que cada etapa seja  acompanhada de perto por especialistas em reprodução humana. 

    Como funciona a ovodoação?

    Etapas da ovodoação:

    • Estimulação ovariana: essa é a primeira etapa do processo e consiste em administração medicamentosa, por cerca de 10 dias, para estimular que os folículos se desenvolvam. Essa quantidade pode variar muito de mulher para mulher, de acordo com a sua reserva ovariana; 

    • Controle da ovulação por ultrassonografia: durante a estimulação acompanha-se, o crescimento dos folículos por ultrassonografia. Quando atingem um certo tamanho, administra-se na doadora o hormônio hCG, ou análogo do GnRH. Sua função é provocar o amadurecimento dos óvulos de dentro dos folículos;

    • Punção folicular: cerca de 36 horas após a administração do hCG, ou análogo do GnRH, acontece a aspiração do conteúdo existente dentro de cada folículo, no qual ficam os óvulos. Esse procedimento é guiado por ultrassom e com uma agulha acoplada no aparelho ocorre a aspiração de todos os folículos que se desenvolvem durante a estimulação ovariana de forma indolor, pois a paciente é anestesiada;

    • Congelamento dos óvulos: após a coleta, pode-se manter os óvulos podem ficar criopreservados por tempo indeterminado.

    No caso de ovodoação compartilhada, quando já existe uma receptora selecionada, no momento em que se coleta os óvulos da doadora, coleta-se também os espermatozoides do marido da receptora. Assim, os embriologistas podem começar o processo de Fertilização In Vitro, unindo os dois gametas em laboratório para formar embriões. 

    Após alguns dias em cultivo, ocorre a transferência dos embriões para o útero da futura mãe. O mesmo pode acontecer utilizando espermatozoides doados.

    A paciente receptora passa pelo preparo do endométrio, através de administração medicamentosa, realizando controle por meio de ultrassonografias. 

    Após a avaliação do exame de imagem, o médico poderá realizar a transferência do embrião ao útero.

    Considerações Finais

    A ovodoação é um tratamento de reprodução assistida que ajuda mulheres com dificuldades para engravidar com seus próprios óvulos. Assim, beneficia especialmente aquelas com falência ovariana, menopausa precoce, ou que passaram por tratamentos oncológicos. Além disso, também é uma solução para casais com alterações genéticas, produções independentes e casais homoafetivos masculinos que desejam filhos. 

    O tratamento envolve uma mulher doadora que cede seus óvulos para outra mulher receptora.  Desta forma, a fertilização ocorre em laboratório usando espermatozoide do parceiro da receptora ou de banco de sêmen. Depois,  o embrião resultante da Fertilização in vitro (FIV)  é transferido ao útero da receptora onde será gestado. 

    Nesse sentido, um dos principais benefícios da ovodoação é que  aumenta significativamente as chances de sucesso em tratamentos de FIV, especialmente com óvulos de mulheres jovens e saudáveis. Nestes casos, as taxas de gravidez chegam a  50-60%. Por outro lado, os custos elevados e possíveis impactos emocionais, tanto para doadoras quanto para receptoras, são alguns “contras” da doação de óvulos.

    De qualquer forma, seja altruísta ou compartilhada, a ovodoação tem ajudado a formar milhares de novas famílias ao redor do mundo.

    Após a leitura, recomendamos que você consulte nosso guia completo sobre ovodoação para mais informações detalhadas e apoio profissional.

    new RDStationForms(‘form-blog-ovodoacao-compartilhada-todas-as-etapas-para-realizar-o-procedimento-4f7a96093fadb0065ad8’, ‘UA-17227594-1’).createForm();
  • Diagnóstico Genético Pré-Implantacional: O Guia Completo

    O diagnóstico genético pré-implantacional é fundamental para rastrear possíveis anomalias genéticas do embrião antes da sua transferência ao útero materno. Nesse sentido, é realizado a partir de biópsia do embrião com o objetivo de evitar doenças e abortos de repetição. Desta forma, é possível melhorar consideravelmente os resultados dos tratamentos de reprodução assistida. 

    O que é Diagnóstico Genético Pré-Implantacional? 

    O diagnóstico genético pré-implantacional é um método antecipado de cuidado pré-natal. Nesse sentido, através de uma análise embrionária são avaliados geneticamente os embriões produzidos por Fertilização In Vitro, antes de serem transferidos ao útero.

    Desta forma, só são selecionados os embriões cromossomicamente normais e que não carregam nenhuma doença genética para serem gestados no útero materno. 

    Como Funciona o Diagnóstico Genético de Embriões? – 

    Para explicar como funciona o diagnóstico genético de embriões é importante entender que as células que formam o nosso corpo tem 23 cromossomos do pai e 23 da mãe. Sendo assim, o DNA humano é organizado em cromossomos que carregam a informação genética de cada pessoa.

    Esta informação, no entanto, está dividida em milhares de pequenos fragmentos que recebem o nome de genes.  Existem, portanto, duas cópias de cada gene, uma herdada da mãe e outra do pai.

    Como já mencionamos, o diagnóstico genético de embriões, feito pelo exame PGT é utilizado para rastrear anomalias do embrião antes da sua transferência ao útero materno  Sendo assim, é feita uma biópsia embrionária em cada embrião blastocisto, ou seja, do 5° dia de desenvolvimento. 

    A partir daí é possível saber se há alterações cromossômicas ou se há a presença de genes específicos para determinadas doenças. Desta forma, são selecionados apenas os embriões saudáveis e livres de doenças para serem transferidos ao útero materno.

    Benefícios do Diagnóstico Genético Pré-Implantacional para Casais com Dificuldades de Engravidar 

    Como já sabemos, a nossa informação genética é formada por cromossomos herdados dos nossos pais. No entanto, quando eles se juntam, em algumas situações podem ocorrer alterações numéricas ou estruturais.

    Sendo assim, as alterações cromossômicas são erros que podem acontecer durante a divisão das células ou nos gametas. Assim, dependendo do cromossomo afetado e de sua quantidade, o resultado, por exemplo, pode ser uma doença como a Síndrome de Down. 

    Da mesma forma, algumas alterações cromossômicas podem causar um abortamento espontâneo, que normalmente acontece no primeiro trimestre da gravidez.

    Nesse sentido, o diagnóstico genético pré-implantacional pode ajudar muitos casais com dificuldade de engravidar. Pois os erros de divisão celular ocorrem com mais frequência do que imaginamos. Isto acontece porque os embriões com algumas alterações são incompatíveis com a vida e não conseguem se fixar no útero materno. 

    No entanto, fazendo o diagnóstico genético pré-implantacional é possível transferir apenas os embriões saudáveis e assim melhorar as taxas de sucesso de FIV.

    Prevenção de Doenças Genéticas em Embriões

    É importante esclarecer que as doenças genéticas não têm cura, mas através do diagnóstico genético dos embriões é possível evitar que outras gerações sejam afetadas.  Desta forma, os especialistas em fertilidade têm recorrido ao exame PGT nas Fertilizações In Vitro (FIV). Além de garantir maiores taxas de sucesso de gravidez durante o tratamento, asseguram o nascimento de bebês saudáveis e livres de doenças genéticas.

    Assim, felizmente, famílias portadoras de enfermidades hereditárias podem evitar que essas doenças sejam passadas para as próximas gerações através da seleção de embriões pré – gestação.

    Além disso, com o diagnóstico embrionário, é possível proteger os descendentes diretos e, como consequência, as próximas gerações. Isto porque a alteração em questão deixa de existir na família. 

    Confira algumas doenças que são possíveis prevenir com o diagnóstico embrionário:

    O Papel do Diagnóstico Genético na Fertilização In Vitro (FIV)

    Graças ao avanço da medicina reprodutiva, atualmente conseguimos diagnosticar doenças genéticas e alterações cromossômicas em um embrião. No entanto, a possibilidade de obter o diagnóstico e conseguir evitar doenças é exclusiva para pacientes que fazem tratamento de Fertilização in Vitro.

    Nesse sentido, o casal passa pelas etapas de uma FIV, como  estimulação ovariana, coleta dos óvulos, coleta do sêmen, fecundação em laboratório e cultivo do embrião.

    Assim, com os embriões em blastocisto, é possível realizar a biópsia do tecido genético para verificar se há doenças genéticas, cromossômicas ou alterações estruturais. Os resultados demoram em torno de 20 dias, quando, então, poderá ser feita apenas a transferência dos embriões saudáveis para o útero materno.

    new RDStationForms(‘form-blog-exames-para-fertilizacao-in-vitro-confira-checklist-completo-17959a090ad5f310fd33’, ‘UA-17227594-1’).createForm();

    Em resumo, o diagnóstico genético pré-implantacional desempenha um papel crucial na prevenção de doenças genéticas, na melhoria das taxas de sucesso da FIV e no alívio do fardo emocional para casais em risco de transmitir possíveis doenças genéticas para seus filhos. 

    Ele representa uma importante ferramenta na busca por gravidezes saudáveis e na promoção da saúde reprodutiva, sendo assim, que tal agendar a sua consulta com a Dra. Vitória Piccinini, ginecologista e obstetra especializada em reprodução assistida? 

    A primeira consulta para tirar todas as suas principais dúvidas é o passo determinante para atingir uma gestação saudável. 

    Clique aqui para entrar em contato e agendar a sua consulta!

  • Maturação In Vitro de óvulos (IVM): o que é e como funciona a técnica?

    Conteúdo atualizado em 21/10/2026.

    A Maturação In Vitro de óvulos (IVM) é uma técnica de Reprodução Assistida considerada uma variante da Fertilização In Vitro tradicional. O primeiro uso dela no Brasil foi pelo Dr. Nilo Frantz, da Nilo Frantz Medicina Reprodutiva, e consiste na captação de óvulos imaturos dos ovários para o crescimento e amadurecimento em laboratório.

    No texto a seguir vamos explicar o que é IVM, para quem é indicado e como ocorre o procedimento. Além disso, falaremos um pouco mais sobre a Nilo Frantz, a pioneira no procedimento, e uma das poucas clínicas que realiza a maturação in vitro de óvulos no país.

    O que é Maturação In Vitro de óvulos?

    A Maturação In Vitro de óvulos ou IVM (sigla em inglês para in vitro maturation) é uma técnica similar a Fertilização In Vitro, em que os óvulos são coletados sem estimulação medicamentosa. Desta forma, os oócitos ainda imaturos presentes nos ovários são captados e cultivados em laboratório.

    Assim, após completarem a maturação fora do corpo da mulher, os óvulos são fertilizados com o espermatozoide pelo embriologista através de injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI).

    Na sequência, como em qualquer outra fertilização, o endométrio é preparado para receber os embriões mediante o uso de pequenas doses de estrogênio e progesterona.

    A técnica é a alternativa para o tratamento de infertilidade, principalmente, em pacientes com ovários policísticos. Nesse sentido, as taxas de gravidez vêm aumentando gradativamente com o desenvolvimento da medicina sobre novos meios de cultura e, atualmente, já se aproximam às da Fertilização In Vitro tradicional.

    Para quem a Maturação In Vitro de óvulos é indicada?

    A Maturação In Vitro de óvulos é um procedimento indicado para casos bem específicos, principalmente para mulheres jovens com Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Desta forma, esse tipo de tratamento costuma ser sugerido para pacientes que têm uma reserva ovariana muito grande, como aquelas com ovários policísticos.

    No entanto, a IVM também é sugerida para outras situações como:

    • Síndrome da hiperestimulação ovariana;

    • Contraindicação aos níveis muito elevados de estradiol durante a indução de ovulação convencional;

    • Preservação da fertilidade em pacientes oncológicas com indicação imediata de quimioterapia ou radioterapia, sem tempo hábil para utilização de protocolos convencionais de estimulação ovariana;

    • Pacientes com má resposta ao estímulo ovariano;

    • Síndrome de resistência ovariana ao FSH;

    • Para a recuperação e utilização de óvulos imaturos coletados em ciclos de Fertilização In Vitro convencionais.

    A Maturação In Vitro de óvulos é mais econômica?

    A Maturação In Vitro de óvulos é um pouco mais econômica que uma FIV no quesito de medicamentos, e o motivo é simples de explicar. Na Fertilização In Vitro usa-se medicações hormonais para a estimulação ovariana da mulher, enquanto na IVM se utiliza um meio de cultura.

    Desta forma, somente após esse processo eles são coletados e maturados em laboratório. Enquanto a estimulação ovariana dura em torno de 10 dias utilizando hormônios, na IVM o óvulo imaturo é captado e amadurecido entre 24 e 48 horas em laboratório, em um meio de cultura específico.

    No entanto, os meios de cultura para maturar os óvulos pela técnica de IVM também têm um valor elevado, o que impacta no valor do tratamento. Sendo assim, os custos dos tratamentos não variam muito, fazendo com que os especialistas dêem preferência para a FIV com ICSI utilizando protocolos de medicamentos adequados para cada tipo de paciente.

    Como acontece a Maturação In Vitro de óvulos?

    A Maturação In Vitro é uma técnica de alta tecnologia na qual a captação dos óvulos é feita enquanto eles ainda estão imaturos, entre o 8º e 10º dia do ciclo menstrual. Com isso, não há necessidade de fazer o estímulo hormonal realizado na fertilização in vitro clássica.

    Para tanto, utiliza-se uma agulha especial, devido ao fato de os óvulos serem muito menores. Confira o passo a passo dessa técnica:

    Sedação

    A punção de óvulos ocorre sob leve sedação para que a paciente adormeça, evitando que sinta qualquer dor ou incômodo. Desta forma, um anestesista garante o monitoramento correto e a segurança do procedimento.

    Lavagem

    Com o auxílio de um espéculo (instrumento utilizado no exame ginecológico), lava-se a vagina e o colo uterino com soro fisiológico.

    Punção dos óvulos

    Uma agulha extra fina acoplada ao aparelho de ultrassom é introduzida na vagina da paciente e chega até os ovários, penetrando nos folículos para a punção. Este aparato está ligado a uma espécie de bomba a vácuo que promove a sucção responsável por aspirar o líquido folicular.

    Nesse sentido, o procedimento ocorre lentamente em cada folículo para não danificar os óvulos contidos dentro deles. Em seguida, o líquido aspirado é depositado em tubinhos que contêm uma solução nutritiva. Uma vez coletados, ocorre o crescimento dos óvulos, em meios de cultura com líquidos que simulam o ambiente ovariano.

    Fecundação

    Depois de maturadas, essas células são fertilizadas por meio da injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI), no qual o gameta masculino é inserido diretamente no óvulo. Após a fecundação, formam-se os embriões em fase de blastocisto que são transferidos ao útero para serem implantados no endométrio da paciente.

    A vantagem deste tratamento está justamente na economia de medicamentos que normalmente são utilizados nos processos de FIV. Além disso, a mulher não tem os efeitos colaterais dos hormônios utilizados durante o tratamento, como alterações de humor e dor. Da mesma forma, evita-se também o risco de síndrome do hiperestímulo ovariano.

    Qual é a preparação para a Maturação In Vitro de óvulos?

    Para realizar a maturação in vitro de óvulos, as pacientes não têm que fazer nenhum tipo de preparação especial. Desta maneira, o procedimento ocorre da mesma forma que uma punção para a Fertilização In Vitro clássica.

    No entanto, o que muda são os materiais e a técnica empregada pelo especialista, devido à delicadeza dos folículos puncionados ainda muito pequenos.

    Qual clínica realiza Maturação In Vitro de óvulos?

    Em agosto de 2008 nasceu em Porto Alegre o primeiro bebê do Brasil gerado através da técnica de Maturação In Vitro, (IVM). E o grande responsável por esta conquista foi o Dr. Nilo Frantz, da Nilo Frantz Medicina Reprodutiva.

    Desta forma, surgiu uma nova alternativa para o tratamento da infertilidade em pacientes com ovários policísticos, que não podem utilizar hormônios para estimulação ovariana.

    É importante esclarecer que a clínica, além de ser pioneira na realização desta técnica é uma das poucas do país que tem larga expertise para executar o tratamento.

    Com unidades em SP e no RS, a Nilo conta com uma equipe multidisciplinar qualificada e experiente, além de um laboratório de embriologia de primeira linha que garante altas taxas de sucesso dos tratamentos.

    O pioneirismo da Nilo Frantz na IVM não parou em 2008. Em 2026, a clínica deu mais um passo histórico: em parceria com a startup americana de biotecnologia Gameto, iniciou um estudo clínico inédito no Brasil para testar o medicamento Fertilo, uma tecnologia avançada de Maturação In Vitro com potencial para tornar os tratamentos mais acessíveis, menos invasivos e mais humanizados.

    Esse compromisso com a inovação coloca a Nilo Frantz na vanguarda mundial da IVM, não apenas como a clínica que trouxe a técnica para o Brasil, mas como referência ativa no desenvolvimento de seus próximos capítulos.

    Sendo assim, a clínica oferece o que há de mais avançado, seguro e confiável na técnica de IVM e em outros procedimentos de reprodução assistida como:

    • Investigação da Infertilidade feminina;

    • Investigação masculina;

    • Congelamento de óvulos;

    • Coito programado;

    • Fertilização In Vitro (FIV);

    • Maturação In Vitro de óvulos (IVM);

    • Inseminação Intra-uterina (IIU);

    • Ovodoação (adoção de óvulos);

    • Útero de substituição.

    Maturação In Vitro vale a pena?

    Com o avanço da medicina, os medicamentos e protocolos médicos se aprimoraram, tornando a Fertilização In Vitro o tratamento mais adequado para a maioria dos casos, dada a sua grande flexibilidade para se adaptar a diversos diagnósticos de infertilidade.

    Ainda assim, casos como o seu podem ter um caminho diferente. Nosso quiz de consciência reprodutiva ajuda a entender qual faz mais sentido agora.

    Fazer o quiz

    Lembrando que as recomendações neste conteúdo não substituem a avaliação e diagnóstico realizado por um especialista.

    Perguntas frequentes sobre Maturação In Vitro (IVM)

    P: O que é a maturação de óvulos in vitro?

    R: A Maturação In Vitro (IVM) é uma técnica de reprodução assistida em que os óvulos são coletados ainda imaturos dos ovários e completam seu processo de maturação em laboratório, em um meio de cultura específico. Diferente da FIV convencional, a IVM não exige estimulação hormonal intensa para a produção de óvulos maduros. É especialmente indicada para mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) e para casos em que a estimulação ovariana convencional é contraindicada.

    P: O que significa MIV (ou IVM) em maturação in vitro?

    R: IVM é a sigla em inglês para In Vitro Maturation, Maturação In Vitro em português. No Brasil, tanto “IVM” quanto “MIV” são usados. O procedimento consiste em coletar óvulos imaturos e fazê-los amadurecer em laboratório antes da fertilização. A Nilo Frantz Medicina Reprodutiva foi pioneira da técnica no Brasil, com o nascimento do primeiro bebê do país por IVM em 2008.

    P: Como ocorre a maturação dos óvulos?

    R: Na IVM, os óvulos imaturos são coletados dos ovários por punção folicular entre o 8º e 10º dia do ciclo menstrual, usando uma agulha extra fina. Em seguida, são cultivados em laboratório por 24 a 48 horas em um meio de cultura que simula o ambiente ovariano. Após atingirem a maturação, são fertilizados pelo método ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide). Os embriões resultantes são transferidos para o útero após o preparo do endométrio.

    P: Qual é a fase da FIV mais difícil?

    R: Na Fertilização In Vitro convencional, a fase de estimulação ovariana costuma ser considerada a mais desafiadora, tanto física quanto emocionalmente. Envolve injeções diárias de hormônios por 10 a 14 dias, visitas frequentes à clínica para monitoramento, e pode causar efeitos colaterais como inchaço, alterações de humor e, em casos mais raros, síndrome de hiperestimulação ovariana. Uma das vantagens da IVM é justamente dispensar essa etapa intensa, tornando o processo menos invasivo para as pacientes indicadas.

  • Transferência de embriões: entenda como funciona e cuidados após procedimento

    Conteúdo atualizado em: 21/02/2024

    Você já ouviu falar em transferência de embriões? Essa é uma importante etapa do tratamento de Fertilização In Vitro (FIV) que ajuda milhares de pessoas a realizarem o sonho de ter um filho. 

    Na vanguarda da medicina reprodutiva, a transferência de embriões é mais do que um procedimento, é uma ponte para a realização de sonhos.  Segundo a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, cerca de 1,9% de todos os bebês nascidos nos Estados Unidos em 2020 foram concebidos através de FIV.

    Mas afinal, o que é a transferência de embriões? Como ela acontece? Quais os cuidados necessários para ajudar a gravidez acontecer? O texto abaixo vai esclarecer essas e outras dúvidas sobre o tema que faz parte da vida de muitos casais.

    Introdução à Transferência de Embriões: Entendendo o Processo

    A transferência de embriões é a última etapa da técnica de Fertilização In Vitro (fiv), e consiste no processo através do qual se transfere o embrião para o útero que irá gerá-lo. Nesse sentido, o objetivo é colocar o embrião no interior da cavidade uterina (endométrio) onde será implantado para dar continuidade a gravidez.

    No entanto, para chegar até a transferência de embriões, é importante que as fases anteriores do tratamento aconteçam com sucesso. 

    Primeiros Passos: Estimulação Ovariana Explicada

    A estimulação ovariana é a primeira etapa do processo de FIV realizada para liberar um maior número de óvulos por ciclo. O objetivo é obter uma boa quantidade de gametas femininos aptos a serem fertilizados para formar embriões, e com eles chegar a uma gravidez.

    Nesse sentido, é importante explicar que durante o ciclo menstrual natural, geralmente apenas um óvulo é liberado pelos ovários. Desta forma, embora vários folículos estejam prontos para se desenvolverem, somente um deles cresce até romper e liberar o óvulo.

    Sendo assim, a estimulação ovariana é realizada através do uso de hormônios  semelhantes aos produzidos no ciclo natural, porém em maiores doses. O objetivo é que a medicação induza o crescimento e o amadurecimento de vários folículos ao mesmo tempo, dando origem a mais óvulos por ciclo.

    Monitoramento do Ciclo: O Papel do Controle da Ovulação

    A  estimulação ovariana começa nos primeiros dias do ciclo menstrual da mulher (fase folicular) e dura aproximadamente de 8 a 12 dias.  Entretanto, a resposta às medicações é individual e depende de muitos fatores. Desta forma, idade feminina, reserva ovariana e causas da infertilidade como  endometriose, síndrome dos ovários policísticos, entre outras, interferem no resultado.

    Por isso, é importante que a estimulação ovariana seja controlada e monitorada através de ultrassonografias e exames de dosagens hormonais. Desta forma, é possível ao médico avaliar o crescimento dos folículos, e ajustar a dosagem dos hormônios caso necessário. Além disso, ajuda a determinar o melhor momento para se administrar o hCG, que induz o amadurecimento dos óvulos e a ovulação.

    Coleta de Óvulos: Preparação para a Fertilização

    Como vimos, através do  controle da ovulação é possível saber se os folículos atingiram o número suficiente e grau de maturação adequado.  A partir daí, acontece o gatilho com o hCG, para provocar o amadurecimento dos óvulos.   

    Desta forma, cerca de 36 horas após a aplicação do hCG acontece a aspiração folicular. Neste momento, os óvulos são aspirados por uma agulha bem fina, guiada pelo ultrassom transvaginal,  em procedimento simples e rápido que acontece sob sedação.

    Uma vez coletados, os gametas femininos já podem ser fecundados em laboratório através da técnica  Fertilização In Vitro ou ICSI, ou congelados para futuro uso. 

    A Importância da Coleta de Espermatozoides no Processo de FIV

    A coleta de espermatozoides é uma etapa fundamental no tratamento da Fertilização in Vitro (FIV), quando a fecundação ocorre em ambiente laboratorial. Desta forma, é necessário contar tanto com os óvulos quanto com  espermatozóides para que o embrião seja formado in vitro, ou seja, no laboratório, fora do corpo da mulher.

    Para isso, o sêmen pode ser coletado através de masturbação ou por punção testicular, quando não há espermatozoides no ejaculado. Desta forma, o material é preparado em laboratório e os melhores espermatozoides são separados para, posteriormente, serem utilizados na fertilização  . 

    Em casos de produção independente, casais homossexuais femininos ou homens com infertilidade (azoospermia), utilizam-se espermatozoides doados de banco de sêmen.

    new RDStationForms(‘form-blog-exames-para-fertilizacao-in-vitro-confira-checklist-completo-17959a090ad5f310fd33’, ‘UA-17227594-1’).createForm();

    Fecundação In Vitro: Concepção do Embrião

    Como vimos, diferente da fecundação natural, que acontece através de relação sexual, a fecundação in vitro ocorre fora do corpo da mulher. Nesse sentido, o encontro dos gametas acontece em laboratório, com a ajuda de um embriologista. 

    Uma vez coletados os gametas feminino e masculino, chega a hora de realizar a fecundação, quando se forma o embrião. Nesse sentido, existem dois métodos de fertilização do óvulo: 

    • FIV Clássica: nesta técnica, coloca-se os óvulos e uma quantidade pré-determinada de espermatozoides em uma placa. Assim, mantém-se em incubadora com as condições ideais à fecundação. O objetivo é deixar os espermatozoides fecundarem o óvulo de maneira similar à fertilização natural, com menos interferência do embriologista.
    • ICSI: na fertilização com ICSI, os espermatozoides são selecionados e injetados, um a um, dentro de cada um dos óvulos, para que ocorra a fecundação.  Nestes casos, a fertilização não ocorre espontaneamente, e há total interferência do embriologista.

    Os embriões formados no laboratório são cultivados em uma incubadora por alguns dias, até serem transferidos para o útero materno. Isto acontece geralmente no quinto dia do seu desenvolvimento, D5, quando o embrião atinge o estágio de blastocisto. Em casos de exceção, pode ocorrer no terceiro dia, D3.

    O Momento Crucial: Transferindo o Embrião ao Útero

    Os embriões formados no laboratório são cultivados em uma incubadora, 

    observados e classificados de acordo com a sua morfologia e capacidade de divisão. Nesse sentido, nem todos irão se desenvolver normalmente e alguns podem ser considerados inviáveis. Desta forma, os embriões saudáveis são separados para a etapa de transferência embrionária.  Isto acontece geralmente no quinto dia do seu desenvolvimento, D5, quando o embrião atinge o estágio de blastocisto. Em casos de exceção, pode ocorrer no terceiro dia, D3.

    Desta forma,  a transferência do embrião ao útero é a parte final da Fertilização In Vitro (FIV). Ele  pode ocorrer na sequência do ciclo da FIV (a fresco) ou em um ciclo para transferência do embrião previamente congelado. 

    Criopreservação de Embriões: Preservando o Futuro

    O congelamento de embriões é uma técnica de reprodução assistida que tem como objetivo preservar a fertilidade da mulher e do homem. Também chamada de criopreservação, o procedimento possibilita o congelamento de embriões, bem como de óvulos e espermatozoides para  posterior utilização. 

    Desta forma, após a fecundação, os embriões que chegarem ao estágio de blastocisto e não forem usados naquele ciclo de FIV podem ser criopreservados. 

    Nesse sentido, o  congelamento por vitrificação  preserva todas as características do embrião por tempo indeterminado, podendo ter uso anos mais tarde.

    Assim, após a vitrificação, embriões ou gametas ficam armazenados em tanques de nitrogênio líquido, a -196, por tempo indeterminado, até serem usados ou doados. Desta forma, o congelamento representa chances reais para quem busca ajuda da medicina reprodutiva para ter um filho.

    Escolha de Embriões para Transferência: Critérios e Processo

    Para a transferência do embrião, uma das principais preocupações é ter à disposição embriões com ótimo desenvolvimento, o que aumenta muito as chances de gravidez. 

    Nesse sentido, é importante saber que a evolução do embrião passa por diversas fases, e cada uma recebe o nome de acordo com características do seu crescimento. 

    Dessa forma, geralmente após o 5º ou 6º dia, o embrião chega ao estágio de blastocisto. É nesta etapa que, em uma gravidez natural, ele está pronto para se encaminhar ao útero, e ocorrendo a nidação, (fixação no endométrio) inicia a gestação.

    Assim, a transferência do embrião em um tratamento de Reprodução Assistida procura recriar, sempre que possível, a rotina que acontece dentro do corpo da mulher. Desta forma, o embrião em estágio blastocisto é geralmente o escolhido para ser transferido.

    Veja abaixo as características durantes as fases de desenvolvimento embrionário:

    • D1: O primeiro dia ocorre quando os gametas (óvulo e espermatozoide) se fundem para formar uma única estrutura, chamada de zigoto. A partir de então, iniciam-se as clivagens, ou seja, as divisões celulares que darão início a uma nova vida.
    • D2: Segundo dia após a fertilização: Nesta fase o embrião possui de 2 a 4 células; 
    • D3: Terceiro dia a fertilização: Nesta fase embrião deve possuir de 6 a 10 células;
    • D4: Quarto dia após a fertilização: O embrião deve estar em estágio de mórula, com cerca de 32 a 64 células compactadas;
    • D5: Quinto dia após a fertilização: O embrião chega ao estágio de blastocisto. Neste momento, ele já conta com 150 células e está em estágio ideal para se fixar ao útero. Todavia, alguns embriões podem apresentar um crescimento mais lento e chegar ao estágio de blastocisto no dia 6 (D6), ou ainda no sétimo dia de desenvolvimento (D7), também possuindo chances de gravidez.

    Quantos embriões podem ser transferidos?

    O número de embriões transferidos ao útero depende de vários fatores, como a receptividades do endométrio, e especialmente, a idade da mulher que vai gestar o bebê. Isto acontece pois quanto mais embriões são transferidos, maiores as chances de gestação múltipla, o que pode gerar riscos tanto para os bebês quanto para a mãe. Nesse sentido, o Conselho Federal de Medicina (CFM) define as normas que orientam as atividades de  Reprodução Assistida. 

    Quanto ao número de embriões a serem transferidos, fazem se as seguintes determinações de acordo com a idade:

    • Mulheres até 37 anos: até 2 embriões;
    • Mulheres com mais de 37 anos: até 3 embriões;
    • Nas situações de doação de óvulos e embriões, considera-se a idade da doadora no momento da coleta dos óvulos.

    Transferência de embriões frescos ou congelados:qual o melhor?

    A transferência de embriões pode ser feita de duas formas: a fresco ou utilizando embriões que estavam congelados. Nesse sentido, o procedimento da transferência é igual, o que difere é o tempo entre a coleta dos gametas, a fecundação e a transferência uterina.

    A fresco

    A transferência a fresco é aquela em que os gametas são recolhidos, a fecundação é realizada e, num período de três a cinco dias, são implantados no corpo da gestante. Ou seja, nestes casos o procedimento ocorre sequencialmente às etapas anteriores da FIV.

    Congelado

    Com embriões  congelados, o tempo entre a coleta dos gametas e a transferência uterina é maior, e muitas vezes demora anos. Desta forma, podem ser congelados tanto os gametas separadamente (óvulos e espermatozoides) quanto os embriões já amadurecidos.

    Nesse sentido, com a evolução das técnicas de criopreservação, não há perda de qualidade dos embriões ou mesmo risco para o futuro bebê que será gerado. Após o processo do congelamento, atualmente realizado através da vitrificação, é como se o tempo tivesse parado para o desenvolvimento embrionário.

    Como é feita a transferência de embriões?

    Como já vimos, a transferência de embriões acontece após a fecundação dos gametas em laboratório. Além disso, se acompanha o desenvolvimento embrionário até chegar a fase de blastocisto, ideal para ser transferido à cavidade uterina. O procedimento é simples e normalmente ocorre em ambiente ambulatorial. 

    Desta forma, a transferência do embrião inicia com a introdução de um fino cateter de plástico flexível pelo orifício externo do colo uterino (o mesmo da menstruação). Chamado de cateter guia, é por dentro dele que vai passar um segundo cateter, de calibre menor, trazendo os embriões. Nesse sentido, o objetivo é garantir que a trajetória seja segura até o fundo uterino. 

    Desta maneira, o cateter que contém um ou mais embriões suspensos em um meio fluido específico, vem acoplado a uma pequena seringa. Assim, esse líquido é suavemente empurrado para dentro do útero, levando junto os embriões. A partir daí, seu desenvolvimento continua na cavidade uterina, e se aderir à parede do útero (endométrio), ocorre a nidação. 

    O que acontece com o embrião após a transferência?

    Após a transferência do embrião, é esperado que aconteça a sua implantação no útero dando início à gravidez. Conhecido como nidação, este é o momento em que o embrião se fixa no tecido que reveste a camada interna da cavidade uterina.

    E para que isso possa acontecer, o endométrio é previamente preparado através dos hormônios femininos para abrigar o embrião que chega em seus primeiros estágios de desenvolvimento.  A partir daí, o embrião tem a possibilidade de se desenvolver até que a placenta se forme.

    Quanto tempo o embrião leva para se fixar no útero? 

    Como vimos, a transferência do embrião ocorre, sempre que possível, em fase de blastocisto, quando ele está pronto para se fixar ao endométrio. Assim, até este momento, o embrião ainda conserva a zona pelúcida, camada herdada do óvulo que mantém unidas as novas células embrionárias.

    Nesse sentido, somente após o rompimento da zona pelúcida, chamado de hatching, é que essas células passam a ficar aderidas diretamente ao endométrio. 

    Desta forma, este é o acontecimento que marca a implantação embrionária de fato, e ocorre, em média, três dias após a chegada do embrião na cavidade uterina. 

    Como se preparar para a transferência de embriões?

    Como já vimos, a transferência de embriões é um procedimento simples e ambulatorial e assim não é necessário jejum nem anestesia. Nesse sentido, o principal preparativo para quem vai passar por uma transferência embrionária é manter a calma. 

    Além disso, é necessário que a mulher esteja com a barriga cheia no momento da transferência embrionária pois auxilia na visualização da cavidade uterina através  do ultrassom transvaginal.  Isso ajuda também a retificar o útero, sendo fundamental para que seja visualizada a entrada do cateter de transferência e o depósito do embrião no local adequado do útero.

    Identificando Sintomas após a Transferência de Embriões

    Os sintomas após a transferência de embriões são individuais, e variam de mulher para mulher. Porém, é frequente ocorrer sangramento com causas diferentes. Nesse sentido, pode ser ocasionado pelo próprio procedimento, pois a passagem do cateter eventualmente rompe algum vaso. Além disso, a ação hormonal das medicações usadas altera a vascularização do local e pode fazer com que o sangramento seja mais evidente. 

    Outro fator comum de sangramento após alguns dias da transferência é a própria implantação do embrião. Isto acontece, pois a invasão do endométrio pelo embrião exige, muitas vezes, o rompimento de alguns pequenos vasos, o que explica o sangramento. 

    Da mesma forma, outros sintomas como cólicas e eventual alteração na temperatura podem acontecer, mostrando que o corpo está se adaptando a uma nova fase.

    Cuidados Pós-Transferência: Garantindo o Melhor Resultado

    Uma das dúvidas frequentes das mulheres que passaram pela transferência de embriões é sobre os cuidados que devem ter após o procedimento. Nesse sentido, as evidências científicas mostram que repouso não influencia no resultado do tratamento. Sendo assim, é possível seguir tranquilamente com a rotina normal, trabalhar, estudar e cuidar dos compromissos normalmente, mas claro, sem exageros. 

    Porém, alguns médicos preferem que as pacientes façam repouso por dois dias. Assim, o ideal é conversar com o especialista e seguir suas orientações.  Outra recomendação médica após a transferência embrionária é evitar relações sexuais até que a gravidez seja confirmada. Isto é indicado, pois a contração uterina durante e após as relações teoricamente pode diminuir a chance de implantação.

    Além disso, considerando que a partir da transferência do embrião se inicia a gravidez, é recomendado seguir os mesmo cuidados de todas as mulheres grávidas.

    Veja os cuidados indicados após transferência embrionária:

    • Não ingerir bebidas alcoólicas;
    • Evitar café;
    • Não fumar;
    • Não utilizar medicamentos sem prescrição médica;
    • Manter alimentação saudável e nutritiva;
    • Evitar alimentos crus.

    Quanto tempo para o resultado da transferência de embriões? 

    Após a transferência do embrião, a expectativa pelo resultado positivo de gravidez é o momento de maior ansiedade do tratamento. Nesse sentido, o recomendado é esperar, em média, 14 dias para realizar o exame de sangue Beta-HCG, para comprovar a gestação.

    Tabela dia a dia após transferência de embriões 

    O desenvolvimento embrionário após a transferência é o mesmo de um embrião que chega ao útero de forma natural e também deve se fixar no endométrio. Nesse sentido, a gravidez inicia quando a evolução do embrião resulta na sua implantação.  

    Veja como é desenvolvimento embrionário após transferência ao útero 

    Dia 1

    No primeiro dia após a transferência do embrião marca o  Início da eclosão do blastocisto com preparação inicial do endométrio. É normal que a mulher se sinta mais ansiosa pela expectativa do procedimento recém realizado.

    Dia 2

    No segundo dia depois da transferência realizada segue a etapa de eclosão do embrião e a fixação ao útero. Nesta fase a aderência do blastocisto já está mais profunda. Nesta etapa é comum a mulher sentir cólicas e cansaço leves. 

    Dia 3

    Já no d3 após a  transferência embrionária  acontece uma fixação mais profunda no revestimento uterino. É possível que a tentante apresente cólicas e sonolência 

    Dia 4

    No quarto dia após a tranferencias segue o processo de implantação, agora já com o  desenvolvimento das células que formarão a placenta e o feto. Nesta etapa algumas mulheres relatam intensificação de cólicas além de  inchaço e sensibilidade nos seios.

    Dia 5

    No d5 já pode-se considerar a Implantação completa. A partir da implantação segue o desenvolvimento embrionário.

    Dia 6

    No sexto dia após a transferência contínua, o desenvolvimento fetal e a secreção contínua hCG liberado no sangue da mãe.

    Dia 7 e 8

    Nos dias 7 e 8  segue o desenvolvimento fetal e a secreção contínua do hCG. Nesta fase, acontece também ajustes hormonais e preparação para a detecção da gravidez.   Além disso, entre o 7º e 9º dia após a implantação pode ocorrer um escape menstrual sendo indicativo de sucesso da transferência.

    Dia 9

    Já no D9, os níveis de hCG no corpo da futura mãe são altos o bastante para detectar a gravidez. Nesta fase já é possível realizar o teste sanguíneo para confirmar se a mulher está grávida.

    Após a leitura deste conteúdo, que tal agendar a sua consulta com o Dr. Marcelo Ferreira, ginecologista e obstetra especialista em reprodução humana? A primeira consulta para tirar todas as suas principais dúvidas sobre a Fertilização In Vitro (FIV) é o passo determinante para realizar o seu sonho da parentalidade. 

    Clique aqui para entrar em contato e agendar a sua consulta!

  • Fertilização In Vitro: entenda como funciona e quais são os benefícios da FIV

    A Fertilização In Vitro (FIV) é uma das técnicas da medicina reprodutiva que vem revolucionando o mundo. Nesse sentido, o tratamento tem proporcionado para milhões de homens e mulheres a chance de realizar o grande sonho de construir uma família.

    No texto a seguir, vamos explicar tudo sobre o procedimento: como funciona, para quem é indicado, taxas de sucesso, como se preparar para a FIV, entre outros assuntos.

    Leia também: o que é reprodução assistida?

    O que é Fertilização In Vitro? 

    A Fertilização In Vitro (FIV) é uma técnica de Reprodução Assistida que tornou-se conhecida em 1989, com o nascimento de Louise Brown, na Inglaterra, o primeiro bebê de proveta do mundo. Desde então, a Fertilização In Vitro vem evoluindo muito e ajudando milhares de pessoas a realizarem o sonho de ter um filho. 

    O tratamento consiste em realizar a fecundação do óvulo com o espermatozoide em ambiente laboratorial. Dessa forma, os embriões são cultivados em meio de cultura em uma incubadora, e após, são selecionados e transferidos para o útero da paciente.

    Nesse sentido, para quem não consegue engravidar de forma natural ou com outras técnicas de menor complexidade, é um dos procedimentos mais indicados, pois é um tratamento seguro e que apresenta as melhores taxas de sucesso.

    Para quem é indicada a Fertilização In Vitro?

    A Fertilização In Vitro é muito indicada para mulheres que apresentam alterações ginecológicas com problemas de ovulação ou que têm dificuldade no deslocamento dos óvulos pelas trompas de falópio. 

    Além disso, o procedimento também é uma grande alternativa para mulheres com idade avançada, pessoas com dificuldade de engravidar, casais homoafetivos ou com uma condição genética que pode ser passada ao bebê.

    Confira abaixo as principais indicações da Fertilização In Vitro:

    Taxas de sucesso da FIV

    A Fertilização in Vitro têm altas taxas de sucesso, se comparado a outros métodos de reprodução assistida, como a Inseminação Artificial ou Coito Programado.

    No entanto, as chances do tratamento dar certo estão diretamente relacionadas à reserva ovariana, ao número de óvulos coletados, a receptividade endometrial, entre outras causas que levam à infertilidade. Porém, um dos principais fatores ainda é a idade da paciente.

    Sabe-se que com o passar dos anos a mulher vai perdendo a quantidade e a qualidade de seus óvulos. Por essa razão, a chance de sucesso de uma Fertilização in Vitro, com óvulos próprios, também cai consideravelmente à medida que a idade avança.

    Nesse sentido, com 40 anos de idade, a chance de gestação é entre 20 e 30%, declinando rapidamente a partir dessa idade. Já aos 45, a chance de sucesso no tratamento com óvulos próprios é de menos de 1%. E aos 47, a possibilidade de se ter embriões aneuploides aproxima-se de 100%.

    Por esta razão, para aquelas mulheres que já sabem que querem postergar a maternidade, a indicação é o congelamento de óvulos, preferencialmente o mais jovem possível, pois a idade também impactará nos resultados. Contudo, para as que não planejaram a gravidez anteriormente, mas já estão com a idade avançada, existe a possibilidade de ovodoação. 

    Quanto tempo demora o tratamento de Fertilização In Vitro?

    A Fertilização In Vitro é um procedimento complexo que pode durar entre 20 a 25 dias, em casos de transferências de embriões a fresco. O tratamento leva este tempo, pois em um primeiro momento é necessário fazer a estimulação ovariana com o auxílio de medicamentos e a punção dos óvulos obtidos.

    Depois, deve ser realizada a coleta de espermatozoides, a fecundação e o cultivo embrionário em laboratório e, por último, a transferência do embrião ao útero da mulher. Ou seja, existem várias etapas que devem ser feitas com cuidado para que o tratamento possa ser bem-sucedido.

    Veja a média de duração de cada etapa:

    • Estimulação ovariana: de 9 a 12 dias;
    • Coleta de espermatozoides e punção folicular: 1 dia;
    • Cultivo embrionário: 5 dias;
    • Transferência do embrião para o útero: 5 dias, após a punção folicular.

    Se a FIV não funcionar na primeira vez, o casal pode tentar novamente, mas é necessário esperar algumas semanas. Geralmente, o recomendado é aguardar pelo menos um mês entre as tentativas.

    Fertilização In Vitro como funciona?

    Como já vimos, a técnica de Fertilização In Vitro é de alta complexidade e possui várias etapas. Confira abaixo o passo a passo deste procedimento que tem ajudado milhares de pessoas a realizarem o sonho de ter um filho.

    Estimulação ovariana

    Após decidir pela fertilização in vitro, dá-se início à primeira etapa do tratamento, que é a estimulação ovariana. Nesse sentido, este processo tem como principal objetivo aumentar o número de óvulos produzidos. 

    A técnica é realizada através da injeção de medicamentos que estimulam os ovários a produzir mais óvulos, para obter um número maior de embriões. Durante o período de estimulação, realizam-se ultrassonografias para acompanhar o crescimento dos folículos, até que estejam prontos para coleta.

    Desse modo, a estimulação ovariana aumenta significativamente as chances de gravidez e ainda permite a coleta de óvulos extras num único ciclo menstrual. Esta etapa tem uma duração de cerca de duas semanas, podendo ser estendida, caso necessário.

    Punção folicular

    Quando os folículos alcançam o tamanho adequado e uma quantidade de óvulos aceitável, administra-se uma injeção de hCG para induzir o amadurecimento do óvulo. A punção folicular pode, então, ser agendada por volta de 36 horas após a aplicação de hCG. 

    Para realizar o procedimento, é necessário que a paciente esteja anestesiada, de forma a evitar qualquer desconforto.

    Coleta de Sêmen

    Simultaneamente com a punção folicular realiza-se a coleta dos espermatozoides, que ocorre na clínica, por meio de masturbação. Se há algum problema grave de infertilidade masculina como a azoospermia, que é a ausência dos espermatozoides no sêmen ejaculado, o procedimento pode ser realizado coletando diretamente do testículo ou do epidídimo pelo urologista.

    Desta forma, o sêmen coletado deve ser preparado para que os espermatozoides mais saudáveis e com melhores capacidades reprodutivas sejam selecionados. Isso é fundamental para a realização da etapa seguinte da FIV.

    Fecundação de óvulos

    Após a punção folicular e a coleta dos espermatozoides, começa o processo de fecundação dos óvulos em laboratório.

    A fertilização pode ser feita pela colocação de espermatozoides ao redor de um óvulo, numa placa de cultivo. O através do uso da técnica de Injeção intracitoplasmática (ICSI), técnica que consiste na introdução de um único espermatozoide dentro do óvulo, sendo a ICSI a mais utilizada atualmente.

    Cultivo embrionário

    Quando há fecundação dos óvulos, eles são observados diariamente no laboratório e classificados de acordo com a sua morfologia e capacidade de divisão. Nem todos os embriões vão se desenvolver normalmente e alguns podem ser considerados inviáveis. 

    No entanto, separam-se os embriões saudáveis e em fase de blastocisto para a etapa de transferência embrionária. Existe um limite para o número de embriões que podem ser transferidos, de forma a evitar gestações múltiplas. Assim, os embriões excedentes que se desenvolveram adequadamente podem ser congelados, através de técnicas de criopreservação, para ser utilizado em futuras tentativas. 

    Transferência embrionária

    Nesta etapa do tratamento, selecionam-se os melhores embriões e introduzidos dentro do útero materno. O procedimento é relativamente simples, não requer qualquer tipo de sedação ou anestesia e pode ocorrer no atendimento ambulatorial.

    Teste de gravidez

    Realiza-se um teste de gravidez 10 dias depois da transferência embrionária. Caso o resultado seja positivo, será necessário realizar um ultrassom transvaginal para avaliar o saco gestacional do feto, que acontece duas semanas após o teste de gravidez.

    Quais os riscos e complicações da Fertilização In Vitro?

    Como qualquer procedimento clínico ou cirúrgico, algumas pacientes que se submetem à FIV têm efeitos colaterais. Dessa forma, as complicações mais comuns são as falhas de tratamentos, como consequência da estimulação ovariana, o risco de gravidez múltipla, problemas associados à aspiração folicular e a possibilidade de gravidez ectópica.

    No entanto, a complicação mais comum é a Síndrome da Hipestrimulação Ovariana, que acontece em apenas 2% dos casos. Ela ocorre devido aos altos níveis hormonais produzidos pelos folículos em crescimento após a coleta de óvulos. Nesse sentido, os principais sintomas da condição são:

    • Dor abdominal leve;
    • Inchaço;
    • Náuseas;
    • Vômitos.

    Como se preparar para a Fertilização In Vitro?

    Como já mencionamos, o tratamento de Fertilização In Vitro passa por diversas etapas, que podem ser um pouco desgastantes para o casal. 

    Por esta razão, listamos algumas dicas de como se preparar para a realização de uma FIV: 

    Alivie o estresse

    Busque realizar atividades que lhe dê prazer. Nesse sentido fazer uma massagem, assistir um filme, jantar com amigos ou viajar podem ser ótimas formas para relaxar.

    Participe de grupos de apoio

    O tratamento de Fertilização In Vitro envolve aspectos da sua intimidade que podem ser difíceis de compartilhar, especialmente com pessoas que não estão familiarizadas com a infertilidade. 

    Por esse motivo, é fundamental escolher uma clínica que ofereça acompanhamento psicológico com especialistas. Além disso, participar de grupos de discussão e apoio formados por pessoas que estão passando pela mesma situação, pode ajudar muito.

    Mantenha uma dieta saudável

    Além de grupos de apoio e acompanhamento psicológico, algumas clínicas também oferecem o acompanhamento de um nutricionista para orientar sobre uma dieta equilibrada. Por isso manter uma alimentação saudável é fundamental para o sucesso do tratamento.

    Informe-se e tire todas as suas dúvidas

    Outro aspecto importante para a preparação da Fertilização In Vitro é obter o máximo de informação possível sobre o assunto. Visite o site da clínica, consulte o material disponível e tire todas as suas dúvidas com os especialistas. 

    Terapias de relaxamento

    Uma dica importante que pode fazer toda a diferença é realizar terapias complementares de relaxamento durante o tratamento. Nesse sentido, acupuntura, massagem terapêutica, ioga, entre outras, são sempre bem-vindas.

    Pare com os excessos

    Durante o tratamento é importante tentar manter o foco, principalmente nas etapas mais cansativas do procedimento. Por esse motivo é necessário fazer um esforço para evitar exageros. Assim, é importante evitar o excesso de trabalho, de peso e de atividades extras.

    Realize exercícios físicos

    Realizar atividades físicas é sempre bom para a saúde. Vale lembrar que uma boa alimentação junto com exercícios físicos podem diminuir o peso e ainda melhorar a qualidade dos embriões. Por esta razão, ter bons hábitos de vida é um grande passo rumo ao sucesso no tratamento. 

    Qual a diferença entre Inseminação Artificial e Fertilização In Vitro?

    Muita gente pensa que Fertilização In Vitro e Inseminação Artificial são a mesma coisa. No entanto, os procedimentos são bem distintos. Veja abaixo as diferenças dos dois tratamentos.

    IIU – Inseminação Intra-Uterina ou Inseminação Artificial

    A inseminação artificial (IA) é uma técnica de Reprodução Assistida muito usada em casos de infertilidade masculina e feminina. Nesse sentido, o tratamento consiste na introdução dos espermatozoides diretamente na cavidade uterina da mulher, com o objetivo de facilitar a fecundação do óvulo. Ou seja, este procedimento sincroniza o encontro dos gametas para que a gravidez aconteça.

    Nesse sentido, a técnica considerada de baixa complexidade, potencializa o encontro do espermatozoide com o óvulo. Para isso, coloca-se no útero feminino uma amostra qualificada de sêmen, com preparo prévio em laboratório. Dessa forma a fertilização do óvulo acontece dentro do corpo da mulher.

    Fertilização In Vitro

    A Fertilização In Vitro (FIV) é uma técnica mais complexa que consiste na fecundação (encontro do espermatozoide com o óvulo) em laboratório, ou seja, fora do corpo da mulher.

    Nesse sentido, o tratamento é composto de várias etapas já mencionadas anteriormente como estimulação ovariana, punção folicular, fecundação de óvulos, cultivo embrionário em estufa e transferência do embrião selecionado ao útero. 

    Conheça outras técnicas de Reprodução Assistida

    Além da Fertilização In Vitro e da Inseminação Artificial, existem outros tratamentos de reprodução assistida para casos de infertilidade. 

    Nesse sentido, é importante procurar um especialista para avaliar o que está causando a dificuldade de engravidar. Assim, de acordo com o diagnóstico, o médico pode determinar a melhor técnica a seguir. Confira abaixo outras técnicas da medicina reprodutiva:

    Coito programado

    O coito programado é considerado uma técnica de reprodução humana de “baixa complexidade”. Nesse sentido, trata-se do acompanhamento de um ciclo menstrual da mulher para indicar o momento mais favorável à ocorrência da gestação. Desta forma, o ciclo pode transcorrer de forma natural, sem o uso de medicações indutoras da ovulação.

    No entanto, frequentemente faz-se uso de fármacos capazes de estimular a ovulação. Além, disso, realizam-se ultrassonografias e dosagens hormonais que indicam o período mais favorável para o casal manter relações sexuais maximizando assim a probabilidade de engravidar.

    Mini FIV

    A Mini FIV (Mini Fertilização In Vitro) é uma técnica recente em Reprodução Humana desenvolvida pelo médico japonês Osmau Kato, que se baseia na utilização de doses hormonais menores para o estímulo ovariano. Dessa forma, ela se fundamenta na hipótese já conhecida da ciência, de que são suficientes apenas 2 ou 3 óvulos em uma estimulação ovariana para produzir embriões de boa qualidade.

    Sendo assim, o procedimento utiliza uma Mínima Estimulação Ovariana (MEO), com comprimidos e pouca medicação injetável, deixando o tratamento mais simples. Esta estimulação mais leve se aproxima do planejamento natural de uma gravidez, que mensalmente procura selecionar os melhores óvulos.

    Vale esclarecer ainda que esta técnica deve ser oferecida a casos selecionados, e que também pode ocasionar maior número de cancelamentos do ciclo estimulado e menor número de transferência de embriões. Isto ocorre, pois às vezes o único embrião formado não se desenvolve adequadamente para ter transferência ao útero.

    Por esta razão, não se indica esta estratégia para todas as pacientes. Desta forma, os melhores resultados ocorrem quando a indicação for feita de modo individualizado

    ICSI

    A ICSI, ou Injeção Intracitoplasmática de espermatozoides, é uma técnica de alta complexidade da reprodução humana assistida, que ajuda casais com problemas de infertilidade a realizarem o sonho de ter um filho. Nesse sentido, esse procedimento consiste em introduzir um único espermatozoide, previamente selecionado, diretamente dentro do óvulo para que a fertilização possa ocorrer. 

    Dessa forma, a ICSI é um tratamento de Fertilização In Vitro, já que a fecundação do gameta feminino pelo masculino acontece em laboratório, fora do corpo da mulher.


    Quer se aprofundar no assunto? Então baixe o e-book Fertilização In Vitro: como o método garantiu o aumento das taxas de sucesso na Reprodução Assistida gratuitamente!

    banner ebook fertilização in vitro
  • FIV casal homoafetivo: entenda como funciona o processo

    FIV casal homoafetivo: sim, é possível! A procura de FIV por casais homoafetivos vem aumentando desde 2013 quando o Conselho Federal de Medicina (CFM) passou a permitir a realização de tratamentos de Reprodução Assistida para parceiros do mesmo sexo.

    Desta forma, com a ajuda da ciência, estes pares puderam realizar o sonho de ter filhos biológicos. E assim, as estruturas familiares no Brasil começaram a ser constituídas de diferentes maneiras.

    No texto a seguir, vamos explicar tudo sobre o processo de Fertilização In Vitro (FIV) para casais de relacionamento homoafetivo feminino e masculino. Confira!

    O que é FIV para casal homoafetivo? 

    A Fertilização In Vitro (FIV) é um procedimento de alta complexidade utilizado para tratar diversos casos de infertilidade e ajudar mães solo e casais homoafetivos a ter filhos.

    Nesse sentido, este procedimento é feito com a coleta dos gametas feminino e masculino. A partir daí, realiza-se a fecundação em laboratório, e posteriormente se transfere o embrião ao útero de quem vai gestar o bebê. 

    Assim, os casais homoafetivos femininos precisam escolher um sêmen de doador. Já os casais masculinos precisam de uma doadora de óvulos e de um útero solidário.

    Desta forma, podemos dizer que a FIV é a técnica mais eficaz de Reprodução Assistida para as mulheres com relações homoafetivas e a única forma de tratamento para casais masculinos.

    FIV casal homoafetivo e Conselho Federal de Medicina: saiba mais

    Desde 2013 o CFM, responsável por regulamentar a Reprodução Assistida no Brasil, ampliou a utilização das técnicas para casais homoafetivos que desejam engravidar, independentemente de serem ou não inférteis.

    Já em 2017, uma nova resolução publicada da entidade flexibilizou ainda mais as regras permitindo, por exemplo, o útero de substituição (barriga solidária) por parentescos de até 4ª grau. Dessa forma, as chances de casais masculinos se tornarem pais biológicos aumentaram ainda mais.

    No ano de 2021, também houve uma nova resolução, onde permite que familiares de até 4º possam doar seus gametas para ajudar no tratamento de um casal, desde que não incorra em consanguinidade.

    Regras do CFM para casais homoafetivos

    Confira abaixo as principais regras do CFM relacionadas ao tratamento de casais homoafetivos:

    • A doação de gametas ou embriões não poderá ter caráter lucrativo ou comercial. Desta forma, a doação de óvulos e espermatozoides deve ser anônima ou de parentes de até 4º grau, desde que não incorra em consanguinidade;
    • A idade limite para a doação de óvulos é de 37 anos e para espermatozoides de 50 anos;
    • A identidade dos doadores não familiares não pode ser conhecida pelos receptores e vice-versa;
    • Um mesmo doador poderá contribuir com quantas gestações desejar, desde que em uma mesma família receptora;
    • As clínicas, centros ou serviços onde são feitas as doações devem manter, de forma permanente, um registro com dados clínicos de caráter geral, características fenotípicas e uma amostra de material celular dos doadores, de acordo com legislação vigente;
    • Assim como a doação de gametas e embriões, a cessão temporária do útero não poderá ter caráter lucrativo ou comercial;
    • Um termo de consentimento livre e esclarecido deverá ser assinado pelos pacientes e pela cedente temporária do útero, contemplando aspectos biopsicossociais e riscos envolvidos até o puerpério (pós-parto), bem como aspectos legais da filiação;
    • Para atestar a adequação clínica e emocional de todos os envolvidos, exige-se, também, um relatório psicológico.

    FIV casal homoafetivo: como funciona?

    Quando um casal formado por pessoas do mesmo sexo deseja ter um filho biológico, a técnica mais indicada para concretizar este sonho é a Fertilização In Vitro.

    No entanto, o acompanhamento da gravidez começa bem antes dela acontecer de fato. Sendo assim, ao iniciar o tratamento, estes casais enfrentam escolhas emocionalmente mais difíceis, uma vez que precisam de doação de sêmen, óvulos ou até mesmo útero solidário. 

    Nesse sentido, é muito importante saber sobre todos os detalhes destes processos. Confira como funciona a FIV para o casal homoafetivo feminino e masculino.

    FIV casal homoafetivo feminino

    Para os casais formados por duas mulheres, o material genético masculino vem da doação de sêmen. No entanto, é preciso escolher qual das duas futuras mães vai doar os óvulos e carregar o embrião.

    Caso nenhuma das parceiras possua problemas de infertilidade, permite-se a gestação compartilhada, ou seja, uma das mulheres irá doar os óvulos e a outra irá gestar. Contudo, como a idade é um dos principais fatores que interferem na qualidade dos óvulos, é aconselhável que se opte pelo material genético da parceira mais jovem. 

    Ainda vale lembrar que a mãe que irá gestar pode também influenciar nas características do filho. Isto ocorre, pois existem estudos que revelam que não é só a genética que influencia nas características do ser humano, mas também a epigenética. Ou seja, a formação e o desenvolvimento do novo ser tem relação direta também com o ambiente do útero, a irrigação sanguínea, a nutrição e até mesmo o modo como a mãe que gesta pensa. 

    Sendo assim, o processo de indução da ovulação ocorre da mesma forma como em outras situações de FIV. A estimulação ovariana é feita através de hormônios para a mulher liberar um número maior de óvulos no ciclo. Na sequência, coletam-se os óvulos para fecundar com o espermatozoide em laboratório. A diferença é que o embrião pode ser gestado no útero da outra mãe.

    Como ocorre a doação de sêmen?

    A doação de sêmen é um ato voluntário que busca beneficiar pessoas que não podem ter filhos. A seleção do doador é rígida, com investigação da história pessoal e familiar para afastar doenças genéticas graves. Além disso, realiza-se exames clínicos, laboratoriais (como sorologias para hepatites, HIV, HTLV e sífilis) e avaliação adequada da fertilidade.

    No Brasil, a doação é anônima, solidária e não pode ser remunerada. Sendo assim, a lei brasileira não permite que o laboratório revele a identidade do doador. Tampouco, que ele saiba para quem o seu material foi doado. Por outro lado, a futura mãe consegue saber algumas características dos doadores, como altura, cor dos cabelos, dos olhos e da pele, tipo sanguíneo, profissão, origem étnica, religião e hobby.

    Como doar sêmen?

    A coleta para o banco de sêmen acontece em hospitais e clínicas especializadas, de acordo com as regras da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e do CFM (Conselho Federal de Medicina).

    Uma vez aprovada, as amostras são obtidas por meio de masturbação e armazenadas em nitrogênio líquido por tempo indeterminado. Pode-se utilizar tais gametas por mulheres que desejam a produção independente, casais homoafetivos femininos e casais nos quais o homem não produz espermatozoides viáveis.

    FIV casal homoafetivo masculino

    Os casais homossexuais masculinos precisam da doação de óvulos e de um útero solidário. O útero, por sua vez, deve ser emprestado de forma solidária e temporária apenas para o procedimento de gravidez.

    Por outro lado, o Conselho Federal de Medicina determina que a ovodoação deve ser feita por mulheres que estão em tratamento de Reprodução Assistida. Assim, o casal que irá receber os óvulos pode ajudar nos custos da indução da ovulação. A partir daí, os gametas femininos serão fertilizados pelo sêmen de um deles. Desta forma, após a fecundação, insere-se o embrião no útero da barriga solidária.

    No Brasil, a cedente solidária de útero deve pertencer à família de um dos parceiros com parentesco consangüíneo de até 4º grau, como mãe, avó, irmã, tia ou prima. Ainda vale ressaltar que é proibido contratar uma “barriga de aluguel” no país. Porém, tal procedimento é legal e muito frequente no exterior, sobretudo nos Estados Unidos.

    Como ocorre a doação de óvulos?

    A ovodoação é uma alternativa que ajuda mulheres e casais homoafetivos masculinos a realizarem o sonho de constituir uma família, através de óvulos de outra paciente. Nesse sentido, vale ressaltar que na ovodoação, é importante a idade do óvulo (doadora) e não a idade do útero (receptora).

    No Brasil, permite-se a doação voluntária dos óvulos, bem como a doação compartilhada. Em outras palavras, são os casos em que doadora e receptora estão participando de tratamento de Reprodução Assistida.

    Para o processo ocorrer, é feita uma triagem inicial, tanto com a paciente que compartilhará quanto com a que receberá os óvulos. Assim, a partir das características de ambas realiza-se o cruzamento dos dados. Caso haja semelhanças, encaminha-se o perfil com as características da possível doadora à paciente receptora. 

    Todo o processo acontece em clínicas especializadas de Reprodução Assistida, com total sigilo e anonimato das pessoas envolvidas.

    Como funciona o registro civil de filhos biológicos de casais homoafetivos?

    Desde 2017, consta uma normativa do Conselho Nacional de Justiça que as certidões de nascimento emitidas no Brasil não devem ter os campos “pai” e “mãe”, mas “filiação”, justamente para incluir famílias LGBTQ+. Da mesma forma, os campos “avós paternos” e “avós maternos” também foram substituídos para apenas “avós”.

    Além disso, há também uma resolução do CFM (Conselho Federal de Medicina), que regulamenta o registro de crianças com dois pais ou duas mães em casos de Reprodução Assistida ou barriga solidária.

    Nesse sentido, são necessários alguns documentos para que os casais homoafetivos consigam emitir a certidão de nascimento de seus filhos. Confira quais são:

    • Declaração de Nascido Vivo (DNV);
    • Declaração, com firma reconhecida, do diretor técnico da clínica, centro ou serviço de Reprodução Assistida indicando a técnica adotada. Além disso, é preciso formalizar que a criança gerada em laboratório nasceu mediante uso de material genético doado;
    • Certidão de casamento, certidão de conversão de união estável em casamento, escritura pública de união estável ou sentença em que se reconhece a união estável do casal;
    • RG e CPF do casal; 
    • No caso das gestações que utilizam útero de substituição ou barriga de aluguel, não constará no registro o nome da parturiente. Porém é necessária a apresentação do termo de compromisso firmado pela doadora temporária do útero.

    Reprodução Assistida casal homoafetivo: opções além da FIV

    Antigamente, a única forma de um casal homoafetivo ter um filho era a adoção. Hoje, com os avanços da Medicina Reprodutiva existem alternativas permitindo que um dos parceiros seja o genitor biológico. Nesse sentido, as técnicas de Reprodução Assistida utilizadas são duas: Inseminação Artificial e Fertilização In Vitro.

    Sendo assim, se o casal homoafetivo for do sexo feminino, pode se beneficiar das duas técnicas. A Inseminação Artificial (IA) é um processo mais simples e de baixa complexidade.

    Desta forma, uma das parceiras faz uso de medicamentos para estimulação ovariana e ultrassonografias para monitorar o crescimento folicular, ou seja, a produção de óvulos. No momento adequado, o sêmen doado é transferido ao corpo da mulher para que a fecundação aconteça naturalmente nas trompas de falópio.

    Já na Fertilização In Vitro (FIV), técnica de maior complexidade e com uso de mais hormônios, é possível puncionar até 15 óvulos. Nesse sentido, o encontro do óvulo e do espermatozóide doado ocorre em laboratório. Desta forma, o embrião se desenvolve em estufa e quando está em fase de blastocisto (5º de desenvolvimento) é transferido ao útero materno para a continuidade da gravidez.

    Entretanto, se o casal homoafetivo for do sexo masculino, a única possibilidade de ter um filho biológico é a Fertilização In Vitro. Sendo assim, como já vimos anteriormente, os óvulos devem ser doados e fecundados, em laboratório, com o sêmen de um dos parceiros. Na hora certa, implanta-se o embrião em uma mulher que cederá o útero, através de uma barriga solidária.

    new RDStationForms(‘form-blog-tratamentos-lgbtqiapn-912f7eac446157190a22’, ‘UA-17227594-1’).createForm();

  • Mini FIV: conheça o procedimento e suas diferenças para a FIV tradicional

    A Mini FIV é uma técnica de Reprodução Assistida muito parecida à Fertilização In Vitro tradicional. Nesse sentido, é quando se coletam e fertilizam em laboratório as células reprodutivas do homem e da mulher.

    No entanto, a principal diferença entre a Mini FIV e a FIV tradicional é que a primeira utiliza menos medicamentos hormonais para estimular os ovários. No texto a seguir vamos explicar as particularidades deste procedimento, para quem se indica e suas taxas de sucesso.  

    O que é mini FIV?

    A Mini FIV (Mini Fertilização In Vitro) é uma técnica recente em Reprodução Humana desenvolvida pelo médico japonês Osmau Kato, que se baseia na utilização de doses hormonais menores para o estímulo ovariano.

    Dessa forma, ela se fundamenta na hipótese já conhecida da ciência, de que são suficientes apenas 2 ou 3 óvulos em uma estimulação ovariana para produzir embriões de boa qualidade.

    Sendo assim, o procedimento utiliza uma Mínima Estimulação Ovariana (MEO), com comprimidos e pouca medicação injetável, deixando o tratamento mais simples. Esta estimulação mais leve se aproxima do planejamento natural de uma gravidez, que mensalmente procura selecionar os melhores óvulos.

    Qual a diferença entre FIV e mini FIV?

    Antes de explicarmos as diferenças de Mini FIV e Fertilização In Vitro, é muito importante esclarecer que as técnicas são iguais. Porém, na Mini FIV se usa uma menor quantidade de hormônios para a estimulação ovariana.

    Vale esclarecer que cabe ao médico especialista em reprodução assistida avaliar as necessidades de cada paciente. Sendo assim, muitas vezes se inicia o tratamento de FIV tradicional e percebe-se que não há necessidade de utilizar muitas doses hormonais. Desta maneira, a Fertilização in Vitro se torna uma Mini FIV naturalmente.

    De qualquer forma, vamos explicar abaixo as diferenças do tratamento de Fertilização in Vitro tradicional para uma Mini FIV.

    FIV Tradicional

    A Fertilização In Vitro convencional acontece há mais de 30 anos e tem alcançado altos índices de sucesso, ajudando casais a realizarem o sonho da gestação. No procedimento, aplicam-se várias doses de medicações para estimular os ovários e, assim, gerar uma quantidade maior de óvulos. Desta forma, a técnica aumenta consideravelmente a chance de gravidez por ciclo de tratamento.

    Na FIV é necessária a utilização de injeções diárias de hormônios para a estimulação ovariana. Nesse sentido, o tratamento geralmente produz óvulos excedentes que poderão ser congelados para uma futura gravidez. Contudo, por receber muito hormônio, a paciente pode sentir alguns desconfortos como retenção de líquido, inchaço abdominal e aumento de peso. 

    Mini FIV – (Mínima Estimulação Ovariana – MEO)

    Como já vimos acima, a Mini FIV é muito semelhante ao tratamento convencional de Fertilização In Vitro, porém com a aplicação de doses hormonais menores.

    Entretanto, pela quantidade mínima de medicamentos utilizados, a técnica pode causar menos estresse, inchaço, retenção de líquido e ter um menor custo financeiro.

    Além disso, a Mini FIV produz um número reduzido de óvulos (de dois a quatro no máximo). Isso pode ser interessante para casais que não desejam congelar embriões excedentes, pois todos os embriões gerados pela técnica serão transferidos ao útero.  

    Vale esclarecer ainda que esta técnica deve ser oferecida a casos selecionados, e que também pode ocasionar maior número de cancelamentos do ciclo estimulado e menor número de transferência de embriões. Isto ocorre pois às vezes o único embrião a se formar não se desenvolve adequadamente para posterior transferência ao útero.

    Por esta razão, não se indica esta estratégia para todas as pacientes. Dessa forma, os melhores resultados ocorrem quando a indicação for feita de modo individualizado

    Para quem a mini FIV é indicada?

    A Mini FIV é uma variação da Fertilização In Vitro na qual se utiliza uma quantidade menor de hormônios para estimular os ovários. Nesse sentido, por consequência, produz-se uma quantidade menor de óvulos é produzida, coletada e fertilizada com o gameta masculino.

    Desta forma, não se recomenda a Mini FIV para todos os casos. Confira para quem se indica o tratamento:

    • Mulheres com mais de 35 anos de idade, com baixa reserva ovariana ou com defasagem de folículos;
    • Casais que não desejam congelar embriões excedentes;
    • Tentantes que preferem ter menos efeitos colaterais, comuns em tratamentos de reprodução humana, como inchaço, ganho de peso, retenção de líquido e alterações de humor;
    • Mulheres que têm predisposição de desenvolver a Síndrome da Hiperestimulação Ovariana.

    Mini FIV resultados: quais são as taxas de sucesso?

    Os resultados podem se assemelhar aos da FIV Convencional, em casos específicos onde poucos óvulos podem ter um bom prognóstico. Porém não pode ser proposta para todas as pacientes, pois a pouca quantidade de óvulos, dependendo do caso, pode comprometer os resultados.

    Mini FIV: quanto custa?

    A Mini FIV tem um custo mais acessível do que a Fertilização In Vitro. Isto ocorre pois os gastos com medicações para a estimulação ovariana são menores, e geralmente não há despesas de congelamento de embriões excedentes. Mas vale lembrar que os custos relacionados à punção ovariana e aos processos feitos no laboratório são os mesmos da técnica convencional.

    Como funciona a mini FIV?

    A Mini FIV aproveita as taxas hormonais e o ciclo menstrual natural da mulher para promover o estímulo ovariano, com o auxílio de alguns medicamentos e poucas injeções. Nesse sentido, regulam-se as doses dos remédios de acordo com a resposta que o organismo de cada paciente apresenta durante o tratamento.

    Veja abaixo o passo a passo desta técnica:

    Indução da ovulação

    Na indução da ovulação os ovários são estimulados através do uso de medicamentos hormonais que promovem o crescimento e a maturação dos óvulos. Este estímulo dura de 9 a 12 dias e exames de ultrassom transvaginal ajudam a monitorar o crescimento dos gametas.

    Coleta de óvulos e espermatozoides

    Durante o ultrassom transvaginal, realiza-se uma punção dos ovários para retirar os óvulos maduros. Sendo assim, a paciente é sedada e os folículos são aspirados com uma pequena agulha para um tubo de ensaio. Dessa forma, os melhores óvulos serão  selecionados para serem fertilizados pelo sêmen do parceiro.  

    Geralmente, no mesmo dia em que acontece a punção dos óvulos, também acontece a coleta dos espermatozoides para que ocorra a fertilização em laboratório. Nesse sentido, o gameta masculino é extraído através de masturbação. 

    No entanto, para os casos de azoospermia – quando não há espermatozoide no sêmen – os homens devem se submeter à punção ou biópsia testicular para a obtenção de espermatozoides. Em outras situações, pode-se recorrer também a bancos de sêmen.

    ICSI e desenvolvimento dos embriões

    A Fertilização In Vitro por ICSI (Injeção Intracitoplasmática) é a sofisticação da técnica de FIV e Mini FIV. Assim, em vez dos espermatozoides penetrarem de forma espontânea no óvulo selecionado, apenas um espermatozoide é escolhido e injetado no óvulo maduro. Nesse sentido, o procedimento acontece através de micromanipuladores acoplados aos microscópios e tem altas chances de sucesso.

    Sendo assim, quando há fecundação, os embriões são observados diariamente no laboratório e classificados de acordo com a sua morfologia e capacidade de divisão. Os embriões saudáveis e em fase de blastocisto (embrião no 5º dia de desenvolvimento) vão para a etapa de transferência embrionária.

    Transferência embrionária

    Nesta etapa de transferência, selecionam-se os melhores embriões e introduzidos dentro do útero materno. O procedimento é relativamente simples, não requer qualquer tipo de sedação ou anestesia e pode acontecer no atendimento ambulatorial.

    Nesse sentido, de 7 a 10 dias depois da transferência embrionária, é realizado um teste de gravidez. Caso o resultado seja positivo, será necessário realizar um ultrassom transvaginal para avaliar o saco gestacional do feto.


    Você sabe quais são os exames necessários para fazer a FIV? Descubra baixando o nosso checklist gratuito!

    Checklist Exames para FIV confira checklist completo
  • Biópsia testicular: qual sua importância para o tratamento da azoospermia?

    A biópsia testicular é um procedimento muito utilizado para quem tem diagnóstico de azoospermia, ou seja, homens que não têm espermatozoides na ejaculação.

    Ela serve para retirar os espermatozoides diretamente dos testículos, através de uma cirurgia, na tentativa de conseguir uma gestação com os próprios gametas do casal.

    No texto a seguir, vamos esclarecer tudo sobre o procedimento: como acontece, para quem se recomenda, quais os possíveis resultados e demais dúvidas sobre o assunto. 

    Biópsia testicular: o que é?

    A biópsia testicular consiste da retirada cirúrgica de pequenos fragmentos de tecido testicular de um ou dos dois testículos, realizada com anestesia local, muitas vezes associada a sedação. Desta forma, é possível analisar se existe produção ou não de espermatozoides pelos testículos em casos de azoospermia. 

    Para que serve a biópsia testicular?

    Normalmente indicam-se as técnicas de biópsia testicular para pacientes azoospérmicos, ou seja, que não apresentam espermatozoides em seu esperma. Nesse sentido, esta condição é detectada em um exame de espermograma.

    Assim, com este procedimento é possível saber se a azoospermia é de ordem obstrutiva – quando testículo produz adequadamente espermatozoides, mas há uma obstrução no trajeto, ou não obstrutiva, também chamada de secretora. Neste caso, pode não haver produção de espermatozoides pelo testículo ou ainda acontecer, mas de forma inadequada.

    Nesse sentido, essa informação é fundamental para uma tomada de decisão sobre o melhor tratamento para o paciente.

    Sendo assim, a biópsia testicular é muito frequente para a realização de Fertilização in Vitro pela técnica de ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides). Desta forma, consegue-se uma gestação com os próprios gametas do casal, sem precisar recorrer ao uso de um banco de sêmen. Todavia, homens vasectomizados também podem recorrer ao procedimento.

    Quais são os tipos de biópsia testicular?

    Como já mencionamos, a biópsia testicular é um procedimento cirúrgico que retira parte do tecido testicular para captar espermatozoides dessa amostra. Nesse sentido, existem dois tipos de cirurgia para realização do exame. 

    Confira abaixo as diferenças entre elas:

    TESE (Testicular Sperm Extraction)

    A TESE é conhecida por biópsia aberta. Nesta técnica, o cirurgião faz uma pequena incisão na pele do testículo (cerca de 1 cm), expondo-o sem extraí-lo da bolsa testicular. A partir daí, retira-se parte do tecido do testículo, na área considerada com maior probabilidade de conter gametas.

    Micro TESE (Microsurgical Testicular Sperm Extraction)

    A Micro TESE ocorre nos casos em que a TESE não encontrou espermatozoides. Neste sentido, a coleta dos gametas acontece com auxílio da microscopia, expondo todo o testículo para fora da bolsa testicular.

    Desta forma, o cirurgião, pacientemente, tenta localizar áreas do testículo que possam conter ilhas de produção de espermatozoides. Esta microcirurgia exige exímia habilidade do cirurgião.

    É importante esclarecer que em ambas as cirurgias, o material coletado é enviado para o laboratório, onde os espermatozoides são detectados e separados. Além disso, eles também passam por uma análise para verificar sua motilidade e morfologia. Sendo assim, se os resultados forem satisfatórios, eles podem ser usados em uma Fertilização in Vitro ou congelados para futuro um tratamento de FIV.

    Qual é o preparo para a biópsia testicular?

    Para a realização da biópsia testicular não é necessário um grande preparo por parte do paciente. Contudo, como normalmente o procedimento ocorre sob anestesia, solicita-se jejum de no mínimo oito horas.

    Como é feita a biópsia testicular?

    O primeiro passo para fazer uma biópsia testicular é agendar uma consulta com um especialista para investigar minuciosamente a causa da infertilidade. Nesse sentido, o médico recomenda fazer exames específicos de espermograma, ultrassom da bolsa escrotal com Doppler, bem como exames laboratoriais e hormonais.

    Detectada a inexistência de espermatozoides na ejaculação e na punção testicular, o médico, então, solicita a biópsia testicular. Confira o passo a passo do procedimento:

    1. Após o paciente ser sedado e anestesiado, é realizada uma incisão na pele do escroto com cerca de 1cm;
    2. Após esta abertura, fica exposta a albugínea testicular, onde é feita outra incisão de aproximadamente 0,5cm;
    3. Neste momento são removidos pequeníssimos fragmentos da polpa testicular que serão encaminhados ao laboratório para detectar a presença de espermatozoides;
    4. Por fim, o médico fecha os planos cortados com fio reabsorvível.

    Como é a recuperação da biópsia testicular?

    Depois da cirurgia, o paciente fica cerca de 3 horas hospitalizado em recuperação, e na sequência, é liberado para casa. Contudo, indica-se 24h de repouso com uso de antibiótico, analgésicos leves, bolsas de gelo no local no primeiro dia e abstinência sexual por duas semanas.

    Além disso, deve-se evitar atividades físicas vigorosas como pegar peso, andar de bicicleta, correr e nadar por 7 a 10 dias. Sendo assim, cerca de 14 dias após a cirurgia, a cicatrização estará completa e a pele deve absorver os pontos. 

    A biópsia testicular oferece algum risco?

    A biópsia testicular é praticamente isenta de complicações quando efetuada por um urologista experiente. 

    Porém, por ser um procedimento invasivo pode gerar, em raras situações, algum hematoma ou infecção da ferida operatória. De qualquer forma, a biópsia testicular, se bem executada, nunca interfere na coleta posterior de espermatozoides e nem provoca atrofia testicular.

    Contudo, o exame pode ser contraindicado para pacientes com doenças testiculares graves.

    Quais são as possibilidades de resultados da biópsia testicular?

    O resultado do tecido extraído na biópsia testicular tem papel principal de auxiliar a traçar o prognóstico do paciente. Em geral, a azoospermia obstrutiva representa 35% dos casos e as secretoras ou não obstrutivas 65% das situações.

    Neste sentido, a diferença destes dois tipos tem extrema importância prática: na azoospermia obstrutiva a taxa de sucesso na coleta de gametas para posterior utilização em técnicas de Reprodução Assistida é de 100%. Já na azoospermia não obstrutiva é extremamente variável e imprevisível.

    Isto porque existem praticamente 3 padrões de resultados de biópsias: Parada de Maturação, Síndrome de Sertoli Cell e Hipo-espermatogênese (ou hipoplasia).

    Estes três padrões refletem chances diferentes de encontrarmos espermatozoides na biópsia testicular. Sendo assim, as melhores chances são quando nos deparamos com um caso de Hipoplasia, no qual as chances de achar gametas chegam a 70%. 

    No caso de Parada de Maturação, este índice já começa a diminuir e quando o resultado é Síndrome de Sertoli Cells, as chances são inferiores a 30%. Ou seja, com um prognóstico muito ruim.


    Um bom diagnóstico é o primeiro passo para um tratamento de Reprodução Assistida bem sucedido. Para saber mais sobre o assunto, baixe agora mesmo o nosso e-book gratuito!

  • Histeroscopia: entenda como funciona o exame e para quem é indicado

    O exame de histeroscopia é um procedimento realizado na avaliação da saúde da mulher. Nesse sentido, além dos exames de rotina, em alguns casos é preciso também fazer uma investigação mais completa do útero da paciente através de um histeroscópio. 

    Mas afinal, o que é a histeroscopia? Para que serve? Como acontece o exame? Leia o texto abaixo e esclareça essas e outras dúvidas sobre este tema.

    O que é histeroscopia?

    A histeroscopia é um exame ginecológico que possibilita identificar eventuais alterações existentes no útero da mulher. Desta forma, através dele é possível visualizar a cavidade uterina e assim identificar diversas doenças. Além disso, o exame também é muito importante para indicar e controlar cirurgias uterinas.

    Nesse sentido, a histeroscopia é similar a uma endoscopia. O exame é relativamente simples e bastante solicitado pelos médicos e especialistas que cuidam da saúde feminina. 

    Para quem o exame de histeroscopia é recomendado?

    Indica-se o exame de histeroscopia para as mulheres com suspeita de infertilidade ou que apresentem pólipos, miomas, aderências uterinas, alterações no endométrio, sangramentos, adenocarcinomas , abortamentos de repetição, entre outros. Nesse sentido, além de diagnosticar doenças, o exame pode servir também no tratamento de alguns desses males.

    Desta forma, este exame ocorre sempre que o médico achar necessário investigar se alguma doença está atingindo o útero da mulher. Nesse sentido, normalmente se solicita a histeroscopia após um ultrassom da pelve, podendo ser feito em pacientes de qualquer idade. Além disso, como se utiliza um aparelho muito fino, pode acontecer inclusive em mulheres com hímen. 

    Como o exame de histeroscopia é feito?

    O exame de histeroscopia é feito com um aparelho chamado histeroscópio, que é introduzido pela vagina para acessar a cavidade uterina. Nesse sentido, para facilitar o exame e permitir que as imagens sejam transmitidas para um monitor, é usado gás (co2) ou soro fisiológico para distensão do útero. 

    Dependendo do tipo, o procedimento pode ser feito com ou sem anestesia, em nível ambulatorial ou hospitalar.

    Quais são os tipos de exame de histeroscopia?

    O médico indica o exame de histeroscopia quando há suspeita de alguma anomalia. Neste sentido, há dois tipos de exames para objetivos diferentes: a diagnóstica e a cirúrgica.

    Histeroscopia diagnóstica

    Como o próprio nome diz, a histeroscopia diagnóstica acontece para investigar e diagnosticar qualquer problema intrauterino. Nesse sentido, através de imagens do útero, do canal endocervical e da vagina é possível avaliar se existe algum problema nestas regiões do corpo feminino. 

    Além disso, quando necessário, durante a histeroscopia diagnóstica também é possível realizar biópsias. Vale esclarecer que o exame causa pouco desconforto à mulher, mas, para garantir a comodidade das pacientes pode ser feita uma sedação, caso solicitado.

    Para quem a histeroscopia diagnóstica é indicada?

    Há muitas situações para as quais indica-se o exame de histeroscopia diagnóstica, mas a principal razão ainda é o sangramento anormal. Isto porque o exame é capaz de mostrar pólipos, miomas, câncer do endométrio e malformações uterinas. 

    Além disso, a histeroscopia diagnóstica também serve para fazer laqueadura (esterilização definitiva) e auxiliar no diagnóstico e acompanhamento de lesões do colo uterino causadas pelo HPV (Papiloma Vírus Humano). 

    Outra indicação para esse tipo de exame é quando a mulher apresenta dificuldades para engravidar ou tem abortos de repetição. Nesse sentido, é um exame obrigatório antes de procedimentos como a Fertilização In Vitro, para que seja possível avaliar as chances de sucesso da técnica de reprodução.

    Qual a preparação para a histeroscopia diagnóstica?

    Para garantir um melhor resultado do exame, aumentando a capacidade de diagnóstico e evitando possíveis complicações, é importante seguir algumas orientações:

    • O exame não deve ocorrer durante o período menstrual;
    • Na mulher em idade fértil, a histeroscopia deve acontecer na primeira fase do ciclo menstrual, entre o 5º e o 14º dia, (fase proliferativa), quando as alterações da cavidade uterina são mais evidentes;
    • Evitar relações sexuais por pelo menos 72 horas antes do exame; e não passar creme na vagina neste mesmo período;
    • Tomar um comprimido de Feldene ou Buscopan, cerca de 30 minutos antes do exame, para prevenir a ocorrência de cólicas.

    Como a histeroscopia diagnóstica é feita?

    Com a paciente deitada em posição ginecológica, o procedimento consiste na introdução do histeroscópio pela vagina, que chega através do canal do colo uterino até a cavidade endometrial. Nesse sentido, o aparelho com aproximadamente 10 milímetros de diâmetro contém uma fibra óptica que transmite luz, permitindo a visualização da cavidade do útero. 

    Além disso, uma câmera acoplada ao equipamento leva imagens até um monitor de TV, o que permite ao médico e à paciente acompanhar o exame em tempo real. 

    A histeroscopia diagnóstica geralmente é feita com sedação, em nível ambulatorial. Durante o exame, é possível retirar pequenos pólipos para posterior envio para análise.

    Como é o pós exame de histeroscopia diagnóstica?

    A histeroscopia diagnóstica de forma geral é um procedimento rápido, e a recuperação da paciente é imediata e simples. Entretanto, após a realização do exame pode haver algum desconforto ou ligeira dor como uma cólica na região pélvica. 

    Nesse sentido, a intensidade varia de acordo com o limiar de dor de cada mulher. Em todo caso, normalmente em um curto período de tempo após a realização do exame, a paciente já pode ir para casa.

    Histeroscopia cirúrgica

    A histeroscopia cirúrgica tem como objetivo realizar procedimentos terapêuticos para corrigir algum problema que a causa já tenha sido identificada. Desta maneira, é possível remover pólipos uterinos, miomas submucosos, corrigir alterações da cavidade do útero, remover aderências e retirar o DIU, quando este não possui fios visíveis.

    Nesse sentido, como se trata de uma cirurgia, é necessário que seja feita com anestesia. No entanto, o tipo de sedação varia de acordo com a extensão do procedimento a se realizar.

    Para quem a histeroscopia cirúrgica é indicada?

    Indica-se a histeroscopia cirúrgica para mulheres que apresentam sangramento abundante, cujas causas já tem diagnóstico. Desta forma, o procedimento é feito para remover miomas e pólipos uterinos e retirar aderências no útero, bem como tratar alterações da cavidade uterina como útero bicorno, unicorno, didelfo e septado. Além disso, o exame também serve para realizar laqueadura das tubas uterinas.

    Qual a preparação para a histeroscopia cirúrgica?

    Para a realização do exame de histeroscopia cirúrgica, não são necessários muitos preparativos. No entanto, como o procedimento acontece sob anestesia, solicita-se que a paciente fique em jejum por, pelo menos, 8h antes do exame. Além disso, em alguns casos, o médico pode indicar também um comprimido anti-inflamatório cerca de 1 hora antes da realização do exame em consultório.

    Assim como na histeroscopia diagnóstica, na cirúrgica a mulher também não deve estar menstruada ou ter perdas hemáticas (de sangue) muito abundantes, de forma a ser possível a visualização da cavidade uterina. 

    Como a histeroscopia cirúrgica é feita?

    A histeroscopia cirúrgica é realizada pelo ginecologista e deve ser feita sob anestesia geral ou raquidiana para que não haja dor. Nesse procedimento, introduz-se o histeroscópio pelo canal vaginal até o útero para que sejam visualizadas as estruturas. 

    Em seguida, para expandir o útero e possibilitar a realização do exame, coloca-se dióxido de carbono em forma de gás ou fluido. Uma câmera acoplada transmite as imagens do exame ao histeroscópio, permitindo maior visualização do médico. O procedimento dura entre 5 e 30 minutos, dependendo da extensão da cirurgia.

    Como é o pós exame de histeroscopia cirúrgica?

    O pós-exame da histeroscopia cirúrgica normalmente é simples, com recuperação geralmente imediata. Nesse sentido, depois de acordar da anestesia, a paciente fica em observação por cerca de 30 a 60 minutos e, se estiver bem, pode ir para casa. No entanto, em alguns casos, pode ser necessária a internação por 24 horas.

    Contudo, é possível que a mulher sinta dor, semelhante à cólica menstrual, nos primeiros dias. É normal também que tenha perdas de sangue pela vagina, por até três semanas ou até à menstruação seguinte. Nesse sentido, caso a paciente sinta febre, calafrios ou o sangramento for muito intenso, é importante voltar ao médico para que seja feita nova avaliação.

    Quais são as contraindicações do exame de histeroscopia?

    Como vimos aqui, o exame de histeroscopia é de extrema importância para detectar e tratar doenças que afetam a saúde da mulher. Entretanto, há situações em que as mulheres não devem realizar nenhuma variante do exame, por questões como:

    • Gravidez em curso;
    • Sangramento abundante;
    • Infecção recente ou ativa;
    • Menstruação;
    • Corrimento anormal.

    Principais dúvidas sobre exame de histeroscopia 

    O exame de histeroscopia tem um nome complicado, mas é um procedimento relativamente simples e comum nos consultórios de ginecologia. Porém, ainda existem diversas dúvidas a respeito desse assunto. 

    Veja os principais questionamentos sobre o procedimento:

    Quanto tempo dura a histeroscopia?

    O tempo da histeroscopia é muito variável. Nesse sentido, a demora depende da experiência do cirurgião, da indicação do exame, e da complexidade do procedimento. No entanto, habitualmente, o exame leva em média entre 30 minutos a 1 hora após a dilatação do útero.

    Quantos dias de repouso após a histeroscopia?

    Após a histeroscopia, quando o procedimento é mais simples, é recomendado apenas um repouso de 24 horas. Porém, nos casos mais complexos, como a remoção de miomas maiores, a recomendação é de repouso por mais dias, de acordo com orientação médica.

    O exame de histeroscopia dói?

    A histeroscopia pode causar certo desconforto durante a passagem do canal cervical, especialmente se este estiver mais estenosado (“apertado”), como acontece em mulheres na menopausa ou que não tiveram partos naturais. 

    Além disso, pode também ser doloroso o momento em que a cavidade uterina é distendida e no procedimento terapêutico, se houver contato com o miométrio (parede do útero).

    Por se tratar de um exame que gera um desconforto, na maioria dos casos, é realizada uma sedação endovenosa (geral) ele deve ser realizado em bloco operatório.

    A histeroscopia serve para retirar DIU? 

    Sim, é possível retirar o dispositivo intra-uterino (DIU) por histeroscopia quando os fios no colo do útero não são visíveis. Nesse casos, o procedimento é realizado em consultório médico, com ou sem anestesia, e a retirada ocorre de maneira simples e rápida.

    Qual a relação entre exame de histeroscopia e infertilidade?

    O exame de histeroscopia é muito importante para os resultados contra a infertilidade feminina, pois diagnostica e trata doenças uterinas, que podem estar interferindo no sucesso de uma gravidez. 

    Nesse sentido, anteriormente a histerossalpingografia era um dos exames mais importantes para avaliar a cavidade uterina e a permeabilidade das tubas. Porém, a histeroscopia melhorou o diagnóstico e o tratamento dessas pacientes possibilitando maiores taxas de gravidez.

    Onde fazer o exame de histeroscopia?

    O exame de histeroscopia pode ser feito em ambulatório ou centro cirúrgico, com ou sem anestesia. Desta forma, a indicação cabe ao médico, de acordo com o diagnóstico. 

    Você sabe quais são os efeitos da endometriose na gravidez? Saiba tudo sobre o assunto baixando gratuitamente o nosso infográfico!

    banner Infografico marco amarelo - endometriose
  • Como funciona o congelamento de óvulos? Veja o processo passo a passo

    O congelamento de óvulos, também chamado de criopreservação, é a técnica de preservação dos óvulos em nitrogênio líquido, por meio de vitrificação. Nesse sentido, o congelamento de óvulos é um tratamento para postergar a possibilidade de ter filhos.

    Este procedimento ocorreu pela primeira vez em 1986 e, desde então, o método progrediu significativamente. Vale ressaltar que, nos primeiros anos, a taxa de gravidez a partir de óvulo congelado era muito baixa (cerca de 1%). Isso acontecia porque a técnica utilizada para o congelamento criava cristais de gelo que danificavam a estrutura da célula. 

    No entanto, com a introdução da técnica de vitrificação, em 2006, a taxa de qualidade e de sobrevivência dos óvulos após descongelamento aumentou para 95%. Assim, de acordo com o Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), a procura por congelamento de óvulos  triplicou nos últimos anos.

    Por este motivo, a técnica é considerada como um dos avanços mais importantes da Medicina Reprodutiva dos últimos tempos.

    Até que idade é possível congelar óvulos?

    Uma mulher jovem com cabelos castanhos, lisos e compridos, em uma pose pensativa.

    Sabe-se que as mulheres estão biologicamente no auge da fertilidade  entre 20 a 30 anos. Portanto, o ideal é fazer o congelamento de óvulos nesse período.

    Contudo, muitas mulheres deixam para recorrer ao procedimento depois dos 38 anos, porém, as chances de sucesso diminuem muito. Isso porque o envelhecimento reduz significativamente a quantidade e a qualidade dos óvulos produzidos, interferindo diretamente nas chances de uma gravidez.

    Sendo assim, de acordo com a Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRA), a idade indicada para o congelamento de óvulos é de até 35 anos.

    Quando o congelamento de óvulos é indicado?

    Existem diversos motivos pelos quais as mulheres optam pelo congelamento de óvulos. Seja por escolha pessoal ou questões médicas, com a criopreservação as mulheres ganham mais tempo para decidirem sobre a maternidade.  

    Veja quais as principais indicações para o congelamento de óvulos:

    Mulheres que pretendem engravidar após os 35 anos de idade

    Em um passado não muito distante, o início da maternidade era, geralmente, aos 20 anos. Hoje em dia, como já vimos, a média de idade do primeiro filho supera os 35 anos.

    Nesse sentido, é importante esclarecer que as mulheres já nascem com um número de óvulos predeterminado e o seu organismo não é capaz de produzir mais. Sendo assim, com o avanço da idade, os óvulos envelhecem e, neste processo, a quantidade e a qualidade disponíveis para serem fertilizados também diminuem. 

    Por esta razão, para aquelas mulheres que pretendem adiar a maternidade recomenda-se o congelamento de óvulos. Entretanto, segundo o Conselho Federal de Medicina, a idade máxima para se submeter a um tratamento de reprodução assistida é de até 50 anos. Este limite de idade se deve ao risco de aumento de casos de hipertensão na gravidez, diabetes e partos prematuros. 

    Mulheres com histórico familiar de menopausa precoce

    A menopausa precoce é um quadro clínico em que a mulher deixa de ovular e menstruar antes dos 32 anos. Isso é considerado anormal já que o período natural para a falência ovariana é após os 40 anos.

    Sabe-se que a menopausa precoce pode se originar de vários fatores, como da própria genética, por exemplo. Dessa forma, é importante que a mulher saiba quando sua mãe e avós entraram na menopausa, pois há uma tendência que o cenário se repita.

    No entanto, independente dos fatores, é importante ressaltar que mulheres com menopausa precoce podem preservar a sua fertilidade, congelando seus óvulos de forma preventiva. Assim, quando decidirem ter filhos, poderão usar os óvulos congelados, caso necessário.

    Mulheres que serão submetidas a tratamentos oncológicos

    Mulheres que necessitam de  quimioterapia ou radioterapia, e que desejam ter filhos, têm a possibilidade de congelar os óvulos antes de iniciar o tratamento oncológico. Assim, quando estiverem recuperadas poderão usar seus próprios gametas para engravidar.  

    Entretanto, é fundamental avaliar junto ao oncologista a viabilidade de fazer o congelamento prévio ao tratamento contra o câncer.  Se não for possível esperar para realizar a indução de ovulação, existe a possibilidade da retirada e o congelamento apenas de fragmentos de tecido ovariano. Assim, quando a mulher terminar o tratamento, pode-se implantar estes fragmentos novamente, para tentar a fertilização. 

    Quais são as taxas de sucesso de gravidez com óvulos congelados?

    Uma mulher grávida vestindo uma camisa branca aberta, que revela sua barriga de gravidez. Ela está segurando um pequeno ursinho de pelúcia, vestido com um macacão listrado azul e branco com um coração vermelho no centro.

    Sabe-se que desde 2006, com o desenvolvimento da “vitrificação”, técnica criada por cientistas japoneses, a taxa de sobrevivência do óvulo após  descongelamento é de 95%. Dessa forma, as taxas de gravidez de óvulos congelados são praticamente as mesmas dos óvulos frescos.

    No entanto, vale lembrar que a taxa de sucesso de uma gestação relaciona-se diretamente à idade da mulher no momento em que congelar seus óvulos. Ou seja, o que importa é a  idade do óvulo e não o da mulher  na época em que vai ocorrer a fertilização e a transferência. 

    Portanto, a possibilidade de uma gravidez futura em mulheres que congelarem seus óvulos depois dos 38 anos de idade é menor do que em mulheres que fizeram o procedimento mais jovens.

    Confira abaixo as chances de sucesso de gravidez, conforme a idade da mulher. 

    Idade da MulherChances de Engravidar (%)
    Até 25 anos25-30%
    26-30 anos20-25%
    31-35 anos15-20%
    36-40 anos10-15%
    Acima de 40 anosMenos de 5%

    É  importante dizer que cada caso é diferente do outro. Portanto, é imprescindível que a mulher passe por uma avaliação médica para verificar a sua reserva ovariana e outras questões de saúde. Da mesma forma, ela precisa do acompanhamento de um especialista em reprodução assistida durante todo o processo de congelamento de óvulos.

    Você pretende fazer o congelamento de óvulos? Marque uma consulta com um dos nossos especialistas e preserve as possibilidades de ser mãe.

    Como funciona o congelamento de óvulos?

    O congelamento de óvulos é realizado em algumas etapas e leva em média 15 dias. Veja o que acontece em cada fase do tratamento:

    Estimulação ovariana

    A estimulação ovariana tem como principal objetivo estimular um número maior de óvulos maduros para serem coletados e congelados. Assim, a mulher recebe injeções de hormônios para estimular seus ovários a produzir múltiplos óvulos no mesmo ciclo menstrual e não apenas um, como ocorre naturalmente. Dessa forma, o uso de medicamentos como as gonadotrofinas, promove o amadurecimento de mais óvulos para serem coletados 

    Monitoramento e controle hormonal

    Durante aproximadamente de 10 a 14 dias, a mulher  é monitorada através de exames de ultrassonografias e de sangue.  O objetivo é avaliar o desenvolvimento dos folículos ovarianos e ajustar as doses dos hormônios conforme necessário. 

    Desta forma, quando os folículos atingem um tamanho adequado, uma injeção de hormônio hCG é administrada para induzir a maturação final dos óvulos nos folículos.

    Aspiração e recuperação dos óvulos

    A coleta dos óvulos, ou punção folicular, ocorre cerca de 36 horas após a injeção de hCG. Este procedimento acontece com uma agulha fina acoplada ao ultrassom que é introduzida na vagina da paciente até os ovários para aspirar os folículos. Em seguida, o líquido aspirado é depositado em tubinhos que contêm uma solução nutritiva semelhante à produzida pelas trompas. Este procedimento  é realizado sob sedação leve.

    Congelamento

    Após a coleta, os óvulos são imediatamente levados ao laboratório, onde são avaliados e preparados para o congelamento. O processo acontece pela técnica de vitrificação, que se caracteriza pela rapidez com que atinge baixas temperaturas. Sendo assim, a velocidade da diminuição de temperatura na vitrificação é de – 23ºC por minuto. Ou seja, 70 vezes mais rápido que o processo de congelamento lento. 

    Dessa forma, os óvulos congelados ficam armazenados em um cilindro de nitrogênio líquido e são mantidos a −196º. Eles, por sua vez, ficam num estado vítreo, impedindo a formação de cristais de gelo, que danificam as células reprodutoras.

    Como funciona o descongelamento de óvulos e seu uso na Fertilização in vitro?

    Os óvulos criopreservados podem ficar congelados, por tempo indeterminado, até serem utilizados para uma gravidez própria, ovodoação, ou eventualmente descartados. Nesse sentido, para passar pela fertilização in vitro, os óvulos  são descongelados em um processo controlado e, então, fecundados em laboratório. Os embriões resultantes são cultivados por alguns dias antes de serem transferidos para o útero da mulher para tentar uma gravidez.

    Confira abaixo mais detalhes sobre a Fiv com óvulos descongelados

    Preparo do endométrio

    O preparo do endométrio, camada interna do útero, para receber os embriões pode ser considerado um processo simples. Se a mulher possui ciclos regulares, o procedimento pode acontecer dentro de um ciclo ovulatório espontâneo, acompanhado por ultrassom e dosagens hormonais. 

    Descongelamento e fertilização in vitro

    No processo de descongelamento, retiram-se os óvulos do nitrogênio líquido para serem aquecidos. Logo após, acontece a fertilização quando são fecundados em laboratório, usando esperma do parceiro ou doado. 

    Os embriões resultantes têm o seu crescimento acompanhado até o quinto dia, quando atingem a fase de blastocisto, e estão prontos para transferência ao útero. 

    Transferência embrionária

    Com os embriões de melhor qualidade separados e o endométrio adequadamente preparado, a mulher poderá agendar a transferência embrionária. O processo é indolor e consiste na introdução dos embriões no útero por meio de uma sonda (cateter) guiada por ultrassom abdominal. Normalmente, o procedimento é feito sem anestesia. Assim, depois de 10 dias, deve ser feito um exame beta HCG para confirmar a gravidez. 

    Caso positivo, mantém-se a reposição de estradiol e progesterona até completar 12 semanas de gestação. A partir desse momento, a placenta já será capaz de produzir esses hormônios em quantidades corretas. 

    Você pretende fazer o congelamento de óvulos? Marque uma consulta com um dos nossos especialistas e preserve as possibilidades de ser mãe.

    Há riscos no congelamento de óvulos?

    Como vimos, o congelamento de óvulos é uma opção muito segura e cada vez mais popular entre as mulheres que desejam ou precisam preservar sua fertilidade. Nesse sentido, a vitrificação, atual processo de congelamento dos gametas, garante total qualidade das células. Assim, o embrião resultante da fecundação do óvulo congelado pelo espermatozoide tem a mesma qualidade do embrião formado por um óvulo fresco. 

    Portanto, o congelamento de óvulos é um processo seguro que não traz riscos para a saúde da mãe e nem para a saúde do bebê. Entretanto, como qualquer procedimento médico, ainda que relativamente raro, podem ocorrer situações indesejadas como:  

    • Pequeno sangramento ou lesão nos ovários durante a coleta dos óvulos;
    • Reações à anestesia;
    • Durante a estimulação do ovário, podem ocorrer inchaço, irritabilidade e desconforto abdominal que devem regredir após alguns dias;
    • Apesar dos avanços da criopreservação, alguns óvulos podem não sobreviver ou sofrer danos no seu descongelamento, tornando-o inviável para a fertilização;

    Para minimizar possíveis riscos do congelamento de óvulos, é importante que o procedimento seja realizado por um médico especialista, em uma clínica capacitada e de confiança. Além disso, alguns fatores  e cuidados favorecem o sucesso positivo do procedimento:

    Idade da mulher 

    A qualidade dos óvulos diminui com o passar do tempo, o que impacta nas chances de gravidez de uma fertilização in vitro. Desta forma, o indicado é congelar óvulos “jovens”, de pacientes com até 35 anos. 

    Síndrome do Hiperestímulo Ovariano (SHO)

    Esta síndrome é uma resposta exacerbada dos ovários ao estímulo hormonal feito para estimulação ovariana, resultando em um crescimento de óvulos maior do que o esperado.  Este quadro está associado também à passagem de fluido dos vasos sanguíneos que se tornam mais permeáveis, o que ocasiona uma retenção de líquido no abdômen.

    Desta forma, o desenvolvimento da SHO depende da resposta de cada paciente ao uso dos hormônios e atinge especialmente pessoas com Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Portanto, o especialista em medicina reprodutiva monitora, através de ultrassons e dosagens hormonais, a resposta de cada mulher ajustando a quantidade e tipo de medicação.

    Pacientes oncológicos

    Os tratamentos de quimioterapia e radioterapia usados para combater o câncer podem afetar a fertilidade feminina. Desta forma, quando possível, é recomendado realizar o congelamento de óvulos antes de iniciar o uso das medicações oncológicas.

    Cuidados com a saúde: 

    As mulheres hipertensas, obesas, ou fumantes devem reverter esses quadros antes de iniciar o tratamento. O ideal é perder peso, parar de fumar e controlar a hipertensão  para aumentar as chances de sucesso do congelamento de óvulos. 

    Quais os aspectos éticos e regulatórios do congelamento de óvulos?

    A atividade de medicina reprodutiva no Brasil é regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) que estabelece as normas técnicas e éticas da medicina no país.  Desta forma, através de soluções específicas, como a  RESOLUÇÃO CFM nº 2.320/2022, o CFM regula a prática das técnicas de reprodução assistida, definindo os procedimentos permitidos, as diretrizes e os limites. Além disso,  são estabelecidos também os direitos e deveres dos pacientes, dos profissionais de saúde e das clínicas de reprodução assistida do Brasil.

    É importante salientar que periodicamente as resoluções estabelecidas podem ser alteradas e ajustadas, buscando sempre maior segurança e eficácia a  tratamentos e procedimentos médicos.

    Veja abaixo o que o CFM diz sobre congelamento de óvulos e de embriões:

    PRINCÍPIOS GERAIS

    • As técnicas de reprodução assistida (RA) têm o papel de auxiliar no processo de procriação;
    • As técnicas de reprodução assistida podem ser utilizadas para doação de gametas e para preservação de gametas, embriões e tecidos germinativos  por razões médicas e não médicas;
    • Quanto ao número de embriões a serem transferidos pós FIV, determina-se, conforme a idade:

    1. Mulheres com até 37 (trinta e sete) anos: até 2 (dois) embriões;

    2. Mulheres com mais de 37 (trinta e sete) anos: até 3 (três) embriões;

    3. Em caso de  embriões euploides ao diagnóstico genético, até  2  (dois)  embriões, independentemente da idade; 

    4. Nas situações de doação de oócitos, considera-se a idade da doadora no momento de sua coleta.

     CRIOPRESERVAÇÃO DE GAMETAS OU EMBRIÕES

    • As clínicas, centros ou serviços podem crio preservar espermatozoides, oócitos, embriões e tecidos gonadais.
    • O número total de embriões gerados em laboratório será comunicado aos pacientes para decidirem quantos embriões serão transferidos a  fresco,  conforme determina esta Resolução. Os excedentes viáveis devem ser criopreservados.
    • Antes da geração dos embriões, os pacientes devem manifestar sua vontade, por escrito, quanto ao destino dos embriões criopreservados em caso de divórcio, dissolução de união estável ou falecimento de um deles, ou de ambos, e se desejam doá-los.
    • Os embriões criopreservados com três anos ou mais poderão ser descartados se essa for a vontade expressa.
    • Embrião abandonado é aquele em que os responsáveis descumpriram o contrato preestabelecido e não foram localizados pela clínica.

    E se existisse uma forma de ajudar no seu planejamento financeiro para realizar o procedimento?

    Em parceria com o Embrião Financeiro, produzimos um planejador que irá ajudar no planejamento do seu tratamento e a organizar suas finanças!

    new RDStationForms(‘form-blog-planner-financeiro-embriao-financeiro-e-nilo-frantz-bdadcc3f6a371c2d0c92’, ‘UA-17227594-1’).createForm();