Pular para o conteúdo

Blog Nilo Frantz

    • Página de exemplo

Blog

  • Doenças imunológicas: conheça os diferentes tipos e sintomas para ficar alerta

    Você já ouviu falar em doenças imunológicas? Sabe o que são, suas causas, diagnósticos e tratamentos?

    No texto a seguir vamos conhecer um pouco mais sobre este amplo universo, que engloba diferentes síndromes e doenças autoimunes. 

    O que são doenças imunológicas?

    As doenças imunológicas ocorrem quando o sistema imunológico ataca e destrói, por engano, tecidos saudáveis do corpo. Ou seja, o sistema imune, que deve defender o corpo, confunde células normais e saudáveis com uma possível ameaça à saúde. Assim, causam, danos ao próprio organismo, sem motivo real.

    Nesse sentido, frente a uma “possibilidade de perigo”, o corpo libera anticorpos que atacam esses componentes de forma equivocada. Além disso, em alguns casos, a capacidade do organismo de combater substâncias verdadeiramente nocivas é prejudicada. Logo, o corpo fica mais vulnerável à infecções e doenças.

    O que é sistema imunológico?

    O sistema imunológico é o conjunto de órgãos, tecidos e células responsáveis pela proteção do corpo. Dessa forma, como um escudo, ele atua no combate a microrganismos invasores (antígenos) como vírus, bactérias, micróbios e outros, impedindo assim o desenvolvimento de doenças. 

    Quando um agente invasor entra no organismo, ele gera um mecanismo de defesa. Dessa forma, substâncias invasoras são detectadas por células chamadas de macrófagos, que comunicam aos outros componentes do sistema imunológico que há uma invasão. Assim, os linfócitos entram em ação produzindo anticorpos que reconhecem as substâncias invasoras e agem contra elas.

    Veja como o sistema imunológico é constituído:

    Leucócitos

    Os leucócitos são células de proteção fabricadas pela medula óssea com a função de defender o organismo contra doenças, infecções e alergias.

    Também chamados de glóbulos brancos, os leucócitos se dividem em cinco tipos principais: linfócitos, neutrófilos, eosinófilos, basófilos e monócitos. Nesse sentido, cada um desempenha papel diferente na proteção do organismo.

    Linfonodos

    São pequenos órgãos presentes em diversos pontos do sistema linfático que ajudam o sistema imune a funcionar corretamente. Isto acontece pois filtram a linfa, removendo vírus e bactérias que podem representar um risco para o organismo. 

    Linfa

    É um líquido transparente que circula pelos vasos linfáticos. Formada por linfócitos, a linfa é filtrada pelos linfonodos e lançada no sangue.

    Timo

    É a glândula responsável pela maturação dos linfócitos. Localizada no centro do peito, entre os pulmões e na frente do coração, também destrói células anormais, infectadas ou estranhas ao organismo.

    Amígdalas

    Localizadas na parte posterior da boca, acima da garganta, as amígdalas ajudam a desenvolver anticorpos para combater bactérias que invadem o organismo pelo ar ou através de alimentos.

    Adenoides

    As adenoides são duas pequenas glândulas compostas por tecido linfoide, semelhantes às amígdalas e aos linfonodos, localizadas no fundo da cavidade nasal. Sua função é a produção de linfócitos e anticorpos, ajudando o organismo a se defender de microorganismos que invadem as cavidades nasal e oral.

    Baço

    O baço é um dos órgãos do sistema linfático com função de defesa do organismo e atuante na circulação do sangue. Nesse sentido, ele filtra o sangue para remover microrganismos, substâncias estranhas e resíduos celulares. Além disso, o baço também produz linfócitos.

    Apêndice

    Localizado no ceco, primeira porção do intestino grosso, o apêndice é uma pequena bolsa, em forma de tubo, que contém células linfoides, importantes para ajudar o organismo a combater infecções. 

    Placas de Peyer

    É um acúmulo de linfócitos presente na mucosa do intestino delgado. Ajuda a combater invasores.

    Quais são os tipos de doenças imunológicas?

    Como vimos, o sistema imunológico deve combater o organismo contra vírus, fungos, bactérias ou substâncias nocivas à saúde como alérgenos e toxinas. Porém, quando há alguma falha, ao invés de proteger o corpo, o sistema apresenta reações autoimunes. 

    Veja o que pode desencadear reações autoimunes:

    • Uma substância normal do organismo sofre alteração provocada por um vírus, um remédio, pela luz solar ou pela radiação, entre outros, fazendo com que o organismo não a reconheça mais;
    • Entrada de uma substância estranha, como um alérgeno inofensivo, pode causar uma reação do organismo;
    • Funcionamento inadequado das células que controlam a produção de anticorpos, fazendo com que eles atacam as células saudáveis;
    • Lesão que causa a liberação de uma substância na corrente sanguínea, normalmente encontrada em uma parte específica do corpo.

    De acordo com estudos do Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental (NIEHS), centro de pesquisa americano, já existiam cerca de 100 tipos de doenças do sistema imunológico detectáveis. Nesse sentido, a gravidade vai depender dos órgãos atingidos e da sua intensidade.

    Desta forma, as doenças são divididas em dois grandes grupos:

    • Doenças sistêmicas: são aquelas que não afetam um órgão específico, mas podem atacar vários. São exemplos o lúpus, artrite reumatoide, entre outras;
    • Síndromes locais: de caráter dermatológico, hematológico ou endócrino, atacam um tecido em particular, como é o caso da Tireoidite de Hashimoto e Doença de Chron.

    Quais são as doenças imunológicas mais comuns? 

    Confira, abaixo, algumas das doenças imunológicas mais comuns:

    Artrite reumatoide

    A artrite reumatoide é uma doença crônica em que o sistema imunológico ataca as articulações causando inflamação, vermelhidão, rigidez e dor nas articulações.

    Lúpus

    Chamado também de Lúpus Eritematoso Sistêmico, o Lúpus é uma doença autoimune que causa erupções cutâneas. No entanto, não se trata apenas de uma doença de pele, pois afeta diversos órgãos incluindo os rins, o cérebro, o coração e as articulações.

    Esclerose múltipla

    A esclerose múltipla ocorre quando o sistema imunológico ataca a mielina, que é o revestimento das células nervosas no nosso organismo. Desta forma, o sistema nervoso é prejudicado, afetando a transmissão de sinais nervosos entre o cérebro e o resto do corpo. 

    Por isso, as pessoas com esclerose múltipla geralmente apresentam problemas de equilíbrio, dificuldade de locomoção, fraqueza, dormência, e vários outros problemas.

    Doença de Chron

    A doença de Chron consiste em uma síndrome intestinal inflamatória crônica que acomete a região inferior do intestino delgado, o intestino grosso ou ambos simultaneamente. Além disso, pode atingir qualquer parte do trato digestivo.

    Vitiligo

    O vitiligo leva a produção inapropriada de anticorpos e linfócitos T (um tipo de glóbulo branco) contra os melanócitos, as células responsáveis pela produção de pigmentos de nossa pele.

    Psoríase

    A psoríase, conhecida também como artrite psoriática, é uma doença da pele em que as células epiteliais crescem de tamanho e depois se desprendem. Isso faz com que as células se multipliquem muito mais rápido do que o normal, resultando em excesso que podem formar manchas vermelhas e escamas sobre a pele.

    Diabetes tipo 1

    A diabetes do tipo 1 é uma doença autoimune em que as células do pâncreas são danificadas pelo sistema imune, fazendo com que o órgão seja incapaz de produzir insulina ou que produza muito pouco. Nesse sentido, a insulina é um hormônio essencial para regular os níveis de açúcar no sangue e a falta dele pode deixar o índice glicêmico constantemente elevado.

    Tireoidite de Hashimoto

    Na Tireoidite Hashimoto, a produção de hormônios da tireoide é reduzida, causando sintomas como queda de cabelo, fadiga, inchaço na tireoide, sensibilidade ao frio e aumento de peso.

    Doença de Graves

    Na doença de Graves, o sistema imunológico ataca a glândula tireoide e interfere na produção hormonal. Essa alteração na produção de hormônios pode causar sintomas como batimentos cardíacos acelerados, perda de peso, nervosismo e intolerância ao calor.

    Doença Celíaca

    A doença celíaca ocorre quando o sistema imunológico ataca o glúten proveniente dos alimentos ingeridos. Assim, pessoas com essa doença não podem consumir qualquer produto que contenha glúten.

    Anemia Perniciosa

    A Anemia Perniciosa é uma doença autoimune que afeta uma proteína chamada de Fator Intrínseco, responsável por ajudar o intestino a absorver a vitamina B12 presente nos alimentos. A falta de vitamina B12 prejudica a síntese de glóbulos vermelhos, o que por sua vez pode prejudicar a absorção de outros nutrientes e de oxigênio por vários órgãos do corpo.

    Síndrome de Sjögren

    A síndrome de Sjögren é outra condição de saúde que afeta as articulações e as glândulas que lubrificam os olhos e a boca. Assim, os principais sintomas dessa síndrome são boca e olhos secos, além de dor nas articulações.

    Síndrome de Guillain-Barre

    A Síndrome de Guillain-Barré é uma doença em que o sistema imune ataca os nervos que controlam os músculos das pernas e parte superior do corpo. Desta forma, as pessoas acometidas por essa síndrome têm fraqueza muscular nessas regiões e outros sintomas que afetam a mobilidade.

    Quais são as principais causas das doenças imunológicas?

    Não se sabe ao certo porque algo desencadeia uma reação autoimune em uma pessoa e não em outra. Porém, dados indicam que as doenças imunológicas afetam mais as mulheres do que os homens, geralmente na idade fértil entre os 14 e os 44 anos. De acordo com o Núcleo de Estudos de Doenças Auto-Imunes (NEDAI), o conjunto das doenças imunológicas atinge três vezes mais mulheres do que homens. 

    Além disso, nota-se também que algumas dessas doenças são mais comuns em grupos étnicos específicos. Nesse sentido, o Lúpus, por exemplo, afeta mais pessoas negras e hispânicas do que os caucasianos.

    Já o fator hereditário também pode explicar o desenvolvimento de uma síndrome do sistema imunológico. Nestes casos, a influência genética torna o portador do gene mais suscetível a desenvolver a doença. Ou seja, nessas pessoas, um fator desencadeante como uma infecção viral ou uma lesão tecidual, pode dar origem a doenças.

    Vale ressaltar mais uma vez que as doenças imunológicas não têm causas confirmadas. Porém, pesquisadores acreditam que fatores ambientais, inflamações, estresse, dieta inadequada, infecções e exposição a toxinas podem também influenciar na resposta do sistema imunológico. 

    Quais são os principais sintomas das doenças imunológicas?

    Como já falamos, existem cerca de 100 diferentes doenças imunológicas, e os sintomas variam de acordo com a doença e com a parte do corpo afetada. Porém, alguns sinais são bem característicos e podem levantar suspeita de que há algum problema. Nesse sentido, é importante ficar atento e procurar um médico se notar alguns dos sintomas descritos abaixo:

    Inflamações

    De maneira geral, as inflamações são sintomas que sugerem uma possível doença autoimune, especialmente quando associadas a dor, deformações articulares, fraqueza e dificuldade respiratória. Desta forma, as inflamações nas articulações podem indicar artrite reumatoide, assim como inflamação na pele, nervos, rins, cérebro, entre outros, podem ser suspeitas de Lúpus. 

    Dor abdominal

    A dor abdominal, embora seja um sintoma bastante amplo, pode indicar a presença da Doença de Crohn. Nesse sentido, os principais sinais são: dor abdominal, cólicas fortes e diarreia crônica acompanhada de sangue. Vale lembrar que esse quadro pode durar dias ou até semanas, embora seja comum que apareça em intervalos irregulares ao longo da vida.

    Dificuldade de equilíbrio e coordenação

    A dificuldade de coordenação e equilíbrio mostram sinais de uma possível esclerose múltipla, doença crônica, neurológica e autoimune. Além disso, as pessoas também podem apresentar tremores, vertigem e instabilidade para caminhar.

    Vermelhidão na pele

    A vermelhidão na pele, especialmente na face, sobre a ponta do nariz e nas bochechas pode indicar a presença de lúpus eritematoso. Além disso, a vermelhidão na pele em qualquer região do corpo, que evolui para bolhas com pus, pode ser sinal de psoríase pustulosa.

    Existe tratamento para doenças imunológicas?

    Embora não exista cura para as doenças imunológicas, algumas vezes elas desaparecem inexplicavelmente, da mesma forma como apareceram. Porém, a maioria das síndromes autoimunes são crônicas, e portanto, o tratamento para controlar os sintomas acontecem durante toda a vida. Nesse sentido, cada doença apresenta sintomas específicos, e por isso, a conduta depende de cada caso, e geralmente é feito com uso de medicamentos.

    Dessa forma, ter um diagnóstico sólido é fundamental para determinar qual o melhor tratamento. Nesse sentido, não existe um exame único para diagnosticar a maior parte das doenças autoimunes, assim, é necessário a realização de alguns testes. 

    Na suspeita de alguma doença imunológica, o médico começa a investigação com o teste de anticorpo antinuclear. Quando o resultado é positivo, indica que há uma doença em curso, mas o exame não é capaz de identificar qual delas é. Por isso, o especialista provavelmente também solicitará exames de sangue para verificar os níveis de inflamação no organismo, além de outros testes que identificam anticorpos específicos.

    Vale lembrar que as doenças do sistema imunológico podem atingir diferentes órgãos, tecidos e partes do corpo. Por isso, diversos médicos e especialistas estão aptos a tratar os pacientes, entre eles: 

    • Reumatologistas;
    • Endocrinologistas;
    • Dermatologistas;
    • Gastroenterologistas;
    • Nefrologistas;
    • Neurologistas;
    • Hematologistas;
    • Fisioterapeutas;
    • Terapeutas.

    Possuo uma doença imunológica. Terei dificuldades para engravidar?

    A relação entre doenças imunológicas e infertilidade é algo cada vez mais reconhecida, especialmente nos casos de dificuldade para engravidar sem motivo aparente. Nesse sentido, sabe-se que cerca de 10 a 15% dos casais que desejam ter filhos sofrem de infertilidade, sendo que desses, pelo menos 10% têm causas desconhecidas. 

    Desta forma, tentativas de achar respostas para a infertilidade inexplicada tem avaliado o papel da imunidade na falência reprodutiva. Nesse sentido, doenças como Tiroidite Autoimune, Lúpus Eritematoso Sistêmico e Síndrome Antifosfolipídico vem sendo investigadas e mostram possíveis associações com a falência da reprodução. 

    Assim, estudos indicam que o fator imunológico pode influenciar mecanismos da reprodução como a falência ovárica prematura, implantação embrionária e abortos de repetição. Além disso, pode causar insucesso nas tentativas de gravidez espontânea, na Inseminação Intrauterina e na Fertilização In Vitro. 

    Por tudo isso, é possível que a mulher portadora de doença autoimune, dependendo da síndrome, tenha mais dificuldades para engravidar, mas isso não quer dizer que não aconteça. Nesse sentido, é importante conversar com o especialista e seguir todas as orientações para tratar e controlar o problema. Felizmente, hoje em dia já existem tratamentos para a infertilidade que possibilitam uma gravidez à mulher com doenças imunológicas.

    E quem tem HIV pode ter filhos? Descubra a resposta a essa pergunta baixando o nosso e-book gratuito!

    ebook Dezembro Vermelho: Quem tem HIV pode ter filhos
    26 de maio de 2021
  • Teste de compatibilidade genética: como saber se preciso fazer?

    O teste de compatibilidade genética é um importante exame que pode detectar o risco de transmissão de doenças genéticas recessivas e monogênicas hereditárias dos futuros pais para o bebê. Nesse sentido, ele acontece antes da concepção e tem a função estimar a combinação de genes do filho a partir dos genes do casal. Assim, indica a possível presença de doenças monogênicas recessivas.

    Mas como é realizado o teste? Para quem se indica? O que fazer se o casal testa positivo para doenças genéticas? A partir de agora, vamos esclarecer todas as dúvidas sobre o assunto. Confira: 

    O que são doenças genéticas? 

    Para entendermos um pouco mais sobre o teste de compatibilidade genética, é preciso explicar o que são doenças genéticas. As doenças genéticas hereditárias são definidas como patologias causadas por alterações na sequência de alguns genes específicos dos genoma.

    Desta forma, estas mutações alteram a estrutura ou funcionamento de uma proteína e, consequentemente, causam anomalias anatômicas e fisiológicas no corpo humano. Sendo assim, erros ou danos em certos genes podem desencadear uma doença genética no indivíduo.

    Leia mais sobre doenças genéticas em: Doenças Genéticas: entenda tudo sobre o assunto 

    Desta maneira, como herdamos o material genético de nossos pais, uma cópia do pai e uma da mãe, as doenças genéticas hereditárias caracterizam-se pela transmissão de geração em geração. 

    Doenças genéticas monogênicas (causadas por alterações em apenas 1 gene) que se manifestam na presença de apenas uma cópia “defeituosa” do gene são chamadas de doenças genéticas dominantes. Já as que necessitam de duas cópias “defeituosas”, uma herdada do pai e outra da mãe, são conhecidas como doenças genéticas recessivas ou raras.

    No Brasil, estima-se que 13 milhões de pessoas apresentem doenças genéticas monogênicas recessivas ou raras. Todavia, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a incidência de uma doença genética no mundo é de menos de uma pessoa para cada dois mil nascidos vivos. 

    O que é teste de compatibilidade genética?

    O Teste de Compatibilidade Genética é uma análise que permite identificar nos futuros pais a presença de genes causadores de doenças monogênicas recessivas que poderão ter transferência aos seus filhos. Nesse sentido, os portadores geralmente são pessoas saudáveis, mas quando ambos os pais apresentam uma mutação no mesmo gene, podem ter um filho com uma determinada doença.

    Sendo assim, quando o casal testa positivo para alguma mutação genética, podemos dizer que há uma incompatibilidade genética. Ou seja, possui um risco elevado de transmitir uma doença de herança autossômica recessiva aos seus descendentes.

    Desta maneira, por meio do teste de compatibilidade genética é possível detectar até 600 doenças raras. Apesar do exame não indicar uma cura para as mutações encontradas, é importante para prevenir certas patologias.

    Isso porque através de um exame que pode acontecer em conjunto com a técnica de Fertilização in Vitro (FIV) é possível identificar quais embriões não possuem as mutações encontradas nos pais. Dessa forma, evita-se que doenças recessivas passem para as próximas gerações. Assim, o risco de incidência de doenças raras pode ter redução de 1 a cada 100 pessoas para aproximadamente 1 em cada 30.000 pessoas. 

    Para quem o teste de compatibilidade genética é indicado?

     É importante esclarecer que qualquer casal que queira engravidar pode fazer o teste de compatibilidade genética para saber se tem o risco de transmitir alguma doença aos seus filhos. Pois, como já vimos, muitas pessoas não têm antecedentes familiares ou sintomas de nenhuma doença, porém podem ser portadores de mutações silenciosas nos genes.

    Dessa maneira, o processo deve começar com uma consulta médica para realizar exames pré-concepcionais. Nesta consulta, o especialista verificará o histórico familiar, as condições de saúde, entre outros fatores para indicar ou não o teste de compatibilidade genética.

    Como é feito o teste de compatibilidade genética?

    Para fazer o teste de compatibilidade genética é preciso que o médico solicite a realização do exame. A partir daí, coleta-se uma amostra de sangue do homem e da mulher, no qual se analise o material genético de cada um, através do sequenciamento do DNA dessas células.

    Desta forma, o teste pode identificar muitas doenças, verificando milhares de mutações nos genes do casal, ou até mesmo nos genes de doadores de óvulos ou de sêmen.

    Essas informações das sequências de DNA do casal são então cruzadas a fim de verificar a possibilidade de transmissão de alguma doença monogênica recessiva. Desta maneira, assegura-se que o material coletado é geneticamente compatível, evitando a transmissão de doenças genéticas aos filhos.

    Nesse momento, o casal possui a possibilidade de realizar uma análise mais direcionada para certas doenças mais frequentes, como fibrose cística, síndrome do X frágil, anemia hemolítica, talassemia, entre outras. Ou, então, realizar um estudo global a partir da análise completa do genoma.

    Veja resumidamente o passo a passo para a realização do teste de compatibilidade genética:

    1. Prescrição do médico;
    2. Coleta de sangue do casal;
    3. Análise do DNA do casal;
    4. Emissão do laudo com o resultado de compatibilidade ou incompatibilidade genética.

    Qual é a chance de encontrar mutações no teste?

    Segundo a medicina genética, não é raro as pessoas serem portadoras de alterações em algum gene. Ser portador significa que das duas cópias de um gene, uma contém uma mutação, o que faz com que essa cópia não funcione corretamente.

    Contudo, ainda existe uma cópia funcional, de modo que os portadores podem não ser conscientes desta condição até que realizem o teste de compatibilidade genética. Por esta razão, é possível ser portador de uma doença genética sem chegar a desenvolvê-la.

    No entanto, o problema está quando coincide que ambos os progenitores (pai e mãe) portam a mesma alteração genética recessiva. Logo, existe a possibilidade do filho receber duas cópias alteradas do gene, e consequentemente, desenvolver a doença. Embora a prevalência das chamadas “doenças raras” seja baixa, são doenças altamente incapacitantes e que afetam drasticamente a qualidade de vida.

    A mãe e o pai testaram positivo para mutações genéticas. E agora?

    Se o casal recebe resultado positivo no exame de compatibilidade genética com mutação para o mesmo gene, não se apavore. Saiba que com o avanço das técnicas de reprodução assistida, é possível evitar a transmissão da doença para os filhos. 

    Nestes casos, a solução pode ser um tratamento de Fertilização in Vitro (FIV) com teste genético pré-implantacional. Ou, então, um tratamento de FIV com esperma ou óvulos de um doador que não seja portador da doença.

    Confira a seguir mais detalhes de cada técnica:

    Tratamento de Fertilização in Vitro com Teste Genético Pré-implantacional (PGT): 

    Como já vimos aqui, as doenças genéticas ainda não têm cura, mas, através do exame PGT (exame genético pré-implantacional), já é possível prevenir que as futuras gerações afetem-se por alguma doença hereditária ou cromossômica dos pais. Mais especificamente, existe um exame que consegue detectar quais embriões possuem a mutação especifica do casal, o exame genético pré-implantacional para doenças monogênicas ou PGT-M.

    Nesse sentido, o PGT é um exame genético que acontece a partir da biópsia embrionária antes da transferência do embrião ao útero nos tratamentos de Fertilização in Vitro (FIV). Isso permite a identificação de embriões saudáveis, sem as mutações detectadas nos pais, diminuindo também a possibilidade de que essa doença seja propagada ao longo das gerações.

    Doação de gametas

    Se o casal der positivo para mutações genéticas do mesmo gene, existe a possibilidade também de recorrer a doação de óvulos e esperma como forma de gerar filhos saudáveis.

    Nesse sentido, é importante saber que a doação de gametas femininos e masculinos é cada vez mais comum nos dias de hoje. Muitos são os motivos que levam à necessidade de recorrer a este tratamento para realizar o sonho de ter um filho. Desde querer engravidar depois dos 40 anos, fazer uma produção independente, assim como ter alguma dificuldade de gerar filhos saudáveis por herança genética. 

    Leia também: 12 dúvidas sobre como doar óvulos respondidas 

    Sendo assim, no Brasil, o Conselho Federal de Medicina regula a doação de gametas, que proíbe a doação para fins comerciais e exige o anonimato de ambas as partes, receptora e doadora. Vale ressaltar que a idade limite feminina para a doação de gametas é de 35 anos e para os homens é de 50. 

    Além disso, os doadores devem ter o histórico clínico pessoal e familiar estudado. Isso para que os médicos possam avaliar a possibilidade de existência de doenças hereditárias que apresentem riscos para a saúde da mãe e do bebê. Aprofunde-se no assunto baixando gratuitamente o nosso e-book Doação de óvulos: o porquê da alta procura!

    banner doacao de ovulos
    19 de maio de 2021
  • Como doar óvulos? Veja requisitos, processo e quem pode ser doadora

    Como doar óvulos: quem pode ser doadora e como funciona o processo 

    Conteúdo atualizado em 24/09/2026.

    O ato de doar óvulos é um assunto ainda pouco falado, mas que tem despertado cada vez mais a curiosidade de muitas pessoas. Mas afinal, o que é a doação de óvulos? Para que serve? Quem pode realizar? Quem pode utilizar óvulos doados? 

    No texto a seguir vamos esclarecer 12 dúvidas bem frequentes sobre este tema, e entender como a doação de óvulos tem mudado a vida de muitas famílias.

    1. O que é doação de óvulos?

    A doação de óvulos é quando uma mulher cede seus óvulos para que outras pessoas consigam engravidar com eles. Também chamado de ovodoação, é uma importante alternativa da Medicina Reprodutiva para ajudar pessoas com problemas de infertilidade a realizarem o sonho de ter um filho. 

    Desta forma, a doação de gameta feminino possibilita que mulheres com dificuldades de engravidar com seus próprios óvulos, casais homoafetivos masculinos e pais solteiros formem suas famílias.

    Isto é possível graças às técnicas de Fertilização In Vitro (FIV), que promovem a fecundação do óvulo da doadora em laboratório, usando o espermatozoide de banco de sêmen ou do parceiro da receptora. Dessa maneira, forma-se o embrião que será gestado no útero da receptora.

    Neste sentido, é importante ressaltar que em cada país tem uma legislação própria que regulamenta tanto a doação como a recepção dos óvulos. No Brasil, segue-se a RDC 23/2011 e as normativas do Conselho Federal de Medicina, atualizou as normas para utilização das técnicas de reprodução assistida (RA) no Brasil. 

    2. Quero doar meus óvulos. Como saber se posso?

    De acordo com a legislação vigente no Brasil, podem ser candidatas à doação de óvulos mulheres entre 18 e 35 anos, que não possuam doenças transmissíveis e que apresentem histórico genético saudável. Nesse sentido, quem deseja doar óvulos precisa passar por uma avaliação ginecológica completa, que inclui testes de fertilidade, e realizar outros exames para verificar a saúde geral e reprodutiva da mulher. 

    Além disso, é recomendado uma análise psicológica para se assegurar que a pessoa realmente está tranquila e segura em relação a doação.

    Confira os requisitos para ser doadora de óvulos: 

    • Ter entre 18 e 35 anos;
    • Ser saudável e não ter nenhuma doença de transmissão sexual ou genética;
    • Se casada, deve contar com o consentimento do parceiro.

    Conheça alguns exames feitos para saber se você pode doar óvulos:

    • Exames ginecológicos para descartar a presença de cistos, miomas, pólipos e outras alterações no aparelho reprodutor;
    • Exames de sangue para confirmar ausência de doenças transmissíveis como HIV 1 e 2, hepatite B e C, sífilis, HTLV, Zika vírus, Clamídia e Blenorragia e, agora, da Covid-19;
    • Exames de tipagem sanguínea e infecções.

    3. Quais são os tipos de doação de óvulos?

    A doação de óvulos no Brasil é voluntária e não pode ter caráter comercial ou lucrativo, ou seja, a doadora não pode “vender” seus óvulos. Desta forma, a ovodoação no país é uma atitude solidária e altruísta que tem como objetivo ajudar outras pessoas a formarem suas famílias. 

    Nesse sentido, a doação do gameta feminino pode ocorrer de duas formas:

    Voluntária

    A ovodoação voluntária, ou ovodoação altruísta, se dá quando a doação dos óvulos é feita por uma mulher de até 35 anos, sem problemas de fertilidade, com único objetivo de ajudar pessoas com dificuldades para ter filhos. 

    Dessa forma, a doadora se submete a um processo de estimulação ovariana e coleta dos óvulos. Os gametas coletados podem ter uso para gerar uma gravidez, ou mantidos por tempo indeterminado através de criopreservação ou congelamento de óvulos.

    Compartilhada

    A ovodoação compartilhada ocorre quando uma mulher, que está em tratamento de Reprodução Assistida, divide seus óvulos coletados com outra paciente que também passa pelo processo de FIV. Ou seja, a doadora utiliza parte dos seus óvulos e doa outra parte para a mulher receptora. 

    Nesse caso, além dos gametas, elas compartilham também os custos do tratamento. Tudo ocorre de forma anônima e por intermédio da clínica de reprodução humana.

    4. Como funciona a doação compartilhada?

    A doação compartilhada segue as normas de sigilo e anonimato determinadas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Desta forma, a seleção da doadora e da receptora acontece pela clínica onde irão ocorrer os tratamentos de fertilização in vitro, e procura sempre unir perfis compatíveis e com características mais semelhantes. 

    A primeira etapa do processo de doação de óvulos inicia com a indução da ovulação que visa potencializar a produção de óvulos. A fase seguinte do tratamento segue com a coleta dos óvulos que serão utilizados em parte pela doadora e parte pela receptora. 

    Nesse sentido, na doação compartilhada, o óvulo da doadora é fecundado em laboratório com esperma do parceiro da receptora, ou com esperma de banco de sêmen. Com isso, cultiva-se o embrião resultante da Fertilização In Vitro (FIV) por alguns dias em estufa, e quando atingir a fase blastocisto transfere-se ao útero da receptora para ser gestado.

    Vejas as fases do processo de doação de óvulos:

    Indução da ovulação

    A estimulação ovariana tem como objetivo fazer o corpo aproveite o maior parte dos óvulos recrutadas para aquele ciclo. Nesse sentido, ela acontece a partir do início do ciclo menstrual através do uso de medicamentos hormonais injetáveis por cerca de 10 a 12 dias. 

    Durante esse período, acompanha-se o crescimento dos folículos por ultrassonografias e dosagens hormonais, até atingirem entre 18 mm e 20mm. Nesse momento, a doadora recebe uma dose do hormônio hCG, responsável pelo amadurecimento dos óvulos, que acontecerá 36 horas após a sua administração. 

    Coleta dos óvulos

    Após a etapa de estimulação ovariana acontece então a coleta dos óvulos da doadora. Nesse sentido, insere-se uma agulha acoplada a um transdutor de ultrassom transvaginal na vagina da mulher, possibilitando a aspiração do conteúdo dos folículos ovarianos. Espera-se que entre o conteúdo aspirado contenha um óvulo. Cada folículo possui no máximo 1 óvulos, porém nem todos os folículos aspirados terão óvulos.

    Esse processo acontece sob sedação, e costuma durar entre 20 e 30 minutos. Sendo assim, com a coleta dos óvulos, encerra-se a parte da doação do gameta feminino.

    Fertilização e Transferência 

    Quando já existe uma receptora selecionada, no momento em que se coleta os óvulos da doadora, coleta-se também os espermatozoides do marido da receptora. Assim, já é possível começar a Fertilização in Vitro, unindo os dois gametas em laboratório para formar embriões. Após alguns dias em cultivo, ocorre a transferência dos embriões para o útero da futura mãe. O mesmo pode acontecer utilizando espermatozoides doados.

    5. Onde posso doar meus óvulos?

    Em clínicas especializadas em Reprodução Humana que realizam ciclos de Fertilização In Vitro com óvulos doados. Desta forma, para doar óvulos deve-se procurar centros e hospitais que atuam com técnicas de reprodução humana. 

    6. Quantas vezes se pode doar óvulos?

    A legislação vigente no Brasil sobre doação de óvulos não limita o número de vezes que uma mulher pode doar. Ou seja, o número específico de doações não está legalmente determinado. Nesse sentido, o que define a possibilidade de doação, além da vontade e escolha da mulher, a sua idade e a sua saúde reprodutiva e geral.

    7. Doar óvulos dói?

    Para doar óvulos, a mulher passa pela fase de indução da ovulação, com objetivo de potencializar o número de óvulos a coletar. Nesse sentido, o tratamento acontece com medicamentos à base de hormônios, muitas vezes injetáveis, o que para algumas pessoas pode trazer algum desconforto. Além disso, à medida que o tamanho dos ovários vai aumentando em decorrência da estimulação ovariana, algum incômodo pode ser sentido. 

    Já a etapa da coleta dos óvulos ocorre sob o efeito de anestesia, portanto, indolor para a doadora. No entanto, algumas mulheres relatam leves dores na região abdominal depois do procedimento. Assim, é recomendável repouso após a coleta, sem movimentos intensos ou exercícios por alguns dias. 

    8. Doar óvulos é perigoso?

    Quando falamos em doação de óvulos, sempre surgem algumas dúvidas, entre elas, os possíveis riscos. Nesse sentido, como há estimulação dos ovários com uso de hormônios, pode ocorrer a Síndrome da Hiperestimulação do Ovário (SHO). 

    Porém, nos tratamentos atuais esta questão já é minimizada através de alguns medicamentos. Além disso, outros riscos como infecção, sangramentos abdominais ou a torção dos ovários até podem ocorrer, mas em raríssimos casos. 

    Vale também ressaltar que, diferente do que algumas pessoas podem pensar, a doação de óvulos não apresenta efeitos secundários. Dessa forma, o tratamento não causa aumento de peso nem provoca aparecimento de acne ou pelos. Ele também não acelera a menopausa ou aumenta a incidência de câncer e nem reduz as chances de uma futura gestação.

    De qualquer forma, todo o processo de doação de óvulos é realizado por especialistas. Sendo assim, a doadora tem acompanhamento personalizado, prevenindo e evitando qualquer desconforto ou eventual problema.

    9. Quanto tempo demora para doar óvulos?

    O processo para doar óvulos compreende o período desde a indução ovariana até a coleta dos óvulos. Considerando que a fase para estimular a ovulação costuma levar de 10 a 12 dias, e que após amadurecimento dos folículos a doadora ainda recebe uma dose do hormônio HCG antes da coleta, podemos dizer que o processo todo dura cerca de 15 dias. 

    10. Quando o óvulo é doado, o DNA é de quem?

    Na doação de óvulos, a carga genética, ou seja, o DNA feminino vem da mulher doadora, e não da receptora. Desta forma, a impossibilidade de transmitir ao filho suas características genéticas é uma preocupação de algumas mulheres que recorrem a óvulos doados para o tratamento de Fertilização In Vitro.

    Porém, é muito importante ressaltar que o DNA não é o único responsável pelas características do bebê. As particularidades físicas e comportamentais do ser humano são resultados de um conjunto de fatores genéticos e epigenéticos. Nesse sentido, diversos estudos têm demonstrado que a epigenética, o meio intra-uterino e o ambiente de criação têm papéis fundamentais na herança, nos comportamentos e nos vínculos que se estabelecem no contexto das novas configurações familiares.

    11. Quem doa óvulos pode engravidar depois?

    Claro que sim! A ovodoação não prejudica a fertilidade da mulher, ou seja, a pessoa que já doou óvulos têm as mesmas chances de engravidar se não tivesse passado pelo processo de doação.

    Para esclarecer bem essa dúvida é importante lembrar que toda mulher nasce com uma quantidade determinada de óvulos, que varia entre um a dois milhões, chegando na idade da menarca com cerca de 400.000 óvulos. Desta forma, já durante a fase reprodutiva, a cada ciclo normal, vários óvulos iniciam seu crescimento. Todavia, apenas um alcança o desenvolvimento para ovular, enquanto o restante é descartado pelo corpo. 

    Assim, com o tratamento de estimulação ovariana, vários destes óvulos alcançam o tamanho adequado para amadurecer, sem que isso interfira no total de óvulos que serão liberados para as próximas ovulações. 

    12. Quanto se ganha para doar óvulos?

    Como já vimos, a legislação brasileira não permite o caráter comercial ou lucrativo da doação de óvulos. Em outras palavras, os gametas femininos, assim como os masculinos, não podem ser vendidos. Desta forma, a escolha por ceder óvulos é uma decisão altruísta, com objetivo de ajudar outras pessoas e casais a formarem suas famílias. 

    Porém, quando se trata da doação compartilhada de óvulos, existe o benefício do compartilhamento dos custos do tratamento de Reprodução Humana. Ou seja, a receptora utiliza os óvulos doados e divide o valor do tratamento da doadora. 

    Quer entender por que o processo de doação de óvulos tem se tornado tão popular nos últimos anos? Então baixe gratuitamente o nosso e-book sobre ovodoação!

    banner doacao de ovulos
    12 de maio de 2021
  • Posso engravidar depois dos 40 anos? Conheça métodos e cuidados

    Engravidar depois dos 40 anos é uma realidade cada vez mais comum. Afinal, as mulheres estão optando por postergar a gestação, focando primeiramente em outras realizações, como o desenvolvimento profissional, viajar pelo mundo, etc…

    Se tornar mãe após os 40 anos é possível sim, porém as chances são menores do que quando a mulher é mais jovem. Isso ocorre pois a reserva ovariana diminui com o avanço da idade e os óvulos estão mais propensos a desenvolver problemas, aumentando o risco de aborto e anomalias no bebê. Além disso, a mulher também possui mais chance de ter doenças na gestação.

    Entretanto, com os cuidados necessários e com a ajuda da medicina reprodutiva, engravidar depois dos 40 pode ser seguro. No texto abaixo, vamos explicar melhor as possibilidades de gravidez nesta situação, quais são os riscos para a mãe e para o bebê, e os cuidados necessários para se alcançar a maternidade com segurança e tranquilidade em uma gravidez tardia. 

    O que é gravidez tardia?

    A gravidez tardia é aquela que ocorre após os 35 anos de idade. A partir desta idade, a chance de sucesso de uma gravidez natural vai diminuindo e os riscos de complicações aumentam gradualmente conforme o avanço da idade da mulher.

    No entanto, atualmente, o conceito de idade ideal para ter um filho não é mais tão rígido, ou seja, ele vem se modificando ao longo dos anos. Isso tanto por conta dos avanços da medicina, quanto por conta da mudança de hábitos da sociedade. Neste contexto, seja por questões profissionais ou pessoais, as mulheres acabam tendo a opção de escolher o melhor momento para engravidar.

    Sendo assim, podemos dizer que graças às técnicas de reprodução assistida, a gravidez tardia já é uma realidade no país, e muitas mulheres recorrem a elas para realizar o sonho de ser mãe com mais de 40 anos. Vale esclarecer que não há uma idade limite para a mulher recorrer aos tratamentos de reprodução humana. Porém, existe uma recomendação da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida para que eles ocorram até os 50 anos.

    É possível engravidar depois dos 40 anos?

    Sim, é possível engravidar depois dos 40 anos. Nesse sentido, se a mulher ainda não tiver entrado na menopausa e não possui nenhuma doença que afete o aparelho reprodutor, ela ainda tem chances de conseguir engravidar de forma natural. Porém, a possibilidade vai diminuindo drasticamente após os 42 anos.

    Isto ocorre pois sabemos que a mulher nasce com um número finito de óvulos que naturalmente vão se esgotar com a idade.

    A boa notícia é que, graças aos tratamentos de Reprodução Assistida, engravidar depois dos 40 anos é uma realidade cada vez mais viável. Contudo, a mulher deve ter um acompanhamento médico especializado para que o médico consiga avaliar a saúde do casal e, assim, indicar o melhor tratamento para alcançar uma gravidez. 

    Posso engravidar fazendo reposição hormonal?

    O tratamento de reposição hormonal não é um método anticoncepcional e, portanto, não bloqueia a ovulação. Nesse sentido, as mulheres que estão na pré-menopausa e fazem reposição hormonal, podem ter uma pequena possibilidade de engravidar.

    Isto ocorre pois mesmo com o tratamento, o ovário pode, em alguns momentos, retomar seu funcionamento e ovular. Porém, se a paciente estiver fazendo reposição hormonal na menopausa, ou seja, ela não menstrua há mais de um ano, a chance de engravidar é nula.

    Uma mulher laqueada pode engravidar depois dos 40 anos?

    A laqueadura é uma cirurgia que leva a esterilização feminina, impedindo que a mulher possa ter filhos. Nesse sentido, o método bloqueia as trompas uterinas, por meio de clipes, pontos cirúrgicos ou eletrocoagulação. Assim, impossibilita o encontro do óvulo com os espermatozoides nas trompas de falópio.

    Por esta razão, a única chance da mulher engravidar depois dos 40 com laqueadura é recorrendo aos tratamentos de reprodução assistida, como a Fertilização in Vitro (FIV). No entanto, a chance da paciente conseguir engravidar vai depender da idade e da qualidade de seus óvulos. 

    Assim, com 40 anos, uma mulher laqueada que faz FIV com seus próprios óvulos, tem uma chance de 20% de engravidar. Ou seja, a possibilidade de gravidez relaciona-se à idade da paciente e não à laqueadura.

    Como conseguir engravidar depois dos 40?

    Como já vimos, ainda é possível engravidar naturalmente depois dos 40 anos, mas a chance vai diminuindo rapidamente nos anos subsequentes. Nesse sentido, se a mulher tentar a gravidez de forma natural por volta desta idade, ela deve seguir algumas dicas que podem auxiliar a tão almejada gestação. Veja abaixo quais são: 

    • Realizar o exame do Hormônio Anti-Mülleriano;
    • Realizar um check-up antes de começar as tentativas para engravidar;
    • Verificar a taxa de fertilidade através de exame de sangue para checar os níveis de FSH e/ou estradiol no início do ciclo menstrual. Nesse sentido, os níveis destes hormônios podem sugerir que os ovários já não respondem aos hormônios que induzem a ovulação;
    • Começar a tomar ácido fólico cerca de três meses antes de começar as tentativas para engravidar;
    • Evitar o estresse e ansiedade;
    • Praticar exercícios físicos de forma regular;
    • Ter uma alimentação saudável;
    • Ter relações sexuais frequentes durante o período fértil.

    Entretanto, se após seis meses de tentativas a gravidez depois dos 40 não acontecer, a indicação médica é recorrer às técnicas de medicina reprodutiva. Nesse sentido, existem duas técnicas principais. Confira quais são:

    Inseminação Artificial (IIU)

    A Inseminação Artificial é ideal para casais que não apresentam problemas graves de infertilidade, mas que têm dificuldade de ovulação, baixa quantidade ou motilidade do espermatozoide. 

    Nestes casos, para facilitar o encontro do espermatozoide com o óvulo, insere-se o sêmen diretamente no colo do útero e a fecundação ocorre dentro do corpo da mulher. Porém, é necessário realizar uma avaliação das trompas, para garantir que o espermatozoide encontre e fecunde o óvulo.

    Fertilização In Vitro (FIV)

    Recomenda-se a Fertilização In Vitro para casos de infertilidade mais graves, como homens com oligospermia ou teratozoospermia, pacientes que tenham problemas nas trompas, sequelas de infecções, endometriose, entre outros. 

    Nesse sentido, a FIV começa com a coleta dos gametas feminino e masculino. Para isso, as mulheres passam por um processo de estímulo da ovulação, através de medicamentos hormonais e, posteriormente, ocorre a coleta dos óvulos. Já nos homens, obtém-se a amostra de espermatozoides através de masturbação ou, se necessário, a partir de uma punção testicular. 

    A próxima etapa consiste na fecundação. Nesse sentido, unem-se óvulo e espermatozoides em laboratório, onde acontece a fertilização e assim, a formação do embrião. Após alguns dias de cultivo em estufa, o embrião chega à fase de blastocisto, e é transferido ao útero.

    Além disso, existe um método mais moderno chamado Injeção Intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), que tem as mesmas etapas de uma FIV tradicional, com a diferença de que a fecundação não é feita de forma espontânea em laboratório. Na FIV com ICSI, os espermatozoides são selecionados e injetados, um a um, dentro de cada um dos óvulos, facilitando a fecundação. Nestes casos, a fertilização não ocorre espontaneamente, e há total interferência do embriologista. 

    Chances de sucesso da FIV

    Já vimos anteriormente que com o avanço da idade, a mulher vai perdendo a quantidade e a qualidade de seus óvulos. Por esta razão, a chance de sucesso de uma Fertilização in Vitro, com óvulos próprios, também cai consideravelmente à medida que os anos passam.

    No quadro a seguir é possível ver as taxas de gravidez através de FIV, a partir dos 40 anos. 

    Vale ressaltar ainda que estudos do Conselho Federal de Medicina (CFM) apontam que a partir dos 45 anos as chances de sucesso no tratamento com óvulos próprios é de menos de 1%. Já aos 47, a possibilidade de se ter embriões aneuploides aproxima-se de 100%.

    Por esta razão, a medicina reprodutiva indica o tratamento de congelamento de óvulos para aquelas mulheres que já sabem que querem postergar a maternidade. Contudo, para aquelas que não planejaram a gravidez anteriormente, mas já estão com a idade avançada, a indicação é a ovodoação. 

    Congelamento de óvulos

    O congelamento de óvulos, também chamado de criopreservação, é a técnica de preservação dos óvulos jovens em nitrogênio líquido, por meio de vitrificação. Nesse sentido, é um tratamento que permite adiar a possibilidade de ter filhos.

    Vale lembrar que as mulheres entre 20 a 30 anos estão biologicamente no auge da fertilidade. Portanto, o ideal é fazer o congelamento de óvulos nesse período, pois a medida que a idade avança, diminui a quantidade e a qualidade dos óvulos produzidos pela mulher. 

    Sendo assim, de acordo com a Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRA), a idade limite para o congelamento de óvulos é de 35 anos.

    Ovodoação

    A ovodoação é uma alternativa que ajuda mulheres a realizarem o sonho da gravidez através de óvulos jovens de outra paciente. Nesse sentido, é uma opção no caso de mulheres com diminuição da reserva ovariana causada por idade avançada, falência ovariana precoce, tratamentos oncológicos e doenças genéticas.

    Desta forma, conforme a Resolução nº 2.168/2017, do Conselho Federal de Medicina (CFM), permite-se a doação voluntária dos óvulos. Além disso, também é aceita a doação compartilhada, em casos que doadora e receptora estejam participando de tratamentos de reprodução assistida. Portanto, podem compartilhar tanto o material biológico quanto os custos financeiros que envolvem o procedimento.

    Contudo, é importante esclarecer também que, no Brasil, este processo é realizado pelas clínicas de reprodução humana e ocorre de forma totalmente anônima e sigilosa.

    Quais os sintomas de gravidez após os 40 anos?

    Quando uma mulher engravida após os 40 anos, ela tem os mesmos sintomas de uma gestante de qualquer outra idade. Desta forma, é possível ter:

    • Corrimento vaginal cor-de-rosa;
    • Cólica;
    • Inchaço abdominal;
    • Mamas sensíveis e inchadas;
    • Aumento da freqüência urinária;
    • Cansaço;
    • Enjôo.
    • Tontura;
    • Sono;
    • Dor de cabeça.

    É perigoso ter filhos aos 40 anos?

    Engravidar depois dos 40 anos de idade é mais perigoso do que ficar grávida no início da vida adulta. Nesse sentido, aumenta a chance do surgimento de inúmeras situações que comprometem a saúde da mãe e do bebê.

    Por esta razão, mulheres com mais de 40 anos que desejam engravidar devem procurar um médico para orientação e para realização de exames que confirmem sua boa condição física. Desta maneira, terão mais chances de ter uma gestação saudável e tranquila do início ao fim.

    Veja a seguir os riscos de uma gravidez tardia tanto para mãe como para o bebê: 

    Riscos para a mãe:

    • Aborto;
    • Desenvolvimento de diabetes gestacional;
    • Maior chance de parto prematuro;
    • Perda de sangue;
    • Gravidez ectópica;
    • Descolamento prematuro da placenta;
    • Rompimento do útero;
    • Hipertensão na gravidez;
    • Pré- eclâmpsia;
    • Trabalho de parto por tempo prolongado.

    Riscos para o bebê

    • Malformações cromossômicas que levam ao desenvolvimento de doenças genéticas, principalmente a Síndrome de Down;
    • Nascimento de forma prematura, aumentando os riscos de saúde após seu nascimento.

    Cuidados para a gravidez após os 40 anos

    Se você tem 40 anos ou mais e tem intenção de engravidar, é indicado procurar aconselhamento médico antes de qualquer tentativa. Nesse sentido, o ideal é que esse processo se inicie três meses antes para que o médico consiga identificar e tratar possíveis fatores de riscos como diabetes, hipertensão e alterações cardiovasculares. 

    Além disso, o médico também deve prescrever o uso de vitaminas e orientar sobre uma boa alimentação e melhores hábitos de vida da paciente.

    Devido ao avanço da idade, o acompanhamento pré-natal torna-se mais rigoroso, com visitas mais frequentes ao ginecologista. Da mesma forma, a futura mamãe deve se submeter a um número maior de exames e de forma mais específica.

    Sendo assim, de acordo com a necessidade, o médico pode solicitar mais ultrassonografias e exames de sangue, além de exames específicos como a coleta de vilosidades coriônicas, amniocentese e cordocentese. 

    Como é o parto da gravidez após os 40 anos?

    Desde que a mulher e o bebê estejam saudáveis não existem contraindicações para o parto normal depois dos 40 anos. Nesse sentido, a idade não representa limitação para o parto vaginal.

    No entanto, se ela já tiver realizado uma cirurgia de cesariana anteriormente, é indicado que seja feito novamente o procedimento. Isso porque a cicatriz anterior pode aumentar o risco de rompimento uterino durante o trabalho de parto.


    Gostou do conteúdo? Se você quiser saber mais sobre as técnicas de Reprodução Assistida, nós preparamos um material gratuito para que você entenda como funciona os tratamentos de Medicina Reprodutiva e qual é o papel do especialista na ajuda para realizar o seu sonho.

    Técnicas de Reprodução Assistida: um bom diagnóstico é o primeiro passo
    5 de maio de 2021
  • Teratozoospermia: saiba o que é e sua relação com a fertilidade masculina

    Você sabia que a teratozoospermia é uma das principais causas de infertilidade masculina? Nesse sentido, ela consiste na alteração do formato dos espermatozoides e seu diagnóstico acontece pelo exame de espermograma.

    No texto a seguir, vamos explicar tudo sobre a teratozoospermia: quais são as causas, se existe tratamento, e como a Reprodução Assistida pode ajudar nestas situações.

    O que é teratozoospermia?

    A teratozoospermia é a situação em que há uma grande porcentagem de espermatozoides em formato anormal, com defeitos de morfologia. Quando se analisa o exame de espermograma, verificam-se diversos fatores, como o volume do líquido, a quantidade de espermatozoides, a sua capacidade de movimentação, entre outros.

    Um dos mais importantes parâmetros é a morfologia, que avalia quantos espermatozoides com formato perfeito são produzidos em uma ejaculação. Dessa forma, se o percentual de gametas normais for muito pequeno e o número de espermatozoides com deformações for alto, temos o diagnóstico de teratozoospermia.

    Nesse sentido, é importante dizer que os espermatozoides anormais não dão origem a crianças com malformações. Entretanto, eles não são fecundantes, sendo esta uma das principais causas da infertilidade masculina.

    Leia também: Dicas para evitar a infertilidade masculina 

    De acordo com a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, estima-se que a infertilidade conjugal de uma maneira geral atinja aproximadamente 80 milhões de pessoas ao redor do mundo. Os dados revelam que 40% dos casos tem como causa por fatores masculinos, já os outros 40% são por fatores femininos. Enquanto isso, 20% dos problemas são por causas combinadas (fatores masculinos e femininos).

    Como é o diagnóstico de teratozoospermia?

    O espermograma ou análise do sêmen é o exame mais importante para diagnosticar a teratozoospermia. Nesse sentido, o teste avalia a capacidade reprodutiva dos homens, tanto em relação à quantidade e motilidade, como na qualidade dos seus espermatozoides.

    Desta forma, o homem tem o diagnóstico de teratozoospermia quando seu sêmen apresenta grande número de espermatozoides defeituosos. Ou seja, com alterações estruturais na cauda, cabeça ou peça intermediária.

    No entanto, nem sempre um único exame garante a conclusão do resultado, sendo necessária, em alguns casos, a repetição do espermograma em intervalos de pelo menos 15 dias, com abstinência sexual de 3 a 5 dias. Sendo assim, é importante que o médico oriente o casal na escolha de um laboratório de excelência, que siga todas as recomendações internacionais para a análise do sêmen.

    Dessa maneira, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é preciso que, pelo menos, 30% dos espermatozoides presentes no ejaculado do homem tenham uma forma normal para que exista a fecundação. Além disso, a OMS também aceita o critério de Kruger. Ele é um método mais detalhado de avaliação dos espermatozoides, que permite classificá-los como normal ou anormal de acordo com sua forma. 

    Nesse sentido, por este último critério, o índice de espermatozoides com morfologia perfeita deve ser maior do que 4% para que haja maiores chances de gravidez. Por sua vez, se os exames estiverem abaixo destes percentuais, o paciente recebe o diagnóstico de teratozoospermia.

    Confira abaixo, os parâmetros normais do exame de espermograma. Os dados são do manual da Organização Mundial da Saúde, com atualização em 2010.

    Parâmetros para espermograma:
Volume: 1,5ml
Motilidade (valores): superior a 32% é motilidade progressiva. Superior a 40% é motilidade progressiva + não progressiva.
Concentração: 15,0x106 espermatozoides/ml.
Vitalidade: superior a 58% de espermatozoides vivos.
Morfologia: superior a 30% de ovais normais. Superior a 4% de ovais normais/morfologia de Kruger.
pH: superior a 7,2.

    O que causa a teratozoospermia?

    Como já vimos anteriormente, a teratozoospermia refere-se às alterações no formato do espermatozoide que podem afetar a fertilidade masculina, pois apenas os gametas perfeitos são capazes de fertilizar o óvulo. Nesse sentido, os principais responsáveis por essas alterações são:

    • Infecções;
    • Drogas;
    • Obesidade; 
    • Tabagismo; 
    • Alcoolismo; 
    • Estresse;
    • Poluição; 
    • Má alimentação; 
    • Alguns medicamentos; 
    • Origem congênita;
    • Varicocele. 

    Dentre todas as possíveis causas de infertilidade masculina, a varicocele é, sem dúvida, a principal. Dessa forma, a doença se manifesta em aproximadamente 15% da população geral, incluindo adolescentes e adultos. Além disso, estima-se que ela acomete até 41% dos homens com infertilidade primária (nunca tiveram filhos) e 81% dos homens com infertilidade secundária (com filho prévio).

    Entenda o que é varicocele

    Varicocele é a dilatação anormal das veias dos testículos, que prejudica o fluxo sanguíneo local e a troca de nutrientes. Isso leva a um acúmulo de substâncias tóxicas e aumento de temperatura na região testicular. Esses fatores podem provocar alterações na quantidade (oligozoospermia) e na qualidade (teratozoospermia) dos espermatozoides.

    E, embora seja uma das principais causas da infertilidade masculina, a varicocele não provoca distúrbios da potência sexual. Porém, alguns homens podem sentir dor, sensação de peso e atrofia (diminuição) nos testículos, além de aumento visível das veias testiculares.

    O diagnóstico da varicocele é feito através do exame físico quando o médico pede para que o paciente simule movimentos com força física ou, então, tussa. Desta forma, ocorre o aumento da pressão abdominal, fazendo com que as veias dos testículos inchem e o médico possa apalpá-las. 

    Para auxiliar e confirmar a análise, realiza-se o exame e ecografia com doppler de bolsa escrotal, onde se verifica o calibre das veias dilatadas, assim como presença de refluxo venoso. 

    Teratozoospermia tem cura?

    Sim! Para muitos casos a teratozoospermia tem cura. A causa mais conhecida e tratável de teratozoospermia é a varicocele. Nesse sentido, o tratamento pode ser feito de forma cirúrgica para que haja a recuperação da qualidade do espermatozoide.

    Da mesma forma, em outras situações, podemos melhorar a morfologia dos espermatozoides passando a ter hábitos de vida mais saudáveis.

    Qual o tratamento para teratozoospermia?

    O primeiro passo para tratar a teratozoospermia deve ser a identificação da origem do problema. Nesse sentido, diversas causas podem ter tratamento, como infecções e doenças passíveis de cura. 

    Da mesma forma, o problema pode ser resolvido simplesmente com a retirada de medicações inadequadas ou melhorando os hábitos de vida. Assim, individualizar o tratamento deve ser sempre prioridade para obter os melhores resultados.

    Tratamento para Varicocele

    Se a origem da teratozoospermia for a varicocele, a cirurgia é a principal alternativa para o tratamento. Isso pois homens com a doença podem apresentar alterações na morfologia e na diminuição da motilidade do sêmen. Dessa forma, a correção cirúrgica deve melhorar estes parâmetros.

    A cirurgia de varicocele acontece em hospital qualificado, sob anestesia raquidiana, peridural ou geral. A técnica com maiores taxas de sucesso é a microscópica subinguinal, que consiste na utilização de um microscópio cirúrgico para a ligadura das menores veias dilatadas após uma pequena incisão (corte) inguinal no lado acometido pela varicocele. A cirurgia tem caráter ambulatorial (sem necessidade de internação), com retorno às atividades normais em poucos dias.

    Sendo assim, a correção cirúrgica da varicocele melhora a espermatogênese em 50% a 80% dos pacientes. Entretanto, nos casos em que não há melhora na fertilidade após a intervenção cirúrgica, sugere-se o tratamento de Reprodução Assistida (RA), de acordo com o tipo de complexidade de cada um.

    Melhorando os hábitos de vida

    Melhorar os hábitos de vida é fundamental para tentar reverter a teratozoospermia. Ou seja, ter uma alimentação saudável, fazer atividade física, afastar-se de cigarro, bebida alcoólica e drogas. Além disso, tomar cuidado com medicamentos que podem interferir na qualidade dos espermatozoides é obrigatório. 

    Se todos estes itens estiverem sendo cumpridos, já será um grande passo para maximizar a fertilidade. Confira abaixo algumas dicas de alimentação e uso de suplementos vitamínicos para melhorar a espermatogênese:

    Alimentação

    A alta ingestão de gordura trans está associada à queda na fertilidade, enquanto a ingestão de ômega 3 está relacionada à melhora. Dessa forma, deve-se evitar a gordura trans que está presente em carne vermelha, leite e derivados. Por sua vez se recomenda o ômega 3, que está presente em peixes, frutos do mar, amêndoas, nozes e óleos vegetais (como de canola, algodão, linhaça e oliva).

    Vitaminas e suplementos nutricionais

    Uma das causas da infertilidade é o “estresse oxidativo”, causado por vários fatores, entre eles os radicais livres, a poluição e o próprio estresse diário das pessoas. Diante disso, recomenda-se algumas vitaminas e suplementos nutricionais que podem ajudar a bloquear a ação deletéria destes fatores. Confira abaixo quais são:

    • Ácido fólico;
    • vitaminas C e E;
    • Coenzima Q10;
    • Picnogenol;
    • Selênio;
    • Zinco.

    Quem tem teratozoospermia pode engravidar?

    Sim! Quem tem teratozoospermia pode engravidar, desde que investigue a causa e trate o problema. A maneira ideal de decidir o melhor caminho é a partir do entendimento amplo da condição de cada casal, bem como das causas que podem estar levando o indivíduo ao diagnóstico de teratozoospermia.

    Se todos os tratamentos possíveis acontecerem e ainda assim o homem continuar com problema de infertilidade, o especialista pode recorrer às técnicas de Reprodução Assistida para viabilizar uma gravidez. 

    Como a Reprodução Assistida ajuda nos casos de teratozoospermia?

    Graças ao avanço das técnicas de Reprodução Assistida, homens com teratozoospermia, que não tiveram sucesso em outros tratamentos, têm conseguido engravidar. Levando em consideração a morfologia estrita de Kruger, obtida pelo espermograma, é comum que o especialista oriente o casal a diferentes tipos de tratamentos. 

    Confira as possíveis indicações, dependendo da complexidade da doença em cada paciente:

    Inseminação Intrauterina (IIU)

    Indica-se a inseminação intrauterina quando o índice de espermatozoides normais for maior do que 5% e, mesmo assim, há dificuldades em engravidar. A técnica é de baixa complexidade e consiste em selecionar os melhores gametas masculinos para colocá-los dentro do útero, facilitando, assim, o encontro do óvulo com o espermatozoide.

    Fertilização in Vitro (FIV)

    A Fertilização in Vitro, também conhecida como FIV, é indicada para os casos de alta complexidade, quando há menos de 4% de espermatozoides normais na ejaculação. Selecionam-se os melhores óvulos e espermatozoides que são fecundados em laboratório. Posteriormente, é escolhido o embrião em fase de blastocisto para ser implantado no útero. 

    Dessa forma, a técnica consiste na fecundação em laboratório que, no entanto, não ocorre de forma espontânea. Nesse sentido, realiza-se a partir da micromanipulação dos gametas, na qual se injeta um único espermatozoide dentro do óvulo para sua fecundação. O procedimento ocorre com o auxílio de um microscópio e de uma agulha finíssima e os espermatozoides são colhidos de uma amostra do sêmen ou por biópsia testicular. 

    Quer saber mais sobre Reprodução Assistida? Então se aprofunde no assunto com o nosso e-book com as dúvidas mais frequentes sobre Medicina Reprodutiva!

    banner ebook duvidas frequentes medicina reprodutiva
    21 de abril de 2021
  • Astenozoospermia: quem tem o diagnóstico positivo pode engravidar?

    Você já ouviu falar em Astenozoospermia? Sabe quais são suas causas e consequências? Se é algo reversível? 

    A astenozoospermia é um problema masculino que pode representar um grande problema para a fertilidade do homem. Por isso, para saber mais detalhes sobre essa doença, seu diagnóstico e tratamento, leia o texto abaixo.

    O que é astenozoospermia?

    A astenozoospermia ou astenospermia é a condição masculina que se refere à motilidade dos espermatozoides. Nesse sentido, é a situação na qual as células reprodutoras do homem não têm motilidade suficiente para chegar até o óvulo no corpo da mulher.

    Ou seja, mesmo que a quantidade de espermatozoides vivos no ejaculado corresponda ao normal, o número de gametas móveis e ativos capazes de se mover rapidamente em linha reta são insuficientes. Dessa forma, impossibilita-se a fecundação. 

    Por isso, a astenozoospermia, ou “esperma preguiçoso ou lento”, é um dos casos de infertilidade masculina pois diminui muito as chances do casal conseguir engravidar. Nesse sentido, é necessário dizer que a astenozoospermia não tem nenhuma relação com impotência sexual ou perda da libido, como muitos podem pensar. Dessa forma, a doença afeta apenas a fertilidade do homem, mas não seu desempenho sexual.

    Quais são as causas da astenozoospermia?

    As causas da astenozoospermia são, muitas vezes, relacionadas às infecções na região dos testículos. No entanto, existem vários fatores que podem influenciar a mobilidade espermática:

    • Idade avançada: a mobilidade espermática tende a diminuir após os 50 anos;
    • Alimentação: a falta de vitaminas e antioxidantes pode causar astenozoospermia;
    • Temperatura corporal: os testículos devem ter dois graus a menos que o resto do corpo. Assim, se a temperatura for diferente disso, pode-se afetar a motilidade do esperma;
    • Alterações espermáticas: algumas alterações genéticas afetam os espermatozoides e podem alterar a sua mobilidade;
    • Alterações da via seminal: diferentes alterações nos testículos, epidídimo, canal deferente ou canal ejaculador pode afetar a motilidade. Aqui, especialmente infecções com presença de leucócitos no fluido seminal;
    • Varicocele: refere-se à presença de varizes nos vasos sanguíneos que irrigam o testículo;
    • Longos períodos sem ejaculação;
    • Defeitos na produção de espermatozoides;
    • Obstruções causadas por uma vasectomia;
    • Substâncias tóxicas: cigarro, álcool ou drogas, assim como exposição a fertilizantes ou pesticidas também podem causar danos a motilidade espermática;
    • Tratamentos contra o câncer: rádio e quimioterapia são técnicas agressivas para o esperma.

    Como ocorre o diagnóstico de astenozoospermia?

    A astenozoospermia em si não apresenta sintomas específicos, porém, algumas manifestações podem estar associadas às possíveis causas da doença. Por exemplo, no caso de astenozoospermia causada por varicocele, é provável que o homem sinta dor no testículo, inchaço ou desconforto na virilha. Por isso, em muitos casos, o homem só procura o médico quando o casal apresenta dificuldades para engravidar.

    Nesse sentido, para avaliar uma possível astenozoospermia, um dos primeiros exames solicitados é o espermograma, um teste laboratorial que analisa a qualidade do sêmen. Dessa forma, verificam-se o volume, viscosidade, liquefação, coloração e pH (acidez) do líquido seminal. 

    Além disso, também se analisa a concentração, vitalidade e a motilidade total e progressiva dos espermatozoides, entre outros estudos. Os achados referentes à motilidade, ou seja, ao movimento dos espermatozoides, são um dos principais indícios de astenozoospermia. 

    Veja, na imagem abaixo, os tipos de motilidades avaliados no espermograma:

    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a astenozoospermia ocorre quando menos de 32% dos espermatozoides têm mobilidade progressiva, ou quando menos de 40% têm mobilidade total. No entanto, para um diagnóstico preciso é necessário a realização de pelo menos dois espermogramas, com intervalo de 15 dias. 

    Além disso, para confirmar o diagnóstico o médico pode solicitar exames hormonais para verificar os níveis de FSH, LH e testosterona, e até mesmo a punção testicular. Utiliza-se tal exame para saber se o problema é na produção do esperma ou no caminho até sua saída do corpo.

    Quais são os grupos de espermatozoides?

    Para entender melhor os diferentes graus da astenozoospermia, é importante saber que os espermatozoides são divididos em quatro grupos, de acordo com sua capacidade de se mover. Por isso, confira cada um dos graus abaixo:

    Tipo A 

    São os espermatozoides mais ativos e móveis. Chamados de progressivas, se movem rapidamente em movimento reto e assim são capazes de chegar ao óvulo e fertilizá-lo.

    Tipo B 

    Os espermatozoides desse grupo também são bastante ágeis, porém, apresentam velocidade ligeiramente inferior aos do grupo A. Como se movimentam em linha direta, também têm condições de alcançar o óvulo possibilitando que a fecundação aconteça.

    Tipo C 

    Neste grupo encontram-se gametas vivos e móveis, porém, com uma trajetória de movimento irregular. Dessa forma, ao invés de se moverem em linha reta, “nadam” na direção oposta, ou em círculo, sem sair do lugar. Por isso, não conseguem alcançar o óvulo impossibilitando a concepção.

    Tipo D 

    Este grupo compreende os espermatozoides fixos, que por algumas razões não são capazes de se mover, e assim, não têm chances de fertilizar o óvulo. Em alguns casos, os gametas imóveis podem estar mortos.  

    Quais são os graus de astenozoospermia?

    Sabemos que para ocorrer a fertilização do óvulo é preciso que os espermatozoides sejam morfologicamente normais, não alterados e que sejam progressivos.

    Dessa forma, de acordo com o nível de alteração na sua motilidade, a astenospermia se manifesta em diferentes graus. Conheça os três graus de astenozoospermia na sequência:

    Grau 1

    É a forma mais moderada da doença, quando o conteúdo de espermatozoides móveis e progressivos no ejaculado é reduzido para 40%. Nesse sentido, ainda há boas chances de engravidar. É importante, porém, ficar atento ao problema e tentar corrigir as causas da doença para que a falha na atividade dos espermatozoides não progrida.

    Grau 2 

    Este grau ainda é considerado moderado, porém, o número de gametas móveis e ativos no ejaculado está reduzido em 30-35%. Dessa forma, apenas um terço do espermatozoide conseguem alcançar o óvulo, e assim, a probabilidade de concepção diminui bastante. Os homens com astenozoospermia de grau 2 necessitam de tratamento. 

    Grau 3

    Esta é a forma mais grave da patologia, quando os espermatozoides rápidos e móveis no ejaculado, capazes de fertilização, são inferiores a 30%. Nesse sentido, a gravidez de forma natural se torna muito improvável. Desta forma, será necessária assistência médica para conseguir a fecundação do óvulo.

    Astenozoospermia tem tratamento?

    O tratamento da astenozoospermia é baseado na cura ou na eliminação do fator desencadeante, portanto, depende das causas e da gravidade da doença. Nesse sentido, a conduta médica pode incluir uso de antibióticos, caso o quadro seja decorrente de uma infecção. Ou, então, cirurgia para corrigir uma varicocele, se esta for a causadora do problema. 

    Além disso, mudanças no estilo de vida do homem, com ajustes na alimentação, podem ser suficientes para melhorar a motilidade dos gametas. Desta forma, vale ressaltar que algumas condições são tratáveis ​​com maior facilidade do que outras, o que repercute no grau de sucesso dos tratamentos. 

    Quem tem astenozoospermia pode engravidar?

    A astenozoospermia pode representar um verdadeiro empecilho na fertilidade masculina e do casal, dificultando que a gravidez aconteça de forma natural. Porém, felizmente, já existem métodos alternativos para promover o encontro do óvulo com o espermatozoide quando a doença não pode ser revertida. Nesse sentido, a Reprodução Assistida encontra diversos caminhos para superar os obstáculos da fecundação. 

    Como a Reprodução Assistida pode ajudar quem tem astenozoospermia?

    Quando o homem recebe o diagnóstico de astenozoospermia, não deve perder as esperanças de se tornar pai, afinal, a doença não o torna estéril.

    Desta forma, através de técnicas de Reprodução Assistida é possível juntar óvulo e espermatozoides gerando um embrião, e assim dando início a uma gestação. Um dos tratamentos que tem ajudado muitos homens com astenozoospermia a realizarem o sonho de terem um filho é a Injeção Intra-Citoplasmática de Espermatozoides (ICSI).

    O método consiste em injetar um espermatozoide selecionado dentro do óvulo, promovendo a fecundação em laboratório. Nesse sentido, o primeiro passo é a coleta dos gametas do casal. Para isso, a mulher passa por indução da ovulação feita com medicamentos. 

    Quando os folículos atingem o tamanho adequado, é realizada a coleta de óvulo. Já no caso do homem, os espermatozoides são obtidos pela masturbação, ou são retirados diretamente dos testículos, ou do epidídimo através de uma punção ou uma biópsia. Uma vez formado o embrião, ele é implantado no útero da futura mãe. 

    A Reprodução Assistida é uma opção efetiva para ter filhos mesmo com astenozoospermia. Saiba da importância do diagnóstico da Reprodução Assistida baixando o nosso e-book gratuito!

    Técnicas de Reprodução Assistida: um bom diagnóstico é o primeiro passo
    14 de abril de 2021
  • Como funciona o congelamento de óvulos? Veja o processo passo a passo

    O congelamento de óvulos, também chamado de criopreservação, é a técnica de preservação dos óvulos em nitrogênio líquido, por meio de vitrificação. Nesse sentido, o congelamento de óvulos é um tratamento para postergar a possibilidade de ter filhos.

    Este procedimento ocorreu pela primeira vez em 1986 e, desde então, o método progrediu significativamente. Vale ressaltar que, nos primeiros anos, a taxa de gravidez a partir de óvulo congelado era muito baixa (cerca de 1%). Isso acontecia porque a técnica utilizada para o congelamento criava cristais de gelo que danificavam a estrutura da célula. 

    No entanto, com a introdução da técnica de vitrificação, em 2006, a taxa de qualidade e de sobrevivência dos óvulos após descongelamento aumentou para 95%. Assim, de acordo com o Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), a procura por congelamento de óvulos  triplicou nos últimos anos.

    Por este motivo, a técnica é considerada como um dos avanços mais importantes da Medicina Reprodutiva dos últimos tempos.

    Até que idade é possível congelar óvulos?

    Uma mulher jovem com cabelos castanhos, lisos e compridos, em uma pose pensativa.

    Sabe-se que as mulheres estão biologicamente no auge da fertilidade  entre 20 a 30 anos. Portanto, o ideal é fazer o congelamento de óvulos nesse período.

    Contudo, muitas mulheres deixam para recorrer ao procedimento depois dos 38 anos, porém, as chances de sucesso diminuem muito. Isso porque o envelhecimento reduz significativamente a quantidade e a qualidade dos óvulos produzidos, interferindo diretamente nas chances de uma gravidez.

    Sendo assim, de acordo com a Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRA), a idade indicada para o congelamento de óvulos é de até 35 anos.

    Quando o congelamento de óvulos é indicado?

    Existem diversos motivos pelos quais as mulheres optam pelo congelamento de óvulos. Seja por escolha pessoal ou questões médicas, com a criopreservação as mulheres ganham mais tempo para decidirem sobre a maternidade.  

    Veja quais as principais indicações para o congelamento de óvulos:

    Mulheres que pretendem engravidar após os 35 anos de idade

    Em um passado não muito distante, o início da maternidade era, geralmente, aos 20 anos. Hoje em dia, como já vimos, a média de idade do primeiro filho supera os 35 anos.

    Nesse sentido, é importante esclarecer que as mulheres já nascem com um número de óvulos predeterminado e o seu organismo não é capaz de produzir mais. Sendo assim, com o avanço da idade, os óvulos envelhecem e, neste processo, a quantidade e a qualidade disponíveis para serem fertilizados também diminuem. 

    Por esta razão, para aquelas mulheres que pretendem adiar a maternidade recomenda-se o congelamento de óvulos. Entretanto, segundo o Conselho Federal de Medicina, a idade máxima para se submeter a um tratamento de reprodução assistida é de até 50 anos. Este limite de idade se deve ao risco de aumento de casos de hipertensão na gravidez, diabetes e partos prematuros. 

    Mulheres com histórico familiar de menopausa precoce

    A menopausa precoce é um quadro clínico em que a mulher deixa de ovular e menstruar antes dos 32 anos. Isso é considerado anormal já que o período natural para a falência ovariana é após os 40 anos.

    Sabe-se que a menopausa precoce pode se originar de vários fatores, como da própria genética, por exemplo. Dessa forma, é importante que a mulher saiba quando sua mãe e avós entraram na menopausa, pois há uma tendência que o cenário se repita.

    No entanto, independente dos fatores, é importante ressaltar que mulheres com menopausa precoce podem preservar a sua fertilidade, congelando seus óvulos de forma preventiva. Assim, quando decidirem ter filhos, poderão usar os óvulos congelados, caso necessário.

    Mulheres que serão submetidas a tratamentos oncológicos

    Mulheres que necessitam de  quimioterapia ou radioterapia, e que desejam ter filhos, têm a possibilidade de congelar os óvulos antes de iniciar o tratamento oncológico. Assim, quando estiverem recuperadas poderão usar seus próprios gametas para engravidar.  

    Entretanto, é fundamental avaliar junto ao oncologista a viabilidade de fazer o congelamento prévio ao tratamento contra o câncer.  Se não for possível esperar para realizar a indução de ovulação, existe a possibilidade da retirada e o congelamento apenas de fragmentos de tecido ovariano. Assim, quando a mulher terminar o tratamento, pode-se implantar estes fragmentos novamente, para tentar a fertilização. 

    Quais são as taxas de sucesso de gravidez com óvulos congelados?

    Uma mulher grávida vestindo uma camisa branca aberta, que revela sua barriga de gravidez. Ela está segurando um pequeno ursinho de pelúcia, vestido com um macacão listrado azul e branco com um coração vermelho no centro.

    Sabe-se que desde 2006, com o desenvolvimento da “vitrificação”, técnica criada por cientistas japoneses, a taxa de sobrevivência do óvulo após  descongelamento é de 95%. Dessa forma, as taxas de gravidez de óvulos congelados são praticamente as mesmas dos óvulos frescos.

    No entanto, vale lembrar que a taxa de sucesso de uma gestação relaciona-se diretamente à idade da mulher no momento em que congelar seus óvulos. Ou seja, o que importa é a  idade do óvulo e não o da mulher  na época em que vai ocorrer a fertilização e a transferência. 

    Portanto, a possibilidade de uma gravidez futura em mulheres que congelarem seus óvulos depois dos 38 anos de idade é menor do que em mulheres que fizeram o procedimento mais jovens.

    Confira abaixo as chances de sucesso de gravidez, conforme a idade da mulher. 

    Idade da MulherChances de Engravidar (%)
    Até 25 anos25-30%
    26-30 anos20-25%
    31-35 anos15-20%
    36-40 anos10-15%
    Acima de 40 anosMenos de 5%

    É  importante dizer que cada caso é diferente do outro. Portanto, é imprescindível que a mulher passe por uma avaliação médica para verificar a sua reserva ovariana e outras questões de saúde. Da mesma forma, ela precisa do acompanhamento de um especialista em reprodução assistida durante todo o processo de congelamento de óvulos.

    Você pretende fazer o congelamento de óvulos? Marque uma consulta com um dos nossos especialistas e preserve as possibilidades de ser mãe.

    Como funciona o congelamento de óvulos?

    O congelamento de óvulos é realizado em algumas etapas e leva em média 15 dias. Veja o que acontece em cada fase do tratamento:

    Estimulação ovariana

    A estimulação ovariana tem como principal objetivo estimular um número maior de óvulos maduros para serem coletados e congelados. Assim, a mulher recebe injeções de hormônios para estimular seus ovários a produzir múltiplos óvulos no mesmo ciclo menstrual e não apenas um, como ocorre naturalmente. Dessa forma, o uso de medicamentos como as gonadotrofinas, promove o amadurecimento de mais óvulos para serem coletados 

    Monitoramento e controle hormonal

    Durante aproximadamente de 10 a 14 dias, a mulher  é monitorada através de exames de ultrassonografias e de sangue.  O objetivo é avaliar o desenvolvimento dos folículos ovarianos e ajustar as doses dos hormônios conforme necessário. 

    Desta forma, quando os folículos atingem um tamanho adequado, uma injeção de hormônio hCG é administrada para induzir a maturação final dos óvulos nos folículos.

    Aspiração e recuperação dos óvulos

    A coleta dos óvulos, ou punção folicular, ocorre cerca de 36 horas após a injeção de hCG. Este procedimento acontece com uma agulha fina acoplada ao ultrassom que é introduzida na vagina da paciente até os ovários para aspirar os folículos. Em seguida, o líquido aspirado é depositado em tubinhos que contêm uma solução nutritiva semelhante à produzida pelas trompas. Este procedimento  é realizado sob sedação leve.

    Congelamento

    Após a coleta, os óvulos são imediatamente levados ao laboratório, onde são avaliados e preparados para o congelamento. O processo acontece pela técnica de vitrificação, que se caracteriza pela rapidez com que atinge baixas temperaturas. Sendo assim, a velocidade da diminuição de temperatura na vitrificação é de – 23ºC por minuto. Ou seja, 70 vezes mais rápido que o processo de congelamento lento. 

    Dessa forma, os óvulos congelados ficam armazenados em um cilindro de nitrogênio líquido e são mantidos a −196º. Eles, por sua vez, ficam num estado vítreo, impedindo a formação de cristais de gelo, que danificam as células reprodutoras.

    Como funciona o descongelamento de óvulos e seu uso na Fertilização in vitro?

    Os óvulos criopreservados podem ficar congelados, por tempo indeterminado, até serem utilizados para uma gravidez própria, ovodoação, ou eventualmente descartados. Nesse sentido, para passar pela fertilização in vitro, os óvulos  são descongelados em um processo controlado e, então, fecundados em laboratório. Os embriões resultantes são cultivados por alguns dias antes de serem transferidos para o útero da mulher para tentar uma gravidez.

    Confira abaixo mais detalhes sobre a Fiv com óvulos descongelados

    Preparo do endométrio

    O preparo do endométrio, camada interna do útero, para receber os embriões pode ser considerado um processo simples. Se a mulher possui ciclos regulares, o procedimento pode acontecer dentro de um ciclo ovulatório espontâneo, acompanhado por ultrassom e dosagens hormonais. 

    Descongelamento e fertilização in vitro

    No processo de descongelamento, retiram-se os óvulos do nitrogênio líquido para serem aquecidos. Logo após, acontece a fertilização quando são fecundados em laboratório, usando esperma do parceiro ou doado. 

    Os embriões resultantes têm o seu crescimento acompanhado até o quinto dia, quando atingem a fase de blastocisto, e estão prontos para transferência ao útero. 

    Transferência embrionária

    Com os embriões de melhor qualidade separados e o endométrio adequadamente preparado, a mulher poderá agendar a transferência embrionária. O processo é indolor e consiste na introdução dos embriões no útero por meio de uma sonda (cateter) guiada por ultrassom abdominal. Normalmente, o procedimento é feito sem anestesia. Assim, depois de 10 dias, deve ser feito um exame beta HCG para confirmar a gravidez. 

    Caso positivo, mantém-se a reposição de estradiol e progesterona até completar 12 semanas de gestação. A partir desse momento, a placenta já será capaz de produzir esses hormônios em quantidades corretas. 

    Você pretende fazer o congelamento de óvulos? Marque uma consulta com um dos nossos especialistas e preserve as possibilidades de ser mãe.

    Há riscos no congelamento de óvulos?

    Como vimos, o congelamento de óvulos é uma opção muito segura e cada vez mais popular entre as mulheres que desejam ou precisam preservar sua fertilidade. Nesse sentido, a vitrificação, atual processo de congelamento dos gametas, garante total qualidade das células. Assim, o embrião resultante da fecundação do óvulo congelado pelo espermatozoide tem a mesma qualidade do embrião formado por um óvulo fresco. 

    Portanto, o congelamento de óvulos é um processo seguro que não traz riscos para a saúde da mãe e nem para a saúde do bebê. Entretanto, como qualquer procedimento médico, ainda que relativamente raro, podem ocorrer situações indesejadas como:  

    • Pequeno sangramento ou lesão nos ovários durante a coleta dos óvulos;
    • Reações à anestesia;
    • Durante a estimulação do ovário, podem ocorrer inchaço, irritabilidade e desconforto abdominal que devem regredir após alguns dias;
    • Apesar dos avanços da criopreservação, alguns óvulos podem não sobreviver ou sofrer danos no seu descongelamento, tornando-o inviável para a fertilização;

    Para minimizar possíveis riscos do congelamento de óvulos, é importante que o procedimento seja realizado por um médico especialista, em uma clínica capacitada e de confiança. Além disso, alguns fatores  e cuidados favorecem o sucesso positivo do procedimento:

    Idade da mulher 

    A qualidade dos óvulos diminui com o passar do tempo, o que impacta nas chances de gravidez de uma fertilização in vitro. Desta forma, o indicado é congelar óvulos “jovens”, de pacientes com até 35 anos. 

    Síndrome do Hiperestímulo Ovariano (SHO)

    Esta síndrome é uma resposta exacerbada dos ovários ao estímulo hormonal feito para estimulação ovariana, resultando em um crescimento de óvulos maior do que o esperado.  Este quadro está associado também à passagem de fluido dos vasos sanguíneos que se tornam mais permeáveis, o que ocasiona uma retenção de líquido no abdômen.

    Desta forma, o desenvolvimento da SHO depende da resposta de cada paciente ao uso dos hormônios e atinge especialmente pessoas com Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Portanto, o especialista em medicina reprodutiva monitora, através de ultrassons e dosagens hormonais, a resposta de cada mulher ajustando a quantidade e tipo de medicação.

    Pacientes oncológicos

    Os tratamentos de quimioterapia e radioterapia usados para combater o câncer podem afetar a fertilidade feminina. Desta forma, quando possível, é recomendado realizar o congelamento de óvulos antes de iniciar o uso das medicações oncológicas.

    Cuidados com a saúde: 

    As mulheres hipertensas, obesas, ou fumantes devem reverter esses quadros antes de iniciar o tratamento. O ideal é perder peso, parar de fumar e controlar a hipertensão  para aumentar as chances de sucesso do congelamento de óvulos. 

    Quais os aspectos éticos e regulatórios do congelamento de óvulos?

    A atividade de medicina reprodutiva no Brasil é regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) que estabelece as normas técnicas e éticas da medicina no país.  Desta forma, através de soluções específicas, como a  RESOLUÇÃO CFM nº 2.320/2022, o CFM regula a prática das técnicas de reprodução assistida, definindo os procedimentos permitidos, as diretrizes e os limites. Além disso,  são estabelecidos também os direitos e deveres dos pacientes, dos profissionais de saúde e das clínicas de reprodução assistida do Brasil.

    É importante salientar que periodicamente as resoluções estabelecidas podem ser alteradas e ajustadas, buscando sempre maior segurança e eficácia a  tratamentos e procedimentos médicos.

    Veja abaixo o que o CFM diz sobre congelamento de óvulos e de embriões:

    PRINCÍPIOS GERAIS

    • As técnicas de reprodução assistida (RA) têm o papel de auxiliar no processo de procriação;
    • As técnicas de reprodução assistida podem ser utilizadas para doação de gametas e para preservação de gametas, embriões e tecidos germinativos  por razões médicas e não médicas;
    • Quanto ao número de embriões a serem transferidos pós FIV, determina-se, conforme a idade:

    1. Mulheres com até 37 (trinta e sete) anos: até 2 (dois) embriões;

    2. Mulheres com mais de 37 (trinta e sete) anos: até 3 (três) embriões;

    3. Em caso de  embriões euploides ao diagnóstico genético, até  2  (dois)  embriões, independentemente da idade; 

    4. Nas situações de doação de oócitos, considera-se a idade da doadora no momento de sua coleta.

     CRIOPRESERVAÇÃO DE GAMETAS OU EMBRIÕES

    • As clínicas, centros ou serviços podem crio preservar espermatozoides, oócitos, embriões e tecidos gonadais.
    • O número total de embriões gerados em laboratório será comunicado aos pacientes para decidirem quantos embriões serão transferidos a  fresco,  conforme determina esta Resolução. Os excedentes viáveis devem ser criopreservados.
    • Antes da geração dos embriões, os pacientes devem manifestar sua vontade, por escrito, quanto ao destino dos embriões criopreservados em caso de divórcio, dissolução de união estável ou falecimento de um deles, ou de ambos, e se desejam doá-los.
    • Os embriões criopreservados com três anos ou mais poderão ser descartados se essa for a vontade expressa.
    • Embrião abandonado é aquele em que os responsáveis descumpriram o contrato preestabelecido e não foram localizados pela clínica.

    E se existisse uma forma de ajudar no seu planejamento financeiro para realizar o procedimento?

    Em parceria com o Embrião Financeiro, produzimos um planejador que irá ajudar no planejamento do seu tratamento e a organizar suas finanças!

    new RDStationForms(‘form-blog-planner-financeiro-embriao-financeiro-e-nilo-frantz-bdadcc3f6a371c2d0c92’, ‘UA-17227594-1’).createForm();

    7 de abril de 2021
  • Ovulação: saiba a importância do período para a gestação

    A ovulação é um importante evento no ciclo reprodutivo feminino, pois é quando o ovário libera o óvulo e a mulher pode, então, engravidar. Nesse sentido, este processo ocorre, geralmente, uma vez por mês, em cada ciclo menstrual.

    No texto a seguir, vamos detalhar mais o que é a chamada ovulação. Ou seja, como ela ocorre no organismo feminino, sua importância para a gestação e quais os sintomas possíveis no período.

    O que é ovulação?

    A ovulação é o nome que se dá ao momento do ciclo menstrual em que o óvulo é liberado pelo ovário e está pronto para ser fecundado pelo espermatozoide. Nesse sentido, em mulheres saudáveis acontece, normalmente, no meio do ciclo menstrual, através do acionamento de alguns hormônios femininos.

    No entanto, muitas mulheres pensam que ovulam exatamente no 14º dia do ciclo, mas isso é apenas uma média, pois a maioria das mulheres ovula em um dia diferente em cada mês. Sendo assim, da mesma forma que a duração do ciclo menstrual varia de mulher para mulher e de ciclo para ciclo (geralmente de 23 a 35 dias), a ovulação também pode variar de pessoa para pessoa. Nesse sentido, o óvulo é geralmente liberado de 12 a 16 dias antes da próxima menstruação.

    Qual a diferença entre período fértil e ovulação?

    É importante esclarecer que ovulação e período fértil não são a mesma coisa. Enquanto o primeiro é o dia em que o ovário libera o óvulo maduro, estando pronto para ser fecundado, o segundo engloba os dias que precedem e sucedem a ovulação. Dessa forma, marca o período em que a mulher tem maiores chances de engravidar.

    Isso ocorre, pois, depois de liberado, o óvulo só sobrevive 24 horas no organismo da mulher. Já os espermatozoides podem durar de três a cinco dias no trato genital feminino. Logo, é considerado período fértil por volta de três dias antes da ovulação e até dois dias depois da mesma.

    Quais são os sintomas da ovulação?

    Como já vimos, a ovulação é o processo que ocorre normalmente uma vez em cada ciclo menstrual, quando as alterações hormonais acionam o ovário para liberar um óvulo. Isso geralmente ocorre 14 dias antes do início da próxima menstruação e pode gerar alguns sintomas característicos nas mulheres.

    Veja no quadro abaixo quais são:

    • Alta libido: no período ovulatório é comum a mulher se sentir mais estimulada sexualmente. Isto ocorre pois a testosterona feminina, responsável por manter a libido e controlar o desejo sexual, sobe nos dias prévios à ovulação favorecendo as chances de gravidez;
    • Alteração da secreção: durante o ciclo menstrual de uma mulher, o tipo e a quantidade de muco cervical, uma secreção produzida pelas glândulas do colo do útero, se alteram. Ele pode ser pegajoso ou elástico, esbranquiçado ou turvo. Portanto, nos dias que antecedem a ovulação ele torna-se mais transparente e elástico, e frequentemente é comparado à clara do ovo. Esse muco é favorável ao espermatozoide e o ajuda a chegar ao óvulo;
    • Aumento da temperatura: o organismo normalmente mede entre 36 e 37 graus. Durante o período ovulatório, ocorre um aumento de 0,3 a 0,5º na temperatura basal, que é quando o corpo está em repouso durante o sono. Dessa forma, sua medição deve ocorrer assim que acordar;
    • Alterações na saliva: Foi observado que a saliva de uma mulher muda de acordo com a quantidade do estrogênio. Alguns dias antes da ovulação, portanto, há um grande aumento do hormônio no corpo feminino;
    • Dor: Algumas mulheres sentem dor pélvica durante o período ovulatório. Isso acontece porque quando o óvulo se solta do ovário, ele rompe a estrutura que o envolve.

    É importante esclarecer que muitos destes sintomas podem passar despercebidos à maior parte das mulheres e por isso, acaba sendo difícil de identificar o momento exato da ovulação. Assim, mesmo de forma imprecisa, a melhor maneira de saber se a mulher está ovulando é fazendo o cálculo de quando será a próxima menstruação. 

    Além disso, vale lembrar que mulheres que tomam anticoncepcionais orais, não têm ovulação. Consequentemente, não apresentam sintomas, nem podem engravidar.

    É normal sentir dor no período de ovulação?

    Existem mulheres que sentem uma pontada de dor quando ovulam, mas muitas acabam nem apresentando sintomas. Nesse sentido, não é comum que a mulher tenha dores fortes durante a ovulação. Porém, devido ao processo inflamatório que pode gerar na liberação do óvulo, algumas sensações desagradáveis podem aparecer, como:

    • Incômodo abdominal;
    • Sensação de estufamento;
    • Dor durante a penetração.

    Entretanto, se a dor permanecer por mais de um dia ou ficar muito intensa e constante, os especialistas alertam que pode ser sinal de endometriose, mioma, cistos, entre outros males que acometem a região pélvica. Por isso, é importante a consulta com um ginecologista.

    Como acontece o ciclo da ovulação?

    Como já vimos, o período da ovulação na mulher é a fase do ciclo menstrual em o ovário libera o óvulo para sua fecundação. Para entender melhor este ciclo, vamos explicar tudo o que acontece com o corpo feminino antes, durante e após o período ovulatório.

    Antes da ovulação (fase folicular)

    Durante o ciclo menstrual, o cérebro produz o Hormônio Estimulante Folicular . O FSH, como é chamado, estimula os folículos que estão dentro dos ovários para que se desenvolvam. 

    Conforme vão crescendo, um dos folículos destaca-se e torna-se dominante (com 10mm de diâmetro). Além disso, os níveis de estrogênio (hormônio que causa o espessamento do revestimento do útero) começam a aumentar.

    Pronto para ser liberado (ovulação)

    Quando a quantidade de estrogênio atinge o seu máximo, o óvulo está pronto para ser liberado. O cérebro, por sua vez, produz um pico de hormônio luteinizante (LH), desencadeando a ovulação. O aumento de LH causa a liberação do óvulo maduro do ovário. Sendo assim, a ovulação normalmente ocorre de 24 a 36 horas após o aumento de LH e, por isso, testar o nível deste hormônio é bom para prever o pico da fertilidade.

    A partir daí, o óvulo segue para a trompa de falópio, onde se encontra com o espermatozoide. Depois de o embrião ser formado na tuba, ele se desloca para a cavidade uterina onde será implantado no endométrio. 

    Depois da ovulação (fase lútea)

    Após a ovulação o trabalho do folículo continua. Nesse sentido o hormônio luteinizante (LH) transforma o grande folículo produtor de estrogênio em uma máquina de fazer progesterona. 

    E assim, esta máquina chama-se corpo lúteo. Dessa forma, se ocorrer a fertilização, este corpo fornece progesterona suficiente para a gravidez se desenvolver neste período, até que a placenta possa assumir o controle da gestação. 

    É importante ressaltar que o óvulo pode ser fertilizado em até 24 horas após a ovulação. Se isso não ocorrer, os níveis dos hormônios baixam e o revestimento do útero e o corpo lúteo são descartados em forma de menstruação, iniciando o próximo ciclo menstrual.

    Ovulação tardia e ovulação precoce: saiba mais

    Como já vimos, a ovulação acontece em torno do 14º dia do ciclo menstrual, considerando uma mulher com ciclo regular de 28 dias. No entanto, uma série de fatores podem afetar o processo hormonal de liberação do óvulo. Assim, esta previsão pode ser alterada em uma ovulação tardia ou ovulação precoce.

    Confira abaixo as características de cada situação:

    Ovulação tardia:

    É denominada de ovulação tardia quando o óvulo é liberado do ovário após o 21º dia do ciclo menstrual. Nesse sentido, a ovulação tardia pode ser um problema para quem quer prevenir a gravidez (e não usa métodos anticoncepcionais) e também para o casal que planeja engravidar. Dessa forma, se a mulher não possui sintomas na ovulação e o seu período ovulatório estiver alterado, ela não tem ideia de quando será o seu período fértil. 

    Além disso, quando a ovulação retarda, a menstruação também deve atrasar e o fluxo provavelmente virá mais intenso. Isto ocorre devido a maior concentração do estrogênio, hormônio responsável pelo espessamento do endométrio.

    Ovulação precoce: 

    A ovulação precoce acontece quando o óvulo maduro é liberado entre o 8º ao 10º dia do início do ciclo menstrual. Sendo assim, como na ovulação tardia, se a mulher não tem sintomas, ela também não tem ideia de quando ocorrerá a sua ovulação.

    Tratamento para ovulação tardia e ovulação precoce:

    O tratamento para a ovulação tardia ou precoce vai depender da causa do problema. Muitas mulheres, inclusive, conseguem rapidamente normalizar o período ovulatório, apenas diminuindo o estresse. No entanto, caso as alterações sejam constantes, a procura por um especialista é essencial.

    Desta forma, se a situação não for tão simples ou fácil de tratar, o médico pode ainda aconselhar às mulheres que querem engravidar, o uso de técnicas de reprodução assistida. Aqui, a Inseminação Artificial ou a Fertilização in Vitro são aliadas para a realização do sonho da maternidade.

    Qual a importância da ovulação para a gravidez?

    É sempre importante relembrar que a ovulação é o nome dado ao processo de liberação de um óvulo maduro pelo ovário. Ocorre, geralmente, uma vez por mês e é quando há maiores chances de acontecer uma gravidez, pois o corpo feminino está no ápice de sua fertilidade.

    Dessa forma, mulheres que querem engravidar devem, então, manter relações sexuais desprotegidas durante o “período fértil”, que é considerado o conjunto de três dias antes e três dias depois da ovulação.

    Sendo assim, se o óvulo for fecundado, pode se implantar com sucesso no revestimento do útero, o que geralmente ocorre cerca de uma semana após a fertilização. A partir daí, o corpo começa a produzir o hormônio da gravidez, Gonadotrofina coriônica humana (hCG). Ele mantém ativo o folículo esvaziado, que neste momento continua a produzir os hormônios estrogênio e progesterona para evitar que o revestimento do útero seja descartado até que a placenta esteja madura o suficiente para manter a gestação.

    Entretanto, se o óvulo não for fecundado, os níveis de estrogênio e progesterona diminuirão e o revestimento espesso do útero começa a se decompor. Assim, se dá a menstruação e o início do próximo ciclo menstrual. 

    Tem o sonho de viver a maternidade ainda este ano? Então baixe gratuitamente o nosso infográfico com 7 dicas para quem quer engravidar em 2021!

    24 de março de 2021
  • Testosterona feminina: qual sua relação com a gravidez?

    Conteúdo atualizado em: 25/04/2024

    Você sabia que a testosterona, frequentemente associada aos homens, é também crucial para a saúde reprodutiva das mulheres? 

    Embora em menor quantidade nas mulheres do que nos homens, a testosterona feminina desempenha um papel vital na regulação das funções biológicas. Além disso, é essencial no processo de reprodução assistida, influenciando aspectos como a qualidade dos óvulos e a receptividade do útero.

    Um desequilíbrio nos níveis de testosterona, seja por excesso ou deficiência, pode impactar significativamente a saúde reprodutiva feminina. 

    Confira a seguir tudo sobre a testosterona feminina e qual a sua relação com as tentativas de gravidez. Entenda como a testosterona feminina influencia a fecundação humana e a eficácia dos tratamentos de reprodução assistida, destacando a importância de manter níveis hormonais equilibrados para a fertilidade.

    Efeitos da Testosterona no Corpo Feminino: Implicações para a Reprodução

    A testosterona é um hormônio esteroide. Embora seja mais abundante nos homens, contribuindo para características como maior massa muscular e desejo sexual elevado, ela é igualmente essencial para as mulheres, mas em doses 20 a 30 vezes menores do que nos homens. 

    No corpo feminino, com a idade, a redução gradual dos hormônios androgênicos (masculinos) que formam testosterona pode levar a uma deficiência que afeta a função sexual, a energia, a composição corporal e a saúde óssea. 

    Nesse sentido, o desequilíbrio da testosterona feminina pode ter consequências sérias, tanto físicas como mentais, prejudicando a saúde da mulher.

    Esta dinâmica hormonal é particularmente relevante no contexto da reprodução assistida, onde os níveis de testosterona podem influenciar a resposta aos tratamentos de fertilidade.

    Quais as funções da testosterona feminina?

    O organismo feminino produz androgênios a partir das glândulas suprarrenais,  ovários e também da conversão periférica de precursores androgênicos (tecido adiposo).  Assim, na fase reprodutiva as mulheres produzem testosterona da seguinte forma:

    • 25% pelos ovários (estimulados pelo LH – hormônio da hipófise);
    • 25% pelas glândulas suprarrenais ou adrenais;
    • 50% pela conversão periférica da androstenediona e da DHEA.

    No entanto, após a menopausa a produção de testosterona cai de forma significativa, mas continua sendo produzida em menor quantidade. Dessa forma, a testosterona feminina segue agindo para regularizar algumas funções biológicas do corpo como: 

    • Libido;
    • Massa muscular;
    • Disposição física;
    • Emagrecimento;
    • Densidade mineral óssea.

    Quais os efeitos da testosterona no corpo feminino?

    É importante lembrar que mesmo que a quantidade de testosterona da mulher seja pequena, ela é fundamental para executar as funções biológicas já citadas acima. 

    Assim, os médicos condenam utilizar o hormônio para melhorar a performance na academia ou ficar mais disposta para o dia a dia. 

    De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), recomenda-se o uso do hormônio somente em casos de mulheres na menopausa e na pós-menopausa com Síndrome da Excitação e Desejo Sexual Hipoativo. Desta forma, o diagnóstico será feito a partir de sintomas como redução significativa de interesse sexual, recusa da iniciativa do(a) parceiro(a) e redução de excitação durante o ato sexual.

    Avaliação da Testosterona Feminina: Exames Cruciais na Reprodução Assistida

    Além do diagnóstico clínico, o médico também pede exames de sangue para avaliar a presença do hormônio. Desta forma, normalmente são solicitados testes de dosagem da testosterona livre e da testosterona total. 

    A testosterona livre, que representa cerca de 2 a 3% do total, é particularmente importante, pois está disponível para exercer funções biológicas. Estes exames são fundamentais não apenas para avaliar a saúde geral, mas também para otimizar os protocolos de reprodução assistida, garantindo a melhor abordagem para cada paciente.

    Da mesma forma, outros exames podem ser recomendados para avaliação médica como:

    • Densitometria óssea;
    • Colesterol Total e frações;
    • Triglicérides;
    • Glicemia / Hb glicada / Teste de tolerância oral à glicose;
    • Perfil hormonal completo.

    Níveis Ideais de Testosterona para a Saúde Reprodutiva Feminina

    Os níveis normais de testosterona total no sangue feminino variam conforme a idade e podem diferir de acordo com cada laboratório. Entender esses valores é crucial, pois eles fornecem insights valiosos sobre a saúde reprodutiva e podem influenciar as estratégias de tratamento em reprodução assistida.

    Abaixo estão os níveis gerais de testosterona para mulheres em diferentes fases da vida e do ciclo menstrual:

    • Fase folicular: 0,2 – 1,7 ng/dL;
    • Meio do ciclo: 0,3 – 2,3 ng/dL;
    • Fase lútea: 0,17 – 1,9 ng/dL;
    • Pós-menopausa: 0,2 – 2,06 ng/dL.

    Desequilíbrio de Testosterona: Impacto na Fertilidade Feminina

    A manutenção de níveis adequados de testosterona é crucial para a saúde metabólica feminina. Desvios desses níveis, seja para mais ou para menos, exigem uma investigação detalhada, pois podem afetar diretamente a fertilidade e o sucesso dos tratamentos de reprodução assistida. 

    A análise cuidadosa dos níveis de testosterona é um passo essencial para garantir a eficácia desses procedimentos.

    A seguir, vamos explicar as causas e os sintomas do desequilíbrio deste hormônio.

    Gerenciamento da Testosterona Alta: Consequências para a Fertilidade Feminina

    Altos níveis de testosterona em mulheres podem ser indicados por alterações no ciclo menstrual e o surgimento de características masculinas, como o crescimento de pelos faciais ou mudanças na voz. 

    Esses sinais são importantes alertas, pois o excesso de testosterona pode impactar negativamente a fertilidade e complicar os procedimentos de reprodução assistida.

    Portanto, é importante procurar um ginecologista assim que notar estes sintomas para que o médico avalie os níveis de testosterona. Sendo assim, após diagnosticar a causa do aumento do hormônio, é possível iniciar o tratamento mais adequado. 

    Vale ainda esclarecer que estas alterações podem surgir em qualquer fase da vida da mulher.

    Veja as principais causas e sintomas da testosterona alta:

    Causas:

    • Hiperplasia adrenal;
    • Doença trofoblástica;
    • Cirrose;
    • Hipertireoidismo;
    • Ovários policísticos;
    • Uso de algum suplemento de testosterona;
    • Câncer de ovário;

    Sintomas:

    • Aumento de pelos corporais, inclusive com crescimento de pelos no rosto e no peito;
    • Ausência de menstruação ou menstruação irregular;
    • Pele oleosa e aumento da acne;
    • Abortos espontâneos;
    • Queda de cabelo semelhante à calvície dos homens;
    • Mudança na voz, ficando mais grave;
    • Aumento do clitóris;
    • Alterações da ovulação, o que pode resultar em infertilidade;

    Tratamento para testosterona alta

    O tratamento para normalizar os níveis de testosterona alta pode incluir a diminuição ou interrupção da suplementação de testosterona, caso a mulher esteja utilizando o hormônio. 

    Além disso, em alguns casos, é feita uma suplementação de hormônios femininos como o estrogênio para equilibrar os níveis hormonais na mulher.

    De acordo com a recomendação médica, outra grande alternativa é o uso da pílula anticoncepcional, pois pode ajudar a diminuir os níveis de testosterona no sangue. 

    No entanto, o tratamento é contraindicado  para as mulheres com câncer de mama ou endométrio, sangramento uterino, tromboses e neoplasias androgênio-dependentes.

    Contudo, também é possível diminuir esse hormônio de forma natural mudando o estilo de vida. Nesse sentido, fazer exercícios regularmente e diminuir o estresse diário também são importantes para regular os hormônios femininos sem ter que recorrer a medicamentos. 

    Além disso, para mulheres obesas ou com sobrepeso, é extremamente indicada a redução do peso por meio de dieta.

    Abordagens para Casos de Baixos Níveis de Testosterona em Mulheres”

    Embora a testosterona seja encontrada em menores quantidades nas mulheres, sua redução pode ter efeitos adversos significativos em várias fases da vida, especialmente afetando a saúde reprodutiva e a resposta aos tratamentos de fertilidade. A compreensão das causas, sintomas e opções de tratamento para baixos níveis de testosterona é fundamental para otimizar os resultados em reprodução assistida.

    Veja abaixo as principais causas e sintomas da diminuição da testosterona em mulheres:  

    • Menopausa;
    • Insuficiência adrenal;
    • Uso de anticoncepcionais hormonais;
    • Retirada dos ovários;
    • Insuficiência parcial dos ovários em produzir testosterona;
    • Medicamentos como antidepressivos, estatinas, estrogênios, antiandrogênicos e glicocorticoides;
    • Hipopituitarismo;
    • Estresse excessivo;
    • Menopausa precoce;
    • Anorexia nervosa;
    • Artrite reumatoide;
    • Síndrome de imunodeficiência adquirida (AIDS);

    Sintomas:

    • Perda de massa muscular;
    • Acúmulo de gordura corpórea;
    • Diminuição do desejo sexual;
    • Dificuldade para atingir o orgasmo;
    • Desinteresse generalizado, que pode ser confundido com depressão em alguns casos;
    • Diminuição da autoestima e da autoconfiança;
    • Diminuição da massa óssea;
    • Fraqueza.

    Tratamento para testosterona baixa

    Existem várias formas de estimular a produção natural do hormônio tanto por meio da melhora na qualidade de vida, por meio de suplementos e medicamentos como o uso de comprimidos, adesivos, géis, injeções e implantes. Da mesma forma, em alguns casos, deverão ser suspensos o anticoncepcional hormonal tomado pela via oral.

    É importante esclarecer que mulheres devem apenas receber testosterona quando possuem alguma disfunção como a Síndrome da Excitação e Desejo Sexual Hipoativo (apenas nas perimenopausas). Ou, então, quando fazem reposição de hormônios ovarianos na menopausa com o estradiol e progesterona.

    Confira abaixo as diferentes possibilidades de tratamento da testosterona baixa:

    • Reposição hormonal com testosterona e outros hormônios em um período curto, e com supervisão médica;
    • Uso de géis vaginais para o favorecimento da resposta sexual;
    • Suspensão do anticoncepcional hormonal tomado pela via oral, se for esse o motivo;
    • Melhoria do estilo de vida;
    • Emagrecimento;
    • Fortalecimento muscular;
    • Prática de exercícios de alta intensidade.

    Vale alertar que ainda não há estudos sobre a segurança do uso do hormônio por períodos mais longos em mulheres. Nesse sentido, diversas hipóteses são levantadas como riscos cardiovasculares vinculados a eventos tromboembólicos, hepatopatias e possibilidade do surgimento de alguns tipos de câncer. 

    No entanto, os principais efeitos colaterais confirmados associados ao tratamento com testosterona são a piora da acne e o hirsutismo (crescimento excessivo de pelos).

    Indicações para Reposição de Testosterona em Tratamentos de Fertilidade

    A reposição da testosterona em mulheres  é um procedimento médico específico, frequentemente utilizado em contextos de tratamentos de fertilidade, comum em casos de pacientes com uma baixa reserva ovariana antes do ciclo de uma FIV A regulamentação do uso de hormônios, incluindo a testosterona, para fins estéticos e de performance foi proibido pelo Conselho Federal de Medicina. 

    Entender quando e como a reposição de testosterona é indicada pode ser crucial para melhorar as chances de sucesso em tratamentos de reprodução assistida. Por isso, a consulta com o especialista é indispensável.

    Como repor a testosterona feminina

    O principal objetivo da reposição de testosterona feminina é promover um alívio de sintomas e a melhora no tratamento da paciente. Nesse sentido, o tratamento consiste na reposição sintética do hormônio, que pode ser feita através de:

    • Comprimidos: remédios que devem ser ingeridos oralmente, diariamente;
    • Gel: o paciente precisa passar o produto no seu corpo para que a pele possa absorver;
    • Injeções: aplicadas periodicamente para suprir a deficiência identificada;
    • Adesivos: colocados na pele.

    Relação entre Testosterona e Sucesso na Fertilização In Vitro

    A testosterona desempenha um papel fundamental na libido e no desejo sexual, e seus níveis aumentam naturalmente antes da ovulação, potencializando as chances de gravidez, no período fértil. 

    Como já explicamos, as mulheres produzem testosterona feminina através dos ovários. No entanto, se os níveis de testosterona feminina sobem, podem alterar ou bloquear a ovulação e até gerar aborto de repetição. 

    O uso de testosterona como adjuvante em tratamentos de reprodução assistida é uma prática em evolução. Algumas pesquisas indicam que a suplementação de testosterona em pacientes com baixa reserva ovariana pode aprimorar a quantidade dos óvulos (oócitos) coletados para a fertilização in vitro, oferecendo uma abordagem promissora para melhorar as taxas de sucesso. 


    Como vimos anteriormente, o acompanhamento com o especialista é crucial para sucesso do tratamento. Entenda a importância do diagnóstico prévio ao início do tratamento e o quanto isso significa para o seu sucesso no nosso e-book “Técnicas de Reprodução Assistida: um bom diagnóstico é o primeiro passo“.

    Técnicas de Reprodução Assistida: um bom diagnóstico é o primeiro passo
    10 de março de 2021
  • Hemofilia: o que fazer quando há histórico na família?

    Você já ouviu falar em hemofilia? Conhece alguém que sofre desta condição? No texto a seguir vamos conhecer um pouco mais sobre esta doença que acomete cerca de 400 mil pessoas em todo o mundo, destacando suas causas, tipos, sintomas e tratamento. 

    O que é hemofilia? 

    Hemofilia é uma doença genético-hereditária, caracterizada por um distúrbio no mecanismo de coagulação do sangue. Nesse sentido, a pessoa hemofílica apresenta deficiência nos fatores de coagulação VIII (oito) ou IX (nove), o que impede o organismo de estancar sangramentos e hemorragias. 

    Para entender essa doença, que se manifesta em 1 a cada 10 mil nascimentos, é importante saber que quando ocorre um sangramento (seja interno ou externo), diversos fatores de coagulação (proteínas) interagem em uma sequência determinada para estancar o sangue. Desta forma, no final do processo o coágulo se forma e o sangramento para. 

    Porém, nas pessoas que sofrem de hemofilia, a coagulação sanguínea fica comprometida pela ausência ou diminuição de fatores de coagulação. Sendo assim, o sangramento dura por um período mais prolongado.

    Quais são as causas da hemofilia?

    A hemofilia é uma condição hereditária, normalmente transmitida de uma geração para outra, através de um gene recessivo presente no cromossomo X. Desta forma, a doença geralmente passa da mãe para o filho do sexo masculino. Além disso, a mutação genética pode acontecer direto no descendente, e assim, ele será o primeiro caso na família. Ou ainda, a hemofilia pode estar presente no histórico familiar quando o avô tem a doença, a mãe é portadora e transmite ao filho.

    Embora essa condição de saúde seja predominantemente masculina, em raríssimos casos é possível que uma mulher tenha hemofilia. Isto pode acontecer quando há um casal com uma mulher que tem o gene modificado e um homem com hemofilia. Nessa situação, a filha tem chance de herdar a doença.

    Além disso, em casos muito raros, uma mutação genética que ocorre durante as fases iniciais do desenvolvimento embrionário pode causar hemofilia. Já na idade adulta, ainda que bem incomum, a doença pode surgir devido à formação de anticorpos que atacam os fatores de coagulação. 

    Segundo dados do Ministério da Saúde (MS), em 2019, o Brasil contava com 12.983 pacientes com hemofilia. Isso coloca o país como a quarta maior população mundial de pessoas com essa enfermidade.

    Quais são os tipos de hemofilia?

    Como vimos, a hemofilia é um distúrbio na coagulação do sangue que prejudica a capacidade do organismo de estancar hemorragias. Assim, não consegue impedir sangramentos longos causados por cortes, lesões, machucados, cirurgias, entre outros. 

    Além disso, quem tem hemofilia tende a sofrer lesões espontâneas e sangrar sem uma causa aparente. Inclusive, podem ocorrer sangramentos internos, dentro dos músculos, por exemplo, e muitas vezes a pessoa nem percebe seus sinais. 

    Abaixo, conheça os diferentes tipos de hemofilia:

    Hemofilia A

    A hemofilia A é o tipo mais comum da doença e afeta aproximadamente 320.000 pessoas em todo o mundo, representando cerca de 80% de todos os casos. Sua causa é uma deficiência do fator de coagulação VIII, que desempenha um papel crucial na coagulação sanguínea. 

    Nesse sentido, em uma pessoa saudável, quando ocorre um sangramento, o fator VIII se liga aos fatores de coagulação IX e X, uma etapa crítica para a formação do coágulo sanguíneo, que ajuda a interromper o sangramento. No entanto, a falta ou a diminuição do fator VIII interrompe esse processo e compromete a formação do coágulo.

    Hemofilia B 

    A hemofilia tipo B tem origem na deficiência do fator de coagulação IX, com prevalência menor do que a hemofilia A. Nesse sentido, é importante salientar que os sangramentos são iguais nos dois tipos de hemofilia. Porém, a gravidade vai depender da quantidade do fator em deficiência presente no plasma (líquido que representa 55% do volume total do sangue). 

    A hemofilia B tem o nome popular de doença de Christmas em homenagem a Stephen Christmas, o primeiro paciente descrito com esta doença.

    Hemofilia C

    A hemofilia C é uma forma rara de manifestação da doença, causada por deficiência de fator de coagulação XI (onze). Também conhecida como Síndrome de Rosenthal, se difere da hemofilia A e B pois não leva a sangramentos nas articulações. Contudo, costuma causar sangramentos tardios em pós-operatório. 

    Hemofilia leve, moderada e grave: saiba mais

    A hemofilia é uma doença crônica que atinge o indivíduo durante toda sua vida, e sua gravidade é classificada de acordo com a atividade do fator de coagulação de cada paciente. Neste sentido, considera-se normal valores acima de 60%, enquanto percentuais diferentes determinam a manifestação da hemofilia como leve, moderada ou grave.

    Hemofilia leve

    Nos casos leves da doença há presença de 5% a 40% de atividade do fator de coagulação. Dessa forma, a pessoa pode não apresentar sintomas, e só descobrirá que há algo errado quando tiver um ferimento, se submeter à extração de um dente ou sofrer um acidente.

    Hemofilia moderada

    Na hemofilia moderada a atividade do fator de coagulação fica entre 1% a 5%. Sendo assim, mesmo com estes níveis, os sintomas podem não se manifestar, ou acontecer episódios de hemorragias não provocadas. Porém, há maior propensão a hematomas e sangramentos nas articulações do tornozelo, joelho, cotovelo, ombro, pulso e do quadril. 

    Além disso, em casos de cirurgias ou lesões, há chances de ocorrer hemorragias descontroladas e até fatais. Ainda, na hemofilia moderada, o primeiro episódio hemorrágico geralmente ocorre antes que a criança tenha 18 meses de idade, normalmente após pequenas lesões.

    Hemofilia grave

    Na hemofilia grave a atividade do fator de coagulação é menor que 1%. Nestes casos, ocorrem episódios intensos de hemorragia e sangramentos articulares a partir de pequenas lesões ou sem razão aparente. Nesse sentido, aproximadamente 50% a 60% das pessoas com hemofilia A têm a forma grave da doença e costumam sangrar com frequência (uma ou duas vezes por semana) nos músculos ou articulações.

    Já entre as crianças, os sangramentos espontâneos podem ocorrer nas juntas ou nos músculos, também sem causa aparente. Além disso, os bebês com a forma grave da doença podem apresentar distúrbios hemorrágicos logo no momento do parto. Da mesma forma, eles podem desenvolver um acúmulo de sangue sob o escalpo (cefalematoma) ou podem sangrar excessivamente durante a circuncisão.

    Quais são os sintomas de hemofilia?

    Os sintomas da hemofilia decorrem da deficiência dos fatores de coagulação e podem aparecer nos primeiros anos de vida do bebê, na puberdade ou ao longo da vida adulta. Nesse sentido, quanto mais grave for o tipo de hemofilia, maior a quantidade de sintomas e mais cedo eles aparecem.

    Conheça os principais sintomas de hemofilia:

    • Sangramento excessivo e prolongado mesmo para ferimentos leves;
    • Sangramento mais intenso e duradouro do que para outras pessoas;
    • Surgimento de manchas roxas (equimoses) na pele, especialmente quando a criança começa a engatinhar e andar;
    • Sangramentos espontâneos nas articulações, principalmente joelho, tornozelo, cotovelo, ombro e quadril;
    • Sangramento espontâneo das mucosas da gengiva e do nariz;
    • Dor, inchaço e deformidade nas articulações em decorrência do sangramento podendo limitar os movimentos e causar deficiência física permanente;
    • Hematúria (perda de sangue na urina);
    • Sangramento durante o nascimento dos primeiros dentes;
    • Hemorragias difíceis de parar após um simples corte ou cirurgia;
    • Ferimentos que demoram muito tempo para cicatrizar;
    • Menstruação excessiva e prolongada.

    Como é feito o diagnóstico de hemofilia?

    Quando existe suspeita de que uma pessoa possa ser hemofílica, indica-se procurar um médico para confirmar o diagnóstico. Nesse sentido, após avaliação completa com exame físico e história clínica do paciente, o hematologista normalmente solicita exames que avaliam a capacidade de coagulação do sangue. 

    Desta forma, checa-se a dosagem dos fatores de coagulação e seus níveis no sangue, assim como o tempo que o sangue leva para formar um coágulo. Abaixo, veja os exames laboratoriais realizados para confirmar diagnóstico de hemofilia:

    • Coagulograma: exame que avalia os indicadores do processo de coagulação, incluindo o TTPa (tempo de tromboplastina parcialmente ativada) e o tempo de protrombina (TP);
    • Dosagem dos fatores de coagulação: medem-se as quantidades do fator VIII (hemofilia A) e do fator IX (hemofilia B);
    • Dosagem do antígeno de Von Willebrand: quando o paciente apresenta deficiência do fator VIII, este novo exame permite o diagnóstico diferencial entre a hemofilia A e a doença de Von Willebrand.

    Leia também: Exames gestacionais: entenda quais são e quando devem ser realizados 

    Qual é o tratamento para a hemofilia?

    Até os dias de hoje não há cura para a hemofilia, porém alguns tratamentos podem controlar a doença e garantir uma melhor qualidade de vida aos hemofílicos. Nesse sentido, os médicos têm em mãos algumas opções terapêuticas, e a escolha dependerá da gravidade da doença. 

    O tratamento, que inclusive é realizado pelo SUS (Sistema Único de Saúde), é feito com apoio de uma equipe multidisciplinar que inclui o hematologista, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e ortopedistas. 

    Veja os principais tratamentos para hemofilia:

    Tratamento profilático (preventivo): 

    O tratamento preventivo é indicado para os quadros graves, quando os sangramentos ocorrem após mínimos esforços. Nesses casos, a abordagem indicada é o uso de medicamentos recombinantes (fator VIII) ou derivados do plasma (fator IX), injetáveis. 

    Desta forma, se previne não só os sangramentos como danos articulares ou musculares. Além disso, é importante salientar que já não se usa plasma humano, portanto não existe risco de contaminação com algum tipo de vírus. 

    Tratamento por demanda: 

    Nos casos de hemofilia moderada ou leve, o tratamento medicamentoso ocorre assim que houver algum sangramento. Além disso, as terapias mais modernas já contam com fármacos que substituem fatores de coagulação, com infusão subcutânea. Portanto, tem uso em pacientes que não respondem às medicações tradicionais.

    Pacientes refratários 

    Alguns pacientes desenvolvem anticorpos contra os fatores de coagulação usados nos tratamentos, como uma resposta do sistema de defesa do corpo. Esses anticorpos, chamados de inibidores, neutralizam o efeito dos medicamentos, aumentando o risco de sangramentos e doenças das articulações. 

    Isto acontece em cerca de 3 em cada 10 pessoas com quadros graves da hemofilia A, e 3% a 5% nos casos de hemofilia B grave. Portanto, dependendo da situação, existem duas soluções: 

    • Indução de tolerância imunológica (ITI): injeções frequentes com fatores de coagulação, para que o sistema imunológico seja capaz de reconhecê-los e desta forma, consiga parar a produção de inibidores. 
    • Agentes de Bypass: indicado para indivíduos com quadros leves a moderados de hemofilia A, os agentes de bypass são medicações diferentes do fator VIII quepromovem a formação do coágulo. Outra opção são os fármacos que provocam o aumento da coagulação, como um anticorpo que se confunde com a atividade do fator VIII, ou inibem as vias que não permitem a coagulação.

    Terapias Genéticas

    Os estudos com as terapias genéticas têm sido muito promissores e mostram ser possível uma modificação genética para que o paciente tenha um fator de coagulação mais alto. Todavia, não significa que ele deixaria de ter a doença, pois o indivíduo segue sendo um portador genético, mas seu organismo se tornaria capaz de produzir mais o fator que lhe falta.

    Na imagem abaixo, confira alguns cuidados que pessoas hemofílicas podem tomar para ter uma melhor qualidade de vida:

    Cuidados preventivos de quem sofre hemofilia. Evitar situações de possam provocar hemorragiar como esportes de impacto. Evitar medicamentos que podem provocar hemorragias, como aspirina, e anti-inflamatórios não esteroides que interferem no funcionamento de plaquetas. Cuidar da saúde oral para evitar a necessidade de extrações dentárias.

    Estou grávida e tenho histórico de hemofilia – o que fazer?

    A mulher que possui histórico de hemofilia na família e engravida deve aproveitar a primeira consulta do pré-natal para conversar com o médico sobre que cuidados extras precisa ter durante a gestação.

    Além disso, o momento do parto também requer atenção especial de uma equipe multidisciplinar, incluindo o obstetra, hematologista, neonatologista e a enfermagem. Nesse sentido, após o nascimento, serão feitos testes para saber se a criança tem hemofilia.

    Hemofilia e a Reprodução Assistida: qual a relação?

    Como já vimos, a hemofilia é uma doença genético-hereditária transmitida geralmente da mãe para os filhos do sexo masculino. Nesse sentido, a medicina reprodutiva é uma aliada na prevenção da transmissão da doença uma vez que pode evitar que seja passada para o futuro bebê. 

    Isto é possível graças às técnicas de reprodução assistidas como a fertilização in vitro (FIV), quando a fecundação dos gametas acontece em laboratório, fora do corpo da mulher. Os embriões formados pela união dos óvulos com espermatozoides são avaliados e selecionados para posteriormente serem transferidos ao útero.

    Nesse processo, antes da transferência, pode ser realizado o PGT exame (teste genético pré-implantacional), que rastreia eventuais anomalias genéticas do embrião, como a hemofilia. 

    Desta forma, a Medicina Reprodutiva tem recorrido a exames genéticos nos tratamentos de Fertilização in Vitro (FIV), para garantir maiores taxas de sucesso de gravidez com bebês saudáveis e livres de doenças.

    Deseja engravidar ainda neste ano? Então baixe agora mesmo o nosso infográfico 7 dicas para quem quer engravidar em 2021!

    3 de março de 2021
←Página anterior
1 … 9 10 11 12 13 … 24
Próxima página→

Blog Nilo Frantz

  • Blog
  • Sobre
  • Perguntas frequentes
  • Autores
  • Eventos
  • Loja
  • Padrões
  • Temas

Twenty Twenty-Five

Criado com WordPress

Nós utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continua a usar este site, assumimos que você está satisfeito.