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  • Ovodoação: o que é, como funciona e quando é indicada 

    Conteúdo atualizado em 24/09/2026.

    A ovodoação é uma alternativa da medicina reprodutiva para ajudar pessoas com diagnóstico de insuficiência ovariana a realizarem o sonho de ter um filho. Também conhecida como doação de óvulos, possibilita que mulheres, casais homoafetivos masculinos e pais solteiros formem suas famílias a partir de gametas heterólogos.

    Nesse sentido, o tratamento é realizado através da Fertilização In Vitro (FIV) e tem ajudado milhares de pessoas na busca por uma gravidez.

    No entanto, é importante ressaltar que em cada país existe uma regulamentação diferente tanto a doação como a recepção dos óvulos. Confira a seguir tudo sobre a ovodoação e como ocorre no Brasil!

    O que é ovodoação?

    A ovodoação ou doação de óvulos acontece quando uma mulher cede seus óvulos (doadora) para que outra pessoa os utilize na tentativa de engravidar (receptora). 

    Para que isto seja possível, a fertilização do óvulo da doadora acontece em laboratório, usando o espermatozoide do parceiro da receptora. Dessa maneira, forma-se o embrião que será gestado no útero da paciente receptora.

    Para quem se indica a ovodoação?

    O programa de ovodoação é especialmente indicado para mulheres com diagnóstico de insuficiência ovariana; doenças genéticas transmissíveis a prole Assim, necessitam utilizar óvulos de outra pessoa para conseguirem engravidar.

    Da mesma forma, casais homoafetivos masculinos ou homens solteiros também precisam recorrer à ovodoação quando decidem ter filhos. Nestes casos, além da doação de gametas femininos, será necessário ainda contar com a ajuda de um útero solidário.

    Muitas mulheres que utilizam a ovodoação tem o diagnóstico de insuficiência ovariana, ocasião em que o ovário não possui mais óvulos com boa qualidade para serem fertilizados. Isto pode acontecer em mulheres jovens, que apresentam falência ovariana prematura e pacientes que passaram por tratamentos oncológicos. O mesmo ocorre em pessoas com idade avançada ou que já entraram na menopausa ou mesmo portadores de doenças genéticas transmissíveis a prole.

    Nesse sentido, a busca por ovodoação vem crescendo, especialmente em virtude do aumento significativo de mulheres que postergaram a maternidade.

    Ovodoação: conheça a história e a Legislação

    O programa de ovodoação surgiu a partir da década de 1980. Nesse sentido, na época, o sonho da maternidade passou a ser possível também com a utilização de óvulos heterólogos.

    Dessa forma, os procedimentos de Reprodução Assistida, incluindo a ovodoação, são protegidos por portarias e normativas, de acordo com a Resolução – RDC N° 771/2022 da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além disso, as regras para o procedimento também estão bem definidas através da Resolução nº 2.294/21, do Conselho Federal de Medicina (CFM), publicada em 2021.

    Entenda como funciona a ovodoação no Brasil

    A ovodoação no Brasil possui regras específicas.

    E como já mencionamos acima, seguem diretrizes bem definidas pela lei de biossegurança, da RDC e do Conselho Federal de Medicina.

    1. A doação não poderá ter caráter lucrativo ou comercial;
    2. Os doadores não devem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa, a não ser nos casos de doações de parentes até 4° grau de parentesco, contanto que não ocorra consanguinidade; 
    3. A idade limite para a doação de gametas é de 37 anos para a mulher e de 45 anos para o homem;
    4. No caso das doações anônimas, mantém-se, obrigatoriamente, sigilo sobre a identidade dos doadores de gametas e embriões, bem como dos receptores. Em situações especiais como motivação médica, informações sobre os doadores podem ser fornecidas exclusivamente para médicos, resguardando-se a identidade civil do(a) doador(a); 
    5. A escolha das doadoras de oócitos é de responsabilidade do médico assistente. Dentro do possível, deverá garantir que a doadora tenha a maior semelhança fenotípica com a receptora;
    6. Permite-se a doação voluntária de gametas, bem como a doação compartilhada de oócitos em RA, quando a doadora e receptora participam de tratamento de medicina reprodutiva. Desta forma, compartilham tanto do material biológico quanto dos custos financeiros que envolvem os tratamentos, sendo que a doadora tem preferência sobre o material biológico;
    7. Doação entre parentes.

    Quais são os tipos de ovodoação?

    A doação de óvulos é uma decisão solidária e altruísta que tem como objetivo ajudar outras pessoas a terem seus filhos. Nesse sentido, existem dois tipos de ovodoação:

    Ovodoação Altruísta

    A ovodoação voluntária se dá quando a doação dos óvulos é feita por uma mulher fértil de até 37 anos e com único objetivo de ajudar pessoas com dificuldades para ter filhos. Dessa forma, a doadora se submete a um processo de estimulação ovariana e coleta dos óvulos. 

    Ovodoação Compartilhada

    A ovodoação compartilhada ocorre quando uma mulher, que está em tratamento de reprodução assistida, divide seus óvulos coletados com outra paciente que também passa pelo processo de FIV. Ou seja, a doadora utiliza parte dos seus óvulos e doa outra parte para a mulher receptora.

    Nesse caso, além dos gametas, elas compartilham também os custos do tratamento. Vale ressaltar que tudo ocorre de forma anônima e por intermédio da clínica.

    Ovodoação: quem pode doar?

    Para ser doadora em um processo de ovodoação é preciso ter no máximo 37 anos, porém cada clínica pode ter seus critérios, aqui aceitamos pacientes até 34 anos, e uma boa reserva ovariana avaliada através do exame de Anti- Mulleriano (HAM) e exame de imagens ultra transvaginal, no caso das doadoras para contagem de folículos antrais. Além disso, a candidata a doar óvulos deve fazer testes para marcadores de doenças infecto-contagiosas como HIV, Hepatites, Sífilis, entre outras. Cariótipo de banda G eletroforese de Hb, entre outros que são do protocolo da clínica e triagem familiar até as doenças crônico degenerativas e mentais debilitantes.  

    Sendo assim, para complementar a avaliação, quem deseja compartilhar seus gametas também precisa passar por consultas com a  enfermeira responsável pelo setor de ovodoação. A partir de todas essas informações, decide-se se a mulher está apta a doar seus óvulos.

    Confira os pré-requisitos para doação de óvulos na imagem abaixo:

    • Mulher com até 34 anos;

    Mas eu posso escolher quem vai doar os óvulos?

    Como já mencionamos acima, de acordo com as leis brasileiras, a doação de óvulos é anônima. Ou seja, os doadores não devem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa. Exceto em casos familiares, no qual, se for parente até 4º grau de parentesco e não ocorrer consanguinidade, é possível doar. 

    Adoção: quem pode receber?

    Para que uma mulher possa ser receptora de ovodoação, é preciso que se encontre em condições clínicas que permitam a ela engravidar sem risco para sua saúde. Dessa forma, é necessário passar por uma avaliação médica completa para determinar a viabilidade do tratamento.

    Além disso, o fator idade pode ser um limitador. Segundo a Resolução nº 2.294/21 do Conselho Federal de Medicina CFM, a idade máxima das candidatas à gestação de Reprodução Assistida é de 50 anos. Isso independente se for com óvulos próprios ou doados.

    Como é feita a ovodoação?

    A ovodoação é um processo mais complexo do que a doação de espermatozoides. Dessa forma, a doadora precisa de preparo para a coleta dos gametas.

    Etapas da ovodoação:

    • Estimulação ovariana: essa é a primeira etapa do processo e consiste em administração medicamentosa, por cerca de 10 dias, para estimular que os folículos se desenvolvam. Essa quantidade pode variar muito de mulher para mulher, de acordo com a sua reserva ovariana; 
    • Controle da ovulação por ultrassonografia: durante a estimulação acompanha-se, o crescimento dos folículos por ultrassonografia. Quando atingem um certo tamanho, administra-se na doadora o hormônio hCG. Sua função é provocar o amadurecimento dos óvulos de dentro dos folículos;
    • Punção folicular: cerca de 36 horas após a administração do hCG, acontece a aspiração do conteúdo existente dentro de cada folículo, no qual ficam os óvulos. Esse procedimento é guiado por ultrassom e com uma agulha acoplada no aparelho ocorre a aspiração de todos os folículos que se desenvolvem durante a estimulação ovariana de forma indolor, pois a paciente é anestesiada;
    • Congelamento dos óvulos: após a coleta, pode-se manter os óvulos podem ficar criopreservados por tempo indeterminado.

    No caso de ovodoação compartilhada, quando já existe uma receptora selecionada, no momento em que se coleta os óvulos da doadora, coleta-se também os espermatozoides do marido da receptora. Assim, os embriologistas podem começar o processo de Fertilização In Vitro, unindo os dois gametas em laboratório para formar embriões. 

    Após alguns dias em cultivo, ocorre a transferência dos embriões para o útero da futura mãe. O mesmo pode acontecer utilizando espermatozoides doados.

    A paciente receptora passa pelo preparo do endométrio, através de administração medicamentosa, realizando controle através de ultrassonografias. Após a avaliação do exame de imagens ou técnicas complementares, como o teste ERA (teste de receptividade endometrial), o médico poderá realizar a transferência do embrião ao útero.

    Existem bancos de óvulos no Brasil?

    No entanto, é possível recorrer a bancos internacionais que realizam uma criteriosa investigação das candidatas para doação e oferecem uma ampla possibilidade de seleção.

    Diferente do que acontece com as brasileiras, em alguns países as mulheres podem ser remuneradas para realizar esta doação.

    Quais são as taxas de sucesso da ovodoação?

    Na ovodoação, o importante é a idade do óvulo (doadora) e não do útero (receptora), o que aumenta as chances de gravidez. Desta forma, como existem critérios na escolha das doadoras, que incluem mulheres com menos de 37 anos, as chances de gestação com óvulos doados são de 50 a 60%.

    Cuidados durante o tratamento

    As mulheres que se preparam para uma ovodoação, seja como doadora ou receptora, devem manter a saúde em ordem. Para isso, indica-se seguir bons hábitos de vida com uma alimentação equilibrada, sem fumar ou ingerir bebidas alcóolicas. Além disso, é importante dormir bem e realizar atividades físicas para garantir o equilíbrio físico e mental.

    Uma vez realizado o tratamento de Fertilização In Vitro (FIV) por meio da doação de óvulos, e confirmada a gravidez, os cuidados serão os mesmos de uma gestação obtida através de relação sexual. Neste momento, encaminha-se a paciente para o médico obstetra para dar início ao pré-natal. 

    Filhos de ovodoação são diferentes dos pais?

    Os filhos de ovodoação são geneticamente diferentes das mães, isso porque os óvulos são doados por outra mulher.

    No entanto, há estudos que revelam a influência da epigenética em filhos gestados através de óvulos heterólogos. 

    Dessa forma, mesmo não tendo o DNA desta mãe, eles recebem influência do ambiente em que estão se desenvolvendo e podem adquirir característica da mãe que o carrega. 

    Ovodoação: depoimentos de quem passou pelo processo

    Muitas vezes a ovodoação é o único caminho possível para conseguir realizar o sonho de gestar um filho. Por isso, disponibilizamos relatos reais de pessoas que passaram por este processo. 

    Os depoimentos abaixo são anônimos e foram coletados por profissionais da Nilo Frantz Medicina Reprodutiva e publicados no Portal de Ovodoação da clínica, mediante autorização dos participantes.

    S & R

    “Não tenham medo. Vocês nunca, em momento algum, duvidarão que ele (ela) é seu filho. A conexão com o bebê é uma construção diária, não nasce no laboratório. Cada semana que passa vocês se tornam mais próximos, mais íntimos. E esse laço se intensifica após o nascimento. Na amamentação, por exemplo, você e seu filho se conectam de um modo único. Foi a melhor e mais sábia decisão a que tomamos de aceitar a ovodoação.”

    F & P

    “É um amor que transborda, que chega doer, e tem sido assim todos os dias. E aquele rostinho ali te faz renascer naquele momento. Gratidão a quem me ajudou. A nossa história começou no momento em que ela chegou em mim. Eu sou o princípio deste amor, mãe e filha.”

    B & S

    “Ter um filho é um sentimento único, indescritível. Não há palavras que possam definir e expressar a sensação sentida nesse momento. É uma mistura de sentimentos, que vão desde a apreensão de ver que deu tudo certo, que ela está ali, “com tudo no lugar”, até a euforia e a alegria de ver e sentir ela nos braços. Um sentimento que se renova dia após dia.”

    M & A

    “Nunca desista. O caminho muitas vezes pode ser longo, muitas tentativas, muitas lágrimas derramadas com resultados negativos, muitos tratamentos medicamentosos, muito investimento emocional e, porque não dizer, financeiro. Mas sem sombra de dúvidas, vale MUITO a pena. Ter a nossa família completa hoje é a conquista do maior objetivo das nossas vidas. Além disso, escolha um serviço de referência em tratamento de Fertilização In Vitro. A equipe da Clínica do Dr. Nilo Frantz foi sem dúvida fundamental para a nossa conquista e assim como nós, eles nunca desistiram do nosso sonho. Nós só temos a agradecer a todos.”

    F & R

    “A maior dificuldade é justamente a aceitação. A fase do luto, que precisa ser superada. Renunciar aos pré-conceitos que formamos ao longo da vida. Abrir mão da carga genética e a expectativa que ela traz quando se gera um filho. Estabelecer uma relação de confiança com os profissionais para a escolha da doadora e com isso receber de olhos fechados, mas de coração aberto, o desconhecido. Quanto ao tratamento em si, é difícil superar a ansiedade pelo resultado, a preparação do endométrio e as expectativas de que tudo transcorra bem e de que o bebê seja saudável.”

    V & G

    “Eu sempre quis ter dois ou três filhos e eu pensei que se esta era a maneira que eu tinha de realizar meu sonho, seria assim que eu faria. E que caso não fosse assim eu teria que adotar uma criança. Ao invés disso, eu adotei um óvulo.”

    C & F

    “Meu marido aceitou em conjunto comigo, então não vi obstáculos. Eu sabia que não conseguiria um óvulo meu, mas com o óvulo doado vi uma luz no fim do túnel de que alcançaria a nossa tão sonhada gestação.”

    S & M

    “Abram o coração para a Ovodoação. É preciso se informar sobre o assunto e estar aberto para escolher essa possibilidade, de conhecer este amor. Estar amparado por uma boa equipe de profissionais é com certeza o diferencial para transpor as dificuldades. Ter este sonho concretizado vale todo o caminho a ser percorrido. O medo, as incertezas, os momentos de angústia fazem parte deste processo. Mas são superados com o amor que chega, e nos realiza.”

    M & E

    “Na primeira consulta fomos dispostos a fazer o tratamento com maior possibilidade de sucesso. Então, quando o médico o definiu como o mais assertivo, não tivemos dúvida de que seria a melhor escolha a se fazer.”

    F & K

    “A aceitação pela Ovodoação foi gradual na medida em que me informei melhor sobre o assunto e ponderei sobre ser a única possibilidade de realizar o sonho de ser mãe gestando. A terapia tem papel importante, assim como estar bem orientada e ter segurança na equipe de profissionais escolhida.”

    D & P

    “Não tenho palavras pra explicar meu sentimento… era o meu sonho se realizando. Já tenho um filho com meus óvulos. Mas não teve diferença alguma entre um e outro, nem no nascimento e muito menos agora.”

    Abrir o coração para uma nova possibilidade começa, muitas vezes, por entender melhor onde você está nessa jornada. Nosso quiz de consciência reprodutiva pode ser um primeiro passo para isso.

    Fazer o quiz 

    Conteúdo atualizado em 22/06/2026.

  • Produção independente: saiba tudo para realizar a sua

    A procura por produção independente vem aumentando desde 2013, quando o Conselho Federal de Medicina (CFM) permitiu o uso das técnicas de Reprodução Assistida para pessoas solteiras e casais de relacionamentos homoafetivos. A partir de então, as estruturas familiares começaram a ser constituídas de diferentes maneiras.

    Nesse sentido, além de casais heterossexuais (formados por homem e mulher), também se reconhece no Brasil as famílias com apenas uma mãe, um pai, duas mães ou dois pais. No texto abaixo, trataremos tudo sobre a produção independente: como funciona, como é o passo a passo de cada caso, as técnicas utilizadas e as documentações necessárias para o registro de um filho nesta situação. 

    O que é produção independente?

    A produção independente é a maneira pela qual as mulheres conseguem engravidar sem a necessidade de um parceiro do sexo masculino. Ela é possível graças ao avanço das técnicas de Reprodução Assistida como Inseminação Artificial ou Fertilização in Vitro.

    Desta forma, com a ajuda da ciência, tanto mulheres que não possuem parceiros, quanto casais homossexuais podem realizar o sonho de ter filhos a partir de uma produção independente.

    Como funciona a produção independente

    Na produção independente, o acompanhamento da gravidez começa bem antes dela acontecer de fato. Sendo assim, ao iniciar o tratamento, mulheres solteiras ou casais do mesmo sexo enfrentam escolhas emocionalmente mais difíceis, uma vez que precisam de doação de sêmen, óvulos ou até mesmo útero de substituição.

    Confira abaixo as diferentes situações em que se procura a produção independente e como se dá cada processo.

    Mulheres sozinhas

    A produção independente entre as mulheres sozinhas é uma realidade cada vez mais comum e a decisão vem sempre acompanhada de uma boa dose de coragem. Mulheres que não contam com um companheiro ou companheira ao seu lado, e não querem ou não podem esperar pelo parceiro ideal pela idade avançada, recorrem à reprodução humana para realizarem o grande sonho de ser mãe

    Este é o caso de Karina Bacchi e Mariana Kupfer, personalidades famosas no Brasil que chamaram à atenção por seguirem este movimento. A modelo Karina Bacchi já tinha congelado seus próprios óvulos e aos 41 anos, sem um companheiro, decidiu ter seu bebê. 

    Já Mariana Kupfer teve a certeza de que era a hora de ser mãe aos 36 anos e, solteira, procurou uma clínica de Reprodução Assistida para realizar o seu sonho. Desta forma, ambas recorreram a bancos de sêmen no exterior, e hoje Bacchi é mãe de Enrico, de três anos e Kupfer, de Victoria, de seis.

    Como é o processo para mulheres sozinhas? 

    A mulher sozinha que decidir realizar uma produção independente vai precisar da ajuda de um banco de sêmen para fecundar o seu óvulo. Desta forma, os espermatozoides utilizados podem vir de bancos nacionais ou internacionais.

    Para realizar a coleta dos óvulos, a mulher passa pelo processo de indução da ovulação, que é feita através de medicamentos. Caso ela tenha problemas na produção dos óvulos, ainda é possível realizar a Fertilização in Vitro com a doação de ambos os gametas (óvulo e sêmen).

    Assim, depois de fecundado em laboratório, transfere-se o embrião é para o útero da futura mãe. A partir disso, a gravidez ocorre da mesma forma que as demais.

    Casais homossexuais de mulheres

    Para os casais formados por duas mulheres, o material genético masculino também vem da doação de sêmen. No entanto, é preciso escolher qual das duas futuras mães irá doar os óvulos e carregar o embrião.

    Caso nenhuma das parceiras possua problemas de infertilidade, permite-se a gestação compartilhada, ou seja, uma das mulheres irá doar os óvulos e a outra irá gestar. Contudo, como a idade é um dos principais fatores que interferem na qualidade dos óvulos, é aconselhável que se opte pelo material genético da parceira mais jovem.

    Sendo assim, o processo de indução da ovulação ocorre da mesma forma do que para as mulheres solteiras. A estimulação ovariana é feita através hormônios para a mulher ovular. Depois os óvulos são coletados por meio de agulhas especiais para que sejam fecundados com o espermatozoide, em laboratório. A diferença é que o embrião pode ser fecundado no útero da outra mãe.

    Como ocorre a doação de sêmen?

    A doação de sêmen, muito utilizada em produção independente, é um ato voluntário que busca beneficiar pessoas que não podem ter filhos. A seleção do doador é rígida, com investigação da história pessoal e familiar para afastar doenças genéticas graves. Além disso, realiza-se exames clínicos, laboratoriais (como sorologias para hepatites, HIV, HTLV e sífilis) e avaliação adequada da fertilidade.

    No Brasil, a doação é anônima, solidária e não pode ser remunerada. Sendo assim, a lei brasileira não permite que o laboratório revele a identidade do doador. Tampouco, que ele saiba para quem o seu material foi doado. Assim, garante-se que ele não fará parte da família. Por outro lado, a futura mãe consegue saber algumas características dos doadores, como altura, cor dos cabelos, dos olhos e da pele, tipo sanguíneo, profissão, origem étnica, religião e hobby.

    Entretanto, nos Estados Unidos, o banco de sêmen é um negócio remunerado e por esta razão há muito mais opções de doadores. Além disso, as regras são bem mais flexíveis e é possível saber 35 características sobre os doadores. Vale ressaltar, também, que o Brasil permite que mulheres brasileiras recorram a bancos de sêmen internacionais. 

    Como doar sêmen?

    A coleta para o banco de sêmen acontece em hospitais e clínicas especializadas, de acordo com as regras da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e do CFM (Conselho Federal de Medicina).

    Uma vez aprovada, as amostras são obtidas após a masturbação e armazenadas em nitrogênio líquido por tempo indeterminado. Pode-se utilizar tais gametas por mulheres que desejam a produção independente, casais homoafetivos femininos e casais nos quais o homem não produz espermatozoides.

    Casais homossexuais de homens

    Os casais homoassexuais masculinos que optam pela produção independente  precisam da doação de óvulos e de um útero de substituição. O útero, por sua vez, deve ser emprestado de forma solidária e temporária apenas para o procedimento de gravidez.

    Por outro lado, o Conselho Federal de Medicina determina que a ovodoação deve ser feita por mulheres que estão em tratamento de Reprodução Assistida. Assim, o casal que irá receber os óvulos pode ajudar nos custos da indução da ovulação. A partir daí, os gametas femininos serão fertilizados pelo sêmen de um deles. Então, após a fecundação, insere-se o embrião no útero de substituição.

    No Brasil, a cedente solidária de útero deve pertencer à família de um dos parceiros com parentesco consangüíneo de até 4º grau, como mãe, avó, irmã, tia ou prima. Ainda vale ressaltar que é proibido contratar uma “barriga de aluguel” no país. Porém, tal procedimento é legal e muito frequente no exterior, sobretudo nos Estados Unidos.

    E foi exatamente em solo americano que o ator Paulo Gustavo e seu marido decidiram contratar duas “barrigas de aluguel”. Os filhos Romeu e Gael nasceram (cada um de uma barriga) em agosto de 2019, na Califórnia, e posteriormente vieram para o Brasil.

    Como ocorre a doação de óvulos?

    A ovodoação é uma alternativa que ajuda mulheres e casais homoafetivos masculinos a realizarem o sonho de constituir uma família, através de óvulos de outra paciente. Nesse sentido, vale ressaltar que na ovodoação, é importante a idade do óvulo (doadora) e não a idade do útero (receptora).

    No Brasil, permite-se a doação voluntária dos óvulos, bem como a doação compartilhada. Em outras palavras, são os casos que doadora e receptora estão participando de tratamento de Reprodução Assistida.

    Para o processo ocorrer, ocorre uma triagem inicial, tanto com a paciente que compartilhará, quanto com a que receberá os óvulos. Assim, a partir das características de ambas realiza-se o cruzamento dos dados. Caso haja semelhanças, encaminha-se o perfil com as características da possível doadora à paciente receptora. Todo o processo acontece em clínicas especializadas de Reprodução Assistida, com total sigilo e anonimato das pessoas envolvidas.

    Já nos Estados Unidos, a venda de óvulos é legal, e vários sites estão disponíveis para o cadastramento de quem quer doar ou comprar óvulos. Nesse sentido, há um contrato comercial bem estabelecido, e as mulheres que doam recebem para isso. 

    Como doar óvulos?

    O CFM estabelece que a doação de óvulos deve acontecer sem caráter lucrativo, de modo solidário, para ajudar futuros pais e mães. Além disso, o Conselho também permite a doação compartilhada, quando a doadora cede parte de seus óvulos, e a receptora, em retribuição, paga um percentual do tratamento da fertilização da mulher que doou o óvulo.

    Conheça as técnicas de produção independente

    Como já vimos anteriormente, as técnicas de Reprodução Assistida tornam possível a concretização da gravidez para quem deseja uma produção independente. Isso porque, neste caso, sempre haverá a necessidade de recorrer a óvulos ou espermatozoides de terceiros para efetuar a fecundação.

    Nesse sentido, há duas técnicas que possibilitam a produção independente: a inseminação artificial e a fertilização in vitro (FIV). Sendo assim, cabe uma avaliação rigorosa de um especialista em Reprodução Assistida, que deve orientar qual técnica será mais eficaz para cada caso. Veja as diferenças de cada uma delas:

    Inseminação intra-uterina ou Inseminação artificial 

    A inseminação intra-uterina ou inseminação artificial é considerada uma técnica de baixa complexidade e consiste na colocação de espermatozoides móveis na cavidade do útero, no período da ovulação. Dessa forma, ocorre a estimulação dos óvulos da mulher com o uso de medicamentos. A partir daí é feito o monitoramento ecográfico para determinar o melhor momento de inserir o sêmen dentro do útero.

    A taxa de nascidos vivos, após inseminação com semên de doador, é de aproximadamente 19,8% para pacientes de 18 a 40 anos. Nesse sentido, vale ressaltar que a idade da mulher, a reserva ovariana adequada e a presença de tubas uterinas normais são fatores importantes na indicação desse tratamento.

    Fertilização in vitro (FIV)

    A fertilização in vitro é a técnica de Reprodução Assistida com as maiores taxas de sucesso, que variam de acordo com a idade da mulher. Criada na década de 70, a técnica surgiu para ajudar casais com problemas de infertilidade. Hoje, também se utiliza a FIV na produção independente, sendo buscada por mulheres sem uma pessoa parceira e por casais homoafetivos que desejam ter filhos.

    Nos casos de produção independente, a FIV ocorre a partir da doação de sêmen ou da ovodoação (a doação de óvulos). Dessa maneira, fecunda-se os materiais genéticos em laboratório e, posteriormente, transfere-se o embrião para o útero materno.

    Como aumentar as chances de gravidez em uma produção independente?

    Por ser um tratamento que envolve diferentes fatores como aspectos físicos, biológicos e emocionais de cada um, não existe uma receita de sucesso que se aplica a todos os casos. Entretanto, há algumas indicações que podem aumentar as chances de uma produção independente. Confira:

    • Idade da mulher: Independente da técnica utilizada, é muito importante o fator idade. Sendo assim, mulheres com menos de 35 anos têm maiores chances de engravidar;
    • Hábitos saudáveis: Comportamentos saudáveis ajudam a melhorar a qualidade de vida e o funcionamento de todo organismo, o que influencia na fertilidade. Por esta razão, evite álcool e cigarro, tenha uma alimentação equilibrada e pratique exercícios físicos;
    • Atenção ao tratamento: Siga à risca as orientações médicas e utilize corretamente os medicamentos. Além disso, procure o tratamento com bons profissionais. Este é um fator que faz toda a diferença;
    • Cuidado com a saúde emocional: É muito importante uma atenção especial aos aspectos emocionais do tratamento. Estresse ou ansiedade excessiva pode interferir e afetar todo o processo. Por esta razão, o apoio da família e o auxílio de uma psicóloga certamente irão ajudar na jornada que está por vir.

    Como registrar filho de uma produção independente?

    Depois do nascimento de um filho por meio de produção independente, pode haver dúvidas e receios de como registrar o bebê. Entretanto, não há motivos para preocupação, pois não é necessária a decisão judicial para o cartório incluir o pai ou a mãe socioafetiva. Da mesma forma ocorre caso a mãe não tenho um parceiro ou parceira. Nesta situação, na certidão de nascimento, constará apenas o nome da mãe e nenhuma referência ao pai.

    Assim, veda-se aos oficiais do cartório recusar o registro de nascimento e a emissão de certificados de filhos concebidos por meio de técnicas de Reprodução Assistida.

    Confira abaixo os documentos necessários para emitir a certidão de nascimento nestes casos:

    • Declaração de Nascido Vivo (DNV);
    • Declaração, com firma reconhecida, do diretor técnico da clínica, centro ou serviço de Reprodução Assistida indicando a técnica adotada. Além disso, é preciso formalizar que a criança gerada em laboratório, nasceu mediante uso de material genético doado;
    • Certidão de casamento, certidão de conversão de união estável em casamento, escritura pública de união estável ou sentença em que se reconhece a união estável do casal;
    • RG e CPF do casal ou da mãe sozinha;
    • No caso das gestações que utilizam útero de substituição ou barriga de aluguel, não constará no registro o nome da parturiente. Porém é necessária a apresentação do termo de compromisso firmado pela doadora temporária do útero.

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  • Reversão de vasectomia: o que é, como funciona e taxas de sucesso

    Conteúdo atualizado em 20/08/2026.

    Muitas pessoas têm dúvidas, mas a vasectomia é reversível. Também chamada de deferentectomia, é um procedimento cirúrgico de baixa complexidade que interrompe o fluxo de espermatozoides do saco escrotal até as vesículas seminais. Nesse sentido, é um método contraceptivo com cerca de 99% de eficácia, escolhido por muitos homens e casais que querem evitar uma gravidez indesejada. Sendo assim, de acordo com dados do SUS (Sistema Único de Saúde), o número de vasectomias realizadas no Brasil cresceu mais de 300% entre 2001 e 2017.

    Para entender a vasectomia, é importante explicar que os gametas masculinos são produzidos nos testículos e armazenados no epidídimo, onde amadurecem e ganham mais mobilidade. Portanto, quando há estímulo sexual, eles passam pelo ducto deferente até a uretra, onde se juntam ao sêmen formado por secreções das vesículas seminais e da próstata.

    No caso da vasectomia, os ductos deferentes, que ficam logo abaixo da pele, são cortados através uma pequena incisão de cada lado da bolsa escrotal, e bloqueados com sutura. Dessa forma, os espermatozoides não serão mais ejaculados no líquido seminal.

    Ou seja, a fabricação dos gametas continua após a vasectomia, porém ficam retidos no epidídimo, sendo absorvidos pelo organismo em cerca de 90 dias. Dessa maneira, o homem continua ejaculando, mas sem espermatozoides, o que inviabiliza a gravidez.

    Vasectomia é reversível?

    A vasectomia é reversível a partir do procedimento cirúrgico que visa recuperar a capacidade reprodutiva do homem vasectomizado que deseja gerar filhos. Por isso, como já vimos, na vasectomia são seccionados os canais deferentes, ductos fundamentais para a fertilidade masculina e que conduzem os espermatozoides dos testículos até as vesículas seminais.

    Dessa forma, na reversão da vasectomia, esses ductos são religados, permitindo novamente a passagem dos espermatozoides para que se misturem ao líquido seminal e sejam ejaculados. No entanto, vale ressaltar que este não é um procedimento com sucesso garantido. As chances de restabelecer uma boa contagem de espermatozoides no sêmen e efetivamente conseguir nova gravidez é inversamente proporcional ao tempo da cirurgia realizada.

    Como é feita a reversão da vasectomia?

    A reversão da vasectomia é feita a partir de uma cirurgia minuciosa e delicada. Sendo assim, o procedimento consiste na religação (anastomose) dos canais deferentes, que tem diâmetros muito pequenos, com décimos de milímetros. Dessa forma, é preciso o uso de microscópio cirúrgico, fios e instrumentais de microcirurgia.

    O médico inicia a reversão fazendo duas incisões verticais no escroto, uma de cada lado. Com a exposição do testículo e do cordão espermático, se faz uma secção no ducto deferente que possibilita analisar a secreção vinda do epidídimo. A partir dessa análise o especialista define qual a técnica cirúrgica para a reversão de vasectomia: a vaso-vasostomia ou a epidídimo-vasostomia.

    Vaso-vasostomia

    Geralmente utiliza-se a técnica de vaso-vasostomia quando a análise da secreção do epidídimo é clara, fluida, abundante e indica presença de espermatozoides. Dessa forma, os indicativos sugerem que não há uma obstrução a nível do epidídimo e, portanto, a religação dos ductos nesta região tem chances de sucesso.

    Epidídimo-vasostomia

    Indica-se a técnica de reversão epidídimo-vasostomia quando a análise da secreção se mostra cremosa ou pastosa e não sugere presença de espermatozoides. Dessa forma, há indicativos de uma possível obstrução mais para trás no epidídimo, ou que inviabiliza o uso da técnica vaso-vasostomia.

    Taxas de sucesso da reversão de vasectomia

    As taxas de sucesso variam principalmente em função do tempo decorrido desde a vasectomia. Quanto mais tempo se passou, mais chances de que anticorpos contra espermatozoides tenham se desenvolvido, ou que pressão no sistema tenha causado danos ao epidídimo, o que pode exigir a técnica de epididimo-vasostomia, mais complexa.

    Tempo desde a vasectomiaTaxa de retorno de espermatozoidesTaxa de gravidez natural
    Até 3 anos~97%~75%
    3 a 9 anos~88%~55%
    9 a 15 anos~79%~44%
    Mais de 15 anos~71%~30%

    Fonte: American Urological Association (AUA). Os resultados individuais dependem de outros fatores, como idade da parceira, técnica cirúrgica utilizada e experiência do cirurgião.

    Vale destacar: mais de 80% dos casos realizados em centros especializados são bem-sucedidos em restabelecer o fluxo de espermatozoides. Transformar esse retorno em gravidez depende também da fertilidade feminina e do intervalo desde a vasectomia.

    Reversão de vasectomia: como é a recuperação da cirurgia?

    Independente da técnica escolhida para tornar a vasectomia reversível, o paciente precisa passar por um período de recuperação. Dessa forma, na fase pós operatória o homem deve seguir algumas orientações:

    Quatro semanas após as primeiras ejaculações, realiza-se o primeiro espermograma para análise da amostra de sêmen. Sendo assim, é muito comum que nesta primeira avaliação os espermatozoides ainda não estejam aparentes, o que pode ocorrer passados alguns meses do procedimento.

    O que esperar em cada fase da recuperação

    Nas primeiras 48 horas após o procedimento é recomendado repouso . É comum sentir desconforto, inchaço e hematoma na região operada, porém, o uso de cueca de sustentação e a aplicação de gelo (com proteção) ajudam a reduzir o inchaço.

    A maioria dos pacientes retoma atividades leves em 3 a 5 dias depois da realização da reversão da vasectomia. Entretanto, atividades físicas intensas, relações sexuais e esforço físico devem ser evitados por pelo menos 2 a 3 semanas.

    Além disso, destaca-se a importância de estar atento a sinais como febre acima de 38°C, dor intensa ou crescente, inchaço excessivo ou secreção no local. Ao perceber qualquer um desses sintomas, é necessário buscar avaliação médica imediata. 

    Em relação à confirmação do sucesso do procedimento, é solicitado o primeiro espermograma cerca de 4 semanas após a cirurgia, e a presença de espermatozoides é o principal indicador observado.  É importante destacar que, em reversões mais complexas, os espermatozoides podem levar mais tempo para aparecer.

    Toda vasectomia é reversível?

    Sim. Na grande maioria dos casos a reversão da vasectomia é possível. Inclusive, cerca de 5% dos pacientes vasectomizados mudam de ideia e procuram pela reversão. Nesse sentido, vale ressaltar que embora a cirurgia de vasectomia seja um procedimento reversível, a restauração da fertilidade depende de vários fatores:

    • Tempo decorrido entre a vasectomia e a sua reversão: quanto menor for esse intervalo de tempo, maiores as chances de recuperação da fertilidade;

    • Técnica empregada na vasectomia: as técnicas que preservam melhor os canais deferentes apresentam melhores taxas de sucesso de suas reversões;

    • Qualidade da cicatrização do paciente;

    • Produção testicular de espermatozoides, habitualmente mantida após a vasectomia;

    • Presença de espermatozoides no líquido do canal deferente no intraoperatório da reversão, e de seu aspecto macroscópico;

    • Experiência e habilidade do urologista.

    A vasectomia é reversível, mas pode dar errado?

    Como vimos, a vasectomia é reversível, porém, como qualquer procedimento cirúrgico, pode ocorrer complicações ou até mesmo dar errado. Desta maneira, é preciso estar atento a possíveis falhas:

    Falhas precoces

    É a ausência de espermatozoides nos espermogramas realizados no pós-operatório. Isto pode ocorrer devido a problemas técnicos cirúrgicos, seja na técnica em si, ou por haver uma obstrução no epidídimo não identificada durante a cirurgia.

    Falhas tardias

    A falha tardia na reversão da vasectomia é configurada pelo aparecimento inicial de espermatozoides nos exames, porém ocorre a diminuição da contagem ou da qualidade dos espermatozoides em resultados posteriores. Este problema pode ter causa por re-obstrução, por falha técnica ou devido à inflamação ou cicatrização exagerada.

    Gravidez após a reversão de vasectomia

    Normalmente, a principal motivação do homem que procura a reversão da vasectomia é recuperar sua capacidade reprodutiva, e desta forma, conseguir engravidar sua parceira por meio da relação sexual. Nesse sentido, quando o procedimento dá certo, o homem volta a ter espermatozoides no líquido seminal e passa a ter chances gerar uma gravidez (fecundação) através de relação sexual.

    Porém, caso o resultado da reversão da vasectomia não tenha sido o esperado, o casal não precisa desistir do sonho de ter um filho. Existem outras alternativas, através de técnicas de Reprodução Assistida, que possibilitam ao homem ter um filho biológico. Nesse sentido, a opção é fazer a coleta de espermatozoides diretamente do testículo ou do epidídimo. Dois protocolos distintos ajudam nesse processo, sendo eles:

    • TESA (testicular sperm aspiration): a aspiração de espermatozoides no testículo é um método simples que consiste na obtenção de espermatozoides através de aspiração percutânea (punção) do testículo. Indica-se para pacientes com azoospermia obstrutiva e não obstrutiva, ou anejaculação;

    • PESA (percutaneous epididymal sperm aspiration): a punção percutânea do epidídimo é um método simples de obtenção de espermatozoides através de aspiração percutânea do epidídimo. Recomenda-se para homens vasectomizados e com azoospermia obstrutiva.

    Dessa forma, os gametas masculinos coletados são avaliados e podem ser usados para gerar uma gravidez através de técnicas de reprodução assistida como a Fertilização in Vitro (FIV). Para isso, a mulher também terá os óvulos coletados, após tratamento de indução através de hormônios, e a fecundação dos gametas, que ocorre em laboratório de embriologia. Quando o embrião estiver pronto, ocorre sua transferência ao útero e a gravidez deve ocorrer normalmente.

    Quando a reversão de vasectomia é indicada?

    A reversão é indicada principalmente para homens que desejam recuperar a fertilidade após uma vasectomia anterior — seja por mudança de projeto de vida, novo relacionamento ou perda de um filho. É também considerada em casos de dor crônica pós-vasectomia (síndrome pós-vasectomia), em que a reversão pode aliviar o desconforto ao descomprimir o sistema.

    A avaliação antes da decisão envolve: análise do histórico da vasectomia (técnica e tempo), espermograma quando possível, avaliação da fertilidade da parceira, e discussão das alternativas — como a FIV com PESA ou TESA, que pode ser indicada dependendo do contexto clínico.

    Está considerando a reversão de vasectomia? O primeiro passo é uma avaliação com especialista em reprodução humana. Na Nilo Frantz, analisamos seu histórico, o tempo desde a vasectomia e as melhores alternativas para o seu caso,  incluindo a reversão cirúrgica e outras opções reprodutivas.

    Perguntas frequentes sobre reversão de vasectomia

    P: Quanto tempo a vasectomia é reversível?

    R: Tecnicamente, a reversão pode ser tentada mesmo décadas após a cirurgia original. As taxas de sucesso diminuem com o tempo: até 3 anos, ~97% de retorno de espermatozoides; após 15 anos, ~71%. O sucesso também depende da técnica cirúrgica e da experiência do cirurgião.

    P: Quanto custa uma reversão de vasectomia?

    R: O custo varia de acordo com a clínica, o tipo de técnica necessária (vaso-vasostomia ou epididimo-vasostomia) e a complexidade do caso. Por ser uma microcirurgia de alta complexidade, os valores tendem a ser mais altos que procedimentos urológicos convencionais. Em geral, planos de saúde não cobrem a reversão quando realizada por desejo de nova gestação. Para um valor preciso, consulte um especialista.

    P: Quais são os riscos da reversão de vasectomia?

    R: A reversão é um procedimento seguro quando realizado por cirurgião experiente. Os riscos incluem: infecção no local da cirurgia (raro), hematoma ou sangramento, falha na reconexão dos canais, e, em casos raros, dano às estruturas adjacentes. A taxa de complicações graves é baixa em centros especializados.

    P: Quais são os sinais de que a vasectomia reverteu com sucesso?

    R: O principal sinal é a presença de espermatozoides no espermograma, solicitado entre 6 e 8 semanas após a cirurgia. Clinicamente, não há sintomas físicos que indiquem o sucesso — apenas o exame laboratorial confirma. Em reversões mais complexas, os espermatozoides podem levar mais tempo para aparecer.

    P: A reversão de vasectomia é coberta pelo plano de saúde?

    R: Em geral, não — quando o motivo é o desejo de nova gestação. Alguns planos cobrem a reversão em casos de dor crônica pós-vasectomia com indicação médica documentada. Consulte seu plano e verifique as condições antes de iniciar o processo.

  • Fase Lútea: entenda como ela influencia na gestação

    Conteúdo atualizado em 19/11/2025.

    A fase lútea é uma etapa fundamental do ciclo menstrual e desempenha um papel crucial na fertilidade feminina e influencia diretamente na preparação do corpo para uma possível gravidez. Neste conteúdo, você entenderá como essa fase funciona, sua duração e os impactos que pode ter na saúde reprodutiva.

    O que é fase lútea?

    A fase lútea é a terceira etapa do ciclo menstrual da mulher, que começa logo após a ovulação e vai até o dia anterior ao início da próxima menstruação.

    Durante esse período, o organismo passa a funcionar sob influência predominante da progesterona, um hormônio essencial para preparar o útero para uma possível gestação. É por isso que a fase lútea costuma ser chamada de “fase da preparação”: o corpo cria as condições ideais para a implantação de um embrião, mesmo que nem sempre isso aconteça.

    O desenvolvimento dessa fase varia a depender se o óvulo for fecundado ou não. Caso ocorra a fecundação, o corpo lúteo, uma pequena estrutura formada no ovário, continua ativo, sustentando a produção hormonal até que a placenta assuma esse papel.

    Dessa forma, se a mulher não engravidar, a etapa caracteriza-se pela síndrome pré-menstrual (TPM), marcada por sintomas físicos e emocionais causados pela queda repentina dos hormônios. Cada organismo manifesta esses sintomas de forma única, e compreender essa fase ajuda a lidar com os sinais do próprio corpo com mais autonomia e tranquilidade.

    Quais são as fases do ciclo menstrual

    Para entender melhor a fase lútea, é importante conhecer como funciona o ciclo menstrual, que começa com a fase folicular, segue para o período ovulatório e na sequência entra na fase lútea. Veja abaixo mais informações sobre as três etapas:

    Fase folicular

    A fase folicular é a primeira etapa do ciclo menstrual e acontece entre o primeiro dia da menstruação e a ovulação. Neste período, que dura, em geral, entre 12 e 16 dias, os folículos ovarianos crescem e começam a preparar o corpo para uma possível gravidez. 

    Nesse sentido, há um aumento da produção do hormônio folículo estimulante (FSH), que faz com que os folículos que contêm os óvulos se desenvolvam. Além disso, com esse amadurecimento, os folículos nos ovários também produzem mais estrogênio, hormônio responsável por tornar o revestimento do útero pronto para a ação da progesterona e para uma eventual gestação.

    Fase ovulatória

    A fase ovulatória é a segunda etapa do ciclo menstrual e consiste na ovulação. Neste momento, ocorre a liberação do óvulo maduro, que será captado pelas trompas de Falópio, onde poderá acontecer a fecundação. Como o óvulo sobrevive apenas 24 horas fora do ovário, é preciso que ele encontre os espermatozóides neste curto espaço de tempo para dar início a uma gravidez. 

    Dessa forma, considerando que os espermatozoides duram até 5 dias dentro do corpo da mulher, é possível que a gestação ocorra se o casal tiver relações sexuais até 5 dias antes da ovulação. Contudo, é importante ressaltar que o dia da ovulação varia conforme a duração do ciclo. Em muitos casos, ocorre no 14º dia, todavia, há mulheres que ovulam antes do 14 º dia ou alguns dias após.

    Fase lútea

    A fase lútea do ciclo menstrual é aquela que ocorre após a ovulação e é caracterizada pela formação do corpo lúteo, que serve para preparar o útero para uma possível concepção.  Nesse sentido, caso o óvulo tenha sido fecundado, ele é transportado até o útero e se fixa no endométrio. 

    Entretanto, caso não haja a fecundação, os hormônios femininos começam a reduzir gradativamente sua concentração no organismo, e o endométrio, que estava pronto para receber o embrião, passa a descamar. Essa descamação do endométrio constitui a menstruação que marca o início de um novo ciclo reprodutivo.  

    Como funciona o corpo lúteo: hormônios, papel e duração

    Após a ovulação, o folículo que liberou o óvulo se transforma no corpo lúteo, uma pequena estrutura amarelada localizada no ovário. Essa transformação marca o início da fase lútea e é um processo fundamental para a fertilidade.

    O corpo lúteo é responsável por produzir grandes quantidades de progesterona, além de quantidades menores de estrogênio. Esses hormônios têm a função de preparar e manter o revestimento do útero (endométrio) espesso, vascularizado e receptivo à implantação do embrião.

    Caso ocorra a fecundação, o corpo lúteo é mantido ativo pelo hormônio hCG, produzido pelo embrião em desenvolvimento. Se não houver fecundação, o corpo lúteo degenera gradualmente em cerca de 12-14 dias, o que leva à queda da progesterona e à menstruação.

    A atuação equilibrada do corpo lúteo é essencial não apenas para o início da gravidez, mas também para a sua manutenção nas primeiras semanas. Quando essa estrutura não se forma adequadamente ou produz pouca progesterona, podem surgir dificuldades para manter a gestação, especialmente em tratamentos como a fertilização in vitro (FIV).

    Fase lútea: como seu funcionamento afeta a gravidez?

    A fase lútea inicia após a liberação do óvulo no período fértil. Neste momento, surge um tecido amarelado chamado de corpo lúteo, que é bastante rico em colesterol e produz grandes quantidades de progesterona. O  hormônio, por sua vez, é o responsável por preparar o endométrio para viabilizar e manter a gestação. Nesse sentido, os demais hormônios ficam inibidos, já que a progesterona é quem domina este período.

     Veja abaixo as funções da progesterona produzida pelo corpo lúteo.

    Além disso, é fundamental esclarecer que a fase lútea desenvolve-se de dois modos diferentes: em função de o óvulo ter sido fecundado ou não. Veja abaixo o que acontece em cada situação: 

    Óvulo fecundado  

    Se o óvulo foi fecundado e o embrião implantado, as células que formarão a placenta começam a produzir um hormônio chamado gonadotrofina coriônica humana (hCG). Esse hormônio mantém o corpo lúteo, que continua a produzir progesterona até que o embrião em crescimento possa produzir seus próprios hormônios. Dessa maneira, os testes de gravidez são baseados na detecção de um aumento na concentração do hCG.

    Óvulo não fecundado 

    Se o óvulo não for fecundado ou se o óvulo fecundado não se implantar, o corpo lúteo se degenera após 14 dias. Por isso o folículo, que se encontra vazio, contrai-se, e os níveis de estrogênio e progesterona diminuem gradativamente.

    Este processo de regressão faz com que muitas mulheres tenham os sintomas pré-menstruais, como inchaço, irritabilidade, dor de cabeça, acne e dores nos seios. Depois disso, o endométrio, que estava preparado para receber o embrião, começa a se romper e, assim, é expulso pela menstruação.

    A temperatura basal do corpo e o que ela revela sobre a fase lútea

    Durante a fase lútea, é comum que o corpo registre um leve aumento na temperatura corporal basal, a menor temperatura atingida pelo corpo em repouso, geralmente medida ao acordar. Esse aumento ocorre devido à ação da progesterona, que tem efeito termogênico.

    Em ciclos ovulatórios saudáveis, a temperatura basal costuma subir de 0,3 °C a 0,6 °C após a ovulação e se mantém elevada durante toda a fase lútea. Essa elevação é um dos sinais indiretos mais confiáveis de que a ovulação ocorreu.

    Monitorar a temperatura basal diariamente pode ser uma ferramenta útil para pessoas que estão tentando engravidar ou simplesmente desejam conhecer melhor o próprio ciclo. A ausência desse aumento ou uma queda precoce na temperatura pode indicar insuficiência lútea ou outros desequilíbrios hormonais.

    Embora o método da temperatura basal não substitua exames clínicos, ele oferece um recurso acessível para observar padrões hormonais e identificar possíveis irregularidades no ciclo.

    Quanto tempo dura a fase lútea?

    A fase lútea, em média, tem duração de 11 a 16 dias, que pode variar de mulher para mulher e, também, de ciclo para ciclo. Porém, o mais comum entre as mulheres é que ela tenha, pelo menos, 14 dias. 

    Entretanto, se a duração do período for diferente do ideal, as mulheres devem ficar atentas, pois a possibilidade de gravidez pode diminuir. Saiba mais o que pode ocorrer na fase lútea curta e longa:

    Fase lútea curta

    Se a duração da fase lútea for igual ou inferior a 10 dias, a mulher deve consultar o seu médico, já que pode ser um indicador de insuficiência lútea. Neste caso, os níveis de progesterona são insuficientes para manter o revestimento endometrial normal, o que prejudicaria a implantação do embrião. Nesse sentido, esse déficit pode ser uma causa de infertilidade, pois o tempo de transporte do embrião, que sai das trompas em direção ao útero, é encurtado e, assim, ele não consegue  se fixar ao útero.

    Além disso, esta insuficiência de progesterona também pode ser causada por outras doenças endocrinológicas, como os transtornos da tireóide (hipotiroidismo e hipertiroidismo) distúrbios ovulatórios, exercícios físicos em excessos, ou hiperprolactinemia.

    Sintomas da fase lútea curta

    Existem alguns sintomas que podem fazer você suspeitar de uma fase lútea curta, como:

    Diagnóstico da fase lútea curta

    Para diagnosticar a fase lútea curta, o médico pode solicitar um exame de sangue que examina os níveis de progesterona, que traduz a adequação do período.

    Além disso, o ginecologista também pode prescrever um ultrassom pélvico para verificar o grau de espessamento do revestimento do útero.

    Tratamento da fase lútea curta

    Se constatada uma fase lútea menor do que a desejada, há formas de ajudar a prolongar este período. Nesse sentido, o uso de medicamentos à base de progesterona sintética pode fazer toda a diferença, e geralmente traz bons resultados.  

    Fase lútea longa

    A fase lútea longa é superior a 16 dias e não é necessariamente uma indicação de algo errado. Contudo, é preciso uma investigação médica para verificar o que está ocorrendo com a mulher.

    Causas para fase lútea longa

    • Excesso de produção de progesterona: a alta da progesterona não deixa que o endométrio se desfaça e, assim, não há uma brecha para a menstruação acontecer;
    • Em alguns casos, se associada a outros sintomas, a fase lútea longa pode ocorrer devido a um desequilíbrio hormonal, como a síndrome dos ovários policísticos (SOP); 
    • Possível gravidez: normalmente, esta é a causa mais provável de uma fase lútea maior do que a de costume. O corpo lúteo dá suporte a gravidez até que a placenta inicial assuma o seu papel. Isso se inicia por volta da 6 semana, porém a placenta assume totalmente esse papel somente a partir da 10-12 de gravidez. 

    Diagnóstico da fase lútea longa

    Para diagnosticar a fase lútea longa, o especialista prescreve exame de sangue laboratorial que examina os níveis dos hormônios envolvidos. Além disso, pede uma ultrassonografia.

    Teste de gravidez na fase lútea: saiba como escolher a data certa

    O teste de gravidez deve ser feito após a fase lútea. Todavia, como nem todas as mulheres sabem exatamente de quantos dias é a sua, recomenda-se que o teste aconteça após cinco dias do atraso menstrual.

    Assim, fazer o teste cedo demais pode dar um resultado falso-negativo, já que o  hCG pode não estar ainda em níveis detectáveis  no corpo. Nesse sentido, a indicação vale principalmente para as mulheres que têm o período mais longo do que a média.

    Perguntas frequentes sobre a fase lútea

    Sabemos que entender todas as fases do ciclo menstrual pode gerar dúvidas — especialmente quando o desejo de engravidar está presente ou quando surgem sinais que fogem do padrão.

    Por isso, reunimos abaixo respostas claras e objetivas para as perguntas mais frequentes sobre a fase lútea, seu papel na fertilidade e o que observar no próprio corpo.

    Posso engravidar durante a fase lútea?

    Não. A fase lútea acontece após a ovulação, quando o óvulo já foi liberado e sobrevive por até 24 horas. Se ele não foi fecundado nesse período, a gravidez não ocorrerá nesse ciclo. Por isso, a janela fértil está no período que antecede a ovulação — não na fase lútea.

    Como saber se estou na fase lútea?

    A fase lútea começa logo após a ovulação e termina com o início da menstruação. Em geral, dura entre 11 e 16 dias. Algumas mulheres percebem essa fase por meio de sintomas como sensibilidade mamária, aumento da temperatura basal, leve inchaço ou alterações de humor. O uso de aplicativos de monitoramento ou exames hormonais pode ajudar a identificar com mais precisão.

    Fase lútea prolongada é sinal de gravidez?

    Pode ser. Se a fase lútea ultrapassa os 16 dias sem menstruação, especialmente em ciclos regulares, existe a possibilidade de gestação. Isso ocorre porque o corpo lúteo continua ativo quando o embrião é implantado e começa a liberar o hormônio hCG. Nesses casos, recomenda-se fazer um teste de gravidez.

    Toda mulher tem a mesma duração de fase lútea?

    Não. Embora a média seja de 14 dias, a duração pode variar entre 11 e 16 dias, dependendo de cada organismo. O mais importante é que essa fase seja consistente de ciclo para ciclo. Variações abruptas ou fases muito curtas podem indicar desequilíbrios hormonais e devem ser investigadas.

    A suplementação com progesterona altera a duração da fase lútea?

    Sim, em casos de insuficiência lútea, a suplementação com progesterona pode estender e estabilizar a fase lútea, melhorando a receptividade do endométrio para a implantação do embrião. O uso, no entanto, deve ser sempre prescrito e monitorado por um especialista.

    Entender seu ciclo é o primeiro passo para realizar seu sonho

    A fase lútea é muito mais do que uma etapa do ciclo menstrual, ela é um indicador importante da saúde hormonal, da receptividade uterina e das reais chances de gestação em cada ciclo.

    Para quem está planejando engravidar, seja de forma natural ou com apoio médico, compreender essa fase com profundidade é uma forma de tomar decisões mais conscientes, informadas e conectadas com seus objetivos.

    Na Nilo Frantz Medicina Reprodutiva, cada paciente é acompanhada de forma personalizada, com base em evidências científicas e, acima de tudo, com respeito ao seu tempo, à sua história e às suas escolhas.

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  • Azoospermia: é possível ter filhos mesmo com esse diagnóstico?

    A azoospermia define-se como a ausência de espermatozoides no sêmen, ou seja, é a inexistência do gameta masculino no líquido ejaculado. De acordo com a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM), este diagnóstico pode atingir 1% dos homens em geral, e de 10% a 15% dos casos específicos de infertilidade. 

    Portanto, para entender melhor o que é a azoospermia, é necessário saber como funciona o aparelho reprodutivo masculino, desde a produção dos espermatozoides, até o momento em que ocorre sua expulsão do corpo através da ejaculação. 

    Nesse sentido, é importante explicar que os gametas masculinos (espermatozoides) são produzidos nos testículos e armazenados no epidídimo, onde amadurecem e ganham mais mobilidade. Os espermatozóides viajam pelos ductos deferentes até as vesículas seminais, onde ali permanecem juntamente com o líquido seminal produzidos pelas vesículas, até serem ejaculados, quando há estímulo sexual.

    Dessa forma, o sêmen, também chamado de esperma, é o líquido ejaculado que carrega os espermatozoides e mantêm eles vivos até o encontro com o óvulo para uma possível fecundação. Sendo assim, a azoospermia pode ter causa por falha na produção, no armazenamento ou na passagem dos espermatozoides.

    Quais são os tipos e as causas de azoospermia?

    A azoospermia é um quadro relativamente comum quando se trata de infertilidade masculina, e sua causa pode ter diferentes fatores. Nesse sentido, a ausência de espermatozoides no sêmen pode ter origem na produção, no armazenamento ou no transporte do gameta masculino. 

    Dessa forma, de acordo com a origem do problema, a azoospermia é classificada em obstrutiva e não obstrutiva:

    Azoospermia obstrutiva

    Na azoospermia obstrutiva, o problema não está na produção de espermatozoides, que acontece normalmente, e sim no seu transporte. Dessa maneira, algum bloqueio no sistema reprodutivo impede a passagem dos espermatozoides do epidídimo pelo canal deferente, até sua chegada à uretra. Além disso, a obstrução pode ter sido feita de forma proposital e consciente, como no caso da vasectomia.

    Azoospermia não obstrutiva

    Nos casos de azoospermia não obstrutiva, não existem bloqueios impedindo a passagem dos espermatozoides, porém o problema está na produção dos gametas. Nesse sentido, a azoospermia não obstrutiva pode ter como causa doenças que afetam os testículos e epidídimo, por defeitos congênitos ou por danos externos.

    Como a azoospermia é confirmada?

    A azoospermia não apresenta sintomas aparentes, e mesmo causando infertilidade, não tem relação com impotência sexual. Ou seja, o homem azoospérmico tem desempenho sexual normal, com ereção e ejaculação. Por este motivo, em muitos casos, a azoospermia só é descoberta quando o casal está com dificuldades para engravidar e passa a investigar possíveis causas de infertilidade.

    Segundo especialistas, no Brasil, cerca de 40% dos casos de infertilidade conjugal têm como causas disfunções do sistema reprodutor masculino. Dessa forma, um dos principais exames para avaliação da fertilidade do homem é o espermograma, que deve acontecer em um laboratório especializado. 

    No entanto, o espermograma identifica a azoospermia, mas não diferencia a sua origem, se é obstrutiva ou não obstrutiva. Nesse sentido, além do exame físico realizado pelo urologista e da análise do sêmem, indicam-se outras avaliações para fechar o diagnóstico. Dessa forma, o médico pode solicitar exame hormonal e genético, uma ultrassonografia dos testículos, e, se preciso, biópsia testicular. 

    Saiba mais sobre os exames que investigam a azoospermia:

    Espermograma

    Esse exame laboratorial avalia a quantidade e a concentração de espermatozoides no sêmen, além da sua morfologia e capacidade de movimentação. A amostra para o exame é coletada por masturbações ou por punção nos testículos, quando necessário. 

    Além disso, para um diagnóstico realmente preciso de azoospermia, é importante fazer a pesquisa em microgota da amostra concentrada por ultracentrifugação. Isto é determinante pois alguns homens têm uma concentração tão baixa de espermatozoides no sêmen que não aparecem na contagem convencional. Porém, após ultracentrifugação da amostra, em 30% dos casos encontram-se alguns gametas, o que caracteriza uma criptozoospermia e descarta a azoospermia.

    Outro fator importante para confirmar os resultados do espermograma é a coleta seriada de sêmen. Nesse sentido, os exames devem ocorrer em intervalo de pelo menos dois dias entre eles. Isto é necessário pois, às vezes, o mesmo homem pode ter uma amostra de sêmen com espermatozoides, e outras sem nenhum, mesmo após a ultracentrifugação.

    Análises Hormonais/Genéticas

    Para conhecer o estado de saúde do homem e confirmar o diagnóstico de azoospermia, é importante também avaliar o perfil hormonal completo, que inclui exames de:

    • Testosterona;
    • LH, FSH;
    • Prolactina;
    • Hormônios tireoideanos;
    • Andrógenos adrenais;
    • Esteróides femininos.

    Em muitos casos, uma avaliação genética também é necessária com os seguintes testes:

    • Pesquisa de microdeleções do cromossomo Y;
    • Pesquisa de mutações do gene CFTR;
    • Cariótipo bandas G de sangue periférico, com avaliação de 20 a 100 metáfases dependendo da situação.

    Exames de Ultrassonografia testicular

    Para um possível diagnóstico de azoospermia, é importante também realizar exames de imagem como uma ultrassonografia com doppler colorido e biometria testicular. Nesse sentido, podem trazer informações relevantes para a escolha e o planejamento do melhor tratamento.

    Biópsia Testicular

    O exame de espermograma alterado pode indicar a azoospermia, mas não é capaz de determinar sua origem. Nesse sentido, confirmar se há espermatozoides que estão impedidos de chegar ao sêmen, ou se o problema acontece por falha na produção do gameta, influencia diretamente no tipo de tratamento. 

    Desta forma, a biópsia no testículo é um procedimento complementar no diagnóstico de infertilidade masculina, e ajuda a esclarecer se existe azoospermia obstrutiva ou não obstrutiva. 

    Nesse sentido, o procedimento realizado sob anestesia ou sedação consiste na retirada de uma fragmento do tecido testicular, que, analisado ao microscópio, pode revelar a existência ou não de espermatozoides. 

    Quem tem azoospermia pode ter filhos?

    A resposta para essa pergunta é sim, na maioria dos casos. Porém, é importante ressaltar que os tratamentos de azoospermia ligam-se diretamente ao seu tipo e causa. Por isso, ter o diagnóstico correto é de extrema importância. 

    Nesse sentido, quando se trata de uma azoospermia obstrutiva, o tratamento busca reconstruir o caminho natural por meio de cirurgias como a reversão da vasectomia ou desobstrução urológicas. Além disso, o objetivo pode ser coletar espermatozoides, a partir de microcirurgia, para fazê-los chegar aos óvulos com métodos de reprodução assistida. 

    Por outro lado, quando a azoospermia é não obstrutiva, o problema pode ter solução com terapia hormonal, ou com tratamento de varicocele. 

    Conheça os principais tratamentos da azoospermia:

    Reversão da Vasectomia

    A vasectomia é uma das causas frequentes da azoospermia obstrutiva. Neste procedimento são seccionados os canais deferentes, ductos responsáveis pela condução dos espermatozoides dos testículos até as vesículas seminais. Dessa forma, o homem continua ejaculando sêmen, mas sem espermatozoides, inviabilizando a gravidez. 

    Porém, se o homem vasectomizado quiser recuperar sua fertilidade, ele pode recorrer à reversão da vasectomia. Dessa forma, em um processo cirúrgico, esses ductos são religados, possibilitando novamente a passagem dos espermatozoides para que se misturem ao líquido seminal e sejam ejaculados. 

    No entanto, vale ressaltar que este não é um procedimento com sucesso garantido. As chances de restabelecer uma boa contagem de espermatozoides e efetivamente conseguir nova gravidez é inversamente proporcional ao tempo da cirurgia realizada. Nesse sentido, após 10 anos de vasectomia, a taxa de gravidez gira em torno de 35%, porém, depois de 20 anos, as chances são bem menores.

    Tratamento da Varicocele

    A varicocele é uma das origens da azoospermia não obstrutiva, e consiste na dilatação anormal das veias dentro do escroto, bolsa abaixo do pênis onde encontram-se os testículos. 

    Nesse sentido, o paciente com varicocele pode ser tratado por técnica subinguinal microcirúrgica, que realiza a análise minuciosa das veias acometidas e possibilita a sua correção. Dessa forma, com a normalização da circulação do testículo, pode haver melhora nos parâmetros do espermograma. 

    Tratamento Hormonal

    Em casos de azoospermia não obstrutiva associada com disfunções hormonais, um dos tratamentos é a manipulação hormonal masculina, o que é diferente da reposição de testosterona.  Essa modalidade de tratamento aumenta as chances de espermatozoides ejaculados, além de elevar a possibilidade de se conseguir gametas retirados diretamente de dentro dos testículos, quando necessário.

    Tratamentos de Reprodução Assistida

    Os homens com azoospermia não precisam desistir do sonho de se tornarem pais biológicos. Isto acontece pois algumas técnicas cirúrgicas permitem a obtenção de espermatozoides diretamente do epidídimo ou dos testículos, por punção ou microcirurgias. 

    Dessa forma, os gametas masculinos coletados podem ser usados para gerar uma gravidez através de técnicas de reprodução assistida como a Fertilização in Vitro (FIV), ou com Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóide (ICSI). As taxas de sucesso giram entre 25-65%.

    A técnica indicadas para procura e coleta de espermatozoides no epidídimo ou testículos depende do tipo e da causa da azoospermia. Saiba mais abaixo:

    PESA (percutaneous epididymal sperm aspiration) 

    A punção percutânea do epidídimo é um método simples de obtenção de espermatozoides através de aspiração percutânea do epidídimo. É Indicado para homens vasectomizados e com azoospermia obstrutiva.

    TESA (testicular sperm aspiration) 

    A aspiração de espermatozoides no testículo é um método simples que consiste na obtenção de espermatozoides através de aspiração percutânea (punção) do testículo. É indicado para pacientes com azoospermia obstrutiva e não obstrutiva, anejaculação;

    TESE (testicular sperm extraction) 

    A extração de espermatozoides do testículo é um método para obtenção de espermatozoides por biópsia aberta. Recomanda-se para pacientes com azoospermia não obstrutiva.

    MiCRO-TESE (microdissection testicular sperm extraction)

    A microdissecção testicular para extração de espermatozoides é um método de obtenção de espermatozoides através de microcirurgia testicular. Indicado para pacientes com azoospermia não obstrutiva em que há falha nos outros métodos de obtenção cirúrgica de espermatozóides;

    MESA (microsurgical epididymal sperm aspiration)

    É um método microcirúrgico de obtenção de espermatozoides através da aspiração microcirúrgica do epidídimo, onde com auxílio de um microscópio é possível avaliar e escolher os melhores túbulos do epidídimo para coleta de fluido epididimário. Indicado para pacientes com azoospermia obstrutiva.

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  • Progesterona: entenda como o hormônio afeta a gravidez

    A progesterona é um hormônio feminino, produzido pelos ovários, responsável por regular o ciclo menstrual e preparar o útero para receber e manter uma eventual gestação. Nesse sentido, ela é liberada a partir da ovulação, perto do 14º dia do ciclo menstrual, após a ação do hormônio luteinizante (LH). 

    Embora seja mais conhecida por sua função na saúde reprodutiva de pessoas designadas mulheres ao nascer, a progesterona também está presente em níveis menores em outros corpos. Ela pode ser administrada em diferentes contextos da medicina reprodutiva, incluindo em pessoas trans ou em casais homoafetivos.

    Dessa forma, os níveis de progesterona aumentam após a ovulação e mantêm-se altos caso exista uma gravidez. No entanto, se a fecundação não ocorrer, os ovários deixam de produzir progesterona e o revestimento do útero (endométrio) é descamado e eliminado naturalmente através da menstruação.

    De acordo com a Dr. Vitória Piccinini, especialista em reprodução assistida, esse processo é natural e cíclico, mas variações nos níveis hormonais — seja por fatores ambientais, genéticos ou clínicos — podem interferir na regularidade menstrual ou dificultar uma gravidez espontânea.

    Assim, podemos afirmar que a presença equilibrada de progesterona no corpo é essencial para a capacidade reprodutiva de mulheres em idade fértil. Já a diminuição dos níveis normais deste hormônio pode resultar em problemas de fertilidade, gravidez ectópica ou abortos de repetição.

    Por isso, a dosagem de progesterona é frequentemente monitorada em tratamentos de reprodução assistida. Sua suplementação pode ser indicada como forma de aumentar as chances de implantação embrionária e sustentação da gestação nas fases iniciais.

    Qual é a função do hormônio?

    Os hormônios são pequenas moléculas que viajam pela corrente sanguínea até chegarem a um órgão. Nesse sentido, a progesterona tem a função de interagir com o útero, a vagina, o colo do útero, as mamas, bem como o cérebro, os vasos sanguíneos e os ossos. Ela desempenha um papel essencial na fertilidade e também na saúde geral de pessoas em idade reprodutiva, independentemente da identidade de gênero.

    Dessa forma, associada à gravidez, a progesterona prepara o endométrio para a gestação e estimula este revestimento a ficar mais espesso para receber o embrião (etapa fundamental para que a implantação ocorra com sucesso nos tratamentos de reprodução assistida). 

    Além disso, ela inibe as contrações musculares do útero, evitando a expulsão do embrião através de um aborto. Nesse sentido, a progesterona é fundamental para que o embrião sobreviva. Assim, durante a gestação, ela também ajuda as glândulas mamárias a se desenvolverem colaborando para a lactação.

    Por essas razões, a suplementação de progesterona é amplamente utilizada em protocolos de fertilização in vitro (FIV), ovodoação e outros procedimentos de reprodução assistida, especialmente em fases iniciais da implantação embrionária.

    Contudo, entre outras funções, a progesterona também auxilia o organismo a utilizar a gordura como fonte energética. Além disso, ela ajuda na ação dos hormônios relacionados à tireoide, renova a libido, regula o sono, ajuda a manter a densidade óssea e diminui o risco de câncer de endométrio. Também é estudada em abordagens terapêuticas integradas para saúde hormonal:

    • em pessoas que passam por variações intensas de ciclo 
    • em transições hormonais, como na menopausa ou em processos de transição de gênero.

    Progesterona durante a menstruação

    Vale ressaltar que os níveis de progesterona alternam de acordo com a ovulação. Sendo assim, no início do ciclo menstrual (durante a menstruação) o hormônio fica baixo e continua assim durante a fase folicular. Esse período é especialmente monitorado em ciclos de reprodução assistida, pois baixos níveis de progesterona nesse estágio são esperados e servem como referência para a fase seguinte.

    Por outro lado, os índices de progesterona aumentam no meio da fase lútea. Se houver gravidez, a progesterona continuará sua produção, estimulando a formação de vasos sanguíneos no endométrio que alimentarão o feto em crescimento. Esse processo, chamado de decidualização, é fundamental para a implantação embrionária bem-sucedida — tanto em gestações espontâneas quanto nos tratamentos como a FIV. 

    Uma vez que a placenta se desenvolve, ela começa também a secretar progesterona, substituindo o corpo lúteo. Por esta razão, os níveis de progesterona permanecem elevados durante a gravidez, para que o corpo não produza mais óvulos. Esse equilíbrio hormonal evita novas ovulações e contribui para a estabilidade do ambiente uterino até que a gestação esteja consolidada.

    Entretanto,  se a concepção não acontecer durante a ovulação, o corpo lúteo se decompõe, diminuindo os níveis de progesterona no organismo. Neste momento, encerra esta fase do ciclo e inicia a menstruação. A queda da progesterona, nesse contexto, serve como gatilho para a renovação endometrial. Esta etapa é fundamental para reiniciar o ciclo e, em tratamentos de reprodução, pode ser controlada com medicações para ajuste de janela de implantação.

    Progesterona alterada: quais são os sintomas e diagnóstico?

    Como já observamos, os níveis de progesterona se alteram ao longo do ciclo menstrual. No entanto, as alterações de forma exagerada ou prolongada para mais ou para menos, podem indicar problemas no corpo feminino. Saiba o que pode significar cada uma delas:

    Progesterona alta

    A progesterona alta, segundo a Dra. Vitória, normalmente não é uma condição, mas consequência de outra alteração hormonal no corpo. Nesse sentido, caso não ocorra a fecundação, um nível elevado de progesterona, pode ser um indicativo de problemas como cisto no ovário, hiperfuncionamento de glândulas suprarrenais e câncer de ovário ou de endométrio. É importante lembrar que níveis altos de progesterona em si nem sempre representam risco, especialmente em fases específicas do ciclo ou durante a gravidez. O contexto clínico e os exames complementares ajudam a interpretar corretamente cada caso.

    Assim, entre os sintomas mais comuns associados à progesterona elevada, podem estar:

    • Inchaço abdominal;
    • Sensibilidade ou dor nas mamas;
    • Fadiga excessiva ou sonolência;
    • Tonturas ou sensação de desorientação;
    • Alterações de humor (irritabilidade, ansiedade ou tristeza);
    • Dores de cabeça frequentes;
    • Queda de libido;
    • Acne ou pele oleosa;
    • Ganho de peso inexplicado;
    • Retenção de líquidos.

    Progesterona baixa

    Caso os níveis de progesterona fiquem abaixo do ideal, quem deseja gestar pode ter dificuldades para engravidar porque o endométrio não é preparado para receber o embrião. Além disso, como destaca a Dra. Vitória, pessoas com baixos níveis de progesterona e que conseguem engravidar correm maior risco de aborto espontâneo ou parto prematuro. Isto ocorre porque o hormônio ajuda a manter a gravidez. 

    Em tratamentos como a fertilização in vitro (FIV), é comum a prescrição de progesterona suplementar justamente para evitar esse tipo de falha. Isso é feito especialmente em ciclos com embriões congelados ou ovodoação, onde o corpo não produz o hormônio naturalmente.

    Conheça alguns sintomas que indicam o baixo nível de progesterona no corpo:

    • Ciclos menstruais irregulares ou curtos;
    • Dificuldade para engravidar;
    • Abortos espontâneos recorrentes;
    • Sangramento entre as menstruações;
    • Tensão pré-menstrual intensa (TPM severa);
    • Alterações de humor (irritabilidade, ansiedade, depressão);
    • Baixa libido;
    • Ondas de calor e suor noturno (mesmo fora da menopausa);
    • Sono ruim ou insônia;
    • Secura vaginal;
    • Dores de cabeça ou enxaquecas frequentes;
    • Ganho de peso, especialmente na região abdominal.

    Vale ainda ressaltar, que algumas condições como prolactina elevada, hipotireoidismo ou síndrome dos ovários policísticos (SOP) podem originar uma ovulação rara ou ausente, o que levaria a níveis baixos de progesterona. Nestes casos, a causa da progesterona baixa deve ter um diagnóstico e tratamento.

    Progesterona na gravidez: entenda a relação

    Como já abordamos, o papel da progesterona na gravidez é preparar o corpo inteiro da pessoa para receber um outro ser vivo.

    Nesse sentido, durante a gestação, a produção de progesterona ocorre inicialmente no corpo lúteo, uma estrutura que surge assim que o óvulo é liberado no ovário e que também tem a função de manter o endométrio adequado e a sustentação da gestação inicial até que a placenta esteja funcional e assuma a produção hormonal.

    Além disso, a progesterona ajuda ainda a manter a gravidez, causa o relaxamento da musculatura do útero e por fim, auxilia no desenvolvimento das glândulas mamárias, necessárias para amamentação.

    Entretanto, quando ocorre a deficiência da progesterona, pode acontecer falhas no processo de implantação do embrião. Dessa forma, pode haver prejuízo da fase inicial da gravidez, levando muitas vezes a abortos de repetição. 

    Como diagnosticar a alteração da progesterona?

    Para verificar se há alteração nos níveis de progesterona, é fundamental procurar um médico ou médica ginecologista ou endocrinologista que vai solicitar um exame de sangue laboratorial.

    Sendo assim, os valores de referência utilizados por laboratórios são os seguintes:

    • Início do período menstrual: 1 ng/mL ou inferior;
    • Antes da ovulação: inferior a 10 ng/mL;
    • 7 a 10 dias depois da ovulação: superior a 10 ng/mL;
    • No meio do ciclo menstrual: 5 a 20 ng/mL;
    • Primeiro trimestre de gravidez: 11 a 90 ng/mL;
    • Segundo trimestre de gravidez: 25 a 90 ng/mL;
    • Terceiro trimestre de gravidez: 42 a 48 ng/mL.
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    Como corrigir os níveis de progesterona?

    O tratamento para corrigir os níveis de progesterona normalmente acontece quando a quantidade do hormônio é mais baixa que o normal. Nesse sentido, indica-se o uso de comprimidos de progesterona, como Utrogestan, principalmente no caso de pessoas com dificuldade para engravidar. Já nas grávidas com elevado risco de aborto, a progesterona normalmente é administrada via vaginal pela própria paciente.

    Sendo assim, de acordo com a Dra. Vitória, na maioria dos casos, a administração deste tipo de medicamento acontece durante 10 dias seguidos e após o 17º dia do ciclo menstrual. A duração do tratamento e as doses dos medicamentos devem ter cálculos específicos para cada caso.

    Já para as mulheres na menopausa, a reposição hormonal, apesar de ser polêmica, é ainda muito indicada para normalizar os índices dos hormônios no corpo.

    Por esta razão, independente do caso, ter o acompanhamento clínico é imprescindível para assegurar a saúde e o bom funcionamento do organismo como um todo.

    Como aumentar os níveis de progesterona naturalmente?

    Para as mulheres que optam por não tomar a progesterona sintética, existem alguns cuidados que podem ajudar a aumentar a concentração do hormônio produzido naturalmente pelo corpo. Veja quais são:

    • Tomar chá de cúrcuma, de tomilho ou orégano;
    • Aumentar a ingestão de alimentos ricos em vitamina B6, como bife de fígado, banana ou salmão;
    • Tomar um suplemento de magnésio, com orientação de um nutricionista;
    • Preferir alimentos com elevada quantidade de proteína;
    • Fazer uma alimentação rica em vegetais, fruta e legumes de folhas escuras, como espinafre.

    Além disso, dar preferência para alimentos orgânicos também pode ajudar na produção de progesterona. Essa recomendação acontece uma vez que os químicos utilizados nos alimentos embalados podem prejudicar a capacidade do corpo para produzir hormônios.

    Como métodos anticoncepcionais interferem na progesterona?

    Os contraceptivos hormonais são métodos para prevenção da gravidez à base de formas sintéticas de hormônios femininos: o estrogênio e a progesterona. Alguns destes métodos combinam os dois hormônios, enquanto outros têm apenas progesterona. Nesse sentido, os contraceptivos podem agir de duas maneiras para evitar a gravidez:

    • Eles atuam para que os níveis da progesterona do corpo fiquem baixos e uniformes, inibindo o pico da ovulação. Dessa maneira, as mulheres não ovulam;
    • Espessando o muco do colo do útero, dificultando a chegada do espermatozóide ao útero;

    Além disso, eles podem ser tomados via oral, injetados, vaginal, aplicados em forma de adesivos ou implantados sob a pele. Veja mais detalhes sobre os tipos de contraceptivos hormonais:

    • Pílula oral: Existem vários tipos de pílulas, inclusive de uso contínuo;
    • Anel Vaginal: É um objeto de silicone que a mulher insere na vagina, onde os hormônios liberam-se lentamente para prevenção da gravidez. O anel, portanto, deve ficar dentro da vagina por três semanas contínuas. Na quarta semana, deve ser retirado para ocorrer a menstruação;
    • Adesivo anticoncepcional: Com aspecto semelhante a um curativo, o adesivo é colocado no corpo e os hormônios são absorvidos através da pele. Utiliza-se em esquema semelhante ao anel vaginal: três semanas com e uma semana sem o adesivo;
    • Anticoncepcional injetável: Aplica-se uma injeção a cada um ou três meses, dependendo do tipo. Contudo, quando se interrompem as injeções, a fertilidade pode demorar até sete meses para voltar;
    • Implantes contraceptivos – É um pequeno bastão implantado pelo ginecologista sob a pele, na face interna do braço não dominante, que libera progesterona. O procedimento é rápido, feito com anestesia local e é eficaz por até três anos.

    Estrogênio e progesterona: conheça as diferenças

    Os principais hormônios sexuais femininos são o estrogênio e a progesterona, produzidos principalmente pelos ovários (sob o comando da hipófise) durante a fase reprodutiva da mulher. Nesse sentido, eles são fundamentais para a puberdade e desenvolvimento das características sexuais femininas como o crescimento das mamas, pêlos pubianos, contornos do corpo e pela fertilidade da mulher.

    Todavia, apesar de atuarem conjuntamente no corpo feminino, eles possuem funções diferentes. Saiba mais sobre cada hormônio:

    Estrogênio: É o principal hormônio feminino. Ele promove o desenvolvimento das características sexuais da mulher, além de ser responsável pelo crescimento do útero, tamanho de músculos, mamas, glândulas e coxas.

    Na adolescência, o estrogênio é o hormônio de maior importância. Nesse sentido, é ele quem define as características dos órgãos sexuais femininos (pilificação, mamas, vagina), além de ser o responsável pela feminilidade da mulher como o brilho do cabelo, a textura da pele e o timbre de voz.    

    Progesterona: Hormônio que regula o ciclo menstrual, ajuda na formação do embrião, modula o sistema imune para tolerar o embrião e sustenta a gestação. Contudo, sua principal função está relacionada com o preparo do endométrio para o recebimento e manutenção da gestação. Dessa forma, se a mulher tiver alguma deficiência neste hormônio durante a fase reprodutiva, ela pode ter dificuldade para engravidar.

    Se você está tentando engravidar ou tem dúvidas sobre seus níveis hormonais, nossa equipe está pronta para acolher sua jornada com atenção e cuidado. Agende uma conversa com um de nossos especialistas e descubra o que é possível fazer no seu caso.

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  • Reposição hormonal: discussões sobre riscos e benefícios

    Antes de começarmos a falar sobre reposição hormonal, é preciso entender o que é menopausa, quando acontece e o que ela causa nas mulheres. Nesse sentido, a menopausa é o termo usado para designar a última menstruação da mulher. Ou seja, é o momento em que o corpo para de produzir os hormônios estrogênio e progesterona, marcando o final da fase reprodutiva feminina, que começa na puberdade e perdura aproximadamente 35 anos. 

    Geralmente, a menopausa acontece entre 45 e 55 anos e vem acompanhada por um conjunto de sintomas desagradáveis. Eles podem interferir no dia a dia e afetar a saúde de muitas mulheres.

    Dessa forma, para enfrentar este período turbulento, existe um tratamento à base de reposição hormonal que ajuda a minimizar os sintomas. Porém, ele também pode trazer alguns riscos para a saúde da mulher. Saiba mais ao longo do texto!

    Quais são os sintomas da menopausa?

    O período da menopausa é caracterizado por diversas transformações físicas e emocionais, que decorrem do desequilíbrio e da diminuição na produção de hormônios femininos pelos ovários (estrogênio e progesterona).

    Além disso, é o estrogênio que fixa o cálcio nos ossos. Nesse sentido, após a menopausa e durante o climatério, grande parte das mulheres começa a perder este mineral, podendo levar a osteoporose. Dessa maneira, é muito comum mulheres pós-menopausa sofrerem mais fraturas pelo corpo.

    Risco cardiovascular na menopausa

    Os sintomas já citados, por mais incômodos que sejam, não representam risco de vida para as mulheres. Entretanto, sabe-se também que a diminuição da produção hormonal na menopausa aumenta as chances do aparecimento de doenças cardiovasculares. Isto ocorre pois as artérias coronárias femininas ficam mais rígidas com a ausência dos hormônios. Assim, muitas mulheres podem ter mais chances de infartos neste período.

    Além disso, a falta do estrogênio pode aumentar o LDL (colesterol ruim) e diminuir o HDL (bom colesterol). Nesse sentido, este desequilíbrio das gorduras no sangue também pode elevar os riscos de ataques cardíacos ou doenças cardiovasculares.

    Ainda, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as doenças cardíacas e vasculares são responsáveis por 1/3 de todas as mortes de mulheres no mundo. Nesse sentido, o número se aproxima de 8,5 milhões de óbitos por ano e cerca de 23 mil mortes por dia.

    Reposição hormonal: debate entre riscos e benefícios

    Uma das alternativas para driblar o desconforto da menopausa é a reposição hormonal. Porém, ainda não há consenso médico a respeito desse tratamento que apresenta benefícios, mas que também pode trazer alguns riscos para a saúde.

    Dessa forma, sabe-se que a reposição hormonal reduz os sintomas desagradáveis da menopausa, diminui a mortalidade cardiovascular quando realizada até os 60 anos e evita a osteoporose. Entretanto, o tratamento pode aumentar consideravelmente a possibilidade de doenças como o câncer de mama e de endométrio, além de ser fator de risco para trombose e AVC (acidente vascular cerebral).

    Por esta razão, para saber se a reposição hormonal é uma opção de tratamento adequado para a mulher, é imprescindível que ela converse com o médico ginecologia e cardiologista. Nesse sentido, em um contexto adequado, a reposição pode melhorar a qualidade de vida da paciente, principalmente se ela está muito sintomática. No entanto, para seguir o tratamento é necessária uma avaliação individualizada, pois ele é contraindicado, por exemplo, quando já há histórico de câncer de mama na família.

    Confira abaixo os benefícios e os riscos da reposição hormonal: 

    Benefícios do tratamento da menopausa 

    • Melhoras em problemas do sono: Mulheres na menopausa e no climatério têm problemas de sono por conta dos suores noturnos. Por outro lado, elas também podem ter dificuldades para dormir, mesmo que não apresentem os calorões. Nesse sentido, o indicado é o tratamento com estrógeno;
    • Prevenção da osteoporose: A reposição hormonal previne a perda óssea e reduz as chances de fraturas por osteoporose na pós-menopausa, principalmente para mulheres com menos de 60 anos;
    • Prevenção de doenças cardíacas: As doenças cardiovasculares também podem ser prevenidas com o tratamento, já que a reposição hormonal age beneficamente nos níveis do colesterol (HDLe LDL), diminuindo a possibilidade de doença coronariana;
    • Melhora na vida sexual: A terapia hormonal ajuda a melhorar a satisfação sexual da mulher ao aliviar os sintomas da menopausa, como ressecamento vaginal e dor durante o sexo. Esses sintomas atingem cerca de 45% das mulheres neste período;
    • Prevenção da demência: Alguns especialistas acreditam que o tratamento com estrogênio pode ser útil para prevenir a demência, caso realizado nos primeiros anos após a menopausa;
    • Diminuição da depressão: Muitas mulheres têm ansiedade ou depressão durante a transição para a menopausa. Alguns estudos mostram que o tratamento com estrogênio ajuda a melhorar o humor e a diminuir a depressão. No entanto, algumas mulheres precisam de tratamento tanto com estrogênio quanto com um antidepressivo para se sentir melhor.

    Riscos do tratamento da menopausa

    • Câncer de mama: Existe um pequeno aumento do risco de câncer de mama em mulheres que fizeram o tratamento combinado com estrogênio-progestágeno, e risco menor com uso de estrogênio isolado. Cabe ressaltar, ainda, que a chance de aparecer a doença cresce quando o tempo de tratamento é maior (principalmente acima de 5-10 anos). O risco desaparece após cinco anos do término da terapia;
    • Câncer de endométrio: Existe um risco aumentado de câncer de endométrio em pacientes com útero que fazem terapia isolada com estrogênio;
    • Ataque cardíaco e AVC: Existem evidências de benefícios cardiovasculares quando a reposição hormonal é iniciada na transição menopáusica ou nos primeiros anos após a menopausa (chamado de “janela de oportunidade”). No entanto, há evidências de riscos cardiovasculares quando a terapia hormonal é iniciada tardiamente. 

    Contudo, outros fatores como alimentação, presença ou não de obesidade e realização de atividade física também interferem nos efeitos cardiovasculares. Além disso, o uso dos hormônios sintéticos podem elevar o risco de acidente vascular cerebral (AVC), com tromboembolismo pulmonar (TEP)

    Como o tratamento de reposição hormonal é feito?

    Nem todas as mulheres precisam se preocupar em repor os hormônios durante a menopausa. Nesse sentido, ele é indicado para aquelas mulheres que têm sintomas moderados e intensos e que podem se beneficiar com a reposição hormonal.

    Dessa forma, existem muitas formas de fazer o TRH (tratamento de reposição hormonal). Alguns métodos combinam o estrogênio e progesterona, enquanto outros usam somente estrogênio. Além disso, a reposição hormonal pode ocorrer de diferentes maneiras, incluindo comprimidos, géis e adesivos.

    Assim, os hormônios usados, a dosagem, a forma de administração e o tempo de uso serão determinados pelo médico após avaliação criteriosa e levando em conta a necessidade de cada paciente.

    Vale lembrar, também, que as mulheres que retiraram o útero não precisam da reposição da progesterona. Já as pacientes que não fizeram esse procedimento devem receber, além do estrogênio, a progesterona ou um progestágeno sintético. 

    Qual o período para fazer a reposição hormonal?

    Quem opta pela reposição hormonal, deve começar o tratamento antes dos 60 anos de idade ou até 10 anos após o fim dos ciclos menstruais. Já o tempo de suspensão da medicação é individualizado e depende de cada paciente. Em geral, os médicos recomendam doses baixas dos hormônios no menor tempo possível.

    Reposição hormonal x mulheres brasileiras: entenda o comportamento

    A reposição hormonal ainda é uma das principais indicações para atenuar os sintomas da menopausa em mulheres de meia-idade. Entretanto, um estudo recente desenvolvido na Faculdade de Ciências Médicas (FCM), de Campinas, revela que o número de mulheres que utilizam a terapia hormonal no país vem caindo com os anos. 

    A pesquisa gerou um artigo científico e foi publicado na revista Menopause, da Sociedade Norte-Americana de Menopausa. Segundo o estudo, somente 19,5% das mulheres utilizam atualmente a terapia hormonal (TH) no Brasil.

    Por outro lado, uma investigação realizada pelo mesmo grupo em 2003, mostrou que naquele ano 37% das mulheres fizeram reposição hormonal no país. Essa tendência de queda, que também se confirma mundialmente, tem sido atribuída ao efeito de uma divulgação da Women’s Health Initiative (WHI), de 2002. A publicação é que trouxe à tona os riscos da reposição hormonal associados ao câncer de mama e endométrio, além de maiores chances de trombose e Avc em mulheres na menopausa.

    Reposição hormonal fitoterápica – como funciona?

    Com tanta polêmica sobre o uso dos hormônios sintéticos na reposição hormonal, alguns médicos têm indicado a terapia hormonal à base de fitoterápicos. Porém, ainda não há consenso sobre os reais efeitos positivos das plantas medicinais. 

    Contudo, a Anvisa reconhece, com base no uso tradicional e não em pesquisas, algumas plantas que possuem flavonóides e que podem atuar no organismo como repositores hormonais para o climatério. Tal reconhecimento tem como base o uso tradicional e não em pesquisas.

    Nesse sentido, um dos mais famosos é a isoflavona, um fitoestrógeno que se comporta como hormônio e é encontrado na soja. Este suplemento alimentar deve ser tomado diariamente durante os primeiros meses da menopausa, até que o corpo da mulher se habitue a inatividade dos ovários. 

    Entretanto, assim como na reposição hormonal sintética, é muito importante que as mulheres, antes de adotar o tratamento fitoterápico, consultem um especialista. Afinal, plantas também têm limitações e efeitos adversos. 

    Menopausa sem reposição hormonal

    Para as mulheres que estão na menopausa e não fazem a reposição hormonal, existem outras formas de tentar amenizar os sintomas e cuidar da saúde.

    Menopausa e o sonho de ser mãe

    Como já vimos anteriormente, a menopausa é o momento em que o corpo feminino para de produzir os hormônios estrogênio e progesterona. Dessa forma, não existe mais ovulação, marcando o final da fase reprodutiva da mulher. Entretanto, existem mulheres que ainda têm o sonho de serem mães, mesmo entrando na menopausa.

    É possível isto ocorrer? A resposta é sim! Graças à medicina reprodutiva, as mulheres que entraram na menopausa precocemente (por voltas dos 32 anos) ou até mesmo as que estão acima dos 45 anos conseguem engravidar, desde que estejam com uma boa saúde.

    Nestes casos, os especialistas em reprodução assistida optam por uma fertilização in vitro (FIV) combinada com a ovodoação, sistema de doação de óvulos que é permitido no Brasil. Se você está nesta situação e tem interesse em saber mais sobre o assunto, baixe o nosso e-book ovodoação.

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  • Teste de gravidez: saiba tudo sobre os métodos disponíveis

    O teste de gravidez é um exame realizado para confirmar se uma mulher está ou não grávida. Dessa forma, ele é útil quando a mulher desconfia de que possa estar gestando um bebê. Seja por atraso na menstruação ou por sintomas que indicam uma possível gestação, a forma de confirmar ou descartar esta suspeita é fazendo de um teste de gravidez.

    Nesse sentido, o diagnóstico pode ser realizado através de testes que medem a quantidade do hormônio Gonadotrofina Coriônica Humana (Beta hCG) na urina ou no sangue. Como esse hormônio só é produzido durante uma gestação, a sua presença ou ausência no corpo determina se existe ou não uma gravidez.

    Teste de gravidez e o Beta hCG sanguíneo: qual a relação? 

    A Gonadotrofina Coriônica Humana (hCG) é um hormônio produzido pelo corpo desde o início da gestação, primeiro pelo embrião e depois pela placenta. Nesse sentido, sua produção começa de 6 a 8 dias após a fecundação, no momento em que há implantação do embrião (nidação) na parede do útero. 

    Conforme a gravidez vai evoluindo, uma quantidade maior de hCG vai sendo lançada na circulação materna. Dessa forma, nas primeiras semanas de gestação, os níveis de hCG dobram a cada 2 ou 3 dias, podendo chegar até mais de 250.000 mIU/ml, o que ocorre por volta da 10ª semana. Sendo assim, o teste de gravidez é responsável por detectar tal elevação do hormônio no corpo da mulher. 

    Cabe ressaltar, ainda, que a dosagem sanguínea do hCG, analisada através de análise laboratorial, é o método mais confiável para se diagnosticar uma gravidez. Nesse sentido, como costuma-se medir apenas a fração beta deste hormônio, o exame de sangue é chamado de beta hCG (BhCG). Além disso, a presença do hCG no organismo feminino pode ser detectada também através da urina, seja em exame laboratorial ou em testes de gravidez vendidos em farmácias.

    Tipos de teste de gravidez: veja diferenças entre eles

    Existem diferentes testes de gravidez utilizados para comprovar se uma mulher está gestando um filho. Nesse sentido, os exames são muito simples e podem ser realizados a partir do sangue ou da urina. Veja como cada um funciona:

    Testes de laboratório:

    Os testes de gravidez laboratoriais consistem na coleta de sangue ou de urina, feitos em laboratório de análises clínicas, para a dosagem do hormônio hCG. Dessa forma, o exame de urina pode ser realizado do 7º ao 10º dia posterior a provável concepção (fecundação do óvulo). 

    Já a dosagem do Beta hCG no sangue, forma mais confiável de diagnosticar uma gravidez, pode ser feita até 1 semana antes do atraso menstrual. Contudo, para evitar a ocorrência de falso-negativos, o mais seguro é realizar o teste após a falha da menstruação.

    Confira os possíveis resultados:

    HCG Qualitativo

    O teste beta hCG Qualitativo detecta se há presença do hormônio no sangue. Nesse sentido, o resultado do exame indica apenas se é positivo (reagente) ou negativo (não reagente). 

    Veja abaixo os valores de referência do beta hCG:

    valores de referência do beta hCG

    HCG Quantitativo

    O exame hCG Quantitativo mede a quantidade circulante do hormônio no sangue e, também, apresenta uma estimativa do tempo de gestação. Além disso, os resultados do beta hCG quantitativo também podem indicar problemas como gravidez ectópica, aborto ou gravidez anembrionária. Nesse casos, os valores do hormônio geralmente são inferiores aos esperados para a idade gestacional da gravidez.

    Confira as possíveis interpretações do exame qualitativo: 

    Possíveis interpretações para o exame qualitativo

    Além disso, é importante ressaltar que os valores de referência para positivo e negativo podem variar de um laboratório para outro. O mesmo acontece em relação aos parâmetros para determinar as semanas de gravidez.

    Teste de farmácia: 

    Os testes de gravidez vendidos em farmácias são dispositivos simples que detectam a presença do hCG na urina. Isso é possível pois o exame possui o anticorpo monoclonal anti HCG, que gera uma reação química ao entrar em contato com o hCG, hormônio específico da gravidez. Dessa forma, basta a mulher urinar em uma fita reativa, ou colocá-la em contato com a urina coletada em um pote, e esperar para ver se há reação. 

    De forma geral, os testes de farmácia são muito confiáveis quando utilizados de forma correta, seguindo todas as instruções de uso. Além disso, o período ideal para realizar o teste e o tempo para reagir, bem como a forma de demonstrar o resultado, varia entre as diferentes opções e marcas do mercado. 

    Nesse sentido, é importante destacar que as concentrações de hCG na urina são menores que no sangue. Portanto, os testes de farmácia demoram um pouco mais para reagirem ao hormônio. 

    Embora alguns produtos garantam eficiência na testagem antes mesmo do atraso da menstruação, o mais seguro é fazer o teste com pelo menos 2 dia de atraso menstrual, ou então, após uma semana, quando a sensibilidade fica entre 95% a 99%. De qualquer forma, o resultado do teste de gravidez de farmácia sempre pode ser confirmado depois através de um exame de sangue laboratorial.

    Possíveis resultados do teste de farmácia e suas diferentes apresentações:

    Resultado Positivo: significa que e mulher está grávida 

    • Duas riscas;
    • Duas riscas, sendo a segunda borrada (indica pouca quantidade do hormônio beta-hCG);
    • Um linha mais escura;
    • O Símbolo “+” (positivo); 
    • Palavra Grávida ( com ou sem indicativo de número de semana);

    Resultado Falso Positivo: apesar de raro, pode acontecer em algumas situações

    • Se a mulher estiver tomando remédios que contenham hCG (geralmente mulheres em tratamento para infertilidade);
    • Se a mulher tiver dado a luz ou abortado há menos de 8 semanas;
    • Algumas doenças raras podem produzir hCG, a mais conhecida é a mola hidatiforme, um tumor do tecido placentário.

    Resultado Negativo: significa que a mulher não está grávida

    • Uma risca;
    • Uma linha sem alteração na cor/intensidade;
    • O Símbolo “-” (negativo);
    • Palavras não-grávida.

    Resultado Falso Negativo: pode acontecer quando

    • O teste é realizado cedo demais e o hCG ainda não é detectável na urina. Na dúvida, o ideal é repetir o exame depois de alguns dias;
    • A fita não ficou em contato com a urina pelo tempo necessário, impedindo que o teste identifique o hormônio presente na urina; 
    • A urina usada no teste está muito diluída. Desta forma, o recomendado é utilizar a primeira urina da manhã e não beber muito líquido antes de fazer o exame.

    Ultrassonografia

    Outra forma segura de realizar o teste de gravidez é através da ultrassonografia, que é um exame de imagem. Nesse sentido, a partir da 5ª semana de gravidez já é possível identificar o saco gestacional pela ultrassonografia transvaginal. O exame também pode ser realizado a partir da 7ª semana, por uma ultrassonografia abdominal. 

    Além disso, o ultrassom mostra também o embrião e seus batimentos cardíacos. Sendo assim, ele confirma a gravidez.

    Testes de gravidez caseiros 

    Lendas populares falam sobre testes de gravidez caseiros utilizando água sanitária, refrigerante de cola, vinagre, pasta de dente, entre outros produtos. Mas atenção: esses testes não têm embasamento científico e não servem para diagnosticar ou descartar uma gravidez. Além de ineficientes, ainda podem ser perigosos, pois a reação da urina com cloro ou com a água sanitária pode liberar gases tóxicos.

    Como se preparar para fazer um teste de gravidez ?

    Como vimos, os testes de gravidez, tanto laboratoriais como os de farmácia são a forma de confirmar se uma gravidez está em curso. Dessa forma, para garantir a eficiência dos resultados, a mulher deve observar algumas dicas e recomendações:

    Testes de sangue em laboratório:

    • Não é necessário jejum para fazer o exame beta quantitativo ou qualitativo;
    • Podem ser realizados em qualquer período do dia.

    Testes de gravidez de farmácia: 

    • Verifique o prazo de validade do teste de gravidez;
    • Siga as instruções de uso;
    • Faça o teste no período (dia) indicado por cada laboratório, pois a sensibilidade do exame varia entre os fabricantes;
    • Use de preferência a primeira urina do dia se você for testar precocemente (antes do atraso menstrual);
    • Não beba líquido demais antes do teste pois pode diluir os níveis de hCG na urina;
    • Escolha o tipo do teste: Se optar pelo teste diretamente no fluxo da urina, certifique-se de estar com o teste pronto para uso. Portanto, se for coletar uma amostra, tenha um recipiente limpo em mãos para usar;
    • Use um cronômetro para marcar o tempo de espera.

    Teste de gravidez: confira os principais mitos e dúvidas 

    O momento de fazer um teste de gravidez pode gerar muitas dúvidas, seja em relação a fatores que podem influenciar o resultado, ou também, sobre como se preparar para realizar o exame. Saiba as respostas destas questões abaixo:

    Medicamentos podem interferir no resultado do teste de gravidez?

    Sim, alguns medicamentos podem impactar nos testes de gravidez. Por isso, se você for realizar um exame laboratorial, é prudente avisar que está fazendo uso de um desses medicamentos:

    • Tranquilizantes;
    • Diuréticos;
    • Medicamentos para tratamento de Parkinson;
    • Medicamentos para tratamento de infertilidade;
    • Anticonvulsivantes;
    • Prometazina (muito utilizada para tratar de alergias).

    O teste de gravidez é alterado pelo uso de álcool?

    Não. O uso de álcool, bem como de outras substâncias e alguns medicamentos, não altera os resultados de exames de gravidez. Veja o que não interfere nos testes de gravidez:

    O teste de gravidez pode indicar o sexo do bebê ou se a gestação é múltipla?

    Não. Testes de farmácia não possibilitam identificar o sexo do bebê. Da mesma forma, eles também não detectam se a gestação é múltipla.

    Gravidez psicológica pode dar o resultado positivo no teste? 

    Não. A gravidez psicológica não acusa um resultado positivo em testes de gravidez. Todavia, se o teste for realizado no período em que há um pico no hormônio ovulatório, o exame pode indicar um falso positivo com coloração fraca.

    Há contraindicações em fazer o teste de gravidez?

    Não há contraindicações para o teste de gravidez.

    Agora que você já está bem informada sobre testes de gravidez, faça download gratuitamente do nosso infográfico sobre os 5 sintomas que se pode ter ao engravidar! Você pode acessá-lo clicando na imagem abaixo:

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  • Prolactina alterada: quais as consequências para a gravidez?

    A prolactina, também chamada pela sigla “PRL”, é um hormônio produzido pela glândula hipófise, que fica localizada na parte inferior do cérebro. Uma das principais funções da prolactina é estimular a produção de leite pelas glândulas mamárias, para que ocorra a amamentação após o parto. Por esta razão, recebeu o nome popular de “hormônio do leite”.

    Além disso, fora do período gestacional, a prolactina também controla outros hormônios femininos. Nesse sentido, ela está envolvida na regulação da menstruação e da ovulação.

    Vale lembrar que a hipófise, além de produzir a prolactina, é ainda responsável pela produção de outros hormônios que determinam funções importantes do organismo, como as gônadas, supra renais e tireoide. Sendo assim, recomenda-se verificar os níveis de prolactina e suas respectivas alterações, como um balizador da hipófise. Dessa maneira, se a prolactina estiver alterada, o médico poderá investigar uma série de complicações no organismo que podem, inclusive, afetar a fertilidade feminina e masculina.

    Tenho prolactina alta? Descubra sintomas e causas

    De acordo com a literatura médica, o aumento da produção da prolactina provoca a hiperprolactinemia, doença que pode atingir tanto mulheres quanto homens em idade adulta fértil (entre 20 a 50 anos).

    Nesse sentido, nas mulheres, pode causar alteração menstrual e infertilidade. Já nos homens, gera impotência sexual por prejudicar a produção de testosterona, além de aumentar as mamas (ginecomastia).

    Sintomas:

    Quando a prolactina está alta, vários sinais e sintomas podem atingir os pacientes. Confira os principais: 

    • Infertilidade;
    • Falta de libido;
    • Dor durante o ato sexual (dispareunia); 
    • Menstruação irregular (oligomenorreia);
    • Ausência de menstruação (amenorreia);
    • Produção de leite sem gestação (calactorreia);
    • Disfunção erétil;
    • Aborto espontâneo;
    • Dores de Cabeça (suspeita de tumor na hipófise);
    • Alterações visuais (suspeita de tumor na hipófise).

    Causas:

    Muitos fatores podem levar uma pessoa a apresentar alteração na produção de prolactina. As causas podem ser fisiológicas, farmacológicas e patológicas:

    • Fisiológica: o próprio organismo, por necessidade, aumenta a liberação de prolactina no sono, no stress físico e psicológico, na gravidez, durante a amamentação e no orgasmo sexual;
    • Farmacológica: a alta da prolactina também pode se relacionar ao uso de algum medicamento. Assim, qualquer droga que modifique a liberação da dopamina induz a alterações da prolactina. 

    Além disso, alguns medicamentos que têm a possibilidade de interferir são: antipsicóticos, antieméticos (reguladores da motilidade gástrica), metoclopramida e domperidona. Os anti-hipertensivos, antiácidos, opioides (estimuladores da secreção de dopamina), alguns antidepressivos e estrógenos (hormônios sexuais) também estão nessa lista.

    • Patológica: outra causa do aumento do hormônio é quando envolve alterações no bom funcionamento do organismo, como:
      • Lesões do Hipotálamo ou da Haste Hipofisária: a dopamina tem a capacidade de inibição da secreção de prolactina. Sendo assim, quando há problema na liberação dela, a produção de prolactina não tem controle, e a hipófise secreta o hormônio em maiores quantidades;
      • Tumores secretores de Prolactina: tumores do tipo Prolactinomas são produtores de Prolactina;
      • Demais lesões da hipófise: massas tumorais que não estejam relacionadas com tumores secretores de prolactina também podem induzir o aumento do hormônio, pois eles comprimem a haste hipofisária. Portanto, diminuem a comunicação inibitória da dopamina e a hipófise.
      • Demais Causas: hipotiroidismo, síndrome dos ovários policísticos, estimulação periférica neurogênica, falência renal ou cirrose hepática. 

    Exame de prolactina: como funciona?

    O exame de prolactina é fundamental para verificar como andam os níveis do hormônio no corpo. 

    Nesse sentido, acontece por meio de coleta de sangue, e o resultado sai, aproximadamente, em um dia. Contudo, os valores de referência da prolactina podem variar de acordo com o laboratório e o método de análise realizado.

    Quando a prolactina está acima de 100 ng/mL, a causa mais comum é o uso de remédios ou a presença de micro tumores. Por outro lado, quando os valores estão acima de 250 ng/mL, provavelmente, se trata de um tumor maior.

    Além disso, para realizar o exame, é importante estar atento a algumas recomendações.

    Gravidez e prolactina elevada: atenção para os riscos

    A prolactina elevada ocorre em aproximadamente 0.5% da população geral. Nesse sentido, pode causar infertilidade por promover alterações na produção dos hormônios FSH (folículo-estimulante) e LH (hormônio luteinizante). Eles são responsáveis pela estimulação das gônadas (testículo e ovários).

    Isto ocorre pois a prolactina tem também a função de inibir a secreção destes hormônios. Sendo assim, se a prolactina estiver alta e fora da normalidade, resulta na diminuição do LH e do FSH. Nesse sentido, a deficiência dos hormônios sexuais pode gerar diminuição do desejo sexual (libido), impotência, infertilidade, menstruação irregular ou ausência de menstruação. 

    Em muitos casos, a alteração da prolactina pode acontecer por meio de medicamentos. Caso o nível do hormônio seja estabilizado, a paciente consegue retomar a função ovariana, assim como a menstruação e a fertilidade.

    Nos casos mais graves, quando identifica-se um tumor maior na hipófise (adenoma), o tratamento é cirúrgico e, na maioria das vezes, o problema é solucionado.

    Nesse sentido, se a paciente com histórico de hiperprolactinemia engravidar, o acompanhamento pré-natal deverá ser mais cuidadoso do que o normal, já que, durante a gravidez, a mulher tem muitas alterações hormonais.

    Entretanto, se a paciente passar por ambos os tratamentos e mesmo assim não conseguir engravidar, é possível que a causa da infertilidade relacione-se a outra condição. Desta forma, ela deve recorrer a um especialista em reprodução assistida que vai avaliar o caso, e possivelmente sugerir um tratamento de fertilização in vitro.

    Tratando as alterações de prolactina com tranquilidade

    Como já abordamos anteriormente, a alteração da prolactina deve-se a vários fatores e, de uma maneira geral, há tratamento para todos. Nesse sentido, nos casos onde a hiperprolactinemia é causada pelo uso de remédios, é preciso avaliar com o médico a possibilidade de trocar o medicamento por outro que não interfira na produção de prolactina. 

    Quando a causa é um adenoma (tumor na hipófise), deve-se realizar o tratamento com medicamentos, como Cabergolina e Bromocriptina, que normalmente reduzem o seu tamanho. Apenas em casos mais raros pode ser necessário fazer cirurgia e/ou radioterapia. Entretanto, a indicação destes tratamentos só são para tumores agressivos ou malignos.

    Dessa forma, vale lembrar aos casais que possuem o desejo de ter um filho que iniciem o tratamento com antecedência. Alguns até conseguem engravidar com níveis de prolactina entre 50 a 60 ng/mL. Porém, pode ser preciso baixar ainda mais esses valores com o uso de remédios ou através de outros tratamentos. Se você está nesta situação, baixe nosso e-book “Não adie o seu sonho” e tire suas dúvidas sobre gravidez.

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  • Período fértil: saiba tudo para planejar sua gravidez

    O período fértil feminino é a fase do mês no qual a mulher tem mais chances de engravidar. Nesse sentido, podemos dizer que são os dias do ciclo menstrual nos quais há maior probabilidade de ocorrer a fecundação do óvulo pelo espermatozoide, e assim iniciar uma possível gestação.

    A determinação do período fértil leva em conta principalmente o dia da ovulação, quando o óvulo maduro é liberado pelo ovário e vai para as Trompas de Falópio onde poderá ser fecundado. Este processo acontece normalmente uma vez ao mês, sempre 14 dias antes da próxima menstruação. Além disso, o cálculo também considera o tempo que o espermatozoide tem para fecundar o óvulo, já que ele sobrevive até 5 dias no organismo da mulher.

    Dessa forma, o período fértil, também chamado de semana fértil, é o intervalo de aproximadamente 6 dias até o dia da ovulação. Porém, para muitos médicos, esse período do mês, que tem maior chances de ocorrer uma gravidez, dura até 2 dias após a ovulação.

    De qualquer forma, é importante que a mulher entenda seu ciclo menstrual e consiga determinar quando é seu período fértil. Sendo assim, o casal que quer ter filhos pode programar melhor os dias das relações sexuais, e assim aumentar suas chances de uma gravidez natural. Por outro lado, essa informação também é muito útil para os casais que querem evitar uma gravidez indesejada. 

    Período Fértil: quais os sinais?

    Identificar o período fértil é muito importante para quem está tentando engravidar. Nesse sentido, além de conhecer bem seu ciclo menstrual, as mulheres em idade reprodutiva podem identificar também alguns sinais que indicam que estão próximas da ovulação. Conheça os principais:

    Secreção vaginal transparente: 

    A secreção vaginal transparente, como a clara de ovo, e sem odor forte, pode ser sinal de que a ovulação e o período fértil estão chegando. Isto acontece pelo aumento do hormônio estradiol, que produz mais líquido que o habitual, facilitando a entrada dos espermatozoides no canal vaginal.

    Além disso, quando o muco se torna mais fluido e transparente, fica mais fácil para os espermatozoides se deslocarem até o óvulo, possibilitando assim a fecundação.

    Aparecimento de espinhas:

    O aparecimento de espinhas é outro sinal de que o período fértil está próximo. Nesta fase do mês, a pele fica mais oleosa, facilitando o surgimento de espinhas e cravos.

    Aumento da temperatura:

    O aumento da temperatura corporal basal (em repouso) ocorre como resposta à preparação do corpo para a fecundação. Nesse sentido, os folículos liberam os óvulos maduros, o que eleva a quantidade de progesterona, causando o aumento da temperatura corporal em 0,4 a 1,0ºC.

    As mulheres que estão tentando engravidar podem monitorar a variação diária da sua temperatura. A medição deve ser feita com termômetro, sempre ao acordar.

    Aumento da libido e do apetite:

    O aumento da libido e do apetite, no período fértil, também são resultados da elevação dos níveis hormonais que ocorrem nesta etapa do mês. Nesse sentido, quando o organismo está pronto para a fecundação, o desejo feminino aumenta.

    Além disso, nesta fase, ocorre também o aumento da produção de feromônios, hormônios exalados pelo corpo com a finalidade de atrair e excitar o sexo oposto. Dessa forma, a mulher também fica mais sensível e com o olfato mais apurado.

    Dor no baixo ventre:

    Sentir dor ou incômodo na parte de baixo da barriga, na altura dos ovários, é um dos sintomas frequentes do período fértil. Nesse sentido, pequenas pontadas na região pélvica ou cólicas, podem indicar que a mulher está ovulando. 

    Irritação e instabilidade emocional: 

    A variação do humor também é comum no período fértil e acontecem principalmente devido às alterações hormonais comuns do período.

    Identificando o período fértil: conheça métodos

    Como já falamos, o período fértil, também chamado de janela fértil, é determinado principalmente a partir do dia da ovulação. Dessa forma, é importante tentar identificar esta data com a maior precisão possível. Nesse sentido, além dos sintomas que algumas mulheres sentem neste período, existem também diversos métodos que podem ajudar a identificar o dia da ovulação com maior segurança.

    Vale lembrar que o corpo de cada mulher é diferente e que nenhum método é 100% eficaz para determinar o dia exato da ovulação. Dessa forma, alguns métodos podem ser usados de forma combinada, aumentando as chances de sucesso.

    O método do calendário:

    O método do calendário, popularmente chamado de “tabelinha”, pode ser usado por quem tem um ciclo menstrual regular. Nesse sentido, leva-se em conta que a ovulação acontece geralmente 14 dias antes da próxima menstruação. 

    Dessa forma, nas mulheres com ciclos de 28 dias, a ovulação deve ocorrer no 14º dia. Já para quem menstrua a cada 30 dias, a ovulação acontece no 16º do ciclo. O ideal é fazer esse acompanhamento no calendário durante alguns meses.

    Atualmente existem diversos aplicativos que além de ajudar a monitorar o ciclo menstrual, já calculam também o período fértil da mulher. São opções para ter ao alcance da sua mão, o acompanhamento dos seus ciclos menstruais e períodos férteis. Por isso deixaremos abaixo algumas sugestões de aplicativos para você realizar o seu acompanhamento:

    Aumento do hormônio luteinizante – LH 

    Conforme a ovulação se aproxima, o corpo aumenta a produção de estrogênio, hormônio que causa o espessamento do revestimento do útero criando um ambiente apropriado para o embrião. Nesse sentido, os altos níveis de estrogênio provocam o aumento do hormônio luteinizante (LH) que atua na liberação do óvulo maduro do ovário, ou seja, na ovulação. 

    Dessa forma, as mulheres que querem engravidar devem estar atentas aos picos do LH já que a ovulação ocorre de 24 a 36 horas após o aumento deste hormônio. Nesse sentido, os níveis de LH podem ser medidos através de testes de ovulação.

    Testes de ovulação

    Este teste é especialmente útil para as mulheres que têm ciclos irregulares, ou que não sabem quando estão ovulando. Nesse sentido, eles possibilitam determinar a ovulação de 24 h a 36 h antes da liberação do óvulo.

    Assim como os testes de gravidez, os testes de ovulação acontecem através da urina e muito fáceis de usar. Basta mergulhar uma tirinha na urina e verificar a cor obtida. Nesse sentido, o teste é positivo quando detecta uma grande quantidade de hormônio luteinizante LH, indicando que a mulher deve ovular em breve. 

    Método de ovulação de Billings ou Mob

    O método da ovulação Billings, ou MOB, é um meio natural para reconhecimento do dia da ovulação pela análise do muco cervical. Nesse sentido, o muco é uma secreção que apresenta características diferentes durante o ciclo menstrual. Portanto, é possível identificar, através dele, quando a mulher está no período fértil.

    Para garantir maior probabilidade de sucesso no uso desse método, recomenda-se que a mulher anote todas as variações que ocorrem em seu muco, durante alguns ciclos menstruais. 

    Registro da temperatura corporal basal (TCB)

    Esse método se baseia no fato de que a temperatura corporal basal (TCB) aumenta em 0,4 a 1,0 °C após a ovulação, fase final do período fértil. Nesse sentido, os hormônios reprodutivos têm um impacto na temperatura do corpo em repouso, que deve ser medida todas as manhãs. 

    Dessa forma, o registro pode acontecer ao longo de vários ciclos, com as seguintes indicações:

    • Medir a temperatura imediatamente após acordar, ainda na cama, antes de sentar-se na posição vertical; 
    • Fazer a medição todos os dias, no mesmo horário;
    • Usar um termômetro especial com precisão de 0.10 graus para Fahrenheit (ºF) e 0.01 graus para Celsius (ºC), para arredondamento preciso;
    • Tomar nota de quais dias são “não confiáveis” devido a fatores externos, como alterações nos padrões de sono, sono perturbado ou curto, jet lag, consumo excessivo de álcool, doença ou medicamentos, que podem causar alterações no seu ciclo menstrual; 

    Ultrassonografia

    Outra forma de acompanhar o dia de ovulação é através do exame de ultrassom. Nesse sentido, as mulheres que querem engravidar, especialmente aquelas que estão fazendo tratamento para infertilidade, podem monitorar a ovulação por meio da ultrassonografia transvaginal seriada. O exame acontece em dias alternados, para definir qual será a data mais provável da ovulação. 

    Ovulação precoce X Ovulação tardia

    O período fértil faz parte da vida de todas as mulheres em idade reprodutiva, que, desde a menarca (primeira menstruação), aprendem a importância de entender como funciona o seu ciclo menstrual. Dessa forma, podem agir no sentido de evitar uma gravidez indesejada, ou ao contrário, aumentar as chances de uma gestação desejada quando chegar o momento.

    Nesse sentido, sabe-se que a ovulação geralmente se dá no meio do ciclo menstrual regular, que normalmente tem 28 dias. Dessa forma, a ovulação ocorre por volta do dia 14. No entanto, em alguns casos, pode acontecer mais cedo (ovulação precoce) ou mais tarde (ovulação tardia).

    • Ovulação precoce: aquela que ocorre entre o 8º ao 10º dia do ciclo.
    • Ovulação tardia: aquela que ocorre após o 21º dia do ciclo.

    Essas irregularidades no período fértil podem ter diferentes causas que muitas vezes levam a problemas de infertilidade, e só são descobertos quando o casal tem dificuldade de engravidar. Dessa forma, indica-se procurar um especialista que pode avaliar cada caso e definir o melhor tratamento.

     As principais causas são:

    1. Estresse, que pode ter um impacto negativo na regulação hormonal;
    2. Uso de medicamentos;
    3. Síndrome dos ovários policísticos;
    4. Infecções;
    5. Doença da tireoide, que influencia a glândula pituitária, responsável pela liberação dos hormônios LH e FSH, que estimulam a ovulação.

    Curiosidades sobre o período fértil

    Período fértil é um assuntos que interessa a muitas mulheres, e sempre vem acompanhado de muitas dúvidas, perguntas e curiosidades.

    Veja aqui mais alguns esclarecimentos sobre este tema:

    Como é o período fértil de quem usa anticoncepcional?

    ​As mulheres que fazem uso correto do anticoncepcional, ou seja, tomam todos os dias, no mesmo horário, não têm período fértil. Isto acontece pois os anticoncepcionais orais inibem a ovulação, não possibilitando que haja óvulo maduro para ser fecundado. 

    Nesse sentido, a menstruação que vem todos os meses é o resultado da privação hormonal durante o intervalo entre uma cartela e outra, e não a descamação do endométrio que estaria à espera do embrião.

    É possível engravidar fora do período fértil?

    Em princípio, só é possível engravidar dentro do período fértil, pois somente nestes dias o corpo feminino libera óvulos maduros e aptos serem fecundados o espermatozoide. Porém, existem alguns fatores, mesmo que raros, que podem levar a uma gravidez fora da janela fértil feminina.

    Existem métodos de indução da ovulação?

    Sim, existem métodos para induzir a ovulação que visam estimular a produção e liberação de óvulos pelos ovários.

    Nesse sentido, são indicados para mulheres que enfrentam problemas de disfunção ovariana, como Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), uma das principais causas de infertilidade. Além disso, a indução também é utilizada nos casos de fertilização, quando é chamada de estimulação ovariana.

    É importante ressaltar que a indução da ovulação é sempre feita sob indicação e orientação médica, através de medicamentos, ou hormônios injetáveis (gonadotrofinas).

    Agora que você já sabe o que é o período fértil e qual seu papel na vida reprodutiva feminina, conheça também um pouco mais sobre a atuação da Medicina Reprodutiva.

    Veja como é possível driblar problemas de infertilidade para realizar o sonho de ter um filho.

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