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  • Hipotálamo: importância nas funções corporais e no processo de engravidar

    Você sabia que o hipotálamo é uma estrutura cerebral do tamanho de um amendoim localizado na região central do cérebro, logo acima da hipófise? E que apesar de ser tão pequeno ele é de vital importância para o organismo? Sim, o hipotálamo recebe várias informações de todo o organismo e age como um regulador das funções essenciais do corpo humano.

    Ele libera e inibe hormônios que agem na glândula pituitária para direcionar as funções da tireóide, das glândulas supra-renais e dos órgãos reprodutivos, garantindo o bom funcionamento de processos vitais para a saúde e a fertilidade. Além disso, influencia no crescimento, no equilíbrio de fluidos e na produção de leite.

    No texto a seguir vamos saber sobre a função do hipotálamo nas várias áreas do corpo e como ele é fundamental para o funcionamento do sistema reprodutor feminino e masculino.

    O que é o hipotálamo? 

    O hipotálamo é uma pequena parte do cérebro, localizada abaixo do tálamo e acima da hipófise. Mesmo ocupando menos de 1% do cérebro, ele é fundamental  para o corpo humano, servindo como uma espécie de centro de controle para o organismo. 

    Nesse sentido, o hipotálamo se conecta à hipófise por meio de uma estrutura chamada infundíbulo e sua principal função é fazer com que o corpo funcione de maneira equilibrada. 

    A estrutura regula, portanto, funções vitais e é dividido em duas partes: anterior e posterior, cada uma controla áreas fisiológicas específicas.

    Funções do hipotálamo

    duas pessoas em um ambiente interno, aparentemente em uma consulta médica. A pessoa à esquerda está vestindo uma camisa azul clara sobre uma blusa bege, e parece estar sorrindo enquanto conversa com a outra pessoa.

    Como já vimos, o hipotálamo é uma parte essencial do cérebro, responsável por diversas funções vitais. Nesse sentido, ele atua no controle do metabolismo, influenciando diretamente vários centros que regulam diferentes processos no corpo. Além disso, o hipotálamo controla o sistema endócrino, equilibrando diretamente a atividade da hipófise e de outras glândulas. Entre suas principais funções estão:

    • Controle do sistema cardiovascular, regulando a pressão arterial e a frequência cardíaca;
    • Atua no ciclo biológico diário (relógio biológico);
    • Controle da ejeção de leite e das contrações uterinas durante o parto;
    • Participação no comportamento sexual e no processo de acasalamento;
    • Controle da diurese;
    • Controle da temperatura corporal;
    • Controle da fome e da sede;
    • Controle das emoções como raiva e prazer;
    • Controle dos hormônios da adeno-hipófise, estimulando-a ou inibindo-a por meio da ação dos hormônios de liberação e de inibição produzidos pelo hipotálamo. Entre os hormônios estão: o tireotrófico (TSH), hormônio luteinizante (LH), prolactina (PRL) e hormônio folículo-estimulante (FSH);
    •  Produção de hormônios da neuro-hipófise (ADH, hormônio antidiurético);
    •  Controle do sistema nervoso autônomo;
    •  Regulação indireta de diversas glândulas, como tireoide, adrenal, mamárias e sobre as gônadas.

    Distúrbios do hipotálamo 

    Os distúrbios do hipotálamo podem resultar em vários problemas de saúde. Eles geralmente são causados por estresse, tumores, infecções, inchaço, doenças genéticas e outras condições. 

    Em casos de tumores, a radioterapia pode ser uma opção de tratamento recomendada pelo especialista, ajudando a diminuir ou eliminar o tumor. No entanto, se o distúrbio ocorrer devido à falta de hormônios, a reposição hormonal pode ajudar.

    Os sintomas, no entanto, variam  conforme a causa, que geralmente estão relacionados à falta de hormônios. Isso pode levar a problemas como crescimento excessivo ou retardado, além de interferir na fertilidade feminina e masculina. 

    Já nos casos de tumores no hipotálamo, os sintomas podem causar dores de cabeça e perda de visão. E no caso do hipotireoidismo, os sinais são a depressão, intolerância ao frio, constipação e fadiga intensa. 

    Da mesma forma, alterações na pele e nos cabelos, rouquidão, perda de pelos, ganho de peso súbito e alterações no ciclo menstrual podem surgir. Distúrbios do hipotálamo também podem reduzir a atividade das glândulas adrenais, resultando em fraqueza e tontura.

    Outros sintomas menos comuns incluem mudanças emocionais, problemas na regulação da temperatura corporal, sede excessiva, micção descontrolada e perda do olfato.

    Diagnóstico e tratamento dos distúrbios do hipotálamo 

    Os distúrbios do hipotálamo podem ser diagnosticados por diversas formas que incluem avaliação clínica, exames de imagens e dosagens hormonais através do sangue. Nesse sentido, o acompanhamento médico nestas situações é muito importante  para o sucesso do tratamento. 

    Isto porque estes distúrbios frequentemente envolvem alterações hormonais e podem ter efeitos de longo prazo. Com isso, o monitoramento constante permite ajustes no tratamento conforme necessário, além de prevenir complicações. Além disso, o controle médico ajuda a avaliar a eficácia das terapias e a melhorar a qualidade de vida do paciente.

    Confira, as abordagens que podem ser feitas para o diagnóstico e tratamento do problema:

    Avaliação Clínica

    Na primeira consulta, o médico faz uma análise clínica detalhada do paciente. Isto inclui  sintomas, possíveis fatores de risco como trauma craniano, infecções, histórico familiar e hábitos alimentares. Após, segue-se para a investigação com os demais exames.

    Exames de Imagem

    A ressonância magnética é o exame mais comum para visualizar o hipotálamo e identificar a presença de tumores, inchaços ou outras anomalias. Já a tomografia computadorizada pode ser usada como uma alternativa ou complemento à ressonância para examinar as estruturas cerebrais.

    Dosagens Hormonais

    Através de exames de sangue, avaliam-se os níveis de hormônios no corpo, como cortisol, hormônio do crescimento, hormônios sexuais e hormônios da tireoide. Esses exames ajudam a detectar desequilíbrios que podem ser indicativos de problemas no hipotálamo.

    Além disso, também podem ser feitos testes de estímulo ou supressão hormonal. Nesse sentido, são realizadas verificações para ver como o corpo responde à estimulação ou a supressão hormonal, ajudando a identificar disfunções hipotálamo-hipofisárias.

    Quais são os tratamentos dos distúrbios do hipotálamo?

    É importante esclarecer que o tratamento do hipotálamo depende da causa de cada distúrbio. Sendo assim pode ser feito por:

    Medicamentos:

    • A reposição hormonal é muito utilizada quando o distúrbio está relacionado à deficiência de hormônios;
    •  Pode-se incluir medicamentos para controle da pressão arterial, apetite, regulação de temperatura corporal e outras funções afetadas;

    Terapias:

    • A radioterapia pode ser indicada quando há a presença de tumores que afetam o hipotálamo. O procedimento pode ajudar a reduzir ou eliminar o tumor;
    • A cirurgia é realizada para remover tumores ou corrigir outras anomalias físicas;
    • As terapias psicológicas, como o acompanhamento psicológico é fundamental em situações onde o estresse ou distúrbios alimentares como anorexia ou bulimia contribuem para o problema.

    Hipotálamo e o processo de engravidar

    O hipotálamo tem um papel fundamental na regulação dos hormônios reprodutivos e, consequentemente, no processo de engravidar. Sendo assim, ele libera hormônios que estimulam a hipófise a secretar gonadotrofinas, responsáveis por regular os ovários e os testículos. Esses hormônios incluem o LH e o FSH essenciais para a ovulação nas mulheres e para a produção de espermatozoides nos homens.

    Por isso, problemas no hipotálamo podem ter um impacto significativo tanto na fertilidade masculina como na feminina por prejudicar a hipófise e as variações dos hormônios sexuais.

    Além disso, também podem ocorrer alterações como a síndrome de Kallmann e a amenorréia hipotalâmica. Estes distúrbios afetam a capacidade do hipotálamo de liberar adequadamente hormônios, interferindo no ciclo reprodutivo.

    Já nos homens, problemas no hipotálamo reduzem a produção de hormônios necessários para a espermatogênese, resultando na diminuição da quantidade e qualidade dos espermatozoides.

    Felizmente, há tratamentos eficazes para melhorar a fertilidade nesses casos. O uso de terapias hormonais, como a administração de gonadotrofinas ou de hormônios liberadores de gonadotrofinas (GnRH), pode restabelecer a regulação do ciclo menstrual. 

    Além disso, mudanças no estilo de vida, como o controle do estresse e a correção de deficiências nutricionais, também contribuem para a melhora da função hipotalâmica. Assim, há uma melhora significativa na qualidade dos gametas masculinos e femininos, aumentando as chances de uma gravidez. 

    Quando procurar um especialista 

    Procurar um especialista em casos de suspeita de disfunção hipotalâmica é essencial para preservar a saúde hormonal. Por esta razão, fique atento! Sintomas como fadiga constante, alterações no apetite, ganho ou perda de peso inexplicável são alguns dos sinais de problemas no hipotálamo. Da mesma forma, irregularidades menstruais, redução da libido e dificuldades em controlar a temperatura corporal podem indicar problemas nesta região do cérebro. 

    Nesse sentido, é muito importante não ignorar estes sintomas, pois podem evoluir e afetar gravemente o equilíbrio hormonal. Sendo assim, o diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações maiores como infertilidade, distúrbios metabólicos e doenças crônicas. 

    Portanto, manter a saúde hormonal requer atenção a bons hábitos diários. Uma alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas, sono adequado e controle do estresse são medidas fundamentais. Da mesma forma, evitar o uso de álcool em excesso e cigarro, ajuda o bom funcionamento do hipotálamo, equilibrando a produção de hormônios.

    Conclusão 

    Neste texto percebemos a importância do hipotálamo para a saúde geral, incluindo a fertilidade de homens e mulheres. Ele controla a liberação de hormônios que regulam diversas funções do organismo como o apetite, o metabolismo, o ciclo menstrual,  e a produção de espermatozoides. Assim, quando ocorre um desequilíbrio nesta região, podem surgir problemas como infertilidade, irregularidades hormonais, ganho ou perda de peso, e disfunções metabólicas.

    Desta forma, se ocorrer sintomas como alterações no ciclo reprodutivo, fadiga constante, ou dificuldades para engravidar, é fundamental buscar orientação médica. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem prevenir complicações e restaurar o equilíbrio hormonal. Da mesma forma, manter hábitos saudáveis, controlar o estresse e estar atento a sinais de disfunções hormonais são ações importantes para preservar a saúde do hipotálamo e, consequentemente, a qualidade de vida.

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  • Epididimite: sintomas, causas e tratamentos eficazes

    Você já ouviu falar em epididimite? A condição, uma inflamação no epidídimo, pode causar uma série de problemas ao homem, e se não tratada afeta, inclusive, a fertilidade masculina,

    No texto a seguir vamos entender melhor os sintomas, as causas e os tratamentos mais adequados desta doença. confira!

    O que é epididimite?

    A epididimite é a inflamação do epidídimo, um pequeno ducto localizado no sistema reprodutor masculino. Esta estrutura é responsável por coletar e armazenar os espermatozoides produzidos pelos testículos. Além disso, ele conecta os canais deferentes aos testículos, facilitando o transporte dos espermatozoides. 

    Para entender a gravidade da epididimite é fundamental conhecer a anatomia do epidídimo e sua função no aparelho reprodutor do homem. Desta forma, é importante saber que o epidídimo está localizado atrás de cada testículo. Assim, é o responsável por armazenar e transportar os espermatozoides para os ductos deferentes durante a ejaculação.

    A anatomia do epidídimo inclui cabeça, corpo e cauda. Os espermatozoides imaturos entram pela cabeça da estrutura, avançam para o corpo e alcançam a cauda, ​​onde são armazenados. Esse trânsito, que dura de dois a seis dias, permite a maturação dos espermatozoides, tornando-os capazes de nadar e fecundar um óvulo.

    Durante a ejaculação, os espermatozoides fluem da cauda do epidídimo para o ducto deferente. Lá, são misturados com fluidos da próstata e das vesículas seminais, formando o sêmen que será expelido pela uretra.

    Sinais e sintomas da epididimite

    A epididimite pode provocar diversos sintomas, como dor e desconforto na região genital, afetando homens de todas as idades, embora seja mais comum entre 18 e 35 anos.

    A condição é classificada em duas formas: aguda e crônica. Na forma aguda, os sintomas aparecem abruptamente e duram menos de seis semanas, com dor e inchaço na bolsa escrotal sendo os primeiros sinais. Sem tratamento, a condição pode evoluir para a forma crônica.

    Já na epididimite crônica, os sintomas persistem por mais de 45 dias e, muitas vezes, são leves no início, o que pode levar a um diagnóstico tardio. A condição alterna entre períodos de melhora e agravamento, com os sintomas progredindo lentamente. Em casos mais graves, a dor pode se tornar tão intensa que o movimento se torna difícil para o paciente.

    Entre os sinais de epididimite, podemos destacar:

    • Febre,
    • Calafrios;
    • Dor nos testículos;
    • Dor geral na região da pelve; 
    • Sensação de pressão ou de peso nos testículos; 
    • Inchaço e vermelhidão no escroto; 
    • Dor e quentura no escroto;
    • Dor ao urinar;
    • Dor durante a relação sexual;
    • Eliminação de secreção pelo pênis.

    É muito importante lembrar que quando não tratada adequadamente, a epididimite pode levar o homem à infertilidade!

    Causas da epididimite

    Como já vimos, a epididimite pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais frequente entre os homens sexualmente ativos de 18 a 35 anos. Na infância, os casos de epididimite são raros, mas podem ser causados por traumatismos na região pélvica e pelo refluxo da urina da uretra para o epidídimo. Além disso, ocorrem por torção do testículo ou por alterações anatômicas no sistema genital e trato urinário do menino.

    Em algumas circunstâncias, a epididimite pode ser uma condição sem origem definida. No entanto, a principal causa ainda são as doenças sexualmente transmissíveis. Confira abaixo a lista dos principais motivos do surgimento da doença:

    • Bactérias não transmitidas sexualmente como Escherichia coli, presentes no trato 

                urinário ou na próstata (maior vulnerabilidade em crianças e idosos);

    • Epididimite química: Refluxo de urina no epidídimo causado por esforços físicos intensos;
    • Estreitamento da uretra (estenose) e hiperplasia benigna da próstata: Obstrução da saída de urina e facilitação do refluxo;
    • Uso de medicamentos como amiodarona: O uso do medicamento para controle da arritmia cardíaca pode causar inflamação no epidídimo como efeito colateral raro; 
    • Traumas na região da virilha: Comuns em exercícios físicos intensos;
    • Procedimentos cirúrgicos no trato urinário: Vasectomia, uso de cateteres ou sondas urinárias;

    Diagnóstico da epididimite

    O diagnóstico inicial da epididimite é realizado com base no exame físico, durante o qual o médico pode identificar dor, inchaço e outras alterações na região escrotal. No entanto, em alguns casos, os achados clínicos não são suficientes para chegar a um diagnóstico definitivo.

    Assim, para diferenciar a epididimite de outras doenças com sintomas semelhantes como a torção testicular, hérnia inguinal ou tumores, são solicitados testes laboratoriais e de imagem.

    Nesse sentido, para confirmar o diagnóstico são pedidos exames como hemograma completo, de urina, urocultura e, em alguns casos, espermograma. Além disso, ultrassonografia com doppler e ecografia escrotal, são fundamentais para avaliar o fluxo sanguíneo no escroto e identificar abscessos, cistos ou outras alterações nos testículos. Em casos mais complexos, podem ser solicitadas  tomografia computadorizada e ressonância magnética  para fornecer imagens detalhadas da área afetada. 

    Tratamentos para epididimite

    O tratamento da epididimite tem como principal objetivo o alívio dos sintomas e o controle da inflamação. A epididimite bacteriana geralmente é tratada com antibióticos para combater as bactérias sexualmente transmissíveis (clamídia e gonorreia) ou aquelas que causam infecções urinárias. Assim, o tratamento com antibióticos deve ser seguido rigorosamente pelo período prescrito pelo médico, para garantir a eliminação total da infecção.

    Além disso, existem cuidados para acelerar a recuperação e melhorar o bem-estar do paciente. Desta forma,o médico pode indicar o uso de  analgésicos e anti-inflamatórios não esteroidais para aliviar a dor e a inflamação. Vale lembrar que  repouso é uma parte essencial do tratamento. Para isso, o paciente deve evitar atividades extenuantes e manter o escroto elevado com suporte adequado. Da mesma forma, a aplicação de compressas frias pode ajudar a reduzir o inchaço e proporcionar alívio da dor. 

    Nos casos mais graves, a epididimite pode levar à formação de abscessos no epidídimo, que consistem em acúmulos de pus resultantes da infecção. Quando isso ocorre, a drenagem cirúrgica é necessária para evitar complicações como a necrose do tecido ou a disseminação da infecção. Em casos raros, onde há dano grave aos testículos ou epidídimo, pode ser necessária a remoção cirúrgica da área afetada (epididimectomia). A cirurgia também pode ser indicada em casos onde o tratamento conservador não é eficaz.

    Prevenção e cuidados com a epididimite

    O principal fator de risco para o surgimento da epididimite aguda é a prática de relações sexuais desprotegidas, isto é, sem o uso de preservativos. Além disso,  deve-se considerar como fatores de risco também a ausência de vacinação contra doenças como caxumba e herpes. Da mesma forma, não ser circuncidado, alterações anatômicas nas vias genitais e urinárias e hábitos que envolvem longos períodos sentado ou pedalando também podem desencadear a doença.

    Sabendo disso, prevenir a epididimite envolve práticas de sexo seguro, como o uso regular de preservativos, além de uma boa higiene pessoal diária. Manter os órgãos genitais limpos e secos também reduz o risco de infecções. Outro aspecto importante é tratar rapidamente infecções urinárias e sexualmente transmissíveis para evitar que evoluam para complicações no sistema reprodutor. 

    Existem algumas medidas que podem ajudar a manter a saúde em dia e reduzir o risco de complicações. Confira:

    • Usar preservativos durante as relações sexuais para prevenir ISTs;
    • Vacinar-se contra doenças que podem afetar o sistema reprodutor, como caxumba e HPV;
    • Manter uma boa higiene genital;
    • Evitar longos períodos de imobilidade ou de pressão contínua sobre a região genital, como ao pedalar;
    • Consultar regularmente um médico, especialmente se houver histórico pessoal ou familiar de doenças reprodutivas;
    • Procurar assistência médica ao notar sintomas como dor, inchaço ou secreções incomuns na região genital.

    Complicações possíveis da epididimite

    A epididimite é uma doença relativamente comum que afeta o sistema reprodutor masculino. Porém, se não tratada, podem ocorrer complicações como o surgimento de abscessos que exigem intervenção cirúrgica ou até levar à infertilidade masculina.

    Além disso, o encolhimento do testículo, a formação de cistos e a necrose de tecidos são outras complicações possíveis da doença.

    Por esta razão, é fundamental estar atento a sinais como dor intensa e contínua nos testículos, inchaço no escroto, febre alta, calafrios persistentes e secreção. Caso algum desses sintomas apareçam, é preciso procurar ajuda médica de urgência. O acompanhamento com especialista é crucial para garantir que a epididimite esteja sendo tratada de forma eficaz e que quaisquer complicações sejam prevenidas ou identificadas precocemente.

    Sendo assim, mesmo após o alívio dos sintomas, é recomendado continuar o acompanhamento para garantir que a infecção tenha sido completamente eliminada. Desta forma, é possível monitorar a recuperação do sistema reprodutor, prevenindo sequelas a longo prazo, como a infertilidade.

    Conclusão

    Como já vimos, a epididimite é uma inflamação do epidídimo, uma estrutura localizada na parte posterior do testículo que armazena e transporta espermatozoides. Ela é mais comum em homens entre 20 e 35 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade. As causas principais incluem infecções bacterianas, especialmente aquelas transmitidas sexualmente, como a clamídia e a gonorreia, além de infecções urinárias e traumatismos.

    Entre os principais sintomas estão:

    • Dor e inchaço no escroto (parte inferior do abdômen);
    • Sensação de peso ou desconforto nos testículos;
    • Febre e calafrios;
    • Ardência ao urinar;
    • Presença de sangue no sêmen;
    • Secreção anormal do pênis.

    O tratamento geralmente envolve o uso de antibióticos, repouso, elevação do escroto e compressas frias para aliviar o inchaço. Em casos mais graves, pode ser necessária cirurgia.

    Sendo assim, ao notar qualquer sintoma de epididimite, é essencial procurar orientação médica imediatamente. O tratamento precoce evita complicações como a disseminação da infecção para os testículos (orquite), a infertilidade ou abscessos no escroto. Desta forma, o diagnóstico correto e o manejo adequado garantem uma recuperação eficaz e a preservação da saúde reprodutiva.

    Fale com nossos especialistas para obter um parecer preciso e o tratamento adequado para a epididimite.

  • Hidrocele: o que é, sintomas e tratamentos

    A hidrocele é uma condição que afeta muitos homens e bebês, causando inchaço nos testículos devido ao acúmulo de líquido. Compreender essa condição é essencial para buscar o tratamento adequado e evitar complicações.

    No texto a seguir vamos abordar em detalhes este tema esclarecendo o que é a Hidrocele, suas causas, sintomas, diagnóstico e tratamentos. Além disso, você vai saber também se a hidrocele pode levar a problemas de infertilidade. Boa leitura!

    O que é hidrocele?

    A hidrocele é uma situação que acomete apenas pessoas do sexo masculino caracterizada pela presença de líquido em quantidades anormais na região escrotal. Esse acúmulo de líquido na membrana que reveste o testículo pode acontecer unilateral ou bilateralmente causando inchaço e desconforto devido ao aumento de volume no escroto.

    Também chamada de hidrocele testicular, a hidrocele é comum em  bebês recém-nascidos, sendo muitas vezes um problema temporário que desaparece  sozinho. Além disso, a doença também se manifesta em jovens e adultos, e dependendo do caso, pode necessitar de tratamento médico.

    Hidrocele e varicocele 

    Embora muitas pessoas confundam hidrocele com varicocele, essas são duas doenças bem distintas. Nesse sentido,  a hidrocele é um acúmulo de líquido dentro do saco que envolve o testículo, sendo um problema benigno. 

    Já a  varicocele consiste na dilatação anormal das veias dentro do escroto, que é a bolsa abaixo do pênis onde encontram-se os testículos. Também conhecida como varizes do saco escrotal, a varicocele é a principal causa da infertilidade masculina, respondendo cerca de 40% dos casos nos casais que desejam engravidar.

    Causas da hidrocele

    As causas da hidrocele variam entre bebês e adultos. Nesse sentido, em recém-nascidos  é geralmente causada por uma abertura entre a cavidade abdominal e o escroto permitindo a passagem de líquido de um para o outro, é o trajeto pelo qual o testículo chega na bolsa escrotal.

    Já em adultos, a hidrocele pode ser resultado de lesões, traumas, inflamações, 

    infecções como as Sexualmente Transmissíveis (ISTs) ou ainda por tumores testiculares.

    Sintomas da hidrocele

    Um dos principais sintomas da hidrocele é o inchaço no escroto, que pode ocorrer em um ou ambos os lados. Embora geralmente seja indolor, muitos pacientes relatam desconforto devido ao aumento de volume.

    Além disso, o acúmulo de líquido ao redor dos testículos também tende a causar uma sensação de peso ou pressão, levando alguns indivíduos a buscar tratamento médico para alívio.

    Diagnóstico de hidrocele

    O diagnóstico de hidrocele é feito pelo urologista através de exame físico, avaliação dos sintomas e do histórico da saúde do paciente. 

    Nesse sentido,  além da palpação dos testículos, o médico realiza também a  transiluminação testicular. Este exame consiste em iluminar o testículo com uma luz forte o que permite observar a presença ou ausência de líquido na bolsa escrotal. Desta forma, é possível diferenciar a hidrocele de outras condições como hérnia inguino-escrotal,  hematocele ou massas escrotais sólidas.

    Além disso,  exames de imagem como ultrassonografia também são utilizados para verificar  se há a presença de líquido ao redor do testículo confirmando o diagnóstico de hidrocele.

    Tratamentos para hidrocele

    O tratamento da hidrocele vai depender da sua causa,  gravidade e da idade do paciente. Normalmente, nos casos congênitos que acometem os recém nascidos, o quadro tende a se resolver espontaneamente até a criança completar 1 ano. 

    Já nos adultos, de acordo com o quadro do paciente, pode  ser necessária intervenção cirúrgica. 

    Vejas os possíveis tratamentos para hidrocele:

    Observação

    Em muitos casos, especialmente em recém-nascidos, a hidrocele desaparece sozinha, assim, a recomendação é observar por alguns meses. Já nos adultos, pode ser indicado acompanhamento médico por cerca de 6 meses para ver se o líquido é reabsorvido espontaneamente a depender da causa da hidrocele ou se será necessária alguma intervenção.

    Aspiração 

    Quando o líquido da hidrocele não desaparece naturalmente e causa muito desconforto, é possível ser removido por aspiração. Desta forma, a retirada do líquido acumulado no escroto  é feito por meio de uma agulha, sob anestesia local. No entanto, esse método é geralmente temporário, pois o líquido tende a se acumular novamente.

    Cirurgia

    Quando a hidrocele aumenta progressivamente com o tempo e causa muito desconforto, pode ser indicado fazer uma pequena cirurgia. Chamada de hidrocelectomia, o procedimento simples, realizado sob anestesia, remove total ou parcialmente a membrana que recobre o testículo. 

    Complicações da hidrocele

    Não são muito comuns complicações relacionadas a hidrocele, entretanto, após o tratamento cirúrgico podem surgir hematomas, abscessos e lesões nas estruturas ao redor do escroto.

    Já no caso da aspiração, as complicações mais comuns incluem infecção, formação de fibrose e dor leve a moderada no local.

    Mas é importante alertar que  a hidrocele costuma ocorrer de forma conjunta com outros problemas como inflamações, traumatismos e lesões na região escrotal. Desta forma, é fundamental procurar um especialista assim que os sintomas forem percebidos.

    Hidrocele causa infertilidade?

    Como vimos, a hidrocele é uma condição que afeta a região testicular, mas mesmo assim, geralmente ela não causa  infertilidade ou problemas de ereção. Entretanto, é importante ressaltar que a hidrocele pode ser consequência de outras doenças que tragam danos à fertilidade.

    Desta forma, é sempre importante investigar o que levou a esta condição possibilitando as eventuais causas ou doenças para que possam ser tratadas. 

    Conclusão

    A hidrocele é uma condição comum que pode afetar homens e bebês, mas com o diagnóstico e tratamento corretos, é possível resolver a situação de forma eficaz. Procure orientação médica ao notar sintomas para garantir o melhor cuidado.

    • A hidrocele é uma condição que pode afetar bebês e adultos, caracterizada pelo acúmulo anormal de líquido na região escrotal causando inchaço e desconforto. Esta situação pode ocorrer em apenas um lado ou em ambos.

    • Em em recém-nascidos, a hidrocele costuma  se resolver por conta própria. Em jovens e adultos, entretanto, o problema pode persistir e necessitar de intervenção médica, especialmente se for resultado de lesões, infecções ou outras condições subjacentes.

    • O diagnóstico de hidrocele é realizado por um urologista através de exame físico, avaliação dos sintomas e exames de imagem, como ultrassonografia. 

    • O tratamento varia conforme a gravidade e a causa, podendo incluir observação, aspiração do líquido ou cirurgia. 

    • Apesar de geralmente não causar infertilidade, é importante  investigar a causa subjacente da hidrocele para tratar quaisquer condições que possam afetar a fertilidade. 

    • A consulta com um especialista é essencial ao perceber os sintomas, para um diagnóstico e tratamento adequados.

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  • Cromossomos: fundamentos e impacto na fertilidade

    Você sabia que os cromossomos são fundamentais para a existência dos seres vivos? Eles estão no núcleo das nossas células e são responsáveis pelo processo da divisão celular do organismo e da hereditariedade humana. No entanto, mutações nessas estruturas podem causar infertilidade através de abortos de repetição ou resultar em doenças genéticas no bebê.

    No texto a seguir, vamos entender o que são cromossomos, sua função e como as técnicas de reprodução assistida ajudam casais a ter bebês saudáveis e sem alterações cromossômicas. Confira!

    O que são cromossomos?

    Os cromossomos, do grego antigo “chroma” (cor) e “soma” (corpo),  são estruturas espiraladas presentes no núcleo das células. Cada cromossomo é constituído de uma longa fita que possui milhares de genes organizados em uma sequência específica, carregando o material genético do ser vivo. 

    Assim, cada par de cromossomos é diferente dos outros e contém distintos conjuntos de genes. Nesse sentido, os cromossomosos são importantes para a determinação do sexo e da herança genética.

    Vale lembrar que o ser humano possui 46 cromossomos: 23  herdados da mãe e 23 do pai. Dos 23 pares de cromossomos, 22 são considerados autossômicos e dois cromossomos são sexuais. Deste modo, um par de cromossomos está relacionado com a determinação do sexo biológico masculino e feminino. Portanto, homens apresentam cromossomos sexuais XY, enquanto as mulheres, XX.

    Em relação a sua estrutura, os cromossomos possuem um estrangulamento chamado de centrômero, que podem estar em diferentes posições:

    • Metacêntrico: centrômero no meio do cromossomo.
    • Submetacêntrico: centrômero um pouco afastado do meio.
    • Acrocêntrico: centrômero perto de uma das extremidades.
    • Telocêntrico: centrômero em uma das extremidades.

    As extremidades dos cromossomos têm regiões chamadas telômeros, que são feitas de DNA repetitivo. Estes protegem os cromossomos e ajudam na duplicação correta do DNA.

    Entenda melhor o que é DNA e gene

    É impossível falar em cromossomos sem mencionar palavras como DNA e gene. Por esta razão explicamos mais detalhadamente o que significa cada uma. 

    DNA 

    Como já vimos, os cromossomos são formados pelo DNA (Ácido Desoxirribonucleico). Ou seja, é formado por uma molécula presente no núcleo das células dos seres vivos que carrega toda a informação genética de um organismo. Nesse sentido, é constituído por uma fita dupla em forma de espiral (dupla hélice), composta por nucleotídeos que estão relacionados diretamente com as características físicas e fisiológicas do nosso corpo. 

    Por esta razão, o DNA tem papel fundamental na hereditariedade, sendo considerado o portador da mensagem genética. Ali estão codificadas todas as características de um ser vivo, únicas em cada indivíduo. Trabalhando para armazenar e transmitir informações genéticas.

    Através deste ácido nucleico, é possível realizar testes que indicam a paternidade, detectar doenças antes mesmo de se manifestarem, descobrir a identidade de pessoas e até mesmo contribuir para solucionar crimes.

    Além disso, o DNA também é o responsável pelo controle e comando das funções celulares. Ou seja, cada indivíduo possui diversas moléculas, como proteínas, que regulam, desencadeiam, impedem ou intermediam reações para o bom funcionamento do organismo. 

    Nesse sentido, é possível caracterizar o DNA como uma estrutura que contém informações codificadas que regem os processos vitais das células, tais como:

    • Produção de macromoléculas; 
    • Controle dos processos de divisão; 
    • Diferenciação dos indivíduos.

    É importante mencionar ainda que a ciência consegue também controlar a síntese do DNA de algumas substâncias usando técnicas de engenharia genética. Nesse sentido, é possível colocar genes de uma célula em outra através da técnica do DNA recombinante, e a partir daí, produzir transgênicos, vacinas e medicamentos.

    Portanto, compreender o DNA, bem como sua estrutura, nos permite entender os processos que garantem a transferência de informação genética entre os indivíduos e demais seres vivos.

    Genes

    É um segmento de uma molécula de DNA responsável pelas características herdadas geneticamente. 

    Os genes são unidades de informação hereditária que fazem parte do DNA, que por sua vez formam os cromossomos. Ou seja, o gene é a unidade fundamental da hereditariedade, pois eles são os responsáveis por determinar tanto as características próprias da espécie humana, quanto às características próprias de cada indivíduo.

    É importante salientar que todas as células de um corpo possuem os mesmos genes. Entretanto, em algumas células, um tipo de gene é ativado e outro é desativado, garantindo, assim, a diferenciação das células. Além disso, em alguns casos, o gene fica ativado a todo o momento, pois são fundamentais para a realização de atividades básicas da célula. Nesse sentido, os genes especificam as sequências de aminoácidos que atuam na estrutura e nas funções metabólicas das células e, consequentemente, no funcionamento de todo o organismo.

    Cromossomos e infertilidade: conexões genéticas 

    Como já foi falado, o ser humano possui 23 pares de cromossomos, totalizando 46. Entre esses, 22 pares são autossômicos e um é sexual, determinando o sexo biológico de cada pessoa. No entanto, alterações no número ou na estrutura desses cromossomos podem causar problemas genéticos, resultando muitas vezes em dificuldades na fertilidade.

    Desta forma, as desordens cromossômicas são uma das principais causas de infertilidade tanto em homens quanto em mulheres. Uma dessas mutações é a Síndrome de Klinefelter, que afeta apenas o sexo masculino. Os indivíduos com esta síndrome possuem um cromossomo X adicional (47, XXY), impactando diretamente na fertilidade. Assim, quem tem essa anomalia possui testículos menores, baixa produção de testosterona e, frequentemente, infertilidade. Além disso, existem outros sintomas como desenvolvimento mamário, baixa massa muscular e dificuldades de aprendizado.

    Já a Síndrome de Turner é uma alteração cromossômica importante que afeta apenas pessoas do sexo feminino. Mulheres com essa síndrome têm apenas um cromossomo X (45, X) em vez de dois. Deste modo, quem possui a doença tem baixa estatura, insuficiência ovariana precoce e, muitas vezes, infertilidade. Isso porque a falta de um cromossomo X prejudica a produção de hormônios sexuais femininos, impactando na ovulação e na ausência da menstruação. Outras anomalias cromossômicas podem também influenciar a fertilidade. Assim, translocações cromossômicas, onde partes de cromossomos trocam de lugar resultam em abortos espontâneo. Além disso, a presença de um cromossomo extra (trissomia) ou a ausência de um cromossomo (monossomia) em embriões podem levar a falhas na implantação ou a perdas gestacionais precoces.

    Diagnóstico e tratamento de anormalidades cromossômicas 

    O diagnóstico de anormalidades cromossômicas é fundamental para identificar e tratar problemas de fertilidade. Desta forma, entre as tecnologias mais utilizadas, está o teste de compatibilidade genética. Este exame analisa o material genético dos indivíduos para detectar possíveis desordens cromossômicas. 

    Portanto, o teste permite identificar nos futuros pais a presença de genes causadores de doenças monogênicas recessivas que poderão ser repassadas aos seus filhos. Os portadores geralmente são pessoas saudáveis, mas quando ambos os pais apresentam uma mutação no mesmo gene, podem ter um filho com uma determinada doença.

    Sendo assim, quando o casal testa positivo para alguma mutação genética, podemos dizer que há uma incompatibilidade genética. Ou seja, possui um risco elevado de transmitir uma doença de herança autossômica recessiva aos seus descendentes.

    Atualmente, através deste teste é possível detectar até 600 doenças raras. Apesar do exame não indicar uma cura para as mutações encontradas, é importante para prevenir certas patologias.

    Isso porque através de um exame que pode acontecer em conjunto com a técnica de Fertilização in Vitro (FIV) é possível identificar quais embriões não possuem as mutações encontradas nos pais. Dessa forma, evita-se que doenças recessivas passem para as próximas gerações. Assim, o risco de incidência de doenças raras pode ter redução de 1 a cada 100 pessoas para aproximadamente 1 em cada 30.000 pessoas. 

    Como é feito o exame de compatibilidade genética

    O exame é feito a partir da coleta de sangue do casal, no qual se analisa o material genético de cada um através do sequenciamento do DNA das células.

    Desta forma, o teste pode identificar muitas doenças, verificando milhares de mutações nos genes de ambos, ou até mesmo nos genes de doadores de óvulos ou de sêmen.

    Essas informações das sequências de DNA do casal são então cruzadas a fim de verificar a possibilidade de transmissão de alguma doença monogênica recessiva. 

    O papel da embriologia e genética na reprodução assistida 

    Os embriologistas desempenham um papel crucial na reprodução assistida, utilizando conhecimento para aumentar as taxas de sucesso nos tratamentos. Assim, através de técnicas avançadas de análises, os especialistas conseguem identificar anomalias cromossômicas e selecionar apenas os embriões saudáveis para a transferência ao útero. 

    Entre esses avanços está o exame genético pré-implantacional (PGT) e o timelapse (aparelho de inteligência artificial utilizado nos melhores laboratórios de embriologia do país).

    Através de uma biópsia embrionária, o exame PGT detecta alterações cromossômicas antes da transferência embrionária ao útero materno. Já o aparelho de última geração timelapse monitora, em laboratório, o desenvolvimento dos embriões em tempo real. Essas ferramentas permitem aos embriologistas otimizar a reprodução assistida, melhorando os resultados e garantindo embriões mais viáveis para a implantação.

    Histórias de sucesso: superando a infertilidade com ajuda genética

    Sem dúvida alguma o avanço da medicina tem trazido alento a muitos casais que enfrentam problemas para engravidar. Através da ajuda genética e de tratamentos de reprodução assistida há várias histórias de sucesso que são inspiradoras para casais que tentam superar a infertilidade. 

    Um exemplo é o caso de um casal que tentou por anos engravidar sem sucesso. Após análises detalhadas, descobriram uma translocação cromossômica que impedia a fecundação.

    Com o diagnóstico correto, eles passaram por fertilização in vitro (FIV) e depois pelo exame genético pré-implantacional (PGT).  A técnica permitiu a seleção de embriões saudáveis, livres da anomalia. Finalmente, após anos de tentativas frustradas, o casal conseguiu engravidar com o nascimento de um bebê saudável.

    Outra situação é de uma mulher que sofria com abortos espontâneos recorrentes. Exames revelaram uma síndrome de Klinefelter no marido, impactando a qualidade do esperma. Assim, o especialista optou por utilizar técnicas de reprodução assistida com seleção espermática avançada. Com isso, conseguiram coletar espermatozoides viáveis do pai para fertilizar os óvulos da mãe. O casal engravidou e teve gêmeos saudáveis.

    Essas duas histórias são apenas alguns exemplos da importância da genética na reprodução assistida. E embriologistas, com seu conhecimento sobre cromossomos aliado à tecnologia, desempenham papel vital nesse processo. Nesse sentido, a capacidade de identificar e tratar problemas cromossômicos, sem dúvida alguma, ajuda a superar barreiras e a criar novas famílias.

    Quer entender melhor como problemas cromossômicos podem afetar suas chances de ter filhos? Baixe nosso  o ebook “Reprodução Assistida: os tratamentos que geram novas possibilidades para a vida” e descubra as opções de tratamento disponíveis.

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  • Ovodoação: entenda as possibilidades

    No texto a seguir abordamos os aspectos da ovodoação, técnica de alta complexidade da medicina reprodutiva  que vem se tornando cada dia mais conhecida. Isto se dá pois a ovodoação ultrapassa barreiras, possibilitando que pessoas em diferentes configurações familiares possam ter filhos. Desta forma, mulheres com infertilidade, casais homoafetivos masculinos e pais solos, encontram na doação de óvulos uma chance de ter um bebê.

    No texto a seguir mostramos como esse tratamento acontece e os fatores que devem ser considerados por quem decide embarcar nessa linda jornada. 

    Boa leitura!

    O que é ovodoação?

    A ovodoação é um tratamento de reprodução assistida que beneficia principalmente mulheres que enfrentam dificuldades para engravidar com seus próprios óvulos.  Assim, essa técnica permite que mulheres com insuficiência ovariana severa, com falência ovariana, menopausa precoce, que passaram por tratamento oncológicos, entre outros, realizem o sonho de ter filhos.

    Além disso, a ovodoação é uma alternativa valiosa para casais com alterações genéticas, produções independentes e casais homoafetivos masculinos que desejam formar suas famílias. Nestes dois últimos casos, além da doação de gametas femininos, será necessário ainda contar com a ajuda de um útero solidário.

    Nesse processo, uma mulher (doadora) cede seus óvulos para que outra (receptora) os utilize na tentativa de engravidar. Isso é possível através da Fertilização In Vitro, em que a fecundação do óvulo da doadora ocorre em laboratório, utilizando o espermatozoide do parceiro da receptora. Em alguns casos, podem ser usados gametas masculinos de um banco de esperma. Desta forma, o  embrião resultante da fecundação é então transferido para o útero da receptora, onde será gestado.

    Prós da ovodoação

    Como vimos, a ovodoação é um tratamento capaz de ultrapassar diversas barreiras, e assim, ajudar pessoas com diferentes dificuldades para engravidar. Nesse sentido, a ovodoação aumenta significativamente as chances de sucesso em tratamentos de Fertilização In Vitro (FIV), especialmente quando os óvulos doados são de mulheres jovens e saudáveis. 

    Também na ovodoação há a possibilidade de realizar teste genético no embrião quando indicado. No tratamento com óvulos doados, o embrião é formado em laboratório, o que permite a realização de exames para identificar alterações cromossômicas e doenças genéticas antes da transferência para o útero.

    Além disso, se por um lado a doação de óvulos é muito favorável para quem recebe os gametas, por outro também beneficia quem doa. Isso porque no caso de ovodoação compartilhada, a doadora, além de dividir seus óvulos com a receptora, divide também os custos do tratamento. 

    Desta forma, além da satisfação pessoal de estar ajudando uma pessoa ou casal a formar sua família, ainda torna o tratamento mais acessível para ambas as partes. 

    Maior taxa de sucesso

    As taxas de sucesso da FIV com ovodoação dependem de alguns fatores como a receptividade endometrial da receptora, e principalmente a idade da mulher ao doar os óvulos. 

    Portanto, na ovodoação, o importante é a idade do óvulo (doadora) e não do útero (receptora), o que aumenta as chances de gravidez.  Assim,  como existem critérios na escolha das doadoras, que incluem mulheres com menos de 35 anos, as chances de gestação com óvulos doados são de 50 a 60%.

    Ajuda a realizar o sonho de ser mãe

    A doação de óvulos é uma decisão solidária que tem como objetivo ajudar outras pessoas a terem seus filhos. Nesse sentido, existem dois tipos de ovodoação:

    Ovodoação altruísta

    A ovodoação voluntária se dá quando a doação dos óvulos é feita por uma mulher fértil de até 35 anos e com único objetivo de ajudar pessoas com dificuldades para ter filhos. Dessa forma, a doadora se submete a um processo de estimulação ovariana e coleta dos óvulos. 

    Ovodoação compartilhada

    A ovodoação compartilhada ocorre quando uma mulher, que está em tratamento de reprodução assistida, divide seus óvulos coletados com outra paciente que também passa pelo processo de FIV. Ou seja, a doadora utiliza parte dos seus óvulos e doa outra parte para a mulher receptora.

    Nesse caso, além dos gametas, elas compartilham também os custos do tratamento. Vale ressaltar que tudo ocorre de forma anônima e por intermédio da clínica.

    Veja alguns casos quando a ovodoação é indicada:

    Contribuição para a ciência e outras famílias

    A doação de óvulos representa um grande avanço da ciência, sendo um pilar importante na pesquisa e desenvolvimento de novas técnicas de reprodução assistida. Assim, o aprimoramento da medicina reprodutiva acarreta melhora das taxas de sucesso das FIVs, e contribui para a descoberta de novos tratamentos eficazes e seguros. 

    Hoje a ovodoação já ajuda milhares de pessoas impossibilitadas de gerar um embrião com seus gametas a formarem suas famílias. Por conseguinte, ainda que uma mulher não consiga engravidar com seus óvulos, ela pode gestar seu filho e ter a vivência da gravidez. 

    Portanto,  a ovodoação é um passo gigante no leque de possibilidades da medicina reprodutiva na busca pela realização do sonho de ter filhos.

    Contras da ovodoação

    Como já foi dito, a ovodoação é uma alternativa promissora para mulheres que enfrentam dificuldades para engravidar com seus próprios gametas. Além disso, a técnica permite também que casais homoafetivos masculinos e pais solos tenham filhos.

    Aspectos emocionais e psicológicos

    Outro aspecto a se considerar é um possível impacto emocional, tanto para a doadora quanto para a receptora dos óvulos. 

    Nesse sentido, quem doa seus óvulos pode ter um sentimento de perda ou arrependimento em ter doado seus gametas que carregam sua genética.

    Já para a receptora, pode surgir a preocupação com a falta de vínculo genético com o futuro filho, o que gera inseguranças e dúvidas sobre a maternidade. Entretanto, estudos  demonstram que a epigenética e o ambiente de criação têm papéis fundamentais na herança, nos comportamentos e nos vínculos que se formam.

    Desta maneira, a epigenética pode interferir na forma como o DNA vai funcionar,  agindo na expressão dos genes. Portanto, apesar do embrião carregar a herança genética do óvulo doado e do espermatozoide usado na Fertilização in Vitro (FIV), ele pode sofrer influências além da genética.

    Inclusive o ambiente intrauterino pode promover essas modificações epigenéticas. Com isso, mães que passaram por ovodoação tendem a deixar marcas únicas e duradouras no bebê que gestam. 

    Essas mudanças podem se manifestar de diversas formas, como no comportamento social, no QI e até mesmo no padrão alimentar dos indivíduos.

    Riscos e complicações

    Riscos-e-complicacoes

    É importante esclarecer que a ovodoação, assim como o congelamento de óvulos e demais tratamentos de reprodução humana, é segura quando realizada por profissionais qualificados. Entretanto, alguns procedimentos  médicos podem causar efeitos colaterais ou riscos associados aos próprios tratamentos.

    Neste caso, para doadora, que passa por estimulação ovariana através de hormônios, é comum haver inchaço abdominal, alterações de humor e dores de cabeça. Além disso, embora rara, outra complicação decorrente dos indutores de ovulação usados para aumentar os números óvulos é a síndrome do hiperestimulação ovariana (SHO).  

    Ainda que minimamente também podem ocorrer infecções, sangramentos ou complicações anestésica decorrente da coleta dos óvulos. 

    Já para as receptoras, os possíveis riscos são os mesmos de qualquer gestação como aborto espontâneo,  hipertensão,  diabetes gestacional, parto prematuro, entre outros.

    Aspectos éticos e legais

    Quando falamos sobre ovodoação é comum surgirem dúvidas sobre questões éticas e legais que envolvem essa técnica de reprodução assistida.  Neste sentido, é importante saber que em muitos países a doação de óvulos segue regulamentações rígidas que definem os limites deste tratamento. 

    No Brasil, a ovodoação é protegida por normativas como a Resolução – RDC N° 771/2022 da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

    Além disso, as regras tratamentos da reprodução humana também estão definidas na Resolução nº 2.320/22, do Conselho Federal de Medicina (CFM), publicada em 2022.

    Conheça as regras para ovodoação no Brasil:

    1. A doação não poderá ter caráter lucrativo ou comercial;

    1. Os doadores não devem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa, a não ser nos casos de doações de parentes até 4° grau de parentesco, contanto que não ocorra consanguinidade; 

    1. A idade limite para a doação de gametas é de 37 anos para a mulher e de 45 anos para o homem;

    1. No caso das doações anônimas, mantém-se, obrigatoriamente, sigilo sobre a identidade dos doadores de gametas e embriões, bem como dos receptores. Em situações especiais como motivação médica, informações sobre os doadores podem ser fornecidas exclusivamente para médicos, resguardando-se a identidade civil do(a) doador(a); 

    1. A escolha das doadoras de oócitos é de responsabilidade do médico assistente. Dentro do possível, deverá garantir que a doadora tenha a maior semelhança fenotípica com a receptora;

    1. Permite-se a doação voluntária de gametas, bem como a doação compartilhada de oócitos em RA, quando a doadora e receptora participam de tratamento de medicina reprodutiva. Desta forma, compartilham tanto do material biológico quanto dos custos financeiros que envolvem os tratamentos, sendo que a doadora tem preferência sobre o material biológico;

    1. Doação entre parentes.

    Processo de ovodoação

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    A ovodoação é um tratamento  que envolve várias etapas. Assim, compreende estímulo ovariano e punção de gametas da doadora, coleta dos espermatozoides (sêmen), fecundação in vitro, preparo do útero da receptora para transferência do embrião.  

    Para que o tratamento tenha sucesso, é preciso que cada etapa seja  acompanhada de perto por especialistas em reprodução humana. 

    Como funciona a ovodoação?

    Etapas da ovodoação:

    • Estimulação ovariana: essa é a primeira etapa do processo e consiste em administração medicamentosa, por cerca de 10 dias, para estimular que os folículos se desenvolvam. Essa quantidade pode variar muito de mulher para mulher, de acordo com a sua reserva ovariana; 

    • Controle da ovulação por ultrassonografia: durante a estimulação acompanha-se, o crescimento dos folículos por ultrassonografia. Quando atingem um certo tamanho, administra-se na doadora o hormônio hCG, ou análogo do GnRH. Sua função é provocar o amadurecimento dos óvulos de dentro dos folículos;

    • Punção folicular: cerca de 36 horas após a administração do hCG, ou análogo do GnRH, acontece a aspiração do conteúdo existente dentro de cada folículo, no qual ficam os óvulos. Esse procedimento é guiado por ultrassom e com uma agulha acoplada no aparelho ocorre a aspiração de todos os folículos que se desenvolvem durante a estimulação ovariana de forma indolor, pois a paciente é anestesiada;

    • Congelamento dos óvulos: após a coleta, pode-se manter os óvulos podem ficar criopreservados por tempo indeterminado.

    No caso de ovodoação compartilhada, quando já existe uma receptora selecionada, no momento em que se coleta os óvulos da doadora, coleta-se também os espermatozoides do marido da receptora. Assim, os embriologistas podem começar o processo de Fertilização In Vitro, unindo os dois gametas em laboratório para formar embriões. 

    Após alguns dias em cultivo, ocorre a transferência dos embriões para o útero da futura mãe. O mesmo pode acontecer utilizando espermatozoides doados.

    A paciente receptora passa pelo preparo do endométrio, através de administração medicamentosa, realizando controle por meio de ultrassonografias. 

    Após a avaliação do exame de imagem, o médico poderá realizar a transferência do embrião ao útero.

    Considerações Finais

    A ovodoação é um tratamento de reprodução assistida que ajuda mulheres com dificuldades para engravidar com seus próprios óvulos. Assim, beneficia especialmente aquelas com falência ovariana, menopausa precoce, ou que passaram por tratamentos oncológicos. Além disso, também é uma solução para casais com alterações genéticas, produções independentes e casais homoafetivos masculinos que desejam filhos. 

    O tratamento envolve uma mulher doadora que cede seus óvulos para outra mulher receptora.  Desta forma, a fertilização ocorre em laboratório usando espermatozoide do parceiro da receptora ou de banco de sêmen. Depois,  o embrião resultante da Fertilização in vitro (FIV)  é transferido ao útero da receptora onde será gestado. 

    Nesse sentido, um dos principais benefícios da ovodoação é que  aumenta significativamente as chances de sucesso em tratamentos de FIV, especialmente com óvulos de mulheres jovens e saudáveis. Nestes casos, as taxas de gravidez chegam a  50-60%. Por outro lado, os custos elevados e possíveis impactos emocionais, tanto para doadoras quanto para receptoras, são alguns “contras” da doação de óvulos.

    De qualquer forma, seja altruísta ou compartilhada, a ovodoação tem ajudado a formar milhares de novas famílias ao redor do mundo.

    Após a leitura, recomendamos que você consulte nosso guia completo sobre ovodoação para mais informações detalhadas e apoio profissional.

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  • Para que serve o congelamento de óvulos?

    Você sabe para que serve o congelamento de óvulos? Entende quais os benefícios deste procedimento? No texto a seguir, vamos explicar o que é o congelamento dos óvulos, como este tratamento é realizado e para quem é indicado. Vamos também abordar o passo a passo desta técnica de reprodução assistida capaz de preservar a fertilidade feminina. 

    Boa leitura!

    Para que serve o congelamento de óvulos?

    Representação artística de um processo de fertilização in vitro (FIV). No centro, há um óvulo sendo manipulado por uma micropipeta, que parece estar injetando um espermatozoide diretamente no óvulo.

    O congelamento de óvulos serve para a preservação da fertilidade feminina. Desta forma, mulheres que escolhem adiar a maternidade e pessoas que necessitam de tratamentos oncológicos encontram no congelamento a chance de uma gravidez futura.

    Isto ocorre pois o congelamento de óvulos é um moderno tratamento da reprodução humana capaz de criopreservar os gametas mantendo por tempo indeterminado sua capacidade reprodutiva. Para isso, após serem coletados diretamente dos ovários, os óvulos são congelados através da vitrificação, e ficam mantidos em nitrogênio a −196 graus Celsius. 

    Assim, o congelamento de óvulos serve para driblar o relógio biológico das mulheres que ganham mais tempo para decidirem SE e QUANDO querem se tornar mães. Da mesma forma, pessoas que necessitam de quimioterapia, radioterapia ou cirurgias que afetam a fertilidade tem no congelamento de óvulos  pré-tratamento um importante aliado. 

    Benefícios do congelamento de óvulos 

    Como vimos, o congelamento de óvulos serve para preservar a capacidade reprodutiva da mulher, permitindo que ela ganhe mais tempo e autonomia na decisão da maternidade.   

    Isto se tornou possível especialmente após  2006, quando foi introduzida a técnica da vitrificação no Brasil. A rapidez com que atinge a baixa temperatura de -196°C,  produz um estado vítreo no óvulo que impede a formação de cristais de gelo e danos celulares. Assim, os óvulos congelados permanecem intactos em sua estrutura e funcionalidade com taxa de qualidade e de sobrevivência de 95% após o descongelamento. 

    Desta forma, o congelamento de óvulos oferece benefícios às mulheres que adiam a maternidade e àquelas com histórico familiar de menopausa precoce. Além disso, também ajuda pacientes que passarão por tratamentos de câncer ou cirurgias que podem afetar sua fertilidade.

    Veja alguns benefícios:

    Preservação da fertilidade: 

    O principal benefício do congelamento de óvulos é a possibilidade de preservar a capacidade reprodutiva feminina. Desta forma, ter óvulos jovens e saudáveis congelados melhoram as chances para que as mulheres se tornem mães mais tarde.

    Nesse sentido, o grande aliado é a técnica de fertilização in vitro (FIV) que promove o encontro dos gametas feminino e masculino em laboratório. Desta forma, a fecundação ocorre fora do corpo da mulher e o embrião resultante da fertilização é transferido ao útero onde será gestado. Além disso, os embriões excedentes também poderão ser congelados para uso futuro, ou serem doados.

    Opção para pacientes oncológicos

    O congelamento de óvulos é um importante aliado das mulheres que irão enfrentar tratamentos oncológicos  que podem afetar a capacidade reprodutiva. Assim, pessoas que necessitam de quimioterapia, radioterapia ou alguma cirurgia que prejudique a fertilidade tem no congelamento a oportunidade de talvez ter filhos no futuro.

    Flexibilidade para a hora da maternidade

    Sabemos que a fertilidade feminina vai decaindo com o passar do tempo, principalmente a partir dos 35 anos. Nesse sentido, quanto mais velha for a mulher, menores são as chances de engravidar naturalmente. Entretanto, seja por questões pessoais ou de saúde, muitas pessoas não querem ou não podem ter filhos enquanto são mais jovens.

    Desta forma, a pressão que o relógio biológico impõe às mulheres pode ser driblado com o congelamento de óvulos. Assim, elas ganham tempo e possibilidades para ter filhos biológicos com uma idade mais avançada. Ou seja, a criopreservação reduz o estresse emocional, traz tranquilidade e alívio para as mulheres.

    Possibilidade de seleção genética do embrião: 

    O congelamento de óvulos possibilita a realização de  testes genéticos nos embriões formados a partir da fertilização in vitro (FIV).  Desta forma, diminui o risco de  mulheres que carregam genes para doenças genéticas ou cromossômicas transmitirem essas condições para seus filhos.

    Processo de congelamento de óvulos 

    Representação artística de óvulos em um ambiente microscópico.

    O processo de congelamento de óvulos acontece  em algumas fases e leva em média 15 dias. Nesse sentido, a mulher passa pelas etapas de estimulação ovariana, coleta de óvulos, congelamento e armazenamento dos gametas.

    Veja o que acontece em cada fase do tratamento:

    Estimulação ovariana

    A estimulação ovariana tem como principal objetivo estimular um número maior de óvulos maduros para serem coletados e congelados. Assim, a mulher recebe injeções de hormônios para estimular seus ovários a produzir múltiplos óvulos no mesmo ciclo menstrual e não apenas um, como ocorre naturalmente. Dessa forma, o uso de medicamentos como as gonadotrofinas, promove o amadurecimento de mais óvulos para serem coletados. 

    Monitoramento e controle hormonal

    Durante aproximadamente de 10 a 14 dias, a mulher é monitorada através de exames de ultrassonografias e de sangue.  O objetivo é avaliar o desenvolvimento dos folículos ovarianos e ajustar as doses dos hormônios conforme necessário. 

    Desta forma, quando os folículos atingem um tamanho adequado, uma injeção de hormônio hCG é administrada para induzir a maturação final dos óvulos nos folículos.

    Aspiração e recuperação dos óvulos

    A coleta dos óvulos, ou punção folicular, ocorre cerca de 36 horas após a injeção de hCG. Este procedimento acontece com uma agulha fina acoplada ao ultrassom que é introduzida na vagina da paciente até os ovários para aspirar os folículos. 

    Em seguida, o líquido aspirado é depositado em tubinhos de ensaio, que são avaliados através de um microscópio no laboratório por uma embriologista. Esse procedimento é realizado por sedação, isto é, a paciente recebe uma medicação endovenosa e adormece para realizar o procedimento.

    contêm uma solução nutritiva semelhante à produzida pelas trompas. Este procedimento é realizado sob sedação leve.

    Congelamento e armazenamento 

    Após a coleta, os óvulos são imediatamente levados ao laboratório, onde são avaliados e preparados para o congelamento. O processo acontece pela técnica de vitrificação, que se caracteriza pela rapidez com que atinge baixas temperaturas. Sendo assim, a velocidade da diminuição de temperatura na vitrificação é de – 23ºC por minuto. Ou seja, 70 vezes mais rápido que o processo de congelamento lento. 

    Dessa forma, os óvulos congelados ficam armazenados em um cilindro de nitrogênio líquido e são mantidos a -196ºC. Eles, por sua vez, ficam num estado vítreo, impedindo a formação de cristais de gelo, que danificam as células reprodutoras. 

    Outros processos de congelamento: esperma e embriões.

    Representação artística de óvulos em um ambiente microscópico.

    Agora que já sabemos para que serve o congelamento de óvulos, é importante entender que existe também o congelamento de sêmen e de embriões.  Nesse sentido, o objetivo é o mesmo: preservar a fertilidade de homens e mulheres e  assim ampliar os caminhos e possibilidades para paternidade e maternidade. 

    No caso  do congelamento de sêmen, o processo começa com uma avaliação médica para verificar a saúde reprodutiva do homem, incluindo testes hormonais e  espermograma. Depois disso, o esperma é coletado através de masturbação e preparado para congelamento por vitrificação.  

    Na próxima etapa, o material é armazenado em nitrogênio líquido a 196ºC para ser usado futuramente. Deste modo, quando necessário, o sêmen pode ser descongelado e utilizado em procedimentos de reprodução assistida como Inseminação Artificial (IA)  ou Fertilização in vitro (FIV).

    Já o congelamento de embriões acontece quando em um tratamento de fertilização in vitro  (FIV) se  produzem embriões a mais do que o número que será transferido ao útero. Desta forma, os embriões excedentes são congelados e podem ser aproveitados para uma nova gravidez ou serem doados.

    Decidindo se o congelamento de óvulos é apropriado para você

    Quando a mulher está considerando congelar seus óvulos, é importante conversar com um especialista em reprodução assistida para avaliar se este tratamento é indicado  para ela. Afinal, existem alguns fatores que devem ser considerados e que podem impactar no sucesso do congelamento e de uma gravidez futura.

    Veja alguns fatores a serem considerados para o congelamento de óvulos:

    Idade da mulher

     A idade feminina é um dos fatores mais decisivos para o congelamento de óvulos, pois a qualidade e a quantidade de óvulos decaem com o tempo. Por isso, o indicado é realizar o congelamento em mulheres mais jovens, geralmente antes dos 35 anos.

    Motivação

    É importante que a mulher esteja tranquila em relação aos motivos que a levam a considerar o congelamento de óvulos. Nesse processo, vale a reflexão individual, a conversa com amigos, familiares, parceiro e com pessoas que já fizeram esta escolha e, principalmente, com um profissional de confiança. 

    Saúde

    Alguns problemas pré-existentes que impactam na fertilidade feminina podem interferir na decisão de congelar óvulos. Desta forma, é fundamental conversar com o médico para avaliar a viabilidade de fazer este tratamento.

    Custos

    Os valores para o congelamento de óvulos depende de fatores como a clínica de fertilidade escolhida, os medicamentos para estimulação ovariana e o número de ciclos de coleta de óvulos necessários.  Além disso, normalmente há taxas de consulta inicial, e os custos para o armazenamento dos óvulos congelados.

    Interessada em congelar seus óvulos? Conheça nosso projeto Partiu Congelar!

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  • Entenda homem trans: identidade, direitos e parentalidade

    Você já ouviu nos termos homens trans ou mulher transgênero? Sabe o que significam?

    Uma pessoa trans é aquela que não se identifica com o sexo biológico com o qual nasceu. Ou seja, ela se sente desconfortável com seu próprio  corpo e com o gênero de nascimento. Desse forma, homem trans: é um homem designado ao sexo biológico feminino quando nasceu, mas que se identifica e vivência o gênero masculino. Da mesma forma, existe a mulher trans que nasceu com o sexo biológico masculino, mas se autoidentifica como mulher.

    Para entender um pouco mais sobre o universo transsexual, no texto a seguir falaremos sobre o homem trans e suas possibilidades de paternidade. Vamos  mostrar também como as técnicas de reprodução assistida podem ajudar pessoas trans a formarem suas famílias.

    Boa leitura!

    O que é um homem trans?

    O homem trans é a pessoa que nasceu com o sexo biológico feminino, mas se identifica como homem. Ou seja, ao nascer o indivíduo possui sistema reprodutor feminino formado por vagina, útero e mamas, mas ao longo da vida não se identifica mulher.

    Desta forma, podemos dizer que a identidade de gênero de um homem trans é masculina, mesmo que seu sexo biológico no nascimento seja feminino. 

    Como isso é possível? 

    Para entender, é importante saber que sexo biológico são as características físicas e fisiológicas do indivíduo, enquanto identidade de gênero diz respeito a experiência interna e individual relacionado ao gênero com o qual a pessoa se identifica.

    Nesse impasse entre biologia e “alma”, muitas pessoas trans buscam adequar a aparência física à identidade de gênero com a qual se identificam. Para isso, recorrem à transição social mudando seu nome e alterando a forma como se apresentam na sociedade.  

    Além disso, a pessoa trans pode dar um passo a mais e optar também pela transição médica que promove diferentes mudanças internas e externas.

    Desta forma, no caso dos homens trans, o processo inclui uso de hormônios masculinos, como a testosterona, que induz o crescimento da barba, pelos de distribuição masculina e alterações da voz. 

    Além disso, é possível recorrer a procedimentos cirúrgicos para modificar características físicas específicas.  Conhecida como cirurgia de redesignação sexual ou de afirmação de gênero, nos homens trans são retiradas as mamas e os órgãos reprodutores femininos, como ovários e útero.

    Todavia, é importante ressaltar que cada indivíduo é diferente, e as escolhas de transição dependem de como a pessoa se sente em relação ao seu corpo.

    Assim, mesmo optando por não fazer cirurgia, o homem trans segue com sua identidade de gênero masculina.  Afinal, a transsexualidade não é determinada pelos órgãos genitais, mas pela forma como a pessoa se reconhece internamente. 

    Entenda as diferenças entre identidade de gênero, expressão de gênero, orientação sexual e sexo biológico para o homem trans.

    Há muita confusão a respeito das diferenças entre identidade de gênero, expressão de gênero, orientação sexual e sexo biológico para o homem trans. Mais do que isso, existe uma grande desinformação sobre  assuntos relacionados à comunidade LGBTQIAPN+, o que, muitas vezes, leva a atitudes de desrespeito e discriminação.

    Desta forma, a compreensão das diferenças é fundamental para promover a inclusão e igualdade não apenas dos homens trans, mas de todos que vivem em sociedade. 

    Identidade de Gênero

    A identidade de gênero está relacionada a como a pessoa se identifica internamente. Desta forma, não é determinado pelo sexo biológico, mas sim pela autopercepção profunda do indivíduo.

    Assim, a identidade de gênero pode ou não corresponder ao sexo do nascimento. Para os homens trans, por exemplo, a identidade de gênero é masculina, mesmo que seu sexo biológico seja feminino.

    Expressão de Gênero

    A expressão de gênero é a forma como a pessoa expressa seu gênero através do estilo de se vestir, do cabelo, e do comportamento em geral. Ou seja, é a maneira externa de manifestar socialmente a identidade de gênero que nem sempre corresponde com o sexo biológico.

    Portanto, existem várias formas de expressão de gênero além do feminino e masculino. Refletindo a diversidade, há também a expressão de gênero Andrôgeno, não Binária, fluida, Queer, entre outras.

    Orientação Sexual

    A orientação sexual se relaciona ao gênero pelo qual uma pessoa é atraída emocional, romântica ou sexualmente. Nesse sentido, é algo intrínseco ao ser humano, e não é uma questão de escolha ou opção.

    No caso dos homens trans, a orientação sexual não é necessariamente determinada pelo sexo biológico ou pela identidade de gênero. Ou seja, o homens trans pode ser heterossexual, homossexual, bissexual, pansexual, etc.

    Sexo Biológico

    O sexo biológico está ligado às características físicas e fisiológicas de uma pessoa ao nascer, dividido em categorias: sexo feminino, sexo masculino ou intersexo. 

    Nesse, sentido, como vimos, os homens trans nascem com as características do sexo biológico feminino, entretanto, sua identificação é com o gênero masculino.

    Homem trans não binário: entenda 

    Um homem trans não binário é aquele que nasceu com sexo biológico feminino, mas não se identifica como homem ou como mulher. Ou seja, ele não se encaixa no conceito binário de masculino e feminino, assumindo assim um gênero neutro. 

    Desta forma, refletindo essa identidade de gênero mais ampla, alguns homens trans não binários preferem ser chamados de “eles”, um pronome neutro, assim como se sentem. 

    Nesse sentido, é importante entender a identidade de gênero de homens trans não binários e promover a inclusão e o respeito à diversidade.   

    LGBTQIAPN+ 

    A sigla LGBTQIAPN+ abrange uma variedade de identidades de gênero e orientações sexuais que enfrentam discriminação social. Veja abaixo o significado de cada letra:

    LetraDefinição
    LLésbica: mulheres que sentem atração emocional, romântica ou sexual por outras mulheres.
    GGay: homens que são atraídos afetiva e/ou sexualmente exclusivamente por outros homens.
    BBissexual (ou Bi): pessoas que são atraídas afetiva e/ou sexualmente por  pessoas de qualquer gênero.
    TTransgênero (Trans): pessoas cuja identidade de gênero difere do sexo atribuído no nascimento. Inclui homens e mulheres trans, travestis e pessoas não binárias.
    QQueer: pessoas que não se enquadram nas normas de gênero e/ou sexualidade convencionais.Ou seja, não são exclusivamente heterossexuais e cisgêneros.
    IIntersexual: indivíduos que nascem com características anatômicas ou cromossômicas que não se encaixam nas categorias tradicionais de masculino ou feminino.
    AAssexual: pessoas que não sentem atração sexual por ninguém, embora possam experimentar atração romântica ou afetiva.
    PPansexual: pessoas que se sentem atraídas afetiva e/ou sexualmente por indivíduos de todos os gêneros e identidades de gênero.
    N/NBNão binários: pessoas que não se identificam exclusivamente como homem ou mulher, podendo se identificar com mais de um gênero ou nenhum.
    +O símbolo de adição reconhece todas as outras identidades e orientações que não estão representadas nas letras anteriores.

    Homens trans e o processo de transição

    O processo de transição de um homem trans é um caminho de diferentes vias, e depende da vontade e das escolhas individuais de cada um. Para algumas pessoas, apenas a terapia hormonal já traz os resultados desejados, no entanto,  outras recorrem ainda a cirurgias procurando a afirmação do gênero. De qualquer forma, o suporte e acompanhamento psicológico é fundamental para qualquer tipo de transição.

    Veja os passos de uma transição de homem trans:

    Avaliação e Diagnóstico

    O ponto de partida  para o processo de transição é uma avaliação psicológica com profissional de saúde mental, especializado em identidade de gênero.  O objetivo é confirmar se há diagnóstico de disforia de gênero, o que abre o caminho para o tratamento hormonal e cirúrgico.

    Terapia Hormonal

    A terapia hormonal com testosterona é realizada para provocar mudanças físicas que visam afirmar a pessoa com sua identidade de gênero masculina. 

    Desta forma, o hormônio faz crescer a barba e a quantidade de pelos pelo corpo. Além disso, engrossa a voz, provoca o aumento da massa muscular e da libido, e ainda pode causar o aumento do clitóris. Outras mudanças causadas pelo uso da testosterona são o desenvolvimento de acne e calvície e a interrupção da menstruação. 

    Neste processo, é fundamental que o homem trans seja acompanhado  por um médico endocrinologista que vai monitorar as dosagens e administrar possíveis efeitos colaterais.

    Vale ressaltar que para manter os efeitos causados pelos hormônios sexuais é preciso usá-los de forma contínua. Entretanto, se o homem trans, que não retirou seus órgãos reprodutivos, decidir gestar um filho, será preciso  interromper temporariamente a terapia hormonal.

    Cirurgias de afirmação de gênero

    Outra possibilidade para a transformação do homem trans é a cirurgia de redesignação sexual. Neste caso,  procedimentos cirúrgicos são realizados para alterar características sexuais e genitais, deixando o indivíduo mais confortável com o gênero ao que ele se reconhece. 

    Veja algumas das cirurgias realizadas:  

    Mastectomia ou cirurgia de remoção das mamas: alguns homens trans  decidem retirar as mamas para ficar com o tórax mais masculino, sendo a cirurgia mais comum.

    Histerectomia (remoção do útero) e Ooforectomia (remoção dos ovários): Essas cirurgias promovem a retirada do aparelho reprodutivo feminino. Com isso,  o homem trans busca equiparar sua anatomia interna com sua identidade de gênero masculina.

    Metoidioplastia: este procedimento cirúrgico tem como objetivo aumentar o clitóris para criar um micropênis. Esta é uma das cirurgias genitais considerada incomum da transição do homem trans. 

    Faloplastia ou cirurgia de reconstrução de pênis: A  construção do pênis no lugar da vagina é um procedimento de alta complexidade, com muitas etapas e altos riscos. Consiste em criar um pênis utilizando tecidos do próprio corpo, como enxertos de pele, músculos, vasos sanguíneos e nervos.

    A experiência de paternidade para homens trans 

    Como vimos, a vida do homem trans é cheia de desafios emocionais, físicos e sociais. E o que acontece quando ele decide ser pai? Isso é possível? Homem trans pode engravidar? Quais são as opções para paternidade? 

    Existem algumas possibilidades para o homem trans chegar à paternidade, desde métodos naturais até técnicas de reprodução assistida.  

    Veja abaixo como o homem trans pode chegar a paternidade:

    Gestação com seus próprios óvulos:

    Um homem trans que não passou pela cirurgia de redesignação sexual e possui os órgãos reprodutores (útero e ovários), tem a capacidade de engravidar. E isso pode acontecer de forma natural, ou seja, a partir de relação sexual, ou ainda através de inseminação artificial (IA). Entretanto, para que isso aconteça será necessário que ele interrompa a terapia hormonal com uso da testosterona. 

    Com óvulos próprios e gestação no útero de outra pessoa via FIV:

    Um homem trans que possui seu aparelho reprodutivo também pode se tornar pai utilizando seus próprios óvulos, mas com gestação na barriga de outra pessoa. Para isso, é necessário realizar uma Fertilização in Vitro (FIV), que promove a fecundação do óvulo pelo espermatozoide, em laboratório. Depois, o embrião resultante da fertilização será implantado no útero que vai gestá-lo, podendo ser o da pessoa parceira ou então uma barriga solidária.

    Através de ovodoação ou embriodoação:

    Outra opção para um homem trans se tornar pai, especialmente se ele não possui mais ovários e útero, é através da ovodoação  ou da embriodoação. Nestes casos também é preciso recorrer à Fertilização in Vitro (FIV), seja para formar o embrião ou para implantá-lo no útero onde será gestado, podendo ser através do útero solidário da sua parceria ou de outra pessoa, por exemplo.

    Adoção:

    Muitas pessoas que desejam ser pais encontram na adoção uma forma maravilhosa de formar suas famílias. Assim, adotar uma criança é também uma opção maravilhosa para homens trans vivenciarem a paternidade.

    Como a Reprodução Assistida pode ajudar as pessoas trans?

    Como vimos, muitos casais formados por pessoas trans necessitam da ajuda das técnicas de reprodução humana quando decidem ter um filho. Nesse sentido, os tratamentos variam de acordo com a configuração familiar, e se os envolvidos apresentam o sistema reprodutivo preservado.

    Veja as técnicas mais usadas para os tratamentos de homens trans

    Inseminação Artificial para pessoas trans

    A inseminação artificial (IA) é um dos tratamentos de baixa complexidade indicado para ajudar pessoas trans a terem filhos. Além disso, é muito usada em casos de infertilidade masculina, feminina sem causa aparente, com taxa de sucesso em torno de 15% a 20%.

    Também chamada de inseminação intrauterina (IIU), o tratamento consiste na introdução dos espermatozoides diretamente dentro da cavidade uterina. Nesse sentido, o objetivo é facilitar a fecundação do óvulo pelos espermatozoides nos tubos uterinos. 

    No caso do homem trans, isso deve ser feito antes da cirurgia para retirada do aparelho reprodutor feminino e antes da hormonização, pois se trata de procedimentos que afetam a fertilidade da pessoa.

    Fertilização In Vitro (FIV) para pessoas trans

    A Fertilização In Vitro (FIV) para pessoas trans segue os mesmos passos e protocolos que qualquer outra FIV. Nesse sentido, a técnica de alta complexidade promove o encontro do óvulo e do espermatozoide em laboratório, facilitando que ocorra a fecundação.  

    Para isso, após indução ovariana os óvulos são coletados através da punção folicular. Além disso, é realizada a coleta de sêmen por masturbação ou biópsia testicular. Quando necessário é possível recorrer  a óvulos e/ou semem doados. 

    Desta forma, os embriões formados em ambiente laboratorial são cultivados, selecionados e posteriormente transferidos ao útero onde serão gestados. Além disso, em alguns casos o útero solidário  pode ajudar pessoas trans, casais homoafetivos , pais e mães solos chegarem a gravidez.

    Nesse sentido, com taxas de sucesso entre 20% e 50%, a FIV vem evoluindo muito e ajudando milhares de pessoas a ter um filho. 

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  • Entenda mulher trans: identidade, direitos e parentalidade

    Você já deve ter ouvido falar em mulheres trans e outras denominações que fazem parte da comunidade LGBTQIAPN+. Embora este assunto tenha ganhado mais visibilidade ao longo dos anos, a identidade trans ainda traz muitas dúvidas e confusão. 

    Neste texto você vai saber quem é a mulher trans e quais as diferenças entre identidade de gênero, expressão de gênero, orientação sexual e sexo biológico. Vamos explicar também quais as opções possíveis para mulher trans ter filhos e formar suas famílias.

    Boa leitura!

    O que significa ser uma mulher trans? 

    A mulher transgênero, ou simplesmente mulher trans, é uma pessoa que nasceu com o sexo biológico masculino, mas se autoidentifica e vivência o gênero feminino. Desta forma, a pessoa nasce com o aparelho reprodutivo de homem composto por pênis, escroto, testículos, próstata etc, mas sua identidade de gênero é feminina. 

    Essa situação, muitas vezes,  provoca desconforto da mulher trans com seu próprio corpo. Por isso, elas buscam alternativas para adequar o seu corpo à forma com a qual se identificam. 

    Nesse sentido, um dos primeiros passos é alterar aspectos externos da vida dessa pessoa, como mudar o nome e a forma de se vestir e de se apresentar, realizando a chamada transição social.

    Uma segunda etapa para quem quer  assumir  sua identidade de gênero é a transição médica, que inclui terapias hormonais e procedimentos cirúrgicos.

    Transição médica: que mudanças causam ao corpo da mulher trans?

    Como vimos, a transição médica tem como objetivo afirmar, o máximo possível, o corpo da mulher trans à sua identidade feminina. Para isso, um caminho é a terapia hormonal ou estrogenioterapia que provoca aumento das mamas, redistribuição de gordura e suavização da pele.

    Além disso, é possível recorrer à mamoplastia e à cirurgia de redesignação sexual como, por exemplo, a vaginoplastia, procedimento para criar uma vagina. Há também mulheres trans que optam pela orquiectomia, ou seja, a remoção dos testículos.

    Para muitas mulheres trans, um dos procedimentos mais procurados é a Mamoplastia, ou implante de prótese mamária de silicone. Nesse sentido, o aumento das mamas é considerado importante na busca por um corpo mais  feminino. 

    Assim, o cirurgião cria uma área interna de cerca de 12 centímetros que será recoberta com pele do pênis e do saco escrotal, enquanto a glande será usada para criação do clitóris. Além disso, a uretra e o aparelho urinário são adaptados para que a mulher trans consiga urinar sentada.

    E finalmente, para impedir que o novo canal vaginal feche durante o período de cicatrização, é utilizado então um molde vaginal.  Desta forma, é  importante que o pós-operatório seja acompanhado de perto pela equipe médica que realizou o procedimento. 

    Já a orquiectomia é um procedimento cirúrgico bem mais simples do que a vaginoplastia, e visa retirada dos testículos que produzem os espermatozóides. Para tanto, o cirurgião faz uma incisão na virilha ou escroto, acessando e removendo os testículos. Logo após, a incisão é fechada com pontos.

    É importante salientar que na escolha pela transição médica, cada caso é um caso, e apenas uma conversa com especialista poderá determinar qual o melhor caminho.

    Identidade de gênero, expressão de gênero, orientação sexual e sexo biológico: quais as diferenças?

    Para quem não transita no universo LGBTQIAPN+ pode ser confuso diferenciar o que é identidade de gênero, expressão de gênero, orientação sexual e sexo biológico.  

    Assim, a falta de conhecimento, muitas vezes, acarreta em atitudes de discriminação e falta de respeito. Desta forma, a informação é o melhor caminho para inclusão e igualdade das mulheres trans e de todos os indivíduos e diferentes grupos da sociedade. Por isso, vamos explicar abaixo as nomenclaturas corretas!

    Identidade de gênero

    A identidade de gênero é como alguém se sente em relação ao seu próprio gênero, o que pode não corresponder às características biológicas do nascimento. Ou seja, é a forma íntima com a qual a pessoa se identifica que não está necessariamente associada ao gênero masculino ou feminino.

    Ao contrário do que muitos pensam, o gênero não está somente relacionado à anatomia dos órgãos sexuais. A autoimagem é o fator que se sobressai, uma vez que ela se define conforme   a percepção de si mesma.

    Assim, uma pessoa pode nascer com sexo biológico feminino, mas se identificar com o gênero  masculino. Da mesma forma, um indivíduo que nasceu como homem pode se ver e se sentir como mulher. 

    Neste sentido, quando a identidade de gênero está alinhada ao sexo biológico, a pessoa é considerada cisgênera. Por outro lado, quando a identidade de gênero não corresponde ao sexo atribuído no nascimento, a pessoa é reconhecida como transgênero ou trans.

    Expressão de gênero

    A expressão de gênero é a forma como a pessoa expressa publicamente seu gênero, seja através das roupas, maquiagem, corte de cabelo, etc.

    Em outras palavras, é a maneira pela qual a pessoa mostra externamente o que sente por dentro, o que nem sempre corresponde ao sexo biológico do nascimento.

    Orientação sexual

    A orientação sexual diz respeito à atração que uma pessoa sente por outros indivíduos, seja emocional, romântica ou sexual. Este termo substitui a ideia de opção sexual, já que atração não é uma escolha, mas algo natural que se manifesta ao longo da vida.

    Nesse sentido, existem diferentes orientações sexuais. Assim, se uma pessoa se atrai por alguém do gênero diferente do seu, ela é considerada heterossexual ou heteroafetiva. Por outro lado, se a atração acontece em relação a pessoas  do mesmo sexo, a pessoa é considerada homossexual ou homoafetiva. Nesse caso, as mulheres homossexuais são também chamadas de lésbicas, enquanto os homens de gays. 

    Além disso, há os bixessuais ou bioafetivos que se sentem atraídos tanto por homens como por mulheres, e os assexuais que não têm interesse por nenhum dos gêneros. 

    E completando, ainda há o individuo pansexual, que se atraí por qualquer representação de gênero, ou seja, gosta de pessoas no geral.

    Sexo biológico

    O sexo biológico é o sexo designado ao nascer, com fatores físicos, e fisiológicos que diferenciam homens e mulheres. Essas características biológicas incluem o aparelho reprodutor (inclusive a genitália), os hormônios e os cromossomos que carregamos ao nascer.

    Neste contexto, as mulheres trans nascem com o sexo biológico masculino, e assim carregam os órgãos reprodutivos internos e externos de homens. Entretanto, ao longo do seu desenvolvimento essas pessoas percebem sua identificação com o gênero feminino.

    LGBTQIAPN+ 

    A sigla LGBTQIAPN+ abrange uma variedade de identidades de gênero e orientações sexuais que enfrentam discriminação social. Veja abaixo o significado de cada letra:

    LetraDefinição
    LLésbica: mulheres que sentem atração emocional, romântica ou sexual por outras mulheres.
    GGay: homens que são atraídos afetiva e/ou sexualmente exclusivamente por outros homens.
    BBissexual (ou Bi): pessoas que são atraídas afetiva e/ou sexualmente por  pessoas de qualquer gênero.
    TTransgênero (Trans): pessoas cuja identidade de gênero difere do sexo atribuído no nascimento. Inclui homens e mulheres trans, travestis e pessoas não binárias.
    QQueer: pessoas que não se enquadram nas normas de gênero e/ou sexualidade convencionais.Ou seja, não são exclusivamente heterossexuais e cisgêneros.
    IIntersexual: indivíduos que nascem com características anatômicas ou cromossômicas que não se encaixam nas categorias tradicionais de masculino ou feminino.
    AAssexual: pessoas que não sentem atração sexual por ninguém, embora possam experimentar atração romântica ou afetiva.
    PPansexual: pessoas que se sentem atraídas afetiva e/ou sexualmente por indivíduos de todos os gêneros e identidades de gênero.
    N/NBNão binários: pessoas que não se identificam exclusivamente como homem ou mulher, podendo se identificar com mais de um gênero ou nenhum.
    +O símbolo de adição reconhece todas as outras identidades e orientações que não estão representadas nas letras anteriores.

    A jornada da fertilidade para mulheres trans 

    A jornada da fertilidade para mulheres trans é cheia de desafios, mas também de caminhos viáveis para chegar a uma gravidez. Mas afinal, mulher trans pode engravidar?

    Mesmo que a mulher trans não possa gestar um bebê, já que não possui  útero, ela ainda pode realizar o sonho de ter um filho biológico. Para isso, existem algumas possibilidades a serem consideradas, especialmente para quem não realizou a cirurgia de redesignação sexual.

    Nesse sentido, ela pode engravidar, através da relação sexual, uma pessoa que tenha o aparelho reprodutor feminino como uma mulher cis ou um homem trans. Para isso, é preciso interromper a terapia hormonal feminilizante que bloqueia a produção de testosterona e atrapalha a produção de espermatozoides. 

    Além disso, a partir da coleta de esperma é possível também conseguir uma gravidez com técnicas de reprodução assistida como a Inseminação Artificial (IA) ou a Fertilização In Vitro (FIV). Quem deseja fazer hormonoterapia e a cirurgia de redesignação sexual e pretende ter filhos, a opção é realizar o congelamento de esperma antes desses processos de transição definitiva. 

    Parágrafo explicando que a mulher trans que já fez a cirurgia de redesignação sexual não pode ter filhos biológicos, uma vez que ela amputa o pênis e etc (incluir a explicação do que acontece na cirurgia que impede a reprodução).

    Conheça algumas técnicas da medicina reprodutiva que podem ajudar a mulher trans ter um filho biológico:

    Inseminação Artificial (IA)

    A Inseminação Artificial é um tratamento de infertilidade que consiste na introdução dos espermatozoides no trato genital feminino, visando a fecundação do óvulo. É um procedimento médico muito comum, bastante usado e de poucos efeitos colaterais.

    Nesse sentido, existe a Inseminação Artificial Intracervical (IC), quando se coloca o esperma no colo do útero com uma seringa. Além disso, há também a Inseminação Artificial Intrauterina (IIU), quando se introduz o esperma dentro do útero. Desta forma, os espermatozóides  passam por uma seleção no laboratório, e apenas os mais rápidos serão injetados na cavidade uterina.

    No caso da mulher trans é usado o esperma congelado antes da cirurgia de redesignação sexual e feita a inseminação em uma pessoa que tenha o aparelho reprodutor feminino.

    Fertilização in Vitro (FIV)

    A Fertilização In Vitro (FIV), conhecida popularmente como “bebê de proveta”, consiste na fecundação em ambiente laboratorial. Ou seja, o encontro dos gametas feminino e masculino não ocorre no interior do corpo da mulher. 

    Desta forma, a FIV acontece a partir da coleta ou doação de óvulos e espermatozoides que são unidos em laboratório formando o embrião. Nesse sentido, após o desenvolvimento embrionário adequado, os embriões selecionados são transferidos para o útero onde vai se desenvolver a gestação. Em alguns casos, quando necessário, pode-se recorrer inclusive ao útero de substituição.

    Direitos e reconhecimento social das mulheres trans 

    Sabemos que a batalha pela igualdade e direitos das pessoas trans nas áreas legais, sociais e de saúde é uma questão pública fundamental. E, embora ainda não haja uma lei clara que regulamenta este assunto, já houve alguns avanços na legislação e no reconhecimento social das pessoas trans. Confira!

    Alteração de Nome e Gênero nos Documentos Oficiais:

    Nome Social

    Desde 2018, travestis e transexuais têm o direito de usar seu nome social em todos os órgãos e entidades da administração pública federal, estadual e municipal. Isso significa que essas pessoas podem ser tratadas pelo nome com o qual se identificam em ambientes governamentais e em documentos não oficiais.

    A mudança dos nomes nos documentos oficiais  pode ser realizada em cartórios, sem a necessidade de procedimentos judiciais.  Assim, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), entre os documentos necessários estão a certidão de nascimento, RG; CPF; do título de eleitor e comprovante de endereço. Além disso, os laudos médicos ou psicológicos que atestem a transexualidade podem ser apresentados, mas não são obrigatórios.

    Leis Trabalhistas

    No Brasil, as leis trabalhistas têm avançado para proteger os direitos das pessoas trans contra a discriminação no ambiente profissional.  Nesse sentido, a Lei nº 9.029/95, proibe a discriminação nas  relaçoes de trabalho por motivo de sexo, origem, raça, cor ecestado civil. Da mesma forma, também são proibidas práticas discriminatórias por  situação familiar, deficiência, reabilitação profissional, idade, entre outros.  Além disso, em junho de 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a LGBTfobia ao crime de racismo. 

    Essas determinações representem um importante passo contra a discriminação de pessoas trans, não apenas no ambiente profissional, mas em todos os ambitios socias.  Entretanto, apesar desses avanços, ainda existem desafios significativos a serem superados para garantir o pleno respeito e a inclusão das pessoas trans no mercado de trabalho. 

    Assim, é fundamental que as  empresas adotem políticas inclusivas, promovam a diversidade e criem um ambiente de trabalho seguro e acolhedor para todos, independentemente de sua identidade de gênero. 

    Acesso à saúde:

    Atualmente, o acesso à saúde para pessoas trans tem melhorado com políticas públicas específicas no Sistema Único de Saúde (SUS). Hoje o SUS oferece gratuitamente terapias hormonais, acompanhamento médico e cirurgias de redesignação sexual.  

    Apesar dos avanços, ainda há desafios como a falta de profissionais de saúde capacitados, longas filas de espera para tratamentos específicos e o preconceito por parte de alguns profissionais. 

    Saúde e bem-estar: cuidados específicos para mulheres trans

    A saúde e o bem-estar da mulher trans exigem cuidados específicos e sensíveis de acordo com a sua realidade. Assim, em 2011, foi estabelecida a Política Nacional de Saúde Integral LGBTQIAPN+ no SUS para atender às necessidades de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais.

    Desta forma, as pessoas que fazem terapia hormonal ou optam por cirurgias de redesignação sexual têm direito a acompanhamento médico e multiprofissional, incluindo apoio psicológico.  Nesse sentido, os cuidados devem ser observados de perto para ver se há possíveis efeitos colaterais dos hormônios, bem como uma boa adaptação pós cirurgia. 

    Além disso, é garantido acesso a serviços de saúde integral, com informações sobre contraceptivos, prevenção e tratamentos de infecções  sexualmente transmissíveis (ISTs), 

    Entretanto, é fundamental que todo esse cuidado seja realizado por profissionais capacitados para atender as mulheres trans de forma acolhedora e sem discriminação. 

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  • Remédio para engravidar: entenda as opções

    Pode ser muito desanimador quando problemas de fertilidade surgem na vida de uma pessoa, e é natural o sentimento de confusão ao buscar entender as melhores opções de tratamento disponíveis. Nesse cenário, os remédios para engravidar, ou indutores de ovulação, se apresentam como uma esperança para muitas pessoas que enfrentam essas dificuldades.

    Mas, será que esses remédios funcionam de verdade? Além destes medicamentos, há opções naturais para contornar esse problema? No texto a seguir, vamos entender como funcionam os remédios para engravidar, quais seus riscos, efeitos colaterais, opções naturais e importância do aconselhamento e acompanhamento médico nessa jornada. 

    O que são remédios para engravidar?

    Os remédios para engravidar, também conhecidos como indutores de ovulação, são medicamentos que estimulam os ovários a liberarem um óvulo durante o ciclo menstrual  em mulheres que estão com dificuldades para engravidar. Funcionam como um tratamento para pessoas com ciclos irregulares ou ausentes, incentivando a liberação dos óvulos e aumentando as chances de fertilização pelo espermatozoide. 

    Os tipos de remédios mais comuns para engravidar são:

    • Clomifeno (Clomid ou Serophene);
    • Gonadotrofinas;
    • Letrozol (Femara)
    • Metformina (pode auxiliar no ciclo, mas não é indutor da ovulaçao);
    • Bromocriptina e Cabergolina (pode auxiliar em patologias específicas, mas não são indutores).

    O Clomifeno (Clomid ou Serophene), por exemplo, é um indutor de ovulação de uso oral que atua estimulando a liberação dos hormônios necessários para a ovulação. Outra opção são as Gonadotrofinas, medicamentos injetáveis, que estimulam os ovários a amadurecerem e liberarem mais óvulos.

    O Letrozol, comercializado sob o nome de Femara (existem outras marcas), foi desenvolvido originalmente para o tratamento de certos tipos de câncer de mama em mulheres pós-menopausa. Porém, é também utilizado como um indutor de ovulação em pessoas enfrentando problemas para engravidar, principalmente aquelas pacientes com oligo ou anovulação, como na síndrome de ovários policísticos (SOP).

    Já a Metformina não é um indutor de ovulação, mas sim um medicamento especialmente útil para mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP). Dessa forma, é uma medicação que pode facilitar a ovulação, ajudando na regulação dos ciclos menstruais.

    A Bromocriptina e Cabergolina também não são, especificamente, indutores de ovulação, mas sim medicamentos que atuam no tratamento de distúrbios associados a níveis elevados de prolactina (hormônio com a função de estimular a produção de leite e o aumento das mamas), uma condição conhecida como hiperprolactinemia. A hiperprolactinemia pode causar uma variedade de problemas reprodutivos em mulheres, incluindo irregularidades menstruais e infertilidade.

    Cada um desses medicamentos possui indicações específicas, podendo ser mais adequado para certos tipos de problemas de fertilidade. 

    O uso de remédios para engravidar requer acompanhamento médico próximo para monitorar a resposta dos ovários. Dessa forma, um especialista em reprodução pode realizar ajustes na dose conforme a necessidade e minimizar os riscos de efeitos colaterais, como a síndrome de hiperestimulação ovariana.

    Como funcionam os indutores de ovulação?

    Os indutores de ovulação auxiliam para o aumento da produção e excreção dos hormônios femininos que regulam a ovulação, processo no qual os ovários liberam um óvulo maduro preparado para a fertilização.

    O Clomifeno, um dos indutores de ovulação mais comuns, atua induzindo o cérebro a entender que os níveis de estrogênio estão baixos. Isso é feito bloqueando os receptores, especificamente na glândula pituitária, responsável pela produção de hormônios reguladores do corpo.

    A glândula pituitária aumenta a produção dos hormônios folículo-estimulante (FSH) e luteinizante (LH) em resposta. O aumento do FSH estimula os ovários a desenvolverem folículos (estruturas que contêm e nutrem os óvulos) e o aumento do LH desencadeia a ovulação, ou seja, a liberação do óvulo do folículo dominante.

    Outro tipo de indutor de ovulação são as Gonadotrofinas, injetáveis que contêm FSH, LH ou uma combinação dos dois. Diferente do Clomifeno, as Gonadotrofinas agem diretamente sobre os ovários para promover o crescimento e a maturação dos folículos. É frequentemente recomendada para casos em que o Clomifeno não é eficaz ou em tratamentos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV). 

    Os indutores de ovulação aumentam a probabilidade de ovulação, podendo resultar na liberação de um óvulo ideal para ser fertilizado pelo esperma. Porém, é importante gerenciar as expectativas do tratamento, pois a eficácia dos indutores pode variar conforme a origem da infertilidade e outros fatores de saúde.

    O acompanhamento médico durante o tratamento com indutores de ovulação é necessário para monitorar a resposta dos ovários e ajustar as dosagens conforme necessário. Isso ajuda a minimizar os riscos de efeitos colaterais e aumenta as chances de uma gravidez saudável.

    Indutor de ovulação e gravidez após os 40

    Os indutores de ovulação são indicados para mulheres que enfrentam dificuldades para engravidar, inclusive aquelas acima dos 40 anos. Porém, é importante ter em mente que a eficácia desses medicamentos tende a ser menor nessa faixa etária quando comparado às mulheres mais jovens. 

    O principal motivo para isso é a diminuição natural da reserva ovariana com o avanço da idade. Por consequência, mesmo com a estimulação da ovulação, a qualidade dos óvulos pode comprometer a fertilização e o desenvolvimento normal do embrião, diminuindo as chances de concepção e de uma gravidez saudável.

    Segundo um estudo realizado pela Fertility and Sterility e publicado na ScienceDirect, enquanto mulheres mais jovens podem ter uma resposta favorável aos indutores de ovulação, em mulheres acima dos 40 anos, a resposta aos mesmos medicamentos pode ser limitada. Isso não significa que seja impossível engravidar, mas os tratamentos podem exigir doses mais altas e ciclos de tratamento mais frequentes.

    As mulheres acima dos 40 anos que consideram utilizar indutores de ovulação devem passar por uma avaliação detalhada com um especialista em reprodução humana. Esse profissional oferece uma orientação realista sobre as chances de sucesso com base na condição individual da saúde reprodutiva, além de discutir os riscos potenciais e estratégias de tratamento alternativas.

    Quando consultar um especialista em reprodução assistida?

    A regra geral recomendada pelos especialistas em reprodução assistida é buscar ajuda quando:

    • A gravidez não ocorrer após um ano de tentativas regulares e desprotegidas para engravidar, para mulheres com menos de 35 anos;
    • A gravidez não ocorrer após 6 meses de tentativas regulares e desprotegidas para engravidar, para mulheres com 35 anos ou mais.

    Além da faixa etária e o período de tentativas, outros sinais e condições que podem indicar a necessidade de uma consulta com um especialista em reprodução são: 

    • Mulheres que têm ciclos menstruais irregulares ou ausente (que pode ser um sinal de problemas de ovulação);
    • Histórico de doenças inflamatórias pélvicas;
    • Endometriose;
    • Histórico de cirurgias pélvicas;
    • Parceiro com problemas de fertilidade (como a baixa contagem de espermatozoides, por exemplo).

    Ao buscar um especialista em reprodução assistida, a paciente passa por uma avaliação de saúde e histórico reprodutivo. Isso costuma incluir: exames físicos, análise de histórico médico e testes específicos para avaliar a fertilidade de ambos os parceiros (quando for o caso). Esses testes podem incluir: 

    • Exames de sangue para verificação de hormônios;
    • Avaliação das trompas;
    • Ultrassonografias para examinar os órgãos reprodutivos femininos;
    • Análise do sêmen para o parceiro masculino.

    Esses testes visam identificar qualquer fator que possa estar interferindo na capacidade de engravidar. 

    É importante ter em mente que consultar um especialista não significa, necessariamente, que é preciso passar por inúmeros tratamentos complexos e/ou caros. Em muitos casos, problemas de infertilidade podem ser resolvidos com abordagens tecnicamente simples, como: mudanças no estilo de vida, indutores de ovulação ou procedimentos minimamente invasivos.

    A consulta oferece a oportunidade de obter um diagnóstico mais preciso, e abrir a discussão sobre opções de tratamento mais adequadas para cada cenário. Por isso, escolher um profissional da reprodução assistida com uma boa reputação, um ambiente acolhedor e com uma comunicação clara faz toda a diferença na jornada para a concepção.

    Tecnologias e técnicas em reprodução assistida

    As opções de tratamento avançado em reprodução assistida oferecem esperança para pessoas que enfrentam desafios de fertilidade. Entre os métodos mais comuns estão:

    • Fertilização in vitro (FIV): técnica de fertilização de óvulos com os espermatozoides em um laboratório.
    • Injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI): técnica de injetar um único espermatozoide no citoplasma do ovócito.
    • Transferência de embriões congelados: técnica que consiste na coleta de gametas, fertilizados em um laboratório e, após atingirem o estágio necessário, são congelados para em outro momento serem transferidos para o útero da mulher.

    A FIV envolve a coleta de óvulos e espermatozoides, permitindo que a fertilização ocorra fora do corpo, mais especificamente em um laboratório. Os embriões resultantes são cultivados por alguns dias antes de serem transferidos para o útero da mulher. 

    Já a ICSI é uma variação da FIV que envolve a injeção de um único espermatozoide em um óvulo, sendo útil em casos de infertilidade masculina mais complexos, por exemplo.

    As técnicas de diagnóstico genético pré-implantacional (PGD) e da triagem genética pré-implantacional (PGS) são usadas com a FIV para aumentar as chances de sucesso do tratamento em casos específicos.

    O PGD permite a análise de embriões para detectar doenças genéticas específicas antes da transferência para o útero. Já o PGS avalia embriões para anormalidades cromossômicas, que podem aumentar o risco de aborto espontâneo ou falhas na implantação. Essas técnicas são valiosas para casais com histórico de doenças genéticas ou para mulheres mais velhas, nas quais o risco de anormalidades cromossômicas é maior.

    Já a técnica de congelamento de embriões permite que os embriões não utilizados em um ciclo de FIV sejam congelados para uso futuro. Além de ajudar a reduzir o custo e a complexidade dos ciclos após o tratamento, oferece também a possibilidade de conceber novamente sem a necessidade de uma nova coleta de óvulos e fertilização.

    Entretanto, o sucesso da aplicação dessas tecnologias depende de um diagnóstico preciso e completo. Antes de iniciar qualquer tratamento, é preciso uma avaliação abrangente para identificar a causa real da infertilidade. Essa avaliação não só ajuda a determinar a terapia mais adequada, mas também aumenta as chances de sucesso ao abordar as necessidades específicas do casal.

    Remédios naturais e dicas para aumentar a fertilidade

    O tratamento da fertilidade não envolve apenas procedimentos médicos, mas também mudanças nos hábitos de vida e, possivelmente, alternativas naturais. Essa abordagem desempenha um papel significativo na melhoria da saúde reprodutiva, tanto de homens quanto de mulheres. 

    Para começar, uma dieta balanceada e rica em nutrientes é uma das formas mais eficazes de apoiar a fertilidade.

    Segundo um estudo publicado pelo Journal of Reproduction & Infertility em 2020, tanto o sobrepeso quanto o baixo peso podem afetar negativamente a ovulação nas mulheres e a qualidade do esperma dos homens. Assim, exercícios regulares, por exemplo, são bem-vindos quando se fala sobre aumentar as chances de engravidar. 

    Outro fator a ser considerado é o estresse crônico que pode levar a desequilíbrios hormonais e afetar a fertilidade. Ou seja, aderir práticas de redução de estresse (como meditação, mindfulness, acupuntura, terapia, etc) não só ajudam a equilibrar os hormônios, mas também promovem um bem-estar em geral, criando um ambiente mais propício para a concepção.

    Para agregar no tratamento natural, alguns suplementos como o ácido fólico e vitamina D podem ser usados para a melhorar a fertilidade, conforme orientação médica. Entretanto, é muito importante que qualquer suplementação para este fim seja tomada sob orientação de um especialista, para garantir a dosagem correta. Somado a isso, é importante fugir de substâncias tóxicas, como o tabaco, álcool e outras drogas, pois podem comprometer muito a qualidade do esperma e dos óvulos.

    Aplicativos úteis para quem está tentando engravidar

    Os aplicativos para ajudar quem está tentando engravidar são ferramentas tecnológicas que ajudam casais a entenderem seus ciclos reprodutivos e aumentar suas chances de ter um filho!

    Com algumas informações pessoais diárias (como a temperatura basal do corpo, consistência do muco cervical, datas de menstruação, etc), esses aplicativos utilizam algoritmos para prever os dias mais férteis do ciclo, apresentando uma janela ideal para a concepção.

    Além de fornecer insights valiosos sobre a saúde reprodutiva, muitos desses aplicativos apresentam recursos como: lembretes para tomar medicamentos, dicas de saúde e fóruns para compartilhar experiências. 

    Confira os principais aplicativos grátis disponíveis nas lojas virtuais da Google e da Apple, que podem ajudar a aumentar as chances de engravidar:

    Maya

    O Maia é um aplicativo que rastreia o período fértil da mulher, calcula a próxima menstruação e possui um calendário colorido para identificar os períodos do ciclo menstrual de maneira mais interativa.

    Além disso, o aplicativo tem uma interface limpa, de fácil navegação, além de espaços para pôr anotações pessoais de humor, peso e estado. O Maia também permite que você compartilhe os seus dados para que o seu companheiro, por exemplo, possa acompanhar os seus ciclos.

    Acesse o aplicativo na Google play clicando aqui, ou na Apple Store clicando aqui.

    WomanLog

    O WomanLog serve para identificar os dias férteis, calculados a partir da data da última menstruação anotado no app. O aplicativo, por sua vez, possui um calendário que permite inserir informações como peso, humor, relações sexuais mais recentes e uso de medicamentos.

    Além disso, o aplicativo possui uma tabela que mapeia todos os sintomas de TPM, como, por exemplo, cólicas, dor de cabeça, micoses, dores no corpo, entre outros.  

    Nesse sentido, visando expor informações mais assertivas acerca da intensidade de cada ciclo, um gráfico comparativo entre os meses anteriores é mostrado no app. O WomanLog também permite criar alertas e notificações sobre o período menstrual, dias férteis e regularidade do ciclo.

    Acesse o aplicativo na Google play clicando aqui, ou na Apple Store clicando aqui.

    Ovia Fertility

    O Ovia Fertility é um aplicativo um pouco mais complexo. Através dele, é possível ter uma visão panorâmica da saúde reprodutiva da mulher, com dados sobre ciclos de ovulação.

    Um dos principais diferenciais do aplicativo é a possibilidade de ser vinculado a aplicativos fitness e ao Apple Health, importando os dados dos mesmos e cruzando com as informações dos ciclos. Outra característica peculiar é que o aplicativo permite a interatividade entre os usuários.

    Acesse o aplicativo na Google play clicando aqui, ou na Apple Store clicando aqui.

    Natural Cycle

    O Natural Cycle tem como principal objetivo a precisão no rastreio da fertilidade. A principal diferença deste aplicativo, por sua vez, é a possibilidade de compartilhar os dados com o parceiro para planejar melhor as relações nas datas da ovulação.

    Acesse o aplicativo na Google play clicando aqui, ou na Apple Store clicando aqui.

    Clue

    O Clue é um dos aplicativos mais famosos da categoria. Ele é conhecido por fornecer mais detalhes sobre cuidados médicos e oferece diversas opções para monitorar o ciclo menstrual e outras informações como, por exemplo, cólicas, humor, entre outros.

    O aplicativo também permite registrar o fluxo menstrual, sintomas de TPM e ovulação. Além disso, ele oferece a possibilidade de receber previsões precisas e lembretes do calendário da sua próxima menstruação.

    Acesse o aplicativo na Google play clicando aqui, ou na Apple Store clicando aqui.

    Meu Calendário

    O Meu Calendário é um aplicativo que funciona como um diário. Nele, a mulher pode preencher suas informações médicas relacionadas ao ciclo menstrual ou gravidez.

    Além disso, como todos os outros aplicativos para engravidar, ele permite registrar o ciclo, calcular a ovulação e enviar notificações.

    Acesse o aplicativo na Google play clicando aqui, ou na Apple Store clicando aqui.

    Glow Ovulation and Fertility Tracker

    O Glow Ovulation and Fertility Tracker existe há alguns anos e se tornou conhecido como um aplicativo para o rastreamento da fertilidade. Dessa forma, ele fornece um calendário de ovulação indicando os dias mais férteis, através da análise de informações sobre a ovulação, ciclo menstrual, humor, temperatura do corpo, temperatura basal, entre outros.

    Acesse o aplicativo na Google play clicando aqui, ou na Apple Store clicando aqui.

    Sprout Pregnancy

    Para quem acabou de descobrir a gravidez, este é considerado um dos aplicativos mais bem ilustrados, possuindo imagens impressionantes do desenvolvimento fetal, adaptadas ao gênero do bebê.

    O aplicativo, por sua vez, disponibiliza uma série de informações que ajudam a futura mãe a melhorar a sua qualidade de vida e a do seu bebê.

    Além disso, o Sprout Pregnancy disponibiliza um calendário médico, linha do tempo da gravidez, contador de chutes e um cronômetro de contração.

    Acesse o aplicativo na Google play clicando aqui, ou na Apple Store clicando aqui.

    Estou Grávida

    O aplicativo Estou Grávida possui uma coleção de dicas para preparar a gestante para a sua nova vida de mamãe. Nesse sentido, ele disponibiliza informações de alimentação saudável e outras sobre saúde para a mulher e o bebê, visando proporcionar uma gestação mais tranquila e saudável.

    A tecnologia é um facilitador e não um solucionador de problemas. Por isso, é importante lembrar que é imprescindível buscar acompanhamento médico especializado, independentemente do uso dos aplicativos. Nesse sentido, eles não dão diagnósticos e servem apenas para auxiliar.

    Acesse o aplicativo Estou Grávida na Aptoide.

    Cuidados e alertas sobre remédios para engravidar

    Quando se trata de medicamentos que lidam com questões hormonais e indução de ovulação, não existe solução milagrosa e de resultado rápido. É importante ter senso crítico e duvidar de propostas boas demais para serem verdade, como o caso do remédio “milagroso” que foi proibido pela Anvisa.

    Além dos perigos do uso de medicamentos de procedência duvidosa, um dos efeitos colaterais mais comuns é a síndrome de hiperestimulação ovariana (SHO). Essa síndrome é uma condição pela qual os ovários respondem de maneira exagerada aos hormônios e crescem de forma anormal, acumulando fluido que pode causar dor significativa e outros problemas de saúde.

    Também existem casos de aumento das chances de gestações múltiplas, como gêmeos ou trigêmeos, que carregam riscos mais elevados de complicações tanto para a mãe quanto para os bebês.

    Alterações de humor, ganho de peso, inchaço, dor de cabeça e fadiga são outros efeitos colaterais comuns. As reações podem variar de leves a graves, sendo influenciadas tanto pela dosagem do medicamento quanto pela resposta individual da pessoa em tratamento. Podem acontecer complicações mais sérias, em casos raros, como: problemas hepáticos ou tromboembolismo, destacando a importância da atenção médica durante o tratamento!

    Exames regulares de ultrassom e testes de sangue são realizados durante o tratamento com indutores de ovulação para monitorar a resposta dos ovários e ajustar a terapia conforme necessário. Esse cuidado permite a detecção de sinais precoce de SHO ou outros problemas, reduzindo as chances de complicações mais sérias. 

    Sendo assim, os remédios para engravidar oferecem uma oportunidade para a conquista da maternidade, mas requerem uma rigorosa avaliação e acompanhamento de um especialista em reprodução humana. Uma abordagem segura ao uso desses medicamentos potencializa seus benefícios e minimiza efeitos colaterais, proporcionando um caminho mais seguro para alcançar uma gravidez saudável.

    Para aprofundar seu conhecimento e entender sobre as possibilidades, acesse nosso e-book que explica as técnicas de reprodução assistida:

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  • Quem fez quimioterapia pode ter filhos?

    Será que quem fez quimioterapia pode ter filhos? Enfrentar o diagnóstico e o tratamento do câncer é desafiador, podendo impactar diversos aspectos da vida de uma pessoa. Para muitas mulheres, uma das áreas mais afetadas pode ser sua saúde reprodutiva e o desejo de construir uma família. 

    No texto a seguir, vamos explorar os desafios enfrentados por mulheres que desejam engravidar após o câncer, abordando as opções de preservação da fertilidade, assim como os métodos de reprodução assistida disponíveis e a importância do aconselhamento e do planejamento familiar nesse contexto. 

    Impacto do tratamento oncológico na fertilidade feminina

    O tratamento oncológico é essencial para o combate ao câncer, e pode impactar diretamente na fertilidade de uma pessoa, especialmente quando se trata de quimioterapia e radioterapia.

    A quimioterapia, um dos pilares do tratamento do câncer, utiliza medicamentos para destruir células cancerosas. No entanto, esses medicamentos também podem afetar células saudáveis, incluindo as células reprodutivas nos ovários.

    Assim, a ovulação é muito impactada pela quimioterapia. Ela pode levar tanto à redução da quantidade, quanto da qualidade dos óvulos disponíveis para a constituição do embrião, podendo reduzir a quantidade e qualidade dos óvulos disponíveis para fertilização.

    A quimioterapia é um procedimento agressivo que pode resultar em danos às células germinativas, que são as células reprodutivas que originam os gametas, diminuindo a reserva ovariana e afetando a quantidade de óvulos disponíveis para fertilização. Isso pode levar a uma redução significativa das chances de engravidar naturalmente e a um aumento do risco de infertilidade ou menopausa precoce. 

    Da mesma forma, a radioterapia, outro componente do tratamento oncológico, utiliza radiação para destruir células cancerosas. Quando a radiação é direcionada para a área pélvica, por exemplo, onde os ovários estão localizados, pode causar danos aos tecidos ovarianos e às células germinativas, células reprodutivas relacionadas à geração de gametas.

    O impacto da radioterapia na fertilidade feminina depende de inúmeros fatores, como a dose e o local da radiação, por exemplo. Mulheres que recebem radioterapia na região pélvica também podem enfrentar complicações adicionais, como: aderências ou estenose vaginal (condição na qual a abertura da vagina estreita-se, causando desconforto durante a atividade sexual ou exames ginecológicos), podendo dificultar ainda mais a gravidez e o parto.

    Nesse cenário, as mulheres que estão planejando ou passando por tratamento oncológico devem discutir abertamente suas preocupações de fertilidade com suas equipes médicas. Estratégias de preservação de fertilidade, como o congelamento de óvulos ou do tecido ovariano (abordaremos essas duas opções com mais detalhes a seguir), podem ser consideradas antes do início da terapia para aumentar as chances de uma futura gravidez.

    Além disso, é importante que as mulheres estejam cientes das opções de oncofertilidade disponíveis após o procedimento, como a fertilização in vitro (FIV) ou o uso de óvulos doados, para ajudá-las a realizar seu desejo de serem mães após a conclusão bem-sucedida do tratamento contra o câncer.

    Leia também: Homem que fez quimioterapia pode ter filhos?

    Preservando a fertilidade antes da quimioterapia: o que você precisa saber

    A preservação da fertilidade antes da quimioterapia é determinante para mulheres que enfrentam o diagnóstico de câncer e desejam manter a opção de ter filhos no futuro.

    Uma das opções mais comuns é o congelamento de óvulos, na qual os óvulos da paciente são coletados, fertilizados em laboratório e congelados para uso posterior em procedimentos de fertilização in vitro (FIV). Esse procedimento oferece possibilidade de preservar a fertilidade antes que a quimioterapia possa afetar a reserva ovariana e a qualidade dos óvulos da paciente.

    Outra opção de preservação da fertilidade antes do processo de intervenção contra o câncer, para casos bem individualizados, é a criopreservação de tecido ovariano.

    Como funciona o processo de criopreservação do tecido ovariano:

    • Primeiro, uma pequena porção do tecido ovariano é removida cirurgicamente e congelada para preservar os óvulos imaturos presentes nos folículos ovarianos;
    • Os óvulos em questão podem ser maturados em laboratório para serem usados em futuros tratamentos de fertilidade;
    • Depois, esse tecido pode ser transplantado de volta para os ovários da mulher após o tratamento contra o câncer.

    A criopreservação de tecido ovariano é especialmente relevante para mulheres que não têm tempo suficiente para realizar a estimulação ovariana antes do início da quimioterapia ou radioterapia, por exemplo.

    Nesse procedimento é essencial que as pacientes sejam informadas sobre os riscos e benefícios de cada opção de preservação da fertilidade antes de tomar uma decisão! Para isso, os especialistas em reprodução assistida devem estar antenados e discutir constantemente os aspectos como a eficácia, os custos, os efeitos colaterais e os possíveis impactos emocionais de cada procedimento.

    O aconselhamento adequado também pode ajudar as mulheres a entender suas chances individuais de sucesso e tomar decisões informadas sobre o planejamento familiar antes do tratamento oncológico.

    Avaliação da fertilidade pós-tratamento: o que esperar?

    A gravidez após quimioterapia é uma possibilidade real para muitas mulheres, especialmente com a avaliação adequada da fertilidade e o uso de técnicas de reprodução assistida adaptadas às suas necessidades individuais.

    Por isso, após o tratamento oncológico, as mulheres devem passar por uma avaliação de fertilidade para entenderem suas chances de engravidar naturalmente e determinar se há necessidade de intervenções adicionais.

    Uma avaliação da fertilidade pós-tratamento inclui exames físicos, testes laboratoriais e avaliação do histórico médico da paciente. Os profissionais de saúde também podem solicitar exames de sangue para medir os níveis hormonais, como:

    • Hormônio anti-mulleriano;
    • Hormônio folículo-estimulante (FSH);
    • Hormônio luteinizante (LH);
    • Estradiol, que fornece informações importantes sobre a reserva ovariana e a função hormonal.

    Além disso, a avaliação da fertilidade após a quimioterapia pode envolver exames de imagem, como ultrassonografia transvaginal, para avaliar a saúde dos ovários e a contagem de folículos antrais (estruturas localizadas nos ovários, sendo parte do processo de desenvolvimento dos óvulos). 

    Esses exames ajudam a determinar a quantidade de óvulos remanescentes nos ovários e a qualidade dos folículos ovarianos, fornecendo uma estimativa mais precisa das chances de concepção.

    É importante ressaltar que a avaliação da fertilidade pós-tratamento é um processo individualizado, com resultados que podem variar consideravelmente de uma mulher para outra. As pacientes devem discutir suas avaliações com seu médico para entender melhor suas opções de procedimento e decidir sobre o próximo passo.

    Em alguns casos, pode ser recomendado o acompanhamento regular da função ovariana, ao longo do tempo, para monitorar as mudanças na sua reserva e oferecer orientação sobre a melhor abordagem para tentar engravidar.

    Opções de reprodução assistida após o tratamento de câncer

    Muitas mulheres enfrentam desafios de fertilidade devido aos efeitos adversos da quimioterapia sobre a função ovariana. Graças ao constante avanço da medicina reprodutiva, essas mulheres agora possuem uma gama de opções para ajudá-las a realizar o sonho da maternidade.

    Uma das opções mais comuns é a fertilização in vitro (FIV), na qual os óvulos são coletados dos ovários da mulher ou de uma doadora, fertilizados em laboratório com espermatozoides e os embriões resultantes são transferidos para o útero da paciente. A FIV é uma técnica altamente complexa e eficaz, podendo superar os desafios relacionados à redução da reserva ovariana após a quimioterapia.

    Outra alternativa é o uso de óvulos doados, que pode ser uma possível solução para mulheres que não possuem óvulos viáveis ​​após o tratamento de câncer. Nesse caso, os óvulos de uma doadora saudável são fertilizados em laboratório com o esperma do parceiro ou de um doador e os embriões resultantes são transferidos para o útero da paciente. 

    Essa opção oferece a oportunidade de gestação mesmo para mulheres com uma reserva ovariana muito reduzida ou que não podem usar seus próprios óvulos devido aos efeitos da quimioterapia.

    Além disso, a opção de preservação da fertilidade antes da terapia contra o câncer também pode ser considerada para mulheres diagnosticadas com cânceres que podem afetar a fertilidade. O congelamento de óvulos ou tecido ovariano antes do início da quimioterapia permite que as mulheres usem seus próprios óvulos ou tecido ovariano no futuro, se necessário. Isso oferece uma chance adicional de concepção usando métodos de reprodução assistida após a conclusão bem-sucedida do tratamento de câncer.

    Por fim, é fundamental que as pacientes recebam suporte emocional e orientação durante o processo de tomada de decisão sobre as opções de reprodução assistida após o tratamento de câncer! 

    Os profissionais de saúde podem oferecer informações detalhadas sobre cada método, discutir os riscos e benefícios associados e ajudar as mulheres a tomar decisões informadas que atendam às suas necessidades e desejos individuais em relação à família e à maternidade.

    Planejamento familiar e saúde reprodutiva pós-câncer

    O planejamento familiar e a saúde reprodutiva após o tratamento oncológico são aspectos a serem considerados para mulheres que desejam construir uma família após enfrentarem o câncer.

    O aconselhamento e o planejamento familiar pós-câncer oferecem o suporte emocional e a orientação especializada necessária para ajudar as pacientes a entenderem os impactos do procedimento em sua fertilidade e explorar opções disponíveis para conseguir engravidar.

    Para isso, as mulheres devem ter acesso a informações detalhadas sobre as possíveis consequências do tratamento sobre sua saúde reprodutiva e que sejam capacitadas a tomar decisões informadas sobre sua fertilidade e planejamento familiar.

    O aconselhamento pós-tratamento oncológico por parte dos profissionais da saúde é indispensável, fornecendo as informações necessárias sobre todas as opções de preservação da fertilidade e procedimentos de reprodução assistida disponíveis para essas mulheres. Esses profissionais podem ajudar as pacientes a: avaliar seus riscos individuais de infertilidade e discutir estratégias para preservar a fertilidade antes do início do tratamento.

    Além disso, deve-se realizar o acompanhamento regular da saúde reprodutiva após o tratamento oncológico para monitorar quaisquer mudanças na função ovariana e garantir que as mulheres recebam apoio contínuo para alcançar seus objetivos de planejamento familiar.

    O aconselhamento pós-tratamento oncológico também pode abordar questões emocionais e psicológicas relacionadas à fertilidade e maternidade, fornecendo suporte para lidar com o impacto do câncer e do procedimento sobre a saúde reprodutiva. 

    Muitas mulheres podem experimentar ansiedade, estresse e incerteza em relação à sua capacidade de engravidar após o tratamento de câncer, e o apoio emocional pode ser fundamental para ajudá-las a navegar por esses desafios.

    Um ambiente de apoio e compreensão por parte dos profissionais da saúde ajuda as mulheres a superarem obstáculos e criar planos personalizados para alcançar seus objetivos de planejamento familiar e maternidade após o câncer.

    Segundo a Claudia Rachewsky, psicóloga da clínica Nilo Frantz Medicina Reprodutiva: 

    “O planejamento familiar após a luta contra o câncer pode ser um emocionalmente desafiador, cheio de medos e incertezas. É natural sentir uma mescla de sentimentos ao explorar as opções e tomar decisões importantes sobre o seu futuro na maternidade”.

    “Faz parte do processo da jornada vivenciar as emoções que surgirem, podendo ir da tristeza e o medo até a esperança e a alegria. Para isso, é importante encontrar um espaço seguro onde você possa compartilhar seus sentimentos com sua rede de apoio (família e amigos). Buscar o suporte emocional e orientação junto a um profissional da área da saúde mental pode tornar a sua jornada mais leve e acolhedora”.

    Para mais informações sobre fertilidade após quimioterapia, baixe nosso material gratuito sobre oncofertilidade:

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