Categoria: Dúvidas

  • Câncer e fertilidade: entendendo os impactos e alternativas

    Você sabe que tipos de câncer que mais afetam a fertilidade?  E como isso pode impactar a vida das pessoas? Na realidade, sabe-se  que o diagnóstico de câncer sempre traz muito medo e angústia, inclusive em relação à fertilidade.  Pois além da luta contra a doença, os pacientes jovens ou em idade reprodutiva ainda enfrentam possíveis impactos na sua capacidade de ter filhos. 

    No texto a seguir vamos falar sobre os tipos de câncer que mais afetam a fertilidade humana e o que se pode fazer para tentar minimizar este problema. 

    Boa leitura!    

    Câncer e Fertilidade – Uma Preocupação Crescente

    Quando se fala em câncer, uma das preocupações bem frequentes é em relação à fertilidade das mulheres e dos homens que enfrentam essa doença. Afinal, além dos difíceis desafios impostos às pessoas com este diagnóstico, ainda existem os possíveis impactos na capacidade reprodutiva dos pacientes que desejam ter filhos. 

    Nesse sentido, embora o foco principal seja o tratamento e a busca pela saúde, é importante saber que a medicina, através da oncofertilidade, pode ajudar.  Assim, essa especialidade procura formas de manter a capacidade reprodutiva de pacientes com câncer.

    Desta maneira, seja com procedimentos para preservar a fertilidade ou através de técnicas de reprodução assistida, o objetivo é manter a fertilidade dos pacientes com câncer. 

    Tipos de Câncer que Mais Afetam a Fertilidade

    A princípio, os cânceres que mais afetam a fertilidade de homens e mulheres são aqueles diretamente ligados ao aparelho reprodutor. Desta forma, os tumores relacionados aos ovários, ao útero e aos  testículos, entre outros, têm forte impacto na capacidade reprodutiva dos indivíduos. Ou seja, as doenças que atingem os órgãos reprodutivos podem impedir ou prejudicar a produção de gametas sexuais impactando  diretamente na possibilidade de conceber.

    Entretanto, é importante esclarecer que muitas vezes, mais do que a doença em si, são os tratamentos necessários para combater diferentes tipos de câncer que afetam diretamente a fertilidade das pessoas.

    Tratamentos Oncológicos e Seus Efeitos na Fertilidade

    Nem todos os tratamentos oncológicos necessariamente afetam a fertilidade de homens e mulheres, entretanto, muitos tipos de radioterapia, quimioterapia e cirurgias podem levar à infertilidade. 

    Desta forma, a ação da radioterapia e de muitos quimioterápicos afetam as células dos ovários e dos testículos, prejudicando a função reprodutiva. Além disso, cirurgias para retirada de útero, ovários e testículos também impactam na fertilidade. 

    Neste contexto, é importante esclarecer que os tratamentos contra o câncer dependem de fatores como o tipo de tumor, sua localização, estágio da doença, idade do paciente, entre outros. 

    Preservação da Fertilidade em Pacientes Oncológicos

    Os pacientes oncológicos que desejam ter filhos um dia devem avaliar junto ao oncologista as possibilidades de preservação da fertilidade. Assim, dependendo do caso, podem ser realizados procedimentos para resguardar a fertilidade antes de iniciar os tratamentos contra o câncer.  

    Veja como preservar a fertilidade de pacientes oncológicos:

    Em homens:

    Congelamento do sêmen 

    Neste procedimento o sêmen é coletado através de masturbação ou punção testicular e congelado em nitrogênio a -196ºC por tempo indeterminado. Desta forma, no futuro, o material pode ser descongelado e usado em tratamentos como Inseminação Artificial(IA) ou Fertilização in Vitro (FIV).

    Congelamento do tecido dos testículos 

    Ainda em fase experimental, o congelamento de tecido testicular é feito quando a quantidade de espermatozoides no sêmen está comprometida. Nestes casos,

    é realizada uma biópsia e o tecido é congelado para ser usado no futuro.

    Em mulheres

    Congelamento de óvulos

    O congelamento de óvulos, também chamado de criopreservação, é a técnica de preservação dos gametas femininos em nitrogênio líquido, por meio de vitrificação. Para tanto, a paciente primeiro passa pelo processo de indução de ovulação com o objetivo de promover o amadurecimento de um maior número de folículos. Desta forma, quando estiverem no tamanho esperado é realizada a coleta dos óvulos e o seu congelamento.

    Entretanto, algumas pacientes oncológicas não podem receber os hormônios convencionais. Nesses casos, quando possível, os óvulos podem ser maturados em laboratório pela técnica de Maturação in Vitro e posteriormente congelados por tempo indeterminado.

    Congelamento de embriões

    Da mesma forma que o congelamento de óvulos preserva a fertilidade feminina, o congelamento de embriões também cumpre esse objetivo. Para isso, após a coleta dos óvulos é realizada a Fertilização in Vitro, ou seja, a união dos gametas masculinos e femininos em ambiente laboratorial. Desta forma, após formados os embriões, estes são criopreservados para serem usados em futura gravidez. 

    Congelamento de tecido ovariano

    O congelamento de tecido ovariano é indicado para pacientes oncológicas jovens que ainda não entraram na puberdade e assim não têm óvulos para serem coletados. Da mesma forma, essa técnica também pode ser usada por mulheres que não podem passar por indução da ovulação com hormônios. A expectativa dessa técnica é que o tecido possa ser reimplantado após o tratamento do câncer.

    Transposição dos ovários

    Outra técnica possível para a preservação da fertilidade da mulher é a transposição dos ovários. Este procedimento é indicado para mulheres que irão necessitar de radioterapia na região pélvica, o que pode afetar os ovários, e consequentemente, a reserva ovariana.

    Nesses casos, através de videolaparoscopia é possível mudar temporariamente o lugar dos ovários colocando-os por trás do útero os protegendo das radiações. Desta forma, quando o tratamento de câncer terminar, os ovários serão novamente colocados na posição original.

    Perguntas Frequentes Sobre Câncer e Fertilidade

    Como sabemos, o assunto câncer e fertilidade causa muita ansiedade e dúvidas a respeito do futuro dos pacientes com este diagnóstico.  Veja aqui algumas das perguntas mais frequentes de quem enfrenta esta realidade:

    1-Quanto tempo deve esperar para engravidar após o tratamento oncológico?

    Não há um tempo determinado para engravidar após o tratamento de câncer, lembrando que cada caso é diferente e individual. Em média pode levar de seis meses a dois anos, sendo importante conversar com o médico e seguir as orientações.  

    2- Pacientes oncológicos que não preservaram a fertilidade antes do tratamento podem conseguir engravidar?  

     Isto vai depender do tipo de câncer, sua localização e tratamento realizado. Nesse caso é essencial conversar com o oncologista e bem como com o especialista em fertilidade.

    3-Todo tratamento de câncer afeta a fertilidade masculina e feminina?

    Não. Muitos tratamentos atingem a fertilidade, entretanto, outros podem impactar de forma intermediária ou até mesmo não prejudicar a capacidade reprodutiva. Isto depende de cada caso, do tipo de tumor, da sua localização, da idade do paciente, entre outros fatores.

    4-Homens e mulheres que ficam férteis após o tratamento oncológico podem tentar uma gravidez natural ou devem usar óvulos, esperma ou embriões congelados previamente?

    Muitos especialistas em reprodução humana sugerem que o paciente fértil tente conceber de forma natural, ou seja, com espermas e óvulos que estão sendo produzidos. Entretanto, essa escolha deve ser analisada junto ao oncologista. 

    Conclusão: Enfrentando o Câncer com Esperança de Futura Paternidade/Maternidade

    Como vimos, enfrentar o tratamento de câncer não é uma tarefa fácil e o diagnóstico traz muitos medos e dúvidas, inclusive sobre a questão da fertilidade. Mas graças ao avanço da medicina reprodutiva já existem formas de preservar a fertilidade para que homens e mulheres possam ter filhos após o tratamento oncológico. 

    Por isso, converse com seu médico sobre as possibilidades para combater a doença e garantir chances de uma gravidez após o tratamento. Desta forma, o primeiro passo é a busca pela saúde e depois o caminho para a maternidade e à paternidade.

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  • Engravidar após vasectomia ou ligadura: é possível?

    Conteúdo atualizado em 13/07/2026.

    É possível engravidar após Vasectomia ou Ligadura de Trompas? A Vasectomia no homem e a Ligadura de trompas na mulher são procedimentos cirúrgicos que levam à esterilização, tornando o indivíduo incapaz de engravidar naturalmente. 

    Mas o que ocorre se a pessoa se arrepender e desejar ter um filho? É viável reverter esses procedimentos? Quais os caminhos possíveis para chegar a uma gravidez? No texto abaixo vamos tratar deste tema e mostrar como a reprodução assistida pode ajudar. Boa leitura!

    Reconsiderando a Paternidade e a Maternidade Após Procedimentos de Esterilização

    A vasectomia e a ligadura de trompas são procedimentos realizados com objetivo de impedir que uma gravidez  aconteça. Entretanto, diferente dos métodos contraceptivos como a camisinha, a pílula anticoncepcional, o Diu, entre outros, eles têm caráter definitivo. 

    É importante salientar que a vasectomia e a ligadura de trompas são regulamentadas pela lei Nº 14.443  referente ao planejamento familiar. Desta forma, podem ser realizados por homens e mulheres maiores de 21 anos ou com 2  filhos vivos. Além disso, os procedimentos de esterilização são indicados quando uma próxima gravidez  representa risco à vida ou à saúde da mulher, ou do futuro bebê. 

    Ainda que sejam escolhas voluntárias e a princípio permanentes, algumas pessoas acabam mudando de ideia e reconsiderando a paternidade ou a maternidade.  Para esses casos, o caminho é tentar a reversão.

    Reversão de Vasectomia: É Possível?

    Antes de falarmos sobre a reversão da vasectomia é importante explicar que este procedimento bloqueia os canais por onde passam os espermatozoides. Desta forma, os gametas masculinos são impedidos de se juntar aos demais elementos que formam o sêmen.  

    Nesse sentido, os ductos deferentes são cortados e bloqueados através de um pequeno corte de cada lado da bolsa escrotal.  A partir disso, o homem se torna estéril, mas não sofre qualquer alteração na produção dos gametas, na libido, na ereção, ou no desempenho sexual.

    Porém, alguns homens vasectomizados acabam mudando de ideia (cerca de 6%) e procuram ajuda médica para reverter a vasectomia e recuperar sua capacidade reprodutiva. Isso é possível?

    Depende. A reversão da vasectomia é realizada a partir de uma microcirurgia  com uso de microscópio para reconectar as pontas dos canais deferentes que foram cortados.  

    Entretanto, o sucesso leva em conta diferentes fatores como há quanto tempo a vasectomia foi feita e a técnica usada. Desta forma, quanto menor o tempo entre a vasectomia e sua reversão, maiores as chances de resultado positivo. 

    Veja os dados da Sociedade Brasileira de Urologia, 

    Tempo de vasectomiaSucesso na cirurgiaGravidez
    < 3 anos97%76%
    3-8 anos88%53%
    9-14 anos79%44%
    >15 anos71%30%

    Reversão de Ligadura de Trompas: O que Você Precisa Saber

    Como falamos, a ligadura de trompas é uma cirurgia de esterilização feminina. Também chamada de laqueadura, ela impede a comunicação entre o útero e o ovário através do bloqueio das tubas uterinas. Seja através de corte, amarração, clipes, entre outros, o objetivo é impedir o encontro do espermatozóide com o  óvulo, impossibilitando a fecundação.

    Embora tenha caráter definitivo, algumas mulheres mudam de ideia e desejam reverter esse procedimento.  Nesse sentido, a reversão de laqueadura consiste no desbloqueio e na recanalização das tubas uterinas. 

    Assim, é feita uma micro sutura para religar os canais.  Chamado de reanastomose, o processo tem como objetivo possibilitar que espermatozoide volte a ter acesso à tuba uterina para fecundar o óvulo.

    Entretanto, é importante salientar que as chances de sucesso da reversão da ligadura das trompas são limitadas.  Assim, a possibilidade da mulher voltar a engravidar naturalmente depende de fatores como o tempo e a técnica utilizada para a ligadura.  Além disso, questões como a idade feminina e possíveis problemas de fertilidade também impactam nos resultados.

    Fertilização In Vitro Após Vasectomia ou Ligadura

    Como vimos, tanto a vasectomia quanto a ligadura de trompas são procedimentos escolhidos por homens e mulheres que não desejam mais ter filhos. Nesse sentido, são processos cirúrgicos que provocam a esterilidade do indivíduo, impedindo a concepção de forma natural, ou seja, através de relação sexual. 

    Entretanto, se o desejo de aumentar a família voltar e a reversão da vasectomia e da ligadura não for possível ou efetiva, a medicina reprodutiva pode ajudar a realizar esse sonho.  

    Isto porque existem diferentes técnicas de reprodução assistida que superam barreiras de fertilidade e de esterilidade e possibilitam que casais, homens e mulheres tenham filhos. 

    Um dos tratamentos mais eficientes é a Fertilização In Vitro (FIV). Essa técnica de alta complexidade promove o encontro do óvulo e do espermatozoide em laboratório, fora do corpo da mulher, facilitando que ocorra a fecundação. 

    Desta forma, os embriões formados são cultivados em meio de cultura, selecionados e posteriormente transferidos ao útero onde será gestado. Nesse sentido, com taxas de sucesso entre 20% e 50%, a FIV vem evoluindo muito e ajudando milhares de pessoas a ter um filho. 

    No entanto, as chances do tratamento dar certo depende de fatores como idade da mulher, reserva ovariana, receptividade endometrial, qualidade do esperma, qualidade dos óvulos, entre outros.

    Veja as etapas da FIV:

    Estimulação ovariana 

    Com uso de medicamentos hormonais, a indução ovariana estimula que um maior número de folículos, que contêm os óvulos, cresça e amadureça. Dessa forma, é possível obter mais óvulos para serem fertilizados. 

    Durante o período de estimulação, realizam-se exames de ultrassonografias para acompanhar o crescimento dos folículos, até que estejam prontos para coleta.

    Punção folicular 

    Quando os folículos alcançam o tamanho ideal, ocorre a coleta de óvulos através da punção folicular. Todos os folículos produzidos pelos ovários são aspirados por uma agulha bem fina, guiada pelo ultrassom transvaginal. O procedimento é simples e rápido e acontece sob sedação.

    Coleta de Sêmen

    No caso dos homens, o sêmen é coletado através de masturbação ou por técnicas de aspiração dos epidídimo e testículo, ou biópsia testicular, quando não há espermatozoides na ejaculação. O próximo passo é selecionar os espermatozoides mais saudáveis e viáveis para a facilitar a fecundação. 

    Fecundação

    No tratamento de Fertilização In Vitro, a fecundação ocorre em laboratório. Dessa maneira, o encontro do óvulo com o espermatozoide para formar o embrião acontece fora do corpo da mulher, com a ajuda do embriologista.

    Cultivo e transferência embrionária 

    Os embriões formados no laboratório são cultivados em uma incubadora por alguns dias, até serem transferidos para o útero materno. Isto acontece geralmente no quinto dia do seu desenvolvimento, D5, quando o embrião atinge o estágio de blastocisto. Em casos de exceção, pode ocorrer no terceiro dia, D3.

    Outras Opções de Reprodução Assistida

    Além da Fertilização In Vitro, outras técnicas de reprodução assistida podem ajudar homens vasectomizados e mulheres com ligadura de trompa a terem filhos. Nesse sentido, nos referimos aos tratamentos que ajudam o encontro dos gametas masculino e feminino, o que se tornou impossível a partir dos procedimentos de esterilidade. 

    Conheça algumas técnicas de reprodução assistida que podem ajudar as pessoas estéreis a terem filhos: 

    Inseminação artificial

    A inseminação artificial é muito usada em casos de infertilidade masculina e feminina com taxa de sucesso em torno de 20%. Nesse sentido, o tratamento consiste na introdução dos espermatozoides diretamente dentro da cavidade uterina da mulher, com o objetivo de facilitar a fecundação do óvulo. 

    Também chamada de inseminação intrauterina (IIU), a técnica de baixa complexidade é indicada quando há leve alteração nos espermatozoides, e em casos de infertilidade sem causa aparente. 

    Congelamento de Óvulos/Embriões

    O congelamento de óvulos e embriões é uma técnica de reprodução assistida que tem como objetivo preservar a fertilidade da mulher e do homem. Também chamada de criopreservação, esse procedimento possibilita o congelamento dos gametas femininos, masculinos e também dos embriões para posterior utilização. 

    Desta forma, quando realizados antes da vasectomia e da ligadura das trompas, o congelamento possibilita que homens e mulheres estéreis possam ainda ter filhos através da FIV.

    Ovodoação/Doação de embriões

    A ovodoação é uma técnica de reprodução assistida indicada para mulheres com dificuldade de engravidar com seus próprios óvulos. Assim, ajuda quem tem diminuição da reserva ovariana, está na menopausa, em tratamento oncológico, possui doença genética ou fez ligadura de trompas.

    Nesse sentido, a ovodoação ocorre quando uma mulher cede seus óvulos, de forma altruísta, para que outra pessoa os utilize. O gameta feminino doado é fecundado através da Fertilização in Vitro e o embrião resultante, após transferência, será gestado pela receptora. 

    Além disso, a doação de óvulos também possibilita que casais masculinos e pais solteiros formem suas famílias.

    Da mesma forma, existe a doação de embriões, quando casais em tratamento de Fertilização In Vitro cedem seus embriões excedentes para outras pessoas. Nesse sentido, os gametas e embriões doados são criopreservados por vitrificação e mantidos em nitrogênio líquido a -196°C. Assim, pode-se armazenar por tempo indeterminado, aguardando o momento de transferência para o útero da receptora. 

    Consultando um Especialista em Fertilidade

    Para aqueles que consideram a parentalidade após uma vasectomia ou ligadura de trompas, o passo inicial é buscar a orientação de um médico especialista em fertilidade.

    Apenas o médico pode explicar em detalhes como são feitos os procedimentos de reversão, e quais as chances de chegar a uma gravidez naturalmente. 

    Além disso, é uma ótima oportunidade para analisar com o especialista a opção de recorrer aos tratamentos de reprodução assistida para aumentar a família. 

    Pois como vimos, existem diferentes técnicas e tratamentos que podem ajudar vasectomizados e mulheres com ligadura de trompas a conquistar a gravidez tão desejada. 

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    Preparando-se Emocional e Financeiramente para a Jornada 

    Tão importante quanto se preparar fisicamente para a jornada de reprodução assistida é focar também na saúde mental. Isto porque corpo e mente devem estar em sintonia para aumentar as chances de sucesso do tratamento.

    Desta forma, além da equipe médica, é importante procurar um psicólogo para suporte emocional, bem como, contar com o apoio da família e dos amigos.

    Outra questão importante é a preparação financeira necessária quando se programa um tratamento da medicina reprodutiva. É preciso fazer uma estimativa de gastos de cada etapa da técnica que será usada, e também do pré-natal, da gravidez e do parto. 

    Após a leitura deste conteúdo, que tal agendar a sua consulta com o Dr. João Paladino, urologista especializado em saúde e fertilidade masculina? A primeira consulta para tirar todas as suas principais dúvidas é o passo determinante para realizar o seu sonho da parentalidade. 

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  • Direitos Reprodutivos e Reprodução Assistida

    Os direitos reprodutivos fazem parte dos direitos humanos reconhecidos pela ONU. Nesse sentido, eles garantem que homens e mulheres decidam livremente a respeito de sua vida sexual e reprodutiva. 

    No texto a seguir vamos entender um pouco mais sobre o assunto. O que são direitos reprodutivos e qual a relação com a saúde e a reprodução assistida. Além disso, será explicado como é a legislação no Brasil e o que é preciso para ter os direitos reprodutivos em nosso país. Boa leitura!

    O que são Direitos Reprodutivos?

    Os direitos reprodutivos são aqueles que asseguram que toda pessoa deve ser livre para decidir como e quando ter filhos, ou se quer tê-los ou não. Sendo assim, é uma decisão individual ou de cada família, na qual os governos não devem interferir.

    No entanto, cabe às autoridades definir políticas públicas para dar acesso à saúde e garantir que estes direitos sejam cumpridos com segurança.

    Por que os Direitos Reprodutivos são essenciais?

    Os direitos reprodutivos são reconhecidos como direitos humanos desde 1994, quando foi realizada a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento da ONU, no Egito.

    Assim, mais de 170 países assumiram compromissos comuns para melhorar a vida de todas as pessoas “por meio da promoção dos direitos humanos e da dignidade”. Dentre eles estão a liberdade ao planejamento familiar e o apoio à saúde reprodutiva. 

    Da mesma forma, são garantidos a igualdade de gênero, a educação para as meninas e a eliminação da violência contra as mulheres.

    Porém, ainda existem vários lugares onde este documento não é seguido, deixando milhões de pessoas sem acesso a cuidados básicos de saúde reprodutiva. Isso inclui a falta de planejamento familiar sem métodos contraceptivos e serviços seguros para a gravidez e o parto.

    A relação entre Direitos Sexuais e Reprodutivos

    Como já mencionamos, assim como os direitos reprodutivos, na mesma conferência da ONU, também foram garantidos os direitos sexuais de cada indivíduo. Desta forma, os direitos sexuais e reprodutivos são aqueles que permitem que as pessoas decidam, de maneira livre, a respeito de seus corpos e de sua sexualidade.

    Assim, de acordo com o Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA), essas garantias incluem também:

    • O direito de cada pessoa a exercer sua sexualidade sem sofrer perseguições ou ameaças;
    • O direito de tomar decisões a respeito do próprio corpo;
    • O direito a ter acesso a informações de qualidade sobre saúde sexual e reprodutiva.

    Legislação e Direitos Reprodutivos no Brasil

    Os direitos sexuais e reprodutivos no Brasil são protegidos pela Constituição Federal de 1988. Nesse sentido, qualquer indivíduo tem:

    • Direito de viver e expressar livremente a sexualidade sem violência, discriminações e imposições, e com respeito pleno pelo corpo do(a) parceiro(a);
    • Direito de escolher o(a) parceiro(a) sexual; 
    • Direito de viver plenamente a sexualidade sem medo, vergonha, culpa e falsas crenças; 
    • Direito de escolher se quer ou não quer ter relação sexual; 
    • Direito de viver a sexualidade independentemente de estado civil, idade ou condição física; 
    • Direito de ter relação sexual independente da reprodução; 
    • Direito de expressar livremente sua orientação sexual;
    • Direito à informação e à educação sexual; 
    • Direito ao sexo seguro para prevenção da gravidez indesejada e de infecções sexualmente transmissíveis (IST); 
    • Direito aos serviços de saúde que garantam privacidade, sigilo e atendimento de qualidade e sem discriminação.
    • Direito de decidir, de forma livre e responsável e se quer ou não ter filhos;
    • Direito a informações, meios, métodos e técnicas para ter ou não ter filhos;
    • Direito de exercer a reprodução livre de discriminação, imposição e violência.

    Desafios e obstáculos enfrentados

    É importante esclarecer que os direitos sexuais e reprodutivos buscam proteger as mulheres de violências sexuais e ajudar a controlar a natalidade. Além disso, eles também foram criados para promover a saúde e tentar eliminar a mortalidade materna e neonatal. 

    Da mesma forma, podemos destacar que eles envolvem questões sobre a fertilidade da mulher, garantindo o acesso a meios de prevenção às infecções sexualmente transmissíveis (IST) e métodos e serviços contraceptivos.

    Mas infelizmente, em muitos países a realidade é muito diferente da teoria. Nesse sentido, o desafio dos governos é que ações públicas sejam tomadas para evitar violações aos direitos das mulheres. 

    Como garantir seus Direitos Reprodutivos?

    Para garantir os direitos reprodutivos no Brasil, é muito importante que independente da classe social, as mulheres tenham: 

    • Acesso a exames ginecológicos, especialmente o papanicolau e a mamografia;
    • Acesso à prevenção e tratamento de infecções sexualmente transmissíveis;
    • Assistência à contraconcepção;
    • Acompanhamento à gestação;
    • Acompanhamento ao pré-natal durante a gravidez;
    • Assistência ao parto e ao puerpério;
    • Direito ao aborto nos casos legalmente autorizados.

    Reprodução Assistida e Direitos Reprodutivos

    Como já vimos, no Brasil os direitos reprodutivos são protegidos pela Constituição de 1988, que garante a saúde de forma geral, inclusive o sistema reprodutivo. Além disso, os direitos vieram para fortalecer a liberdade de escolha sobre ter ou não ter filhos, quantos e quando tê-los.  Ou seja, garantem o acesso ao planejamento familiar.

    Sendo assim, desde 1996, existe a Lei federal nº 9.263 que prevê o planejamento familiar como um direito de todo cidadão brasileiro. Da mesma forma, a lei diz que “a assistência em planejamento familiar deve incluir a oferta de todos os métodos e técnicas para a concepção […] cientificamente aceitos”.  

    O acesso à Reprodução Humana Assistida é um direito constitucional e instituições vinculadas ao SUS prestam esse serviço. Assim, todo o cidadão brasileiro poderia se beneficiar das técnicas de reprodução assistida para realizar o sonho de ter um filho. Isso inclui, indivíduos com problemas de infertilidade, casais homoafetivos e pessoas que desejam uma produção independente.

    Se você quer saber mais sobre as técnicas de “Reprodução Assistida” , baixe o guia completo sobre o assunto. 

    Veja também: As dúvidas mais frequentes sobre Medicina Reprodutiva.

  • Como funciona a permissão para barriga solidária no Brasil?

    Embora a barriga solidária no Brasil venha ajudando muitas pessoas a terem seus filhos, ainda é um assunto pouco falado e que gera dúvidas entre as pessoas. 

    Afinal, “emprestar” o útero de outra mulher para gestar seu filho não é uma decisão fácil. Nesse sentido, esta escolha envolve tanto os pais biológicos, quanto a pessoa que cede temporariamente seu útero, portanto, deve ser bem pensada e conversada.

    Mas afinal, como funciona a permissão para barriga solidária no Brasil? Para quem é indicado? Quem pode ser barriga de aluguel? No texto abaixo você vai saber mais detalhes sobre como funciona a barriga solidária no país.

    O que é barriga solidária?

    A barriga solidária no Brasil, também chamada de útero de substituição, refere-se à geração de um bebê com material genético (óvulo) de uma mulher, mas gestado no útero de outra pessoa. 

    Desta forma, é um tratamento da medicina reprodutiva capaz de viabilizar o sonho de muitas pessoas de terem um filho. 

    Nesse sentido, possibilita a mulheres sem útero, com defeitos congênitos ou doenças que apresentam risco de morte durante a gestação, conseguirem a tão almejada maternidade. 

    Da mesma maneira, a barriga solidária ainda permite que casais homoafetivos e homens solteiros formem suas famílias.

    Ou seja, a barriga solidária é indicada nos casos em que há necessidade de doação temporária do útero quando uma outra mulher gesta o bebê dos pais biológicos.

    Barriga solidária no Brasil é permitido? Entenda

    Sim, a barriga solidária é permitida no Brasil e segue normas estabelecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), na resolução nº2.320 de 20 de Setembro de 2022. 

    Nesse sentido, pode ser realizada desde que haja um problema médico que impeça ou contraindique a gestação na doadora genética, em união homossexual ou pessoa solteira.

    Veja o que diz o CFM sobre barriga solidária:

    1. A cedente temporária do útero deve pertencer à família de um dos parceiros em parentesco consanguíneo até o quarto grau. Ou seja, pode ser barriga solidária mãe, filha, avó, irmã, tia, sobrinha ou prima. 

    2. Em casos de parentes mais distantes ou quando não há relação consanguínea é preciso da autorização do Conselho Regional de Medicina (CRM) para continuar o processo. 

    3. A cessão temporária do útero não pode ter caráter lucrativo ou comercial. 

    4. As clínicas de reprodução assistida devem colocar no prontuário da paciente os documentos: 

    • Termo de consentimento livre e esclarecido assinado pelos pacientes e pela cedente temporária do útero, contemplando aspectos biopsicossociais e riscos envolvidos no ciclo gravídico-puerperal, bem como aspectos legais da filiação; 
    • Relatório médico com o perfil psicológico, atestando adequação clínica e emocional de todos os envolvidos; 
    • Termo de Compromisso entre o paciente e a cedente temporária do útero, estabelecendo a questão da filiação da criança;
    • Compromisso, por parte do paciente contratante de serviços de Reprodução Assistida, de tratamento e acompanhamento médico, inclusive por equipes multidisciplinares, se necessário, à mãe que cederá temporariamente o útero, até o puerpério;
    • Compromisso do registro civil da criança pelos pacientes (pai, mãe ou pais genéticos), devendo esta documentação ser providenciada durante a gravidez;
    • Aprovação do cônjuge ou companheiro, apresentada por escrito, se a cedente temporária do útero for casada ou viver em união estável.

    Histórico e contexto Legal no Brasil

    A regulamentação da barriga solidária no Brasil teve seu marco inicial com as resoluções do Conselho Federal de Medicina (CFM), sendo a primeira publicada em 1992. No entanto, o tema foi ganhando destaque e amadurecimento ao longo dos anos, principalmente à medida que as técnicas de reprodução assistida evoluíram. 

    A ausência de uma legislação específica levou o CFM a criar normas mais detalhadas para garantir a segurança e a ética do processo, culminando na resolução nº 2.320/2022, que atualmente regula o útero de substituição no país.

    A partir da década de 1990, com o avanço da fertilização in vitro (FIV), muitos casais e pessoas com dificuldades de gestação viram uma solução através da barriga solidária. 

    A prática, que inicialmente era pouco difundida e gerava muitas dúvidas, foi progressivamente incorporada à rotina das clínicas de reprodução assistida, sempre sob supervisão do CFM. Junto a isso, a legislação passou a priorizar o caráter altruísta do procedimento, estabelecendo regras claras para evitar o caráter comercial da prática, o que é proibido no Brasil.

    Em termos de evolução, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) também passou a ter um papel importante na supervisão de questões relacionadas à filiação e ao registro civil das crianças nascidas por meio de barriga solidária. 

    O CNJ garante que, após o nascimento, os pais biológicos tenham seus nomes registrados imediatamente na certidão de nascimento do bebê, evitando disputas jurídicas e estabelecendo de forma clara a filiação, sem vínculo legal entre a gestante e a criança.

    A legislação sobre barriga solidária no Brasil reflete um esforço contínuo para acompanhar os avanços da medicina reprodutiva, equilibrando inovações tecnológicas com a necessidade de proteger os direitos dos envolvidos, especialmente da gestante e da criança. 

    Esse conjunto de regras visa proporcionar um processo seguro, ético e transparente, atendendo ao desejo de casais heterossexuais, casais homoafetivos e pessoas solteiras de formar suas famílias, sempre respeitando os preceitos de solidariedade e altruísmo.

    Diferenças com outros países

    A prática de barriga solidária no Brasil é regulamentada de forma rígida, priorizando o caráter altruísta e proibindo qualquer tipo de compensação financeira. Essa abordagem se diferencia fortemente de países como os Estados Unidos, por exemplo, onde a gestação por substituição pode ser tanto altruísta quanto comercial. 

    Nos EUA, alguns estados permitem que a mulher que gestará o bebê receba uma remuneração pelo serviço, tornando a barriga de aluguel uma prática comum e acessível para quem tem recursos financeiros, enquanto outros estados proíbem essa prática comercial.

    Em países como a Índia e a Ucrânia, a gestação por substituição comercial também era amplamente praticada, com menores custos comparados aos Estados Unidos. No entanto, devido a questões éticas e a exploração de mulheres vulneráveis, esses países começaram a impor restrições mais severas. 

    A Índia, por exemplo, passou a proibir a prática comercial para estrangeiros e limitou a barriga solidária apenas a cidadãos indianos em determinadas condições. Isso reflete a preocupação global com os impactos sociais e econômicos da barriga de aluguel, especialmente em países em desenvolvimento, onde mulheres de baixa renda eram frequentemente exploradas.

    Em termos culturais, países como a França e a Alemanha adotam uma postura muito mais conservadora, proibindo completamente tanto a barriga solidária quanto a comercial. Nesses países, a proteção dos direitos da gestante e o risco de comercialização da maternidade prevalecem sobre o desejo dos futuros pais de ter um filho biológico. 

    Esse contraste com o Brasil, onde a barriga solidária é permitida dentro de regras estritas e familiares, evidencia como questões culturais e sociais podem moldar as legislações sobre reprodução assistida ao redor do mundo.

    A legislação brasileira, que proíbe qualquer ganho financeiro, garante que o processo se mantenha ético e solidário, evitando a exploração das mulheres envolvidas. Essa abordagem mais humanizada e regulada reforça a segurança jurídica e emocional das partes envolvidas, destacando o Brasil como um país que busca equilibrar os avanços da medicina reprodutiva com uma proteção robusta aos direitos humanos.

    Quem recorre à barriga solidária?

    Como vimos, a barriga solidária é necessária nos casos em que a mãe biológica não tem condições de gestar seu filho. Além disso, também possibilita que casais LGBTQAPIN+ e homens solteiros possam ter filhos. 

    Assim, em todas essas situações, a barriga solidária é o caminho que viabiliza a gestação de uma nova vida.

    Para quem é indicado a barriga solidária:

    Quem pode ser uma barriga solidária no Brasil? 

    Como já foi explicado, a prática da barriga solidária no Brasil segue as normas estabelecidas pelo Conselho Federal de Medicina. 

    Nesse sentido, a entidade destaca com clareza quem pode “emprestar” o útero temporariamente para ajudar um familiar a realizar um sonho tão grande como ter um filho. 

    Vale ressaltar que a barriga solidária no Brasil não pode ter caráter lucrativo ou comercial, ou seja, não pode ser paga.

    A cedente temporária do útero deve pertencer à família de um dos parceiros em parentesco consanguíneo até o quarto grau. 

    Veja quem pode ser barriga solidária no Brasil:

    •  1º grau: mãe ou filha;
    • 2º grau: avó ou irmã;
    • 3º grau: tia ou sobrinha;
    • 4 grau: prima;
    • Quando a pessoa disposta a ser barriga solidária não se enquadra nessa regra, é necessário pedir autorização do CFM.

    Entenda como a barriga solidária funciona

    A prática da barriga solidária só é possível graças à técnica de Fertilização In Vitro (FIV). Nesse sentido, o tratamento de alta complexidade consiste em realizar a fecundação do óvulo com o espermatozoide em ambiente laboratorial, fora do corpo da mulher. 

    Desta forma, os embriões resultantes da fertilização são cultivados em meio de cultura, e após, são selecionados e transferidos ao útero. 

    No caso de barriga solidária, o embrião é transferido ao útero da mulher que vai gestar o bebê para os pais biológicos.

    Conheça as etapas da FIV:

    A Fertilização in Vitro começa com a coleta dos gametas feminino e masculino. Para isso, as mulheres passam por um processo de estímulo da ovulação, através de medicamentos hormonais e, posteriormente, ocorre a coleta dos óvulos. 

    Já nos homens, obtém-se a amostra de espermatozoides através de masturbação ou, se necessário, a partir de uma punção testicular. Além disso, é possível usar também gametas masculinos de banco de esperma.

    Na sequência, unem-se óvulo e espermatozoides em laboratório, ocorrendo a fertilização, e assim, a formação do embrião. Após alguns dias de cultivo em uma incubadora, o embrião chega à fase de blastocisto, e é transferido ao útero solidário.

    É importante frisar que todos os envolvidos no processo da barriga solidária devem passar por uma avaliação médica em clínicas de Reprodução Humana especializadas, como a Nilo Frantz Medicina Reprodutiva. Lá, serão solicitados exames clínicos, laboratoriais e uma avaliação psicológica.

    Veja como é feita a FIV para barriga solidária:

    • Pais biológicos: o casal fornece o material genético que é fertilizado em laboratório e depois implantado no útero da pessoa que emprestará, de forma solidária, a sua barriga para a gestação.
    • Casais homossexuais ou produções independentes: como não há a possibilidade do fornecimento de ambos os materiais genéticos, é necessário recorrer a um banco gametas.

    Benefícios Psicológicos e Emocionais

    A questão emocional e psicológica na prática de barriga solidária é uma das mais complexas e sensíveis do processo, tanto para os pais biológicos quanto para a pessoa que cede o útero. Para os futuros pais, especialmente aqueles que enfrentaram dificuldades com fertilidade ou passaram por perdas gestacionais, a experiência de ter outra pessoa gestando seu filho pode despertar sentimentos intensos, como: ansiedade, frustração e, ao mesmo tempo, esperança.

    Por isso o acompanhamento psicológico contínuo é essencial para ajudar os pais a lidarem com essas emoções, garantindo que estejam preparados para o momento do nascimento e para a criação do vínculo com o bebê pós-parto.

    Para a pessoa que cede o útero, os desafios emocionais podem ser igualmente significativos. Ela enfrenta as transformações físicas e hormonais da gestação, sabendo desde o início que a criança não será sua. Esse “desapego” planejado pode ser emocionalmente exigente, especialmente após o nascimento, quando os instintos maternais podem emergir.

    Portanto, a avaliação psicológica inicial e o acompanhamento durante e após a gestação são fundamentais para garantir que a gestante solidária esteja preparada para lidar com esses desafios. Dessa forma, o apoio contínuo oferecido pelas clínicas de reprodução assistida, que contam com equipes especializadas para monitorar o bem-estar emocional da cedente, são essenciais.

    As clínicas de reprodução assistida no Brasil, como a Nilo Frantz Medicina Reprodutiva, incluem a avaliação psicológica como uma etapa obrigatória do processo de barriga solidária. 

    Tanto os pais biológicos quanto a cedente do útero são submetidos a avaliações detalhadas para garantir que estão psicologicamente aptos a enfrentar as diversas fases do processo. Além de testes e entrevistas com psicólogos especializados, essas avaliações abordam questões relacionadas às expectativas de cada parte, ao vínculo afetivo que pode surgir entre a gestante e o bebê, e às dinâmicas familiares envolvidas.

    O suporte emocional durante a gestação e após o parto é um aspecto fundamental, ajudando a prevenir ou amenizar possíveis efeitos psicológicos negativos, como o esvaziamento emocional que pode ocorrer após a cessão do bebê ou a ansiedade dos pais biológicos quanto à criação de um vínculo com a criança. 

    Por isso, o acompanhamento multidisciplinar, que inclui psicólogos e médicos, é essencial para assegurar que todas as partes envolvidas estejam emocionalmente seguras e apoiadas, garantindo um processo saudável e equilibrado.

    Barriga solidária x barriga de aluguel: qual a diferença?

    Mulher grávida segurando ursinho de pelúcia sobre a barriga, simbolizando o afeto e o cuidado envolvidos na barriga solidária no Brasil.

    Embora muitas pessoas consideram erroneamente barriga solidária e barriga de aluguel como sinônimo, elas não são iguais. 

    A principal diferença é a questão financeira. 

    Assim, enquanto a barriga solidária não pode envolver dinheiro, na barriga de aluguel a mulher que gera o bebê para outra pessoa recebe retorno financeiro. Em outras palavras, é realmente um “aluguel de útero”. 

    Diferente da barriga solidária, a barriga de aluguel não é aceita no Brasil. No entanto, essa prática é muito utilizada no exterior em países como Estados Unidos, Colômbia, Albânia, Ucrânia e Rússia. 

    Barriga solidária na Nilo Frantz Medicina Reprodutiva 

    A barriga solidária é um dos tratamentos realizados pela Nilo Frantz Medicina Reprodutiva, uma das mais conceituadas e experientes clínicas de reprodução humana do Brasil. 

    Com infraestrutura diferenciada e laboratórios de alta performance, a clínica vem ajudando milhares de pacientes a realizarem o sonho de ter um filho. 

    Nesse sentido, sabe-se que barriga solidária ou útero de substituição é uma demonstração de empatia, afeto, solidariedade e muito amor. 

    Assim, é preciso que a pessoa que vai ceder o útero temporariamente para realizar o sonho de alguém, esteja física e emocionalmente preparada para enfrentar esta experiência. 

    Assim, a equipe da Nilo Frantz está preparada para acompanhar os pacientes em todas as etapas da jornada, abrangendo tanto os pais biológicos quanto a cedente do útero. O constante investimento em tecnologia avançada, educação contínua, pesquisas e na qualificação de equipes multidisciplinares permite unir o cuidado humano à inovação. Dessa forma, os pacientes têm acesso a tratamentos mais precisos, garantindo as melhores  taxas de sucesso.


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  • Homem trans pode engravidar? Tire todas as dúvidas sobre o assunto

    Você sabia que homem trans pode engravidar? O primeiro caso foi registrado nos Estados Unidos, em 2008, e desde então a gestação transexual masculina tem se tornado cada vez mais comum.

    No texto a seguir explicamos todas as dúvidas sobre o assunto. Assim, saberemos como um homem trans pode engravidar, se há risco ou dificuldade para uma gestação e se é possível amamentar o bebê. 

    O que é ser transgênero?

    Antes de mais nada, é importante explicar que uma pessoa transgênero tem uma identidade de gênero diferente do sexo designado no momento do nascimento. Ou seja, ela não se identifica com o gênero ao qual foi designado, baseado em seu sexo biológico.

    Sendo assim, a pessoa trans pode ser tanto uma trans-binária, como um homem trans ou mulher trans. Da mesma forma, pode ser uma pessoa não-binária (como os gender fluid), aquela que não se identifica com nenhum dos gêneros ou, então, se identifica com ambos.

    Vale ainda esclarecer que a identidade de gênero é diferente da sexualidade. Assim, pessoas trans podem ter qualquer orientação sexual, incluindo heterossexual, homossexual, bissexual e assexual.

    Homem trans pode engravidar?

    Os homens trans são pessoas que nasceram com os órgãos reprodutores femininos. Porém, ao longo do tempo, passam a se reconhecer como pertencentes do gênero masculino.

    Desta forma, uma pessoa trans pode passar por uma cirurgia de redesignação sexual, ou tratamentos hormonais. 

    No caso do homem trans é possível retirar as mamas e os órgãos femininos. No entanto, uma vez que se mantém os ovários e o útero, ele tem a possibilidade de engravidar e gerar um filho.

    Primeiro Caso de Gravidez em Homens Trans

    O primeiro homem transexual a engravidar foi o americano Thomas Beatie que em 2008, após descobrir que sua esposa era estéril, decidiu que iria gestar o filho do casal. Nesse sentido, ele recorreu a um banco de sêmen e com a ajuda da técnica de inseminação artificial conseguiu engravidar. 

    Isto foi possível, pois Beatie passou por uma mastectomia (retirada dos seios), mas manteve seu útero e ovários. Desta forma, para poder engravidar, ele parou de tomar as doses de testosterona e assim voltou a ovular naturalmente. 

    Assim, mesmo sendo homem trans, ele teve a possibilidade de engravidar e gerar um bebê. 

    Homem trans pode engravidar alguém?

    Sim, um homem trans pode engravidar alguém enquanto seus óvulos podem ser utilizados para gerar um embrião que será gerado por outra pessoa. Para isso é preciso utilizar a técnica de Fertilização In Vitro para que a gestação aconteça. Desta forma podemos considerar que ele participou ativamente da gravidez.

    O homem trans pode engravidar tomando hormônio?

    Naqueles que possuem altos níveis de testosterona, é necessário baixar os níveis hormonais para o típico feminino por um período não especificado ainda, mas calculado entre 03 a 06 meses de interrupção.

    A partir disso, a gravidez e os procedimentos do parto são tipicamente os mesmos que os feitos em qualquer outra pessoa grávida. 

    Qual tamanho mínimo do útero para homem trans engravidar?

    Ao fazer o tratamento com o hormônio masculino, existe uma alteração nos órgãos reprodutivos femininos, que acabam atrofiando. No entanto, ao parar com a medicação, em alguns meses o útero e ovários voltam ao tamanho normal durante a idade fértil.

    Como o homem trans pode engravidar?

    Como já vimos, homens trans podem engravidar naturalmente, desde que possuam o aparelho reprodutor feminino. No entanto, é necessário pausar o uso da testosterona antes e durante a gestação e a amamentação. 

    Nesse sentido, ao parar o tratamento hormonal os sinais masculinos irão regredir e dessa forma, voltará o ciclo menstrual, a ovulação e a possibilidade de engravidar.

    Preservando a Fertilidade da Pessoa Trans

    Dependendo do tratamento realizado pela pessoa trans, a capacidade reprodutiva é geralmente impactada. Desta maneira, seja pelas terapias hormonais ou cirurgias para retirada de ovários, útero e testículos, a pessoa trans perde a possibilidade de gerar filhos biológicos. 

    Entretanto, há possibilidade de preservar a fertilidade antes que o processo de redesignação sexual inicie. Nesse sentido, o congelamento de gametas e embriões é o melhor caminho. 

    Também chamado de criopreservação, essa técnica preserva óvulos, espermatozoides e embriões por meio de vitrificação, impedindo a formação de cristais de gelo que danificam células reprodutoras. Dessa forma, o material  congelado fica armazenado em um cilindro de nitrogênio líquido e são mantidos a −196º, por tempo indeterminado.

    Possibilidades de Engravidar Naturalmente para Pessoas Trans

    Existem possibilidades para as pessoas trans engravidar naturalmente, contanto que possuam os órgãos do aparelho reprodutor. Desta maneira, é necessário que o homem trans tenha o útero e os ovários, da mesma forma que a mulher trans precisa ter testículos. 

    No entanto, para que uma pessoa trans possa conceber um bebê naturalmente será preciso interromper o uso dos hormônios. Isto é necessário para que o organismo volte a produzir os gametas feminino ou masculino.

    Um homem trans pode engravidar uma mulher cis?

    Quando o casal é formado por homem trans e mulher cis (identidade de gênero idêntica ao que foi atribuído no nascimento), o tratamento de Reprodução Assistida é igual ao do casal homoafetivo feminino. Nesse sentido, deve-se utilizar óvulos do homem trans que serão fecundados com esperma doado de banco de sêmen e transferido ao útero da parceira. 

    Caso o homem trans deseje usar seus óvulos para engravidar em algum momento da vida ou ainda doar os gametas, recomenda-se o congelamento de óvulos. O ideal é que isso ocorra, se possível, antes mesmo de iniciar a hormonização.

    Uma mulher cis pode engravidar um homem trans?

    Sim, é possível. Neste caso, com a Fertilização In Vitro, utilizam-se os óvulos da mulher cis, fecundados com esperma de banco de sêmen. Depois dessa etapa do tratamento,   o embrião é transferido ao útero do homem trans.

    Contudo, ainda assim, é importante que o homem trans pare totalmente de tomar a medicação para que possa gestar com segurança o bebê.

    Uma mulher trans pode engravidar um homem trans?

    Sim, uma mulher trans pode engravidar um homem trans se os órgãos reprodutivos do casal foram mantidos. Nestes casos a gestação pode ser natural ou se utilizar das técnicas de Reprodução Assistida como a Inseminação Artificial ou Fertilização In Vitro. 

    Assim, o esperma da mulher trans pode ser introduzido diretamente na cavidade uterina do homem trans ou fecundado em laboratório com os óvulos do parceiro. Se for FIV, depois do embrião formado, ele é transferido para a cavidade uterina do transgênero masculino.

    Um homem cis pode engravidar um homem trans?

    Sim, um homem cisgênero (que se identifica com sexo biológico em que nasceu) pode engravidar um homem trans, desde que o parceiro tenha o sistema reprodutor preservado.

    Como é a gravidez do homem trans?

    O processo de gravidez, assim como o parto de um homem trans é igual ao da mulher cisgênero. Nesse sentido, na maioria das vezes, não é de alto risco e nem precisa de cuidado especial. 

    Tratamentos de Reprodução Assistida para Pessoas Trans

    Como vimos, muitos casais formados por pessoas trans necessitam da ajuda das técnicas de reprodução humana quando decidem ter um filho. Nesse sentido, os tratamentos variam de acordo com a configuração familiar, se apresentam sistema reprodutivo preservado e claro desejo das pessoas envolvidas.

    Inseminação Artificial para Pessoas Trans

    A inseminação artificial (IA) é um dos tratamentos de baixa complexidade indicado para ajudar pessoas trans a terem filhos. Além disso, é muito usada em casos de infertilidade masculina , feminina sem causa aparente, com taxa de sucesso em torno de 15% a 20%.

    Também chamada de inseminação intrauterina (IIU), o tratamento consiste na introdução dos espermatozoides diretamente dentro da cavidade uterina. Nesse sentido, o objetivo de facilitar a fecundação do óvulo pelos espermatozoides nos tubos uterinos. 

    Fertilização In Vitro (FIV) para Pessoas Trans

    A Fertilização In Vitro (FIV) para pessoas trans segue os mesmos passos e protocolos que qualquer outra FIV. Nesse sentido, a técnica de alta complexidade promove o encontro do óvulo e do espermatozoide em laboratório, facilitando que ocorra a fecundação.  

    Para isso, após indução ovariana os óvulos são coletados através da punção folicular. Além disso, é realizada a coleta de sêmen por masturbação ou biópsia testicular. Quando necessário é possível recorrer  a óvulos e/ou semem doados. 

    Desta forma, os embriões formados em ambiente laboratorial são cultivados, selecionados e posteriormente transferidos ao útero onde serão gestados. Além disso, em alguns casos o útero solidário  pode ajudar pessoas trans, casais homoafetivos , pais e mães solos chegarem a gravidez.

    Nesse sentido, com taxas de sucesso entre 20% e 50%, a FIV vem evoluindo muito e ajudando milhares de pessoas a ter um filho. 

    Homem trans pode amamentar?

    Existem várias dúvidas em relação à amamentação de um homem trans. É possível amamentar? A resposta é sim. Assim como o homem trans pode gerar um filho, ele também consegue amamentar. Veja mais detalhes abaixo: 

    O seio do homem trans cresce para amamentar?

    Sim. Se ele tiver mantido as mamas, o seio vai crescer como em qualquer outra gestação. Assim, o homem trans poderá amamentar seu filho biológico sem maiores problemas.

    O homem trans mastectomizado pode amamentar?

    Caso o transexual masculino seja mastectomizado não poderá amamentar, já que não produzirá leite por não ter mais as mamas. No entanto, é possível buscar outras formas de amamentação, assim como acontece com algumas mulheres cis ou trans.

    Quanto tempo depois de engravidar o homem trans pode voltar a tomar hormônio?

    Se o homem trans pretende amamentar, ele só poderá voltar a usar o hormônio masculino depois do desmame. Caso, ele não for amamentar, já é possível retornar à medicação após o parto. Porém, em ambos os casos, é importante pedir ajuda e orientação médica.

    Registro da Criança por Pessoas Trans

    Uma das preocupações frequentes de pessoas trans que querem ter filhos é se o registro civil da criança vai respeitar a identidade de gênero dos pais. Nesse sentido, não há na Constituição ou nas leis federais nenhuma norma expressa no tocante ao direito à identidade de gênero. 

    Entretanto, a proteção jurídica às pessoas trans passou a ser garantida judicialmente.  

    Veja alguns exemplos:

    Em 2018, na repercussão geral (RE 670422), a Corte Suprema definiu teses em relação ao direito à identidade de gênero da pessoa trans. Desta forma, orientou, entre outros, que o transgênero tem direito fundamental à alteração de seu prenome e de sua classificação de gênero no registro civil. 

    Cumprindo a determinação do STF, o Conselho Nacional de Justiça editou o Provimento nº 73/2018, que regulamenta a alteração de prenome e gênero diretamente no registro civil das pessoas naturais, maiores de 18 anos. Desta forma, uma vez averbada a alteração do prenome e do gênero no registro de nascimento da pessoa trans, a modificação deve constar no registro dos filhos.

    Por decisão do STF, a transfobia deve ser enquadrada como crime de racismo;

    Depois de engravidar o homem trans tem direito a licença paternidade?

    A realidade é que a legislação brasileira, quando foi criada, não considerou, de maneira adequada, a diversidade das novas famílias. Sendo assim, o tema ainda é bastante discutido, pois as leis não foram pensadas para serem aplicadas entre pessoas homossexuais e de transgêneros.

    No entanto, já há jurisprudência de igualar os direitos trabalhistas a todas as pessoas, independente da sexualidade e identidade de gênero. Desta forma, muitos juízes já entendem que ser homossexual ou trans não tira o direito de usufruir das leis. Assim, transexuais masculinos e gays já estão conseguindo a licença paternidade como os heterossexuais. 

    Além disso, muitas empresas têm concedido a licença-paternidade igualmente para todos. No entanto, se o casal tiver qualquer problema nesse sentido, o ideal é que procure por um advogado a fim de adotar medidas judiciais contra a discriminação. 

    Quanto tempo é a licença paternidade do homem trans?

    A licença paternidade do homem trans é igual a dos homens cis. Nesse sentido, a legislação brasileira garante o afastamento de cinco dias. Contudo, o tempo pode se estender até 20 dias, caso a empresa esteja cadastrada no Programa Empresa Cidadã. 

    Entretanto, se o homem trans tiver sido a pessoa que engravidou, ele pode recorrer ao judiciário para conseguir a licença-paternidade de 180 dias. Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu ganho de causa a um pai solteiro de gêmeos gerados por Fertilização In Vitro e barriga solidária.

    Ele estava recorrendo da decisão do INSS que não queria dar a licença-paternidade de 6 meses.  A decisão dos juízes, se baseou na Constituição e no Estatuto da Criança e Adolescente que equipara homens e mulheres na guarda dos filhos menores de idade. 

    Ainda, segundo os ministros, esta jurisprudência passa a legitimar as novas configurações da família, sempre com a finalidade de proteção integral da criança e do adolescente.

    Apoio de Amigos e Família durante a Gravidez Trans

    A experiência da gravidez trans é única, pois além dos medos e da ansiedade comuns a uma gravidez cis, a pessoa trans enfrenta outros desafios. 

    Desta forma, questões de identidade de gênero, saúde mental e física fazem da gravidez trans uma vivência desafiadora. Isto porque é preciso lidar com conflitos pessoais, mas também da sociedade.

    Por isso, é muito importante a gestante trans contar com uma rede de apoio que inclui a família e os amigos. Afinal, dividir essa jornada com pessoas compreensivas e empáticas pode tornar essa vivência mais positiva. 

    Homem trans pode engravidar: veja o que diz o CFM

    A boa notícia é que pessoas transgênero foram recentemente incluídas oficialmente na resolução do CFM n° 2.294 como beneficiárias da técnica de Reprodução Assistida. Veja abaixo o que diz a nova resolução:

    II – PACIENTES DAS TÉCNICAS DE RA

    1. Todas as pessoas capazes que tenham solicitado o procedimento e cuja indicação não se afaste dos limites desta resolução podem ser receptoras das técnicas de RA, desde que os participantes estejam de inteiro acordo e devidamente esclarecidos, conforme legislação vigente.
    2. É permitido o uso das técnicas de RA para heterossexuais, homoafetivos e transgêneros.
    3. É permitida a gestação compartilhada em união homoafetiva feminina. Considera-se gestação compartilhada a situação em que o embrião obtido a partir da fecundação do(s) oócito(s) de uma mulher é transferido para o útero de sua parceira.

    Algumas questões importantes a serem consideradas para uma gravidez segura e saudável incluem:

    • Apoio médico e emocional: É essencial contar com o apoio de profissionais de saúde que sejam respeitosos e sensíveis às questões de identidade de gênero e saúde reprodutiva. Além disso, o suporte emocional de familiares, amigos ou grupos de apoio pode ser fundamental.
    • Gerenciamento hormonal: Caso a pessoa esteja em tratamento hormonal, é importante conversar com um profissional de saúde para determinar se é seguro continuar ou interromper temporariamente o tratamento durante a gravidez.
    • Questões de identidade de gênero: A gravidez pode trazer à tona questões sobre a identidade de gênero da pessoa. É importante permitir-se explorar esses sentimentos e buscar apoio psicológico, se necessário.
    • Preparação para o parto e pós-parto: Estar preparado para o parto e para as mudanças físicas e emocionais pós-parto é fundamental. Conversar com outros pais e buscar informações sobre parto e amamentação pode ser útil.
    • Construção de uma rede de apoio: Construir uma rede de apoio sólida de pessoas compreensivas e respeitosas pode ajudar uma pessoa trans masculina a lidar com as complicações da gravidez.

    Vale destacar que cada experiência é única, e o respeito pela identidade de gênero e a autonomia das pessoas trans masculinas são fundamentais em todo o processo. Buscar apoio médico, psicológico e social adequado é crucial para uma gravidez saudável para todas as pessoas, independentemente de sua identidade de gênero.

    Desafios da Gravidez Trans no Sistema de Saúde

    O Sistema Único de Saúde (SUS), criado em 1988 e regulamentado pela Lei No 8.080 de 13 de setembro de 1990 trouxe a perspectiva da saúde integrada no país. Nesse sentido, passou a destacar o acesso à prevenção, promoção e assistência à saúde, de forma igual a todos, sem privilégios ou preconceitos. 

    Entretanto, sabemos que a discriminação, comum a grupos como a comunidade trans, tem prejudicado o direito amplo e igualitário à saúde. Isto ocorre tanto na rede de atenção básica como nos serviços especializados.

    Dessa forma, um dos maiores desafios da gravidez trans é lutar contra o preconceito e a desinformação, principalmente dos profissionais que atuam na  área da saúde. Afinal, o acolhimento e respeito à identidade de gênero é um direito inclusive garantido por lei. 

    A Importância do Acolhimento e Respeito à Identidade de Gênero

    Como vimos, muitas dificuldades enfrentadas pela comunidade trans são causadas por preconceito e desinformação que levam aos desrespeito e a descriminação. E o pior, é que muitas vezes esse quadro já acontece dentro da própria família.

    Viver em ambiente hostil em casa, na escola, no trabalho e na área da saúde pode isolar a pessoa trans e causar sérios problemas emocionais. 

    Nesse sentido, a informação é uma das principais ferramentas na luta por maior acolhimento e inclusão. Afinal, todas as pessoas merecem ser respeitadas nas suas individualidades, 

    Desta forma, pequenas atitudes já fazem muita diferença. Um bom exemplo é tratar a pessoa trans de acordo com o gênero com o qual se identifica, independente ao sexo biológico. 

    Assim, empregar os pronomes corretos ao falar com a pessoa já demonstra consideração e respeito. 

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  • Mulher trans pode engravidar? Saiba mais sobre o assunto

    A mulher trans pode engravidar? Ela consegue ter filhos biológicos? É possível realizar um transplante de útero? 

    As questões ligadas a gravidez de pessoas transgênero ainda são pouco faladas, e desta forma, existem muitas dúvidas e confusões sobre o tema. Por isso, no texto a seguir vamos trazer informações importantes e esclarecedoras sobre este assunto. 

    Mulher trans pode engravidar?

    Atualmente, a mulher trans (que nasceu com sexo masculino) não pode engravidar já que não possui os órgãos do aparelho reprodutivo feminino, especialmente o útero. Desta forma, não há condições de gestar um bebê. 

    Porém, a expectativa de especialistas e pesquisadores da área da Reprodução Assistida é de que no futuro, graças aos avanços do transplante de útero, essa realidade possa mudar. Nesse sentido, já existem diversos casos de transplante de útero em mulheres cis, mas ainda não há experiências com transplantes em mulheres trans.

    Quem é a mulher trans?

    A mulher transgênero é a pessoa que nasceu com pênis, cresceu com as transformações causadas pela testosterona, mas se identifica com o gênero feminino. Ou seja, a pessoa se identifica com o gênero oposto ao qual foi atribuída ao nascer. 

    Desta forma, em muitos casos, a mulher trans busca formas de adequar sua imagem ao gênero com o qual se identifica. Para isso, pode recorrer a tratamentos hormonais, cirurgias para colocação de implante mamários e outros procedimentos como a redesignação sexual.

    O transplante de útero em mulheres cis e trans

    O primeiro transplante de útero realizado com sucesso aconteceu na Suécia, em 2013. Neste caso, a doadora foi uma mulher viva. Desde então, já foram feitos mais de 80 transplantes de útero em todo o mundo, sendo que muitos deles possibilitaram a gravidez e o nascimento dos bebês (49). 

    Já em 2016, o Brasil foi pioneiro no transplante de útero de uma doadora falecida, que possibilitou à receptora gestar sua filha. A paciente de 32 anos nasceu sem útero por causa da síndrome Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser e com o transplante conseguiu se tornar mãe em 2017.

    Nesse sentido, outros transplantes de útero com doadoras falecidas já tinham acontecido no mundo, mas nenhum bebê tinha nascido depois desse procedimento. Inclusive, a revista The Lancet divulgou o caso brasileiro como o primeiro relato de um parto após transplante de útero de uma doadora falecida. 

    É possível uma mulher trans colocar útero?

    Em teoria, a mulher trans poderia ter um útero implantado, porém, ainda não há casos descritos na literatura. Na verdade, já existem alguns estudos em andamento, mas os desafios são grandes. Isto porque a anatomia da pelve feminina é diferente da masculina, principalmente a parte muscular e nervosa, o que torna os obstáculos ainda maiores.

    Desta forma, ainda não há dados sobre transplante de útero em que as pessoas receptoras nasceram biologicamente como homens. No entanto, os pesquisadores acreditam que no futuro, o transplante uterino em mulheres trans possa ser uma realidade.

    Mulheres trans com transplante de útero poderiam gestar um bebê?

    Teoricamente é possível pensar nesta possibilidade. Porém, ainda há vários desafios a vencer e barreiras a ultrapassar até chegarmos neste ponto. Antes de mais nada, é preciso viabilizar e concretizar o transplante uterino em mulheres trans para depois partirmos para o desafio da gestação.

    Mulher trans pode engravidar outra pessoa?

    Diferente do homem trans, que em muitos casos mantém seu útero, a mulher trans não possui esse órgão que é necessário para gestar. Desta forma, até que o transplante uterino evolua, a mulher trans não consegue engravidar. 

    No entanto, isso não quer dizer que ela não possa gerar um filho biológico. Nesse sentido, ela pode engravidar através da relação sexual uma pessoa que tenha o aparelho reprodutor feminino, como uma mulher cis ou um homem trans. 

    Além disso, a partir da coleta de esperma é possível também chegar a uma gravidez com técnicas de reprodução assistida como a Inseminação Artificial (IA) ou a Fertilização In Vitro (FIV).

    Conheça algumas técnicas da medicina reprodutiva que podem ajudar a mulher trans ter um filho biológico:

    Inseminação Artificial (IA)

    A Inseminação Artificial é um tratamento de infertilidade que consiste na introdução dos espermatozoides no trato genital feminino, visando a fecundação do óvulo. É um procedimento médico muito comum, bastante usado e de poucos efeitos colaterais.

    Nesse sentido, existe a Inseminação Artificial Intracervical (IC), quando se coloca o esperma no colo do útero com uma seringa. Além disso, há também a Inseminação Artificial Intrauterina (IIU), quando se introduz o esperma dentro do útero. Nesse sentido, os espermatozoides  passam por uma seleção no laboratório, e apenas os mais rápidos serão injetados na cavidade uterina.

    Fertilização in Vitro (FIV)

    A Fertilização In Vitro (FIV), conhecida popularmente como “bebê de proveta”, consiste na fecundação em ambiente laboratorial. Ou seja, o encontro dos gametas feminino e masculino não ocorre no interior do corpo da mulher. 

    Desta forma, a FIV acontece a partir da coleta ou doação de óvulos e espermatozoides que são unidos em laboratório formando o embrião. Nesse sentido, após o desenvolvimento embrionário adequado, os embriões selecionados são transferidos para o útero onde vai se desenvolver a gestação. Em alguns casos, quando necessário, pode-se recorrer inclusive ao útero de substituição.

    A mulher trans precisa parar de tomar hormônio para engravidar outra pessoa?

    Sim. A mulher trans que deseja engravidar outra pessoa necessita interromper a terapia hormonal feminilizante que bloqueia a produção de testosterona e atrapalha a produção de espermatozoides. 

    A mulher trans pode doar esperma?

    A resposta é sim. No entanto, a coleta dos espermatozoides de uma mulher trans deve ocorrer antes de iniciar a terapia hormonal que busca promover as mudanças físicas desejadas ou ela deve ser suspensa. 

    Isto porque o estrogênio e a espironolactona usados no tratamento inibem a estimulação de produção da espermatogênese, deixando a pessoa infértil. Desta forma, indica-se que a doação e o congelamento do esperma ocorram antes do uso dos hormônios femininos.

    No entanto, vale ressaltar que, interrompendo o uso dos medicamentos, a produção de esperma e a fertilidade da mulher trans pode ser restaurada.

    Mulher trans pode ter produção independente?

    Como já vimos, embora a mulher trans não possa gestar uma bebê, ainda assim ela tem condições de gerar um filho biológico, inclusive em produção independente. Neste caso, será preciso contar com doação de óvulos e também com um útero de substituição. 

    Dessa forma, através da técnica de Fertilização In Vitro (FIV) será possível utilizar o espermatozoide da mulher trans para fecundar o óvulo doado em laboratório. Depois disso, o embrião formado poderá ser transferido ao útero de substituição para ser gerado.

    Mulher trans tem direito a licença maternidade?

    Quando criou-se a legislação brasileira, ela não considerou, de maneira adequada, a diversidade das novas famílias. Sendo assim, as leis não foram pensadas para incluir pessoas homossexuais e transexuais.

    No entanto, já há jurisprudência de igualar os direitos trabalhistas a todas as pessoas, independente da sexualidade e identidade de gênero. Desta forma, muitos juízes já entendem que ser homossexual ou trans não tira o direito de usufruir das leis que envolvem o ambiente de trabalho e qualquer outro.  

    Além disso, muitas empresas têm concedido a licença-maternidade igualmente para todos. No entanto, quando houver qualquer problema nesse sentido, o ideal é que procurar um advogado a fim de adotar medidas judiciais contra a discriminação. 

    Gravidez de mulher trans: o que diz o CFM

    O Conselho Federal de Medicina (CFM) recentemente incluiu oficialmente na resolução do CFM n° 2.294, as pessoas transgênero como beneficiárias da técnica de Reprodução Assistida. Veja abaixo o que diz a nova resolução:

    II – PACIENTES DAS TÉCNICAS DE RA

    1. Todas as pessoas capazes que tenham solicitado o procedimento e cuja indicação não se afaste dos limites desta resolução podem ser receptoras das técnicas de RA, desde que os participantes estejam de inteiro acordo e devidamente esclarecidos, conforme legislação vigente.
    2. É permitido o uso das técnicas de RA para heterossexuais, homoafetivos e transgêneros.
    3. É permitida a gestação compartilhada em união homoafetiva feminina. Considera-se gestação compartilhada a situação em que o embrião obtido a partir da fecundação do(s) oócito(s) de uma mulher é transferido para o útero de sua parceira.

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  • Embrião euploide: entenda o seu papel na Fertilização In Vitro

    Você já ouviu falar em embrião euploide? Sabe qual sua importância para os tratamentos de Fertilização In Vitro, e para gerar um bebê saudável? 

    Para conhecer mais sobre este assunto, conhecer as diferenças entre embrião euploide, aneuploide e o impacto da idade feminina na sua possibilidade de produção, leia o texto abaixo.

    O que é embrião euploide?

    O embrião euploide é aquele que tem 46 cromossomos, sendo 23 herdados da mãe e 23 do pai. Nesse sentido, ele é composto por 22 pares de cromossomos autossômicos, relacionados às características comuns aos dois sexos, e um par de cromossomos sexuais ou heterossômico, representados pelas letras XX (sexo feminino) e XY (sexo masculino).

    Desta forma, o embrião euploide é considerado normal, apresentando mais chances de resultar em um bebê saudável.

    Embrião euploide e aneuploide: entenda diferenças

    Ao contrário do embrião euploide, o embrião aneuploide apresenta alterações no seu número de cromossomos. Dessa forma, ele pode apresentar um cromossomo a mais, denominado trissomia, ou também ter um cromossomo a menos, nomeado de monossomia. 

    Essas mudanças na quantidade do cromossomo, para mais ou para menos, podem resultar em algumas síndromes.

    Porém, é importante esclarecer também que existem algumas aneuploidias resultantes de alterações não no número, mas na estrutura dos cromossomos. Em todo caso, muitas vezes, os embriões com anomalias aneuploides não possuem capacidade de manter a gestação, resultando assim em abortamento espontâneo.

    Veja as principais síndromes apresentada em embriões aneuploides:

    Trissomia do cromossomo 21 (Síndrome De Down)

    A síndrome de Down é uma doença cromossômica causada por uma cópia extra do cromossomo 21, que resulta em deficiência intelectual e anomalias físicas. Também conhecida como trissomia do cromossoma 21, esta síndrome é a ocorrência genética mais comum, acontecendo em cerca de um a cada 700 nascimentos. 

    Trissomia do 18 (Síndrome de Edwards)

    A trissomia 18, ou Síndrome de Edwards, é causada por uma cópia a mais do cromossomo 18. Os bebês portadores desta síndrome são habitualmente pequenos e têm muitas anomalias físicas e problemas nos órgãos internos, além de incapacidade intelectual.

    Trissomia do 13 (Síndrome de Patau) 

    A Síndrome de Patau ou trissomia do 13 é a doença cromossômica causada pela existência de um cromossomo 13 a mais. Este quadro pode gerar malformações no sistema nervoso, provocar incapacidade intelectual e anomalias físicas.

    Monossomia do X (Síndrome de Turner)

    A síndrome de Turner é uma patologia cromossômica que afeta apenas as meninas e é associada à ausência completa ou parcial de um cromossomo X. Nesse sentido, sua prevalência é de 1 em cada 2.500 nascimentos do sexo feminino, podendo causar anomalias físicas ósseas, linfedema, surdez e envolvimento cardiovascular, da tireoide e gastrointestinal.

    Qual a relação da fertilidade com embrião euploide?

    A fertilidade está diretamente relacionada ao embrião euploide uma vez que a idade do óvulo e a qualidade geral dos gametas usados na fecundação influenciam na formação desses embriões saudáveis.

    Nesse sentido, sabemos que a fertilidade feminina, diferente da masculina, diminui drasticamente ao longo dos anos. Isto porque as mulheres já nascem com todos os seus óvulos formados. Com o passar do tempo, a quantidade e a qualidade dos gametas vai diminuindo, o que prejudica a formação de embriões euploides. 

    Desta forma, óvulos mais velhos apresentam maiores chances de falhas na divisão cromossômica, com cromossomos a mais ou a menos, acarretando assim na formação de embriões com alterações.

    Por isso, podemos afirmar que a idade da mulher é um dos principais fatores que impactam nas chances de gerar embriões euploides, ou seja, geneticamente normais.

    Qual a importância do embrião euploide para a Fertilização In Vitro?

    As taxas de sucesso de um tratamento de Fertilização In Vitro dependem de vários fatores, sendo que um dos mais importantes é a possibilidade de se obter embriões euploides. Nesse sentido, a idade da mulher, o número e a qualidade dos óvulos obtidos a partir da estimulação ovariana, bem como a qualidade do sêmen, são definitivos para formar embriões com chances de gerar um bebê saudável. 

    Não podemos esquecer que a receptividade do endométrio para implantação do embrião euploide, quando transferido ao útero materno, também irá influenciar nas probabilidades de uma possível gravidez. Mas como escolher os embriões para transferir? Como saber quais deles são euploides? Quais estão livres de doenças genéticas?

    Felizmente, graças aos avanços da tecnologia e da medicina reprodutiva, existem exames como o PGT (teste genético pré-implantacional), utilizado para rastrear possíveis anomalias genéticas do embrião antes da sua transferência ao útero materno. Nesse sentido, como as doenças genéticas não têm cura, através do PGT é possível prevenir que as futuras gerações sejam afetadas pela maioria das doenças hereditárias ou cromossômicas. 

    Quais são os tipos de PGTs?

    A investigação das doenças genéticas no embrião realiza-se por meio da análise das células embrionárias obtidas a partir de biópsia. Portanto, encaminha-se o material ao laboratório onde pode ser examinado através de PGT- M e PGT-A, entre outros testes.

    PGT-M

    PGT- M (Teste Genético Pré-Implantacional para Doenças Monogênicas) é o exame genético que avalia genes específicos para diferentes tipos de patologias. Assim, permite a identificação de embriões saudáveis que não serão afetados pela doença. 

    Dessa forma, famílias portadoras de doenças hereditárias podem evitar mutações genéticas, identificando os embriões sem a doença antes da gestação. 

    Entre exemplos de doenças deste grupo estão:

    PGT-A

    O exame PGT-A tem como objetivo prevenir os riscos de alterações cromossômicas. Dessa forma, identifica embriões geneticamente normais, reduzindo taxas de falhas de implantação, abortamentos e nascimento de bebês com doenças cromossômicas graves. 

    Nesse sentido, lembramos que as alterações cromossômicas podem ocorrer durante a divisão das células ou nos gametas. Assim, dependendo do cromossomo afetado em sua quantidade (monossomia ou trissomia) ou alterações parciais de cromossomos, o resultado pode ser uma doença, como a Síndrome de Down, ou até mesmo a interrupção da gravidez com um abortamento espontâneo.

    Podemos destacar neste grupo doenças como:

    Qual a relação do embrião euploide com o blastocisto na FIV?

    Para entender a relação do embrião euploide com o blastocisto, é preciso explicar que este representa o estágio de desenvolvimento embrionário prévio à implantação no útero, o que é fundamental para gerar uma gravidez. 

    Nesse sentido, em uma gestação natural, quando o espermatozoide penetra no óvulo, ainda na tuba uterina, ocorre a fecundação. Este é o momento no qual os cromossomos maternos e paternos se unem para iniciar a divisão celular e a formação de um embrião. 

    A partir daí inicia o desenvolvimento embrionário que passa por diferentes fases e, geralmente após o 5º ou 6º dia, o embrião chega ao estágio de blastocisto. Nesta etapa, portanto, ele já se encaminhou da tuba para a cavidade uterina, onde se fixará no tecido endometrial para começar a gestação.

    Na Fertilização in Vitro (FIV), o crescimento embrionário ocorre da mesma forma, porém os embriões são formados e cultivados em laboratório. Nesse sentido, a possibilidade de levar o embrião ao estágio de blastocisto (D5 a D7), para então ser transferido ao útero, depende da qualidade dos óvulos e dos espermatozoides. 

    Assim, é importante lembrar que a qualidade e a quantidade dos gametas femininos decai drasticamente com o passar dos anos. Dessa forma, quanto mais velha for a mulher, mais difícil será de formar blastocistos que sejam embriões euploides.

    Não consigo produzir embrião euploide. E agora?

    Nos casos em que, apesar de várias tentativas não se consegue produzir embriões euploides com os gametas próprios, ainda existem algumas alternativas para chegar a gravidez.

    Dessa forma, um dos caminhos para aumentar as chances de formar um embrião euploide é recorrer à ovodoação, quando o problema é relacionado aos óvulos, ou à doação de esperma se a dificuldade for o fator masculino. Além disso, a doação de embriões também é uma opção para alcançar a gestação tão desejada.


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  • Síndrome do hiperestímulo ovariano: o que é, sintomas e como evitar

    A Síndrome do Hiperestímulo Ovariano (SHO) é uma intercorrência decorrente da indução ovariana nos procedimentos de Reprodução Assistida. É uma resposta exagerada dos ovários à medicações utilizadas. 

    Mas afinal, o que é a SHO? Quais são suas causas? Quais os sintomas e tratamento? Para conhecer mais sobre essa síndrome, leia o texto abaixo.

    O que é uma hiperovulação?

    A hiperovulação, ou ovulação excessiva, é um fenômeno raro que ocorre geralmente em decorrência de uma maior produção hormonal que ocasiona um aumento da permeabilidade dos vasos. É mais comum que aconteça em pacientes jovens, com reserva ovariana aumentada, como em pacientes com síndrome dos ovários policísticos. 

    Nesse sentido, sabemos que a ovulação é um processo natural do ciclo menstrual e acontece quando se rompe o folículo ovariano[, liberando um óvulo. Desta forma, o gameta feminino pode encontrar o espermatozoide, e assim acontece a fecundação.

    Este processo de ovulação é controlado pela ação dos hormônios FSH (Hormônio Folículo Estimulante) e LH (hormônio luteinizante), secretados pela glândula hipófise. Porém, em alguns casos, seja naturalmente ou por ação de medicamentos, o ovário acaba liberando mais óvulos no mesmo ciclo, caracterizando a hiperovulação.

    O que é Síndrome do Hiperestímulo Ovariano?

    A Síndrome do Hiperestímulo Ovariano (SHO) é uma complicação decorrente dos medicamentos (hormônios) usados para a estimulação dos ovários. Desta forma, os indutores de ovulação são utilizados para aumentar os números oócitos (óvulos) produzidos no ciclo. E assim, melhorar as chances de sucesso no tratamento da Fertilização In Vitro. 

    Nesse sentido, a Síndrome da Hiperestimulação Ovariana é uma resposta exacerbada dos ovários ao estímulo hormonal, resultando em um crescimento de óvulos maior do que o esperado. Além disso, o quadro está associado também à passagem de fluido dos vasos sanguíneos que se tornam mais permeáveis, o que ocasiona uma retenção de líquido no abdômen.

    Estas mudanças na permeabilidade capilar podem causar problemas como:

    O que causa Síndrome do Hiperestímulo Ovariano?

    Como vimos, a Síndrome do Hiperestímulo Ovariano (SHO) ocorre por uma resposta dos ovários, acima do normal, aos hormônios usados para a indução da ovulação. Este procedimento normalmente acontece para alguns tratamentos de reprodução assistida como congelamento de óvulos e Fertilização in vitro (FIV).

    Nesse sentido, medicamentos como o hormônio Gonadotrofina Coriônica Humana (hCG), que atua nas células dos folículos, promove a produção da substância Fator de Crescimento Vascular Endotelial (VEGF), o que aumenta a permeabilidade vascular. Assim, quando o número de folículos é muito grande, a produção deste mediador fica aumentada, deixando os vasos sanguíneos extremamente permeáveis. Dessa forma, o líquido do interior dos vasos extravasa, podendo se acumular no abdômen, pulmões e outros órgãos

    Dependendo do momento em que a Síndrome do Hiperestímulo Ovariano acontece, ela é caracterizada de precoce ou tardia.

    Forma precoce

    A forma precoce do SHO é induzida pelo hCG exógeno (que vem de fora do corpo), administrado para a maturação final dos óvulos. Nesse sentido, costuma ser percebida próximo à coleta dos gametas, geralmente dentro de 3-7 dias após uso do hCG. 

    Nesses casos, a síndrome costuma ser mais leve e durar cerca de uma semana, tempo de ação da medicação no organismo. Desta forma, normalmente o quadro melhora quando ocorre a menstruação após a coleta, com a redução dos níveis de hormônios.

    Forma tardia

    A forma tardia da SHO acontece pela gravidez. Nesse caso, os sintomas ocorrem em função do hCG endógeno, produzido pelo próprio corpo quando a mulher fica grávida. 

    Desta forma, o diagnóstico é feito já nas primeiras semanas de gestação, principalmente em gravidez múltipla. Nesse sentido, é importante ficar atento já que a Síndrome do Hiperestímulo Ovariano tardia apresenta frequentemente formas mais graves. 

    Quais os sintomas da Síndrome do Hiperestímulo Ovariano?

    A Síndrome do Hiperestímulo Ovariano pode apresentar alguns sintomas comuns. Sendo assim, as mulheres que passam pelo processo de indução da ovulação devem ficar atentas, e procurar o médico caso sintam algumas das situações abaixo:

    • Distensão, desconforto ou dor abdominal;
    • Dor ou cólica leve;
    • Náusea, vômito e/ou diarreia;
    • Inchaço e ganho de peso.
    • Dificuldade respiratória, 
    • Diminuição da diurese, 
    • Alteração dos exames do sangue,
    • Alteração da função renal;
    • Aumento do tamanho dos ovários.

    Quais as classificações da Síndrome do Hiperestímulo Ovariano?

    A Síndrome do Hiperestímulo Ovariano pode se manifestar de forma leve, moderada ou grave. 

    Nesse sentido, a SHO acontece de forma leve em cerca de 12 a 20% dos ciclos de estimulação ovariana. Além disso, de 3% a 6% dos casos apresentam uma forma moderada da síndrome, enquanto de 0,5% a 2% são acometidos pela forma mais grave, que pode colocar a vida da mulher em risco.

    Conheça as diferentes classificações da Síndrome do Hiperestímulo Ovariano:

    • Leve: é a mais comum e representa aproximadamente 20% dos casos. Os principais sintomas são distensão e desconforto abdominal, náusea e vômitos, diarreia e ovários aumentados. O tratamento inclui ingestão hídrica  e suplementos à base de proteína;
    • Moderada: É semelhante à forma leve, mas também com presença de ascite. O tratamento geralmente inclui hidratação, albumina endovenosa e heparina profilática.
    • Grave: a paciente poderá apresentar náuseas, vômitos, diarreia, ascite intensa, ganho de peso, fortes dores abdominais, trombose e redução do volume urinário. É necessário tratamento das complicações, monitorização e em casos raros, suporte intensivo.

    Quais os fatores de risco da Síndrome do Hiperestímulo Ovariano?

    O desenvolvimento da síndrome depende da resposta de cada paciente ao estímulo do tratamento. Nesse sentido, os especialistas em medicina reprodutiva costumam monitorar, através de ultrassons e dosagens hormonais, a resposta de cada mulher, podendo modificar a quantidade e tipo de medicação, conforme a necessidade.

    Assim, não há como prever se alguém sofrerá de hiperestímulo, nem como vai responder aos indutores. No entanto, há um grupo com maior probabilidade de ter uma resposta exagerada:

    Veja alguns fatores de risco da Síndrome do Hiperestímulo Ovariano:

    Como a Síndrome do Hiperestímulo Ovariano é diagnosticada?

    O diagnóstico da Síndrome do Hiperestímulo Ovariano pode ser feito precocemente através da análise do número e do tamanho dos folículos ovarianos. Nesse sentido, o controle do hiperestímulo é feito por meio de exames de ultrassonografia, através da dosagem de estradiol e da avaliação clínica da paciente.

    Como evitar a Síndrome do Hiperestímulo Ovariano?

    A melhor forma de evitar a Síndrome do Hiperestímulo é saber quais mulheres têm maior risco de desenvolver este quadro, e assim, individualizar o protocolo de indução da ovulação. Dessa forma, a escolha dos medicamentos e dosagens utilizados para estimular os ovários pode diminuir as complicações.

    Nesse sentido, para prevenir a SHO, alguns médicos substituem o hormônio HCG por um análogo do GnRH para a maturação folicular. Isso diminui consideravelmente o desenvolvimento da Síndrome. Outra forma de evitar a Síndrome do Hiperestímulo Ovariano é a administração de metformina em pacientes portadores de Síndrome dos Ovários Policísticos. 

    Além disso, nos casos de maior risco, a transferência do embrião não acontece no ciclo de estimulação. Dessa forma, os embriões são congelados (vitrificação), e transferidos nos ciclos seguintes.

    Vale ressaltar que para acompanhar de perto possíveis alterações é importante intensificar o controle ultrassonográfico bem como as dosagens de estradiol. 

    Como tratar a Síndrome do Hiperestímulo Ovariano?

    A Síndrome da Hiperestimulação Ovariana é uma grande preocupação para as clínicas de reprodução assistida. Por isso, é necessário tentar evitar o problema por meio de diversas medidas preventivas. 

    Porém, uma vez confirmada a SHO, o tratamento consiste principalmente em minimizar os sintomas e prevenir possíveis complicações que podem variar conforme o grau da doença.

    Forma leve

    Nesses casos, os sintomas podem ser tratados com analgésicos, medicação antiemética (para náuseas) e que auxiliem a função gastrointestinal. Além disso, a paciente deve se manter hidratada, ingerindo pelo menos 2 litros de água por dia. Recomenda-se, também, repouso, inclusive sexual.

    Desta forma, quadros leves não necessitam de internação, porém, em alguns casos pode ser necessária punção para retirada do fluido abdominal. De maneira geral, é essencial manter contato constante com a equipe médica para evitar a evolução para formas mais severas.

    Forma moderada

    Na SHO moderada, é importante realizar um acompanhamento ambulatorial mais efetivo, com controle do peso, avaliação ultrassonográfica e exames como hemograma, avaliação da função renal e eletrólitos. Dependendo do caso da paciente também pode ser necessário aspirar o líquido abdominal.

    Além disso, os mesmos cuidados indicados para quem tem a forma leve, como repouso, hidratação, etc, também são recomendados para pacientes com a forma moderada.

    No caso de mulheres grávidas, os cuidados são ainda mais intensos. Isto é necessário pois as pacientes com hiperestímulo precoce (não gestantes) têm queda mais rápida dos níveis de hCG e consequentemente, uma melhora dos sintomas. Porém, as gestantes apresentam aumento constante deste hormônio, o que é típico da gravidez, o que eleva os riscos.

    Forma grave

    Nos casos graves, indica-se a internação hospitalar. Assim, são tratadas possíveis complicações com a correção de hiperpotassemia, uso de drogas vasoativas quando há falência renal e anticoagulação terapêutica em casos de trombose. Além disso, cuidados com hidratação e acompanhamento laboratorial devem ser frequentes. 

    Na forma grave, o ovário geralmente fica muito maior que o habitual, apresentando risco de torção anexial. Nesse sentido, se isto ocorrer, pode ser necessário procedimento cirúrgico par distorcer o ovário, ou em último caso, realizar sua retirada.

    Como falado anteriormente, para evitar hiperestímulo nos tratamentos de Reprodução Assistida, é necessário realizar um diagnóstico aprofundado do caso do paciente. Você pode conferir mais sobre a importância da investigação prévia para o sucesso dos tratamentos, através do nosso e-book “Técnicas de Reprodução Assistida: Um bom diagnóstico é o primeiro passo”.

    Técnicas de Reprodução Assistida: um bom diagnóstico é o primeiro passo
  • Translucência nucal: saiba tudo sobre o exame

    Você já ouviu falar em translucência nucal? Sabe do que se trata?

    Esse importante exame, que faz parte do pré-natal de todas as gestantes, alerta para eventuais riscos no desenvolvimento do bebê. Mas afinal, qual a sua utilidade? 

    Como acontece esse exame? Em que idade gestacional ele deve ser feito? O texto a seguir vai esclarecer essas e outras dúvidas sobre este tema. Confira.

    Leia também: o que é reprodução assistida?

    O que é translucência nucal?

    A translucência nucal (TN), popularmente conhecido como “Ultrassom da Nuquinha”, é um exame realizado durante o pré-natal, e registra a medida da nuca do feto. Nesse sentido, através de ultrassom, ele mede o tamanho e a quantidade de líquido na região atrás da nuca do bebê.

    O exame da translucência nucal começou a ter uso na década de 90 com objetivo de estimar o risco dos fetos apresentarem alguma malformação, e sua assertividade é de cerca de 80 a 90%. 

    Para que serve a translucência nucal?

    A translucência nucal serve para calcular o risco do feto apresentar algum tipo de malformação ou síndrome, como a síndrome de Down e as cardiopatias congênitas. Nesse sentido, fetos com doenças genéticas ou malformações têm uma tendência a acumular líquido na região da nuca. Medidas aumentadas significam um maior risco de haver algum problema no desenvolvimento do bebê.

    Porém, é importante ressaltar que a medida da translucência nucal não é um teste de diagnóstico, ou seja, ela não confirma que o feto tem alguma alteração. Desta forma, o exame apenas estima se há risco maior de complicações. Assim, quando o exame mostra medidas elevadas, é preciso a realização de outros exames complementares para realmente confirmar um possível diagnóstico.

    O que fazer se meu bebê tem translucência nucal aumentada?

    Como já vimos, quando o exame da medida da translucência nucal está alterado, recomenda-se a realização de novos exames que possam confirmar ou descartar o diagnóstico de alguma síndrome ou malformação.

    Veja alguns exames solicitados quando a translucência nucal tem resultados alterados:

    Biópsia de vilosidades coriônicas 

    As vilosidades coriônicas são tecidos placentários que têm a mesma composição genética do feto. Desta forma, a análise de uma pequena amostra desse tecido permite detectar anomalias genéticas ou cromossômicas do bebê. 

    Nesse sentido, a biópsia das vilosidades coriônicas é capaz de detectar mais de 200 doenças. Para isto, o exame ocorre a partir da coleta de um pequeno fragmento da placenta obtida através da punção, realizada a partir da 11ª semana de idade gestacional.

    Amniocentese

    A amniocentese é um exame intrauterino realizado no segundo trimestre de gestação para identificar possíveis complicações ou alterações genéticas no bebê. 

    Nesse sentido, a análise é feita a partir de uma pequena quantidade de líquido amniótico, este fluido que envolve e protege o bebê e contém células do feto e substâncias liberadas ao longo do desenvolvimento. 

    O exame é feito com uma amostra coletada através de uma agulha bem fina e comprida inserida no abdômen até o interior da cavidade uterina. Desta forma, para garantir maior segurança, todo o procedimento é acompanhado e monitorado através de ultrassonografia.

    Cordocentese

    A cordocentese, ou amostra de sangue fetal, é um exame de diagnóstico pré-natal, feito a partir das 18 semanas de gestação. 

    Ele consiste na retirada de uma amostra de sangue do feto a partir do cordão umbilical, para detectar alguma alteração cromossômica no bebê. A Síndrome de Down, ou doenças como toxoplasmose, rubéola, anemia fetal ou citomegalovírus, por exemplo, podem ser detectadas no exame.

    Ecocardiografia fetal

    A ecocardiografia fetal é um exame específico de ultrassom para avaliar o coração do feto. Neste exame, conferem-se as estruturas anatômicas do coração, como câmaras cardíacas, valvas, arteriais, e veias, além de verificar se há defeitos cardíacos. Este exame possibilita também identificar como está o ritmo cardíaco do feto.

    Com quantas semanas se faz o ultrassom translucência nucal?

    O ultrassom com translucência nucal é normalmente feito quando o feto tem entre 45 e 84 mm de comprimento, medidos da cabeça até as nádegas. Nesse sentido, corresponde entre 11 e 14 semanas de gestação, contadas a partir do primeiro dia da última menstruação. 

    Porém, recomenda-se que o exame aconteça no início da 13ª semana, quando o bebê já é um pouco maior. Isso possibilita melhores imagens e, consequentemente, maiores chances de identificar alguma malformação.

    Como é feita a translucência nucal?

    A translucência nucal é um exame simples e rápido, realizado através de uma ultrassonografia obstétrica. Para tanto, a grávida deita-se em uma maca e um gel é aplicado em seu abdômen para que o aparelho possa ser movimentado com facilidade. Através da imagem gerada pelo ultrassom, é possível medir e calcular a quantidade de líquido presente na região da nuca do feto. 

    Nesse sentido, em cerca de 95% dos casos o exame é feito pela via abdominal. Porém, dependendo da posição do bebê, às vezes é necessário que o procedimento seja complementado pela via transvaginal. De qualquer forma, vale esclarecer que o exame da translucência nucal não apresenta nenhuma contraindicação, assim como não requer preparo prévio.

    Translucência nucal e morfológico é a mesma coisa?

    A translucência nucal é um dos exames mais importantes do pré-natal, que pode ocorrer de forma isolada, através de uma ultrassonografia obstétrica, ou então, durante o ultrassom morfológico do primeiro trimestre. 

    Nesse sentido, o morfológico é um exame mais completo que além da translucência nucal, também avalia o fluxo de sangue através do coração fetal e do ducto venoso, e a presença de osso nasal do feto. Desta forma, a ausência do osso do nariz representa maior risco de alterações, já que esta situação é muito comum em síndromes.

    No casos da síndrome de Down, além da medição da translucência nucal e da observação do osso nasal, outros fatores de risco devem ser avaliados, como o histórico familiar de doenças genéticas, alterações cromossômicas e também a idade da mãe.

    Qual o valor normal da translucência nucal?

    Na verdade, os valores da translucência nucal variam de acordo com a idade gestacional. Entretanto, como parâmetro, são considerados valores normais, que representam baixo risco, os índices menores que 2,5 mm. Medidas superiores a 2,5 mm geralmente significam um risco maior do feto apresentar alguma malformação.

    Mas lembrando: a medida da translucência nucal elevada não quer dizer que o bebê tenha necessariamente algum problema. Nestes casos, outros testes precisam ser feitos para chegar a um possível diagnóstico. 

    Valores referências para Translucência Nucal:

    • Translucência Nucal normal: Abaixo de 2,5mm;
    • Translucência Nucal aumentada: Maior ou igual a 2,5mm.

    A translucência nucal aumentada pode diminuir?

    A resposta é sim. É comum que bebês que tiveram o teste da “nuquinha” alterado em um primeiro momento apresentem um segundo exame normalizado. 

    Entretanto, o fato da medida da translucência nucal diminuir não significa que o bebê tenha menos risco. Nesse sentido, para fins de determinação de risco, sempre se considera o exame onde o valor foi maior. 

  • Ultrassom transvaginal: tire todas as suas dúvidas sobre o exame

    O ultrassom transvaginal é um exame de imagem que consegue visualizar internamente órgãos e estruturas da área pélvica, especialmente o aparelho reprodutor feminino.

    Nesse sentido, o exame pode diagnosticar com mais nitidez alterações na vagina, colo do útero, útero, trompas e ovários. Além disso, o exame serve também para confirmar e acompanhar o início de uma gravidez.

    Dessa forma, no texto a seguir vamos saber mais sobre o exame: quando ele é indicado, como é feito, quem pode fazer, além de esclarecer outras dúvidas sobre o assunto.

    Leia também: o que é reprodução assistida?

     O que é ultrassom transvaginal?

    O ultrassom transvaginal, também chamado de endovaginal, é um exame muito utilizado por ginecologistas e obstetras. Nesse sentido, o exame consiste na inserção de um aparelho transdutor na vagina, que usa ondas de alta frequência (sem radiação).

    Dessa forma, o pequeno equipamento produz ondas de som que são transformadas pelo computador em imagens dos órgãos internos, como útero, trompas de falópio, ovários, colo do útero e vagina. Sendo assim, as imagens fornecidas pelo exame são de extrema qualidade, o que possibilita observar irregularidades presentes nesses órgãos.

    O exame é feito em qualquer clínica de diagnóstico por imagens e não gera risco algum para a saúde da paciente.

    Tipos de ultrassom transvaginal

    As clínicas de diagnóstico por imagem fazem vários tipos de ultrassom transvaginal que são responsáveis por identificar inúmeras situações nos órgãos do aparelho reprodutor da mulher. Confira os tipos de exames: 

    • Ultrassom Transvaginal para avaliar endometriose;
    • Ultrassom Transvaginal para controlar a ovulação;
    • Ultrassom Transvaginal tridimensional (3D), que avalia os órgãos de vários ângulos:
    • Ultrassom Transvaginal para não gestantes;
    • Ultrassom Transvaginal obstétrico (para gestantes);
    • Ultrassom Transvaginal obstétrica gemelar;
    • Ultrassom Transvaginal obstétrica trigemelar;
    • Ultrassom Transvaginal obstétrica morfológica;
    • Ultrassom Transvaginal com Translucência Nucal;
    • Doppler transvaginal (pesquisa a vascularização dos órgãos).

    Para que serve o ultrassom transvaginal?

    O ultrassom transvaginal é um exame de rotina, geralmente solicitado pelos ginecologistas, para avaliar a saúde dos órgãos e estruturas pélvicas da mulher. Nesse sentido, ele permite  avaliar:

    Além disso, também indica-se o exame para confirmar uma gravidez e a idade gestacional do feto com mais precisão. Isto é possível pois o exame faz medição do comprimento céfalo-caudal, considerada a forma mais confiável de estimar o tempo de gravidez e a data provável do parto. 

    Da mesma forma, o ultrassom transvaginal também serve para observar se o feto está alojado no útero corretamente e se a gravidez é única ou gemelar. No entanto, o exame transvaginal para avaliação do bebê está indicado para ser feito a partir da  6ª semana gestacional até a 12ª. Entre a 20ª e 24ª semanas, utiliza-se o exame para avaliar a medida do colo uterino, pois possibilita identificar pacientes com risco de parto prematuro.

    Afinal, quem pode fazer o ultrassom transvaginal?

    Como já vimos, o ultrassom transvaginal é um exame que consiste na inserção de um aparelho na vagina que possibilita observar internamente o útero, trompas e ovários.

    Nesse sentido, muitas pessoas têm dúvidas se podem ou não fazer o exame, já que é considerado um exame invasivo. Na sequência, vamos esclarecer as principais dúvidas sobre o assunto.

    Pode-se fazer o ultrassom transvaginal menstruada?

    A resposta é sim! A menstruação não interfere na realização ou no resultado do exame.

    Desta forma, se a mulher está menstruada ou com sangramentos fora do período menstrual, é apenas recomendado remover o absorvente interno, caso esteja utilizando.

    Pode-se fazer o ultrassom transvaginal grávida?

    Sim, pode e deve ser feito o ultrassom transvaginal no início da gravidez, a partir da 6ª semana. O exame é recomendado para confirmar a gestação, conferir com precisão a idade gestacional e analisar se o embrião está implantado no local certo. Além disso, com o ultrassom, é possível medir o colo do útero e avaliar a saúde do bebê de forma geral, nos primeiros três meses de gestação. 

    Nesse sentido, é feito até a 13ª semana, o primeiro exame morfológico, que mede a Translucência Nucal. Este tipo de exame rastreia e identifica alterações genéticas no desenvolvimento do bebê, além de detectar malformações fetais. 

    Contudo, a partir do segundo semestre de gravidez, o exame transvaginal é substituído pelo ultrassom abdominal. No entanto, a verificação pelo canal vaginal ainda pode ser utilizada em algumas situações para:

    • Examinar o posicionamento da placenta quando está baixa;
    • Identificar causas de sangramento vaginal;
    • Medida do colo uterino.

    Quem é virgem pode fazer o ultrassom transvaginal?

    Para responder esta pergunta é necessário esclarecer que a perda da virgindade é culturalmente associada ao rompimento do hímen durante a primeira relação sexual com um homem ou com a penetração de algum objeto fálico.

    Desta forma, é importante explicar que para fazer o ultrassom transvaginal, o médico introduz o aparelho na vagina da paciente. Nesse sentido, caso ela ainda tenha o hímen intacto, pode causar ruptura dessa membrana. Por isso, não é recomendada a realização da ultrassonografia transvaginal em mulheres com hímen. Da mesma maneira, mulheres sexualmente ativas, mas que nunca tiveram penetração, seja através de relação sexual com seu parceiro ou com uso de vibradores, também não devem realizar o exame.

    Sendo assim, o examel só é indicado para as mulheres que já tiveram a membrana da vagina rompida. Já para as mulheres que têm a estrutura intacta, o médico pode substituir o exame pela ultrassonografia abdominal para analisar as estruturas da pelve. 

    Qual é o preparo para ultrassom transvaginal?

    O ultrassom transvaginal não exige nenhum preparo específico. Sendo assim, é apenas necessário que a paciente esteja de bexiga vazia e vestindo um avental clínico que será entregue minutos antes da avaliação. Caso haja resultados anteriores, eles devem ser mostrados na data do exame.

    Vale ainda lembrar que no caso da mulher estar menstruada ou ter sangramentos fora do período menstrual, é apenas recomendado remover o absorvente interno, caso esteja utilizando.

    Como é feito o ultrassom transvaginal?

    Para realizar o ultrassom transvaginal, a paciente deve ficar deitada, em posição ginecológica, com as pernas abertas e ligeiramente dobradas.

    Desta maneira, o médico insere, no canal vaginal, o aparelho de ultrassom que está protegido com uma camisinha e com um lubrificante para que facilite a passagem do equipamento.

    Assim, o instrumento utilizado emite ondas sonoras de alta frequência e possibilita a formação das imagens nas estruturas pélvicas. Estas são diretamente enviadas para um monitor para que seja possível serem avaliadas por um profissional.

    Contudo, para obter melhores imagens em diferentes planos, o médico pode fazer alguns movimentos com o transdutor. O exame, geralmente, dura de 20 a 30 minutos.

    O ultrassom transvaginal dói?

    Apesar do ultrassom transvaginal ser um exame seguro e indolor, é possível que a mulher sinta uma ligeira pressão na barriga ou no interior da vagina.

    Nesse sentido, em alguns casos, o especialista pode redobrar a aplicação do gel lubrificante sobre a camisinha usada no transdutor para aliviar o desconforto. Desta forma, o aparelho desliza com mais facilidade pelo canal vaginal.

    No entanto, caso a paciente sinta dor, ela deve avisar imediatamente ao médico radiologista para que interrompa o exame ou adeque a técnica utilizada.

    O ultrassom transvaginal ajuda a identificar casos de endometriose – saiba tudo sobre o assunto baixando gratuitamente o nosso infográfico!

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