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Blog Nilo Frantz

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Categoria: Dúvidas

  • Diabetes gestacional: quais são os riscos para mãe e bebê?

    A diabetes gestacional caracteriza-se pelo aumento dos níveis de glicose no sangue durante a gravidez. Nesse sentido, os riscos da doença são altos, podendo trazer complicações à saúde da mãe e do bebê.

    Contudo, com cuidados, a diabetes gestacional pode ser controlada. Confira a seguir tudo sobre o assunto: o que é, suas causas, quais são os sintomas, os riscos e como a doença pode ser evitada ou tratada.  

    O que é diabetes gestacional?

    Durante a gravidez, o açúcar que está no sangue da mãe aumenta para satisfazer as demandas nutricionais do bebê. Nesse sentido, a gestante sofre várias alterações hormonais e o corpo passa a produzir uma maior quantidade de insulina. Esse hormônio ajuda a transformar o açúcar em energias que o corpo precisa.

    Em algumas gestações a produção de insulina adicional não ocorre. Sendo assim, o açúcar não se transforma em energia e fica concentrado em grande quantidade no sangue da mãe. Esta condição recebe o nome de diabetes gestacional.

    Desta forma, a doença é caracterizada por hiperglicemia, ou seja, o aumento dos níveis de glicose no sangue. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, o distúrbio tem prevalência entre 3% e 25% das gestações, dependendo do grupo étnico, da população e do critério diagnóstico utilizado.

    O que causa diabetes gestacional?

    Não se tem conhecimento preciso porque a diabetes gestacional se desenvolve. No entanto, sabe-se que durante a gravidez ocorrem adaptações na produção hormonal materna para permitir o desenvolvimento do bebê. Nesse sentido, a placenta é uma fonte importante destes hormônios, porém, quase todos eles prejudicam a ação da insulina nas células, aumentando o nível de açúcar no sangue.

    Desta forma, o pâncreas materno tende a aumentar a produção de insulina para compensar este quadro. Contudo, como já vimos anteriormente, em algumas mulheres este processo não ocorre, e por esta razão se desenvolve a diabetes gestacional.

    Sendo assim, qualquer gestante pode ter a doença, mas algumas têm maiores chances de desenvolvê-la. Veja abaixo os fatores de risco para a diabetes gestacional:

    • Gestação em idade mais avançada;
    • Ganho de peso excessivo na gravidez;
    • Pressão alta;
    • Triglicerídeo alto; 
    • Colesterol alto; 
    • Sobrepeso ou obesidade antes da gravidez;
    • Síndrome dos ovários policísticos;
    • Histórico familiar de diabetes;
    • Gravidez de gêmeos;
    • Diabetes em gestações anteriores.

    Como evitar a diabetes gestacional?

    A diabetes gestacional nem sempre pode ser prevenida porque está relacionada às alterações hormonais típicas da gestação. No entanto, pode-se diminuir o risco de desenvolvimento da doença tomando algumas atitudes. 

    Confira abaixo quais são:

    • Estar no peso ideal antes de engravidar;
    • Fazer o pré-natal;
    • Aumentar de peso durante a gravidez de forma lenta e gradual;
    • Alimentar-se de forma saudável durante toda a gestação;
    • Praticar exercícios moderados.

    Quais são os sintomas de diabetes gestacional?

    A diabetes gestacional, na maioria das vezes, é assintomática. Nesse sentido, é de vital importância fazer exames periódicos durante toda a gravidez, principalmente na segunda metade da gestação. Isto porque é entre a 24ª e 28ª semana de desenvolvimento do bebê que, geralmente, a doença aparece.

    Entretanto, a futura mamãe sempre deve estar atenta, pois em alguns casos, a diabetes gestacional pode causar sintomas. Veja quais são os sinais de alerta:

    • Aumento da sede;
    • O aumento da vontade de urinar; 
    • O aumento da fome;
    • Visão turva;
    • Cansaço;
    • Infecções urinárias frequentes.

    Como é o diagnóstico de diabetes gestacional?

    Durante a gravidez, o médico deve estar sempre vigilante à paciente. Desta forma, ele levanta o histórico familiar e se informa sobre a rotina e o peso da mulher. Além disso, solicita testes no pré-natal que checam as taxas de colesterol, triglicérideos e glicose.

    Sendo assim, qualquer alteração nos resultados acende o sinal de alerta para a diabetes gestacional. Nesse sentido, exames de ultrassom também são importantes. Aqui, sinais como feto maior que o esperado e mudanças no volume do líquido amniótico são indicativos de problemas. 

    Entretanto, a diabetes gestacional é geralmente diagnosticada entre a 24ª e 28ª semanas de gravidez, quando a resistência à insulina geralmente começa. Se a mulher já teve diabetes gestacional antes ou apresenta alto risco para desenvolver o problema, pode fazer os exames antes da 13ª semana de gravidez.

    Confira abaixo os testes que podem diagnosticar a diabetes gestacional:

    Curva glicêmica

    O exame de curva glicêmica é o principal exame para verificar a diabetes gestacional.

    Nesse sentido, ele mede a velocidade com que o corpo absorve a glicose após a ingestão de 75g de uma solução açucarada. Assim, é feita a medida das quantidades da substância no sangue em três momentos: em jejum (antes de tomar a glicose), uma hora e duas horas após a ingestão. 

    Os valores de referência, ou seja, considerados normais deste exame são:

    • Em jejum: abaixo de 92 mg/dl;
    • Após 1h: abaixo de 180 mg/dl;
    • Após 2 horas: abaixo de 153 mg/dl;
    • Qualquer dosagem aleatória de glicemia maior que 200 mg/dl já é diagnóstico de diabetes.

    Glicemia de jejum

    A glicemia de jejum é um exame que mede o nível de açúcar no sangue da gestante, servindo para monitorar o aparecimento da diabetes. Veja quando o exame dá normal ou anormal:

    • Normal: valores de referência (normais) ficam entre 65 a 92 miligramas de glicose por decilitro de sangue (mg/dL).
    • Anormal: valores entre 92 mg/dL e 100 mg/dL são considerados anormais, próximos ao limite e devem ser repetidos em uma outra ocasião.

    Valores acima de 100 mg/dL já são bastante suspeitos de diabetes, mas também devem ser repetidos. Vale esclarecer que a glicemia de jejum é um exame feito para confirmar os resultados da curva glicêmica e para acompanhar os níveis de glicose durante toda a gravidez.

    Quais são os riscos da diabetes gestacional?

    A maioria das mulheres que têm diabetes gestacional passará pela gravidez sem maiores problemas, desde que controle a doença e monitore seus níveis glicêmicos regularmente.

    No entanto, se a diabetes estiver descontrolada pode gerar riscos à gestante e ao bebê. Além disso, a probabilidade de precisar de uma cesárea será maior.

    Confira as complicações que podem ocorrer nas gestantes:

    • Aumento do risco de pré-eclâmpsia, que é a elevação súbita da pressão;
    • Rompimento da bolsa amniótica antes da data prevista, com parto prematuro;
    • Maior chance de aborto;
    • Feto que não vira de cabeça para baixo antes do parto;
    • Possibilidade de parto cesárea ou de laceração do períneo no parto normal; devido ao tamanho do bebê;
    • Diabetes no futuro. 

    O que a diabetes gestacional pode causar no bebê?

    Como já vimos, além de trazer riscos para a mãe, a diabetes gestacional também pode trazer riscos para o bebê. Isto acontece pois o feto passa a receber muita glicose por meio da placenta e o pâncreas do nenê acaba sobrecarregado, sem conseguir transformar o açúcar em energia para as suas células. Desta forma, as sobras de açúcar viram gordura, e a criança ganha peso de forma anormal.

    Sendo assim, se a mãe tem diabetes gestacional, o bebê pode ter um risco aumentado de:

    • Desenvolvimento da síndrome da angústia respiratória, que é a dificuldade para respirar ao nascer;
    • Morte intrauterina;
    • Peso excessivo ao nascer; com chance de obesidade na infância, na adolescência e na fase adulta;
    • Nascimento de bebê prematuro;
    • Problemas cardíacos;
    • Icterícia;
    • Hipoglicemia logo após o nascimento;
    • Diabetes tipo 2 na fase adulta.

    Porém, todos estes problemas podem ser diminuídos, ou até evitados, se a mulher seguir o tratamento corretamente, com um acompanhamento redobrado no pré-natal.

    Diabetes gestacional é fator de risco para Covid-19?

    Os diabéticos têm o mesmo risco de contrair a Covid-19 do que os não-diabéticos. Contudo, o risco de apresentar a forma grave é maior em quem tem a doença. Isso ocorre porque o sistema imunológico do diabético sofre alterações causadas pelo excesso de açúcar no sangue, levando a:

    • Um aumento exagerado da reatividade do sistema imunológico, elevando as chances de ocorrerem complicações pulmonares da covid-19;
    • Um estado de hipercoagulabilidade, crescendo as chances de tromboembolismos nos pacientes acometidos pela covid-19;
    • Ao desequilíbrio metabólico, reduzindo então a resposta imune ao SARS-CoV-2.

    Sendo assim, a Sociedade Brasileira de Diabetes divulgou nota técnica indicando a vacinação contra Covid-19 também entre as gestantes com diabetes. Desta forma, a diabetes gestacional é um fator de risco para casos graves da doença e está listada no grupo prioritário de vacinação. Assim, junta-se a diabéticos em geral, hipertensos, obesos, pessoas com problemas respiratórios crônicos, cardiovasculares, entre outros.

    Diabetes gestacional: o que comer?

    A alimentação na diabetes gestacional deve ser orientada por um especialista para que não haja deficiências nutricionais para a mãe ou para o bebê. Nesse sentido, é recomendado que a gestante evite o açúcar, e prefira alimentos pobres em carboidratos ou com carboidratos complexos (integrais). Com elevada quantidade de fibras, esses alimentos apresentam baixo índice glicêmico, o que é mais saudável especialmente para quem tem diabetes.

    Mesmo assim, é importante que a glicemia seja medida em jejum e após as refeições principais pois assim é possível que tanto a gestante quanto o médico consigam ter um controle dos níveis de glicose no sangue. Desta forma, de acordo com as medições , o plano alimentar pode ser ajustado.

    Veja abaixo os alimentos permitidos e os que devem ser evitados durante a diabetes gestacional:

    Indicados

    • Grãos integrais: arroz integral, pão integral, quinoa, aveia, lentilha, grão-de-bico, feijão, ervilha e milho;
    • Frutas: qualquer fruta, desde que seja consumida apenas uma unidade por dia;
    • Legumes: todos, exceto batata inglesa, batata doce, macaxeira, também conhecida como mandioca, pois contém elevada quantidade de carboidratos;
    • Carnes em geral, de preferência com pouca gordura;
    • Peixes frescos e enlatados em azeite, como a sardinha e o atum;
    • Oleaginosas: castanhas, amendoim, nozes, avelãs e amêndoas;
    • Leite e derivados: leite integral, iogurte natural integral, queijos;
    • Gorduras naturais: manteiga, azeite, óleo de coco, coco, abacate;
    • Sementes: chia, linhaça, gergelim, abóbora, girassol.

    Não Indicados

    • Alimentos que contenham açúcar e farinha branca na sua composição como bolos, sorvetes, doces, salgados, pizzas, tortas e pães brancos;
    • Alimentos que tenham amido de milho como maisena e aditivos como melaço, xarope de milho e xarope de glicose, que são produtos semelhantes ao açúcar;
    • Evitar carnes processadas como salsicha, linguiça, presunto e mortadela;
    • Evitar bebidas que tenham açúcar como cafés, refrigerantes, sucos industrializados e chás com adição de açúcar.

    Diabetes gestacional tem cura?

    A diabetes gestacional quase sempre passa após o parto. No entanto, é importante seguir corretamente o tratamento, já que existe um risco elevado de desenvolver diabetes mellitus tipo 2 depois do nascimento do bebê.

    Nesse sentido, aproximadamente seis semanas após o parto, a mulher deve realizar um novo teste de tolerância à glicose, sem usar medicamentos antidiabéticos. Além disso, é indicada a amamentação, pois o aleitamento materno pode reduzir o risco de diabetes permanente. Contudo, é muito importante que a paciente continue mantendo uma alimentação balanceada e a realização de exercícios físicos regulares.

    Qual o tratamento para diabetes gestacional?

    O tratamento para a diabetes gestacional deve ser feito por meio de mudança dos hábitos alimentares e pela prática de atividade física moderada. Desta maneira, é possível que os níveis de glicose no sangue fiquem controlados.

    No entanto, quando os níveis de açúcar não regularizam com estas medidas, é indicado medicamentos para este controle. Assim, o médico pode receitar o uso de hipoglicemiantes orais ou de insulina. Além disso, é importante que a mulher faça a medição da glicemia diariamente para que seja verificado se o tratamento está sendo eficaz.

    Vale destacar ainda que somente 20% das gestantes precisam fazer a aplicação da insulina para regular os níveis de glicose no sangue. E nestes casos, não há riscos nem para a mãe, nem para o bebê. Desta forma, quando a diabetes gestacional é tratada de maneira adequada, a chance da gestação ocorrer de forma normal é grande, e o bebê nascerá saudável.

    Diabetes gestacional no final da gravidez: cuidados específicos

    O controle da diabetes é essencialmente importante ao final da gestação, quando os níveis de glicose no sangue tendem a aumentar e uma alta dosagem de insulina é geralmente necessária.

    Nesse sentido, aconselha-se à mulher a ficar mais atenta e contar o número de vezes que  sente o feto se mover por dia. Se tudo estiver bem, a gestante deve sentir no mínimo dez movimentos (chutes, vibrações ou giros) no prazo de duas horas. Porém, se estes diminuírem repentinamente, a paciente deve avisar o médico o mais breve possível.

    Além disso, no final da gestação, o obstetra faz exames mais frequentes, como a avaliação da frequência cardíaca, cardiotocografias ou perfis biofísicos fetais, utilizando a ultrassonografia. Assim, o monitoramento muitas vezes  inicia-se na 32ª semana de gravidez ou antes, caso o feto não esteja crescendo adequadamente ou se a mulher apresentar hipertensão arterial.

    Nesse sentido, para reduzir o risco de haver problemas no final da gravidez, o médico geralmente:

    • Inclui a participação de uma equipe especializada em diabetes, com enfermeiros, nutricionista e um pediatra;
    • Diagnostica e trata eventuais problemas relacionados à gravidez, não importando quão triviais eles sejam;
    • Planeja o parto, no qual um pediatra experiente estará presente;
    • Garante que haverá cuidados intensivos à disposição do recém-nascido (se necessário).

    Diabetes gestacional e parto normal: é possível?

    Normalmente o parto normal é possível para quem tem diabetes gestacional. No entanto, os bebês nascidos de mães com a doença tendem a ser maiores. Nesse sentido, se a diabetes for mal controlada, os bebês podem ser particularmente grandes. Sendo assim, um feto maior é menos propenso a passar facilmente através da vagina e é possível que seja necessário um parto por cesariana.

    É importante ainda esclarecer que se o trabalho de parto não acontecer naturalmente até a 39ª semana, o médico pode iniciá-lo utilizando um medicamento para indução deste momento. No entanto, se a glicemia não estiver bem controlada, é possível que o trabalho seja induzido já na 37ª semana.

    Além disso, durante o trabalho de parto, muitas mulheres com diabetes precisam receber ainda uma infusão contínua de insulina por meio de um cateter inserido em uma veia. Porém, na maioria das vezes, a necessidade de repor a insulina cai drasticamente logo após o nascimento do bebê, normalizando para os níveis de antes da gravidez em poucas semanas.

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    28 de julho de 2021
  • Eclâmpsia e pré-eclâmpsia na gravidez: entenda diferenças e sinais de alerta

    Você já ouviu falar em eclâmpsia ou pré-eclâmpsia? Sabe o que são?

    Essas doenças ligadas à hipertensão arterial são importantes complicações da gravidez. Sendo assim, por representarem perigo para a gestante e para bebê, precisam ser acompanhadas de perto pelo obstetra. 

    Mas afinal, o que é eclâmpsia? E a pré-eclâmpsia? Quais seus sintomas, riscos e tratamento? O texto a seguir vai esclarecer essas e outras dúvidas sobre estes temas, continue a leitura e entenda mais sobre:

    • O que é eclâmpsia;
    • O que é pré-eclâmpsia;
    • Quais são as causas da pré-eclâmpsia;
    • Doenças hipertensivas e gravidez: conheça outros casos;
    • Como ocorre o diagnóstico de eclâmpsia?
    • Quais são as possíveis complicações da eclâmpsia?
    • Qual o tratamento para eclâmpsia?
    • Como é feito o tratamento pré-eclâmpsia?
    • Saiba mais: eclâmpsia pós-parto

    O que é eclâmpsia?

    A eclâmpsia é uma importante complicação da gravidez, rara, porém grave, que se caracteriza por episódios repetidos de convulsões. Dessa maneira, pode ser muito perigoso para a mãe e seu bebê, e até mesmo fatal.  Nesse sentido, é considerado o grau mais grave da hipertensão na gravidez, afetando cerca de uma em cada 2 mil ou 3 mil gestações. 

    Em outras palavras, a eclâmpsia é uma manifestação crítica da pré-eclâmpsia, que ocorre geralmente após a 20ª semana de gestação. Além do mais, o quadro pode acontecer também na hora do parto ou até mesmo após o nascimento. 

    Nesse sentido, as crises convulsivas duram em média 1 minuto. Elas são normalmente precedidas por dor de cabeça, alterações visuais ou dor abdominal intensa, podendo evoluir para coma.

    Contudo, ao contrário do que os nomes pré-eclâmpsia e eclâmpsia podem sugerir, uma doença não necessariamente evolui para a outra. Na verdade, embora estejam relacionadas, a grande maioria das gestantes com pré-eclâmpsia grave não irá apresentar eclâmpsia. Em todo caso, é importante ficar atento aos sintomas.

    Por isso, veja os principais sintomas da eclâmpsia:

    • Convulsões;
    • Dor de cabeça intensa;
    • Hipertensão arterial;
    • Aumento de peso rápido devido à retenção de líquido;
    • Inchaço das mãos e pés;
    • Inchaço da face;
    • Perda de proteínas pela urina (urina espumosa);
    • Zumbidos nos ouvidos;
    • Dor de barriga intensa;
    • Vômitos;
    • Alterações de visão.

    O que é pré-eclâmpsia?

    A pré-eclâmpsia é uma complicação da gestação que se caracteriza por um quadro de hipertensão arterial (pressão superior a 140 x 90 mmHg) associada à proteinúria (perdas de proteínas na urina). A doença se manifesta normalmente a partir da 20ª semana de gravidez, no parto (seja ele normal ou cesárea), ou nos primeiros dias após o nascimento do bebê. Dessa forma, se não for tratada precocemente pode provocar lesão de órgãos importantes, tais como fígado, rins, pulmões e cérebro. 

    Sendo assim, ela ocorre em 5% a 10% das gestações, sendo que 75% dos casos são leves e 25%  graves. Além disso, a doença parece ocorrer devido a problemas no desenvolvimento dos vasos da placenta, causando diminuição da circulação sanguínea e alterações na capacidade de coagulação do sangue. 

    Dessa forma, quando o distúrbio se instala, há liberação de proteínas na circulação materna que provocam uma resposta imunológica da gestante. Assim, as paredes dos vasos sanguíneos são danificadas, o que resulta em vasoconstrição,  e consequentemente, no aumento da pressão arterial.

    Esta condição, que afeta cerca de 8,5 milhões de mulheres em todo o mundo, é responsável por aproximadamente 15% dos partos prematuros. Por isso, é necessário prestar atenção aos possíveis sintomas que podem indicar  uma pré- eclâmpsia leve ou grave. Ou seja, se a grávida apresentar pelo menos um dos sintomas citados abaixo, deve procurar seu médico ou ir ao hospital para medir a pressão arterial e fazer exames de sangue e de urina.

    Conheça os tipos de pré-eclâmpsia e seus sintomas:

    Pré-eclâmpsia leve

    • Pressão arterial igual a 140 x 90 mmHg;
    • Presença de proteínas na urina;
    • Inchaço e ganho repentino de peso, como 2 a 3 kg em 1 ou 2 dias.

    Pré-eclâmpsia grave

    • Pressão arterial superior a 160 x 110 mmHg;
    • Dor de cabeça forte e constante;
    • Dor no lado direito do abdômen;
    • Diminuição da quantidade de urina e da vontade de urinar;
    • Alterações na visão, como vista embaçada ou escurecida;
    • Sensação de ardência no estômago.

    Quais são as causas da pré-eclâmpsia?

    Tanto a eclâmpsia quanto a pré-eclâmpsia estão associadas à hipertensão arterial, que pode ser crônica ou específica da gravidez. Nesse sentido, podem ocorrer devido a problemas no desenvolvimento dos vasos da placenta, no início da gravidez, durante sua implantação no útero. 

    Desta forma, conforme a gravidez se desenvolve e a placenta cresce, a falta de uma vascularização perfeita leva a uma baixa circulação de sangue, podendo causar isquemia placentária. Assim, a placenta em sofrimento por falta de circulação adequada produz uma série de substâncias. Ao caírem, portanto, na circulação sanguínea materna, elas causam descontrole da pressão arterial.

    Além disso, outros fatores aumentam o risco de desenvolver pré-eclâmpsia:

    • Gravidez em mulheres com mais de 40 anos ou menos de 18;
    • História familiar de eclâmpsia;
    • História familiar de pré-eclâmpsia;
    • Eclâmpsia ou pré-eclâmpsia em uma gestação anterior;
    • Gravidez de gêmeos;
    • Mulheres com hipertensão;
    • Obesidade;
    • Diabetes;
    • Doença renal crônica;
    • Grávidas com doenças autoimunes, como lúpus;
    • Intervalo de tempo prolongado entre gestações;
    • Primeira gestação.

    Doenças hipertensivas e gravidez: conheça outros casos

    Como vimos, a pré-eclâmpsia é uma doença hipertensiva que pode ocorrer durante a gravidez. Contudo, outros quadros hipertensivos também  acometem as gestantes.

    Vejas as diferenças entre eles:

    Hipertensão crônica

    É a hipertensão arterial que existia antes da gravidez ou que ocorre antes da 20ª semana de gestação. Assim, como a pressão arterial elevada geralmente não tem sintomas, pode ser difícil determinar quando começou.

    Hipertensão gestacional

    As mulheres com hipertensão gestacional têm pressão arterial elevada, mas sem excesso de proteína na urina, ou outros sinais de danos em órgãos. Algumas mulheres com hipertensão gestacional podem, eventualmente, desenvolver pré-eclâmpsia.

    Pré-eclâmpsia 

    E o surgimento de pressão arterial alta após a 20ª semana de gravidez. Nesse sentido, está associado à perda de proteínas na urina, chamada de proteinúria.

    Hipertensão crônica com pré-eclâmpsia superposta

    Esta condição ocorre em mulheres que têm pressão arterial elevada crônica antes da gravidez. Portanto, desenvolvem o agravamento dessa pressão com presença de proteína na urina.

    Como ocorre o diagnóstico de eclâmpsia?

    O diagnóstico de eclâmpsia é estabelecido com base nos níveis elevados da pressão arterial, na história clínica, nos sintomas da paciente e nos resultados de exames laboratoriais de sangue e de urina.

    Dessa maneira, para confirmar ou descartar o diagnóstico, o médico irá solicitar exames específicos como:  

    • Medição da pressão arterial;
    • Exames de sangue para determinar contagem de plaquetas e o funcionamento do fígado e rins;
    • Exames de urina para identificar altos níveis de proteína;
    • Ultrassom fetal com Doppler, para saber como está o bebê;
    • Exames para verificar a frequência cardíaca do bebê.

    Quais são as possíveis complicações da eclâmpsia?

    A eclâmpsia é uma situação preocupante para as grávidas já que representa riscos tanto para a mãe quanto para o  bebê. Desta forma, quando a doença não é diagnosticada, tratada e acompanhada por um médico, pode apresentar complicações ainda mais perigosas. 

    Nesse sentido, a melhor prevenção é controlar de perto a pressão arterial durante toda a gravidez. Além disso, fazer os exames de pré-natal necessários para detectar, o mais cedo possível, qualquer alteração indicativa desta doença.

    Conheça algumas possíveis complicações da eclâmpsia:

    Síndrome HELLP

    Em inglês, a sigla HELLP significa Hemolisys (hemólise), Elevated Liver Enzymes (enzimas do fígado elevadas) Low Platelets (plaquetas baixas). Nesse sentido, a síndrome é uma grave complicação caracterizada por sintomas de eclâmpsia, além da destruição das células sanguíneas, com anemia,  hemoglobinas abaixo de 10,5%, queda das plaquetas abaixo de 100.000/mm³, além da elevação das enzimas hepáticas.

    Nesse sentido, a síndrome de HELLP está associada ao inchaço do fígado e diminuição da atividade de coagulação do sangue, com destruição de glóbulos vermelhos. Sendo assim, na sua forma mais agressiva, pode causar o óbito da mãe se não for controlada.

    Sangramentos

    Os sangramentos ocorrem devido à destruição e diminuição do número de plaquetas, bem como ao comprometimento da capacidade de coagulação;

    Prematuridade do bebê: 

    A eclâmpsia pode causar descolamento da placenta, baixo crescimento e desenvolvimento intra-uterino e parto prematuro. Dessa forma, pode deixar sequelas para o bebê.

    Edema agudo de pulmão: 

    Nesta situação há acúmulo de líquido nos pulmões;

    Insuficiência do fígado e rins: 

    Nesses quadros, fígado e rins deixam de realizar suas funções normalmente. Dessa forma isso pode, inclusive, se tornar irreversíveis.

    Morte materna: 

    A eclâmpsia, forma mais grave dos distúrbios hipertensivos, pode levar à complicações e morte materna. Nessa casos, os óbitos são decorrentes de hemorragia cerebral, edema agudo de pulmão, insuficiência renal aguda, insuficiência hepática com ou sem coagulação intravascular disseminada, entre outros.

    Qual o tratamento para eclâmpsia?

    A eclâmpsia, ao contrário da hipertensão arterial comum, não responde aos diuréticos nem a uma dieta pobre em sal. Dessa forma, o tratamento normalmente para grávidas com diagnóstico de eclâmpsia inclui:

    Medicamentos

    A administração de Sulfato de Magnésio na veia é o tratamento mais comum em casos de eclâmpsia, que age controlando as convulsões e a entrada em coma. 

    Repouso

    Durante a internação hospitalar, a grávida deve repousar o máximo possível, de preferência deitada para o lado esquerdo, o que melhora o fluxo de sangue para o bebê.

    Indução do parto

    O parto é a única forma de curar a eclâmpsia, portanto, o médico pode antecipar o nascimento, dependendo de quantas semanas da gestação já se passaram.  

    Dessa forma, a decisão de se induzir o parto, ou prolongar a gravidez deve levar em consideração a idade gestacional, a gravidade da eclâmpsia e as condições de saúde da mãe e do feto. Nesse sentido, se surgirem sintomas de risco de vida, o parto prematuro pode ocorrer entre 32 e 36 semanas de gravidez.

    Vale ressaltar que, apesar da eclâmpsia normalmente melhorar após o parto, podem surgir complicações nos dias seguintes, por isso a mulher deve ser monitorada rigorosamente.

    Como é feito o tratamento pré-eclâmpsia?

    O tratamento da pré-eclâmpsia busca garantir a segurança da mãe e do bebê, e tende a variar de acordo com a gravidade da doença e com o tempo de gestação. Nesse sentido, é importante a grávida controlar frequentemente a pressão arterial e fazer exames de urina rotineiramente, para evitar que a pré-eclâmpsia piore.

    Além disso, nos casos leves, o obstetra geralmente recomenda que a mulher fique em casa e siga uma dieta pobre em sal e com aumento da ingestão de água para cerca de 2 a 3 litros por dia. O repouso deve ser seguido à risca e de preferência para o lado esquerdo, de forma a aumentar a circulação sanguínea para os rins e o útero.

    Já nos casos de pré-eclâmpsia grave, o tratamento geralmente é feito no hospital. Dessa maneira, a grávida recebe remédios anti-hipertensivos pela veia e fica sob vigilância para avaliação constante da sua saúde e a do bebê. De acordo com a idade gestacional, o médico pode recomendar induzir o parto para tratar a pré-eclâmpsia.

    Saiba mais: eclâmpsia pós-parto

    Como já vimos, a eclâmpsia acontece geralmente a partir da 20ª semana de gravidez, mas  pode se manifestar também na hora do parto, ou após o nascimento do bebê. Nesse sentido, a eclâmpsia no pós parto é uma condição rara que ocorre logo nas primeiras 48 horas após o parto. 

    Sendo assim, é mais comum em mulheres que foram diagnosticadas com pré-eclâmpsia durante a gravidez, mas também pode acometer gestantes com características que favorecem essa doença, como obesidade, pressão alta, diabetes, idade superior a 40 ou menores de 18 anos. Por isso, é preciso ficar atento aos sinais de possível eclâmpsia  no pós-parto como:

    • Desmaio;
    • Dor de cabeça;
    • Dor abdominal;
    • Visão embaçada;
    • Convulsões;
    • Pressão arterial alta;
    • Inchaço das mãos e dos pés;
    • Presença de proteínas na urina;
    • Zumbidos nos ouvidos;
    • Vômito.

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    21 de julho de 2021
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    O exame de sexagem fetal é uma boa alternativa para saber antecipadamente o sexo do bebê. Neste sentido, a gestante não precisa esperar até a realização do exame de ultrassom para descobrir se será uma menina ou um menino.

    A seguir vamos explicar o que é sexagem fetal, como o teste ocorre, quando pode acontecer, suas taxas de sucesso e dúvidas mais frequentes sobre o assunto.

    O que é sexagem fetal?

    Em 1997, o pesquisador chinês Dennis Yuk-ming Lo descobriu que o DNA do feto está presente no sangue materno durante a gestação. Para esta descoberta, ele usou como marcador o cromossomo sexual masculino (Y). Desta forma, ele criou o exame de sexagem fetal que consegue detectar, ainda nas primeiras semanas de gravidez, o sexo do bebê.

    Sendo assim, o exame consiste na análise laboratorial do sangue da mãe, e é considerado sem riscos e com altas chances de acerto. Desta maneira, com a sexagem fetal é possível acalmar a ansiedade dos pais que não querem esperar pelo exame de imagem para saber se terão uma menina ou um menino.

    Como o exame de sexagem fetal é feito?

    O exame de sexagem fetal é feito através de coleta de sangue comum, semelhante a um hemograma. Desta forma, é possível visualizar, por meio de biologia molecular, amostras de fragmentos do DNA do feto presentes no plasma da mãe. Assim, com esta análise genética identifica-se o sexo do bebê.

    Recomenda-se a realização da sexagem fetal a partir da 10ª semana de gestação, sendo a 11ª semana a ideal para obter resultados mais assertivos. Isto ocorre pois o número de células fetais no sangue da mãe aumenta à medida que o tempo de gestação avança.

    Para fazer o exame, não existem contraindicações e não é necessário nenhum preparo prévio. No entanto, recomenda-se que a gestante esteja bem alimentada e hidratada na hora da coleta de sangue. 

    Em quanto tempo o exame de sexagem fetal fica pronto?

    O tempo para sair o resultado do exame de sexagem fetal varia de laboratório para laboratório. Dessa forma, pode demorar de 3 a 10 dias, dependendo da urgência da solicitação e do local escolhido para a realização do teste. 

    Porém, já existe também no mercado brasileiro um teste de farmácia para sexagem fetal. Nesse sentido, o exame identifica o sexo do bebê por meio da urina e o resultado sai em alguns minutos.

    Quais são os resultados possíveis na sexagem fetal?

    Para explicar os possíveis resultados do exame de sexagem fetal é importante esclarecer que todas as células de um indivíduo contém 23 pares de cromossomos diferentes, que são herdados dos pais. Entretanto, apenas um desses pares carrega as informações que determinam o sexo. Nesse sentido, se o cromossomo sexual for “XX” será biologicamente uma mulher, caso seja formado por “XY”, será biologicamente um homem.

    Desta forma, o exame de sexagem fetal consiste na investigação do cromossomo Y no sangue materno. Assim, se o exame detectar este cromossomo significa que o bebê é um menino. Já a ausência do cromossomo Y significa que o bebê é XX, e a gestação é de uma menina.

    Em caso de gestação de gêmeos, ainda é possível realizar o exame de sexagem fetal. Contudo, se a gestação for gemelar bivitelina, o resultado pode ser parcial. Ou seja, nem sempre dá para saber o sexo de ambos os bebês. Nesse sentido, se o exame mostrar a presença do cromossomo Y, significa que pelo menos um dos bebês é do sexo masculino. Se não mostrar este cromossomo, significa que ambos os bebês são do sexo feminino.

    Porém, se a gestação é univitelina, o resultado significa que é o mesmo sexo para ambos os fetos.

    É importante esclarecer ainda que embora a sexagem fetal consiga identificar se o bebê é menino ou menina, o exame não determina se são gêmeos, trigêmeos e etc.

    O exame de sexagem fetal pode dar errado?

    O resultado da sexagem fetal pode sofrer interferências e, em alguns casos, indicar um falso masculino ou feminino. Nesse sentido, é importante verificar se em um determinado momento da vida a gestante recebeu sangue ou passou por um transplante de órgãos cujo doador era homem. Se isto ocorreu, o resultado da sexagem fetal pode ser falso.

    Outra condição que é passível de erro é se a mulher fez algum procedimento de Fertilização in Vitro com vários embriões. Dessa forma, se algum embrião não sobreviveu, algumas células ainda podem estar presentes no sangue da mãe e interferir no resultado.

    No entanto, se a mulher não tiver passado por nenhum dos fatores mencionados acima, as chances de acerto do exame chegam a 99%.

    Sexagem fetal ou ultrassom: qual escolher?

    O jeito mais comum de descobrir se a gestante espera um menino ou uma menina é através da tradicional ultrassonografia, que vai acompanhar o crescimento do bebê durante toda a gestação. Porém, é preciso ter paciência, já que o exame de imagem morfológico só consegue detectar o sexo do bebê por volta da 15ª semana de gravidez.

    Nesse sentido, é importante frisar que o ultrassom tem papel fundamental para verificar se a gestação está se desenvolvendo corretamente. Sendo assim, além do primeiro trimestre, este exame ainda é recomendado nos outros dois trimestres da gestação, entre a 18ª e a 22ª semana e entre a 33ª e a 34ª semana. 

    Já o exame de sexagem fetal é uma opção. Geralmente são requisitados pelos casais mais ansiosos que querem uma resposta antecipada sobre o sexo do bebê. Sendo assim, eles podem fazer o teste a partir da 10ª semana de gestação. 

    O teste de sexagem fetal de farmácia é confiável?

    O exame de sexagem fetal de farmácia, chamado de Intelligender, é semelhante a um teste de gravidez que analisa a urina da gestante por volta da 12ª semana. Nesse sentido, a coleta pode ser feita em casa e em poucos minutos sai o resultado. Se a luz que aparecer for laranja, significa que é menina. Se a luz for verde, o bebê é um menino.

    No entanto, o teste de sexagem fetal de farmácia não é indicado por médicos e especialistas. Afinal, sua porcentagem de acerto é bem inferior à do exame de laboratório, não passando de 82%.

    De qualquer forma, o teste é uma opção para as grávidas curiosas e ansiosas que não querem coletar sangue e nem esperar até o momento da ultrassonografia. Contudo, o exame de farmácia não deve ser feito em certas situações, pois há possibilidade de afetar ainda mais o resultado. Confira quando ele é contraindicado:

    • Se teve relações sexuais nas últimas 48 horas;
    • Depois da 32ª semana de gravidez;
    • Para quem fez recentemente tratamentos para a infertilidade, com remédios contendo progesterona.
    • Se fez tratamento de Inseminação Artificial;
    • Se estiver grávida de gêmeos.

    A sexagem fetal aponta doenças genéticas?

    A sexagem fetal não identifica doenças genéticas. Entretanto, a diferença entre o sexo encontrado na sexagem e o identificado em exames de imagem pode contribuir para a suspeita de algumas doenças. Entre elas estão a hiperplasia congênita da adrenal, a síndrome da feminização testicular e outras condições raras.

    Contudo, para obter o diagnóstico certo destas e de outras doenças genéticas, existem métodos mais assertivos e sensíveis, como o exame de NIPT, a Biópsia de Vilosidades Coriônicas e a Amniocentese. Confira os detalhes de cada exame:

    NIPT

    O NIPT, sigla em inglês para teste pré-natal não invasivo, é um exame de sangue simples que avalia o risco de doenças cromossômicas do feto, além de detectar o sexo do bebê. Nesse sentido, o exame é capaz de rastrear doenças como a Síndrome de Down, Síndrome de Edwards, Síndrome de Patau, Síndrome de Turner, Síndrome de Klinefelter entre outros.

    O NIPT tem uma taxa de confiabilidade de 99% e é indicado para mulheres grávidas nas seguintes situações:

    • Pacientes acima dos 35 anos;
    • Gestantes com histórico de gravidez afetada com aneuploidia;
    • Gestações em que o pai ou a mãe tenham translocação robertsoniana;
    • Pacientes com triagem sérica positiva no primeiro ou segundo trimestre de gestação. 

    Biópsia de Vilosidades Coriônicas

    A biópsia de Vilosidades Coriônicas é recomendada apenas em casos de suspeita de anomalia genética, pois é um exame invasivo. Nesse sentido, ele utiliza o método de punção com agulha para a retirada de fragmentos da placenta. 

    O material recolhido permite obter o cariótipo fetal, que é a avaliação do número e forma dos cromossomos. Dessa forma, por meio da amostra, é possível saber o sexo do bebê, além de diagnosticar síndromes cromossômicas, doenças genéticas e metabólicas.

     O exame é indicado nas seguintes situações:

    • Quando a Translucência Nucal está aumentada;
    • Idade materna avançada; 
    • História de malformação ou doença genética em gestação anterior;
    • História familiar de síndromes genéticas ou doenças metabólicas;

    Amniocentese

    A amniocentese também é um exame invasivo e assim como a biópsia da placenta há riscos de aborto, de 1 a 2%. Ele é indicado a partir do segundo trimestre de gestação, e além de identificar o sexo do bebê, tem como principal objetivo analisar alterações genéticas e congênitas no feto.

    Para a realização do exame, o médico introduz uma agulha fina pela barriga da gestante que retira uma pequena quantidade de líquido amniótico. Este envolve e protege o feto durante a gravidez e que contém células, anticorpos e substâncias que permitem determinar a saúde do bebê. 

    As principais indicações para este exame são:

    • Gravidez acima dos 35 anos, com rastreamento ultrassonográfico positivo;
    • Mãe ou pai com problemas genéticos, ou histórico na família de alterações genéticas;
    • Gravidez prévia de filho com alguma doença genética.

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    14 de julho de 2021
  • 10 principais perguntas sobre útero retrovertido respondidas

    Você já ouviu falar em útero retrovertido ou invertido? Sabe o que de fato acontece quando uma mulher tem o órgão nesta posição?

    Pois no texto a seguir vamos responder as perguntas mais frequentes sobre o útero retrovertido: o que é, quais os sintomas, se é preciso tratamento, se dificulta a gravidez, entre outras dúvidas sobre o assunto.

    1 – O que é útero retrovertido?

    Como todos sabem, o útero é um dos órgãos mais importantes do corpo feminino ligado à reprodução, pois é nele que o bebê fica durante toda a gestação. Nesse sentido, ele está localizado na bacia, também chamada por especialistas de região pélvica. Desta forma, o órgão que tem a forma de uma pêra invertida está normalmente situado acima da bexiga e projetado para frente do abdômen.

    Entretanto, a posição do útero pode variar de mulher para mulher. Sendo assim, algumas pesquisas científicas apontam que cerca de 15% a 25% das mulheres têm o útero retrovertido, popularmente chamado de invertido.

    Nesses casos, é uma diferença anatômica em que o órgão está refletido para trás. Ou seja, virado na direção da coluna vertebral e do reto, mais perto da porção final do intestino grosso.

     2 – Quais são os sintomas do útero retrovertido?

    Sabe-se que o útero retrovertido é uma condição física, e desta forma, não é considerado uma doença. Por esta razão, muitas mulheres nem sabem que têm o órgão invertido até passarem por algum ultrassom de rotina que revele a posição.

    No entanto, em algumas situações, a condição pode apresentar alguns sintomas. Confira quais são:   

    • Dor pélvica;
    • Dispareunia (dor durante as relações sexuais);
    • Infecção urinária;
    • Desconforto ao urinar;
    • Dor durante a evacuação;
    • Cólicas menstruais intensas;
    • Dor na coluna lombar e nas costas.

    É importante ressaltar que existe uma associação de útero retrovertido com uma maior incidência de endometriose – quando pedaços do endométrio se espalham para além do útero, inflamando e causando dor. Porém, se a mulher tiver o útero retroverso e não apresentar endometriose ela não precisa se preocupar, pois terá uma vida normal.

    Contudo, vale a pena frisar que se a paciente perceber qualquer desconforto na região pélvica é fundamental consultar com um ginecologista de confiança.

    3 – Útero retrovertido causa infertilidade?

    O útero retrovertido, ao contrário do que muitos pensam, não é responsável pela infertilidade feminina. Sendo assim, essa posição do órgão é uma variante anatômica normal e não costuma ter consequências graves para a saúde da mulher ou do feto.

    Nesse sentido, ele não impede que a mulher tenha uma vida saudável e que possa engravidar no futuro. Entretanto, como já foi citado anteriormente, mulheres nesta condição têm maior probabilidade de desenvolver endometriose, que é uma causa importante de infertilidade.

    Desta forma, o útero retrovertido associado à doença aumenta a chance das mulheres terem mais dificuldade para engravidar. Porém, isto ocorre pela endometriose e não pela condição do útero.

    4 – Qual é a posição para engravidar com útero retrovertido?

    Muitas pessoas acreditam que por ter o útero retrovertido, a mulher precisa ter uma posição específica nas relações sexuais para conseguir engravidar. Entretanto isto é mito!

    Neste sentido, os especialistas afirmam que não há uma posição indicada durante o ato sexual para quem tem a condição. Segundo a medicina, a chance de gravidez é a mesma, independente da posição do órgão.

    5 – Útero retrovertido causa dor na relação sexual?

    Geralmente, as mulheres são assintomáticas e nem sabem que possuem o útero retrovertido. Por esta razão, a maioria não apresenta sintomas durante a relação sexual.

    Porém, em alguns casos, ele pode estar fixo. Nesse sentido, é possível causar dores durante o ato sexual.

    6 – Como fica a barriga de grávida com útero retrovertido?

    Como já vimos, na maioria das vezes o útero é anteverso fletido. Ou seja, virado para frente, por sobre a bexiga. Porém, ele pode aparecer também virado para trás, em direção à coluna (retrovertido).

    Contudo, quando a mulher engravida, o útero vai crescendo e perdendo qualquer uma das flexões. Desta forma, independente da posição pré-gestacional, o órgão vai se retificando, ou seja,  ficando de forma reta. Sendo assim, a barriga de grávida com o útero retrovertido é igual a qualquer outra gestação.  

    7 – Como é a gravidez de quem tem útero retrovertido?

    A retroversão uterina, geralmente, não causa grandes problemas à mulher e nem à fertilidade feminina. Da mesma forma, o útero retrovertido na gravidez não interfere no curso da gestação. Afinal, por volta das 12 semanas o órgão sai da cavidade pélvica, perde a flexão e fica reto. 

    Nesse sentido, os especialistas explicam que a gravidez é igual para todas.  Ou seja, independente da posição pré-gestacional do órgão, a gestante pode ter os mesmos sintomas de quem tem o útero virado para frente.

    Sendo assim, problemas como incontinência urinária, dificuldade para evacuar ou dores nas costas podem acontecer em qualquer situação de gravidez.  

    8 – Como é a gravidez de gêmeos de quem tem útero retrovertido?

    Como o útero retrovertido fica reto por volta das 12 semanas, a gravidez de gêmeos transcorre da mesma maneira que qualquer outra gestação gemelar. Nesse sentido,  normalmente, a barriga fica maior e os cuidados devem ser redobrados.

    Vale lembrar que  grávidas de gêmeos, de uma maneira geral, podem sentir mais sintomas, como incontinência urinária, dores nas costas, incômodo para urinar ou evacuar.

    9 – Quem tem útero retrovertido pode ter parto normal?

    O parto em caso de útero retrovertido pode ser normal, não sendo necessária uma cesárea só por esse motivo. Isto porque no decorrer da gestação, o órgão vai crescendo e se posicionando de forma reta. Sendo assim, há possibilidade de ocorrer o parto vaginal.

    No entanto, é importante que a paciente verifique com o obstetra que tipo de parto é possível quando chegar a hora do bebê nascer.

    10 – Há tratamento para útero revertido?

    Na grande maioria dos casos, quem tem útero retrovertido não precisa de tratamento, pois as mulheres sequer sabem desta condição anatômica do órgão. Porém, como ele está voltado para a parte de trás do corpo, algumas mulheres podem relatar dor durante a menstruação, ao urinar, evacuar e após o contato íntimo.

    Desta forma, nestas situações, pode ser indicado medicamentos à base de hormônios para a regulação do ciclo menstrual. Além disso, em casos específicos é possível realizar um procedimento cirúrgico para que o útero seja virado para frente, reduzindo assim os sintomas e o desconforto.


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    30 de junho de 2021
  • Genética: entenda o significado e sua influência nos bebês

    Você certamente já ouviu falar em genética, e com certeza deve ter muitas dúvidas. Mas afinal, o que é genética? Qual sua atuação? Como ela influencia nossas vidas desde o momento que somos gerados?

    Esse texto vai abordar os diversos aspectos da genética, seu conceito, seu papel na hereditariedade, bem como, sua relação com os tratamentos da reprodução assistida. Boa leitura!

    O que significa genética?

    A genética é a área da ciência que estuda a hereditariedade, ou seja, o processo de transmissão de características físicas e biológicas de um indivíduo para outro. De origem grega, a palavra genética significa “fazer nascer”, e através dela se aprende muito sobre as leis e mecanismos de transmissão das características entre as diferentes gerações. 

    Nesse sentido, a genética estuda precisamente os genes, que são porções do DNA (Ácido Desoxirribonucleico), molécula presente no núcleo das células dos seres vivos que carrega toda a informação genética de um organismo. Assim, os genes determinam tanto as características próprias da espécie humana, quanto os atributos específicos de cada indivíduo como cor do olho, do cabelo, altura, entre outros. 

    Desta forma, essas características são passadas aos descendentes no momento da reprodução. Isso acontece pois os gametas sexuais masculinos e femininos, ou seja, o espermatozoide e o óvulo, carregam os genes. Sendo assim, quando acontece a fecundação, as informações genéticas do pai e da mãe se unem para formar o novo ser.

    Conheça as diferentes áreas de estudo da Genética:

    A evolução da genética trouxe benefícios em diversas áreas. Assim, conhecer suas áreas de estudo e abrangência nos ajuda a entender suas potencialidades e aplicações.

    Clássica: 

    Anterior ao advento da Biologia Molecular, utiliza técnicas tradicionais, como mapeamento de cromossomos.

    Molecular: 

    Pesquisa funções e estruturas dos genes a nível molecular.

    Ecológica: 

    Estuda a genética em populações naturais, nas interações entre organismos com o meio ambiente.

    Genômica: 

    Analisa o genoma, ou seja, o conjunto de genes das espécies.

    Populacional: 

    Pesquisa as mudanças e distribuição na frequência de alelos decorrente de mutação, seleção natural, fluxo gênico e deriva genética.

    Genética e hereditariedade são a mesma coisa?

    Não exatamente. Como vimos, a genética é a área científica que estuda os fenômenos biológicos com relação à hereditariedade. Ou seja, com a maneira como os filhos herdam características de seus pais e as transmitem para seus filhos. 

    Desta forma, a herança genética é um dos conceitos mais básicos da genética, e explica os fatores físicos passados para as futuras gerações, assim como eventual tendência a desenvolver certas doenças. 

    Veja alguns princípios básicos da genética relacionados com a hereditariedade:

    • Os filhos herdam dos pais as informações genéticas contidas nos genes que irão determinar as características do indivíduo;
    • Cada ser vivo contém pares de genes que são transmitidos após a fecundação, quando se forma o zigoto;
    • Os espermatozoides e os óvulos passam os genes de uma geração a outra;
    • Os gametas contêm metade da informação genética da espécie a qual pertencem.

    Quais são os principais termos da genética?

    Hoje, já está bem claro como acontece a transmissão de características de pais para filhos; no entanto, no passado, essa era uma dúvida de muitos pesquisadores. Desta forma, realizaram-se vários estudos para explicar, cientificamente, os mecanismos na perpetuação de características nos seres vivos.

    Nesse sentido, a descoberta de Gregor Mendel, em 1865, foi o ponto inicial e de maior contribuição para o desenvolvimento da genética. Naquela época, mesmo sem conhecimentos sobre cromossomos e eventos como meiose e mitose, o monge e biólogo conseguiu perceber, em seus trabalhos com ervilhas, que existiam fatores responsáveis pela hereditariedade. 

    Desde então, os estudos da genética evoluíram muito, e várias descobertas impactaram significativamente a humanidade. Nesse sentido, a partir do entendimento de como as características passam entre as gerações, hoje já é possível entender o desenvolvimento de alguns tipos de tumores, realizar testes de DNA, criar clones, fazer produtos transgênicos, entre várias outras importantes descobertas.

    Conheça alguns conceitos básicos para o estudo da genética:

    DNA

    O DNA (Ácido Desoxirribonucleico) é uma molécula presente no núcleo das células dos seres vivos que carrega toda a informação genética de um organismo. Nesse sentido, é constituído por uma fita dupla em forma de espiral (dupla hélice), composta por nucleotídeos que estão relacionados diretamente com as características físicas e fisiológicas do nosso corpo. 

    Por esta razão, o DNA tem papel fundamental na hereditariedade, sendo considerado o portador da mensagem genética.

    Cromossomos

    Os cromossomos são longas sequências de DNA. Nesse sentido, o ser humano possui 46 cromossomos: 23 recebidos da mãe e 23 do pai, que pareiam entre si. Cada par de cromossomo é composto de inúmeros genes.

    Desses 23 pares de cromossomos, 22 são considerados autossômicos e dois cromossomos são sexuais. Ou seja, relacionam-se à determinação do sexo masculino e feminino. Desta forma, homens apresentam cromossomos sexuais XY, enquanto as mulheres, XX.

    Genes 

    Os genes são unidades de informação hereditária que se localizam nos cromossomos. Nesse sentido, é possível dizer que o gene nada mais é do que uma sequência específica do DNA que contém as instruções necessárias para a síntese de uma molécula de RNA, que posteriormente dará origem a uma proteína. 

    Ou seja, o gene é a unidade fundamental da hereditariedade, pois eles são os responsáveis por determinar tanto as características próprias da espécie humana, quanto as características de cada indivíduo.

    Genoma

    O Genoma é toda a informação hereditária codificada no DNA de um organismo ou no RNA, no caso de alguns vírus. Nesse sentido, é o conjunto de todos os genes de uma determinada espécie.

    Genótipo

    O genótipo define-se como a composição genética de um indivíduo, ou seja, o conjunto de todos os genes daquele organismo. 

    Fenótipo

    O fenótipo é a expressão observável da constituição genética de um indivíduo, ou seja, é o conjunto das características físicas e fisiológicas de um ser. Nesse sentido, apesar das características serem determinadas pelo genótipo, o fenótipo é variável ao longo da vida e depende também das interações com o meio.

    Qual a influência da genética no bebê?

    Como vimos, ambos os pais determinam a genética do bebê, já que o filho herda 23 cromossomos da mãe e 23 do pai. Esses 46 cromossomos, unidos na fecundação, são compostos por genes que contêm toda informação que o corpo precisa em termos de desempenho, função e forma. Desta maneira, são os genes que definem as características de cada indivíduo.

    Mas como isso acontece? Por que alguns filhos parecem mais com o pai e outros com a mãe? Para responder a essa questão, é preciso esclarecer que os pares de genes alelos, que ocupam o mesmo lócus nos cromossomos homólogos, embora envolvidos na determinação de um mesmo caráter, não são necessariamente idênticos.

    Desta forma, os genes podem ser dominantes, representados por letras maiúsculas (AA ou Aa), ou recessivos, representados por letras minúsculas (aa). Nesse exemplo, a mensagem hereditária não se dá através da mistura dos dois genes, mas sim, com a informação de um prevalecendo sobre o outro. 

    Por exemplo, se considerarmos a cor de olhos: os dois genes podem manifestar a cor marrom (dominante), ou um deles determinar a cor azul (recessiva). Neste caso, embora o gene para o azul faça parte da herança genética do bebê, ele terá a cor de olhos dominante, no caso, marrom.

    Para entender melhor a relação entre dominantes e recessivos, é preciso compreender também o que são Genes Homozigotos e Heterozigotos:

    Genes Alelos Homozigotos: 

    Quando os alelos para uma determinada característica são iguais. Exemplo: AA, aa. (marrom, marrom), (azul,azul). 

    Genes Alelos Heterozigotos: 

    Quando os alelos para uma determinada característica são diferentes. Exemplo: Aa. (marrom, azul). 

    Genes Alelos Dominantes:

    A presença de um único alelo dominante é suficiente para a manifestação de determinada característica, que pode ocorrer em homozigotos ou heterozigotos. Exemplo: AA ou Aa.

    Genes Alelos Recessivos:

    A manifestação de uma determinada característica só ocorre em homozigotos.

    O que é aconselhamento genético?

    O aconselhamento genético ou mapeamento genético é um processo para identificar a probabilidade de determinadas doenças passarem aos descendentes. Desta forma, é feito um estudo dos genótipos de cada pessoa e seus familiares, o que possibilita estimar a chance dos descendentes desenvolverem alguma doença já manifestada em membros da família. 

    Nesse sentido, indica-se o aconselhamento genético para pessoas que querem ter filhos e apresentam grandes riscos de transmitir alguma patologia ou malformação. Desta forma, acontecer quando se planeja uma gravidez, ou já durante o pré-natal.

    Veja algumas situações onde se indica o aconselhamento genético:

    • Pessoas com históricos de doenças degenerativas, até mesmo em parentes próximos;
    • Casais com idade avançada;
    • Pessoas portadoras de alguma doença genética; 
    • Pessoas com filhos que possuem malformações e/ou anomalias;
    • Casais que apresentam laços familiares (relação consanguínea);
    • Casos de aborto de repetição e infertilidade.

    O processo de aconselhamento genético acontece em 3 fases:

    Anamnese 

    No início do processo, a pessoa responde um questionário bem detalhado. Há perguntas relacionadas às doenças hereditárias na família, ao parentesco do casal, aos problemas ocorridos em gestações (inclusive de parentes), à descendência étnica, histórico de atraso mental, de aborto, entre outros. A pesquisa é minuciosa e feita pelo geneticista clínico.

    Exames físicos e laboratoriais

    Na segunda etapa, o médico verifica se há alguma alteração física que possa estar relacionada com a genética. Nesse sentido, pode-se analisar fotos de infância e de familiares para observar características genéticas que representem algum risco.

    Além disso, realizam-se exames laboratoriais, como, por exemplo, o exame de citogenética humana. Quando necessário, a investigação genética pode incluir outros testes, como o sequenciamento Exoma e Genoma, que identificam importantes alterações genéticas.

    Diagnóstico

    Após esse amplo estudo, já será possível dizer, com uma grande margem de acerto, se existem alterações cromossômicas ou doenças genéticas. A partir disso, o especialista poderá orientar o casal sobre os riscos de transmitirem doenças genéticas, indicando o melhor tratamento ou forma de prevenção.

    Qual a importância da genética para tratamentos de fertilidade?

    Como já vimos, a genética está intimamente ligada à reprodução humana, determinando não apenas as características físicas do indivíduo, mas impactando diretamente também na saúde em geral e na fertilidade. Desta forma, para avaliação completa da saúde reprodutiva de homens e mulheres, podem ser feitos exames genéticos que ajudam a diagnosticar possíveis causas de infertilidade.

    Além disso, em casos de gestações que acontecem através de técnicas de Reprodução Assistida, como a Fertilização In Vitro (FIV), já é possível também analisar geneticamente o embrião antes da sua transferência ao útero materno. Desse modo, a possibilidade de selecionar um embrião saudável previne que futuras gerações sejam afetadas por alguma doença hereditária ou cromossômica.

    Saiba mais sobre o exame PGT

    Um dos principais testes genéticos do embrião é o exame PGT (teste genético pré-implantacional). Realizado a partir de biópsia embrionária, o teste rastreia possíveis anomalias genéticas do embrião, antes da sua transferência ao útero materno. Desta forma, se existir alguma alteração, o embrião é descartado e um outro é selecionado. Assim, possíveis síndromes cromossômicas e doenças genéticas não serão mais transmitidas para os descendentes desta família. 

    O PGT exame investiga as seguintes alterações:

    • Alteração numérica: é uma anomalia espontânea que afeta o número de cópias de um cromossomo, ou seja, quando um dos cromossomos, em vez de ter duas cópias, tem uma ou três. Nesse sentido, o exemplo mais conhecido é a Síndrome de Down, que tem três cópias do cromossomo 21.
    • Alteração estrutural: é uma anomalia no conteúdo de um cromossomo, ou seja, um fragmento mudou de lugar, posição ou falta.
    • Doenças monogênicas: são anomalias genéticas com causa por uma falha ou mutação em um único gene. Assim, exemplos conhecidos desse tipo de doenças são a Fibrose Cística, a Hemofilia, a Síndrome de X Frágil, a Distrofia Miotônica e a Doença de Huntington, entre outras.

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    Técnicas de Reprodução Assistida: um bom diagnóstico é o primeiro passo
    23 de junho de 2021
  • O exame histerossalpingografia ajuda a engravidar? Saiba tudo sobre procedimento

    O exame histerossalpingografia, também conhecido pela sigla HSG, é um exame ginecológico de imagem que analisa mais detalhadamente a anatomia do aparelho reprodutor feminino.

    Nesse sentido, o exame histerossalpingografia utiliza raio-x com contraste para ter uma visão mais clara da condição do útero e das trompas de falópio. Sendo assim, é muito indicado para mulheres com problemas ginecológicos e principalmente para diagnosticar causas de infertilidade feminina.

    No texto a seguir vamos saber todos os detalhes deste procedimento que ocorre no Brasil desde 1960, e que tem ajudado muitas mulheres a engravidar. Confira!

    O que é o exame histerossalpingografia?

    O exame histerossalpingografia é um procedimento que avalia o útero e as tubas uterinas e, assim, identifica qualquer tipo de alteração nestes órgãos.

    Desta forma, a partir do raio-x com contraste, o exame percorre todo o trajeto feito pelo espermatozoide até a trompa de falópio, local onde ocorre a fecundação do óvulo. Sendo assim, é possível que o médico conheça em detalhes a estrutura da cavidade uterina e a permeabilidade tubária.

    Nesse sentido, é um exame mais preciso que revela informações úteis na medida em que a ecografia simples não visualiza as trompas. 

    Para que serve o exame histerossalpingografia?

    Como já vimos, o exame histerossalpingografia serve para verificar a cavidade uterina e a permeabilidade das trompas de Falópio. Sendo assim, qualquer anomalia no aparelho reprodutor feminino pode ser identificada pelo exame. Desta forma, com o diagnóstico correto, o médico pode sinalizar o melhor tratamento para solucionar o problema.

    Veja abaixo em quais situações indica-se o exame:

    • Mulheres com doença ginecológica não identificada por outros exames;
    • Mulheres que estão com dificuldade de engravidar;
    • Pacientes que possuem endometriose na pelve;
    • Casos de abortos de repetição.

    Portanto, com o exame histerossalpingografia, o médico pode saber se existe qualquer malformação ou cicatriz uterina que possa atrapalhar a aderência do óvulo fecundado. Da mesma maneira, o procedimento permite verificar se as trompas estão bloqueadas, dificultando o caminho do óvulo. Além disso, ele serve também para diagnosticar outros problemas ginecológicos como, por exemplo, pólipos ou miomas.

    O exame histerossalpingografia ajuda a engravidar?

    Um dos principais objetivos do exame histerossalpingografia é saber o que está acontecendo no útero e nas trompas, para que seja possível iniciar um tratamento e auxiliar a paciente no processo de gravidez. 

    Sabemos que as trompas obstruídas podem ser um dos maiores empecilhos para uma mulher engravidar. Nesse sentido, há muitas complicações que podem causar isso, como por exemplo, a endometriose e as IST’s (Infecções Sexualmente Transmissíveis).

    Desta forma, além de diagnosticar estes problemas para indicar possíveis tratamentos, a realização do próprio exame já pode ajudar a desobstruir as tubas, facilitando, assim, a gravidez.

    Isto acontece pois se introduz um líquido contraste pela vagina que segue para as trompas. No momento que o líquido passa pelas tubas, muitas vezes ele já consegue remover micro aderências ou rolhas de muco que eventualmente atrapalham a passagem do espermatozoide.

    Qual é o preparo para o exame histerossalpingografia?

    É importante esclarecer que o exame histerossalpingografia deve ser feito entre os dias seis e doze do ciclo menstrual. Ou seja, no período entre o final da menstruação e pouco antes da ovulação, para garantir que a mulher não esteja grávida. 

    Desta forma, o procedimento não deve ser feito na gravidez, pois o contraste injetado no útero e o raio-x podem provocar malformações no feto. Além disso, o exame também não deve acontecer se a paciente tiver sangramento menstrual abundante, qualquer infecção ou inflamação ginecológica como clamídia ou gonorreia.

    No entanto, quem for realizar a histerossalpingografia é importante tomar as seguintes precauções:

    • Ingerir um laxante prescrito pelo médico, na noite anterior ao exame, para evitar que as fezes ou os gases impeçam a visualização das estruturas ginecológicas;
    • Tomar o analgésico receitado pelo ginecologista cerca de 40 minutos antes do exame, já que o procedimento pode ser um pouco desconfortável;
    • Informar ao médico se possui alergia ao contraste iodado;
    • Evitar relações sexuais alguns dias antes do exame;
    • Esvaziar a bexiga antes do procedimento.

    Como é feito o exame histerossalpingografia?

    O exame Histerossalpingografia é um procedimento simples e que dura entre 20 a 30 minutos. Ele é feito ambulatorialmente por um médico radiologista, sem a necessidade de internação ou sedação. Sendo assim, para realizar a investigação a paciente fica em posição ginecológica, semelhante à do exame de Papanicolau.

    A partir daí, o especialista faz uma rápida análise da pelve e, em seguida, insere o espéculo vaginal para dilatar o canal da vagina. Posteriormente, é introduzido um fino cateter que libera o contraste com iodo no interior do colo do útero. Desta forma, o líquido espalha-se pelos diferentes órgãos do sistema reprodutivo da mulher e permite que eles possam ser visualizados por radiografia.

    Contudo, em alguns casos, o médico pode solicitar que a paciente se mova para que o líquido atinja pontos específicos. Assim é verificado se há inconformidades ou anomalias nestes lugares.

    Desta maneira, as imagens obtidas pelo raio-x permitem que seja observada, de forma detalhada, a morfologia dos órgãos reprodutores femininos. Com isso é possível identificar algumas causas de infertilidade ou qualquer outro tipo de alteração na mulher.

    Exame histerossalpingografia dói?

    O exame histerossalpingografia usualmente gera apenas um pequeno desconforto semelhante às cólicas do período menstrual. Nesse sentido, ele varia de intensidade de acordo com a sensibilidade de cada mulher.

    Embora a grande maioria das pacientes não sinta muita dor, em raros casos as cólicas podem ser intensas, porém são de curta duração. Sendo assim, normalmente o médico indica o uso de algum analgésico ou anti-inflamatório antes e depois do exame.

    Quais os sintomas após o exame histerossalpingografia?

    Após o exame histerossalpingografia a paciente pode sentir ainda algum desconforto abdominal e ter um pouco de perda de sangue pela vagina. Desta forma, é recomendado tomar um analgésico, se for necessário. Contudo, se ela não tiver sintomas, é possível retomar as atividades normais do dia.

    Entretanto, se a mulher sentir dores fortes, hemorragia e febre, ela deve procurar o médico imediatamente, pois estas situações não são normais.

    Quais são os possíveis resultados do exame histerossalpingografia?

    Os resultados da histerossalpingografia são especialmente utilizados para ajudar o ginecologista a identificar a causa da infertilidade, além de diagnosticar outros problemas ginecológicos. Como o exame analisa detalhadamente o aparelho reprodutor feminino, podem ser verificadas alterações tanto no útero quanto nas trompas de falópio.

    Veja abaixo quais os possíveis problemas que podem ser identificados:

     Útero

    • Má-formação uterina;
    • Pólipos nas paredes do útero;
    • Miomas, considerados tumores benignos;
    • Adenomiose, que consiste no crescimento do tecido endometrial no músculo do útero;
    • Útero bicorno;
    • Útero didelfo;
    • Sinéquias uterinas, que são como cicatrizes na parede do útero.

    Trompas de Falópio

    • Hidrossalpinge, que consiste no acúmulo de líquido no interior das tubas uterinas;
    • Bloqueio das trompas causado por infecção ou cicatrização;
    • Alterações ginecológicas nas trompas causadas por procedimentos de esterilização;
    • Espasmos tubários.

    A partir do momento que o exame histerossalpingografia consegue identificar essas ocorrências, o médico tem um diagnóstico correto da condição ginecológica da paciente. Desta forma, poderá ser orientado o procedimento mais adequado para o tratamento, como cirurgia, medicamentos ou outros.

    Todavia, em casos de pacientes que estão com dificuldades para engravidar, o especialista em reprodução humana terá uma visão clara do que está dificultando a gravidez. Assim, poderá indicar a melhor técnica de reprodução assistida para cada caso.

    Quanto tempo depois do exame histerossalpingografia pode ter relação?

    Como já vimos anteriormente, a paciente pode sentir leves cólicas durante e após a realização do exame histerossalpingografia. Desta forma, alguns médicos aconselham o uso de analgésicos e indicam a suspensão da atividade sexual por alguns dias.

    No entanto, se a paciente estiver bem, sem escapes de sangue e sem dor, ela pode retornar a fazer sexo quando quiser.

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    16 de junho de 2021
  • Teste de compatibilidade genética: como saber se preciso fazer?

    O teste de compatibilidade genética é um importante exame que pode detectar o risco de transmissão de doenças genéticas recessivas e monogênicas hereditárias dos futuros pais para o bebê. Nesse sentido, ele acontece antes da concepção e tem a função estimar a combinação de genes do filho a partir dos genes do casal. Assim, indica a possível presença de doenças monogênicas recessivas.

    Mas como é realizado o teste? Para quem se indica? O que fazer se o casal testa positivo para doenças genéticas? A partir de agora, vamos esclarecer todas as dúvidas sobre o assunto. Confira: 

    O que são doenças genéticas? 

    Para entendermos um pouco mais sobre o teste de compatibilidade genética, é preciso explicar o que são doenças genéticas. As doenças genéticas hereditárias são definidas como patologias causadas por alterações na sequência de alguns genes específicos dos genoma.

    Desta forma, estas mutações alteram a estrutura ou funcionamento de uma proteína e, consequentemente, causam anomalias anatômicas e fisiológicas no corpo humano. Sendo assim, erros ou danos em certos genes podem desencadear uma doença genética no indivíduo.

    Leia mais sobre doenças genéticas em: Doenças Genéticas: entenda tudo sobre o assunto 

    Desta maneira, como herdamos o material genético de nossos pais, uma cópia do pai e uma da mãe, as doenças genéticas hereditárias caracterizam-se pela transmissão de geração em geração. 

    Doenças genéticas monogênicas (causadas por alterações em apenas 1 gene) que se manifestam na presença de apenas uma cópia “defeituosa” do gene são chamadas de doenças genéticas dominantes. Já as que necessitam de duas cópias “defeituosas”, uma herdada do pai e outra da mãe, são conhecidas como doenças genéticas recessivas ou raras.

    No Brasil, estima-se que 13 milhões de pessoas apresentem doenças genéticas monogênicas recessivas ou raras. Todavia, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a incidência de uma doença genética no mundo é de menos de uma pessoa para cada dois mil nascidos vivos. 

    O que é teste de compatibilidade genética?

    O Teste de Compatibilidade Genética é uma análise que permite identificar nos futuros pais a presença de genes causadores de doenças monogênicas recessivas que poderão ter transferência aos seus filhos. Nesse sentido, os portadores geralmente são pessoas saudáveis, mas quando ambos os pais apresentam uma mutação no mesmo gene, podem ter um filho com uma determinada doença.

    Sendo assim, quando o casal testa positivo para alguma mutação genética, podemos dizer que há uma incompatibilidade genética. Ou seja, possui um risco elevado de transmitir uma doença de herança autossômica recessiva aos seus descendentes.

    Desta maneira, por meio do teste de compatibilidade genética é possível detectar até 600 doenças raras. Apesar do exame não indicar uma cura para as mutações encontradas, é importante para prevenir certas patologias.

    Isso porque através de um exame que pode acontecer em conjunto com a técnica de Fertilização in Vitro (FIV) é possível identificar quais embriões não possuem as mutações encontradas nos pais. Dessa forma, evita-se que doenças recessivas passem para as próximas gerações. Assim, o risco de incidência de doenças raras pode ter redução de 1 a cada 100 pessoas para aproximadamente 1 em cada 30.000 pessoas. 

    Para quem o teste de compatibilidade genética é indicado?

     É importante esclarecer que qualquer casal que queira engravidar pode fazer o teste de compatibilidade genética para saber se tem o risco de transmitir alguma doença aos seus filhos. Pois, como já vimos, muitas pessoas não têm antecedentes familiares ou sintomas de nenhuma doença, porém podem ser portadores de mutações silenciosas nos genes.

    Dessa maneira, o processo deve começar com uma consulta médica para realizar exames pré-concepcionais. Nesta consulta, o especialista verificará o histórico familiar, as condições de saúde, entre outros fatores para indicar ou não o teste de compatibilidade genética.

    Como é feito o teste de compatibilidade genética?

    Para fazer o teste de compatibilidade genética é preciso que o médico solicite a realização do exame. A partir daí, coleta-se uma amostra de sangue do homem e da mulher, no qual se analise o material genético de cada um, através do sequenciamento do DNA dessas células.

    Desta forma, o teste pode identificar muitas doenças, verificando milhares de mutações nos genes do casal, ou até mesmo nos genes de doadores de óvulos ou de sêmen.

    Essas informações das sequências de DNA do casal são então cruzadas a fim de verificar a possibilidade de transmissão de alguma doença monogênica recessiva. Desta maneira, assegura-se que o material coletado é geneticamente compatível, evitando a transmissão de doenças genéticas aos filhos.

    Nesse momento, o casal possui a possibilidade de realizar uma análise mais direcionada para certas doenças mais frequentes, como fibrose cística, síndrome do X frágil, anemia hemolítica, talassemia, entre outras. Ou, então, realizar um estudo global a partir da análise completa do genoma.

    Veja resumidamente o passo a passo para a realização do teste de compatibilidade genética:

    1. Prescrição do médico;
    2. Coleta de sangue do casal;
    3. Análise do DNA do casal;
    4. Emissão do laudo com o resultado de compatibilidade ou incompatibilidade genética.

    Qual é a chance de encontrar mutações no teste?

    Segundo a medicina genética, não é raro as pessoas serem portadoras de alterações em algum gene. Ser portador significa que das duas cópias de um gene, uma contém uma mutação, o que faz com que essa cópia não funcione corretamente.

    Contudo, ainda existe uma cópia funcional, de modo que os portadores podem não ser conscientes desta condição até que realizem o teste de compatibilidade genética. Por esta razão, é possível ser portador de uma doença genética sem chegar a desenvolvê-la.

    No entanto, o problema está quando coincide que ambos os progenitores (pai e mãe) portam a mesma alteração genética recessiva. Logo, existe a possibilidade do filho receber duas cópias alteradas do gene, e consequentemente, desenvolver a doença. Embora a prevalência das chamadas “doenças raras” seja baixa, são doenças altamente incapacitantes e que afetam drasticamente a qualidade de vida.

    A mãe e o pai testaram positivo para mutações genéticas. E agora?

    Se o casal recebe resultado positivo no exame de compatibilidade genética com mutação para o mesmo gene, não se apavore. Saiba que com o avanço das técnicas de reprodução assistida, é possível evitar a transmissão da doença para os filhos. 

    Nestes casos, a solução pode ser um tratamento de Fertilização in Vitro (FIV) com teste genético pré-implantacional. Ou, então, um tratamento de FIV com esperma ou óvulos de um doador que não seja portador da doença.

    Confira a seguir mais detalhes de cada técnica:

    Tratamento de Fertilização in Vitro com Teste Genético Pré-implantacional (PGT): 

    Como já vimos aqui, as doenças genéticas ainda não têm cura, mas, através do exame PGT (exame genético pré-implantacional), já é possível prevenir que as futuras gerações afetem-se por alguma doença hereditária ou cromossômica dos pais. Mais especificamente, existe um exame que consegue detectar quais embriões possuem a mutação especifica do casal, o exame genético pré-implantacional para doenças monogênicas ou PGT-M.

    Nesse sentido, o PGT é um exame genético que acontece a partir da biópsia embrionária antes da transferência do embrião ao útero nos tratamentos de Fertilização in Vitro (FIV). Isso permite a identificação de embriões saudáveis, sem as mutações detectadas nos pais, diminuindo também a possibilidade de que essa doença seja propagada ao longo das gerações.

    Doação de gametas

    Se o casal der positivo para mutações genéticas do mesmo gene, existe a possibilidade também de recorrer a doação de óvulos e esperma como forma de gerar filhos saudáveis.

    Nesse sentido, é importante saber que a doação de gametas femininos e masculinos é cada vez mais comum nos dias de hoje. Muitos são os motivos que levam à necessidade de recorrer a este tratamento para realizar o sonho de ter um filho. Desde querer engravidar depois dos 40 anos, fazer uma produção independente, assim como ter alguma dificuldade de gerar filhos saudáveis por herança genética. 

    Leia também: 12 dúvidas sobre como doar óvulos respondidas 

    Sendo assim, no Brasil, o Conselho Federal de Medicina regula a doação de gametas, que proíbe a doação para fins comerciais e exige o anonimato de ambas as partes, receptora e doadora. Vale ressaltar que a idade limite feminina para a doação de gametas é de 35 anos e para os homens é de 50. 

    Além disso, os doadores devem ter o histórico clínico pessoal e familiar estudado. Isso para que os médicos possam avaliar a possibilidade de existência de doenças hereditárias que apresentem riscos para a saúde da mãe e do bebê. Aprofunde-se no assunto baixando gratuitamente o nosso e-book Doação de óvulos: o porquê da alta procura!

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    19 de maio de 2021
  • Como doar óvulos? Veja requisitos, processo e quem pode ser doadora

    Como doar óvulos: quem pode ser doadora e como funciona o processo 

    Conteúdo atualizado em 24/09/2026.

    O ato de doar óvulos é um assunto ainda pouco falado, mas que tem despertado cada vez mais a curiosidade de muitas pessoas. Mas afinal, o que é a doação de óvulos? Para que serve? Quem pode realizar? Quem pode utilizar óvulos doados? 

    No texto a seguir vamos esclarecer 12 dúvidas bem frequentes sobre este tema, e entender como a doação de óvulos tem mudado a vida de muitas famílias.

    1. O que é doação de óvulos?

    A doação de óvulos é quando uma mulher cede seus óvulos para que outras pessoas consigam engravidar com eles. Também chamado de ovodoação, é uma importante alternativa da Medicina Reprodutiva para ajudar pessoas com problemas de infertilidade a realizarem o sonho de ter um filho. 

    Desta forma, a doação de gameta feminino possibilita que mulheres com dificuldades de engravidar com seus próprios óvulos, casais homoafetivos masculinos e pais solteiros formem suas famílias.

    Isto é possível graças às técnicas de Fertilização In Vitro (FIV), que promovem a fecundação do óvulo da doadora em laboratório, usando o espermatozoide de banco de sêmen ou do parceiro da receptora. Dessa maneira, forma-se o embrião que será gestado no útero da receptora.

    Neste sentido, é importante ressaltar que em cada país tem uma legislação própria que regulamenta tanto a doação como a recepção dos óvulos. No Brasil, segue-se a RDC 23/2011 e as normativas do Conselho Federal de Medicina, atualizou as normas para utilização das técnicas de reprodução assistida (RA) no Brasil. 

    2. Quero doar meus óvulos. Como saber se posso?

    De acordo com a legislação vigente no Brasil, podem ser candidatas à doação de óvulos mulheres entre 18 e 35 anos, que não possuam doenças transmissíveis e que apresentem histórico genético saudável. Nesse sentido, quem deseja doar óvulos precisa passar por uma avaliação ginecológica completa, que inclui testes de fertilidade, e realizar outros exames para verificar a saúde geral e reprodutiva da mulher. 

    Além disso, é recomendado uma análise psicológica para se assegurar que a pessoa realmente está tranquila e segura em relação a doação.

    Confira os requisitos para ser doadora de óvulos: 

    • Ter entre 18 e 35 anos;
    • Ser saudável e não ter nenhuma doença de transmissão sexual ou genética;
    • Se casada, deve contar com o consentimento do parceiro.

    Conheça alguns exames feitos para saber se você pode doar óvulos:

    • Exames ginecológicos para descartar a presença de cistos, miomas, pólipos e outras alterações no aparelho reprodutor;
    • Exames de sangue para confirmar ausência de doenças transmissíveis como HIV 1 e 2, hepatite B e C, sífilis, HTLV, Zika vírus, Clamídia e Blenorragia e, agora, da Covid-19;
    • Exames de tipagem sanguínea e infecções.

    3. Quais são os tipos de doação de óvulos?

    A doação de óvulos no Brasil é voluntária e não pode ter caráter comercial ou lucrativo, ou seja, a doadora não pode “vender” seus óvulos. Desta forma, a ovodoação no país é uma atitude solidária e altruísta que tem como objetivo ajudar outras pessoas a formarem suas famílias. 

    Nesse sentido, a doação do gameta feminino pode ocorrer de duas formas:

    Voluntária

    A ovodoação voluntária, ou ovodoação altruísta, se dá quando a doação dos óvulos é feita por uma mulher de até 35 anos, sem problemas de fertilidade, com único objetivo de ajudar pessoas com dificuldades para ter filhos. 

    Dessa forma, a doadora se submete a um processo de estimulação ovariana e coleta dos óvulos. Os gametas coletados podem ter uso para gerar uma gravidez, ou mantidos por tempo indeterminado através de criopreservação ou congelamento de óvulos.

    Compartilhada

    A ovodoação compartilhada ocorre quando uma mulher, que está em tratamento de Reprodução Assistida, divide seus óvulos coletados com outra paciente que também passa pelo processo de FIV. Ou seja, a doadora utiliza parte dos seus óvulos e doa outra parte para a mulher receptora. 

    Nesse caso, além dos gametas, elas compartilham também os custos do tratamento. Tudo ocorre de forma anônima e por intermédio da clínica de reprodução humana.

    4. Como funciona a doação compartilhada?

    A doação compartilhada segue as normas de sigilo e anonimato determinadas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Desta forma, a seleção da doadora e da receptora acontece pela clínica onde irão ocorrer os tratamentos de fertilização in vitro, e procura sempre unir perfis compatíveis e com características mais semelhantes. 

    A primeira etapa do processo de doação de óvulos inicia com a indução da ovulação que visa potencializar a produção de óvulos. A fase seguinte do tratamento segue com a coleta dos óvulos que serão utilizados em parte pela doadora e parte pela receptora. 

    Nesse sentido, na doação compartilhada, o óvulo da doadora é fecundado em laboratório com esperma do parceiro da receptora, ou com esperma de banco de sêmen. Com isso, cultiva-se o embrião resultante da Fertilização In Vitro (FIV) por alguns dias em estufa, e quando atingir a fase blastocisto transfere-se ao útero da receptora para ser gestado.

    Vejas as fases do processo de doação de óvulos:

    Indução da ovulação

    A estimulação ovariana tem como objetivo fazer o corpo aproveite o maior parte dos óvulos recrutadas para aquele ciclo. Nesse sentido, ela acontece a partir do início do ciclo menstrual através do uso de medicamentos hormonais injetáveis por cerca de 10 a 12 dias. 

    Durante esse período, acompanha-se o crescimento dos folículos por ultrassonografias e dosagens hormonais, até atingirem entre 18 mm e 20mm. Nesse momento, a doadora recebe uma dose do hormônio hCG, responsável pelo amadurecimento dos óvulos, que acontecerá 36 horas após a sua administração. 

    Coleta dos óvulos

    Após a etapa de estimulação ovariana acontece então a coleta dos óvulos da doadora. Nesse sentido, insere-se uma agulha acoplada a um transdutor de ultrassom transvaginal na vagina da mulher, possibilitando a aspiração do conteúdo dos folículos ovarianos. Espera-se que entre o conteúdo aspirado contenha um óvulo. Cada folículo possui no máximo 1 óvulos, porém nem todos os folículos aspirados terão óvulos.

    Esse processo acontece sob sedação, e costuma durar entre 20 e 30 minutos. Sendo assim, com a coleta dos óvulos, encerra-se a parte da doação do gameta feminino.

    Fertilização e Transferência 

    Quando já existe uma receptora selecionada, no momento em que se coleta os óvulos da doadora, coleta-se também os espermatozoides do marido da receptora. Assim, já é possível começar a Fertilização in Vitro, unindo os dois gametas em laboratório para formar embriões. Após alguns dias em cultivo, ocorre a transferência dos embriões para o útero da futura mãe. O mesmo pode acontecer utilizando espermatozoides doados.

    5. Onde posso doar meus óvulos?

    Em clínicas especializadas em Reprodução Humana que realizam ciclos de Fertilização In Vitro com óvulos doados. Desta forma, para doar óvulos deve-se procurar centros e hospitais que atuam com técnicas de reprodução humana. 

    6. Quantas vezes se pode doar óvulos?

    A legislação vigente no Brasil sobre doação de óvulos não limita o número de vezes que uma mulher pode doar. Ou seja, o número específico de doações não está legalmente determinado. Nesse sentido, o que define a possibilidade de doação, além da vontade e escolha da mulher, a sua idade e a sua saúde reprodutiva e geral.

    7. Doar óvulos dói?

    Para doar óvulos, a mulher passa pela fase de indução da ovulação, com objetivo de potencializar o número de óvulos a coletar. Nesse sentido, o tratamento acontece com medicamentos à base de hormônios, muitas vezes injetáveis, o que para algumas pessoas pode trazer algum desconforto. Além disso, à medida que o tamanho dos ovários vai aumentando em decorrência da estimulação ovariana, algum incômodo pode ser sentido. 

    Já a etapa da coleta dos óvulos ocorre sob o efeito de anestesia, portanto, indolor para a doadora. No entanto, algumas mulheres relatam leves dores na região abdominal depois do procedimento. Assim, é recomendável repouso após a coleta, sem movimentos intensos ou exercícios por alguns dias. 

    8. Doar óvulos é perigoso?

    Quando falamos em doação de óvulos, sempre surgem algumas dúvidas, entre elas, os possíveis riscos. Nesse sentido, como há estimulação dos ovários com uso de hormônios, pode ocorrer a Síndrome da Hiperestimulação do Ovário (SHO). 

    Porém, nos tratamentos atuais esta questão já é minimizada através de alguns medicamentos. Além disso, outros riscos como infecção, sangramentos abdominais ou a torção dos ovários até podem ocorrer, mas em raríssimos casos. 

    Vale também ressaltar que, diferente do que algumas pessoas podem pensar, a doação de óvulos não apresenta efeitos secundários. Dessa forma, o tratamento não causa aumento de peso nem provoca aparecimento de acne ou pelos. Ele também não acelera a menopausa ou aumenta a incidência de câncer e nem reduz as chances de uma futura gestação.

    De qualquer forma, todo o processo de doação de óvulos é realizado por especialistas. Sendo assim, a doadora tem acompanhamento personalizado, prevenindo e evitando qualquer desconforto ou eventual problema.

    9. Quanto tempo demora para doar óvulos?

    O processo para doar óvulos compreende o período desde a indução ovariana até a coleta dos óvulos. Considerando que a fase para estimular a ovulação costuma levar de 10 a 12 dias, e que após amadurecimento dos folículos a doadora ainda recebe uma dose do hormônio HCG antes da coleta, podemos dizer que o processo todo dura cerca de 15 dias. 

    10. Quando o óvulo é doado, o DNA é de quem?

    Na doação de óvulos, a carga genética, ou seja, o DNA feminino vem da mulher doadora, e não da receptora. Desta forma, a impossibilidade de transmitir ao filho suas características genéticas é uma preocupação de algumas mulheres que recorrem a óvulos doados para o tratamento de Fertilização In Vitro.

    Porém, é muito importante ressaltar que o DNA não é o único responsável pelas características do bebê. As particularidades físicas e comportamentais do ser humano são resultados de um conjunto de fatores genéticos e epigenéticos. Nesse sentido, diversos estudos têm demonstrado que a epigenética, o meio intra-uterino e o ambiente de criação têm papéis fundamentais na herança, nos comportamentos e nos vínculos que se estabelecem no contexto das novas configurações familiares.

    11. Quem doa óvulos pode engravidar depois?

    Claro que sim! A ovodoação não prejudica a fertilidade da mulher, ou seja, a pessoa que já doou óvulos têm as mesmas chances de engravidar se não tivesse passado pelo processo de doação.

    Para esclarecer bem essa dúvida é importante lembrar que toda mulher nasce com uma quantidade determinada de óvulos, que varia entre um a dois milhões, chegando na idade da menarca com cerca de 400.000 óvulos. Desta forma, já durante a fase reprodutiva, a cada ciclo normal, vários óvulos iniciam seu crescimento. Todavia, apenas um alcança o desenvolvimento para ovular, enquanto o restante é descartado pelo corpo. 

    Assim, com o tratamento de estimulação ovariana, vários destes óvulos alcançam o tamanho adequado para amadurecer, sem que isso interfira no total de óvulos que serão liberados para as próximas ovulações. 

    12. Quanto se ganha para doar óvulos?

    Como já vimos, a legislação brasileira não permite o caráter comercial ou lucrativo da doação de óvulos. Em outras palavras, os gametas femininos, assim como os masculinos, não podem ser vendidos. Desta forma, a escolha por ceder óvulos é uma decisão altruísta, com objetivo de ajudar outras pessoas e casais a formarem suas famílias. 

    Porém, quando se trata da doação compartilhada de óvulos, existe o benefício do compartilhamento dos custos do tratamento de Reprodução Humana. Ou seja, a receptora utiliza os óvulos doados e divide o valor do tratamento da doadora. 

    Quer entender por que o processo de doação de óvulos tem se tornado tão popular nos últimos anos? Então baixe gratuitamente o nosso e-book sobre ovodoação!

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    12 de maio de 2021
  • Posso engravidar depois dos 40 anos? Conheça métodos e cuidados

    Engravidar depois dos 40 anos é uma realidade cada vez mais comum. Afinal, as mulheres estão optando por postergar a gestação, focando primeiramente em outras realizações, como o desenvolvimento profissional, viajar pelo mundo, etc…

    Se tornar mãe após os 40 anos é possível sim, porém as chances são menores do que quando a mulher é mais jovem. Isso ocorre pois a reserva ovariana diminui com o avanço da idade e os óvulos estão mais propensos a desenvolver problemas, aumentando o risco de aborto e anomalias no bebê. Além disso, a mulher também possui mais chance de ter doenças na gestação.

    Entretanto, com os cuidados necessários e com a ajuda da medicina reprodutiva, engravidar depois dos 40 pode ser seguro. No texto abaixo, vamos explicar melhor as possibilidades de gravidez nesta situação, quais são os riscos para a mãe e para o bebê, e os cuidados necessários para se alcançar a maternidade com segurança e tranquilidade em uma gravidez tardia. 

    O que é gravidez tardia?

    A gravidez tardia é aquela que ocorre após os 35 anos de idade. A partir desta idade, a chance de sucesso de uma gravidez natural vai diminuindo e os riscos de complicações aumentam gradualmente conforme o avanço da idade da mulher.

    No entanto, atualmente, o conceito de idade ideal para ter um filho não é mais tão rígido, ou seja, ele vem se modificando ao longo dos anos. Isso tanto por conta dos avanços da medicina, quanto por conta da mudança de hábitos da sociedade. Neste contexto, seja por questões profissionais ou pessoais, as mulheres acabam tendo a opção de escolher o melhor momento para engravidar.

    Sendo assim, podemos dizer que graças às técnicas de reprodução assistida, a gravidez tardia já é uma realidade no país, e muitas mulheres recorrem a elas para realizar o sonho de ser mãe com mais de 40 anos. Vale esclarecer que não há uma idade limite para a mulher recorrer aos tratamentos de reprodução humana. Porém, existe uma recomendação da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida para que eles ocorram até os 50 anos.

    É possível engravidar depois dos 40 anos?

    Sim, é possível engravidar depois dos 40 anos. Nesse sentido, se a mulher ainda não tiver entrado na menopausa e não possui nenhuma doença que afete o aparelho reprodutor, ela ainda tem chances de conseguir engravidar de forma natural. Porém, a possibilidade vai diminuindo drasticamente após os 42 anos.

    Isto ocorre pois sabemos que a mulher nasce com um número finito de óvulos que naturalmente vão se esgotar com a idade.

    A boa notícia é que, graças aos tratamentos de Reprodução Assistida, engravidar depois dos 40 anos é uma realidade cada vez mais viável. Contudo, a mulher deve ter um acompanhamento médico especializado para que o médico consiga avaliar a saúde do casal e, assim, indicar o melhor tratamento para alcançar uma gravidez. 

    Posso engravidar fazendo reposição hormonal?

    O tratamento de reposição hormonal não é um método anticoncepcional e, portanto, não bloqueia a ovulação. Nesse sentido, as mulheres que estão na pré-menopausa e fazem reposição hormonal, podem ter uma pequena possibilidade de engravidar.

    Isto ocorre pois mesmo com o tratamento, o ovário pode, em alguns momentos, retomar seu funcionamento e ovular. Porém, se a paciente estiver fazendo reposição hormonal na menopausa, ou seja, ela não menstrua há mais de um ano, a chance de engravidar é nula.

    Uma mulher laqueada pode engravidar depois dos 40 anos?

    A laqueadura é uma cirurgia que leva a esterilização feminina, impedindo que a mulher possa ter filhos. Nesse sentido, o método bloqueia as trompas uterinas, por meio de clipes, pontos cirúrgicos ou eletrocoagulação. Assim, impossibilita o encontro do óvulo com os espermatozoides nas trompas de falópio.

    Por esta razão, a única chance da mulher engravidar depois dos 40 com laqueadura é recorrendo aos tratamentos de reprodução assistida, como a Fertilização in Vitro (FIV). No entanto, a chance da paciente conseguir engravidar vai depender da idade e da qualidade de seus óvulos. 

    Assim, com 40 anos, uma mulher laqueada que faz FIV com seus próprios óvulos, tem uma chance de 20% de engravidar. Ou seja, a possibilidade de gravidez relaciona-se à idade da paciente e não à laqueadura.

    Como conseguir engravidar depois dos 40?

    Como já vimos, ainda é possível engravidar naturalmente depois dos 40 anos, mas a chance vai diminuindo rapidamente nos anos subsequentes. Nesse sentido, se a mulher tentar a gravidez de forma natural por volta desta idade, ela deve seguir algumas dicas que podem auxiliar a tão almejada gestação. Veja abaixo quais são: 

    • Realizar o exame do Hormônio Anti-Mülleriano;
    • Realizar um check-up antes de começar as tentativas para engravidar;
    • Verificar a taxa de fertilidade através de exame de sangue para checar os níveis de FSH e/ou estradiol no início do ciclo menstrual. Nesse sentido, os níveis destes hormônios podem sugerir que os ovários já não respondem aos hormônios que induzem a ovulação;
    • Começar a tomar ácido fólico cerca de três meses antes de começar as tentativas para engravidar;
    • Evitar o estresse e ansiedade;
    • Praticar exercícios físicos de forma regular;
    • Ter uma alimentação saudável;
    • Ter relações sexuais frequentes durante o período fértil.

    Entretanto, se após seis meses de tentativas a gravidez depois dos 40 não acontecer, a indicação médica é recorrer às técnicas de medicina reprodutiva. Nesse sentido, existem duas técnicas principais. Confira quais são:

    Inseminação Artificial (IIU)

    A Inseminação Artificial é ideal para casais que não apresentam problemas graves de infertilidade, mas que têm dificuldade de ovulação, baixa quantidade ou motilidade do espermatozoide. 

    Nestes casos, para facilitar o encontro do espermatozoide com o óvulo, insere-se o sêmen diretamente no colo do útero e a fecundação ocorre dentro do corpo da mulher. Porém, é necessário realizar uma avaliação das trompas, para garantir que o espermatozoide encontre e fecunde o óvulo.

    Fertilização In Vitro (FIV)

    Recomenda-se a Fertilização In Vitro para casos de infertilidade mais graves, como homens com oligospermia ou teratozoospermia, pacientes que tenham problemas nas trompas, sequelas de infecções, endometriose, entre outros. 

    Nesse sentido, a FIV começa com a coleta dos gametas feminino e masculino. Para isso, as mulheres passam por um processo de estímulo da ovulação, através de medicamentos hormonais e, posteriormente, ocorre a coleta dos óvulos. Já nos homens, obtém-se a amostra de espermatozoides através de masturbação ou, se necessário, a partir de uma punção testicular. 

    A próxima etapa consiste na fecundação. Nesse sentido, unem-se óvulo e espermatozoides em laboratório, onde acontece a fertilização e assim, a formação do embrião. Após alguns dias de cultivo em estufa, o embrião chega à fase de blastocisto, e é transferido ao útero.

    Além disso, existe um método mais moderno chamado Injeção Intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), que tem as mesmas etapas de uma FIV tradicional, com a diferença de que a fecundação não é feita de forma espontânea em laboratório. Na FIV com ICSI, os espermatozoides são selecionados e injetados, um a um, dentro de cada um dos óvulos, facilitando a fecundação. Nestes casos, a fertilização não ocorre espontaneamente, e há total interferência do embriologista. 

    Chances de sucesso da FIV

    Já vimos anteriormente que com o avanço da idade, a mulher vai perdendo a quantidade e a qualidade de seus óvulos. Por esta razão, a chance de sucesso de uma Fertilização in Vitro, com óvulos próprios, também cai consideravelmente à medida que os anos passam.

    No quadro a seguir é possível ver as taxas de gravidez através de FIV, a partir dos 40 anos. 

    Vale ressaltar ainda que estudos do Conselho Federal de Medicina (CFM) apontam que a partir dos 45 anos as chances de sucesso no tratamento com óvulos próprios é de menos de 1%. Já aos 47, a possibilidade de se ter embriões aneuploides aproxima-se de 100%.

    Por esta razão, a medicina reprodutiva indica o tratamento de congelamento de óvulos para aquelas mulheres que já sabem que querem postergar a maternidade. Contudo, para aquelas que não planejaram a gravidez anteriormente, mas já estão com a idade avançada, a indicação é a ovodoação. 

    Congelamento de óvulos

    O congelamento de óvulos, também chamado de criopreservação, é a técnica de preservação dos óvulos jovens em nitrogênio líquido, por meio de vitrificação. Nesse sentido, é um tratamento que permite adiar a possibilidade de ter filhos.

    Vale lembrar que as mulheres entre 20 a 30 anos estão biologicamente no auge da fertilidade. Portanto, o ideal é fazer o congelamento de óvulos nesse período, pois a medida que a idade avança, diminui a quantidade e a qualidade dos óvulos produzidos pela mulher. 

    Sendo assim, de acordo com a Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRA), a idade limite para o congelamento de óvulos é de 35 anos.

    Ovodoação

    A ovodoação é uma alternativa que ajuda mulheres a realizarem o sonho da gravidez através de óvulos jovens de outra paciente. Nesse sentido, é uma opção no caso de mulheres com diminuição da reserva ovariana causada por idade avançada, falência ovariana precoce, tratamentos oncológicos e doenças genéticas.

    Desta forma, conforme a Resolução nº 2.168/2017, do Conselho Federal de Medicina (CFM), permite-se a doação voluntária dos óvulos. Além disso, também é aceita a doação compartilhada, em casos que doadora e receptora estejam participando de tratamentos de reprodução assistida. Portanto, podem compartilhar tanto o material biológico quanto os custos financeiros que envolvem o procedimento.

    Contudo, é importante esclarecer também que, no Brasil, este processo é realizado pelas clínicas de reprodução humana e ocorre de forma totalmente anônima e sigilosa.

    Quais os sintomas de gravidez após os 40 anos?

    Quando uma mulher engravida após os 40 anos, ela tem os mesmos sintomas de uma gestante de qualquer outra idade. Desta forma, é possível ter:

    • Corrimento vaginal cor-de-rosa;
    • Cólica;
    • Inchaço abdominal;
    • Mamas sensíveis e inchadas;
    • Aumento da freqüência urinária;
    • Cansaço;
    • Enjôo.
    • Tontura;
    • Sono;
    • Dor de cabeça.

    É perigoso ter filhos aos 40 anos?

    Engravidar depois dos 40 anos de idade é mais perigoso do que ficar grávida no início da vida adulta. Nesse sentido, aumenta a chance do surgimento de inúmeras situações que comprometem a saúde da mãe e do bebê.

    Por esta razão, mulheres com mais de 40 anos que desejam engravidar devem procurar um médico para orientação e para realização de exames que confirmem sua boa condição física. Desta maneira, terão mais chances de ter uma gestação saudável e tranquila do início ao fim.

    Veja a seguir os riscos de uma gravidez tardia tanto para mãe como para o bebê: 

    Riscos para a mãe:

    • Aborto;
    • Desenvolvimento de diabetes gestacional;
    • Maior chance de parto prematuro;
    • Perda de sangue;
    • Gravidez ectópica;
    • Descolamento prematuro da placenta;
    • Rompimento do útero;
    • Hipertensão na gravidez;
    • Pré- eclâmpsia;
    • Trabalho de parto por tempo prolongado.

    Riscos para o bebê

    • Malformações cromossômicas que levam ao desenvolvimento de doenças genéticas, principalmente a Síndrome de Down;
    • Nascimento de forma prematura, aumentando os riscos de saúde após seu nascimento.

    Cuidados para a gravidez após os 40 anos

    Se você tem 40 anos ou mais e tem intenção de engravidar, é indicado procurar aconselhamento médico antes de qualquer tentativa. Nesse sentido, o ideal é que esse processo se inicie três meses antes para que o médico consiga identificar e tratar possíveis fatores de riscos como diabetes, hipertensão e alterações cardiovasculares. 

    Além disso, o médico também deve prescrever o uso de vitaminas e orientar sobre uma boa alimentação e melhores hábitos de vida da paciente.

    Devido ao avanço da idade, o acompanhamento pré-natal torna-se mais rigoroso, com visitas mais frequentes ao ginecologista. Da mesma forma, a futura mamãe deve se submeter a um número maior de exames e de forma mais específica.

    Sendo assim, de acordo com a necessidade, o médico pode solicitar mais ultrassonografias e exames de sangue, além de exames específicos como a coleta de vilosidades coriônicas, amniocentese e cordocentese. 

    Como é o parto da gravidez após os 40 anos?

    Desde que a mulher e o bebê estejam saudáveis não existem contraindicações para o parto normal depois dos 40 anos. Nesse sentido, a idade não representa limitação para o parto vaginal.

    No entanto, se ela já tiver realizado uma cirurgia de cesariana anteriormente, é indicado que seja feito novamente o procedimento. Isso porque a cicatriz anterior pode aumentar o risco de rompimento uterino durante o trabalho de parto.


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    Técnicas de Reprodução Assistida: um bom diagnóstico é o primeiro passo
    5 de maio de 2021
  • Como funciona o congelamento de óvulos? Veja o processo passo a passo

    O congelamento de óvulos, também chamado de criopreservação, é a técnica de preservação dos óvulos em nitrogênio líquido, por meio de vitrificação. Nesse sentido, o congelamento de óvulos é um tratamento para postergar a possibilidade de ter filhos.

    Este procedimento ocorreu pela primeira vez em 1986 e, desde então, o método progrediu significativamente. Vale ressaltar que, nos primeiros anos, a taxa de gravidez a partir de óvulo congelado era muito baixa (cerca de 1%). Isso acontecia porque a técnica utilizada para o congelamento criava cristais de gelo que danificavam a estrutura da célula. 

    No entanto, com a introdução da técnica de vitrificação, em 2006, a taxa de qualidade e de sobrevivência dos óvulos após descongelamento aumentou para 95%. Assim, de acordo com o Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), a procura por congelamento de óvulos  triplicou nos últimos anos.

    Por este motivo, a técnica é considerada como um dos avanços mais importantes da Medicina Reprodutiva dos últimos tempos.

    Até que idade é possível congelar óvulos?

    Uma mulher jovem com cabelos castanhos, lisos e compridos, em uma pose pensativa.

    Sabe-se que as mulheres estão biologicamente no auge da fertilidade  entre 20 a 30 anos. Portanto, o ideal é fazer o congelamento de óvulos nesse período.

    Contudo, muitas mulheres deixam para recorrer ao procedimento depois dos 38 anos, porém, as chances de sucesso diminuem muito. Isso porque o envelhecimento reduz significativamente a quantidade e a qualidade dos óvulos produzidos, interferindo diretamente nas chances de uma gravidez.

    Sendo assim, de acordo com a Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRA), a idade indicada para o congelamento de óvulos é de até 35 anos.

    Quando o congelamento de óvulos é indicado?

    Existem diversos motivos pelos quais as mulheres optam pelo congelamento de óvulos. Seja por escolha pessoal ou questões médicas, com a criopreservação as mulheres ganham mais tempo para decidirem sobre a maternidade.  

    Veja quais as principais indicações para o congelamento de óvulos:

    Mulheres que pretendem engravidar após os 35 anos de idade

    Em um passado não muito distante, o início da maternidade era, geralmente, aos 20 anos. Hoje em dia, como já vimos, a média de idade do primeiro filho supera os 35 anos.

    Nesse sentido, é importante esclarecer que as mulheres já nascem com um número de óvulos predeterminado e o seu organismo não é capaz de produzir mais. Sendo assim, com o avanço da idade, os óvulos envelhecem e, neste processo, a quantidade e a qualidade disponíveis para serem fertilizados também diminuem. 

    Por esta razão, para aquelas mulheres que pretendem adiar a maternidade recomenda-se o congelamento de óvulos. Entretanto, segundo o Conselho Federal de Medicina, a idade máxima para se submeter a um tratamento de reprodução assistida é de até 50 anos. Este limite de idade se deve ao risco de aumento de casos de hipertensão na gravidez, diabetes e partos prematuros. 

    Mulheres com histórico familiar de menopausa precoce

    A menopausa precoce é um quadro clínico em que a mulher deixa de ovular e menstruar antes dos 32 anos. Isso é considerado anormal já que o período natural para a falência ovariana é após os 40 anos.

    Sabe-se que a menopausa precoce pode se originar de vários fatores, como da própria genética, por exemplo. Dessa forma, é importante que a mulher saiba quando sua mãe e avós entraram na menopausa, pois há uma tendência que o cenário se repita.

    No entanto, independente dos fatores, é importante ressaltar que mulheres com menopausa precoce podem preservar a sua fertilidade, congelando seus óvulos de forma preventiva. Assim, quando decidirem ter filhos, poderão usar os óvulos congelados, caso necessário.

    Mulheres que serão submetidas a tratamentos oncológicos

    Mulheres que necessitam de  quimioterapia ou radioterapia, e que desejam ter filhos, têm a possibilidade de congelar os óvulos antes de iniciar o tratamento oncológico. Assim, quando estiverem recuperadas poderão usar seus próprios gametas para engravidar.  

    Entretanto, é fundamental avaliar junto ao oncologista a viabilidade de fazer o congelamento prévio ao tratamento contra o câncer.  Se não for possível esperar para realizar a indução de ovulação, existe a possibilidade da retirada e o congelamento apenas de fragmentos de tecido ovariano. Assim, quando a mulher terminar o tratamento, pode-se implantar estes fragmentos novamente, para tentar a fertilização. 

    Quais são as taxas de sucesso de gravidez com óvulos congelados?

    Uma mulher grávida vestindo uma camisa branca aberta, que revela sua barriga de gravidez. Ela está segurando um pequeno ursinho de pelúcia, vestido com um macacão listrado azul e branco com um coração vermelho no centro.

    Sabe-se que desde 2006, com o desenvolvimento da “vitrificação”, técnica criada por cientistas japoneses, a taxa de sobrevivência do óvulo após  descongelamento é de 95%. Dessa forma, as taxas de gravidez de óvulos congelados são praticamente as mesmas dos óvulos frescos.

    No entanto, vale lembrar que a taxa de sucesso de uma gestação relaciona-se diretamente à idade da mulher no momento em que congelar seus óvulos. Ou seja, o que importa é a  idade do óvulo e não o da mulher  na época em que vai ocorrer a fertilização e a transferência. 

    Portanto, a possibilidade de uma gravidez futura em mulheres que congelarem seus óvulos depois dos 38 anos de idade é menor do que em mulheres que fizeram o procedimento mais jovens.

    Confira abaixo as chances de sucesso de gravidez, conforme a idade da mulher. 

    Idade da MulherChances de Engravidar (%)
    Até 25 anos25-30%
    26-30 anos20-25%
    31-35 anos15-20%
    36-40 anos10-15%
    Acima de 40 anosMenos de 5%

    É  importante dizer que cada caso é diferente do outro. Portanto, é imprescindível que a mulher passe por uma avaliação médica para verificar a sua reserva ovariana e outras questões de saúde. Da mesma forma, ela precisa do acompanhamento de um especialista em reprodução assistida durante todo o processo de congelamento de óvulos.

    Você pretende fazer o congelamento de óvulos? Marque uma consulta com um dos nossos especialistas e preserve as possibilidades de ser mãe.

    Como funciona o congelamento de óvulos?

    O congelamento de óvulos é realizado em algumas etapas e leva em média 15 dias. Veja o que acontece em cada fase do tratamento:

    Estimulação ovariana

    A estimulação ovariana tem como principal objetivo estimular um número maior de óvulos maduros para serem coletados e congelados. Assim, a mulher recebe injeções de hormônios para estimular seus ovários a produzir múltiplos óvulos no mesmo ciclo menstrual e não apenas um, como ocorre naturalmente. Dessa forma, o uso de medicamentos como as gonadotrofinas, promove o amadurecimento de mais óvulos para serem coletados 

    Monitoramento e controle hormonal

    Durante aproximadamente de 10 a 14 dias, a mulher  é monitorada através de exames de ultrassonografias e de sangue.  O objetivo é avaliar o desenvolvimento dos folículos ovarianos e ajustar as doses dos hormônios conforme necessário. 

    Desta forma, quando os folículos atingem um tamanho adequado, uma injeção de hormônio hCG é administrada para induzir a maturação final dos óvulos nos folículos.

    Aspiração e recuperação dos óvulos

    A coleta dos óvulos, ou punção folicular, ocorre cerca de 36 horas após a injeção de hCG. Este procedimento acontece com uma agulha fina acoplada ao ultrassom que é introduzida na vagina da paciente até os ovários para aspirar os folículos. Em seguida, o líquido aspirado é depositado em tubinhos que contêm uma solução nutritiva semelhante à produzida pelas trompas. Este procedimento  é realizado sob sedação leve.

    Congelamento

    Após a coleta, os óvulos são imediatamente levados ao laboratório, onde são avaliados e preparados para o congelamento. O processo acontece pela técnica de vitrificação, que se caracteriza pela rapidez com que atinge baixas temperaturas. Sendo assim, a velocidade da diminuição de temperatura na vitrificação é de – 23ºC por minuto. Ou seja, 70 vezes mais rápido que o processo de congelamento lento. 

    Dessa forma, os óvulos congelados ficam armazenados em um cilindro de nitrogênio líquido e são mantidos a −196º. Eles, por sua vez, ficam num estado vítreo, impedindo a formação de cristais de gelo, que danificam as células reprodutoras.

    Como funciona o descongelamento de óvulos e seu uso na Fertilização in vitro?

    Os óvulos criopreservados podem ficar congelados, por tempo indeterminado, até serem utilizados para uma gravidez própria, ovodoação, ou eventualmente descartados. Nesse sentido, para passar pela fertilização in vitro, os óvulos  são descongelados em um processo controlado e, então, fecundados em laboratório. Os embriões resultantes são cultivados por alguns dias antes de serem transferidos para o útero da mulher para tentar uma gravidez.

    Confira abaixo mais detalhes sobre a Fiv com óvulos descongelados

    Preparo do endométrio

    O preparo do endométrio, camada interna do útero, para receber os embriões pode ser considerado um processo simples. Se a mulher possui ciclos regulares, o procedimento pode acontecer dentro de um ciclo ovulatório espontâneo, acompanhado por ultrassom e dosagens hormonais. 

    Descongelamento e fertilização in vitro

    No processo de descongelamento, retiram-se os óvulos do nitrogênio líquido para serem aquecidos. Logo após, acontece a fertilização quando são fecundados em laboratório, usando esperma do parceiro ou doado. 

    Os embriões resultantes têm o seu crescimento acompanhado até o quinto dia, quando atingem a fase de blastocisto, e estão prontos para transferência ao útero. 

    Transferência embrionária

    Com os embriões de melhor qualidade separados e o endométrio adequadamente preparado, a mulher poderá agendar a transferência embrionária. O processo é indolor e consiste na introdução dos embriões no útero por meio de uma sonda (cateter) guiada por ultrassom abdominal. Normalmente, o procedimento é feito sem anestesia. Assim, depois de 10 dias, deve ser feito um exame beta HCG para confirmar a gravidez. 

    Caso positivo, mantém-se a reposição de estradiol e progesterona até completar 12 semanas de gestação. A partir desse momento, a placenta já será capaz de produzir esses hormônios em quantidades corretas. 

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    Há riscos no congelamento de óvulos?

    Como vimos, o congelamento de óvulos é uma opção muito segura e cada vez mais popular entre as mulheres que desejam ou precisam preservar sua fertilidade. Nesse sentido, a vitrificação, atual processo de congelamento dos gametas, garante total qualidade das células. Assim, o embrião resultante da fecundação do óvulo congelado pelo espermatozoide tem a mesma qualidade do embrião formado por um óvulo fresco. 

    Portanto, o congelamento de óvulos é um processo seguro que não traz riscos para a saúde da mãe e nem para a saúde do bebê. Entretanto, como qualquer procedimento médico, ainda que relativamente raro, podem ocorrer situações indesejadas como:  

    • Pequeno sangramento ou lesão nos ovários durante a coleta dos óvulos;
    • Reações à anestesia;
    • Durante a estimulação do ovário, podem ocorrer inchaço, irritabilidade e desconforto abdominal que devem regredir após alguns dias;
    • Apesar dos avanços da criopreservação, alguns óvulos podem não sobreviver ou sofrer danos no seu descongelamento, tornando-o inviável para a fertilização;

    Para minimizar possíveis riscos do congelamento de óvulos, é importante que o procedimento seja realizado por um médico especialista, em uma clínica capacitada e de confiança. Além disso, alguns fatores  e cuidados favorecem o sucesso positivo do procedimento:

    Idade da mulher 

    A qualidade dos óvulos diminui com o passar do tempo, o que impacta nas chances de gravidez de uma fertilização in vitro. Desta forma, o indicado é congelar óvulos “jovens”, de pacientes com até 35 anos. 

    Síndrome do Hiperestímulo Ovariano (SHO)

    Esta síndrome é uma resposta exacerbada dos ovários ao estímulo hormonal feito para estimulação ovariana, resultando em um crescimento de óvulos maior do que o esperado.  Este quadro está associado também à passagem de fluido dos vasos sanguíneos que se tornam mais permeáveis, o que ocasiona uma retenção de líquido no abdômen.

    Desta forma, o desenvolvimento da SHO depende da resposta de cada paciente ao uso dos hormônios e atinge especialmente pessoas com Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Portanto, o especialista em medicina reprodutiva monitora, através de ultrassons e dosagens hormonais, a resposta de cada mulher ajustando a quantidade e tipo de medicação.

    Pacientes oncológicos

    Os tratamentos de quimioterapia e radioterapia usados para combater o câncer podem afetar a fertilidade feminina. Desta forma, quando possível, é recomendado realizar o congelamento de óvulos antes de iniciar o uso das medicações oncológicas.

    Cuidados com a saúde: 

    As mulheres hipertensas, obesas, ou fumantes devem reverter esses quadros antes de iniciar o tratamento. O ideal é perder peso, parar de fumar e controlar a hipertensão  para aumentar as chances de sucesso do congelamento de óvulos. 

    Quais os aspectos éticos e regulatórios do congelamento de óvulos?

    A atividade de medicina reprodutiva no Brasil é regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) que estabelece as normas técnicas e éticas da medicina no país.  Desta forma, através de soluções específicas, como a  RESOLUÇÃO CFM nº 2.320/2022, o CFM regula a prática das técnicas de reprodução assistida, definindo os procedimentos permitidos, as diretrizes e os limites. Além disso,  são estabelecidos também os direitos e deveres dos pacientes, dos profissionais de saúde e das clínicas de reprodução assistida do Brasil.

    É importante salientar que periodicamente as resoluções estabelecidas podem ser alteradas e ajustadas, buscando sempre maior segurança e eficácia a  tratamentos e procedimentos médicos.

    Veja abaixo o que o CFM diz sobre congelamento de óvulos e de embriões:

    PRINCÍPIOS GERAIS

    • As técnicas de reprodução assistida (RA) têm o papel de auxiliar no processo de procriação;
    • As técnicas de reprodução assistida podem ser utilizadas para doação de gametas e para preservação de gametas, embriões e tecidos germinativos  por razões médicas e não médicas;
    • Quanto ao número de embriões a serem transferidos pós FIV, determina-se, conforme a idade:

    1. Mulheres com até 37 (trinta e sete) anos: até 2 (dois) embriões;

    2. Mulheres com mais de 37 (trinta e sete) anos: até 3 (três) embriões;

    3. Em caso de  embriões euploides ao diagnóstico genético, até  2  (dois)  embriões, independentemente da idade; 

    4. Nas situações de doação de oócitos, considera-se a idade da doadora no momento de sua coleta.

     CRIOPRESERVAÇÃO DE GAMETAS OU EMBRIÕES

    • As clínicas, centros ou serviços podem crio preservar espermatozoides, oócitos, embriões e tecidos gonadais.
    • O número total de embriões gerados em laboratório será comunicado aos pacientes para decidirem quantos embriões serão transferidos a  fresco,  conforme determina esta Resolução. Os excedentes viáveis devem ser criopreservados.
    • Antes da geração dos embriões, os pacientes devem manifestar sua vontade, por escrito, quanto ao destino dos embriões criopreservados em caso de divórcio, dissolução de união estável ou falecimento de um deles, ou de ambos, e se desejam doá-los.
    • Os embriões criopreservados com três anos ou mais poderão ser descartados se essa for a vontade expressa.
    • Embrião abandonado é aquele em que os responsáveis descumpriram o contrato preestabelecido e não foram localizados pela clínica.

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    7 de abril de 2021
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