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Blog Nilo Frantz

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Categoria: Dúvidas

  • Hemofilia: o que fazer quando há histórico na família?

    Você já ouviu falar em hemofilia? Conhece alguém que sofre desta condição? No texto a seguir vamos conhecer um pouco mais sobre esta doença que acomete cerca de 400 mil pessoas em todo o mundo, destacando suas causas, tipos, sintomas e tratamento. 

    O que é hemofilia? 

    Hemofilia é uma doença genético-hereditária, caracterizada por um distúrbio no mecanismo de coagulação do sangue. Nesse sentido, a pessoa hemofílica apresenta deficiência nos fatores de coagulação VIII (oito) ou IX (nove), o que impede o organismo de estancar sangramentos e hemorragias. 

    Para entender essa doença, que se manifesta em 1 a cada 10 mil nascimentos, é importante saber que quando ocorre um sangramento (seja interno ou externo), diversos fatores de coagulação (proteínas) interagem em uma sequência determinada para estancar o sangue. Desta forma, no final do processo o coágulo se forma e o sangramento para. 

    Porém, nas pessoas que sofrem de hemofilia, a coagulação sanguínea fica comprometida pela ausência ou diminuição de fatores de coagulação. Sendo assim, o sangramento dura por um período mais prolongado.

    Quais são as causas da hemofilia?

    A hemofilia é uma condição hereditária, normalmente transmitida de uma geração para outra, através de um gene recessivo presente no cromossomo X. Desta forma, a doença geralmente passa da mãe para o filho do sexo masculino. Além disso, a mutação genética pode acontecer direto no descendente, e assim, ele será o primeiro caso na família. Ou ainda, a hemofilia pode estar presente no histórico familiar quando o avô tem a doença, a mãe é portadora e transmite ao filho.

    Embora essa condição de saúde seja predominantemente masculina, em raríssimos casos é possível que uma mulher tenha hemofilia. Isto pode acontecer quando há um casal com uma mulher que tem o gene modificado e um homem com hemofilia. Nessa situação, a filha tem chance de herdar a doença.

    Além disso, em casos muito raros, uma mutação genética que ocorre durante as fases iniciais do desenvolvimento embrionário pode causar hemofilia. Já na idade adulta, ainda que bem incomum, a doença pode surgir devido à formação de anticorpos que atacam os fatores de coagulação. 

    Segundo dados do Ministério da Saúde (MS), em 2019, o Brasil contava com 12.983 pacientes com hemofilia. Isso coloca o país como a quarta maior população mundial de pessoas com essa enfermidade.

    Quais são os tipos de hemofilia?

    Como vimos, a hemofilia é um distúrbio na coagulação do sangue que prejudica a capacidade do organismo de estancar hemorragias. Assim, não consegue impedir sangramentos longos causados por cortes, lesões, machucados, cirurgias, entre outros. 

    Além disso, quem tem hemofilia tende a sofrer lesões espontâneas e sangrar sem uma causa aparente. Inclusive, podem ocorrer sangramentos internos, dentro dos músculos, por exemplo, e muitas vezes a pessoa nem percebe seus sinais. 

    Abaixo, conheça os diferentes tipos de hemofilia:

    Hemofilia A

    A hemofilia A é o tipo mais comum da doença e afeta aproximadamente 320.000 pessoas em todo o mundo, representando cerca de 80% de todos os casos. Sua causa é uma deficiência do fator de coagulação VIII, que desempenha um papel crucial na coagulação sanguínea. 

    Nesse sentido, em uma pessoa saudável, quando ocorre um sangramento, o fator VIII se liga aos fatores de coagulação IX e X, uma etapa crítica para a formação do coágulo sanguíneo, que ajuda a interromper o sangramento. No entanto, a falta ou a diminuição do fator VIII interrompe esse processo e compromete a formação do coágulo.

    Hemofilia B 

    A hemofilia tipo B tem origem na deficiência do fator de coagulação IX, com prevalência menor do que a hemofilia A. Nesse sentido, é importante salientar que os sangramentos são iguais nos dois tipos de hemofilia. Porém, a gravidade vai depender da quantidade do fator em deficiência presente no plasma (líquido que representa 55% do volume total do sangue). 

    A hemofilia B tem o nome popular de doença de Christmas em homenagem a Stephen Christmas, o primeiro paciente descrito com esta doença.

    Hemofilia C

    A hemofilia C é uma forma rara de manifestação da doença, causada por deficiência de fator de coagulação XI (onze). Também conhecida como Síndrome de Rosenthal, se difere da hemofilia A e B pois não leva a sangramentos nas articulações. Contudo, costuma causar sangramentos tardios em pós-operatório. 

    Hemofilia leve, moderada e grave: saiba mais

    A hemofilia é uma doença crônica que atinge o indivíduo durante toda sua vida, e sua gravidade é classificada de acordo com a atividade do fator de coagulação de cada paciente. Neste sentido, considera-se normal valores acima de 60%, enquanto percentuais diferentes determinam a manifestação da hemofilia como leve, moderada ou grave.

    Hemofilia leve

    Nos casos leves da doença há presença de 5% a 40% de atividade do fator de coagulação. Dessa forma, a pessoa pode não apresentar sintomas, e só descobrirá que há algo errado quando tiver um ferimento, se submeter à extração de um dente ou sofrer um acidente.

    Hemofilia moderada

    Na hemofilia moderada a atividade do fator de coagulação fica entre 1% a 5%. Sendo assim, mesmo com estes níveis, os sintomas podem não se manifestar, ou acontecer episódios de hemorragias não provocadas. Porém, há maior propensão a hematomas e sangramentos nas articulações do tornozelo, joelho, cotovelo, ombro, pulso e do quadril. 

    Além disso, em casos de cirurgias ou lesões, há chances de ocorrer hemorragias descontroladas e até fatais. Ainda, na hemofilia moderada, o primeiro episódio hemorrágico geralmente ocorre antes que a criança tenha 18 meses de idade, normalmente após pequenas lesões.

    Hemofilia grave

    Na hemofilia grave a atividade do fator de coagulação é menor que 1%. Nestes casos, ocorrem episódios intensos de hemorragia e sangramentos articulares a partir de pequenas lesões ou sem razão aparente. Nesse sentido, aproximadamente 50% a 60% das pessoas com hemofilia A têm a forma grave da doença e costumam sangrar com frequência (uma ou duas vezes por semana) nos músculos ou articulações.

    Já entre as crianças, os sangramentos espontâneos podem ocorrer nas juntas ou nos músculos, também sem causa aparente. Além disso, os bebês com a forma grave da doença podem apresentar distúrbios hemorrágicos logo no momento do parto. Da mesma forma, eles podem desenvolver um acúmulo de sangue sob o escalpo (cefalematoma) ou podem sangrar excessivamente durante a circuncisão.

    Quais são os sintomas de hemofilia?

    Os sintomas da hemofilia decorrem da deficiência dos fatores de coagulação e podem aparecer nos primeiros anos de vida do bebê, na puberdade ou ao longo da vida adulta. Nesse sentido, quanto mais grave for o tipo de hemofilia, maior a quantidade de sintomas e mais cedo eles aparecem.

    Conheça os principais sintomas de hemofilia:

    • Sangramento excessivo e prolongado mesmo para ferimentos leves;
    • Sangramento mais intenso e duradouro do que para outras pessoas;
    • Surgimento de manchas roxas (equimoses) na pele, especialmente quando a criança começa a engatinhar e andar;
    • Sangramentos espontâneos nas articulações, principalmente joelho, tornozelo, cotovelo, ombro e quadril;
    • Sangramento espontâneo das mucosas da gengiva e do nariz;
    • Dor, inchaço e deformidade nas articulações em decorrência do sangramento podendo limitar os movimentos e causar deficiência física permanente;
    • Hematúria (perda de sangue na urina);
    • Sangramento durante o nascimento dos primeiros dentes;
    • Hemorragias difíceis de parar após um simples corte ou cirurgia;
    • Ferimentos que demoram muito tempo para cicatrizar;
    • Menstruação excessiva e prolongada.

    Como é feito o diagnóstico de hemofilia?

    Quando existe suspeita de que uma pessoa possa ser hemofílica, indica-se procurar um médico para confirmar o diagnóstico. Nesse sentido, após avaliação completa com exame físico e história clínica do paciente, o hematologista normalmente solicita exames que avaliam a capacidade de coagulação do sangue. 

    Desta forma, checa-se a dosagem dos fatores de coagulação e seus níveis no sangue, assim como o tempo que o sangue leva para formar um coágulo. Abaixo, veja os exames laboratoriais realizados para confirmar diagnóstico de hemofilia:

    • Coagulograma: exame que avalia os indicadores do processo de coagulação, incluindo o TTPa (tempo de tromboplastina parcialmente ativada) e o tempo de protrombina (TP);
    • Dosagem dos fatores de coagulação: medem-se as quantidades do fator VIII (hemofilia A) e do fator IX (hemofilia B);
    • Dosagem do antígeno de Von Willebrand: quando o paciente apresenta deficiência do fator VIII, este novo exame permite o diagnóstico diferencial entre a hemofilia A e a doença de Von Willebrand.

    Leia também: Exames gestacionais: entenda quais são e quando devem ser realizados 

    Qual é o tratamento para a hemofilia?

    Até os dias de hoje não há cura para a hemofilia, porém alguns tratamentos podem controlar a doença e garantir uma melhor qualidade de vida aos hemofílicos. Nesse sentido, os médicos têm em mãos algumas opções terapêuticas, e a escolha dependerá da gravidade da doença. 

    O tratamento, que inclusive é realizado pelo SUS (Sistema Único de Saúde), é feito com apoio de uma equipe multidisciplinar que inclui o hematologista, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e ortopedistas. 

    Veja os principais tratamentos para hemofilia:

    Tratamento profilático (preventivo): 

    O tratamento preventivo é indicado para os quadros graves, quando os sangramentos ocorrem após mínimos esforços. Nesses casos, a abordagem indicada é o uso de medicamentos recombinantes (fator VIII) ou derivados do plasma (fator IX), injetáveis. 

    Desta forma, se previne não só os sangramentos como danos articulares ou musculares. Além disso, é importante salientar que já não se usa plasma humano, portanto não existe risco de contaminação com algum tipo de vírus. 

    Tratamento por demanda: 

    Nos casos de hemofilia moderada ou leve, o tratamento medicamentoso ocorre assim que houver algum sangramento. Além disso, as terapias mais modernas já contam com fármacos que substituem fatores de coagulação, com infusão subcutânea. Portanto, tem uso em pacientes que não respondem às medicações tradicionais.

    Pacientes refratários 

    Alguns pacientes desenvolvem anticorpos contra os fatores de coagulação usados nos tratamentos, como uma resposta do sistema de defesa do corpo. Esses anticorpos, chamados de inibidores, neutralizam o efeito dos medicamentos, aumentando o risco de sangramentos e doenças das articulações. 

    Isto acontece em cerca de 3 em cada 10 pessoas com quadros graves da hemofilia A, e 3% a 5% nos casos de hemofilia B grave. Portanto, dependendo da situação, existem duas soluções: 

    • Indução de tolerância imunológica (ITI): injeções frequentes com fatores de coagulação, para que o sistema imunológico seja capaz de reconhecê-los e desta forma, consiga parar a produção de inibidores. 
    • Agentes de Bypass: indicado para indivíduos com quadros leves a moderados de hemofilia A, os agentes de bypass são medicações diferentes do fator VIII quepromovem a formação do coágulo. Outra opção são os fármacos que provocam o aumento da coagulação, como um anticorpo que se confunde com a atividade do fator VIII, ou inibem as vias que não permitem a coagulação.

    Terapias Genéticas

    Os estudos com as terapias genéticas têm sido muito promissores e mostram ser possível uma modificação genética para que o paciente tenha um fator de coagulação mais alto. Todavia, não significa que ele deixaria de ter a doença, pois o indivíduo segue sendo um portador genético, mas seu organismo se tornaria capaz de produzir mais o fator que lhe falta.

    Na imagem abaixo, confira alguns cuidados que pessoas hemofílicas podem tomar para ter uma melhor qualidade de vida:

    Cuidados preventivos de quem sofre hemofilia. Evitar situações de possam provocar hemorragiar como esportes de impacto. Evitar medicamentos que podem provocar hemorragias, como aspirina, e anti-inflamatórios não esteroides que interferem no funcionamento de plaquetas. Cuidar da saúde oral para evitar a necessidade de extrações dentárias.

    Estou grávida e tenho histórico de hemofilia – o que fazer?

    A mulher que possui histórico de hemofilia na família e engravida deve aproveitar a primeira consulta do pré-natal para conversar com o médico sobre que cuidados extras precisa ter durante a gestação.

    Além disso, o momento do parto também requer atenção especial de uma equipe multidisciplinar, incluindo o obstetra, hematologista, neonatologista e a enfermagem. Nesse sentido, após o nascimento, serão feitos testes para saber se a criança tem hemofilia.

    Hemofilia e a Reprodução Assistida: qual a relação?

    Como já vimos, a hemofilia é uma doença genético-hereditária transmitida geralmente da mãe para os filhos do sexo masculino. Nesse sentido, a medicina reprodutiva é uma aliada na prevenção da transmissão da doença uma vez que pode evitar que seja passada para o futuro bebê. 

    Isto é possível graças às técnicas de reprodução assistidas como a fertilização in vitro (FIV), quando a fecundação dos gametas acontece em laboratório, fora do corpo da mulher. Os embriões formados pela união dos óvulos com espermatozoides são avaliados e selecionados para posteriormente serem transferidos ao útero.

    Nesse processo, antes da transferência, pode ser realizado o PGT exame (teste genético pré-implantacional), que rastreia eventuais anomalias genéticas do embrião, como a hemofilia. 

    Desta forma, a Medicina Reprodutiva tem recorrido a exames genéticos nos tratamentos de Fertilização in Vitro (FIV), para garantir maiores taxas de sucesso de gravidez com bebês saudáveis e livres de doenças.

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    3 de março de 2021
  • Doenças genéticas: saiba tudo sobre o assunto

    Você já ouviu falar em doenças genéticas? Pois saiba que muito além da cor dos olhos, da pele ou de outra característica física (fenotípica) de nossos familiares, também carregamos a herança genotípica de nossos pais e avós? Desta forma, através de alterações nos genes do DNA de nossos ancestrais, podemos ainda herdar doenças genéticas que transmitem de geração para geração.

    Nesse sentido, este texto vai tratar tudo sobre o assunto: o que são doenças genéticas, como acontece o seu diagnóstico, quais são os distúrbios raros e os mais comuns, e se existe alguma possibilidade de tratamento.

    O que são doenças genéticas?

    As doenças genéticas se definem como alterações na sequência de alguns genes que fazem parte do DNA. Desta forma, estas mutações alteram a estrutura de uma proteína e, consequentemente, causam anomalias anatômicas e fisiológicas no corpo humano. Sendo assim, qualquer erro ou dano em um gene pode desencadear uma doença genética.

    Portanto, como herdamos o material genético de nossos pais, as doenças genéticas, em geral, caracterizam-se pela transmissão de geração em geração. No Brasil, estima-se que 13 milhões de pessoas apresentem doenças raras. Todavia, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a incidência de uma doença genética no mundo é de menos de uma pessoa para cada dois mil nascidos vivos.

    Toda doença genética é herdada?

    Como já vimos, as doenças genéticas são aquelas que envolvem alterações no material genético e podem possuir o caráter hereditário, sendo repassadas de pais para filhos.

    Entretanto, nem toda doença genética é hereditária. Um exemplo é o câncer, que é causado por alterações no material genético, mas não possui transmissão dos descendentes. No entanto, sabe-se que o crescimento agressivo e desordenado das células causam a formação de tumores que podem se espalhar por diversas regiões do corpo. 

    Nesse sentido, não existe apenas uma explicação para estas alterações. Desta forma, a causa do câncer é multifatorial e pode estar relacionada a fatores individuais, ambientais, ao uso de medicação, ao estilo de vida e exposição ao sol. Outras possíveis razões podem estar ligadas à predisposição genética e a alterações hormonais. 

    Quais são os tipos de doenças genéticas?

    As anomalias ou doenças genéticas são defeitos causados no DNA, ou seja, na informação genética do indivíduo. Sendo assim, estas alterações podem causar disfunções metabólicas ou físicas. 

    Nesse sentido, existem três tipos de doenças genéticas: as monogênicas, as cromossômicas e as multifatoriais. Confira as características de cada uma delas:

    Monogenênicas/mendelianas

    Doenças monogênicas ou mendelianas acontecem quando a causa primária é atribuída a uma única variante genética. Ou seja, há alteração na sequência de DNA de um único gene.

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem aproximadamente 10 mil distúrbios monogênicos conhecidos. Embora muitos sejam individualmente raros, a prevalência deles no nascimento é de aproximadamente 1%. Além disso, este tipo de doença genética representa quase 20% dos casos de mortalidade pediátrica em países mais desenvolvidos. 

    Entre exemplos de doenças deste grupo estão:

    • Anemia falciforme;
    • Distrofia miotônica;
    • Distrofia muscular de Duchene;
    • Doença de Huntington;
    • Doença de Tay-Sachs;
    • Fenilcetonúria;
    • Fibrose cística;
    • Hemofilia A;
    • Hipercolesterolemia familiar;
    • Talassemia;
    • Síndrome do X Frágil;
    • Síndrome de Marfan.

    Cromossômicas

    As doenças cromossômicas acontecem quando os cromossomos de um indivíduo sofrem modificações em sua estrutura e número. Nesse sentido, é importante informar que a espécie humana possui 23 pares de cromossomos.

    Portanto, cada par possui a informação genética do pai e da mãe (totalizando 46 cromossomos). Assim, caso haja a falta ou o excesso de um par, surge uma doença genética.

    Podemos destacar neste grupo doenças como:

    • Síndrome de Down (trissomia 21);
    • Síndrome de Turner (trissomia 18);
    • Síndrome de Patau (trissomia 13);
    • Síndrome de Cri-du-chat;
    • Síndrome de Klinefelter;
    • Síndrome de Wolf-Hirschhorn;
    • Síndrome do XYY.

    Multifatoriais/poligênicas

    As doenças multifatoriais ou poligênicas tem causa por uma combinação de fatores ambientais e mutações de vários genes.

    Sendo assim, hábitos de vida podem contribuir para o aparecimento destas doenças. Um exemplo é o aparecimento de doenças cardíacas em pacientes que, além dos fatores genéticos, possuem hábitos como o tabagismo e o sedentarismo. 

    Além disso, podemos também destacar neste grupo doenças como:

    • Asma;
    • Doenças autoimunes;
    • Câncer;
    • Diabetes;
    • Doença inflamatória intestinal;
    • Mal de Alzheimer;
    • Hipertensão;
    • Doenças mentais;
    • Obesidade;
    • Ametropia;
    • Infertilidade;
    • Malformações congênitas;

    Como as doenças genéticas são diagnosticadas?

    Devido à grande variedade de doenças genéticas conhecidas, o diagnóstico é amplamente diverso. Nesse sentido, é possível verificar algumas doenças ainda durante a gravidez, com exames gestacionais. Sendo assim, eles podem ser não invasivos, como o NIPT (que coleta uma amostra de sangue). Por sua vez, também podem ser considerados invasivos, como a Amniocentese, que coleta o líquido amniótico da placenta da gestante. 

    Além disso, muitos distúrbios genéticos tem diagnóstico no nascimento, através do Teste do Pezinho, ou durante a primeira infância, como a Síndrome de Patau, Progeria e Albinismo. No entanto, outras doenças como a de Huntington, podem ser detectadas até na idade adulta.

    Desta forma, as doenças genéticas podem ser descobertas em várias fases da vida através de técnicas moleculares que possibilitam a identificação do gene que apresenta alguma alteração. Nesse sentido, os exames permitem que se descubra a doença antes mesmo do início dos sintomas. Assim, é possível que se tomem medidas para evitar o agravamento do distúrbio. Dessa forma, possibilitando uma melhor qualidade de vida e até a interrupção da transmissão para os descendentes do portador.

    Testes para diagnosticar informações genéticas

    Veja alguns tipos de testes que possibilitam identificar as informações genéticas de um indivíduo e consequentemente diagnosticar doenças hereditárias: 

    • Testes pré-concepcionais: podem ser utilizados para identificar se algum membro de um casal saudável, que planeja ter um filho, é portador de uma cópia defeituosa de um gene. Desta forma, é possível prever a probabilidade dos filhos herdarem o gene defeituoso;
    • Testes pré-natais: pode ocorrer a partir do material genético coletado do embrião. Nesse sentido, utiliza-se para diagnosticar possíveis doenças físicas ou mentais;
    • Testes Preventivos: detectam a doença logo após o nascimento, podendo impedir o surgimento das complicações futuras. O famoso exame do pezinho, que é uma prática rotineira nos hospitais brasileiros, é um exemplo.
    • Rastreio de doenças de manifestação tardia: detectam doenças possíveis de acontecer em adultos com determinada característica genética. Podem ser preditivos ou diagnósticos.

    Quais são as doenças genéticas mais comuns?

    Existem algumas doenças genéticas que são mais comuns e têm maior incidência na população. Confira abaixo quais são e suas principais características:

    Síndrome de Down:

    A síndrome de Down ou trissomia do 21 é a alteração genética ocorrida pela presença de um cromossomo extra, de forma que o indivíduo portador apresenta 47 cromossomos, ao invés de 46. Desta forma, esse tipo de alteração genética acarreta diferenças no desenvolvimento físico e cognitivo de seu portador. Assim, são presentes características como fraqueza muscular, orelhas mais baixas que o normal, leve retardo mental e baixa estatura desde o nascimento;

    Anemia falciforme:

    A anemia falciforme é uma alteração genética hereditária, na qual as hemácias perdem o seu formato normal e adquirem a forma de foice. Essa condição dificulta a passagem das hemácias pelos vasos sanguíneos e compromete a oxigenação dos tecidos; 

    Diabetes:

    A diabetes é uma doença que compromete a produção do hormônio insulina, responsável por controlar o nível de glicose no sangue. No Brasil, aproximadamente 7% da população possui diabetes;

    Câncer:

    Alguns tipos de câncer tem causa por fatores genéticos, que podem estar associados a fatores ambientais. A doença abrange um grupo com mais de 100 tipos, cuja característica predominante é o crescimento celular desordenado e que pode se espalhar pelo corpo;

    Daltonismo:

    Trata-se de uma alteração visual que tem por característica principal a incapacidade de distinção e percepção das cores como o vermelho e o verde, e com menos frequência, o amarelo e o azul. O daltonismo é uma herança ligada ao sexo, especificamente ao cromossomo X, e por isso não há como prevenir o seu surgimento. Contudo, ele ocorre com mais frequência entre os homens;

    Hemofilia:

    É uma doença genética ligada ao cromossomo X e caracteriza-se pela falta de um dos fatores de coagulação presentes no sangue. Portanto, pode levar a sangramentos prolongados, mesmo quando causados por pequenos traumas.

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    Quais são as doenças genéticas mais raras?

    Além das doenças comuns, há outras doenças genéticas que são extremamente raras, ou seja, apresentam baixa incidência na população. Conheça algumas que fazem parte deste grupo: 

    Distrofia muscular de Duchenne:

    A distrofia muscular de Duchenne possui caráter recessivo e está ligada ao cromossomo X. Ela caracteriza-se pela ausência da proteína distrofina, o que leva ao enfraquecimento dos músculos.

    Fibrose cística:

    A fibrose cística ou mucoviscidose é uma doença genética que se manifesta em ambos os sexos. Embora nenhum dos dois apresente a doença, é o pai e a mãe que transmitem o gene defeituoso. Nesse sentido, a alteração compromete o funcionamento das glândulas exócrinas que produzem substâncias mais espessas e de difícil eliminação (muco, suor ou enzimas pancreáticas). Por esta razão, ela prejudica os sistemas digestivo, respiratório e as glândulas sudoríparas. Assim, ela se caracteriza pela produção de secreções que se acumulam nos pulmões e pâncreas. A doença pode ser diagnosticada ainda na infância, através do teste do pezinho.

    Síndrome de Patau:

    A síndrome de Patau ou trissomia do 13 é causada pela presença de um cromossomo a mais no par de número 13, ou seja, em vez de ter dois cromossomos, possui três. Nesse sentido, a doença pode causar uma série de alterações físicas e fisiológicas, como orelhas deformadas, fenda labial e palato fendido, plantas dos pés arqueadas, crises convulsivas, e microcefalia. Além disso, existem outros sintomas, como pescoço curto, olhos pequenos ou afastados, punhos cerrados e mãos com um sexto dedo ou dedos sobrepostos.

    Síndrome de Turner:

    A síndrome de Turner é uma doença genética caracterizada pela presença de apenas um cromossomo sexual X, o que dá origem ao cariótipo 45, X. Por isso, afeta apenas indivíduos de sexo feminino. A doença acomete um a cada 3.000 nascimentos de mulheres. Além disso, a taxa de aborto pode chegar até 97%. Os sintomas incluem baixa estatura, puberdade tardia, infertilidade, malformações cardíacas e dificuldades de aprendizagem.

    Albinismo:

    O albinismo é uma doença que compromete a produção da melanina, o pigmento responsável pela coloração da pele, olhos e pelos. Por isso, as pessoas afetadas apresentam a pele bastante branca, além de cabelos e olhos claros.

    Fenilcetonúria:

    A fenilcetonúria é uma doença que impede a metabolização do aminoácido fenilalanina. Nesse sentido, a substância acumula-se no sangue e pode comprometer algumas funções do organismo, principalmente no cérebro.

    Progeria:

    A progeria manifesta-se na infância e caracteriza-se por um envelhecimento acelerado, o qual pode ser de até sete vezes mais rápido do que o natural. Nesse sentido, é comum que pessoas com esta doença vivam até aos 15 anos de idade. Estima-se que atinja um a cada 8 milhões de nascidos.

    Hipertricose:

    A hipertricose é uma condição bastante rara, caracterizada pelo crescimento excessivo dos pelos, os quais cobrem praticamente todo o corpo. Estima-se que a hipertricose acometa um a cada 1 bilhão de nascidos.

     As doenças genéticas têm cura?

    Para responder esta pergunta é importante lembrar que existem doenças genéticas hereditárias (que passam de pais para filhos), e as que são adquiridas por fatores multifatoriais (que não são transmitidas aos descendentes).

    Nesse sentido, no caso das doenças multifatoriais, que ocorre uma mutação genética durante a vida por diversos fatores como ambientais, medicamentosos, hormonais e entre outros, existe chance de tratamento e de cura. Um dos exemplos é o câncer, em seus diferentes tipos. Sendo assim, quando são detectados logo no início da doença, existe a chance de erradicar o problema. 

    No entanto, até o momento, a medicina ainda não conseguiu interferir e realizar reparos no DNA humano. Desta forma, pode-se afirmar que uma doença genética hereditária não tem cura. Porém, com o diagnóstico precoce, é possível realizar o tratamento, seja ele farmacológico, fisioterápico, entre outros. Assim, se busca atenuar diversos sintomas que podem dificultar o desenvolvimento e proporcionar de maneira adequada e inclusiva o convívio em sociedade.

    Além disso, diversas doenças descobertas na fase adulta apresentam, também, tratamentos que melhoram a qualidade de vida, levando o paciente a ter uma vida praticamente normal.

    Vale ainda ressaltar que na técnica de Fertilização in Vitro (FIV), já é possível prevenir que futuras gerações sejam afetadas por alguma doença hereditária ou cromossômica. Nesse sentido, é feito o exame PGT, no qual é realizado o teste genético do embrião antes dele ser implantado no útero da mulher. Desta forma, se tiver alguma alteração genética, o embrião é descartado e selecionado outro. Assim, a doença genética não será mais transmitida para os descendentes desta família.


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    24 de fevereiro de 2021
  • Sexo do bebê: saiba qual é o momento certo para a descoberta

    É natural que as gestantes desejem descobrir o sexo do bebê: a ansiedade nessas horas pode ser grande. Nesse sentido, várias dúvidas surgem sobre o assunto: o que define o sexo do bebê? Sendo assim, como saber esta informação através de métodos confiáveis?  Qual é o período certo para a realização destes exames? Quais as crenças populares em torno desta questão? 

    Portanto, no texto a seguir, vamos entrar neste momento mágico da vida dos casais e esclarecer tudo sobre esta emocionante descoberta. Boa leitura!

    O que determina o sexo do bebê?

    O que determina o sexo do bebê é o cromossomo que se herda do pai. Nesse sentido, é preciso entender que o óvulo da mãe sempre tem um cromossomo X (feminino). Enquanto isso, o espermatozoide (gameta do homem) pode ter tanto o cromossomo X quanto o cromossomo Y (masculino).

    Além disso, é importante explicar que durante a fecundação ocorre a união dos cromossomos do óvulo e do espermatozoide, determinando o sexo do bebê. Assim, se o cromossomo Y do pai se juntar com o X da mãe, é formado XY e concebido um menino. No entanto, se a junção for do cromossomo X do pai, com o X da mãe, forma-se o XX, e o resultado é a concepção de uma menina.

    Sendo assim, segundo a medicina genética, as estatísticas revelam que as chances de ter um menino ou uma menina são quase as mesmas. Portanto, não há evidência médica sugerindo que possa haver alguma influência sobre este resultado.

    Além disso, sabemos que até a 12a semana de gestação, o diagnóstico do sexo é impreciso. Sendo assim, apenas com 13 semanas é possível identificar a posição do tubérculo genital, estrutura que dará origem ao pênis nos meninos e ao clitóris nas meninas.

    Desta forma, a posição do tubérculo nas meninas é bem horizontal (paralelo com a coluna) enquanto nos meninos ela é vertical (perpendicular à coluna). Por isso, dependendo da posição fetal do bebê e da qualidade do aparelho de ultrassom, já é possível saber o sexo do bebê nesta data com quase 99% de acerto. 

    Como saber o sexo do bebê?

    Para saber o sexo do bebê com precisão os obstetras recomendam utilizar apenas os métodos comprovados pela ciência e apoiados pela comunidade médica. Por isso, veja no quadro a seguir quais são estes exames:

    Ultrassom obstétrico  

    Este método é o mais conhecido na hora de descobrir o sexo do bebê. Dessa forma, utiliza-se o exame de ultrassom para ver a imagem do feto e a sua anatomia, o que também permite verificar o seu sexo. 

    Assim, a partir da 12ª semana já é possível realizar o exame de Translucência Nucal (TN),  que vai averiguar se existe o risco do bebê apresentar alguma malformação ou síndrome, como a síndrome de Down. Por isso, neste momento, se as imagens estiverem nítidas e dependendo da posição do feto, já é possível saber se será menina ou menino. Além disso, a partir da 20ª semana de gravidez, através do ultrassom morfológico, o médico tem mais condições de distinguir os genitais do bebê.  

    Exame de sexagem fetal 

    Método muito utilizado para determinar o sexo do bebê antes da 12ª semana de gestação. Nesse sentido, este exame consiste em recolher uma amostra de sangue da futura mamãe, a fim de analisar os fragmentos de DNA que pertencem ao feto. 

    Dessa maneira, sabe-se que a partir da sétima semana de gravidez, a presença destes fragmentos no sangue da mãe são o suficiente para determinar se a criança é portadora do cromossomo Y (menino) ou X (menina). Por isso a sexagem fetal, através da análise do sangue, pode ser realizada a partir da 8ª semana de gestação. 

    Amniocentese 

    Trata-se de um exame invasivo que retira uma amostra do líquido amniótico com células fetais. Assim, indica-se o exame para detectar problemas congênitos no feto, como a síndrome de Down.

    Além disso, por ser feito uma análise genética dos cromossomos, também permite conhecer com precisão o sexo do bebê. Sendo assim, a amniocentese deve ser feita a partir da 16ª semana e apesar de ser baixo, o principal risco é o aborto.

    Biópsia das vilosidades coriônicas  

    Exame invasivo, semelhante à amniocentese, cujo principal objetivo é o diagnóstico de problemas genéticos. Dessa maneira, o exame de pré-natal acontece entre a 10ª e 12ª semana de gravidez e consiste em extrair e analisar uma amostra do tecido que rodeia o feto e a placenta. A amostra, por sua vez, tem a mesma composição genética das células do bebê e pode, por isso, revelar o seu sexo.

    NIPT ou NACE

    O Teste Pré-Natal Não Invasivo é o principal e mais recomendado exame a se fazer com 10 semanas. Dessa forma, é feito através da coleta do sangue da mãe, que além de determinar o sexo do bebê, também detecta os mesmos problemas genéticos que a Amniocentese e a Biópsia das Vilosidades. Todavia, não é considerado um exame invasivo, e consequentemente se tornando o mais recomendado.

    Como calcular as datas certas para realização de exames e saber mais informações do calendário gestacional?

    A maneira tecnicamente correta de calcular a idade gestacional é em semanas. Sendo assim, utilizar meses é uma forma  bastante imprecisa para contar o tempo de gravidez. Isto porque os meses não têm o mesmo número de dias e no final de nove meses pode resultar em uma grande diferença. Além disso, se dissermos que alguém está no 7º mês de gestação, por exemplo, não sabemos se está no início ou no fim do mês.

    Portanto, conta-se a idade gestacional por semanas. Além disso, é determinada através de informações como a data da última menstruação, exames de imagens e provável data do parto, indicada pelo médico.

    Sendo assim, a partir daí é possível montar um calendário para saber o que acontece semanalmente. Dessa forma, a agenda indica ainda o momento certo para fazer exames de rotina que detectam também o sexo do bebê.

    O que pode atrapalhar a descoberta do sexo do bebê?

    Infelizmente nem toda a gestante pode saber o sexo do bebê através de exames de imagem. Isto acontece porque esta informação depende de alguns fatores que podem impedir ou dificultar a visualização da genitália do bebê como:

    • Obesidade materna;
    • Cirurgias abdominais prévias;
    • Posição uterina;
    • Posição fetal;
    • Qualidade do aparelho de ultrassom utilizado.

    Testes caseiros para saber o sexo do bebê funcionam?

    Existem testes caseiros que prometem indicar o sexo do bebê. Nesse sentido, alguns deles incluem a avaliação do formato da barriga da grávida, a observação de sintomas específicos ou o aspecto da pele e dos cabelos. No entanto, estes testes não são confiáveis, pois são fundamentados apenas em crenças populares e que não estão confirmados pela ciência.

    Entretanto, apontamos abaixo alguns testes populares que podem ser feitos em casa como forma de diversão para tentar identificar o sexo do bebê:

    CaracterísticasEstá grávida de um MeninoEstá grávida de uma Menina
    1. Formato da barriga
    Barriga mais pontuda, parecida com um melão
    Barriga bem redonda, parecida com uma melancia
    2. Alimentação
    Mais vontade de comer salgados
    Mais vontade de comer doces
    3. Linha Alba
    Se a linha alba (a linha escura que surge na barriga) chegar até o estômago
    Se a linha alba (a linha escura que surge na barriga) chegar apenas até o umbigo
    4. Enjoos
    Poucos enjoos matinais
    Enjoos matinais frequentes
    5. Pele
    Pele mais bonita
    Pele mais oleosa e com tendência à espinhas
    6. Formato do rosto
    Rosto parecer mais magro do que antes de engravidar
    Rosto parecer mais gordinho durante a gravidez
    7. Outra criança
    Se uma outra menina simpatizar com você
    Se outro menino simpatizar com você
    8. Hábitos alimentares
    Comer o pão inteiro
    Evitar comer as pontas do pão
    9. Sonhos
    Sonhar que terá uma menina
    Sonhar que terá um menino
    10. Cabelo
    Mais macio e brilhoso
    Mais seco e opaco
    11. Nariz
    Não fica inchado
    Fica inchado 

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    27 de janeiro de 2021
  • Bebê arco-íris: sinônimo de esperança para quem deseja ter filhos

    Bebê arco-íris: você já ouviu falar? Sabe porque recebem este nome? Utiliza-se este termo para mulheres que sofreram abortos espontâneos e passaram por traumas e perdas durante a gestação. Para conhecer mais sobre bebê arco-íris, leia o texto abaixo.

    O que é bebê arco-íris?

    O termo bebê arco-íris se refere àquelas crianças que nascem após tentativas de gestação sem sucesso. Nesse sentido, são os primeiros bebês nascidos de uma mãe que sofreu anteriormente um aborto espontâneo, ou que perdeu um filho prematuramente.

    Dessa forma, assim como um arco-íris, o nenê que chega depois de uma “tempestade”, de um período tão triste e desesperador, traz muita luz, alegria e colorido para a vida de toda a família. 

    Foi o que aconteceu com a médica Romana Novais, esposa do famoso DJ Alok. Em 10 de janeiro de 2020 o casal teve Ravi, um bebê arco-íris que nasceu após uma primeira gestação frustrada que não evoluiu e acabou gerando um aborto espontâneo.

    Passados alguns meses, mesmo em luto pelo bebê que não “vingou”, eles conseguiram engravidar novamente e realizaram o sonho de ter um filho. Além disso, ainda no mesmo ano, o casal aumentou a família com o nascimento de Raika, a irmãzinha do bebê arco-íris, que veio ao mundo no dia 02 de dezembro.

    Dessa maneira, os bebês arco-íris carregam a esperança de milhares de pessoas que enfrentam dificuldades para ter um filho. Por isso, simbolizam a grande vitória na realização do sonho da maternidade e da paternidade. 

    Além disso, os bebês que chegaram ao mundo após uma grande luta dos pais para conseguir engravidar também são chamados de arco-íris. Afinal, nesses casos, mesmo sem abortos ou perdas, a gestação também é um verdadeiro milagre.

    A chegada do bebê arco-íris: um período de fortes emoções

    Como já vimos, a chegada de um bebê arco-íris ilumina e colore a vida de pais que passaram por dificuldades e traumas em gestações anteriores. Desta forma, ele não vem para substituir um bebê que faleceu precocemente, ou para apagar a experiência de um aborto. Mas, sim, para recuperar a esperança e mostrar que a vida pode dar voltas. Assim, o bebê arco-íris não muda o passado, mas modifica o presente e transforma o futuro.

    Sabemos que tanto a gravidez quanto a chegada de um bebê são sempre experiências cheias de emoções, dúvidas, medo e curiosidade. E, quando envolve um bebê arco-íris, a pressão é sempre maior. Nesse sentido, é importante que os pais busquem apoio de familiares e profissionais qualificados para ajudar a ultrapassar esses momentos de angústia e ansiedade da melhor forma possível.

    Neste universo de sentimentos e acúmulo de emoções, a imensa alegria da chegada do bebê arco-íris se mistura com a tristeza e luto anterior. Assim, é importante entender que este processo de cura nem sempre é fácil ou rápido. Todavia, pode ser superado com ajuda de especialistas, dos amigos, da família, e do tempo.

    Tenha atenção com a superproteção

    A maternidade é uma experiência única, e cada mãe vai descobrindo aos poucos a sua forma de cuidar dos filhos. Porém, quando se trata de um bebê arco-íris, os traumas anteriores, os medos e angústias podem acarretar em uma superproteção do nenê. Embora esse excesso de cuidados tenha causas fáceis de entender, muitas vezes pode ser prejudicial para o desenvolvimento da criança.

    Nesse sentido, sabemos que o bebê arco-íris representa uma nova vida para o casal, mas é preciso estar atento para não sobrecarregá-lo de cuidados e expectativas. Afinal, a superproteção pode impactar negativamente no crescimento do filho, impedindo que ele aprenda a ser independente, capaz de lidar com os desafios e frustrações naturais da vida.

    Bebê arco-íris e medicina reprodutiva: qual a relação?

    Como vimos anteriormente, também utiliza-se o termo bebê arco-íris para os bebês que nascem após uma longa história de tentativas de gravidez. Nesse sentido, a medicina reprodutiva é um caminho de esperança para pessoas que lutam há anos com problemas de infertilidade. 

    Felizmente, a evolução das diversas técnicas de reprodução assistida têm ajudado milhares de pessoas a realizarem o sonho de ter um filho. A partir de uma análise completa de cada caso, que inclui avaliação clínica, física e psicológica, o especialista pode chegar a um diagnóstico. E, assim, determinar qual o melhor tratamento para gerar o bebê-arco-íris.

    Conheça alguns tratamentos da medicina reprodutiva:

    Inseminação Artificial

    A inseminação artificial consiste na introdução dos espermatozoides diretamente na cavidade uterina da mulher, com o objetivo de facilitar a fecundação do óvulo. Ou seja, este procedimento sincroniza o encontro dos gametas para que a gravidez aconteça. 

    Também conhecida como inseminação intrauterina (IIU), a técnica de baixa complexidade potencializa o encontro do espermatozoide com o óvulo, colocando no útero feminino uma amostra qualificada de sêmen. Desta forma, a fertilização acontece dentro do corpo da mulher.

    Ovodoação 

    A ovodoação é uma alternativa da medicina reprodutiva para ajudar mulheres que não conseguem engravidar com seus próprios óvulos. Chamada também de doação de óvulos, acontece quando uma mulher cede seus gametas para outra pessoa os utilize. 

    Nesses casos, realiza-se a fertilização do óvulo em laboratório, usando o espermatozoide do parceiro da receptora, ou de banco de esperma. Desta maneira, forma-se o embrião que será gestado no útero da paciente receptora.

    Além disso, a técnica também ocorre para que casais homoafetivos masculinos e pais solteiros possam formar suas famílias.

    Fertilização in vitro

    A Fertilização in Vitro (FIV) é uma das técnicas de reprodução assistida mais conhecidas do mundo. Ela surgiu na década de 1970 e evoluiu muito com o passar do tempo, ajudando milhares de pessoas a realizarem o sonho de ter um filho. 

    O tratamento se caracteriza por promover a fecundação do óvulo pelo espermatozoide em laboratório, fora do corpo da mulher. Por sua vez, transfere-se posteriormente o embrião resultante desta fertilização ao útero materno.

    Se você enfrenta obstáculos na hora de tentar ter um filho, saiba que muitas barreiras podem ser vencidas. Baixe o nosso e-book e veja como é possível realizar o sonho da maternidade!

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    20 de janeiro de 2021
  • Cadeirante pode ter filhos, sim: saiba como o processo de gravidez é possível

    “Cadeirante pode ter filhos?”. Essa é uma pergunta comum, afinal a condição de um cadeirante pode provocar dúvidas sobre a sua vida sexual e também sobre a sua fertilidade. Nesse sentido, algumas pessoas ainda se espantam em ver casais (com pelo menos um dos dois cadeirantes) com um filho no colo.

    Entretanto, é importante esclarecer que a pessoa cadeirante pode ter filhos. Pois, apesar de estar em uma cadeira de rodas, a sexualidade e a fertilidade, tanto da mulher como do homem, muitas vezes se mantém preservada.

    Por esta razão, no texto a seguir vamos falar sobre as possibilidades dos cadeirantes conseguirem gerar um bebê. E, também, explicar sobre o processo de gravidez em cada situação. 

    O que são cadeirantes?

    Cadeirantes são pessoas que fazem uso constante de uma cadeira de rodas para se locomover. Segundo o último levantamento do IBGE, o Brasil tem pelo menos 45 milhões de cadeirantes que possuem algum tipo de deficiência física.

    Nesse sentido, o cadeirante tem quadros e gravidades variáveis, de acordo com a causa e com o tipo de lesão que ocorreu. Sendo assim, a paralisia física pode ter surgido desde o nascimento, assim como ao longo da vida por meio de doenças ou acidentes.

    O que são pessoas com deficiência (PCD)?

    A sigla PcD significa pessoa com deficiência, essa que pode ter origem de nascença ou adquirida durante a vida. Nesse sentido, é uma PcD quem tem limitação física, intelectual, visual ou auditiva. Além disso, se uma pessoa tiver mais de um tipo de deficiência, chamamos de deficiência múltipla.

    Desta forma, a sigla começou a ter uso em 2006, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) publicou a Convenção sobre dos Direitos da Pessoa com Deficiência das Nações Unidas. 

    Antes disso, usava-se a expressão “portador de deficiência”, que não é considerada adequada, pois destaca mais a deficiência do que a condição humana. Vale lembrar, também, que o termo “deficiente” vem caindo em desuso por ser considerado uma palavra pejorativa.

    Por último, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 24% da população brasileira é PcD.

    Sexualidade de cadeirantes: um assunto cheio de mitos

    Muitos mitos cercam o mundo das pessoas com deficiência física, e um deles é em relação ao sexo. Nesse sentido, é importante esclarecer que apesar de terem uma característica biológica peculiar que leva a algumas dificuldades, os cadeirantes têm desejo sexual e podem fazer sexo. Por consequência, a pessoa cadeirante pode ter filhos.

    Sendo assim, o preconceito está relacionado à crença de que o prazer está ligado exclusivamente ao corpo. No entanto, de acordo com os especialistas, o corpo é apenas um instrumento do prazer, pois o sexo começa na mente. Por esta razão, a vida sexual continua com algumas adaptações e diversas possibilidades, como a descoberta de novas zonas erógenas.

    Confira, abaixo, alguns mitos e verdades sobre o assunto:

    Pessoas com deficiência física são assexuais

    Mito. Existe a ideia de que pessoas com limitações físicas são assexuais e que não conseguem ter uma vida sexual ativa por serem consideradas dependentes e frágeis. Porém, é preciso desmistificar esse pensamento, já que a libido, o desejo e a sexualidade dos cadeirantes não são alterados. Por outro lado, é importante entender que o ato sexual para essas pessoas têm certas particularidades.

    Desta forma, a sensibilidade dos órgãos sexuais, por exemplo, pode estar modificada, tanto nos homens quanto nas mulheres. Além disso, a dificuldade de ereção, ejaculação ou baixa lubrificação vaginal são características que podem estar presentes na rotina dos usuários de cadeiras de rodas.

    Sendo assim, o sexo e o prazer são perfeitamente possíveis. O que muda mesmo é a maneira de alcançar e sentir o orgasmo.

    Pessoas com deficiência física só podem se relacionar com outras que também tenham limitações

    Mito. É comum acreditar que pessoas com deficiências físicas só podem se relacionar com quem também tenha alguma limitação, pois só assim haverá entendimento. Isso não é verdade! 

    Entretanto, é preciso que o parceiro ou parceira tenha um conhecimento básico sobre as limitações da outra pessoa para saber como lidar com elas. A troca de informações e uma boa comunicação são muito importantes. Pois, além de evitarem constrangimentos e receios, garantem boas experiências para ambos.

    Sendo assim, a sexualidade de um cadeirante exige cuidados redobrados, carinhos e preliminares.

    Homens com deficiência física não conseguem ter ereção

    Mito. Muitos homens com lesões medulares podem ter ereção, ejaculação e orgasmos. No entanto, o desafio que muitos deles enfrentam é o tempo e a qualidade da ereção.

    Existem alguns fatores determinantes para que isso ocorra ou não. Entre eles estão o ponto da medula que sofreu a lesão (cervical, lombar, torácica, cauda equina ou cone medular), o tipo de deficiência motora. Também, se a lesão é completa ou incompleta.

    Porém, o erro que a grande maioria das pessoas comete é achar que a ereção é o grande foco de uma relação sexual. Nesse sentido é importante explicar que o corpo é repleto de memórias, que envolvem todos os sentidos. Assim, durante as relações, os cadeirantes podem explorar outros meios, como imagens, cheiros, sabores e sons.

    A pessoa com deficiência pode ter uma vida sexual saudável

    Verdade. Como explicamos nos tópicos anteriores, o sexo não está resumido ao ato da penetração. Desta forma, a sexualidade pode ser descoberta e explorada de diversas formas, garantindo uma vida sexual ativa e saudável.

    No entanto, caso haja penetração, pode-se tomar alguns cuidados durante a relação sexual, como o uso de lubrificantes para as mulheres se necessário. Além disso, também é preciso esvaziar a bexiga antes do ato e buscar posições mais confortáveis e prazerosas.

    Vale reforçar que a sexualidade de um cadeirante não acaba após uma lesão ou doença, pois o processo mental ainda é o mesmo. Assim, o desejo sexual permanece. O que acontece é que, em muitos casos, esse desejo é desestimulado e colocado em segundo plano. 

    Muitos acreditam que o foco deve ser a reabilitação física e não o lado sexual, o que acaba incentivando o preconceito que gira em torno desse tema. Dessa forma, tanto a pessoa com deficiência quanto o parceiro ou parceira precisam se adaptar à situação e descobrir novas formas de intimidade.

    Mulher cadeirante pode ter filhos?

    Em geral, a mulher cadeirante pode ter filhos. No entanto o acompanhamento médico deve ser redobrado. Isto porque ela enfrenta os desafios e riscos que qualquer mulher experimenta, acrescidos das especificidades que sua condição impõe.

    Nesse sentido, cada caso apresentará suas particularidades, demandas e riscos. Desta forma, uma pessoa com paraparesia, por exemplo, apresenta restrições e necessidades diferentes das enfrentadas por uma cadeirante com esclerose múltipla. Porém, pode-se abordar as situações e minimizar os riscos com a ajuda de profissionais de saúde competentes e cuidadosos.

    Vale ressaltar que, se a mulher não tiver nenhum impedimento com relação à fertilidade, ela segue tendo ciclos ovulatórios e menstruando. Por esta razão, se mantiver relações sexuais normais, pode engravidar. No entanto, essa condição muda de organismo para organismo. 

    Além disso, mesmo paralisada da cintura para baixo, a mãe pode sentir algum movimento do bebê. Apesar dela não ter a sensibilidade de outras gestantes, ela vai perceber uma movimentação diferente do que está acostumada a sentir. 

    Cuidados especiais durante a gestação da mulher cadeirante

    Uma grávida cadeirante terá que ter cuidados especiais durante a gestação. Porém, os problemas se concentram na mãe, porque o bebê se desenvolve normalmente e sem maiores riscos.

    Confira abaixo os problemas que uma cadeirante pode ter durante a gravidez:

    • Infecção urinária: Essa é uma constante possibilidade para qualquer gestante, mas em especial para uma cadeirante. Por esta razão, a grávida em uma cadeira de rodas deve ser muito vigiada pelo médico, pois a infecção urinária poderá causar complicações;
    • Problemas Circulatórios e Trombose: Indica-se que a grávida cadeirante fique atenta à sua circulação, pois existe um maior risco de aparecer problemas como a trombose. Nesses casos, se necessário, o médico receitará anticoagulantes para ajudar nessa fase;
    • Peso: O peso deve ser uma preocupação para todas as grávidas, e deve ter atenção especial pelas cadeirantes. Isto porque a obesidade pode possibilitar o aparecimento da diabetes gestacional e o aumento da pressão arterial durante a gravidez;
    • O motivo que levou a mãe ficar cadeirante: Este é um aspecto que o médico levará em consideração. Se o motivo for externo, de ordem física, não será problema. Porém se houver alguma doença que levou a mãe à condição de cadeirante, o médico solicitará exames para verificar a saúde do bebê.

    Como funciona o parto de uma mulher cadeirante?

    O parto de uma grávida cadeirante não precisa ser necessariamente uma cesariana. É perfeitamente possível que ela tenha parto normal, pois dependendo do grau da lesão da medula ela poderá sentir as contrações.

    No entanto, para ter o bebê de forma natural, é necessário que a gestante consiga fazer força e empurrar os músculos da parte baixa da barriga. Caso ela não tenha essa sensibilidade, os médicos optam por uma cirurgia de cesariana.

    Homem cadeirante pode ter filhos?

    Como já vimos anteriormente, o homem cadeirante também pode ter filhos. Entretanto, esta é uma questão que depende de alguns fatores como a extensão e o grau da lesão medular. Nesse sentido, quanto mais alta for a lesão na medula, maior será a área de impacto. Isso pois os membros deixam de receber qualquer tipo de estímulo vindo do cérebro.

    Sendo assim, pode-se dizer que a maioria dos homens continua com desejo sexual mesmo após perder os movimentos da cintura para baixo. Além disso, em muitos casos, eles conseguem ter ereção, penetração, ejaculação e orgasmo. No entanto, o que muda nestas situações é que a ereção não dura muito tempo.

    Desta maneira, é muito importante explicar que homens cadeirantes, em geral, não são inférteis e continuam produzindo espermatozóides. Porém, existem algumas exceções onde há algum trauma mais severo na região, que levou à infertilidade, como a oligospermia e a azoospermia.

    Sendo assim, homens com deficiência física podem ou não ter problemas de ereção, mas continuam podendo ter filhos. Caso haja problema na função erétil e na ejaculação, existem medicamentos e tratamentos que podem ajudar neste momento. 

    Por outro lado, se mesmo assim os procedimentos não funcionarem, é possível que os homens cadeirantes tenham filhos através de uma extração de sêmen de forma cirúrgica. Desta maneira, eles podem recorrer ao tratamento de reprodução assistida.

    Tratamentos para conseguir a ejaculação do homem cadeirante

    Existem algumas opções para viabilizar a gravidez entre os casais em que o marido seja portador de lesão medular e que não consegue ejacular espontaneamente. Desta maneira, os métodos para ajudar os espermatozoides a saírem do organismo podem ocorrer por e Eletroejaculação (EEJ).

    Sendo assim, é importante ressaltar que esse material espermático, na grande maioria das vezes, precisará ser levado ao útero. Ou, mais frequentemente, ao interior do óvulo. Isso quer dizer que, nestes casos, é preciso utilizar as técnicas de reprodução assistida, para obter uma gravidez.

    Confira como acontece o tratamento a seguir:

    Eletroejaculação (EEJ) 

    Essa técnica envolve a necessidade de anestesia geral em centro cirúrgico hospitalar, para uso de correntes elétricas intestinais a fim de se obter contrações da musculatura envolvida na propulsão do sêmen.

    Por sua complexidade, é uma técnica menos difundida, com menor praticidade em comparação à VE. No entanto, ela apresenta taxas de sucesso muito altas.

    Todavia, como é mais invasiva, é comum a sua substituição por técnicas que envolvem captura cirúrgica. Isso por conta da maior facilidade de manejo laboratorial, além de serem mais rápidas e com o menor custo financeiro.

    Cadeirante pode ter filhos com reprodução assistida?

    Como já vimos anteriormente, a pessoa cadeirante pode ter filhos de forma natural se não possuem problemas de fertilidade e se a lesão medular não comprometer a ereção e a ejaculação, no caso dos homens.

    No entanto, se há dificuldades, tanto homens e mulheres podem recorrer à reprodução assistida para realizar o sonho de se tornarem pais e mães. Nesse sentido, os casos devem ter avaliação de forma individual por um especialista. Assim, decide-se a técnica mais indicada para cada paciente.

    Veja, na sequência, as técnicas de Reprodução Humana que podem ser utilizadas:

     Em mulheres cadeirantes:

    • Indução da ovulação e orientação do coito: Esta técnica de baixa complexidade consiste na estimulação ovariana feita por medicamentos. Sendo assim, através de exames de ultrassonografia é realizado o acompanhamento dos folículos e óvulos. Assim, quando eles atingem o tamanho ideal, é o período que os casais devem manter relações sexuais com freqüência, pois as chances de gravidez são maiores.
    • Inseminação Artificial ou Intrauterina: Neste procedimento também realiza-se o acompanhamento do ciclo menstrual da mulher. Porém, quando ela entra em seu período ovulatório, o sêmen do parceiro é coletado em laboratório e introduzido, no momento certo pelos especialistas, na cavidade uterina da mulher. Desta forma, a fertilização natural é facilitada através do encontro programado dos gametas. 
    • Fertilização in Vitro (FIV): Esta técnica de alta complexidade é uma das mais utilizadas pelos especialistas por ter maiores chances de sucesso. Nesse sentido, os óvulos e espermatozóides são coletados e fertilizados em laboratório. A partir daí são escolhidos os embriões de maior qualidade para serem transferidos de volta ao útero da mulher.

    Em homens cadeirantes:

    • Fertilização in Vitro (FIV): No caso de homens que tenham sofrido alguma lesão medular, a FIV pode ser a melhor solução. Nesses casos, é necessário realizar a coleta de espermatozóides por meio de algumas técnicas como a Eletroejaculação (EEJ) ou punção direta do epidídimo ou do testículo. Desta forma, após a coleta, o material é levado para o laboratório para ser utilizado na fertilização dos óvulos da parceira. 

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    13 de janeiro de 2021
  • HPV na gravidez: há riscos para a gestante ou para o bebê?

    O HPV na gravidez pode gerar preocupações e inúmeras dúvidas entre as futuras mamães. Isto ocorre porque o Papilomavírus Humano é uma infecção sexualmente transmissível (IST) e responsável por 70% dos casos de câncer no colo do útero. Assim, considera-se a terceira principal causa de morte entre as mulheres no Brasil.

    Por esta razão, neste texto, vamos esclarecer sobre os riscos da doença, tanto para a gestante quanto para o bebê. Além do mais, informar sobre as opções de tratamento e como é possível prevenir o HPV na gravidez.

    O que é HPV?

    O HPV é um vírus altamente contagioso, transmitido, em geral, pelo contato com a pele ou mucosa através do ato sexual. Nesse sentido, existem mais de 150 tipos diferentes de HPV, sendo que 12 são de alto risco. Dessa forma, a infecção é uma das doenças mais comuns entre adultos sexualmente ativos. Ela pode causar tanto verrugas benignas (condilomas), como lesões sérias precursoras de câncer de colo de útero, garganta ou ânus.

    Sendo assim, é importante alertar que após o contágio, pelo menos 5% das mulheres desenvolvem câncer de útero em um prazo de dois a 10 anos. Contudo, vários tipos são de baixo risco e desaparecem sem tratamento. Dessa maneira, muitas pessoas, por não terem lesões, nem percebem que são portadoras deste vírus.

    Por esta razão, a Organização Mundial da Saúde prevê que mais de 80% das mulheres sexualmente ativas terão infecção pelo HPV em algum momento de suas vidas. E essa porcentagem pode ser ainda maior nos homens. Nesse sentido, estima-se que, atualmente, entre 25% a 50% da população feminina e 50% da masculina esteja contaminada pelo HPV em todo o mundo. No Brasil, o dado também é alarmante: mais da metade dos jovens que mantêm relações sexuais possuem o vírus.

    Qual o risco do HPV na gravidez?

    As alterações hormonais e a baixa resistência imunológica das mulheres, nos primeiros meses de gestação, predispõe ao desenvolvimento do HPV, caso elas já tenham o vírus no corpo. Por esta razão, a grande preocupação das mães quando descobrem o HPV na gravidez é de estar transmitindo a doença ao seu bebê.

    Porém, há comprovação científica que o HPV não ameaça a evolução da gestação e, tampouco, oferece riscos ao desenvolvimento fetal. No entanto, a doença pode ter transmissão durante o parto e, por isso, deve ter tratamento até a 34º semana gestacional.

    Como tratar o HPV na gravidez?

    O tratamento do HPV na gravidez deve ser feito de acordo com a orientação do obstetra, que avalia o tamanho das lesões e onde elas estão localizadas. Nesse sentido, se a lesão estiver na parte externa da genitália, pode ter retirada com a ajuda de ácidos. 

    Caso sejam maiores e mais graves, será necessária a realização de uma cirurgia. Sendo assim, estes procedimentos estão liberados em qualquer fase da gestação. Porém, o ideal é que sejam feitos até a 34a semana, para garantir uma boa cicatrização antes do parto.

    Por outro lado, existem outros métodos utilizados para o tratamento e retirada das verrugas. Entretanto, eles não são indicados quando se tem HPV na gravidez. Desta forma, as técnicas contraindicadas nesta fase são a eletrocauterização, que estimula a contração uterina e os imunomoduladores, que podem oferecer riscos à gravidez.

    Vale ressaltar ainda que caso o HPV afete as células do colo uterino, o médico pode esperar para tratá-las após o parto. Assim, depois que o bebê nascer, as lesões devem ser rapidamente removidas.

    Pode ocorrer transmissão de HPV durante o parto?

    Se as lesões do HPV não tiverem tratamento durante a gravidez, existe um risco de transmissão do vírus para o bebê através do canal de parto. Isso pois o recém-nascido entra diretamente em contato com as células infectadas da vagina. Porém não é comum a criança se contaminar.

    Por esta razão, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, o parto normal não é contraindicado, e só se recomenda a cirurgia por cesariana se a mãe tiver lesões muito grandes.

    O que o HPV pode causar no bebê?

    Como já explicamos, a contaminação do recém-nascido pelo HPV não costuma ser uma ameaça à vida do pequeno. Isto ocorre, pois apesar do contato, o bebê na maioria das vezes consegue eliminar o vírus rapidamente do organismo. Entretanto, em alguns casos raros, o papilomavírus pode aparecer.

    Nesse sentido, a manifestação mais temida é a Papilomatose Respiratória Recorrente (PRR), um tumor benigno epitelial que atinge principalmente a laringe. Nesse sentido, a maioria das crianças apresenta a primeira manifestação da doença entre 2 e 4 anos de vida, sendo o sintoma mais comum a disfonia.

    Sendo assim, o crescimento progressivo das lesões pode resultar em dispneia e estridor, e em casos raríssimos, a doença é fatal devido à obstrução severa das vias aéreas ou por degeneração maligna. Como ainda não há um tratamento que erradique completamente o HPV, os médicos indicam cirurgias para a remoção das lesões e, em alguns casos mais recorrentes, ainda o uso de antivirais e a aplicação da vacina.

    Além das cordas vocais da criança, as verrugas também podem surgir na região gential, ocular e mucosa da boca e do nariz. 

    Quem tem o vírus do HPV pode amamentar?

    Após o nascimento do bebê, é aconselhado que a mulher seja novamente examinada para verificar a existência ou não do HPV. Caso ela ainda esteja com o vírus ativo, é preciso que ela continue o tratamento.

    Nesse sentido, se a mãe não tem verrugas em seus seios, não existe a menor chance de transmissão do vírus para o recém-nascido, pois o contágio ocorre por contato com a pele. Dessa forma, é importante ressaltar que o tratamento para o HPV no pós-parto não impede a amamentação, pois o papilomavírus não passa para o leite materno.

    Como se prevenir do HPV?

    O uso de preservativo sempre é um importante aliado na proteção contra o HPV. Porém, a vacina ainda é a melhor maneira de se proteger deste vírus, que pode causar câncer de colo de útero, de pênis, orofaringe e ânus.

    Por esta razão, no Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente a vacina quadrivalente contra o HPV, que se aplica em três doses, com intervalo de seis meses. Nesse sentido, as meninas devem ter imunização entre 9 a 14 anos, e os meninos com a idade entre 11 a 14. Além disso, também se recomenda a vacina para mulheres de até 26 anos. Porém, para este grupo, ela só está disponível em clínicas particulares.

    Vale ainda lembrar, que a partir do início da vida sexual, todas as mulheres precisam fazer o exame de Papanicolau regularmente. Desta maneira, o exame preventivo pode detectar a presença, ainda imperceptível, do vírus no colo do útero. Para as grávidas, por sua vez, se recomenda apenas até o quarto mês de gestação, não causando mal à cavidade uterina ou ao bebê.

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    30 de dezembro de 2020
  • Fase Lútea: entenda como ela influencia na gestação

    Conteúdo atualizado em 19/11/2025.

    A fase lútea é uma etapa fundamental do ciclo menstrual e desempenha um papel crucial na fertilidade feminina e influencia diretamente na preparação do corpo para uma possível gravidez. Neste conteúdo, você entenderá como essa fase funciona, sua duração e os impactos que pode ter na saúde reprodutiva.

    O que é fase lútea?

    A fase lútea é a terceira etapa do ciclo menstrual da mulher, que começa logo após a ovulação e vai até o dia anterior ao início da próxima menstruação.

    Durante esse período, o organismo passa a funcionar sob influência predominante da progesterona, um hormônio essencial para preparar o útero para uma possível gestação. É por isso que a fase lútea costuma ser chamada de “fase da preparação”: o corpo cria as condições ideais para a implantação de um embrião, mesmo que nem sempre isso aconteça.

    O desenvolvimento dessa fase varia a depender se o óvulo for fecundado ou não. Caso ocorra a fecundação, o corpo lúteo, uma pequena estrutura formada no ovário, continua ativo, sustentando a produção hormonal até que a placenta assuma esse papel.

    Dessa forma, se a mulher não engravidar, a etapa caracteriza-se pela síndrome pré-menstrual (TPM), marcada por sintomas físicos e emocionais causados pela queda repentina dos hormônios. Cada organismo manifesta esses sintomas de forma única, e compreender essa fase ajuda a lidar com os sinais do próprio corpo com mais autonomia e tranquilidade.

    Quais são as fases do ciclo menstrual

    Para entender melhor a fase lútea, é importante conhecer como funciona o ciclo menstrual, que começa com a fase folicular, segue para o período ovulatório e na sequência entra na fase lútea. Veja abaixo mais informações sobre as três etapas:

    Fase folicular

    A fase folicular é a primeira etapa do ciclo menstrual e acontece entre o primeiro dia da menstruação e a ovulação. Neste período, que dura, em geral, entre 12 e 16 dias, os folículos ovarianos crescem e começam a preparar o corpo para uma possível gravidez. 

    Nesse sentido, há um aumento da produção do hormônio folículo estimulante (FSH), que faz com que os folículos que contêm os óvulos se desenvolvam. Além disso, com esse amadurecimento, os folículos nos ovários também produzem mais estrogênio, hormônio responsável por tornar o revestimento do útero pronto para a ação da progesterona e para uma eventual gestação.

    Fase ovulatória

    A fase ovulatória é a segunda etapa do ciclo menstrual e consiste na ovulação. Neste momento, ocorre a liberação do óvulo maduro, que será captado pelas trompas de Falópio, onde poderá acontecer a fecundação. Como o óvulo sobrevive apenas 24 horas fora do ovário, é preciso que ele encontre os espermatozóides neste curto espaço de tempo para dar início a uma gravidez. 

    Dessa forma, considerando que os espermatozoides duram até 5 dias dentro do corpo da mulher, é possível que a gestação ocorra se o casal tiver relações sexuais até 5 dias antes da ovulação. Contudo, é importante ressaltar que o dia da ovulação varia conforme a duração do ciclo. Em muitos casos, ocorre no 14º dia, todavia, há mulheres que ovulam antes do 14 º dia ou alguns dias após.

    Fase lútea

    A fase lútea do ciclo menstrual é aquela que ocorre após a ovulação e é caracterizada pela formação do corpo lúteo, que serve para preparar o útero para uma possível concepção.  Nesse sentido, caso o óvulo tenha sido fecundado, ele é transportado até o útero e se fixa no endométrio. 

    Entretanto, caso não haja a fecundação, os hormônios femininos começam a reduzir gradativamente sua concentração no organismo, e o endométrio, que estava pronto para receber o embrião, passa a descamar. Essa descamação do endométrio constitui a menstruação que marca o início de um novo ciclo reprodutivo.  

    Como funciona o corpo lúteo: hormônios, papel e duração

    Após a ovulação, o folículo que liberou o óvulo se transforma no corpo lúteo, uma pequena estrutura amarelada localizada no ovário. Essa transformação marca o início da fase lútea e é um processo fundamental para a fertilidade.

    O corpo lúteo é responsável por produzir grandes quantidades de progesterona, além de quantidades menores de estrogênio. Esses hormônios têm a função de preparar e manter o revestimento do útero (endométrio) espesso, vascularizado e receptivo à implantação do embrião.

    Caso ocorra a fecundação, o corpo lúteo é mantido ativo pelo hormônio hCG, produzido pelo embrião em desenvolvimento. Se não houver fecundação, o corpo lúteo degenera gradualmente em cerca de 12-14 dias, o que leva à queda da progesterona e à menstruação.

    A atuação equilibrada do corpo lúteo é essencial não apenas para o início da gravidez, mas também para a sua manutenção nas primeiras semanas. Quando essa estrutura não se forma adequadamente ou produz pouca progesterona, podem surgir dificuldades para manter a gestação, especialmente em tratamentos como a fertilização in vitro (FIV).

    Fase lútea: como seu funcionamento afeta a gravidez?

    A fase lútea inicia após a liberação do óvulo no período fértil. Neste momento, surge um tecido amarelado chamado de corpo lúteo, que é bastante rico em colesterol e produz grandes quantidades de progesterona. O  hormônio, por sua vez, é o responsável por preparar o endométrio para viabilizar e manter a gestação. Nesse sentido, os demais hormônios ficam inibidos, já que a progesterona é quem domina este período.

     Veja abaixo as funções da progesterona produzida pelo corpo lúteo.

    Além disso, é fundamental esclarecer que a fase lútea desenvolve-se de dois modos diferentes: em função de o óvulo ter sido fecundado ou não. Veja abaixo o que acontece em cada situação: 

    Óvulo fecundado  

    Se o óvulo foi fecundado e o embrião implantado, as células que formarão a placenta começam a produzir um hormônio chamado gonadotrofina coriônica humana (hCG). Esse hormônio mantém o corpo lúteo, que continua a produzir progesterona até que o embrião em crescimento possa produzir seus próprios hormônios. Dessa maneira, os testes de gravidez são baseados na detecção de um aumento na concentração do hCG.

    Óvulo não fecundado 

    Se o óvulo não for fecundado ou se o óvulo fecundado não se implantar, o corpo lúteo se degenera após 14 dias. Por isso o folículo, que se encontra vazio, contrai-se, e os níveis de estrogênio e progesterona diminuem gradativamente.

    Este processo de regressão faz com que muitas mulheres tenham os sintomas pré-menstruais, como inchaço, irritabilidade, dor de cabeça, acne e dores nos seios. Depois disso, o endométrio, que estava preparado para receber o embrião, começa a se romper e, assim, é expulso pela menstruação.

    A temperatura basal do corpo e o que ela revela sobre a fase lútea

    Durante a fase lútea, é comum que o corpo registre um leve aumento na temperatura corporal basal, a menor temperatura atingida pelo corpo em repouso, geralmente medida ao acordar. Esse aumento ocorre devido à ação da progesterona, que tem efeito termogênico.

    Em ciclos ovulatórios saudáveis, a temperatura basal costuma subir de 0,3 °C a 0,6 °C após a ovulação e se mantém elevada durante toda a fase lútea. Essa elevação é um dos sinais indiretos mais confiáveis de que a ovulação ocorreu.

    Monitorar a temperatura basal diariamente pode ser uma ferramenta útil para pessoas que estão tentando engravidar ou simplesmente desejam conhecer melhor o próprio ciclo. A ausência desse aumento ou uma queda precoce na temperatura pode indicar insuficiência lútea ou outros desequilíbrios hormonais.

    Embora o método da temperatura basal não substitua exames clínicos, ele oferece um recurso acessível para observar padrões hormonais e identificar possíveis irregularidades no ciclo.

    Quanto tempo dura a fase lútea?

    A fase lútea, em média, tem duração de 11 a 16 dias, que pode variar de mulher para mulher e, também, de ciclo para ciclo. Porém, o mais comum entre as mulheres é que ela tenha, pelo menos, 14 dias. 

    Entretanto, se a duração do período for diferente do ideal, as mulheres devem ficar atentas, pois a possibilidade de gravidez pode diminuir. Saiba mais o que pode ocorrer na fase lútea curta e longa:

    Fase lútea curta

    Se a duração da fase lútea for igual ou inferior a 10 dias, a mulher deve consultar o seu médico, já que pode ser um indicador de insuficiência lútea. Neste caso, os níveis de progesterona são insuficientes para manter o revestimento endometrial normal, o que prejudicaria a implantação do embrião. Nesse sentido, esse déficit pode ser uma causa de infertilidade, pois o tempo de transporte do embrião, que sai das trompas em direção ao útero, é encurtado e, assim, ele não consegue  se fixar ao útero.

    Além disso, esta insuficiência de progesterona também pode ser causada por outras doenças endocrinológicas, como os transtornos da tireóide (hipotiroidismo e hipertiroidismo) distúrbios ovulatórios, exercícios físicos em excessos, ou hiperprolactinemia.

    Sintomas da fase lútea curta

    Existem alguns sintomas que podem fazer você suspeitar de uma fase lútea curta, como:

    • Aborto espontâneo; 
    • Dificuldade em engravidar;
    • Ciclos muito curtos.

    Diagnóstico da fase lútea curta

    Para diagnosticar a fase lútea curta, o médico pode solicitar um exame de sangue que examina os níveis de progesterona, que traduz a adequação do período.

    • Progesterona, que causa espessamento do revestimento do útero;
    • Hormônio luteinizante, que inicia a ovulação; 
    • Hormônio folículo-estimulante, que controla a função dos ovários.  

    Além disso, o ginecologista também pode prescrever um ultrassom pélvico para verificar o grau de espessamento do revestimento do útero.

    Tratamento da fase lútea curta

    Se constatada uma fase lútea menor do que a desejada, há formas de ajudar a prolongar este período. Nesse sentido, o uso de medicamentos à base de progesterona sintética pode fazer toda a diferença, e geralmente traz bons resultados.  

    Fase lútea longa

    A fase lútea longa é superior a 16 dias e não é necessariamente uma indicação de algo errado. Contudo, é preciso uma investigação médica para verificar o que está ocorrendo com a mulher.

    Causas para fase lútea longa

    • Excesso de produção de progesterona: a alta da progesterona não deixa que o endométrio se desfaça e, assim, não há uma brecha para a menstruação acontecer;
    • Em alguns casos, se associada a outros sintomas, a fase lútea longa pode ocorrer devido a um desequilíbrio hormonal, como a síndrome dos ovários policísticos (SOP); 
    • Possível gravidez: normalmente, esta é a causa mais provável de uma fase lútea maior do que a de costume. O corpo lúteo dá suporte a gravidez até que a placenta inicial assuma o seu papel. Isso se inicia por volta da 6 semana, porém a placenta assume totalmente esse papel somente a partir da 10-12 de gravidez. 

    Diagnóstico da fase lútea longa

    Para diagnosticar a fase lútea longa, o especialista prescreve exame de sangue laboratorial que examina os níveis dos hormônios envolvidos. Além disso, pede uma ultrassonografia.

    Teste de gravidez na fase lútea: saiba como escolher a data certa

    O teste de gravidez deve ser feito após a fase lútea. Todavia, como nem todas as mulheres sabem exatamente de quantos dias é a sua, recomenda-se que o teste aconteça após cinco dias do atraso menstrual.

    Assim, fazer o teste cedo demais pode dar um resultado falso-negativo, já que o  hCG pode não estar ainda em níveis detectáveis  no corpo. Nesse sentido, a indicação vale principalmente para as mulheres que têm o período mais longo do que a média.

    Perguntas frequentes sobre a fase lútea

    Sabemos que entender todas as fases do ciclo menstrual pode gerar dúvidas — especialmente quando o desejo de engravidar está presente ou quando surgem sinais que fogem do padrão.

    Por isso, reunimos abaixo respostas claras e objetivas para as perguntas mais frequentes sobre a fase lútea, seu papel na fertilidade e o que observar no próprio corpo.

    Posso engravidar durante a fase lútea?

    Não. A fase lútea acontece após a ovulação, quando o óvulo já foi liberado e sobrevive por até 24 horas. Se ele não foi fecundado nesse período, a gravidez não ocorrerá nesse ciclo. Por isso, a janela fértil está no período que antecede a ovulação — não na fase lútea.

    Como saber se estou na fase lútea?

    A fase lútea começa logo após a ovulação e termina com o início da menstruação. Em geral, dura entre 11 e 16 dias. Algumas mulheres percebem essa fase por meio de sintomas como sensibilidade mamária, aumento da temperatura basal, leve inchaço ou alterações de humor. O uso de aplicativos de monitoramento ou exames hormonais pode ajudar a identificar com mais precisão.

    Fase lútea prolongada é sinal de gravidez?

    Pode ser. Se a fase lútea ultrapassa os 16 dias sem menstruação, especialmente em ciclos regulares, existe a possibilidade de gestação. Isso ocorre porque o corpo lúteo continua ativo quando o embrião é implantado e começa a liberar o hormônio hCG. Nesses casos, recomenda-se fazer um teste de gravidez.

    Toda mulher tem a mesma duração de fase lútea?

    Não. Embora a média seja de 14 dias, a duração pode variar entre 11 e 16 dias, dependendo de cada organismo. O mais importante é que essa fase seja consistente de ciclo para ciclo. Variações abruptas ou fases muito curtas podem indicar desequilíbrios hormonais e devem ser investigadas.

    A suplementação com progesterona altera a duração da fase lútea?

    Sim, em casos de insuficiência lútea, a suplementação com progesterona pode estender e estabilizar a fase lútea, melhorando a receptividade do endométrio para a implantação do embrião. O uso, no entanto, deve ser sempre prescrito e monitorado por um especialista.

    Entender seu ciclo é o primeiro passo para realizar seu sonho

    A fase lútea é muito mais do que uma etapa do ciclo menstrual, ela é um indicador importante da saúde hormonal, da receptividade uterina e das reais chances de gestação em cada ciclo.

    Para quem está planejando engravidar, seja de forma natural ou com apoio médico, compreender essa fase com profundidade é uma forma de tomar decisões mais conscientes, informadas e conectadas com seus objetivos.

    Na Nilo Frantz Medicina Reprodutiva, cada paciente é acompanhada de forma personalizada, com base em evidências científicas e, acima de tudo, com respeito ao seu tempo, à sua história e às suas escolhas.

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    18 de novembro de 2020
  • Reposição hormonal: discussões sobre riscos e benefícios

    Antes de começarmos a falar sobre reposição hormonal, é preciso entender o que é menopausa, quando acontece e o que ela causa nas mulheres. Nesse sentido, a menopausa é o termo usado para designar a última menstruação da mulher. Ou seja, é o momento em que o corpo para de produzir os hormônios estrogênio e progesterona, marcando o final da fase reprodutiva feminina, que começa na puberdade e perdura aproximadamente 35 anos. 

    Geralmente, a menopausa acontece entre 45 e 55 anos e vem acompanhada por um conjunto de sintomas desagradáveis. Eles podem interferir no dia a dia e afetar a saúde de muitas mulheres.

    Dessa forma, para enfrentar este período turbulento, existe um tratamento à base de reposição hormonal que ajuda a minimizar os sintomas. Porém, ele também pode trazer alguns riscos para a saúde da mulher. Saiba mais ao longo do texto!

    Quais são os sintomas da menopausa?

    O período da menopausa é caracterizado por diversas transformações físicas e emocionais, que decorrem do desequilíbrio e da diminuição na produção de hormônios femininos pelos ovários (estrogênio e progesterona).

    Além disso, é o estrogênio que fixa o cálcio nos ossos. Nesse sentido, após a menopausa e durante o climatério, grande parte das mulheres começa a perder este mineral, podendo levar a osteoporose. Dessa maneira, é muito comum mulheres pós-menopausa sofrerem mais fraturas pelo corpo.

    Risco cardiovascular na menopausa

    Os sintomas já citados, por mais incômodos que sejam, não representam risco de vida para as mulheres. Entretanto, sabe-se também que a diminuição da produção hormonal na menopausa aumenta as chances do aparecimento de doenças cardiovasculares. Isto ocorre pois as artérias coronárias femininas ficam mais rígidas com a ausência dos hormônios. Assim, muitas mulheres podem ter mais chances de infartos neste período.

    Além disso, a falta do estrogênio pode aumentar o LDL (colesterol ruim) e diminuir o HDL (bom colesterol). Nesse sentido, este desequilíbrio das gorduras no sangue também pode elevar os riscos de ataques cardíacos ou doenças cardiovasculares.

    Ainda, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as doenças cardíacas e vasculares são responsáveis por 1/3 de todas as mortes de mulheres no mundo. Nesse sentido, o número se aproxima de 8,5 milhões de óbitos por ano e cerca de 23 mil mortes por dia.

    Reposição hormonal: debate entre riscos e benefícios

    Uma das alternativas para driblar o desconforto da menopausa é a reposição hormonal. Porém, ainda não há consenso médico a respeito desse tratamento que apresenta benefícios, mas que também pode trazer alguns riscos para a saúde.

    Dessa forma, sabe-se que a reposição hormonal reduz os sintomas desagradáveis da menopausa, diminui a mortalidade cardiovascular quando realizada até os 60 anos e evita a osteoporose. Entretanto, o tratamento pode aumentar consideravelmente a possibilidade de doenças como o câncer de mama e de endométrio, além de ser fator de risco para trombose e AVC (acidente vascular cerebral).

    Por esta razão, para saber se a reposição hormonal é uma opção de tratamento adequado para a mulher, é imprescindível que ela converse com o médico ginecologia e cardiologista. Nesse sentido, em um contexto adequado, a reposição pode melhorar a qualidade de vida da paciente, principalmente se ela está muito sintomática. No entanto, para seguir o tratamento é necessária uma avaliação individualizada, pois ele é contraindicado, por exemplo, quando já há histórico de câncer de mama na família.

    Confira abaixo os benefícios e os riscos da reposição hormonal: 

    Benefícios do tratamento da menopausa 

    • Melhoras em problemas do sono: Mulheres na menopausa e no climatério têm problemas de sono por conta dos suores noturnos. Por outro lado, elas também podem ter dificuldades para dormir, mesmo que não apresentem os calorões. Nesse sentido, o indicado é o tratamento com estrógeno;
    • Prevenção da osteoporose: A reposição hormonal previne a perda óssea e reduz as chances de fraturas por osteoporose na pós-menopausa, principalmente para mulheres com menos de 60 anos;
    • Prevenção de doenças cardíacas: As doenças cardiovasculares também podem ser prevenidas com o tratamento, já que a reposição hormonal age beneficamente nos níveis do colesterol (HDLe LDL), diminuindo a possibilidade de doença coronariana;
    • Melhora na vida sexual: A terapia hormonal ajuda a melhorar a satisfação sexual da mulher ao aliviar os sintomas da menopausa, como ressecamento vaginal e dor durante o sexo. Esses sintomas atingem cerca de 45% das mulheres neste período;
    • Prevenção da demência: Alguns especialistas acreditam que o tratamento com estrogênio pode ser útil para prevenir a demência, caso realizado nos primeiros anos após a menopausa;
    • Diminuição da depressão: Muitas mulheres têm ansiedade ou depressão durante a transição para a menopausa. Alguns estudos mostram que o tratamento com estrogênio ajuda a melhorar o humor e a diminuir a depressão. No entanto, algumas mulheres precisam de tratamento tanto com estrogênio quanto com um antidepressivo para se sentir melhor.

    Riscos do tratamento da menopausa

    • Câncer de mama: Existe um pequeno aumento do risco de câncer de mama em mulheres que fizeram o tratamento combinado com estrogênio-progestágeno, e risco menor com uso de estrogênio isolado. Cabe ressaltar, ainda, que a chance de aparecer a doença cresce quando o tempo de tratamento é maior (principalmente acima de 5-10 anos). O risco desaparece após cinco anos do término da terapia;
    • Câncer de endométrio: Existe um risco aumentado de câncer de endométrio em pacientes com útero que fazem terapia isolada com estrogênio;
    • Ataque cardíaco e AVC: Existem evidências de benefícios cardiovasculares quando a reposição hormonal é iniciada na transição menopáusica ou nos primeiros anos após a menopausa (chamado de “janela de oportunidade”). No entanto, há evidências de riscos cardiovasculares quando a terapia hormonal é iniciada tardiamente. 

    Contudo, outros fatores como alimentação, presença ou não de obesidade e realização de atividade física também interferem nos efeitos cardiovasculares. Além disso, o uso dos hormônios sintéticos podem elevar o risco de acidente vascular cerebral (AVC), com tromboembolismo pulmonar (TEP)

    Como o tratamento de reposição hormonal é feito?

    Nem todas as mulheres precisam se preocupar em repor os hormônios durante a menopausa. Nesse sentido, ele é indicado para aquelas mulheres que têm sintomas moderados e intensos e que podem se beneficiar com a reposição hormonal.

    Dessa forma, existem muitas formas de fazer o TRH (tratamento de reposição hormonal). Alguns métodos combinam o estrogênio e progesterona, enquanto outros usam somente estrogênio. Além disso, a reposição hormonal pode ocorrer de diferentes maneiras, incluindo comprimidos, géis e adesivos.

    Assim, os hormônios usados, a dosagem, a forma de administração e o tempo de uso serão determinados pelo médico após avaliação criteriosa e levando em conta a necessidade de cada paciente.

    Vale lembrar, também, que as mulheres que retiraram o útero não precisam da reposição da progesterona. Já as pacientes que não fizeram esse procedimento devem receber, além do estrogênio, a progesterona ou um progestágeno sintético. 

    Qual o período para fazer a reposição hormonal?

    Quem opta pela reposição hormonal, deve começar o tratamento antes dos 60 anos de idade ou até 10 anos após o fim dos ciclos menstruais. Já o tempo de suspensão da medicação é individualizado e depende de cada paciente. Em geral, os médicos recomendam doses baixas dos hormônios no menor tempo possível.

    Reposição hormonal x mulheres brasileiras: entenda o comportamento

    A reposição hormonal ainda é uma das principais indicações para atenuar os sintomas da menopausa em mulheres de meia-idade. Entretanto, um estudo recente desenvolvido na Faculdade de Ciências Médicas (FCM), de Campinas, revela que o número de mulheres que utilizam a terapia hormonal no país vem caindo com os anos. 

    A pesquisa gerou um artigo científico e foi publicado na revista Menopause, da Sociedade Norte-Americana de Menopausa. Segundo o estudo, somente 19,5% das mulheres utilizam atualmente a terapia hormonal (TH) no Brasil.

    Por outro lado, uma investigação realizada pelo mesmo grupo em 2003, mostrou que naquele ano 37% das mulheres fizeram reposição hormonal no país. Essa tendência de queda, que também se confirma mundialmente, tem sido atribuída ao efeito de uma divulgação da Women’s Health Initiative (WHI), de 2002. A publicação é que trouxe à tona os riscos da reposição hormonal associados ao câncer de mama e endométrio, além de maiores chances de trombose e Avc em mulheres na menopausa.

    Reposição hormonal fitoterápica – como funciona?

    Com tanta polêmica sobre o uso dos hormônios sintéticos na reposição hormonal, alguns médicos têm indicado a terapia hormonal à base de fitoterápicos. Porém, ainda não há consenso sobre os reais efeitos positivos das plantas medicinais. 

    Contudo, a Anvisa reconhece, com base no uso tradicional e não em pesquisas, algumas plantas que possuem flavonóides e que podem atuar no organismo como repositores hormonais para o climatério. Tal reconhecimento tem como base o uso tradicional e não em pesquisas.

    Nesse sentido, um dos mais famosos é a isoflavona, um fitoestrógeno que se comporta como hormônio e é encontrado na soja. Este suplemento alimentar deve ser tomado diariamente durante os primeiros meses da menopausa, até que o corpo da mulher se habitue a inatividade dos ovários. 

    Entretanto, assim como na reposição hormonal sintética, é muito importante que as mulheres, antes de adotar o tratamento fitoterápico, consultem um especialista. Afinal, plantas também têm limitações e efeitos adversos. 

    Menopausa sem reposição hormonal

    Para as mulheres que estão na menopausa e não fazem a reposição hormonal, existem outras formas de tentar amenizar os sintomas e cuidar da saúde.

    Menopausa e o sonho de ser mãe

    Como já vimos anteriormente, a menopausa é o momento em que o corpo feminino para de produzir os hormônios estrogênio e progesterona. Dessa forma, não existe mais ovulação, marcando o final da fase reprodutiva da mulher. Entretanto, existem mulheres que ainda têm o sonho de serem mães, mesmo entrando na menopausa.

    É possível isto ocorrer? A resposta é sim! Graças à medicina reprodutiva, as mulheres que entraram na menopausa precocemente (por voltas dos 32 anos) ou até mesmo as que estão acima dos 45 anos conseguem engravidar, desde que estejam com uma boa saúde.

    Nestes casos, os especialistas em reprodução assistida optam por uma fertilização in vitro (FIV) combinada com a ovodoação, sistema de doação de óvulos que é permitido no Brasil. Se você está nesta situação e tem interesse em saber mais sobre o assunto, baixe o nosso e-book ovodoação.

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    28 de outubro de 2020
  • Teste de gravidez: saiba tudo sobre os métodos disponíveis

    O teste de gravidez é um exame realizado para confirmar se uma mulher está ou não grávida. Dessa forma, ele é útil quando a mulher desconfia de que possa estar gestando um bebê. Seja por atraso na menstruação ou por sintomas que indicam uma possível gestação, a forma de confirmar ou descartar esta suspeita é fazendo de um teste de gravidez.

    Nesse sentido, o diagnóstico pode ser realizado através de testes que medem a quantidade do hormônio Gonadotrofina Coriônica Humana (Beta hCG) na urina ou no sangue. Como esse hormônio só é produzido durante uma gestação, a sua presença ou ausência no corpo determina se existe ou não uma gravidez.

    Teste de gravidez e o Beta hCG sanguíneo: qual a relação? 

    A Gonadotrofina Coriônica Humana (hCG) é um hormônio produzido pelo corpo desde o início da gestação, primeiro pelo embrião e depois pela placenta. Nesse sentido, sua produção começa de 6 a 8 dias após a fecundação, no momento em que há implantação do embrião (nidação) na parede do útero. 

    Conforme a gravidez vai evoluindo, uma quantidade maior de hCG vai sendo lançada na circulação materna. Dessa forma, nas primeiras semanas de gestação, os níveis de hCG dobram a cada 2 ou 3 dias, podendo chegar até mais de 250.000 mIU/ml, o que ocorre por volta da 10ª semana. Sendo assim, o teste de gravidez é responsável por detectar tal elevação do hormônio no corpo da mulher. 

    Cabe ressaltar, ainda, que a dosagem sanguínea do hCG, analisada através de análise laboratorial, é o método mais confiável para se diagnosticar uma gravidez. Nesse sentido, como costuma-se medir apenas a fração beta deste hormônio, o exame de sangue é chamado de beta hCG (BhCG). Além disso, a presença do hCG no organismo feminino pode ser detectada também através da urina, seja em exame laboratorial ou em testes de gravidez vendidos em farmácias.

    Tipos de teste de gravidez: veja diferenças entre eles

    Existem diferentes testes de gravidez utilizados para comprovar se uma mulher está gestando um filho. Nesse sentido, os exames são muito simples e podem ser realizados a partir do sangue ou da urina. Veja como cada um funciona:

    Testes de laboratório:

    Os testes de gravidez laboratoriais consistem na coleta de sangue ou de urina, feitos em laboratório de análises clínicas, para a dosagem do hormônio hCG. Dessa forma, o exame de urina pode ser realizado do 7º ao 10º dia posterior a provável concepção (fecundação do óvulo). 

    Já a dosagem do Beta hCG no sangue, forma mais confiável de diagnosticar uma gravidez, pode ser feita até 1 semana antes do atraso menstrual. Contudo, para evitar a ocorrência de falso-negativos, o mais seguro é realizar o teste após a falha da menstruação.

    Confira os possíveis resultados:

    HCG Qualitativo

    O teste beta hCG Qualitativo detecta se há presença do hormônio no sangue. Nesse sentido, o resultado do exame indica apenas se é positivo (reagente) ou negativo (não reagente). 

    Veja abaixo os valores de referência do beta hCG:

    valores de referência do beta hCG

    HCG Quantitativo

    O exame hCG Quantitativo mede a quantidade circulante do hormônio no sangue e, também, apresenta uma estimativa do tempo de gestação. Além disso, os resultados do beta hCG quantitativo também podem indicar problemas como gravidez ectópica, aborto ou gravidez anembrionária. Nesse casos, os valores do hormônio geralmente são inferiores aos esperados para a idade gestacional da gravidez.

    Confira as possíveis interpretações do exame qualitativo: 

    Possíveis interpretações para o exame qualitativo

    Além disso, é importante ressaltar que os valores de referência para positivo e negativo podem variar de um laboratório para outro. O mesmo acontece em relação aos parâmetros para determinar as semanas de gravidez.

    Teste de farmácia: 

    Os testes de gravidez vendidos em farmácias são dispositivos simples que detectam a presença do hCG na urina. Isso é possível pois o exame possui o anticorpo monoclonal anti HCG, que gera uma reação química ao entrar em contato com o hCG, hormônio específico da gravidez. Dessa forma, basta a mulher urinar em uma fita reativa, ou colocá-la em contato com a urina coletada em um pote, e esperar para ver se há reação. 

    De forma geral, os testes de farmácia são muito confiáveis quando utilizados de forma correta, seguindo todas as instruções de uso. Além disso, o período ideal para realizar o teste e o tempo para reagir, bem como a forma de demonstrar o resultado, varia entre as diferentes opções e marcas do mercado. 

    Nesse sentido, é importante destacar que as concentrações de hCG na urina são menores que no sangue. Portanto, os testes de farmácia demoram um pouco mais para reagirem ao hormônio. 

    Embora alguns produtos garantam eficiência na testagem antes mesmo do atraso da menstruação, o mais seguro é fazer o teste com pelo menos 2 dia de atraso menstrual, ou então, após uma semana, quando a sensibilidade fica entre 95% a 99%. De qualquer forma, o resultado do teste de gravidez de farmácia sempre pode ser confirmado depois através de um exame de sangue laboratorial.

    Possíveis resultados do teste de farmácia e suas diferentes apresentações:

    Resultado Positivo: significa que e mulher está grávida 

    • Duas riscas;
    • Duas riscas, sendo a segunda borrada (indica pouca quantidade do hormônio beta-hCG);
    • Um linha mais escura;
    • O Símbolo “+” (positivo); 
    • Palavra Grávida ( com ou sem indicativo de número de semana);

    Resultado Falso Positivo: apesar de raro, pode acontecer em algumas situações

    • Se a mulher estiver tomando remédios que contenham hCG (geralmente mulheres em tratamento para infertilidade);
    • Se a mulher tiver dado a luz ou abortado há menos de 8 semanas;
    • Algumas doenças raras podem produzir hCG, a mais conhecida é a mola hidatiforme, um tumor do tecido placentário.

    Resultado Negativo: significa que a mulher não está grávida

    • Uma risca;
    • Uma linha sem alteração na cor/intensidade;
    • O Símbolo “-” (negativo);
    • Palavras não-grávida.

    Resultado Falso Negativo: pode acontecer quando

    • O teste é realizado cedo demais e o hCG ainda não é detectável na urina. Na dúvida, o ideal é repetir o exame depois de alguns dias;
    • A fita não ficou em contato com a urina pelo tempo necessário, impedindo que o teste identifique o hormônio presente na urina; 
    • A urina usada no teste está muito diluída. Desta forma, o recomendado é utilizar a primeira urina da manhã e não beber muito líquido antes de fazer o exame.

    Ultrassonografia

    Outra forma segura de realizar o teste de gravidez é através da ultrassonografia, que é um exame de imagem. Nesse sentido, a partir da 5ª semana de gravidez já é possível identificar o saco gestacional pela ultrassonografia transvaginal. O exame também pode ser realizado a partir da 7ª semana, por uma ultrassonografia abdominal. 

    Além disso, o ultrassom mostra também o embrião e seus batimentos cardíacos. Sendo assim, ele confirma a gravidez.

    Testes de gravidez caseiros 

    Lendas populares falam sobre testes de gravidez caseiros utilizando água sanitária, refrigerante de cola, vinagre, pasta de dente, entre outros produtos. Mas atenção: esses testes não têm embasamento científico e não servem para diagnosticar ou descartar uma gravidez. Além de ineficientes, ainda podem ser perigosos, pois a reação da urina com cloro ou com a água sanitária pode liberar gases tóxicos.

    Como se preparar para fazer um teste de gravidez ?

    Como vimos, os testes de gravidez, tanto laboratoriais como os de farmácia são a forma de confirmar se uma gravidez está em curso. Dessa forma, para garantir a eficiência dos resultados, a mulher deve observar algumas dicas e recomendações:

    Testes de sangue em laboratório:

    • Não é necessário jejum para fazer o exame beta quantitativo ou qualitativo;
    • Podem ser realizados em qualquer período do dia.

    Testes de gravidez de farmácia: 

    • Verifique o prazo de validade do teste de gravidez;
    • Siga as instruções de uso;
    • Faça o teste no período (dia) indicado por cada laboratório, pois a sensibilidade do exame varia entre os fabricantes;
    • Use de preferência a primeira urina do dia se você for testar precocemente (antes do atraso menstrual);
    • Não beba líquido demais antes do teste pois pode diluir os níveis de hCG na urina;
    • Escolha o tipo do teste: Se optar pelo teste diretamente no fluxo da urina, certifique-se de estar com o teste pronto para uso. Portanto, se for coletar uma amostra, tenha um recipiente limpo em mãos para usar;
    • Use um cronômetro para marcar o tempo de espera.

    Teste de gravidez: confira os principais mitos e dúvidas 

    O momento de fazer um teste de gravidez pode gerar muitas dúvidas, seja em relação a fatores que podem influenciar o resultado, ou também, sobre como se preparar para realizar o exame. Saiba as respostas destas questões abaixo:

    Medicamentos podem interferir no resultado do teste de gravidez?

    Sim, alguns medicamentos podem impactar nos testes de gravidez. Por isso, se você for realizar um exame laboratorial, é prudente avisar que está fazendo uso de um desses medicamentos:

    • Tranquilizantes;
    • Diuréticos;
    • Medicamentos para tratamento de Parkinson;
    • Medicamentos para tratamento de infertilidade;
    • Anticonvulsivantes;
    • Prometazina (muito utilizada para tratar de alergias).

    O teste de gravidez é alterado pelo uso de álcool?

    Não. O uso de álcool, bem como de outras substâncias e alguns medicamentos, não altera os resultados de exames de gravidez. Veja o que não interfere nos testes de gravidez:

    • Uso de antibióticos;
    • Consumo de álcool;
    • Uso de anti-inflamatórios;
    • Utilização de anticoncepcionais;
    • Uso de citrato de clomifeno.

    O teste de gravidez pode indicar o sexo do bebê ou se a gestação é múltipla?

    Não. Testes de farmácia não possibilitam identificar o sexo do bebê. Da mesma forma, eles também não detectam se a gestação é múltipla.

    Gravidez psicológica pode dar o resultado positivo no teste? 

    Não. A gravidez psicológica não acusa um resultado positivo em testes de gravidez. Todavia, se o teste for realizado no período em que há um pico no hormônio ovulatório, o exame pode indicar um falso positivo com coloração fraca.

    Há contraindicações em fazer o teste de gravidez?

    Não há contraindicações para o teste de gravidez.

    Agora que você já está bem informada sobre testes de gravidez, faça download gratuitamente do nosso infográfico sobre os 5 sintomas que se pode ter ao engravidar! Você pode acessá-lo clicando na imagem abaixo:

    Banner Infográfico 5 Sintomas de Gravidez
    21 de outubro de 2020
  • Prolactina alterada: quais as consequências para a gravidez?

    A prolactina, também chamada pela sigla “PRL”, é um hormônio produzido pela glândula hipófise, que fica localizada na parte inferior do cérebro. Uma das principais funções da prolactina é estimular a produção de leite pelas glândulas mamárias, para que ocorra a amamentação após o parto. Por esta razão, recebeu o nome popular de “hormônio do leite”.

    Além disso, fora do período gestacional, a prolactina também controla outros hormônios femininos. Nesse sentido, ela está envolvida na regulação da menstruação e da ovulação.

    Vale lembrar que a hipófise, além de produzir a prolactina, é ainda responsável pela produção de outros hormônios que determinam funções importantes do organismo, como as gônadas, supra renais e tireoide. Sendo assim, recomenda-se verificar os níveis de prolactina e suas respectivas alterações, como um balizador da hipófise. Dessa maneira, se a prolactina estiver alterada, o médico poderá investigar uma série de complicações no organismo que podem, inclusive, afetar a fertilidade feminina e masculina.

    Tenho prolactina alta? Descubra sintomas e causas

    De acordo com a literatura médica, o aumento da produção da prolactina provoca a hiperprolactinemia, doença que pode atingir tanto mulheres quanto homens em idade adulta fértil (entre 20 a 50 anos).

    Nesse sentido, nas mulheres, pode causar alteração menstrual e infertilidade. Já nos homens, gera impotência sexual por prejudicar a produção de testosterona, além de aumentar as mamas (ginecomastia).

    Sintomas:

    Quando a prolactina está alta, vários sinais e sintomas podem atingir os pacientes. Confira os principais: 

    • Infertilidade;
    • Falta de libido;
    • Dor durante o ato sexual (dispareunia); 
    • Menstruação irregular (oligomenorreia);
    • Ausência de menstruação (amenorreia);
    • Produção de leite sem gestação (calactorreia);
    • Disfunção erétil;
    • Aborto espontâneo;
    • Dores de Cabeça (suspeita de tumor na hipófise);
    • Alterações visuais (suspeita de tumor na hipófise).

    Causas:

    Muitos fatores podem levar uma pessoa a apresentar alteração na produção de prolactina. As causas podem ser fisiológicas, farmacológicas e patológicas:

    • Fisiológica: o próprio organismo, por necessidade, aumenta a liberação de prolactina no sono, no stress físico e psicológico, na gravidez, durante a amamentação e no orgasmo sexual;
    • Farmacológica: a alta da prolactina também pode se relacionar ao uso de algum medicamento. Assim, qualquer droga que modifique a liberação da dopamina induz a alterações da prolactina. 

    Além disso, alguns medicamentos que têm a possibilidade de interferir são: antipsicóticos, antieméticos (reguladores da motilidade gástrica), metoclopramida e domperidona. Os anti-hipertensivos, antiácidos, opioides (estimuladores da secreção de dopamina), alguns antidepressivos e estrógenos (hormônios sexuais) também estão nessa lista.

    • Patológica: outra causa do aumento do hormônio é quando envolve alterações no bom funcionamento do organismo, como:
      • Lesões do Hipotálamo ou da Haste Hipofisária: a dopamina tem a capacidade de inibição da secreção de prolactina. Sendo assim, quando há problema na liberação dela, a produção de prolactina não tem controle, e a hipófise secreta o hormônio em maiores quantidades;
      • Tumores secretores de Prolactina: tumores do tipo Prolactinomas são produtores de Prolactina;
      • Demais lesões da hipófise: massas tumorais que não estejam relacionadas com tumores secretores de prolactina também podem induzir o aumento do hormônio, pois eles comprimem a haste hipofisária. Portanto, diminuem a comunicação inibitória da dopamina e a hipófise.
      • Demais Causas: hipotiroidismo, síndrome dos ovários policísticos, estimulação periférica neurogênica, falência renal ou cirrose hepática. 

    Exame de prolactina: como funciona?

    O exame de prolactina é fundamental para verificar como andam os níveis do hormônio no corpo. 

    Nesse sentido, acontece por meio de coleta de sangue, e o resultado sai, aproximadamente, em um dia. Contudo, os valores de referência da prolactina podem variar de acordo com o laboratório e o método de análise realizado.

    Quando a prolactina está acima de 100 ng/mL, a causa mais comum é o uso de remédios ou a presença de micro tumores. Por outro lado, quando os valores estão acima de 250 ng/mL, provavelmente, se trata de um tumor maior.

    Além disso, para realizar o exame, é importante estar atento a algumas recomendações.

    Gravidez e prolactina elevada: atenção para os riscos

    A prolactina elevada ocorre em aproximadamente 0.5% da população geral. Nesse sentido, pode causar infertilidade por promover alterações na produção dos hormônios FSH (folículo-estimulante) e LH (hormônio luteinizante). Eles são responsáveis pela estimulação das gônadas (testículo e ovários).

    Isto ocorre pois a prolactina tem também a função de inibir a secreção destes hormônios. Sendo assim, se a prolactina estiver alta e fora da normalidade, resulta na diminuição do LH e do FSH. Nesse sentido, a deficiência dos hormônios sexuais pode gerar diminuição do desejo sexual (libido), impotência, infertilidade, menstruação irregular ou ausência de menstruação. 

    Em muitos casos, a alteração da prolactina pode acontecer por meio de medicamentos. Caso o nível do hormônio seja estabilizado, a paciente consegue retomar a função ovariana, assim como a menstruação e a fertilidade.

    Nos casos mais graves, quando identifica-se um tumor maior na hipófise (adenoma), o tratamento é cirúrgico e, na maioria das vezes, o problema é solucionado.

    Nesse sentido, se a paciente com histórico de hiperprolactinemia engravidar, o acompanhamento pré-natal deverá ser mais cuidadoso do que o normal, já que, durante a gravidez, a mulher tem muitas alterações hormonais.

    Entretanto, se a paciente passar por ambos os tratamentos e mesmo assim não conseguir engravidar, é possível que a causa da infertilidade relacione-se a outra condição. Desta forma, ela deve recorrer a um especialista em reprodução assistida que vai avaliar o caso, e possivelmente sugerir um tratamento de fertilização in vitro.

    Tratando as alterações de prolactina com tranquilidade

    Como já abordamos anteriormente, a alteração da prolactina deve-se a vários fatores e, de uma maneira geral, há tratamento para todos. Nesse sentido, nos casos onde a hiperprolactinemia é causada pelo uso de remédios, é preciso avaliar com o médico a possibilidade de trocar o medicamento por outro que não interfira na produção de prolactina. 

    Quando a causa é um adenoma (tumor na hipófise), deve-se realizar o tratamento com medicamentos, como Cabergolina e Bromocriptina, que normalmente reduzem o seu tamanho. Apenas em casos mais raros pode ser necessário fazer cirurgia e/ou radioterapia. Entretanto, a indicação destes tratamentos só são para tumores agressivos ou malignos.

    Dessa forma, vale lembrar aos casais que possuem o desejo de ter um filho que iniciem o tratamento com antecedência. Alguns até conseguem engravidar com níveis de prolactina entre 50 a 60 ng/mL. Porém, pode ser preciso baixar ainda mais esses valores com o uso de remédios ou através de outros tratamentos. Se você está nesta situação, baixe nosso e-book “Não adie o seu sonho” e tire suas dúvidas sobre gravidez.

    Faça download do nosso guia de tratamentos para reprodução assistida
    23 de setembro de 2020
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