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  • Homem trans pode engravidar? Tire todas as dúvidas sobre o assunto

    Você sabia que homem trans pode engravidar? O primeiro caso foi registrado nos Estados Unidos, em 2008, e desde então a gestação transexual masculina tem se tornado cada vez mais comum.

    No texto a seguir explicamos todas as dúvidas sobre o assunto. Assim, saberemos como um homem trans pode engravidar, se há risco ou dificuldade para uma gestação e se é possível amamentar o bebê. 

    O que é ser transgênero?

    Antes de mais nada, é importante explicar que uma pessoa transgênero tem uma identidade de gênero diferente do sexo designado no momento do nascimento. Ou seja, ela não se identifica com o gênero ao qual foi designado, baseado em seu sexo biológico.

    Sendo assim, a pessoa trans pode ser tanto uma trans-binária, como um homem trans ou mulher trans. Da mesma forma, pode ser uma pessoa não-binária (como os gender fluid), aquela que não se identifica com nenhum dos gêneros ou, então, se identifica com ambos.

    Vale ainda esclarecer que a identidade de gênero é diferente da sexualidade. Assim, pessoas trans podem ter qualquer orientação sexual, incluindo heterossexual, homossexual, bissexual e assexual.

    Homem trans pode engravidar?

    Os homens trans são pessoas que nasceram com os órgãos reprodutores femininos. Porém, ao longo do tempo, passam a se reconhecer como pertencentes do gênero masculino.

    Desta forma, uma pessoa trans pode passar por uma cirurgia de redesignação sexual, ou tratamentos hormonais. 

    No caso do homem trans é possível retirar as mamas e os órgãos femininos. No entanto, uma vez que se mantém os ovários e o útero, ele tem a possibilidade de engravidar e gerar um filho.

    Primeiro Caso de Gravidez em Homens Trans

    O primeiro homem transexual a engravidar foi o americano Thomas Beatie que em 2008, após descobrir que sua esposa era estéril, decidiu que iria gestar o filho do casal. Nesse sentido, ele recorreu a um banco de sêmen e com a ajuda da técnica de inseminação artificial conseguiu engravidar. 

    Isto foi possível, pois Beatie passou por uma mastectomia (retirada dos seios), mas manteve seu útero e ovários. Desta forma, para poder engravidar, ele parou de tomar as doses de testosterona e assim voltou a ovular naturalmente. 

    Assim, mesmo sendo homem trans, ele teve a possibilidade de engravidar e gerar um bebê. 

    Homem trans pode engravidar alguém?

    Sim, um homem trans pode engravidar alguém enquanto seus óvulos podem ser utilizados para gerar um embrião que será gerado por outra pessoa. Para isso é preciso utilizar a técnica de Fertilização In Vitro para que a gestação aconteça. Desta forma podemos considerar que ele participou ativamente da gravidez.

    O homem trans pode engravidar tomando hormônio?

    Naqueles que possuem altos níveis de testosterona, é necessário baixar os níveis hormonais para o típico feminino por um período não especificado ainda, mas calculado entre 03 a 06 meses de interrupção.

    A partir disso, a gravidez e os procedimentos do parto são tipicamente os mesmos que os feitos em qualquer outra pessoa grávida. 

    Qual tamanho mínimo do útero para homem trans engravidar?

    Ao fazer o tratamento com o hormônio masculino, existe uma alteração nos órgãos reprodutivos femininos, que acabam atrofiando. No entanto, ao parar com a medicação, em alguns meses o útero e ovários voltam ao tamanho normal durante a idade fértil.

    Como o homem trans pode engravidar?

    Como já vimos, homens trans podem engravidar naturalmente, desde que possuam o aparelho reprodutor feminino. No entanto, é necessário pausar o uso da testosterona antes e durante a gestação e a amamentação. 

    Nesse sentido, ao parar o tratamento hormonal os sinais masculinos irão regredir e dessa forma, voltará o ciclo menstrual, a ovulação e a possibilidade de engravidar.

    Preservando a Fertilidade da Pessoa Trans

    Dependendo do tratamento realizado pela pessoa trans, a capacidade reprodutiva é geralmente impactada. Desta maneira, seja pelas terapias hormonais ou cirurgias para retirada de ovários, útero e testículos, a pessoa trans perde a possibilidade de gerar filhos biológicos. 

    Entretanto, há possibilidade de preservar a fertilidade antes que o processo de redesignação sexual inicie. Nesse sentido, o congelamento de gametas e embriões é o melhor caminho. 

    Também chamado de criopreservação, essa técnica preserva óvulos, espermatozoides e embriões por meio de vitrificação, impedindo a formação de cristais de gelo que danificam células reprodutoras. Dessa forma, o material  congelado fica armazenado em um cilindro de nitrogênio líquido e são mantidos a −196º, por tempo indeterminado.

    Possibilidades de Engravidar Naturalmente para Pessoas Trans

    Existem possibilidades para as pessoas trans engravidar naturalmente, contanto que possuam os órgãos do aparelho reprodutor. Desta maneira, é necessário que o homem trans tenha o útero e os ovários, da mesma forma que a mulher trans precisa ter testículos. 

    No entanto, para que uma pessoa trans possa conceber um bebê naturalmente será preciso interromper o uso dos hormônios. Isto é necessário para que o organismo volte a produzir os gametas feminino ou masculino.

    Um homem trans pode engravidar uma mulher cis?

    Quando o casal é formado por homem trans e mulher cis (identidade de gênero idêntica ao que foi atribuído no nascimento), o tratamento de Reprodução Assistida é igual ao do casal homoafetivo feminino. Nesse sentido, deve-se utilizar óvulos do homem trans que serão fecundados com esperma doado de banco de sêmen e transferido ao útero da parceira. 

    Caso o homem trans deseje usar seus óvulos para engravidar em algum momento da vida ou ainda doar os gametas, recomenda-se o congelamento de óvulos. O ideal é que isso ocorra, se possível, antes mesmo de iniciar a hormonização.

    Uma mulher cis pode engravidar um homem trans?

    Sim, é possível. Neste caso, com a Fertilização In Vitro, utilizam-se os óvulos da mulher cis, fecundados com esperma de banco de sêmen. Depois dessa etapa do tratamento,   o embrião é transferido ao útero do homem trans.

    Contudo, ainda assim, é importante que o homem trans pare totalmente de tomar a medicação para que possa gestar com segurança o bebê.

    Uma mulher trans pode engravidar um homem trans?

    Sim, uma mulher trans pode engravidar um homem trans se os órgãos reprodutivos do casal foram mantidos. Nestes casos a gestação pode ser natural ou se utilizar das técnicas de Reprodução Assistida como a Inseminação Artificial ou Fertilização In Vitro. 

    Assim, o esperma da mulher trans pode ser introduzido diretamente na cavidade uterina do homem trans ou fecundado em laboratório com os óvulos do parceiro. Se for FIV, depois do embrião formado, ele é transferido para a cavidade uterina do transgênero masculino.

    Um homem cis pode engravidar um homem trans?

    Sim, um homem cisgênero (que se identifica com sexo biológico em que nasceu) pode engravidar um homem trans, desde que o parceiro tenha o sistema reprodutor preservado.

    Como é a gravidez do homem trans?

    O processo de gravidez, assim como o parto de um homem trans é igual ao da mulher cisgênero. Nesse sentido, na maioria das vezes, não é de alto risco e nem precisa de cuidado especial. 

    Tratamentos de Reprodução Assistida para Pessoas Trans

    Como vimos, muitos casais formados por pessoas trans necessitam da ajuda das técnicas de reprodução humana quando decidem ter um filho. Nesse sentido, os tratamentos variam de acordo com a configuração familiar, se apresentam sistema reprodutivo preservado e claro desejo das pessoas envolvidas.

    Inseminação Artificial para Pessoas Trans

    A inseminação artificial (IA) é um dos tratamentos de baixa complexidade indicado para ajudar pessoas trans a terem filhos. Além disso, é muito usada em casos de infertilidade masculina , feminina sem causa aparente, com taxa de sucesso em torno de 15% a 20%.

    Também chamada de inseminação intrauterina (IIU), o tratamento consiste na introdução dos espermatozoides diretamente dentro da cavidade uterina. Nesse sentido, o objetivo de facilitar a fecundação do óvulo pelos espermatozoides nos tubos uterinos. 

    Fertilização In Vitro (FIV) para Pessoas Trans

    A Fertilização In Vitro (FIV) para pessoas trans segue os mesmos passos e protocolos que qualquer outra FIV. Nesse sentido, a técnica de alta complexidade promove o encontro do óvulo e do espermatozoide em laboratório, facilitando que ocorra a fecundação.  

    Para isso, após indução ovariana os óvulos são coletados através da punção folicular. Além disso, é realizada a coleta de sêmen por masturbação ou biópsia testicular. Quando necessário é possível recorrer  a óvulos e/ou semem doados. 

    Desta forma, os embriões formados em ambiente laboratorial são cultivados, selecionados e posteriormente transferidos ao útero onde serão gestados. Além disso, em alguns casos o útero solidário  pode ajudar pessoas trans, casais homoafetivos , pais e mães solos chegarem a gravidez.

    Nesse sentido, com taxas de sucesso entre 20% e 50%, a FIV vem evoluindo muito e ajudando milhares de pessoas a ter um filho. 

    Homem trans pode amamentar?

    Existem várias dúvidas em relação à amamentação de um homem trans. É possível amamentar? A resposta é sim. Assim como o homem trans pode gerar um filho, ele também consegue amamentar. Veja mais detalhes abaixo: 

    O seio do homem trans cresce para amamentar?

    Sim. Se ele tiver mantido as mamas, o seio vai crescer como em qualquer outra gestação. Assim, o homem trans poderá amamentar seu filho biológico sem maiores problemas.

    O homem trans mastectomizado pode amamentar?

    Caso o transexual masculino seja mastectomizado não poderá amamentar, já que não produzirá leite por não ter mais as mamas. No entanto, é possível buscar outras formas de amamentação, assim como acontece com algumas mulheres cis ou trans.

    Quanto tempo depois de engravidar o homem trans pode voltar a tomar hormônio?

    Se o homem trans pretende amamentar, ele só poderá voltar a usar o hormônio masculino depois do desmame. Caso, ele não for amamentar, já é possível retornar à medicação após o parto. Porém, em ambos os casos, é importante pedir ajuda e orientação médica.

    Registro da Criança por Pessoas Trans

    Uma das preocupações frequentes de pessoas trans que querem ter filhos é se o registro civil da criança vai respeitar a identidade de gênero dos pais. Nesse sentido, não há na Constituição ou nas leis federais nenhuma norma expressa no tocante ao direito à identidade de gênero. 

    Entretanto, a proteção jurídica às pessoas trans passou a ser garantida judicialmente.  

    Veja alguns exemplos:

    Em 2018, na repercussão geral (RE 670422), a Corte Suprema definiu teses em relação ao direito à identidade de gênero da pessoa trans. Desta forma, orientou, entre outros, que o transgênero tem direito fundamental à alteração de seu prenome e de sua classificação de gênero no registro civil. 

    Cumprindo a determinação do STF, o Conselho Nacional de Justiça editou o Provimento nº 73/2018, que regulamenta a alteração de prenome e gênero diretamente no registro civil das pessoas naturais, maiores de 18 anos. Desta forma, uma vez averbada a alteração do prenome e do gênero no registro de nascimento da pessoa trans, a modificação deve constar no registro dos filhos.

    Por decisão do STF, a transfobia deve ser enquadrada como crime de racismo;

    Depois de engravidar o homem trans tem direito a licença paternidade?

    A realidade é que a legislação brasileira, quando foi criada, não considerou, de maneira adequada, a diversidade das novas famílias. Sendo assim, o tema ainda é bastante discutido, pois as leis não foram pensadas para serem aplicadas entre pessoas homossexuais e de transgêneros.

    No entanto, já há jurisprudência de igualar os direitos trabalhistas a todas as pessoas, independente da sexualidade e identidade de gênero. Desta forma, muitos juízes já entendem que ser homossexual ou trans não tira o direito de usufruir das leis. Assim, transexuais masculinos e gays já estão conseguindo a licença paternidade como os heterossexuais. 

    Além disso, muitas empresas têm concedido a licença-paternidade igualmente para todos. No entanto, se o casal tiver qualquer problema nesse sentido, o ideal é que procure por um advogado a fim de adotar medidas judiciais contra a discriminação. 

    Quanto tempo é a licença paternidade do homem trans?

    A licença paternidade do homem trans é igual a dos homens cis. Nesse sentido, a legislação brasileira garante o afastamento de cinco dias. Contudo, o tempo pode se estender até 20 dias, caso a empresa esteja cadastrada no Programa Empresa Cidadã. 

    Entretanto, se o homem trans tiver sido a pessoa que engravidou, ele pode recorrer ao judiciário para conseguir a licença-paternidade de 180 dias. Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu ganho de causa a um pai solteiro de gêmeos gerados por Fertilização In Vitro e barriga solidária.

    Ele estava recorrendo da decisão do INSS que não queria dar a licença-paternidade de 6 meses.  A decisão dos juízes, se baseou na Constituição e no Estatuto da Criança e Adolescente que equipara homens e mulheres na guarda dos filhos menores de idade. 

    Ainda, segundo os ministros, esta jurisprudência passa a legitimar as novas configurações da família, sempre com a finalidade de proteção integral da criança e do adolescente.

    Apoio de Amigos e Família durante a Gravidez Trans

    A experiência da gravidez trans é única, pois além dos medos e da ansiedade comuns a uma gravidez cis, a pessoa trans enfrenta outros desafios. 

    Desta forma, questões de identidade de gênero, saúde mental e física fazem da gravidez trans uma vivência desafiadora. Isto porque é preciso lidar com conflitos pessoais, mas também da sociedade.

    Por isso, é muito importante a gestante trans contar com uma rede de apoio que inclui a família e os amigos. Afinal, dividir essa jornada com pessoas compreensivas e empáticas pode tornar essa vivência mais positiva. 

    Homem trans pode engravidar: veja o que diz o CFM

    A boa notícia é que pessoas transgênero foram recentemente incluídas oficialmente na resolução do CFM n° 2.294 como beneficiárias da técnica de Reprodução Assistida. Veja abaixo o que diz a nova resolução:

    II – PACIENTES DAS TÉCNICAS DE RA

    1. Todas as pessoas capazes que tenham solicitado o procedimento e cuja indicação não se afaste dos limites desta resolução podem ser receptoras das técnicas de RA, desde que os participantes estejam de inteiro acordo e devidamente esclarecidos, conforme legislação vigente.
    2. É permitido o uso das técnicas de RA para heterossexuais, homoafetivos e transgêneros.
    3. É permitida a gestação compartilhada em união homoafetiva feminina. Considera-se gestação compartilhada a situação em que o embrião obtido a partir da fecundação do(s) oócito(s) de uma mulher é transferido para o útero de sua parceira.

    Algumas questões importantes a serem consideradas para uma gravidez segura e saudável incluem:

    • Apoio médico e emocional: É essencial contar com o apoio de profissionais de saúde que sejam respeitosos e sensíveis às questões de identidade de gênero e saúde reprodutiva. Além disso, o suporte emocional de familiares, amigos ou grupos de apoio pode ser fundamental.
    • Gerenciamento hormonal: Caso a pessoa esteja em tratamento hormonal, é importante conversar com um profissional de saúde para determinar se é seguro continuar ou interromper temporariamente o tratamento durante a gravidez.
    • Questões de identidade de gênero: A gravidez pode trazer à tona questões sobre a identidade de gênero da pessoa. É importante permitir-se explorar esses sentimentos e buscar apoio psicológico, se necessário.
    • Preparação para o parto e pós-parto: Estar preparado para o parto e para as mudanças físicas e emocionais pós-parto é fundamental. Conversar com outros pais e buscar informações sobre parto e amamentação pode ser útil.
    • Construção de uma rede de apoio: Construir uma rede de apoio sólida de pessoas compreensivas e respeitosas pode ajudar uma pessoa trans masculina a lidar com as complicações da gravidez.

    Vale destacar que cada experiência é única, e o respeito pela identidade de gênero e a autonomia das pessoas trans masculinas são fundamentais em todo o processo. Buscar apoio médico, psicológico e social adequado é crucial para uma gravidez saudável para todas as pessoas, independentemente de sua identidade de gênero.

    Desafios da Gravidez Trans no Sistema de Saúde

    O Sistema Único de Saúde (SUS), criado em 1988 e regulamentado pela Lei No 8.080 de 13 de setembro de 1990 trouxe a perspectiva da saúde integrada no país. Nesse sentido, passou a destacar o acesso à prevenção, promoção e assistência à saúde, de forma igual a todos, sem privilégios ou preconceitos. 

    Entretanto, sabemos que a discriminação, comum a grupos como a comunidade trans, tem prejudicado o direito amplo e igualitário à saúde. Isto ocorre tanto na rede de atenção básica como nos serviços especializados.

    Dessa forma, um dos maiores desafios da gravidez trans é lutar contra o preconceito e a desinformação, principalmente dos profissionais que atuam na  área da saúde. Afinal, o acolhimento e respeito à identidade de gênero é um direito inclusive garantido por lei. 

    A Importância do Acolhimento e Respeito à Identidade de Gênero

    Como vimos, muitas dificuldades enfrentadas pela comunidade trans são causadas por preconceito e desinformação que levam aos desrespeito e a descriminação. E o pior, é que muitas vezes esse quadro já acontece dentro da própria família.

    Viver em ambiente hostil em casa, na escola, no trabalho e na área da saúde pode isolar a pessoa trans e causar sérios problemas emocionais. 

    Nesse sentido, a informação é uma das principais ferramentas na luta por maior acolhimento e inclusão. Afinal, todas as pessoas merecem ser respeitadas nas suas individualidades, 

    Desta forma, pequenas atitudes já fazem muita diferença. Um bom exemplo é tratar a pessoa trans de acordo com o gênero com o qual se identifica, independente ao sexo biológico. 

    Assim, empregar os pronomes corretos ao falar com a pessoa já demonstra consideração e respeito. 

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  • Mulher trans pode engravidar? Saiba mais sobre o assunto

    A mulher trans pode engravidar? Ela consegue ter filhos biológicos? É possível realizar um transplante de útero? 

    As questões ligadas a gravidez de pessoas transgênero ainda são pouco faladas, e desta forma, existem muitas dúvidas e confusões sobre o tema. Por isso, no texto a seguir vamos trazer informações importantes e esclarecedoras sobre este assunto. 

    Mulher trans pode engravidar?

    Atualmente, a mulher trans (que nasceu com sexo masculino) não pode engravidar já que não possui os órgãos do aparelho reprodutivo feminino, especialmente o útero. Desta forma, não há condições de gestar um bebê. 

    Porém, a expectativa de especialistas e pesquisadores da área da Reprodução Assistida é de que no futuro, graças aos avanços do transplante de útero, essa realidade possa mudar. Nesse sentido, já existem diversos casos de transplante de útero em mulheres cis, mas ainda não há experiências com transplantes em mulheres trans.

    Quem é a mulher trans?

    A mulher transgênero é a pessoa que nasceu com pênis, cresceu com as transformações causadas pela testosterona, mas se identifica com o gênero feminino. Ou seja, a pessoa se identifica com o gênero oposto ao qual foi atribuída ao nascer. 

    Desta forma, em muitos casos, a mulher trans busca formas de adequar sua imagem ao gênero com o qual se identifica. Para isso, pode recorrer a tratamentos hormonais, cirurgias para colocação de implante mamários e outros procedimentos como a redesignação sexual.

    O transplante de útero em mulheres cis e trans

    O primeiro transplante de útero realizado com sucesso aconteceu na Suécia, em 2013. Neste caso, a doadora foi uma mulher viva. Desde então, já foram feitos mais de 80 transplantes de útero em todo o mundo, sendo que muitos deles possibilitaram a gravidez e o nascimento dos bebês (49). 

    Já em 2016, o Brasil foi pioneiro no transplante de útero de uma doadora falecida, que possibilitou à receptora gestar sua filha. A paciente de 32 anos nasceu sem útero por causa da síndrome Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser e com o transplante conseguiu se tornar mãe em 2017.

    Nesse sentido, outros transplantes de útero com doadoras falecidas já tinham acontecido no mundo, mas nenhum bebê tinha nascido depois desse procedimento. Inclusive, a revista The Lancet divulgou o caso brasileiro como o primeiro relato de um parto após transplante de útero de uma doadora falecida. 

    É possível uma mulher trans colocar útero?

    Em teoria, a mulher trans poderia ter um útero implantado, porém, ainda não há casos descritos na literatura. Na verdade, já existem alguns estudos em andamento, mas os desafios são grandes. Isto porque a anatomia da pelve feminina é diferente da masculina, principalmente a parte muscular e nervosa, o que torna os obstáculos ainda maiores.

    Desta forma, ainda não há dados sobre transplante de útero em que as pessoas receptoras nasceram biologicamente como homens. No entanto, os pesquisadores acreditam que no futuro, o transplante uterino em mulheres trans possa ser uma realidade.

    Mulheres trans com transplante de útero poderiam gestar um bebê?

    Teoricamente é possível pensar nesta possibilidade. Porém, ainda há vários desafios a vencer e barreiras a ultrapassar até chegarmos neste ponto. Antes de mais nada, é preciso viabilizar e concretizar o transplante uterino em mulheres trans para depois partirmos para o desafio da gestação.

    Mulher trans pode engravidar outra pessoa?

    Diferente do homem trans, que em muitos casos mantém seu útero, a mulher trans não possui esse órgão que é necessário para gestar. Desta forma, até que o transplante uterino evolua, a mulher trans não consegue engravidar. 

    No entanto, isso não quer dizer que ela não possa gerar um filho biológico. Nesse sentido, ela pode engravidar através da relação sexual uma pessoa que tenha o aparelho reprodutor feminino, como uma mulher cis ou um homem trans. 

    Além disso, a partir da coleta de esperma é possível também chegar a uma gravidez com técnicas de reprodução assistida como a Inseminação Artificial (IA) ou a Fertilização In Vitro (FIV).

    Conheça algumas técnicas da medicina reprodutiva que podem ajudar a mulher trans ter um filho biológico:

    Inseminação Artificial (IA)

    A Inseminação Artificial é um tratamento de infertilidade que consiste na introdução dos espermatozoides no trato genital feminino, visando a fecundação do óvulo. É um procedimento médico muito comum, bastante usado e de poucos efeitos colaterais.

    Nesse sentido, existe a Inseminação Artificial Intracervical (IC), quando se coloca o esperma no colo do útero com uma seringa. Além disso, há também a Inseminação Artificial Intrauterina (IIU), quando se introduz o esperma dentro do útero. Nesse sentido, os espermatozoides  passam por uma seleção no laboratório, e apenas os mais rápidos serão injetados na cavidade uterina.

    Fertilização in Vitro (FIV)

    A Fertilização In Vitro (FIV), conhecida popularmente como “bebê de proveta”, consiste na fecundação em ambiente laboratorial. Ou seja, o encontro dos gametas feminino e masculino não ocorre no interior do corpo da mulher. 

    Desta forma, a FIV acontece a partir da coleta ou doação de óvulos e espermatozoides que são unidos em laboratório formando o embrião. Nesse sentido, após o desenvolvimento embrionário adequado, os embriões selecionados são transferidos para o útero onde vai se desenvolver a gestação. Em alguns casos, quando necessário, pode-se recorrer inclusive ao útero de substituição.

    A mulher trans precisa parar de tomar hormônio para engravidar outra pessoa?

    Sim. A mulher trans que deseja engravidar outra pessoa necessita interromper a terapia hormonal feminilizante que bloqueia a produção de testosterona e atrapalha a produção de espermatozoides. 

    A mulher trans pode doar esperma?

    A resposta é sim. No entanto, a coleta dos espermatozoides de uma mulher trans deve ocorrer antes de iniciar a terapia hormonal que busca promover as mudanças físicas desejadas ou ela deve ser suspensa. 

    Isto porque o estrogênio e a espironolactona usados no tratamento inibem a estimulação de produção da espermatogênese, deixando a pessoa infértil. Desta forma, indica-se que a doação e o congelamento do esperma ocorram antes do uso dos hormônios femininos.

    No entanto, vale ressaltar que, interrompendo o uso dos medicamentos, a produção de esperma e a fertilidade da mulher trans pode ser restaurada.

    Mulher trans pode ter produção independente?

    Como já vimos, embora a mulher trans não possa gestar uma bebê, ainda assim ela tem condições de gerar um filho biológico, inclusive em produção independente. Neste caso, será preciso contar com doação de óvulos e também com um útero de substituição. 

    Dessa forma, através da técnica de Fertilização In Vitro (FIV) será possível utilizar o espermatozoide da mulher trans para fecundar o óvulo doado em laboratório. Depois disso, o embrião formado poderá ser transferido ao útero de substituição para ser gerado.

    Mulher trans tem direito a licença maternidade?

    Quando criou-se a legislação brasileira, ela não considerou, de maneira adequada, a diversidade das novas famílias. Sendo assim, as leis não foram pensadas para incluir pessoas homossexuais e transexuais.

    No entanto, já há jurisprudência de igualar os direitos trabalhistas a todas as pessoas, independente da sexualidade e identidade de gênero. Desta forma, muitos juízes já entendem que ser homossexual ou trans não tira o direito de usufruir das leis que envolvem o ambiente de trabalho e qualquer outro.  

    Além disso, muitas empresas têm concedido a licença-maternidade igualmente para todos. No entanto, quando houver qualquer problema nesse sentido, o ideal é que procurar um advogado a fim de adotar medidas judiciais contra a discriminação. 

    Gravidez de mulher trans: o que diz o CFM

    O Conselho Federal de Medicina (CFM) recentemente incluiu oficialmente na resolução do CFM n° 2.294, as pessoas transgênero como beneficiárias da técnica de Reprodução Assistida. Veja abaixo o que diz a nova resolução:

    II – PACIENTES DAS TÉCNICAS DE RA

    1. Todas as pessoas capazes que tenham solicitado o procedimento e cuja indicação não se afaste dos limites desta resolução podem ser receptoras das técnicas de RA, desde que os participantes estejam de inteiro acordo e devidamente esclarecidos, conforme legislação vigente.
    2. É permitido o uso das técnicas de RA para heterossexuais, homoafetivos e transgêneros.
    3. É permitida a gestação compartilhada em união homoafetiva feminina. Considera-se gestação compartilhada a situação em que o embrião obtido a partir da fecundação do(s) oócito(s) de uma mulher é transferido para o útero de sua parceira.

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  • Transferência de embriões: entenda como funciona e cuidados após procedimento

    Conteúdo atualizado em: 21/02/2024

    Você já ouviu falar em transferência de embriões? Essa é uma importante etapa do tratamento de Fertilização In Vitro (FIV) que ajuda milhares de pessoas a realizarem o sonho de ter um filho. 

    Na vanguarda da medicina reprodutiva, a transferência de embriões é mais do que um procedimento, é uma ponte para a realização de sonhos.  Segundo a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, cerca de 1,9% de todos os bebês nascidos nos Estados Unidos em 2020 foram concebidos através de FIV.

    Mas afinal, o que é a transferência de embriões? Como ela acontece? Quais os cuidados necessários para ajudar a gravidez acontecer? O texto abaixo vai esclarecer essas e outras dúvidas sobre o tema que faz parte da vida de muitos casais.

    Introdução à Transferência de Embriões: Entendendo o Processo

    A transferência de embriões é a última etapa da técnica de Fertilização In Vitro (fiv), e consiste no processo através do qual se transfere o embrião para o útero que irá gerá-lo. Nesse sentido, o objetivo é colocar o embrião no interior da cavidade uterina (endométrio) onde será implantado para dar continuidade a gravidez.

    No entanto, para chegar até a transferência de embriões, é importante que as fases anteriores do tratamento aconteçam com sucesso. 

    Primeiros Passos: Estimulação Ovariana Explicada

    A estimulação ovariana é a primeira etapa do processo de FIV realizada para liberar um maior número de óvulos por ciclo. O objetivo é obter uma boa quantidade de gametas femininos aptos a serem fertilizados para formar embriões, e com eles chegar a uma gravidez.

    Nesse sentido, é importante explicar que durante o ciclo menstrual natural, geralmente apenas um óvulo é liberado pelos ovários. Desta forma, embora vários folículos estejam prontos para se desenvolverem, somente um deles cresce até romper e liberar o óvulo.

    Sendo assim, a estimulação ovariana é realizada através do uso de hormônios  semelhantes aos produzidos no ciclo natural, porém em maiores doses. O objetivo é que a medicação induza o crescimento e o amadurecimento de vários folículos ao mesmo tempo, dando origem a mais óvulos por ciclo.

    Monitoramento do Ciclo: O Papel do Controle da Ovulação

    A  estimulação ovariana começa nos primeiros dias do ciclo menstrual da mulher (fase folicular) e dura aproximadamente de 8 a 12 dias.  Entretanto, a resposta às medicações é individual e depende de muitos fatores. Desta forma, idade feminina, reserva ovariana e causas da infertilidade como  endometriose, síndrome dos ovários policísticos, entre outras, interferem no resultado.

    Por isso, é importante que a estimulação ovariana seja controlada e monitorada através de ultrassonografias e exames de dosagens hormonais. Desta forma, é possível ao médico avaliar o crescimento dos folículos, e ajustar a dosagem dos hormônios caso necessário. Além disso, ajuda a determinar o melhor momento para se administrar o hCG, que induz o amadurecimento dos óvulos e a ovulação.

    Coleta de Óvulos: Preparação para a Fertilização

    Como vimos, através do  controle da ovulação é possível saber se os folículos atingiram o número suficiente e grau de maturação adequado.  A partir daí, acontece o gatilho com o hCG, para provocar o amadurecimento dos óvulos.   

    Desta forma, cerca de 36 horas após a aplicação do hCG acontece a aspiração folicular. Neste momento, os óvulos são aspirados por uma agulha bem fina, guiada pelo ultrassom transvaginal,  em procedimento simples e rápido que acontece sob sedação.

    Uma vez coletados, os gametas femininos já podem ser fecundados em laboratório através da técnica  Fertilização In Vitro ou ICSI, ou congelados para futuro uso. 

    A Importância da Coleta de Espermatozoides no Processo de FIV

    A coleta de espermatozoides é uma etapa fundamental no tratamento da Fertilização in Vitro (FIV), quando a fecundação ocorre em ambiente laboratorial. Desta forma, é necessário contar tanto com os óvulos quanto com  espermatozóides para que o embrião seja formado in vitro, ou seja, no laboratório, fora do corpo da mulher.

    Para isso, o sêmen pode ser coletado através de masturbação ou por punção testicular, quando não há espermatozoides no ejaculado. Desta forma, o material é preparado em laboratório e os melhores espermatozoides são separados para, posteriormente, serem utilizados na fertilização  . 

    Em casos de produção independente, casais homossexuais femininos ou homens com infertilidade (azoospermia), utilizam-se espermatozoides doados de banco de sêmen.

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    Fecundação In Vitro: Concepção do Embrião

    Como vimos, diferente da fecundação natural, que acontece através de relação sexual, a fecundação in vitro ocorre fora do corpo da mulher. Nesse sentido, o encontro dos gametas acontece em laboratório, com a ajuda de um embriologista. 

    Uma vez coletados os gametas feminino e masculino, chega a hora de realizar a fecundação, quando se forma o embrião. Nesse sentido, existem dois métodos de fertilização do óvulo: 

    • FIV Clássica: nesta técnica, coloca-se os óvulos e uma quantidade pré-determinada de espermatozoides em uma placa. Assim, mantém-se em incubadora com as condições ideais à fecundação. O objetivo é deixar os espermatozoides fecundarem o óvulo de maneira similar à fertilização natural, com menos interferência do embriologista.
    • ICSI: na fertilização com ICSI, os espermatozoides são selecionados e injetados, um a um, dentro de cada um dos óvulos, para que ocorra a fecundação.  Nestes casos, a fertilização não ocorre espontaneamente, e há total interferência do embriologista.

    Os embriões formados no laboratório são cultivados em uma incubadora por alguns dias, até serem transferidos para o útero materno. Isto acontece geralmente no quinto dia do seu desenvolvimento, D5, quando o embrião atinge o estágio de blastocisto. Em casos de exceção, pode ocorrer no terceiro dia, D3.

    O Momento Crucial: Transferindo o Embrião ao Útero

    Os embriões formados no laboratório são cultivados em uma incubadora, 

    observados e classificados de acordo com a sua morfologia e capacidade de divisão. Nesse sentido, nem todos irão se desenvolver normalmente e alguns podem ser considerados inviáveis. Desta forma, os embriões saudáveis são separados para a etapa de transferência embrionária.  Isto acontece geralmente no quinto dia do seu desenvolvimento, D5, quando o embrião atinge o estágio de blastocisto. Em casos de exceção, pode ocorrer no terceiro dia, D3.

    Desta forma,  a transferência do embrião ao útero é a parte final da Fertilização In Vitro (FIV). Ele  pode ocorrer na sequência do ciclo da FIV (a fresco) ou em um ciclo para transferência do embrião previamente congelado. 

    Criopreservação de Embriões: Preservando o Futuro

    O congelamento de embriões é uma técnica de reprodução assistida que tem como objetivo preservar a fertilidade da mulher e do homem. Também chamada de criopreservação, o procedimento possibilita o congelamento de embriões, bem como de óvulos e espermatozoides para  posterior utilização. 

    Desta forma, após a fecundação, os embriões que chegarem ao estágio de blastocisto e não forem usados naquele ciclo de FIV podem ser criopreservados. 

    Nesse sentido, o  congelamento por vitrificação  preserva todas as características do embrião por tempo indeterminado, podendo ter uso anos mais tarde.

    Assim, após a vitrificação, embriões ou gametas ficam armazenados em tanques de nitrogênio líquido, a -196, por tempo indeterminado, até serem usados ou doados. Desta forma, o congelamento representa chances reais para quem busca ajuda da medicina reprodutiva para ter um filho.

    Escolha de Embriões para Transferência: Critérios e Processo

    Para a transferência do embrião, uma das principais preocupações é ter à disposição embriões com ótimo desenvolvimento, o que aumenta muito as chances de gravidez. 

    Nesse sentido, é importante saber que a evolução do embrião passa por diversas fases, e cada uma recebe o nome de acordo com características do seu crescimento. 

    Dessa forma, geralmente após o 5º ou 6º dia, o embrião chega ao estágio de blastocisto. É nesta etapa que, em uma gravidez natural, ele está pronto para se encaminhar ao útero, e ocorrendo a nidação, (fixação no endométrio) inicia a gestação.

    Assim, a transferência do embrião em um tratamento de Reprodução Assistida procura recriar, sempre que possível, a rotina que acontece dentro do corpo da mulher. Desta forma, o embrião em estágio blastocisto é geralmente o escolhido para ser transferido.

    Veja abaixo as características durantes as fases de desenvolvimento embrionário:

    • D1: O primeiro dia ocorre quando os gametas (óvulo e espermatozoide) se fundem para formar uma única estrutura, chamada de zigoto. A partir de então, iniciam-se as clivagens, ou seja, as divisões celulares que darão início a uma nova vida.
    • D2: Segundo dia após a fertilização: Nesta fase o embrião possui de 2 a 4 células; 
    • D3: Terceiro dia a fertilização: Nesta fase embrião deve possuir de 6 a 10 células;
    • D4: Quarto dia após a fertilização: O embrião deve estar em estágio de mórula, com cerca de 32 a 64 células compactadas;
    • D5: Quinto dia após a fertilização: O embrião chega ao estágio de blastocisto. Neste momento, ele já conta com 150 células e está em estágio ideal para se fixar ao útero. Todavia, alguns embriões podem apresentar um crescimento mais lento e chegar ao estágio de blastocisto no dia 6 (D6), ou ainda no sétimo dia de desenvolvimento (D7), também possuindo chances de gravidez.

    Quantos embriões podem ser transferidos?

    O número de embriões transferidos ao útero depende de vários fatores, como a receptividades do endométrio, e especialmente, a idade da mulher que vai gestar o bebê. Isto acontece pois quanto mais embriões são transferidos, maiores as chances de gestação múltipla, o que pode gerar riscos tanto para os bebês quanto para a mãe. Nesse sentido, o Conselho Federal de Medicina (CFM) define as normas que orientam as atividades de  Reprodução Assistida. 

    Quanto ao número de embriões a serem transferidos, fazem se as seguintes determinações de acordo com a idade:

    • Mulheres até 37 anos: até 2 embriões;
    • Mulheres com mais de 37 anos: até 3 embriões;
    • Nas situações de doação de óvulos e embriões, considera-se a idade da doadora no momento da coleta dos óvulos.

    Transferência de embriões frescos ou congelados:qual o melhor?

    A transferência de embriões pode ser feita de duas formas: a fresco ou utilizando embriões que estavam congelados. Nesse sentido, o procedimento da transferência é igual, o que difere é o tempo entre a coleta dos gametas, a fecundação e a transferência uterina.

    A fresco

    A transferência a fresco é aquela em que os gametas são recolhidos, a fecundação é realizada e, num período de três a cinco dias, são implantados no corpo da gestante. Ou seja, nestes casos o procedimento ocorre sequencialmente às etapas anteriores da FIV.

    Congelado

    Com embriões  congelados, o tempo entre a coleta dos gametas e a transferência uterina é maior, e muitas vezes demora anos. Desta forma, podem ser congelados tanto os gametas separadamente (óvulos e espermatozoides) quanto os embriões já amadurecidos.

    Nesse sentido, com a evolução das técnicas de criopreservação, não há perda de qualidade dos embriões ou mesmo risco para o futuro bebê que será gerado. Após o processo do congelamento, atualmente realizado através da vitrificação, é como se o tempo tivesse parado para o desenvolvimento embrionário.

    Como é feita a transferência de embriões?

    Como já vimos, a transferência de embriões acontece após a fecundação dos gametas em laboratório. Além disso, se acompanha o desenvolvimento embrionário até chegar a fase de blastocisto, ideal para ser transferido à cavidade uterina. O procedimento é simples e normalmente ocorre em ambiente ambulatorial. 

    Desta forma, a transferência do embrião inicia com a introdução de um fino cateter de plástico flexível pelo orifício externo do colo uterino (o mesmo da menstruação). Chamado de cateter guia, é por dentro dele que vai passar um segundo cateter, de calibre menor, trazendo os embriões. Nesse sentido, o objetivo é garantir que a trajetória seja segura até o fundo uterino. 

    Desta maneira, o cateter que contém um ou mais embriões suspensos em um meio fluido específico, vem acoplado a uma pequena seringa. Assim, esse líquido é suavemente empurrado para dentro do útero, levando junto os embriões. A partir daí, seu desenvolvimento continua na cavidade uterina, e se aderir à parede do útero (endométrio), ocorre a nidação. 

    O que acontece com o embrião após a transferência?

    Após a transferência do embrião, é esperado que aconteça a sua implantação no útero dando início à gravidez. Conhecido como nidação, este é o momento em que o embrião se fixa no tecido que reveste a camada interna da cavidade uterina.

    E para que isso possa acontecer, o endométrio é previamente preparado através dos hormônios femininos para abrigar o embrião que chega em seus primeiros estágios de desenvolvimento.  A partir daí, o embrião tem a possibilidade de se desenvolver até que a placenta se forme.

    Quanto tempo o embrião leva para se fixar no útero? 

    Como vimos, a transferência do embrião ocorre, sempre que possível, em fase de blastocisto, quando ele está pronto para se fixar ao endométrio. Assim, até este momento, o embrião ainda conserva a zona pelúcida, camada herdada do óvulo que mantém unidas as novas células embrionárias.

    Nesse sentido, somente após o rompimento da zona pelúcida, chamado de hatching, é que essas células passam a ficar aderidas diretamente ao endométrio. 

    Desta forma, este é o acontecimento que marca a implantação embrionária de fato, e ocorre, em média, três dias após a chegada do embrião na cavidade uterina. 

    Como se preparar para a transferência de embriões?

    Como já vimos, a transferência de embriões é um procedimento simples e ambulatorial e assim não é necessário jejum nem anestesia. Nesse sentido, o principal preparativo para quem vai passar por uma transferência embrionária é manter a calma. 

    Além disso, é necessário que a mulher esteja com a barriga cheia no momento da transferência embrionária pois auxilia na visualização da cavidade uterina através  do ultrassom transvaginal.  Isso ajuda também a retificar o útero, sendo fundamental para que seja visualizada a entrada do cateter de transferência e o depósito do embrião no local adequado do útero.

    Identificando Sintomas após a Transferência de Embriões

    Os sintomas após a transferência de embriões são individuais, e variam de mulher para mulher. Porém, é frequente ocorrer sangramento com causas diferentes. Nesse sentido, pode ser ocasionado pelo próprio procedimento, pois a passagem do cateter eventualmente rompe algum vaso. Além disso, a ação hormonal das medicações usadas altera a vascularização do local e pode fazer com que o sangramento seja mais evidente. 

    Outro fator comum de sangramento após alguns dias da transferência é a própria implantação do embrião. Isto acontece, pois a invasão do endométrio pelo embrião exige, muitas vezes, o rompimento de alguns pequenos vasos, o que explica o sangramento. 

    Da mesma forma, outros sintomas como cólicas e eventual alteração na temperatura podem acontecer, mostrando que o corpo está se adaptando a uma nova fase.

    Cuidados Pós-Transferência: Garantindo o Melhor Resultado

    Uma das dúvidas frequentes das mulheres que passaram pela transferência de embriões é sobre os cuidados que devem ter após o procedimento. Nesse sentido, as evidências científicas mostram que repouso não influencia no resultado do tratamento. Sendo assim, é possível seguir tranquilamente com a rotina normal, trabalhar, estudar e cuidar dos compromissos normalmente, mas claro, sem exageros. 

    Porém, alguns médicos preferem que as pacientes façam repouso por dois dias. Assim, o ideal é conversar com o especialista e seguir suas orientações.  Outra recomendação médica após a transferência embrionária é evitar relações sexuais até que a gravidez seja confirmada. Isto é indicado, pois a contração uterina durante e após as relações teoricamente pode diminuir a chance de implantação.

    Além disso, considerando que a partir da transferência do embrião se inicia a gravidez, é recomendado seguir os mesmo cuidados de todas as mulheres grávidas.

    Veja os cuidados indicados após transferência embrionária:

    • Não ingerir bebidas alcoólicas;
    • Evitar café;
    • Não fumar;
    • Não utilizar medicamentos sem prescrição médica;
    • Manter alimentação saudável e nutritiva;
    • Evitar alimentos crus.

    Quanto tempo para o resultado da transferência de embriões? 

    Após a transferência do embrião, a expectativa pelo resultado positivo de gravidez é o momento de maior ansiedade do tratamento. Nesse sentido, o recomendado é esperar, em média, 14 dias para realizar o exame de sangue Beta-HCG, para comprovar a gestação.

    Tabela dia a dia após transferência de embriões 

    O desenvolvimento embrionário após a transferência é o mesmo de um embrião que chega ao útero de forma natural e também deve se fixar no endométrio. Nesse sentido, a gravidez inicia quando a evolução do embrião resulta na sua implantação.  

    Veja como é desenvolvimento embrionário após transferência ao útero 

    Dia 1

    No primeiro dia após a transferência do embrião marca o  Início da eclosão do blastocisto com preparação inicial do endométrio. É normal que a mulher se sinta mais ansiosa pela expectativa do procedimento recém realizado.

    Dia 2

    No segundo dia depois da transferência realizada segue a etapa de eclosão do embrião e a fixação ao útero. Nesta fase a aderência do blastocisto já está mais profunda. Nesta etapa é comum a mulher sentir cólicas e cansaço leves. 

    Dia 3

    Já no d3 após a  transferência embrionária  acontece uma fixação mais profunda no revestimento uterino. É possível que a tentante apresente cólicas e sonolência 

    Dia 4

    No quarto dia após a tranferencias segue o processo de implantação, agora já com o  desenvolvimento das células que formarão a placenta e o feto. Nesta etapa algumas mulheres relatam intensificação de cólicas além de  inchaço e sensibilidade nos seios.

    Dia 5

    No d5 já pode-se considerar a Implantação completa. A partir da implantação segue o desenvolvimento embrionário.

    Dia 6

    No sexto dia após a transferência contínua, o desenvolvimento fetal e a secreção contínua hCG liberado no sangue da mãe.

    Dia 7 e 8

    Nos dias 7 e 8  segue o desenvolvimento fetal e a secreção contínua do hCG. Nesta fase, acontece também ajustes hormonais e preparação para a detecção da gravidez.   Além disso, entre o 7º e 9º dia após a implantação pode ocorrer um escape menstrual sendo indicativo de sucesso da transferência.

    Dia 9

    Já no D9, os níveis de hCG no corpo da futura mãe são altos o bastante para detectar a gravidez. Nesta fase já é possível realizar o teste sanguíneo para confirmar se a mulher está grávida.

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  • Fertilização In Vitro: entenda como funciona e quais são os benefícios da FIV

    A Fertilização In Vitro (FIV) é uma das técnicas da medicina reprodutiva que vem revolucionando o mundo. Nesse sentido, o tratamento tem proporcionado para milhões de homens e mulheres a chance de realizar o grande sonho de construir uma família.

    No texto a seguir, vamos explicar tudo sobre o procedimento: como funciona, para quem é indicado, taxas de sucesso, como se preparar para a FIV, entre outros assuntos.

    Leia também: o que é reprodução assistida?

    O que é Fertilização In Vitro? 

    A Fertilização In Vitro (FIV) é uma técnica de Reprodução Assistida que tornou-se conhecida em 1989, com o nascimento de Louise Brown, na Inglaterra, o primeiro bebê de proveta do mundo. Desde então, a Fertilização In Vitro vem evoluindo muito e ajudando milhares de pessoas a realizarem o sonho de ter um filho. 

    O tratamento consiste em realizar a fecundação do óvulo com o espermatozoide em ambiente laboratorial. Dessa forma, os embriões são cultivados em meio de cultura em uma incubadora, e após, são selecionados e transferidos para o útero da paciente.

    Nesse sentido, para quem não consegue engravidar de forma natural ou com outras técnicas de menor complexidade, é um dos procedimentos mais indicados, pois é um tratamento seguro e que apresenta as melhores taxas de sucesso.

    Para quem é indicada a Fertilização In Vitro?

    A Fertilização In Vitro é muito indicada para mulheres que apresentam alterações ginecológicas com problemas de ovulação ou que têm dificuldade no deslocamento dos óvulos pelas trompas de falópio. 

    Além disso, o procedimento também é uma grande alternativa para mulheres com idade avançada, pessoas com dificuldade de engravidar, casais homoafetivos ou com uma condição genética que pode ser passada ao bebê.

    Confira abaixo as principais indicações da Fertilização In Vitro:

    Taxas de sucesso da FIV

    A Fertilização in Vitro têm altas taxas de sucesso, se comparado a outros métodos de reprodução assistida, como a Inseminação Artificial ou Coito Programado.

    No entanto, as chances do tratamento dar certo estão diretamente relacionadas à reserva ovariana, ao número de óvulos coletados, a receptividade endometrial, entre outras causas que levam à infertilidade. Porém, um dos principais fatores ainda é a idade da paciente.

    Sabe-se que com o passar dos anos a mulher vai perdendo a quantidade e a qualidade de seus óvulos. Por essa razão, a chance de sucesso de uma Fertilização in Vitro, com óvulos próprios, também cai consideravelmente à medida que a idade avança.

    Nesse sentido, com 40 anos de idade, a chance de gestação é entre 20 e 30%, declinando rapidamente a partir dessa idade. Já aos 45, a chance de sucesso no tratamento com óvulos próprios é de menos de 1%. E aos 47, a possibilidade de se ter embriões aneuploides aproxima-se de 100%.

    Por esta razão, para aquelas mulheres que já sabem que querem postergar a maternidade, a indicação é o congelamento de óvulos, preferencialmente o mais jovem possível, pois a idade também impactará nos resultados. Contudo, para as que não planejaram a gravidez anteriormente, mas já estão com a idade avançada, existe a possibilidade de ovodoação. 

    Quanto tempo demora o tratamento de Fertilização In Vitro?

    A Fertilização In Vitro é um procedimento complexo que pode durar entre 20 a 25 dias, em casos de transferências de embriões a fresco. O tratamento leva este tempo, pois em um primeiro momento é necessário fazer a estimulação ovariana com o auxílio de medicamentos e a punção dos óvulos obtidos.

    Depois, deve ser realizada a coleta de espermatozoides, a fecundação e o cultivo embrionário em laboratório e, por último, a transferência do embrião ao útero da mulher. Ou seja, existem várias etapas que devem ser feitas com cuidado para que o tratamento possa ser bem-sucedido.

    Veja a média de duração de cada etapa:

    • Estimulação ovariana: de 9 a 12 dias;
    • Coleta de espermatozoides e punção folicular: 1 dia;
    • Cultivo embrionário: 5 dias;
    • Transferência do embrião para o útero: 5 dias, após a punção folicular.

    Se a FIV não funcionar na primeira vez, o casal pode tentar novamente, mas é necessário esperar algumas semanas. Geralmente, o recomendado é aguardar pelo menos um mês entre as tentativas.

    Fertilização In Vitro como funciona?

    Como já vimos, a técnica de Fertilização In Vitro é de alta complexidade e possui várias etapas. Confira abaixo o passo a passo deste procedimento que tem ajudado milhares de pessoas a realizarem o sonho de ter um filho.

    Estimulação ovariana

    Após decidir pela fertilização in vitro, dá-se início à primeira etapa do tratamento, que é a estimulação ovariana. Nesse sentido, este processo tem como principal objetivo aumentar o número de óvulos produzidos. 

    A técnica é realizada através da injeção de medicamentos que estimulam os ovários a produzir mais óvulos, para obter um número maior de embriões. Durante o período de estimulação, realizam-se ultrassonografias para acompanhar o crescimento dos folículos, até que estejam prontos para coleta.

    Desse modo, a estimulação ovariana aumenta significativamente as chances de gravidez e ainda permite a coleta de óvulos extras num único ciclo menstrual. Esta etapa tem uma duração de cerca de duas semanas, podendo ser estendida, caso necessário.

    Punção folicular

    Quando os folículos alcançam o tamanho adequado e uma quantidade de óvulos aceitável, administra-se uma injeção de hCG para induzir o amadurecimento do óvulo. A punção folicular pode, então, ser agendada por volta de 36 horas após a aplicação de hCG. 

    Para realizar o procedimento, é necessário que a paciente esteja anestesiada, de forma a evitar qualquer desconforto.

    Coleta de Sêmen

    Simultaneamente com a punção folicular realiza-se a coleta dos espermatozoides, que ocorre na clínica, por meio de masturbação. Se há algum problema grave de infertilidade masculina como a azoospermia, que é a ausência dos espermatozoides no sêmen ejaculado, o procedimento pode ser realizado coletando diretamente do testículo ou do epidídimo pelo urologista.

    Desta forma, o sêmen coletado deve ser preparado para que os espermatozoides mais saudáveis e com melhores capacidades reprodutivas sejam selecionados. Isso é fundamental para a realização da etapa seguinte da FIV.

    Fecundação de óvulos

    Após a punção folicular e a coleta dos espermatozoides, começa o processo de fecundação dos óvulos em laboratório.

    A fertilização pode ser feita pela colocação de espermatozoides ao redor de um óvulo, numa placa de cultivo. O através do uso da técnica de Injeção intracitoplasmática (ICSI), técnica que consiste na introdução de um único espermatozoide dentro do óvulo, sendo a ICSI a mais utilizada atualmente.

    Cultivo embrionário

    Quando há fecundação dos óvulos, eles são observados diariamente no laboratório e classificados de acordo com a sua morfologia e capacidade de divisão. Nem todos os embriões vão se desenvolver normalmente e alguns podem ser considerados inviáveis. 

    No entanto, separam-se os embriões saudáveis e em fase de blastocisto para a etapa de transferência embrionária. Existe um limite para o número de embriões que podem ser transferidos, de forma a evitar gestações múltiplas. Assim, os embriões excedentes que se desenvolveram adequadamente podem ser congelados, através de técnicas de criopreservação, para ser utilizado em futuras tentativas. 

    Transferência embrionária

    Nesta etapa do tratamento, selecionam-se os melhores embriões e introduzidos dentro do útero materno. O procedimento é relativamente simples, não requer qualquer tipo de sedação ou anestesia e pode ocorrer no atendimento ambulatorial.

    Teste de gravidez

    Realiza-se um teste de gravidez 10 dias depois da transferência embrionária. Caso o resultado seja positivo, será necessário realizar um ultrassom transvaginal para avaliar o saco gestacional do feto, que acontece duas semanas após o teste de gravidez.

    Quais os riscos e complicações da Fertilização In Vitro?

    Como qualquer procedimento clínico ou cirúrgico, algumas pacientes que se submetem à FIV têm efeitos colaterais. Dessa forma, as complicações mais comuns são as falhas de tratamentos, como consequência da estimulação ovariana, o risco de gravidez múltipla, problemas associados à aspiração folicular e a possibilidade de gravidez ectópica.

    No entanto, a complicação mais comum é a Síndrome da Hipestrimulação Ovariana, que acontece em apenas 2% dos casos. Ela ocorre devido aos altos níveis hormonais produzidos pelos folículos em crescimento após a coleta de óvulos. Nesse sentido, os principais sintomas da condição são:

    • Dor abdominal leve;
    • Inchaço;
    • Náuseas;
    • Vômitos.

    Como se preparar para a Fertilização In Vitro?

    Como já mencionamos, o tratamento de Fertilização In Vitro passa por diversas etapas, que podem ser um pouco desgastantes para o casal. 

    Por esta razão, listamos algumas dicas de como se preparar para a realização de uma FIV: 

    Alivie o estresse

    Busque realizar atividades que lhe dê prazer. Nesse sentido fazer uma massagem, assistir um filme, jantar com amigos ou viajar podem ser ótimas formas para relaxar.

    Participe de grupos de apoio

    O tratamento de Fertilização In Vitro envolve aspectos da sua intimidade que podem ser difíceis de compartilhar, especialmente com pessoas que não estão familiarizadas com a infertilidade. 

    Por esse motivo, é fundamental escolher uma clínica que ofereça acompanhamento psicológico com especialistas. Além disso, participar de grupos de discussão e apoio formados por pessoas que estão passando pela mesma situação, pode ajudar muito.

    Mantenha uma dieta saudável

    Além de grupos de apoio e acompanhamento psicológico, algumas clínicas também oferecem o acompanhamento de um nutricionista para orientar sobre uma dieta equilibrada. Por isso manter uma alimentação saudável é fundamental para o sucesso do tratamento.

    Informe-se e tire todas as suas dúvidas

    Outro aspecto importante para a preparação da Fertilização In Vitro é obter o máximo de informação possível sobre o assunto. Visite o site da clínica, consulte o material disponível e tire todas as suas dúvidas com os especialistas. 

    Terapias de relaxamento

    Uma dica importante que pode fazer toda a diferença é realizar terapias complementares de relaxamento durante o tratamento. Nesse sentido, acupuntura, massagem terapêutica, ioga, entre outras, são sempre bem-vindas.

    Pare com os excessos

    Durante o tratamento é importante tentar manter o foco, principalmente nas etapas mais cansativas do procedimento. Por esse motivo é necessário fazer um esforço para evitar exageros. Assim, é importante evitar o excesso de trabalho, de peso e de atividades extras.

    Realize exercícios físicos

    Realizar atividades físicas é sempre bom para a saúde. Vale lembrar que uma boa alimentação junto com exercícios físicos podem diminuir o peso e ainda melhorar a qualidade dos embriões. Por esta razão, ter bons hábitos de vida é um grande passo rumo ao sucesso no tratamento. 

    Qual a diferença entre Inseminação Artificial e Fertilização In Vitro?

    Muita gente pensa que Fertilização In Vitro e Inseminação Artificial são a mesma coisa. No entanto, os procedimentos são bem distintos. Veja abaixo as diferenças dos dois tratamentos.

    IIU – Inseminação Intra-Uterina ou Inseminação Artificial

    A inseminação artificial (IA) é uma técnica de Reprodução Assistida muito usada em casos de infertilidade masculina e feminina. Nesse sentido, o tratamento consiste na introdução dos espermatozoides diretamente na cavidade uterina da mulher, com o objetivo de facilitar a fecundação do óvulo. Ou seja, este procedimento sincroniza o encontro dos gametas para que a gravidez aconteça.

    Nesse sentido, a técnica considerada de baixa complexidade, potencializa o encontro do espermatozoide com o óvulo. Para isso, coloca-se no útero feminino uma amostra qualificada de sêmen, com preparo prévio em laboratório. Dessa forma a fertilização do óvulo acontece dentro do corpo da mulher.

    Fertilização In Vitro

    A Fertilização In Vitro (FIV) é uma técnica mais complexa que consiste na fecundação (encontro do espermatozoide com o óvulo) em laboratório, ou seja, fora do corpo da mulher.

    Nesse sentido, o tratamento é composto de várias etapas já mencionadas anteriormente como estimulação ovariana, punção folicular, fecundação de óvulos, cultivo embrionário em estufa e transferência do embrião selecionado ao útero. 

    Conheça outras técnicas de Reprodução Assistida

    Além da Fertilização In Vitro e da Inseminação Artificial, existem outros tratamentos de reprodução assistida para casos de infertilidade. 

    Nesse sentido, é importante procurar um especialista para avaliar o que está causando a dificuldade de engravidar. Assim, de acordo com o diagnóstico, o médico pode determinar a melhor técnica a seguir. Confira abaixo outras técnicas da medicina reprodutiva:

    Coito programado

    O coito programado é considerado uma técnica de reprodução humana de “baixa complexidade”. Nesse sentido, trata-se do acompanhamento de um ciclo menstrual da mulher para indicar o momento mais favorável à ocorrência da gestação. Desta forma, o ciclo pode transcorrer de forma natural, sem o uso de medicações indutoras da ovulação.

    No entanto, frequentemente faz-se uso de fármacos capazes de estimular a ovulação. Além, disso, realizam-se ultrassonografias e dosagens hormonais que indicam o período mais favorável para o casal manter relações sexuais maximizando assim a probabilidade de engravidar.

    Mini FIV

    A Mini FIV (Mini Fertilização In Vitro) é uma técnica recente em Reprodução Humana desenvolvida pelo médico japonês Osmau Kato, que se baseia na utilização de doses hormonais menores para o estímulo ovariano. Dessa forma, ela se fundamenta na hipótese já conhecida da ciência, de que são suficientes apenas 2 ou 3 óvulos em uma estimulação ovariana para produzir embriões de boa qualidade.

    Sendo assim, o procedimento utiliza uma Mínima Estimulação Ovariana (MEO), com comprimidos e pouca medicação injetável, deixando o tratamento mais simples. Esta estimulação mais leve se aproxima do planejamento natural de uma gravidez, que mensalmente procura selecionar os melhores óvulos.

    Vale esclarecer ainda que esta técnica deve ser oferecida a casos selecionados, e que também pode ocasionar maior número de cancelamentos do ciclo estimulado e menor número de transferência de embriões. Isto ocorre, pois às vezes o único embrião formado não se desenvolve adequadamente para ter transferência ao útero.

    Por esta razão, não se indica esta estratégia para todas as pacientes. Desta forma, os melhores resultados ocorrem quando a indicação for feita de modo individualizado

    ICSI

    A ICSI, ou Injeção Intracitoplasmática de espermatozoides, é uma técnica de alta complexidade da reprodução humana assistida, que ajuda casais com problemas de infertilidade a realizarem o sonho de ter um filho. Nesse sentido, esse procedimento consiste em introduzir um único espermatozoide, previamente selecionado, diretamente dentro do óvulo para que a fertilização possa ocorrer. 

    Dessa forma, a ICSI é um tratamento de Fertilização In Vitro, já que a fecundação do gameta feminino pelo masculino acontece em laboratório, fora do corpo da mulher.


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  • FIV casal homoafetivo: entenda como funciona o processo

    FIV casal homoafetivo: sim, é possível! A procura de FIV por casais homoafetivos vem aumentando desde 2013 quando o Conselho Federal de Medicina (CFM) passou a permitir a realização de tratamentos de Reprodução Assistida para parceiros do mesmo sexo.

    Desta forma, com a ajuda da ciência, estes pares puderam realizar o sonho de ter filhos biológicos. E assim, as estruturas familiares no Brasil começaram a ser constituídas de diferentes maneiras.

    No texto a seguir, vamos explicar tudo sobre o processo de Fertilização In Vitro (FIV) para casais de relacionamento homoafetivo feminino e masculino. Confira!

    O que é FIV para casal homoafetivo? 

    A Fertilização In Vitro (FIV) é um procedimento de alta complexidade utilizado para tratar diversos casos de infertilidade e ajudar mães solo e casais homoafetivos a ter filhos.

    Nesse sentido, este procedimento é feito com a coleta dos gametas feminino e masculino. A partir daí, realiza-se a fecundação em laboratório, e posteriormente se transfere o embrião ao útero de quem vai gestar o bebê. 

    Assim, os casais homoafetivos femininos precisam escolher um sêmen de doador. Já os casais masculinos precisam de uma doadora de óvulos e de um útero solidário.

    Desta forma, podemos dizer que a FIV é a técnica mais eficaz de Reprodução Assistida para as mulheres com relações homoafetivas e a única forma de tratamento para casais masculinos.

    FIV casal homoafetivo e Conselho Federal de Medicina: saiba mais

    Desde 2013 o CFM, responsável por regulamentar a Reprodução Assistida no Brasil, ampliou a utilização das técnicas para casais homoafetivos que desejam engravidar, independentemente de serem ou não inférteis.

    Já em 2017, uma nova resolução publicada da entidade flexibilizou ainda mais as regras permitindo, por exemplo, o útero de substituição (barriga solidária) por parentescos de até 4ª grau. Dessa forma, as chances de casais masculinos se tornarem pais biológicos aumentaram ainda mais.

    No ano de 2021, também houve uma nova resolução, onde permite que familiares de até 4º possam doar seus gametas para ajudar no tratamento de um casal, desde que não incorra em consanguinidade.

    Regras do CFM para casais homoafetivos

    Confira abaixo as principais regras do CFM relacionadas ao tratamento de casais homoafetivos:

    • A doação de gametas ou embriões não poderá ter caráter lucrativo ou comercial. Desta forma, a doação de óvulos e espermatozoides deve ser anônima ou de parentes de até 4º grau, desde que não incorra em consanguinidade;
    • A idade limite para a doação de óvulos é de 37 anos e para espermatozoides de 50 anos;
    • A identidade dos doadores não familiares não pode ser conhecida pelos receptores e vice-versa;
    • Um mesmo doador poderá contribuir com quantas gestações desejar, desde que em uma mesma família receptora;
    • As clínicas, centros ou serviços onde são feitas as doações devem manter, de forma permanente, um registro com dados clínicos de caráter geral, características fenotípicas e uma amostra de material celular dos doadores, de acordo com legislação vigente;
    • Assim como a doação de gametas e embriões, a cessão temporária do útero não poderá ter caráter lucrativo ou comercial;
    • Um termo de consentimento livre e esclarecido deverá ser assinado pelos pacientes e pela cedente temporária do útero, contemplando aspectos biopsicossociais e riscos envolvidos até o puerpério (pós-parto), bem como aspectos legais da filiação;
    • Para atestar a adequação clínica e emocional de todos os envolvidos, exige-se, também, um relatório psicológico.

    FIV casal homoafetivo: como funciona?

    Quando um casal formado por pessoas do mesmo sexo deseja ter um filho biológico, a técnica mais indicada para concretizar este sonho é a Fertilização In Vitro.

    No entanto, o acompanhamento da gravidez começa bem antes dela acontecer de fato. Sendo assim, ao iniciar o tratamento, estes casais enfrentam escolhas emocionalmente mais difíceis, uma vez que precisam de doação de sêmen, óvulos ou até mesmo útero solidário. 

    Nesse sentido, é muito importante saber sobre todos os detalhes destes processos. Confira como funciona a FIV para o casal homoafetivo feminino e masculino.

    FIV casal homoafetivo feminino

    Para os casais formados por duas mulheres, o material genético masculino vem da doação de sêmen. No entanto, é preciso escolher qual das duas futuras mães vai doar os óvulos e carregar o embrião.

    Caso nenhuma das parceiras possua problemas de infertilidade, permite-se a gestação compartilhada, ou seja, uma das mulheres irá doar os óvulos e a outra irá gestar. Contudo, como a idade é um dos principais fatores que interferem na qualidade dos óvulos, é aconselhável que se opte pelo material genético da parceira mais jovem. 

    Ainda vale lembrar que a mãe que irá gestar pode também influenciar nas características do filho. Isto ocorre, pois existem estudos que revelam que não é só a genética que influencia nas características do ser humano, mas também a epigenética. Ou seja, a formação e o desenvolvimento do novo ser tem relação direta também com o ambiente do útero, a irrigação sanguínea, a nutrição e até mesmo o modo como a mãe que gesta pensa. 

    Sendo assim, o processo de indução da ovulação ocorre da mesma forma como em outras situações de FIV. A estimulação ovariana é feita através de hormônios para a mulher liberar um número maior de óvulos no ciclo. Na sequência, coletam-se os óvulos para fecundar com o espermatozoide em laboratório. A diferença é que o embrião pode ser gestado no útero da outra mãe.

    Como ocorre a doação de sêmen?

    A doação de sêmen é um ato voluntário que busca beneficiar pessoas que não podem ter filhos. A seleção do doador é rígida, com investigação da história pessoal e familiar para afastar doenças genéticas graves. Além disso, realiza-se exames clínicos, laboratoriais (como sorologias para hepatites, HIV, HTLV e sífilis) e avaliação adequada da fertilidade.

    No Brasil, a doação é anônima, solidária e não pode ser remunerada. Sendo assim, a lei brasileira não permite que o laboratório revele a identidade do doador. Tampouco, que ele saiba para quem o seu material foi doado. Por outro lado, a futura mãe consegue saber algumas características dos doadores, como altura, cor dos cabelos, dos olhos e da pele, tipo sanguíneo, profissão, origem étnica, religião e hobby.

    Como doar sêmen?

    A coleta para o banco de sêmen acontece em hospitais e clínicas especializadas, de acordo com as regras da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e do CFM (Conselho Federal de Medicina).

    Uma vez aprovada, as amostras são obtidas por meio de masturbação e armazenadas em nitrogênio líquido por tempo indeterminado. Pode-se utilizar tais gametas por mulheres que desejam a produção independente, casais homoafetivos femininos e casais nos quais o homem não produz espermatozoides viáveis.

    FIV casal homoafetivo masculino

    Os casais homossexuais masculinos precisam da doação de óvulos e de um útero solidário. O útero, por sua vez, deve ser emprestado de forma solidária e temporária apenas para o procedimento de gravidez.

    Por outro lado, o Conselho Federal de Medicina determina que a ovodoação deve ser feita por mulheres que estão em tratamento de Reprodução Assistida. Assim, o casal que irá receber os óvulos pode ajudar nos custos da indução da ovulação. A partir daí, os gametas femininos serão fertilizados pelo sêmen de um deles. Desta forma, após a fecundação, insere-se o embrião no útero da barriga solidária.

    No Brasil, a cedente solidária de útero deve pertencer à família de um dos parceiros com parentesco consangüíneo de até 4º grau, como mãe, avó, irmã, tia ou prima. Ainda vale ressaltar que é proibido contratar uma “barriga de aluguel” no país. Porém, tal procedimento é legal e muito frequente no exterior, sobretudo nos Estados Unidos.

    Como ocorre a doação de óvulos?

    A ovodoação é uma alternativa que ajuda mulheres e casais homoafetivos masculinos a realizarem o sonho de constituir uma família, através de óvulos de outra paciente. Nesse sentido, vale ressaltar que na ovodoação, é importante a idade do óvulo (doadora) e não a idade do útero (receptora).

    No Brasil, permite-se a doação voluntária dos óvulos, bem como a doação compartilhada. Em outras palavras, são os casos em que doadora e receptora estão participando de tratamento de Reprodução Assistida.

    Para o processo ocorrer, é feita uma triagem inicial, tanto com a paciente que compartilhará quanto com a que receberá os óvulos. Assim, a partir das características de ambas realiza-se o cruzamento dos dados. Caso haja semelhanças, encaminha-se o perfil com as características da possível doadora à paciente receptora. 

    Todo o processo acontece em clínicas especializadas de Reprodução Assistida, com total sigilo e anonimato das pessoas envolvidas.

    Como funciona o registro civil de filhos biológicos de casais homoafetivos?

    Desde 2017, consta uma normativa do Conselho Nacional de Justiça que as certidões de nascimento emitidas no Brasil não devem ter os campos “pai” e “mãe”, mas “filiação”, justamente para incluir famílias LGBTQ+. Da mesma forma, os campos “avós paternos” e “avós maternos” também foram substituídos para apenas “avós”.

    Além disso, há também uma resolução do CFM (Conselho Federal de Medicina), que regulamenta o registro de crianças com dois pais ou duas mães em casos de Reprodução Assistida ou barriga solidária.

    Nesse sentido, são necessários alguns documentos para que os casais homoafetivos consigam emitir a certidão de nascimento de seus filhos. Confira quais são:

    • Declaração de Nascido Vivo (DNV);
    • Declaração, com firma reconhecida, do diretor técnico da clínica, centro ou serviço de Reprodução Assistida indicando a técnica adotada. Além disso, é preciso formalizar que a criança gerada em laboratório nasceu mediante uso de material genético doado;
    • Certidão de casamento, certidão de conversão de união estável em casamento, escritura pública de união estável ou sentença em que se reconhece a união estável do casal;
    • RG e CPF do casal; 
    • No caso das gestações que utilizam útero de substituição ou barriga de aluguel, não constará no registro o nome da parturiente. Porém é necessária a apresentação do termo de compromisso firmado pela doadora temporária do útero.

    Reprodução Assistida casal homoafetivo: opções além da FIV

    Antigamente, a única forma de um casal homoafetivo ter um filho era a adoção. Hoje, com os avanços da Medicina Reprodutiva existem alternativas permitindo que um dos parceiros seja o genitor biológico. Nesse sentido, as técnicas de Reprodução Assistida utilizadas são duas: Inseminação Artificial e Fertilização In Vitro.

    Sendo assim, se o casal homoafetivo for do sexo feminino, pode se beneficiar das duas técnicas. A Inseminação Artificial (IA) é um processo mais simples e de baixa complexidade.

    Desta forma, uma das parceiras faz uso de medicamentos para estimulação ovariana e ultrassonografias para monitorar o crescimento folicular, ou seja, a produção de óvulos. No momento adequado, o sêmen doado é transferido ao corpo da mulher para que a fecundação aconteça naturalmente nas trompas de falópio.

    Já na Fertilização In Vitro (FIV), técnica de maior complexidade e com uso de mais hormônios, é possível puncionar até 15 óvulos. Nesse sentido, o encontro do óvulo e do espermatozóide doado ocorre em laboratório. Desta forma, o embrião se desenvolve em estufa e quando está em fase de blastocisto (5º de desenvolvimento) é transferido ao útero materno para a continuidade da gravidez.

    Entretanto, se o casal homoafetivo for do sexo masculino, a única possibilidade de ter um filho biológico é a Fertilização In Vitro. Sendo assim, como já vimos anteriormente, os óvulos devem ser doados e fecundados, em laboratório, com o sêmen de um dos parceiros. Na hora certa, implanta-se o embrião em uma mulher que cederá o útero, através de uma barriga solidária.

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  • Doença inflamatória pélvica: entenda riscos da DIP para fertilidade

    A doença inflamatória pélvica, também conhecida por DIP, é uma infecção que tem origem na vagina e pode progredir afetando o útero, as trompas e os ovários. Nesse sentido, ela é uma das principais causas da infertilidade feminina.

    No texto a seguir vamos esclarecer tudo sobre o tema: quais são os principais sintomas, possíveis complicações, qual é o tratamento e como é possível preveni-la.

    O que é doença inflamatória pélvica?

    A doença inflamatória pélvica é uma síndrome clínica provocada pela entrada de vários agentes infecciosos pela vagina em direção aos órgãos sexuais internos.

    Nesse sentido, ela pode atingir o colo do útero, útero, as trompas de falópio e os ovários causando inflamações em toda a pelve. Sendo assim, a doença é uma infecção dos órgãos reprodutores femininos.

    Quais são as causas da Doença Inflamatória Pélvica?

    A doença inflamatória pélvica está normalmente relacionada com a proliferação de microrganismos e ausência de tratamento adequado.

    Nesse sentido, sua transmissão ocorre é geralmente durante a relação sexual com um parceiro infectado. Sendo assim, as principais causas da DIP são bactérias transmitidas sexualmente, na maioria das vezes, por gonorreia ou clamídia. 

    Apesar de ser normalmente relacionada com infecções sexualmente transmissíveis (IST), a DIP pode estar também ligada a outras situações como a colocação de DIU, endometriose, realização de biópsia do endométrio ou curetagem uterina.

    Sintomas da Doença Inflamatória Pélvica 

    O maior problema da doença inflamatória pélvica é que ela pode ser silenciosa durante muito tempo. Nesse sentido, os efeitos da infecção geralmente só aparecem quando há um grande aumento do número de bactérias na região. Ou, então, quando o canal apresenta dificuldade para engravidar e investiga as possíveis causas.

    Dessa forma, os primeiros sinais podem ser uma dor leve ou moderada na parte inferior do abdômen. Conforme a inflamação se espalha, a dor abdominal aumenta e podem aparecer sintomas como:

    • Febre igual ou superior a 38ºC;
    • Dor forte no abdômen e na região pélvica, principalmente durante a sua palpação;
    • Dor nas costas;
    • Sangramento vaginal fora da menstruação ou após a relação sexual;
    • Corrimento vaginal amarelado ou esverdeado com mau cheiro;
    • Dor durante o contato íntimo, principalmente durante a menstruação;
    • Dor ao urinar;
    • Náusea e vômitos. 

    Como é o diagnóstico da Doença Inflamatória Pélvica?

    Na presença de qualquer sinal ou sintoma de DIP, recomenda-se procurar imediatamente um médico para avaliar a situação da paciente e, assim, indicar o tratamento adequado.

    Dessa forma, o diagnóstico da doença inflamatória pélvica é feito a partir da observação e análise dos sintomas pelo ginecologista. Além disso, pode-se solicitar outros exames, como a ultrassonografia transvaginal ou pélvica, ressonância magnética ou laparoscopia, que costuma confirmar a doença. Todavia, o médico também pede a análise da secreção vaginal com o objetivo de identificar o microrganismo relacionado com a inflamação.

    A partir dos resultados dos exames, é possível verificar o estágio da doença. Confira abaixo quais são:

    • Estágio 1: Inflamação do endométrio e das trompas, mas sem infecção do peritônio;
    • Estágio 2: Inflamação das trompas com infecção do peritônio;
    • Estágio 3: Inflamação das trompas com oclusão tubária ou comprometimento tubo-ovariano, e abscesso íntegro;
    • Estágio 4: Abscesso tubo-ovariano rompido, ou secreção purulenta na cavidade. 

    Dessa forma, ao identificar a gravidade da DIP e o agente infeccioso responsável, é possível indicar o tratamento mais adequado.

    Quais são as possíveis complicações da Doença Inflamatória Pélvica?

    Quando o tratamento para a doença inflamatória pélvica não acontece rapidamente, a doença pode se desenvolver e causar vários tipos de cicatrizes no aparelho reprodutor feminino, podendo resultar em várias complicações como:

    • Gravidez ectópica: acontece porque a presença de cicatrizes nas trompas pode impedir a saída do óvulo para o útero. Desta maneira a fecundação ocorre nas trompas, o que é um sério risco para a mulher.
    • Infertilidade: dependendo dos locais onde as cicatrizes da DIP se desenvolvem, a mulher pode ficar com infertilidade;
    • Abcessos nos ovários: as cicatrizes podem resultar no acúmulo de pus, o que causa o desenvolvimento de abcessos no aparelho reprodutor. Esta situação pode acabar causando uma hemorragia ou infecção generalizada.
    • Peritonite: É uma inflamação do peritônio, que é uma membrana que envolve a cavidade abdominal e reveste os órgãos do abdômen, formando uma espécie de saco. Esta complicação geralmente resulta de uma infecção, ruptura ou grave inflamação de um dos órgãos do abdômen. 

    Doença Inflamatória Pélvica e infertilidade: entenda relação

    Como já vimos, a doença inflamatória pélvica é uma infecção dos órgãos reprodutores femininos como o útero, as trompas e os ovários. Por esta razão, considera-se a DIP uma das causas mais comuns de infertilidade feminina.

    Nesse sentido, muitas mulheres com doença inflamatória pélvica acabam tendo sequelas a longo prazo. Nos EUA, por exemplo, aproximadamente uma em cada oito pacientes têm dificuldade em engravidar. Além disso, um terço das infectadas apresenta a infecção novamente.

    No entanto, a DIP raramente afeta as meninas antes da primeira menstruação (menarca), durante a gestação ou após a menopausa. Sendo Assim, o risco é maior para as mulheres que:

    • São sexualmente ativas e menores de 35 anos;
    • O parceiro não utiliza um preservativo;
    • Têm muitos ou novos parceiros sexuais;
    • Têm uma Infecção Sexualmente Transmissível ou vaginose bacteriana;
    • Já tiveram doença inflamatória pélvica anteriormente;
    • Possuem um menor nível socioeconômico (que geralmente têm menos acesso a cuidados de saúde).

    Doença Inflamatória Pélvica prevenção 

    A prevenção da doença inflamatória pélvica é essencial para a saúde e a fertilidade de uma mulher. Nesse sentido, o uso da camisinha masculina ou feminina é a melhor forma de evitar a doença.

    Vale lembrar que jovens já infectadas com a DIP devem passar por consulta periodicamente para serem orientadas de forma correta sobre a prática do sexo seguro. Dessa forma, vão conseguir evitar futuros problemas de infertilidade.

    Doença Inflamatória Pélvica tratamento

    O tratamento para doença inflamatória pélvica deve ocorrer o mais cedo possível para prevenir consequências graves no sistema reprodutor da mulher como infertilidade ou possibilidade de ter gravidez ectópica.

    Dessa forma, a intervenção consiste no uso de antibióticos orais ou em injeção, durante 14 dias ou de acordo com a prescrição médica. Nesse sentido, o principal medicamento recomendado é a azitromicina. Porém, outros antibióticos também podem ser indicados como:

    • Amoxicilina;
    • Ceftriaxona;
    • Doxiciclina;
    • Metronidazol;
    • Levofloxacino;
    • Gentamicina;
    • Clindamicina.

    Durante o tratamento é importante a mulher estar em repouso, não ter contato íntimo, retirar o DIU (caso faça uso) e tomar medicamentos para aliviar as dores com analgésicos apropriados. Além disso, o parceiro também deve ser tratado, mesmo que não haja sintomas, para evitar recontaminação ou manifestação da doença.

    Sendo assim, após 72 horas do início dos cuidados, a mulher deve ser avaliada novamente pelo ginecologista para verificar se o procedimento escolhido teve bons resultados. Na maioria das vezes, os sinais de melhora surgem já nos primeiros dias de tratamento. 

    Caso isso não aconteça, pode ser necessária a hospitalização para introduzir a medicação pela veia. Todavia, se a situação piorar é realizada uma intervenção cirúrgica com o objetivo de limpar e drenar a inflamação.Está tentando engravidar e não consegue?


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  • Morfologia de Kruger: entenda exame e sua importância para fertilidade masculina

    A Morfologia de Kruger é um dos exames detectados no espermograma, teste normalmente realizado por homens que estão avaliando sua saúde reprodutiva. Nesse sentido, é um dos principais parâmetros na investigação da infertilidade masculina. 

    No texto abaixo vamos abordar este assunto em detalhes, explicando como funciona a análise da Morfologia de Kruger, sua função e seus impactos na escoha do tratamento de Reprodução Assistida.

    O que é Morfologia de Kruger?

    A Morfologia de Kruger é um dos parâmetros avaliados no exame de espermograma, principal teste realizado quando há suspeita de infertilidade masculina. Nesse sentido, analisa a qualidade dos espermatozoides produzidos pelo testículo do homem levando em consideração o formato dos gametas. 

    Desta forma, através da Morfologia de Kruger, avaliam-se os espermatozoides quanto a presença de alterações morfológicas que possam prejudicar a capacidade reprodutiva do homem. Assim, o objetivo é detectar possíveis defeitos na cauda, na cabeça ou no acrossomo (organela na cabeça do espermatozoide com enzimas responsáveis pela penetração do gameta no óvulo). 

    Deste modo, o resultado do exame vai depender do percentual de gametas com comprometimento morfológico. Ou seja, na sua forma, o que pode prejudicar a fertilidade do homem.

    Como é analisada a Morfologia de Kruger?

    Como vimos, a Morfologia de Kruger é uma das análises do espermograma, exame que avalia a concentração, a motilidade, a vitalidade e a morfologia dos gametas masculinos.

    O espermograma acontece a partir do sêmen coletado, normalmente via masturbação. Então um profissional altamente capacitado minuciosamente avalia os espermatozoides em laboratório.  

    A análise da Morfologia de Kruger se refere à avaliação morfológica das células reprodutivas, procurando alterações no formato da cauda, da cabeça ou do acrossomo.

    Para isso, os espermatozoides são coloridos por meio de corantes especiais e avaliados em microscópio óptico em aumento de visualização de mil vezes. Quanto maior a quantidade de espermatozoides com morfologia alterada, maior a chance de infertilidade masculina. 

    Veja onde podem acontecer alterações morfológicas no espermatozoide:

    • Cabeça: o compartimento espermático que contém o material genético, ou seja, toda a informação para a geração do embrião. Na cabeça se encontra também o acrossomo, espécie de “capuz” rico em enzimas e cálcio, fundamentais para que aconteça fecundação natural. 
    • Peça intermediária: é o “pescoço” do espermatozoide, onde estão as mitocôndrias, responsáveis pelo abastecimento energético dos espermatozoides. Dessa forma, defeitos nessa região podem causar redução nos percentuais de motilidade.
    • Cauda: é a parte responsável pelo deslocamento. Assim, alterações na estrutura da cauda inviabilizam o processo de fertilização natural. 

    Existe algum preparo especial para análise da Morfologia de Kruger?

    A análise da Morfologia de Kruger ocorre a partir de uma amostra de sêmen obtida por masturbação.

    A recomendação para o exame de espermograma é que o homem fique de dois a cinco dias em abstinência sexual antes de realizar a coleta. Além disso, é importante que o paciente ejacule dentro do frasco e não faça uso de lubrificantes, pois essas condições interferem no resultado do exame. 

    Fora essas orientações, não há necessidade de jejum alimentar ou nenhum outro tipo de cuidado pré ou pós-exame.

    Quando a avaliação da morfologia de Kruger é considerada normal?

    O resultado da  Morfologia de Kruger é normal quando a quantidade de gametas considerados adequados é igual ou superior a 4%. Ou seja, de cada 100 espermatozoides pelo menos quatro não apresentam alterações morfológicas. 

    Para ser normal o espermatozoide deve ter formato oval, com cabeça de 5 a 6 micrômetros de comprimento e 3 a 4 de largura. Além disso, precisa ter o acrossomo cobrindo de 40 a 70% de sua cabeça e não apresentar anormalidades nas regiões, da peça intermediária e da cauda. Dessa forma, os espermatozoides normais têm maior chance de fertilização do óvulo, e assim, produzir um embrião.

    Morfologia de Kruger: quais as possibilidades de diagnóstico?

    Como já explicado, a Morfologia de Kruger classifica os espermatozoides de duas formas: normal e anormal.  Além disso, ela identifica alterações nos gametas como cauda enrolada, deformações no tamanho e formato da cabeça, defeito na peça intermediária, entre outros. 

    Dessa forma, um dos diagnósticos possíveis da Morfologia de Kruger é a teratozoospermia, quando há uma grande quantidade de espermatozoides com alterações morfológicas. Nesse sentido, as principais causas para esse problema são: varicocele, inflamação no sistema reprodutor, uso de drogas ou origem congênita.

    Como diminuir as alterações morfológicas identificadas pela morfologia de Kruger? 

    Ainda não há formas comprovadas de como melhorar a Morfologia dos espermatozoides, porém alguns hábitos são reconhecidamente prejudiciais para a fertilidade masculina. Dessa forma, é sempre indicado não abusar de álcool nem de cafeína, não fumar, usar drogas ou anabolizantes.

    Além disso, muitas pessoas  acreditam que suplementos vitamínicos e alimentares podem ajudar a melhorar a Morfologia os espermatozoides. Porém, na verdade, esses elementos parecem atuar mais na concentração e na motilidade dos espermatozoides do que na morfologia.

    É possível engravidar com número elevado de espermatozoides anormais? Conheça os tratamentos

    Sim, é possível engravidar mesmo com um número baixo de espermatozoides alterados morfologicamente. Isto porque o diagnóstico de baixo percentual de espermatozoides normais, menor que 4%,indica apenas poucas chances de gravidez espontânea, mas não impossibilidade de gerar um filho. 

    Desta forma, através dos tratamentos de Reprodução Assistida é possível selecionar os gametas masculinos normais, ainda que sejam poucos, e promover a fecundação do óvulo. Nesse sentido, a técnica recomendada vai depender dos valores obtidos no exame. 

    Menos de 4% dos espermatozoides normais

    Quando a Morfologia de Kruger resulta em menos de 4% de espermatozoides normais, o diagnóstico é de infertilidade, com poucas chances de fertilização do óvulo naturalmente.

    Nesses casos, o tratamento indicado é a  Fertilização In Vitro (FIV) pela técnica de ICSI (Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide).

    Nesse sentido, o procedimento consiste em introduzir um único espermatozoide, previamente selecionado, diretamente dentro do óvulo para que a fertilização possa ocorrer.

    Mais ou igual a 4% dos espermatozoides normais: 

    Nestas situações, quando não há fatores agravantes femininos, a inseminação intrauterina (IIU) pode ser uma possibilidade. Também conhecida como Inseminação Artificial, o tratamento consiste na introdução de sêmen dentro da vagina, útero ou trompas de falópio da mulher. O objetivo é aumentar as chances de gravidez quando o espermatozoide não consegue alcançar as trompas por conta de sua baixa concentração e/ou qualidade.


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  • FSH: entenda para que serve o exame e sua importância para a gravidez

    O FSH, conhecido como hormônio folículo-estimulante, é produzido pela hipófise e regula a produção de espermatozoides nos homens e a maturação dos óvulos nas mulheres durante a idade reprodutiva.

    Nesse sentido, o FSH é um hormônio ligado à fertilidade e a sua concentração no sangue ajuda a identificar se os testículos e os ovários estão funcionando corretamente. Desta forma, o exame permite diagnosticar problemas de infertilidade.

    A seguir vamos saber tudo sobre o assunto: quais são os valores de referência no exame, o que significa quando está alterado e qual a relação do hormônio com a reprodução assistida.

    O que é FSH?

    O FSH é o hormônio responsável por estimular o funcionamento dos ovários nas mulheres e dos testículos nos homens. Dessa forma, ajuda na regulação da puberdade, na liberação dos hormônios sexuais e no processo reprodutivo.

    No corpo feminino, o FSH tem papel fundamental para a gravidez. Ele estimula o crescimento do folículo ovariano e o amadurecimento do óvulo, o que leva a produção do estrogênio. Este por sua vez é responsável pelo crescimento do endométrio, local onde o embrião se fixa. Além disso, junto com o hormônio LH, realiza a liberação do óvulo durante o ciclo menstrual.

    Qual o papel do FSH na gravidez?

    Para entender o papel do FSH na gravidez é preciso compreender como o hormônio atua no ciclo menstrual da mulher. Sendo assim, todo o mês o corpo feminino sofre a atuação de vários hormônios que preparam o organismo para a gestação. 

    Este processo, chamado de ciclo menstrual, é resultante da secreção alternada de 4 principais hormônios: estrogênio, progesterona, FSH e LH. Cada um deles tem um papel importante na fertilidade e no processo de gravidez. 

    Como já vimos, os hormônios FSH e LH agem no processo de amadurecimento dos folículos e liberação dos óvulos. Dessa forma, em conjunto, eles provocam a ovulação para possibilitar a fecundação. 

    Além disso, auxiliam na preparação do endométrio, criando um ambiente apropriado para a fixação do embrião. Por outro lado, o estrogênio e a progesterona são secretados principalmente pelos ovários. 

    Assim, os dois hormônios estimulam o crescimento das células da parede interna do útero, que se torna mais espesso e vascularizado. Essas mudanças preparam o útero para a implantação do embrião, e assim a concretização da gravidez.

    Por esta razão, para que ocorra a gestação, é muito importante que haja o equilíbrio de todos estes hormônios durante o ciclo menstrual. Todavia, se a fecundação não ocorrer, os níveis hormonais diminuem e o endométrio descama, o que causa a menstruação. 

    Confira no gráfico abaixo como é a atuação dos hormônios durante o ciclo menstrual da mulher.

    Ovulação: Processo de Liberação do Óvulo

    Como já vimos, o FSH é fundamental para a produção, o crescimento e a maturação dos óvulos, ou seja, para a ovulação das mulheres.

    Assim, durante o ciclo menstrual, o cérebro produz o Hormônio Estimulante Folicular que estimula os folículos que estão dentro dos ovários para que se desenvolvam. Conforme crescem, um dos folículos destaca-se e torna-se dominante (com 7mm de diâmetro). 

    Quando um dos folículos atinge a dominância folicular, ele inicia a produção de estrogênio (hormônio que causa o espessamento do revestimento do útero) em níveis crescentes.

    Quando a quantidade de estrogênio atinge o seu máximo, o óvulo está pronto para ser liberado. Nesse sentido, o cérebro, por sua vez, produz um pico de LH desencadeando a ovulação e causando a liberação do óvulo maduro do ovário. Sendo assim, a ovulação ocorre normalmente de 24 a 36 horas após o aumento de LH e, por isso, pode-se testar o nível deste hormônio para prever o pico da fertilidade.

    Endometriose e Tratamentos Propostos evitando a ação do FSH

    A endometriose é uma doença ginecológica crônica em que ocorre o crescimento das extrauterinas benigno de tecido do endométrio fora do útero, causando reações inflamatórias. Na maioria das vezes, as áreas afetadas por essa anomalia são estruturas reprodutivas, como, por exemplo, os ovários. 

    Desta forma, para diminuir a inflamação, o tratamento pode ser feito por meio de medicamentos analgésicos, cirurgia ou por meio de anticoncepcionais, ou medicações anti-hormonais. Nesse sentido, o contraceptivo é usado para bloquear a ação do FSH e do processo de ovulação, e assim interromper o crescimento do endométrio fora do útero. 

    Já para as mulheres que querem engravidar, não se bloqueia a ovulação, apenas se recomenda o uso de anti-inflamatórios para reduzir a inflamação e a dor no local, e pode ou não ser indicado cirurgia.

    Exame FSH: para que serve?

    O exame FSH normalmente é indicado para avaliar se a fertilidade conjugal está preservada. No entanto, pode ser solicitado pelo ginecologista ou endocrinologista para verificar também:

    • As causas da falta da menstruação ou de ciclos irregulares;
    • A puberdade precoce ou atrasada;
    • A impotência sexual nos homens;
    • Se a mulher já entrou na menopausa;
    • Se os testículos ou ovários estão funcionando corretamente;
    • A baixa contagem de espermatozoides nos homens;
    • Se a mulher está produzindo óvulos de forma adequada;
    • A função da glândula pituitária e se há presença de tumor.

    Qual o melhor dia para fazer o exame FSH?

    O FSH age no organismo feminino na fase folicular, isto é, no começo do ciclo menstrual. Nesse período, sua principal função é promover o crescimento de folículos ovarianos para que ocorra a ovulação.

    Dessa forma, o exame FSH é realizado entre o 3º e o 5º dia do ciclo, sendo que o primeiro dia é quando a mulher inicia a menstruação. Assim, o objetivo do exame é auxiliar na avaliação da reserva ovariana.

    Como é feito o exame FSH?

    O exame de FSH é feito em laboratório a partir de uma amostra de sangue. Vale ressaltar ainda que os resultados podem variar dependendo do momento do ciclo menstrual. Por isso, existe uma recomendação para que seja realizado na fase folicular, ou seja nos primeiros dias de menstruação.

    Preparo para o exame de FSH

    O teste de FSH deve ser realizado com jejum de quatro horas. Contudo, antes do exame, é importante verificar com o médico quais medicamentos podem alterar o resultado do exame.

    Quais são os valores de referência do FSH?

    Os valores de referência do exame FSH variam de acordo com a idade e gênero da pessoa. No caso das mulheres, os números mudam ainda conforme a fase do ciclo menstrual, podendo também ser útil para confirmar a menopausa.

    É importante lembrar ainda que estes dados podem mudar de acordo com cada laboratório. Por isso devem-se observar os valores que cada estabelecimento usa como referência.

    Veja uma tabela padrão:

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    Qual é o FSH normal para engravidar?

    Como já explicamos, na mulher, o FSH, em conjunto com o LH, é responsável por regular o ciclo menstrual e estimular a secreção de estrogênio. Portanto, o equilíbrio dessas ações hormonais é necessário para ocorrer o funcionamento adequado dos ovários, o que favorece a produção, o crescimento e a maturação dos óvulos.

    Sendo assim, a verificação da concentração do FSH no sangue avalia como está a reserva ovariana da paciente. Ou seja, como está a quantidade dos óvulos de cada mulher. Dessa forma, quanto melhor a reserva ovariana, mais chances de se conseguir uma gravidez. 

    Confira abaixo a tabela de indicador do FSH: 

    ResultadoIndica
    Até 5Excelente reserva ovariana
    5 – 10Boa reserva ovariana
    10 – 15Reserva ovariana diminuída
    + 15Baixa reserva ovariana

    Além disso, é importante destacar que quando a mulher atinge a menopausa, os níveis de FSH aumentam.

    Hormônio FSH e LH: Regulação da Atividade dos Ovários e Testículos

    Como já vimos, o FSH e o LH são produzidos pela hipófise e têm como função regular a produção de espermatozoides e a maturação dos óvulos durante a idade reprodutiva.

    Nesse sentido, juntos os hormônios estão ligados à fertilidade, e a concentração no sangue identifica se testículos e ovários estão funcionando corretamente. 

    Como interpretar o exame de FSH?

    Os resultados do exame de FSH são geralmente comparados com as dosagens de outros hormônios, como LH, estrógeno, progesterona e testosterona. Conforme o resultado, o médico pode indicar o que está causando o aumento ou a diminuição desse hormônio, levando em consideração a idade e o gênero. 

    Confira abaixo o que pode significar as alterações do exame:

    FSH alto

    Estar com o FSH alto, geralmente, significa que os ovários e os testículos não estão respondendo da forma adequada ao estímulo hormonal devido a problemas locais. Dessa maneira, a hipófise reage com o aumento da produção de FSH para tentar aumentar o estímulo.

    Assim, a elevação do FSH é uma alteração que pode ser encontrada em diversas doenças, incluindo:

    FSH baixo

    Os níveis de FSH abaixo do normal podem significar os seguintes problemas:

    • Ausência de ovulação;
    • Baixa produção ou ausência de esperma;
    • Mau funcionamento do hipotálamo ou da glândula pituitária; 
    • Presença de tumor que interfere na capacidade do cérebro de controlar a produção de FSH;
    • Estresse;
    • Desnutrição ou baixo peso.

    Além disso, é importante esclarecer que o resultado do exame de FSH pode também ter os resultados alterados por fatores como:

    • Uso de medicamentos hormonais à base de estrógeno, testosterona e/ou progesterona (incluindo anticoncepcionais);
    • Tabagismo;
    • Idade;
    • Uso de determinados medicamentos;
    • Ter feito exames que usam radiação ou contraste na semana anterior ao teste de FSH.

    Tratamento de FSH

    Com o resultado do exame de FSH em mãos, o médico pode avaliar a possibilidade de melhorar a produção do hormônio no organismo. Nesse sentido, a pausa de medicações, uma alimentação adequada, a prática de exercícios frequentes e a qualidade de vida são fatores que contribuem com o equilíbrio do FSH..

    No entanto, não há tratamento que consiga restaurar o funcionamento dos ovários e dos testículos e, assim, controlar os níveis altos de FSH produzidos pela hipófise. Contudo, a partir do momento que  há o aumento do hormônio, é possível recorrer aos procedimentos de Reprodução Assistida para aumentar as chances de uma gravidez.

    FSH e Reprodução Assistida: entenda a relação

    Já mencionamos que as alterações nos níveis de FSH, muitas vezes, podem ser irreversíveis, o que torna os tratamentos inviáveis para o funcionamento espontâneo dos ovários. Contudo, os casais ainda podem recorrer às técnicas de Reprodução Assistida para tentar uma gestação nos casos de infertilidade.

    Sendo assim, em todos os procedimentos de reprodução humana, a primeira etapa é a estimulação ovariana realizada com medicamentos hormonais semelhantes aos naturais. Nesse sentido, eles estimulam o crescimento em maior número, aumentando as chances de gravidez. O FSH atua como uma gestação natural, é fundamental nesse processo, uma vez que ele é o hormônio diretamente responsável pela foliculogênese.

    Nas técnicas de baixa complexidade como coito programado e a Inseminação Artificial (IA), a fecundação acontece naturalmente nas tubas uterinas. Dessa forma, as dosagens utilizadas são mais baixas, com o objetivo de obter até três óvulos.

    Já na Fertilização In Vitro (FIV), técnica de alta complexidade, o encontro do óvulo e do espermatozoide ocorre em laboratório. Assim, o embrião se desenvolve em incubadora e quando está em fase de blastocisto (5º de desenvolvimento, de 5 a 7 dias) é transferido para o útero materno para a continuidade da gravidez.

    No entanto, quando realmente não há produção de gametas, é possível utilizar óvulos ou espermatozoides doados para permitir que o casal realize o sonho de ter um filho. Nesses casos, os óvulos doados são submetidos a uma FIV com os espermatozoides do parceiro ou de banco, e o embrião é transferido para o útero da futura mãe. Já se os espermatozoides forem doados, e os gametas femininos forem saudáveis, tanto a inseminação artificial quanto a FIV podem ser realizadas.

  • Fumar na gravidez: por que faz mal? Entenda efeitos do cigarro para a gestação e fertilidade

    Todo mundo sabe que fumar na gravidez não é uma boa ideia. Isso porque este hábito pode prejudicar não apenas a saúde da mãe, mas também a do bebê. 

    Mas afinal, o que exatamente o cigarro pode causar à gestante? De que modo ele atinge o nenê que está em formação no útero materno? Quais os riscos que a grávida fumante e seu filho correm? Para esclarecer estas e outras dúvidas, leia o texto abaixo.

    Pode fumar na gravidez?

    Não, de forma alguma se deve fumar na gravidez, e isto não é nenhuma novidade. Afinal, a grande maioria das pessoas já sabe que o cigarro é muito prejudicial à saúde. Assim, pode causar diversos tipos de câncer, doenças cardíacas, problemas pulmonares, entre outros. 

    Nesse sentido, é importante explicar que o cigarro contém cerca de 4 mil substâncias químicas. A nicotina e o monóxido de carbono são as duas principais toxinas responsáveis por várias complicações relacionadas a fumar na gravidez. 

    Dessa forma, se a fumaça já é prejudicial tanto para quem fuma quanto para quem apenas inala (fumantes passivos), imagina o que não pode causar no bebê que está se desenvolvendo no útero materno.

    Por isso, os médicos alertam que fumar na gravidez é completamente contraindicado já que coloca em risco a saúde tanto da mãe como o bebê. Além disso, vale esclarecer que a orientação vale também para o narguilé, que pode inclusive apresentar concentrações mais altas de substâncias nocivas do que o cigarro.

    Riscos de fumar na gravidez

    Como vimos, fumar na gravidez é nocivo não somente para a mulher, como também para o feto que fica exposto às alterações provocadas no metabolismo do corpo da mãe fumante. 

    Nesse sentido, a nicotina, por exemplo, pode reduzir o fluxo sanguíneo para a placenta, principal conexão entre a mãe e o feto. Por outro lado, o monóxido de carbono aumenta o risco de hipóxia, que é a redução das taxas de oxigênio no organismo. 

    Além disso, fumar na gravidez também pode aumentar as chances do bebê ter síndrome da morte súbita infantil (SMSI), conforme mostrou uma pesquisa publicada na revista médica Pediatrics.

    Veja o que o tabagismo durante a gravidez pode causar: 

    Riscos de fumar na gravidez para a mãe

    Riscos de fumar na gravidez para o bebê

    • Maiores chance do bebê nascer abaixo do peso;
    • Maior chance de consequências pulmonares; 
    • Mais risco do bebê apresentar morte perinatal;
    • Maiores chances de desenvolver asma;
    • Mais chance de nascer com dependência química da nicotina;
    • Maior probabilidade do bebê nascer com defeitos genéticos.

    Fumar 1 cigarro por dia faz mal na gravidez?

    Na verdade, não existe uma quantidade segura de cigarros que uma mulher possa fumar durante a gravidez. Além disso, podemos dizer que quanto maior o número de cigarros fumados por dia, maior o risco de alterações no organismo, tanto da mãe quanto do bebê. 

    Dessa forma, mesmo apenas 1 cigarro por dia já representa risco para a gestação. Por isso, os especialistas em saúde, especialmente os obstetras e pediatras, reforçam que o recomendável é que as mulheres parem de fumar durante a gravidez e também durante a amamentação.

    Pode fumar durante a amamentação?

    Não. Da mesma forma que a mulher não deve fumar na gravidez, ela precisa se manter afastada do tabaco também durante a amamentação. 

    Isto é importante pois a nicotina existente no cigarro também passa pelo leite e é absorvida pela criança. Além disso, o tabagismo também prejudica a produção do leite materno podendo interferir até no ganho de peso do bebê.

    A pessoa parceira da grávida pode fumar na gravidez?

    A pessoa parceira da grávida não deve fumar na gravidez para prevenir que a gestante se transforme em fumante passivo. Na verdade, qualquer pessoa que convive diariamente com uma mulher grávida, seja em casa ou no ambiente de trabalho, deve evitar o cigarro para que ela não acabe respirando a fumaça de derivados do tabaco. 

    Nesse sentido, mesmo o tabagismo passivo pode ser responsável por diversos problemas de saúde tanto das mães quanto dos bebês. 

    Como parar de fumar na gravidez?

    Sabemos que parar de fumar na gravidez não é uma tarefa fácil. Porém, é algo que precisa acontecer considerando o bem da futura mãe e do seu filho. 

    Nesse sentido, a forma e a motivação variam a cada caso, mas exercícios físicos leves, como caminhada e hidroginástica, e uma alimentação saudável, podem ajudar. Procurar aconselhamento médico também é outra importante estratégia na luta contra o tabagismo.

    Além disso, ocupar a mente e as mãos com atividades que distraiam, como artesanato, pintura ou a leitura de um livro é outro caminho para ficar longe do cigarro. E ainda, naqueles momentos em que a vontade de fumar é muito grande, tente beber um copo de água.

    Veja algumas sugestões que podem ajudar as grávidas a pararem de fumar:

    • Evite situações associadas ao cigarro;
    • Mantenha-se ocupado com atividades prazerosas;
    • Evite o consumo de outras drogas, como o álcool;
    • Melhore a alimentação;
    • Evite alimentos que instiguem o fumo, como o café;
    • Invista em atividades físicas;
    • Busque auxílio de especialistas e profissionais;
    • Peça apoio da família e dos amigos;
    • Reduza os níveis de estresse.

    Tabagismo e Infertilidade: entenda a relação

    Grande parte da população sabe que o tabagismo é prejudicial à saúde, inclusive para quem fuma na gravidez. Porém, poucos conhecem seu efeito negativo na fertilidade. 

    Nesse sentido, os componentes químicos do cigarro afetam a função reprodutiva em vários níveis, possuindo um potencial mutagênico tanto para óvulos quanto espermatozoides. Além disso, ele também causa alterações hormonais, diminuição das taxas de sucesso nos tratamentos de reprodução assistida, como por exemplo a Fertilização In Vitro (FIV).

    Dessa forma, vários estudos mostram que homens e mulheres fumantes têm três vezes mais chances de sofrerem infertilidade quando comparados com aqueles que não fumam. Isto porque o cigarro pode alterar a produção de espermatozoides, a qualidade do sêmen e elevar a fragmentação de DNA dos gametas masculinos. Estes fatores estão associados a maior taxa de abortos e de insucesso nos tratamentos de reprodução.

    Por outro lado, nas mulheres o tabagismo é responsável por diminuir a reserva ovariana e alterar a motilidade tubária. Além disso, interfere na divisão das células do embrião, na formação de blastocisto, no muco cervical e na receptividade do endométrio prejudicando a implantação do embrião. Assim, a fertilidade feminina pode ser muito prejudicada pelo cigarro, que causa também amenorreia, irregularidade menstrual e também acelera a menopausa.

    Veja a influência do cigarro sobre a fertilidade: 

    • A chance de ter problemas de infertilidade é 3 vezes maior para fumantes;
    • Da totalidade de casos diagnosticados de infertilidade feminina, 14% são causados pelo tabaco;
    • Ainda no caso das mulheres fumantes, as chances de entrar na menopausa precocemente também aumentam significativamente, entre 2 a 4 anos antes da idade média;
    • O uso de cigarros também aumenta o risco de abortos espontâneos, em até 27%;
    • Fumar durante a gravidez pode prejudicar a fertilidade do bebê;
    • Filhos cujos pais são fumantes têm mais chances de ter câncer;
    • Mulheres fumantes necessitam de duas vezes mais tentativas de Fertilização In Vitro que as não fumantes;
    • Homens fumantes têm mais espermatozoides anormais, e a porcentagem está associada ao número de cigarros fumados por dia.

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  • Mini FIV: conheça o procedimento e suas diferenças para a FIV tradicional

    A Mini FIV é uma técnica de Reprodução Assistida muito parecida à Fertilização In Vitro tradicional. Nesse sentido, é quando se coletam e fertilizam em laboratório as células reprodutivas do homem e da mulher.

    No entanto, a principal diferença entre a Mini FIV e a FIV tradicional é que a primeira utiliza menos medicamentos hormonais para estimular os ovários. No texto a seguir vamos explicar as particularidades deste procedimento, para quem se indica e suas taxas de sucesso.  

    O que é mini FIV?

    A Mini FIV (Mini Fertilização In Vitro) é uma técnica recente em Reprodução Humana desenvolvida pelo médico japonês Osmau Kato, que se baseia na utilização de doses hormonais menores para o estímulo ovariano.

    Dessa forma, ela se fundamenta na hipótese já conhecida da ciência, de que são suficientes apenas 2 ou 3 óvulos em uma estimulação ovariana para produzir embriões de boa qualidade.

    Sendo assim, o procedimento utiliza uma Mínima Estimulação Ovariana (MEO), com comprimidos e pouca medicação injetável, deixando o tratamento mais simples. Esta estimulação mais leve se aproxima do planejamento natural de uma gravidez, que mensalmente procura selecionar os melhores óvulos.

    Qual a diferença entre FIV e mini FIV?

    Antes de explicarmos as diferenças de Mini FIV e Fertilização In Vitro, é muito importante esclarecer que as técnicas são iguais. Porém, na Mini FIV se usa uma menor quantidade de hormônios para a estimulação ovariana.

    Vale esclarecer que cabe ao médico especialista em reprodução assistida avaliar as necessidades de cada paciente. Sendo assim, muitas vezes se inicia o tratamento de FIV tradicional e percebe-se que não há necessidade de utilizar muitas doses hormonais. Desta maneira, a Fertilização in Vitro se torna uma Mini FIV naturalmente.

    De qualquer forma, vamos explicar abaixo as diferenças do tratamento de Fertilização in Vitro tradicional para uma Mini FIV.

    FIV Tradicional

    A Fertilização In Vitro convencional acontece há mais de 30 anos e tem alcançado altos índices de sucesso, ajudando casais a realizarem o sonho da gestação. No procedimento, aplicam-se várias doses de medicações para estimular os ovários e, assim, gerar uma quantidade maior de óvulos. Desta forma, a técnica aumenta consideravelmente a chance de gravidez por ciclo de tratamento.

    Na FIV é necessária a utilização de injeções diárias de hormônios para a estimulação ovariana. Nesse sentido, o tratamento geralmente produz óvulos excedentes que poderão ser congelados para uma futura gravidez. Contudo, por receber muito hormônio, a paciente pode sentir alguns desconfortos como retenção de líquido, inchaço abdominal e aumento de peso. 

    Mini FIV – (Mínima Estimulação Ovariana – MEO)

    Como já vimos acima, a Mini FIV é muito semelhante ao tratamento convencional de Fertilização In Vitro, porém com a aplicação de doses hormonais menores.

    Entretanto, pela quantidade mínima de medicamentos utilizados, a técnica pode causar menos estresse, inchaço, retenção de líquido e ter um menor custo financeiro.

    Além disso, a Mini FIV produz um número reduzido de óvulos (de dois a quatro no máximo). Isso pode ser interessante para casais que não desejam congelar embriões excedentes, pois todos os embriões gerados pela técnica serão transferidos ao útero.  

    Vale esclarecer ainda que esta técnica deve ser oferecida a casos selecionados, e que também pode ocasionar maior número de cancelamentos do ciclo estimulado e menor número de transferência de embriões. Isto ocorre pois às vezes o único embrião a se formar não se desenvolve adequadamente para posterior transferência ao útero.

    Por esta razão, não se indica esta estratégia para todas as pacientes. Dessa forma, os melhores resultados ocorrem quando a indicação for feita de modo individualizado

    Para quem a mini FIV é indicada?

    A Mini FIV é uma variação da Fertilização In Vitro na qual se utiliza uma quantidade menor de hormônios para estimular os ovários. Nesse sentido, por consequência, produz-se uma quantidade menor de óvulos é produzida, coletada e fertilizada com o gameta masculino.

    Desta forma, não se recomenda a Mini FIV para todos os casos. Confira para quem se indica o tratamento:

    • Mulheres com mais de 35 anos de idade, com baixa reserva ovariana ou com defasagem de folículos;
    • Casais que não desejam congelar embriões excedentes;
    • Tentantes que preferem ter menos efeitos colaterais, comuns em tratamentos de reprodução humana, como inchaço, ganho de peso, retenção de líquido e alterações de humor;
    • Mulheres que têm predisposição de desenvolver a Síndrome da Hiperestimulação Ovariana.

    Mini FIV resultados: quais são as taxas de sucesso?

    Os resultados podem se assemelhar aos da FIV Convencional, em casos específicos onde poucos óvulos podem ter um bom prognóstico. Porém não pode ser proposta para todas as pacientes, pois a pouca quantidade de óvulos, dependendo do caso, pode comprometer os resultados.

    Mini FIV: quanto custa?

    A Mini FIV tem um custo mais acessível do que a Fertilização In Vitro. Isto ocorre pois os gastos com medicações para a estimulação ovariana são menores, e geralmente não há despesas de congelamento de embriões excedentes. Mas vale lembrar que os custos relacionados à punção ovariana e aos processos feitos no laboratório são os mesmos da técnica convencional.

    Como funciona a mini FIV?

    A Mini FIV aproveita as taxas hormonais e o ciclo menstrual natural da mulher para promover o estímulo ovariano, com o auxílio de alguns medicamentos e poucas injeções. Nesse sentido, regulam-se as doses dos remédios de acordo com a resposta que o organismo de cada paciente apresenta durante o tratamento.

    Veja abaixo o passo a passo desta técnica:

    Indução da ovulação

    Na indução da ovulação os ovários são estimulados através do uso de medicamentos hormonais que promovem o crescimento e a maturação dos óvulos. Este estímulo dura de 9 a 12 dias e exames de ultrassom transvaginal ajudam a monitorar o crescimento dos gametas.

    Coleta de óvulos e espermatozoides

    Durante o ultrassom transvaginal, realiza-se uma punção dos ovários para retirar os óvulos maduros. Sendo assim, a paciente é sedada e os folículos são aspirados com uma pequena agulha para um tubo de ensaio. Dessa forma, os melhores óvulos serão  selecionados para serem fertilizados pelo sêmen do parceiro.  

    Geralmente, no mesmo dia em que acontece a punção dos óvulos, também acontece a coleta dos espermatozoides para que ocorra a fertilização em laboratório. Nesse sentido, o gameta masculino é extraído através de masturbação. 

    No entanto, para os casos de azoospermia – quando não há espermatozoide no sêmen – os homens devem se submeter à punção ou biópsia testicular para a obtenção de espermatozoides. Em outras situações, pode-se recorrer também a bancos de sêmen.

    ICSI e desenvolvimento dos embriões

    A Fertilização In Vitro por ICSI (Injeção Intracitoplasmática) é a sofisticação da técnica de FIV e Mini FIV. Assim, em vez dos espermatozoides penetrarem de forma espontânea no óvulo selecionado, apenas um espermatozoide é escolhido e injetado no óvulo maduro. Nesse sentido, o procedimento acontece através de micromanipuladores acoplados aos microscópios e tem altas chances de sucesso.

    Sendo assim, quando há fecundação, os embriões são observados diariamente no laboratório e classificados de acordo com a sua morfologia e capacidade de divisão. Os embriões saudáveis e em fase de blastocisto (embrião no 5º dia de desenvolvimento) vão para a etapa de transferência embrionária.

    Transferência embrionária

    Nesta etapa de transferência, selecionam-se os melhores embriões e introduzidos dentro do útero materno. O procedimento é relativamente simples, não requer qualquer tipo de sedação ou anestesia e pode acontecer no atendimento ambulatorial.

    Nesse sentido, de 7 a 10 dias depois da transferência embrionária, é realizado um teste de gravidez. Caso o resultado seja positivo, será necessário realizar um ultrassom transvaginal para avaliar o saco gestacional do feto.


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