Categoria: Fertilidade

  • Astenozoospermia: quem tem o diagnóstico positivo pode engravidar?

    Você já ouviu falar em Astenozoospermia? Sabe quais são suas causas e consequências? Se é algo reversível? 

    A astenozoospermia é um problema masculino que pode representar um grande problema para a fertilidade do homem. Por isso, para saber mais detalhes sobre essa doença, seu diagnóstico e tratamento, leia o texto abaixo.

    O que é astenozoospermia?

    A astenozoospermia ou astenospermia é a condição masculina que se refere à motilidade dos espermatozoides. Nesse sentido, é a situação na qual as células reprodutoras do homem não têm motilidade suficiente para chegar até o óvulo no corpo da mulher.

    Ou seja, mesmo que a quantidade de espermatozoides vivos no ejaculado corresponda ao normal, o número de gametas móveis e ativos capazes de se mover rapidamente em linha reta são insuficientes. Dessa forma, impossibilita-se a fecundação. 

    Por isso, a astenozoospermia, ou “esperma preguiçoso ou lento”, é um dos casos de infertilidade masculina pois diminui muito as chances do casal conseguir engravidar. Nesse sentido, é necessário dizer que a astenozoospermia não tem nenhuma relação com impotência sexual ou perda da libido, como muitos podem pensar. Dessa forma, a doença afeta apenas a fertilidade do homem, mas não seu desempenho sexual.

    Quais são as causas da astenozoospermia?

    As causas da astenozoospermia são, muitas vezes, relacionadas às infecções na região dos testículos. No entanto, existem vários fatores que podem influenciar a mobilidade espermática:

    • Idade avançada: a mobilidade espermática tende a diminuir após os 50 anos;
    • Alimentação: a falta de vitaminas e antioxidantes pode causar astenozoospermia;
    • Temperatura corporal: os testículos devem ter dois graus a menos que o resto do corpo. Assim, se a temperatura for diferente disso, pode-se afetar a motilidade do esperma;
    • Alterações espermáticas: algumas alterações genéticas afetam os espermatozoides e podem alterar a sua mobilidade;
    • Alterações da via seminal: diferentes alterações nos testículos, epidídimo, canal deferente ou canal ejaculador pode afetar a motilidade. Aqui, especialmente infecções com presença de leucócitos no fluido seminal;
    • Varicocele: refere-se à presença de varizes nos vasos sanguíneos que irrigam o testículo;
    • Longos períodos sem ejaculação;
    • Defeitos na produção de espermatozoides;
    • Obstruções causadas por uma vasectomia;
    • Substâncias tóxicas: cigarro, álcool ou drogas, assim como exposição a fertilizantes ou pesticidas também podem causar danos a motilidade espermática;
    • Tratamentos contra o câncer: rádio e quimioterapia são técnicas agressivas para o esperma.

    Como ocorre o diagnóstico de astenozoospermia?

    A astenozoospermia em si não apresenta sintomas específicos, porém, algumas manifestações podem estar associadas às possíveis causas da doença. Por exemplo, no caso de astenozoospermia causada por varicocele, é provável que o homem sinta dor no testículo, inchaço ou desconforto na virilha. Por isso, em muitos casos, o homem só procura o médico quando o casal apresenta dificuldades para engravidar.

    Nesse sentido, para avaliar uma possível astenozoospermia, um dos primeiros exames solicitados é o espermograma, um teste laboratorial que analisa a qualidade do sêmen. Dessa forma, verificam-se o volume, viscosidade, liquefação, coloração e pH (acidez) do líquido seminal. 

    Além disso, também se analisa a concentração, vitalidade e a motilidade total e progressiva dos espermatozoides, entre outros estudos. Os achados referentes à motilidade, ou seja, ao movimento dos espermatozoides, são um dos principais indícios de astenozoospermia. 

    Veja, na imagem abaixo, os tipos de motilidades avaliados no espermograma:

    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a astenozoospermia ocorre quando menos de 32% dos espermatozoides têm mobilidade progressiva, ou quando menos de 40% têm mobilidade total. No entanto, para um diagnóstico preciso é necessário a realização de pelo menos dois espermogramas, com intervalo de 15 dias. 

    Além disso, para confirmar o diagnóstico o médico pode solicitar exames hormonais para verificar os níveis de FSH, LH e testosterona, e até mesmo a punção testicular. Utiliza-se tal exame para saber se o problema é na produção do esperma ou no caminho até sua saída do corpo.

    Quais são os grupos de espermatozoides?

    Para entender melhor os diferentes graus da astenozoospermia, é importante saber que os espermatozoides são divididos em quatro grupos, de acordo com sua capacidade de se mover. Por isso, confira cada um dos graus abaixo:

    Tipo A 

    São os espermatozoides mais ativos e móveis. Chamados de progressivas, se movem rapidamente em movimento reto e assim são capazes de chegar ao óvulo e fertilizá-lo.

    Tipo B 

    Os espermatozoides desse grupo também são bastante ágeis, porém, apresentam velocidade ligeiramente inferior aos do grupo A. Como se movimentam em linha direta, também têm condições de alcançar o óvulo possibilitando que a fecundação aconteça.

    Tipo C 

    Neste grupo encontram-se gametas vivos e móveis, porém, com uma trajetória de movimento irregular. Dessa forma, ao invés de se moverem em linha reta, “nadam” na direção oposta, ou em círculo, sem sair do lugar. Por isso, não conseguem alcançar o óvulo impossibilitando a concepção.

    Tipo D 

    Este grupo compreende os espermatozoides fixos, que por algumas razões não são capazes de se mover, e assim, não têm chances de fertilizar o óvulo. Em alguns casos, os gametas imóveis podem estar mortos.  

    Quais são os graus de astenozoospermia?

    Sabemos que para ocorrer a fertilização do óvulo é preciso que os espermatozoides sejam morfologicamente normais, não alterados e que sejam progressivos.

    Dessa forma, de acordo com o nível de alteração na sua motilidade, a astenospermia se manifesta em diferentes graus. Conheça os três graus de astenozoospermia na sequência:

    Grau 1

    É a forma mais moderada da doença, quando o conteúdo de espermatozoides móveis e progressivos no ejaculado é reduzido para 40%. Nesse sentido, ainda há boas chances de engravidar. É importante, porém, ficar atento ao problema e tentar corrigir as causas da doença para que a falha na atividade dos espermatozoides não progrida.

    Grau 2 

    Este grau ainda é considerado moderado, porém, o número de gametas móveis e ativos no ejaculado está reduzido em 30-35%. Dessa forma, apenas um terço do espermatozoide conseguem alcançar o óvulo, e assim, a probabilidade de concepção diminui bastante. Os homens com astenozoospermia de grau 2 necessitam de tratamento. 

    Grau 3

    Esta é a forma mais grave da patologia, quando os espermatozoides rápidos e móveis no ejaculado, capazes de fertilização, são inferiores a 30%. Nesse sentido, a gravidez de forma natural se torna muito improvável. Desta forma, será necessária assistência médica para conseguir a fecundação do óvulo.

    Astenozoospermia tem tratamento?

    O tratamento da astenozoospermia é baseado na cura ou na eliminação do fator desencadeante, portanto, depende das causas e da gravidade da doença. Nesse sentido, a conduta médica pode incluir uso de antibióticos, caso o quadro seja decorrente de uma infecção. Ou, então, cirurgia para corrigir uma varicocele, se esta for a causadora do problema. 

    Além disso, mudanças no estilo de vida do homem, com ajustes na alimentação, podem ser suficientes para melhorar a motilidade dos gametas. Desta forma, vale ressaltar que algumas condições são tratáveis ​​com maior facilidade do que outras, o que repercute no grau de sucesso dos tratamentos. 

    Quem tem astenozoospermia pode engravidar?

    A astenozoospermia pode representar um verdadeiro empecilho na fertilidade masculina e do casal, dificultando que a gravidez aconteça de forma natural. Porém, felizmente, já existem métodos alternativos para promover o encontro do óvulo com o espermatozoide quando a doença não pode ser revertida. Nesse sentido, a Reprodução Assistida encontra diversos caminhos para superar os obstáculos da fecundação. 

    Como a Reprodução Assistida pode ajudar quem tem astenozoospermia?

    Quando o homem recebe o diagnóstico de astenozoospermia, não deve perder as esperanças de se tornar pai, afinal, a doença não o torna estéril.

    Desta forma, através de técnicas de Reprodução Assistida é possível juntar óvulo e espermatozoides gerando um embrião, e assim dando início a uma gestação. Um dos tratamentos que tem ajudado muitos homens com astenozoospermia a realizarem o sonho de terem um filho é a Injeção Intra-Citoplasmática de Espermatozoides (ICSI).

    O método consiste em injetar um espermatozoide selecionado dentro do óvulo, promovendo a fecundação em laboratório. Nesse sentido, o primeiro passo é a coleta dos gametas do casal. Para isso, a mulher passa por indução da ovulação feita com medicamentos. 

    Quando os folículos atingem o tamanho adequado, é realizada a coleta de óvulo. Já no caso do homem, os espermatozoides são obtidos pela masturbação, ou são retirados diretamente dos testículos, ou do epidídimo através de uma punção ou uma biópsia. Uma vez formado o embrião, ele é implantado no útero da futura mãe. 

    A Reprodução Assistida é uma opção efetiva para ter filhos mesmo com astenozoospermia. Saiba da importância do diagnóstico da Reprodução Assistida baixando o nosso e-book gratuito!

    Técnicas de Reprodução Assistida: um bom diagnóstico é o primeiro passo
  • Ovulação: saiba a importância do período para a gestação

    A ovulação é um importante evento no ciclo reprodutivo feminino, pois é quando o ovário libera o óvulo e a mulher pode, então, engravidar. Nesse sentido, este processo ocorre, geralmente, uma vez por mês, em cada ciclo menstrual.

    No texto a seguir, vamos detalhar mais o que é a chamada ovulação. Ou seja, como ela ocorre no organismo feminino, sua importância para a gestação e quais os sintomas possíveis no período.

    O que é ovulação?

    A ovulação é o nome que se dá ao momento do ciclo menstrual em que o óvulo é liberado pelo ovário e está pronto para ser fecundado pelo espermatozoide. Nesse sentido, em mulheres saudáveis acontece, normalmente, no meio do ciclo menstrual, através do acionamento de alguns hormônios femininos.

    No entanto, muitas mulheres pensam que ovulam exatamente no 14º dia do ciclo, mas isso é apenas uma média, pois a maioria das mulheres ovula em um dia diferente em cada mês. Sendo assim, da mesma forma que a duração do ciclo menstrual varia de mulher para mulher e de ciclo para ciclo (geralmente de 23 a 35 dias), a ovulação também pode variar de pessoa para pessoa. Nesse sentido, o óvulo é geralmente liberado de 12 a 16 dias antes da próxima menstruação.

    Qual a diferença entre período fértil e ovulação?

    É importante esclarecer que ovulação e período fértil não são a mesma coisa. Enquanto o primeiro é o dia em que o ovário libera o óvulo maduro, estando pronto para ser fecundado, o segundo engloba os dias que precedem e sucedem a ovulação. Dessa forma, marca o período em que a mulher tem maiores chances de engravidar.

    Isso ocorre, pois, depois de liberado, o óvulo só sobrevive 24 horas no organismo da mulher. Já os espermatozoides podem durar de três a cinco dias no trato genital feminino. Logo, é considerado período fértil por volta de três dias antes da ovulação e até dois dias depois da mesma.

    Quais são os sintomas da ovulação?

    Como já vimos, a ovulação é o processo que ocorre normalmente uma vez em cada ciclo menstrual, quando as alterações hormonais acionam o ovário para liberar um óvulo. Isso geralmente ocorre 14 dias antes do início da próxima menstruação e pode gerar alguns sintomas característicos nas mulheres.

    Veja no quadro abaixo quais são:

    • Alta libido: no período ovulatório é comum a mulher se sentir mais estimulada sexualmente. Isto ocorre pois a testosterona feminina, responsável por manter a libido e controlar o desejo sexual, sobe nos dias prévios à ovulação favorecendo as chances de gravidez;
    • Alteração da secreção: durante o ciclo menstrual de uma mulher, o tipo e a quantidade de muco cervical, uma secreção produzida pelas glândulas do colo do útero, se alteram. Ele pode ser pegajoso ou elástico, esbranquiçado ou turvo. Portanto, nos dias que antecedem a ovulação ele torna-se mais transparente e elástico, e frequentemente é comparado à clara do ovo. Esse muco é favorável ao espermatozoide e o ajuda a chegar ao óvulo;
    • Aumento da temperatura: o organismo normalmente mede entre 36 e 37 graus. Durante o período ovulatório, ocorre um aumento de 0,3 a 0,5º na temperatura basal, que é quando o corpo está em repouso durante o sono. Dessa forma, sua medição deve ocorrer assim que acordar;
    • Alterações na saliva: Foi observado que a saliva de uma mulher muda de acordo com a quantidade do estrogênio. Alguns dias antes da ovulação, portanto, há um grande aumento do hormônio no corpo feminino;
    • Dor: Algumas mulheres sentem dor pélvica durante o período ovulatório. Isso acontece porque quando o óvulo se solta do ovário, ele rompe a estrutura que o envolve.

    É importante esclarecer que muitos destes sintomas podem passar despercebidos à maior parte das mulheres e por isso, acaba sendo difícil de identificar o momento exato da ovulação. Assim, mesmo de forma imprecisa, a melhor maneira de saber se a mulher está ovulando é fazendo o cálculo de quando será a próxima menstruação. 

    Além disso, vale lembrar que mulheres que tomam anticoncepcionais orais, não têm ovulação. Consequentemente, não apresentam sintomas, nem podem engravidar.

    É normal sentir dor no período de ovulação?

    Existem mulheres que sentem uma pontada de dor quando ovulam, mas muitas acabam nem apresentando sintomas. Nesse sentido, não é comum que a mulher tenha dores fortes durante a ovulação. Porém, devido ao processo inflamatório que pode gerar na liberação do óvulo, algumas sensações desagradáveis podem aparecer, como:

    • Incômodo abdominal;
    • Sensação de estufamento;
    • Dor durante a penetração.

    Entretanto, se a dor permanecer por mais de um dia ou ficar muito intensa e constante, os especialistas alertam que pode ser sinal de endometriose, mioma, cistos, entre outros males que acometem a região pélvica. Por isso, é importante a consulta com um ginecologista.

    Como acontece o ciclo da ovulação?

    Como já vimos, o período da ovulação na mulher é a fase do ciclo menstrual em o ovário libera o óvulo para sua fecundação. Para entender melhor este ciclo, vamos explicar tudo o que acontece com o corpo feminino antes, durante e após o período ovulatório.

    Antes da ovulação (fase folicular)

    Durante o ciclo menstrual, o cérebro produz o Hormônio Estimulante Folicular . O FSH, como é chamado, estimula os folículos que estão dentro dos ovários para que se desenvolvam. 

    Conforme vão crescendo, um dos folículos destaca-se e torna-se dominante (com 10mm de diâmetro). Além disso, os níveis de estrogênio (hormônio que causa o espessamento do revestimento do útero) começam a aumentar.

    Pronto para ser liberado (ovulação)

    Quando a quantidade de estrogênio atinge o seu máximo, o óvulo está pronto para ser liberado. O cérebro, por sua vez, produz um pico de hormônio luteinizante (LH), desencadeando a ovulação. O aumento de LH causa a liberação do óvulo maduro do ovário. Sendo assim, a ovulação normalmente ocorre de 24 a 36 horas após o aumento de LH e, por isso, testar o nível deste hormônio é bom para prever o pico da fertilidade.

    A partir daí, o óvulo segue para a trompa de falópio, onde se encontra com o espermatozoide. Depois de o embrião ser formado na tuba, ele se desloca para a cavidade uterina onde será implantado no endométrio. 

    Depois da ovulação (fase lútea)

    Após a ovulação o trabalho do folículo continua. Nesse sentido o hormônio luteinizante (LH) transforma o grande folículo produtor de estrogênio em uma máquina de fazer progesterona. 

    E assim, esta máquina chama-se corpo lúteo. Dessa forma, se ocorrer a fertilização, este corpo fornece progesterona suficiente para a gravidez se desenvolver neste período, até que a placenta possa assumir o controle da gestação. 

    É importante ressaltar que o óvulo pode ser fertilizado em até 24 horas após a ovulação. Se isso não ocorrer, os níveis dos hormônios baixam e o revestimento do útero e o corpo lúteo são descartados em forma de menstruação, iniciando o próximo ciclo menstrual.

    Ovulação tardia e ovulação precoce: saiba mais

    Como já vimos, a ovulação acontece em torno do 14º dia do ciclo menstrual, considerando uma mulher com ciclo regular de 28 dias. No entanto, uma série de fatores podem afetar o processo hormonal de liberação do óvulo. Assim, esta previsão pode ser alterada em uma ovulação tardia ou ovulação precoce.

    Confira abaixo as características de cada situação:

    Ovulação tardia:

    É denominada de ovulação tardia quando o óvulo é liberado do ovário após o 21º dia do ciclo menstrual. Nesse sentido, a ovulação tardia pode ser um problema para quem quer prevenir a gravidez (e não usa métodos anticoncepcionais) e também para o casal que planeja engravidar. Dessa forma, se a mulher não possui sintomas na ovulação e o seu período ovulatório estiver alterado, ela não tem ideia de quando será o seu período fértil. 

    Além disso, quando a ovulação retarda, a menstruação também deve atrasar e o fluxo provavelmente virá mais intenso. Isto ocorre devido a maior concentração do estrogênio, hormônio responsável pelo espessamento do endométrio.

    Ovulação precoce: 

    A ovulação precoce acontece quando o óvulo maduro é liberado entre o 8º ao 10º dia do início do ciclo menstrual. Sendo assim, como na ovulação tardia, se a mulher não tem sintomas, ela também não tem ideia de quando ocorrerá a sua ovulação.

    Tratamento para ovulação tardia e ovulação precoce:

    O tratamento para a ovulação tardia ou precoce vai depender da causa do problema. Muitas mulheres, inclusive, conseguem rapidamente normalizar o período ovulatório, apenas diminuindo o estresse. No entanto, caso as alterações sejam constantes, a procura por um especialista é essencial.

    Desta forma, se a situação não for tão simples ou fácil de tratar, o médico pode ainda aconselhar às mulheres que querem engravidar, o uso de técnicas de reprodução assistida. Aqui, a Inseminação Artificial ou a Fertilização in Vitro são aliadas para a realização do sonho da maternidade.

    Qual a importância da ovulação para a gravidez?

    É sempre importante relembrar que a ovulação é o nome dado ao processo de liberação de um óvulo maduro pelo ovário. Ocorre, geralmente, uma vez por mês e é quando há maiores chances de acontecer uma gravidez, pois o corpo feminino está no ápice de sua fertilidade.

    Dessa forma, mulheres que querem engravidar devem, então, manter relações sexuais desprotegidas durante o “período fértil”, que é considerado o conjunto de três dias antes e três dias depois da ovulação.

    Sendo assim, se o óvulo for fecundado, pode se implantar com sucesso no revestimento do útero, o que geralmente ocorre cerca de uma semana após a fertilização. A partir daí, o corpo começa a produzir o hormônio da gravidez, Gonadotrofina coriônica humana (hCG). Ele mantém ativo o folículo esvaziado, que neste momento continua a produzir os hormônios estrogênio e progesterona para evitar que o revestimento do útero seja descartado até que a placenta esteja madura o suficiente para manter a gestação.

    Entretanto, se o óvulo não for fecundado, os níveis de estrogênio e progesterona diminuirão e o revestimento espesso do útero começa a se decompor. Assim, se dá a menstruação e o início do próximo ciclo menstrual. 

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  • Testosterona feminina: qual sua relação com a gravidez?

    Conteúdo atualizado em: 25/04/2024

    Você sabia que a testosterona, frequentemente associada aos homens, é também crucial para a saúde reprodutiva das mulheres? 

    Embora em menor quantidade nas mulheres do que nos homens, a testosterona feminina desempenha um papel vital na regulação das funções biológicas. Além disso, é essencial no processo de reprodução assistida, influenciando aspectos como a qualidade dos óvulos e a receptividade do útero.

    Um desequilíbrio nos níveis de testosterona, seja por excesso ou deficiência, pode impactar significativamente a saúde reprodutiva feminina. 

    Confira a seguir tudo sobre a testosterona feminina e qual a sua relação com as tentativas de gravidez. Entenda como a testosterona feminina influencia a fecundação humana e a eficácia dos tratamentos de reprodução assistida, destacando a importância de manter níveis hormonais equilibrados para a fertilidade.

    Efeitos da Testosterona no Corpo Feminino: Implicações para a Reprodução

    A testosterona é um hormônio esteroide. Embora seja mais abundante nos homens, contribuindo para características como maior massa muscular e desejo sexual elevado, ela é igualmente essencial para as mulheres, mas em doses 20 a 30 vezes menores do que nos homens. 

    No corpo feminino, com a idade, a redução gradual dos hormônios androgênicos (masculinos) que formam testosterona pode levar a uma deficiência que afeta a função sexual, a energia, a composição corporal e a saúde óssea. 

    Nesse sentido, o desequilíbrio da testosterona feminina pode ter consequências sérias, tanto físicas como mentais, prejudicando a saúde da mulher.

    Esta dinâmica hormonal é particularmente relevante no contexto da reprodução assistida, onde os níveis de testosterona podem influenciar a resposta aos tratamentos de fertilidade.

    Quais as funções da testosterona feminina?

    O organismo feminino produz androgênios a partir das glândulas suprarrenais,  ovários e também da conversão periférica de precursores androgênicos (tecido adiposo).  Assim, na fase reprodutiva as mulheres produzem testosterona da seguinte forma:

    No entanto, após a menopausa a produção de testosterona cai de forma significativa, mas continua sendo produzida em menor quantidade. Dessa forma, a testosterona feminina segue agindo para regularizar algumas funções biológicas do corpo como: 

    • Libido;
    • Massa muscular;
    • Disposição física;
    • Emagrecimento;
    • Densidade mineral óssea.

    Quais os efeitos da testosterona no corpo feminino?

    É importante lembrar que mesmo que a quantidade de testosterona da mulher seja pequena, ela é fundamental para executar as funções biológicas já citadas acima. 

    Assim, os médicos condenam utilizar o hormônio para melhorar a performance na academia ou ficar mais disposta para o dia a dia. 

    De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), recomenda-se o uso do hormônio somente em casos de mulheres na menopausa e na pós-menopausa com Síndrome da Excitação e Desejo Sexual Hipoativo. Desta forma, o diagnóstico será feito a partir de sintomas como redução significativa de interesse sexual, recusa da iniciativa do(a) parceiro(a) e redução de excitação durante o ato sexual.

    Avaliação da Testosterona Feminina: Exames Cruciais na Reprodução Assistida

    Além do diagnóstico clínico, o médico também pede exames de sangue para avaliar a presença do hormônio. Desta forma, normalmente são solicitados testes de dosagem da testosterona livre e da testosterona total. 

    A testosterona livre, que representa cerca de 2 a 3% do total, é particularmente importante, pois está disponível para exercer funções biológicas. Estes exames são fundamentais não apenas para avaliar a saúde geral, mas também para otimizar os protocolos de reprodução assistida, garantindo a melhor abordagem para cada paciente.

    Da mesma forma, outros exames podem ser recomendados para avaliação médica como:

    • Densitometria óssea;
    • Colesterol Total e frações;
    • Triglicérides;
    • Glicemia / Hb glicada / Teste de tolerância oral à glicose;
    • Perfil hormonal completo.

    Níveis Ideais de Testosterona para a Saúde Reprodutiva Feminina

    Os níveis normais de testosterona total no sangue feminino variam conforme a idade e podem diferir de acordo com cada laboratório. Entender esses valores é crucial, pois eles fornecem insights valiosos sobre a saúde reprodutiva e podem influenciar as estratégias de tratamento em reprodução assistida.

    Abaixo estão os níveis gerais de testosterona para mulheres em diferentes fases da vida e do ciclo menstrual:

    Desequilíbrio de Testosterona: Impacto na Fertilidade Feminina

    A manutenção de níveis adequados de testosterona é crucial para a saúde metabólica feminina. Desvios desses níveis, seja para mais ou para menos, exigem uma investigação detalhada, pois podem afetar diretamente a fertilidade e o sucesso dos tratamentos de reprodução assistida. 

    A análise cuidadosa dos níveis de testosterona é um passo essencial para garantir a eficácia desses procedimentos.

    A seguir, vamos explicar as causas e os sintomas do desequilíbrio deste hormônio.

    Gerenciamento da Testosterona Alta: Consequências para a Fertilidade Feminina

    Altos níveis de testosterona em mulheres podem ser indicados por alterações no ciclo menstrual e o surgimento de características masculinas, como o crescimento de pelos faciais ou mudanças na voz. 

    Esses sinais são importantes alertas, pois o excesso de testosterona pode impactar negativamente a fertilidade e complicar os procedimentos de reprodução assistida.

    Portanto, é importante procurar um ginecologista assim que notar estes sintomas para que o médico avalie os níveis de testosterona. Sendo assim, após diagnosticar a causa do aumento do hormônio, é possível iniciar o tratamento mais adequado. 

    Vale ainda esclarecer que estas alterações podem surgir em qualquer fase da vida da mulher.

    Veja as principais causas e sintomas da testosterona alta:

    Causas:

    Sintomas:

    • Aumento de pelos corporais, inclusive com crescimento de pelos no rosto e no peito;
    • Ausência de menstruação ou menstruação irregular;
    • Pele oleosa e aumento da acne;
    • Abortos espontâneos;
    • Queda de cabelo semelhante à calvície dos homens;
    • Mudança na voz, ficando mais grave;
    • Aumento do clitóris;
    • Alterações da ovulação, o que pode resultar em infertilidade;

    Tratamento para testosterona alta

    O tratamento para normalizar os níveis de testosterona alta pode incluir a diminuição ou interrupção da suplementação de testosterona, caso a mulher esteja utilizando o hormônio. 

    Além disso, em alguns casos, é feita uma suplementação de hormônios femininos como o estrogênio para equilibrar os níveis hormonais na mulher.

    De acordo com a recomendação médica, outra grande alternativa é o uso da pílula anticoncepcional, pois pode ajudar a diminuir os níveis de testosterona no sangue. 

    No entanto, o tratamento é contraindicado  para as mulheres com câncer de mama ou endométrio, sangramento uterino, tromboses e neoplasias androgênio-dependentes.

    Contudo, também é possível diminuir esse hormônio de forma natural mudando o estilo de vida. Nesse sentido, fazer exercícios regularmente e diminuir o estresse diário também são importantes para regular os hormônios femininos sem ter que recorrer a medicamentos. 

    Além disso, para mulheres obesas ou com sobrepeso, é extremamente indicada a redução do peso por meio de dieta.

    Abordagens para Casos de Baixos Níveis de Testosterona em Mulheres”

    Embora a testosterona seja encontrada em menores quantidades nas mulheres, sua redução pode ter efeitos adversos significativos em várias fases da vida, especialmente afetando a saúde reprodutiva e a resposta aos tratamentos de fertilidade. A compreensão das causas, sintomas e opções de tratamento para baixos níveis de testosterona é fundamental para otimizar os resultados em reprodução assistida.

    Veja abaixo as principais causas e sintomas da diminuição da testosterona em mulheres:  

    Sintomas:

    • Perda de massa muscular;
    • Acúmulo de gordura corpórea;
    • Diminuição do desejo sexual;
    • Dificuldade para atingir o orgasmo;
    • Desinteresse generalizado, que pode ser confundido com depressão em alguns casos;
    • Diminuição da autoestima e da autoconfiança;
    • Diminuição da massa óssea;
    • Fraqueza.

    Tratamento para testosterona baixa

    Existem várias formas de estimular a produção natural do hormônio tanto por meio da melhora na qualidade de vida, por meio de suplementos e medicamentos como o uso de comprimidos, adesivos, géis, injeções e implantes. Da mesma forma, em alguns casos, deverão ser suspensos o anticoncepcional hormonal tomado pela via oral.

    É importante esclarecer que mulheres devem apenas receber testosterona quando possuem alguma disfunção como a Síndrome da Excitação e Desejo Sexual Hipoativo (apenas nas perimenopausas). Ou, então, quando fazem reposição de hormônios ovarianos na menopausa com o estradiol e progesterona.

    Confira abaixo as diferentes possibilidades de tratamento da testosterona baixa:

    • Reposição hormonal com testosterona e outros hormônios em um período curto, e com supervisão médica;
    • Uso de géis vaginais para o favorecimento da resposta sexual;
    • Suspensão do anticoncepcional hormonal tomado pela via oral, se for esse o motivo;
    • Melhoria do estilo de vida;
    • Emagrecimento;
    • Fortalecimento muscular;
    • Prática de exercícios de alta intensidade.

    Vale alertar que ainda não há estudos sobre a segurança do uso do hormônio por períodos mais longos em mulheres. Nesse sentido, diversas hipóteses são levantadas como riscos cardiovasculares vinculados a eventos tromboembólicos, hepatopatias e possibilidade do surgimento de alguns tipos de câncer. 

    No entanto, os principais efeitos colaterais confirmados associados ao tratamento com testosterona são a piora da acne e o hirsutismo (crescimento excessivo de pelos).

    Indicações para Reposição de Testosterona em Tratamentos de Fertilidade

    A reposição da testosterona em mulheres  é um procedimento médico específico, frequentemente utilizado em contextos de tratamentos de fertilidade, comum em casos de pacientes com uma baixa reserva ovariana antes do ciclo de uma FIV A regulamentação do uso de hormônios, incluindo a testosterona, para fins estéticos e de performance foi proibido pelo Conselho Federal de Medicina. 

    Entender quando e como a reposição de testosterona é indicada pode ser crucial para melhorar as chances de sucesso em tratamentos de reprodução assistida. Por isso, a consulta com o especialista é indispensável.

    Como repor a testosterona feminina

    O principal objetivo da reposição de testosterona feminina é promover um alívio de sintomas e a melhora no tratamento da paciente. Nesse sentido, o tratamento consiste na reposição sintética do hormônio, que pode ser feita através de:

    • Comprimidos: remédios que devem ser ingeridos oralmente, diariamente;
    • Gel: o paciente precisa passar o produto no seu corpo para que a pele possa absorver;
    • Injeções: aplicadas periodicamente para suprir a deficiência identificada;
    • Adesivos: colocados na pele.

    Relação entre Testosterona e Sucesso na Fertilização In Vitro

    A testosterona desempenha um papel fundamental na libido e no desejo sexual, e seus níveis aumentam naturalmente antes da ovulação, potencializando as chances de gravidez, no período fértil. 

    Como já explicamos, as mulheres produzem testosterona feminina através dos ovários. No entanto, se os níveis de testosterona feminina sobem, podem alterar ou bloquear a ovulação e até gerar aborto de repetição. 

    O uso de testosterona como adjuvante em tratamentos de reprodução assistida é uma prática em evolução. Algumas pesquisas indicam que a suplementação de testosterona em pacientes com baixa reserva ovariana pode aprimorar a quantidade dos óvulos (oócitos) coletados para a fertilização in vitro, oferecendo uma abordagem promissora para melhorar as taxas de sucesso. 


    Como vimos anteriormente, o acompanhamento com o especialista é crucial para sucesso do tratamento. Entenda a importância do diagnóstico prévio ao início do tratamento e o quanto isso significa para o seu sucesso no nosso e-book “Técnicas de Reprodução Assistida: um bom diagnóstico é o primeiro passo“.

    Técnicas de Reprodução Assistida: um bom diagnóstico é o primeiro passo
  • Oligospermia: quem tem pode ter filhos?

    Você já ouviu falar em oligospermia? Conhece alguém que já teve esse problema?

    A oligospermia é uma condição que afeta a produção de espermatozoides, e impacta negativamente na fertilidade masculina. No texto a seguir vamos falar sobre esta situação, suas causas, sintomas e tratamentos.

    O que é oligospermia?

    A oligospermia se caracteriza pela diminuição do número de espermatozoides no sêmen ejaculado. Em outras palavras, é uma alteração na produção dos gametas masculinos que se manifesta pela pouca quantidade de esperma no sêmen.

    Nesse sentido, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é considerado  diagnóstico de oligospermia quando há uma concentração de espermatozoides abaixo de 15 milhões por mL de sêmen, e um número menor que 39 milhões no total ejaculado. 

    Desta forma, também conhecida como oligozoospermia, a baixa contagem de espermatozoides impacta diretamente no potencial reprodutivo do homem, causando dificuldades para gerar um filho.

    Quais são as causas da oligospermia?

    A oligospermia, ou seja, a redução de espermatozoides no sêmen, tem origem em diferentes causas. Dependendo dos fatores envolvidos no problema, e do grau de comprometimento, a oligospermia poderá ser temporária ou permanente. 

    Veja algumas causas:

    Varicocele

    A varicocele é uma das causas mais comuns de oligospermia. Também chamada de varizes do saco escrotal, se constitui na dilatação anormal das veias dentro do escroto, que é a bolsa abaixo do pênis onde encontram-se os testículos. 

    Nesse sentido, a doença se caracteriza pelo aumento das veias testiculares do cordão espermático, que drenam o sangue dos testículos. A varicocele pode ter causa principalmente por alterações anatômicas (tamanho da veia que drena o testículo) e do mau funcionamento da veia testicular. Assim, gera fluxo inadequado de sangue e acúmulo de substâncias tóxicas no interior do testículo, podendo gerar oligospermia.

    Fatores hormonais

    A atuação dos hormônios regula o funcionamento do corpo humano em várias fases da vida. Assim, da mesma forma que fatores hormonais podem interferir no ciclo menstrual na mulher, eles são capazes de alterar a espermatogênese no homem. 

    Nesse sentido, para a saúde reprodutiva masculina, é importante  avaliar periodicamente os níveis da testosterona, do hormônio tireoestimulante (TSH), do hormônio folículo estimulante (FSH) e a dosagem de prolactina. 

    Alteração genética

    A questão genética também pode interferir na produção de gametas. Algumas síndromes causam alterações nos cromossomos sexuais responsáveis pela regulação da espermatogênese, como por exemplo a síndrome de Klinefelter.

    Idade  

    Vale ressaltar que, para os homens, a idade também impacta na produção dos espermatozoides. Nesse sentido, ao contrário das mulheres, em que a idade causa diminuição do número de óvulos, nos homens pode levar a alterações que comprometam a eficiência da espermatogênese.

    Estilo de Vida

    A  oligospermia também pode ter causa por hábitos de vida e algumas  doenças que interferem na produção dos gametas masculinos. Por isso, é importante manter atitudes para evitar a infertilidade masculina.

    Como é feito o diagnóstico de oligospermia?

    Como vimos, a oligospermia é a diminuição de espermatozoides no sêmen ejaculado, o que muitas vezes causa problemas de infertilidade. Nesse sentido, um dos principais sintomas da doença é a dificuldade do homem em gerar um filho, o que acaba levando o casal a procurar um especialista.

    Dessa maneira, quando o médico vai investigar a saúde reprodutiva do homem, um dos principais exames  que solicita é o espermograma, que analisa a qualidade do sêmen. Também chamado de análise seminal, esse exame laboratorial identifica a quantidade e a qualidade dos espermatozoides produzidos pelo homem.

    Nesse sentido, é importante explicar que diferentes locais do corpo produzem os gametas masculinos e o líquido seminal. Assim, a produção dos espermatozoides é no testículo, enquanto se produz o sêmen na próstata e nas vesículas seminais. Dessa forma, os dois se misturam na uretra prostática e assim compõem o ejaculado. 

    Por isso, no espermograma, a quantidade de líquido ejaculado pode ser normal, mas a quantidade de gametas pode estar alterada. Assim, a partir dos resultados, é possível definir o grau e a intensidade da doença. 

    O que o espermograma avalia?

    O espermograma ocorre a partir de uma amostra do sêmen do homem, obtida através de masturbação, onde se avalia desde o aspecto do ejaculado em si, até a quantidade e as condições dos espermatozoides. 

    Nesse sentido, para um melhor diagnóstico, recomenda-se que o homem fique de 48 a 72 horas em abstinência sexual antes do exame. Além disso, indica-se avaliar ao menos duas amostras de sêmen, de preferência com um intervalo superior a 15 dias entre as coletas.

    Sendo assim, a análise seminal acontece de acordo com critérios definidos pela Organização Mundial da Saúde.

    Contudo, como já vimos, a oligospermia, especialmente nos casos mais graves, pode ter origem cromossômica ou genética. Nesse sentido, devem ser feitos testes genéticos como cariótipo com banda G,  e a pesquisa de microdeleção em cromossomo Y. Estes testes são importantes para fechar o diagnóstico e buscar os tratamentos mais adequados.

    Oligospermia leve, moderada e severa: saiba mais

    A partir dos resultados dos exames, o médico consegue determinar a causa e o grau da intensidade da doença. Como vimos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a contagem média de espermatozoides é de 15 milhões ou mais de espermatozoides por mililitro (mL) de sêmen.

    Dessa forma, valores inferiores tem diagnóstico de oligospermia, lembrando que quanto menor o número de gametas no sêmen, mais grave é a oligospermia.

    Sendo assim, a doença pode se manifestar em graus diferentes:

    • Leve: contagem de 10 a 15 milhões de espermatozoides/mL.
    • Moderada: valores de 5 a 10 milhões de espermatozoides/mL.
    • Severa: quando a contagem de espermatozoides cai entre 0 e 5 milhões de espermatozoides/mL.
    • Azoospermia: Quando a contagem indica a ausência total de gametas

    Qual a diferença entre oligospermia e azoospermia?

    Muitas pessoas podem confundir oligospermia ou azoospermia, porém são duas situações diferentes.

    Enquanto a oligospermia define-se como a redução na concentração de espermatozoides no sêmen ejaculado, a azoospermia se caracteriza pela ausência total do gameta na amostra coletada. Dessa forma, embora sejam dois diagnósticos ligados à reprodução masculina, devem ser avaliados e tratados diferentemente por um especialista.

    Quais são os tratamentos de oligospermia?

    Os fatores que determinam a oligospermia variam bastante, e portanto, afetam o organismo masculino de maneiras diferentes. Sendo assim, a oligospermia pode ser temporária ou permanente, e o tratamento vai depender tanto da causa, quanto do grau de acometimento nos órgãos reprodutores. 

    Conheça as opções de tratamentos da oligospermia:

    Cirúrgico

    Em casos específicos, quando a oligospermia ocorre por Varicocele, por exemplo, o tratamento é cirúrgico. O objetivo é fechar as veias dilatadas para redirecionar o fluxo sanguíneo para outra veia.

    Medicamentoso

    Quando a oligospermia  tem causas em inflamações provocadas por bactérias, o uso de antibióticos específicos ajuda a aumentar a quantidade de espermatozoides.

    Mudanças no estilo de vida

    Algumas simples mudanças no estilo de vida podem impactar positivamente no tratamento da oligospermia. Dessa maneira, escolher uma alimentação saudável, perder peso, diminuir ingestão de álcool, não fumar ou usar drogas pode melhorar a produção de espermatozoides. 

    Tratamento hormonal

    Quando  a baixa de espermatozoides acontece por problemas hormonais, o tratamento inclui a reposição hormonal.

    Reprodução Assistida

    As baixas contagens de esperma diminuem as chances de uma gravidez natural, porém, as técnicas de Reprodução Assistida podem ajudar o casal a realizar este sonho. Isso pois muitos homens com oligospermia ainda são capazes de fertilizar o óvulo da parceira, apenas necessitam uma pequena ajuda das técnicas da medicina reprodutiva.

    Quem tem oligospermia pode ter filhos?

    Ainda que a oligospermia afete o potencial fértil masculino, homens com esta doença, especialmente na forma leve, têm chances, ainda que pequenas, de ter filhos naturalmente.  

    Isto acontece, pois, mesmo que o indivíduo produza gametas viáveis, a baixa quantidade de espermatozoides presentes no esperma pode não ser suficiente para que haja chances reais de fecundação do óvulo. Nesse caso, o casal pode recorrer às técnicas de reprodução assistida para realizar o sonho de ter um filho.

    Reprodução assistida e oligospermia: entenda a relação

    Como vimos, um homem com oligospermia tem alguma chance de  engravidar sua parceira através de relações sexuais. Porém, geralmente, este processo costuma ser mais difícil e demorado, além de correr o risco de não funcionar.

    Isto acontece, pois, a redução do número de espermatozoides, característica  da oligospermia,  prejudica muito as chances de fecundação do óvulo. Desta forma, em muitos casos, as técnicas de reprodução assistida podem ajudar e facilitar o encontro dos gametas para que se forme uma nova vida.

    Conheça as técnicas de reprodução assistida mais  comuns:

    Inseminação artificial (IA)

    Indica-se a técnica da Inseminação Artificial ou intrauterina especialmente quando os espermatozoides não conseguem chegar ao óvulo na tuba uterina. Nestes casos, o sêmen é preparado e inserido diretamente no interior do útero, facilitando a fertilização.

    Confira, abaixo, as etapas do tratamento de Inseminação Artificial:

    1. Indução da ovulação: A mulher passa por uma indução de ovulação através de hormônios, com objetivo de liberar um óvulo em uma data determinada;
    2. Coleta de Sêmen: Os espermatozoides são obtidos através de masturbação ou também podem ser pinçados diretamente dos testículos;
    3. Deposta-se o sêmen é diretamente no útero para facilitar a fecundação.

    Fertilização in Vitro (FIV)

    A Fertilização in Vitro (FIV) é considerada uma revolução na medicina. Nessa técnica, os gametas são unidos em laboratório, e assim, o óvulo é  fertilizado fora do corpo da mulher. Uma vez formado o embrião, ele é transferido diretamente ao útero onde vai ocorrer a gestação.

    Etapas do tratamento de Fertilização in Vitro 

    1. Indução da ovulação: A mulher  passa por estimulação ovariana com uso de hormônios. Os óvulos são captados do ovário por punção transvaginal e o objetivo é coletar o maior número possível por ciclo;
    2. Coleta de sêmen: Os espermatozoides são obtidos através de masturbação ou também podem ser pinçados diretamente dos testículos;
    3. A fertilização ocorre pela injeção de um único espermatozoide no óvulo através de uma micro agulha (ICSI) com a consequente formação dos embriões;
    4. Transferência do embrião ao útero: após 3 a 5 dias de cultivos dos embriões em meio de cultura e mantidos em estufa, estes são transferidos para o útero através de um cateter.

    Agora que você já sabe um pouco mais sobre oligospermia, conheça também  como a diabetes pode impactar a fertilidade masculina! Saiba mais sobre o assunto baixando o nosso e-book gratuito! 

    diabetes e fertilidade masculina
  • Sinéquia uterina: saiba tudo sobre a doença e sua relação com a gravidez

    Você já ouviu falar em sinéquia uterina? Sabe o que é? Para conhecer  mais a respeito deste assunto, especialmente sobre os sintomas, causas e tratamento, leia o texto abaixo.

    O que é sinéquia uterina?

    A sinéquia uterina consiste em aderências de tecido cicatricial que se formam no revestimento interno do útero (endométrio). Nesse sentido, essas aderências se desenvolvem como pontes que ligam as paredes opostas da cavidade uterina causando barreiras no útero.

    A sinéquia uterina é uma doença que acomete mulheres em idade reprodutiva, e se manifesta em três estágios diferentes:

    Leves

    A sinéquia uterina de aderência leve apresenta membranas compostas por tecido endometrial, podendo ser parciais ou totais.

    Moderadas

    No estágio moderado, as aderências contam com tecido fibromuscular revestido por endométrio, o que já pode obstruir a cavidade uterina de forma total ou parcial.

    Severas

    A doença no estágio mais grave apresenta um tecido conectivo denso que causam mais danos à cavidade uterina. 

    Sintomas da sinéquia uterina

    A sinéquia uterina é geralmente assintomática, porém, alguns pequenos sinais podem indicar que algo de errado está acontecendo no útero. 

    Alguns deles são:

    Causas da sinéquia uterina

    A sinéquia uterina pode ter diversas causas, mas a de maior incidência é a curetagem pós abortamento. Nestes casos, o problema surge em decorrência do procedimento de limpeza do útero e a retirada de fragmentos placentários e endometriais. Além disso, outros traumas uterinos estão relacionados às formações cicatriciais no endométrio, como cirurgias para remoção de miomas e pólipos, cesarianas e endometrite.

    Diagnóstico da sinéquia uterina

    O diagnóstico é feito por meio de histeroscopia, exame que permite analisar as características da cavidade uterina e dos tecidos internos do útero como o endocolo e endométrio. Além disso, exames complementares de ultrassom, como histerossonografia ou mesmo a histerossalpingografia, também podem ser usados para chegar ao diagnóstico.

    Quem tem sinéquia uterina pode engravidar?

    Sim, as mulheres que apresentam sinéquia uterina podem engravidar. Nesse sentido, é importante esclarecer que a sinéquia uterina não significa necessariamente que a pessoa é infértil, mas as aderências podem dificultar a gravidez. Além disso, a gestação de uma mãe com sinéquia uterina será considerada de risco.

    Dessa forma, as gestantes que apresentam sinéquia uterina têm mais chances de apresentar algumas complicações como: 

    Como tratar a sinéquia uterina?

    O tratamento da sinéquia uterina depende da gravidade em que a doença se encontra. De acordo com o estágio, o tratamento poderá ser simples, ou mais complexo.

    • Tratamento Simples: É feito quando as aderências no útero não apresentam um tecido muito grosso e pode ser tratado com hiteroscopias não cirúrgicas.
    • Tratamento Complexo: Quando as aderências se mostram mais resistentes ou com tecidos mais grossos. Nesses casos, uma intervenção cirúrgica pode ser necessária. 

    Sinéquia Uterina x Sinéquia Vaginal

    A sinéquia uterina não é o único tipo de sinéquia existente. Nesse sentido, há também a sinéquia vaginal, que acomete predominantemente meninas bem jovens, entre 0 e 6 anos. 

    Embora ambas se relacionem com problemas de aderências,  são duas doenças bem diferentes. Saiba agora também um pouco sobre a sinéquia vaginal:

    O que é sinéquia vaginal?

    A sinéquia vaginal consiste em uma pequena aderência nos pequenos lábios vulvares, podendo obstruir parcial ou completamente o canal vaginal. Também conhecida como vagina fechada, a sinéquia é uma situação bastante frequente, atingindo cerca de 2% a 5% das meninas antes da puberdade. Todavia, ela tem maior incidência entre os três meses e os seis anos de idade.

    Em outras palavras, a sinéquia labial é a fusão dos pequenos lábios entre si, em redor do orifício externo da vagina. Assim, forma-se uma estreita membrana translúcida. Porém, mesmo que ocorra um “fechamento” da vagina, sempre permanece um pequeno orifício que permite a passagem da urina. 

    Vale esclarecer que, embora pareça algo assustador, a sinéquia é facilmente tratável e não deixa implicações futuras.

    O que causa a sinéquia vaginal?

    As causas da sinéquia não são totalmente explicadas, mas estão relacionadas à inflamação dos pequenos lábios, combinada aos baixos níveis de estrogênio. Isso é comum algo em meninas que ainda não atingiram a puberdade (pré-púberes).

    Além do mais, a doença também pode ter origem em higiene precária, trauma, infecção vaginal ou contato com agentes irritantes provocados pelo uso de fralda, por exemplo.

    Possíveis causas da sinéquia uterina

    Quais são os sintomas da sinéquia vaginal?

    Como já vimos anteriormente, a sinéquia dos pequenos lábios provoca o fechamento parcial ou total da vagina, mas de qualquer forma, um pequeno furo é sempre preservado para passagem da urina. Porém, esta situação pode gerar alterações do jato da micção, irritação local e infecções urinárias, causando inclusive mau cheiro na região. Além disso, a obstrução da saída de urina e de secreções vaginais é fator desencadeante de vulvovaginite, que pode provocar dor, coceira e até sangramento.

    Portanto, quando a sinéquia não é diagnosticada nem tratada precocemente, pode gerar problemas para meninas que começam a menstruar. Nesse sentido, a menstruação pode ficar retida em consequência da obstrução vaginal, causando dor e desconforto.

    Cuidados para evitar a sinéquia uterina

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  • Cadeirante pode ter filhos, sim: saiba como o processo de gravidez é possível

    “Cadeirante pode ter filhos?”. Essa é uma pergunta comum, afinal a condição de um cadeirante pode provocar dúvidas sobre a sua vida sexual e também sobre a sua fertilidade. Nesse sentido, algumas pessoas ainda se espantam em ver casais (com pelo menos um dos dois cadeirantes) com um filho no colo.

    Entretanto, é importante esclarecer que a pessoa cadeirante pode ter filhos. Pois, apesar de estar em uma cadeira de rodas, a sexualidade e a fertilidade, tanto da mulher como do homem, muitas vezes se mantém preservada.

    Por esta razão, no texto a seguir vamos falar sobre as possibilidades dos cadeirantes conseguirem gerar um bebê. E, também, explicar sobre o processo de gravidez em cada situação. 

    O que são cadeirantes?

    Cadeirantes são pessoas que fazem uso constante de uma cadeira de rodas para se locomover. Segundo o último levantamento do IBGE, o Brasil tem pelo menos 45 milhões de cadeirantes que possuem algum tipo de deficiência física.

    Nesse sentido, o cadeirante tem quadros e gravidades variáveis, de acordo com a causa e com o tipo de lesão que ocorreu. Sendo assim, a paralisia física pode ter surgido desde o nascimento, assim como ao longo da vida por meio de doenças ou acidentes.

    O que são pessoas com deficiência (PCD)?

    A sigla PcD significa pessoa com deficiência, essa que pode ter origem de nascença ou adquirida durante a vida. Nesse sentido, é uma PcD quem tem limitação física, intelectual, visual ou auditiva. Além disso, se uma pessoa tiver mais de um tipo de deficiência, chamamos de deficiência múltipla.

    Desta forma, a sigla começou a ter uso em 2006, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) publicou a Convenção sobre dos Direitos da Pessoa com Deficiência das Nações Unidas. 

    Antes disso, usava-se a expressão “portador de deficiência”, que não é considerada adequada, pois destaca mais a deficiência do que a condição humana. Vale lembrar, também, que o termo “deficiente” vem caindo em desuso por ser considerado uma palavra pejorativa.

    Por último, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 24% da população brasileira é PcD.

    Sexualidade de cadeirantes: um assunto cheio de mitos

    Muitos mitos cercam o mundo das pessoas com deficiência física, e um deles é em relação ao sexo. Nesse sentido, é importante esclarecer que apesar de terem uma característica biológica peculiar que leva a algumas dificuldades, os cadeirantes têm desejo sexual e podem fazer sexo. Por consequência, a pessoa cadeirante pode ter filhos.

    Sendo assim, o preconceito está relacionado à crença de que o prazer está ligado exclusivamente ao corpo. No entanto, de acordo com os especialistas, o corpo é apenas um instrumento do prazer, pois o sexo começa na mente. Por esta razão, a vida sexual continua com algumas adaptações e diversas possibilidades, como a descoberta de novas zonas erógenas.

    Confira, abaixo, alguns mitos e verdades sobre o assunto:

    Pessoas com deficiência física são assexuais

    Mito. Existe a ideia de que pessoas com limitações físicas são assexuais e que não conseguem ter uma vida sexual ativa por serem consideradas dependentes e frágeis. Porém, é preciso desmistificar esse pensamento, já que a libido, o desejo e a sexualidade dos cadeirantes não são alterados. Por outro lado, é importante entender que o ato sexual para essas pessoas têm certas particularidades.

    Desta forma, a sensibilidade dos órgãos sexuais, por exemplo, pode estar modificada, tanto nos homens quanto nas mulheres. Além disso, a dificuldade de ereção, ejaculação ou baixa lubrificação vaginal são características que podem estar presentes na rotina dos usuários de cadeiras de rodas.

    Sendo assim, o sexo e o prazer são perfeitamente possíveis. O que muda mesmo é a maneira de alcançar e sentir o orgasmo.

    Pessoas com deficiência física só podem se relacionar com outras que também tenham limitações

    Mito. É comum acreditar que pessoas com deficiências físicas só podem se relacionar com quem também tenha alguma limitação, pois só assim haverá entendimento. Isso não é verdade! 

    Entretanto, é preciso que o parceiro ou parceira tenha um conhecimento básico sobre as limitações da outra pessoa para saber como lidar com elas. A troca de informações e uma boa comunicação são muito importantes. Pois, além de evitarem constrangimentos e receios, garantem boas experiências para ambos.

    Sendo assim, a sexualidade de um cadeirante exige cuidados redobrados, carinhos e preliminares.

    Homens com deficiência física não conseguem ter ereção

    Mito. Muitos homens com lesões medulares podem ter ereção, ejaculação e orgasmos. No entanto, o desafio que muitos deles enfrentam é o tempo e a qualidade da ereção.

    Existem alguns fatores determinantes para que isso ocorra ou não. Entre eles estão o ponto da medula que sofreu a lesão (cervical, lombar, torácica, cauda equina ou cone medular), o tipo de deficiência motora. Também, se a lesão é completa ou incompleta.

    Porém, o erro que a grande maioria das pessoas comete é achar que a ereção é o grande foco de uma relação sexual. Nesse sentido é importante explicar que o corpo é repleto de memórias, que envolvem todos os sentidos. Assim, durante as relações, os cadeirantes podem explorar outros meios, como imagens, cheiros, sabores e sons.

    A pessoa com deficiência pode ter uma vida sexual saudável

    Verdade. Como explicamos nos tópicos anteriores, o sexo não está resumido ao ato da penetração. Desta forma, a sexualidade pode ser descoberta e explorada de diversas formas, garantindo uma vida sexual ativa e saudável.

    No entanto, caso haja penetração, pode-se tomar alguns cuidados durante a relação sexual, como o uso de lubrificantes para as mulheres se necessário. Além disso, também é preciso esvaziar a bexiga antes do ato e buscar posições mais confortáveis e prazerosas.

    Vale reforçar que a sexualidade de um cadeirante não acaba após uma lesão ou doença, pois o processo mental ainda é o mesmo. Assim, o desejo sexual permanece. O que acontece é que, em muitos casos, esse desejo é desestimulado e colocado em segundo plano. 

    Muitos acreditam que o foco deve ser a reabilitação física e não o lado sexual, o que acaba incentivando o preconceito que gira em torno desse tema. Dessa forma, tanto a pessoa com deficiência quanto o parceiro ou parceira precisam se adaptar à situação e descobrir novas formas de intimidade.

    Mulher cadeirante pode ter filhos?

    Em geral, a mulher cadeirante pode ter filhos. No entanto o acompanhamento médico deve ser redobrado. Isto porque ela enfrenta os desafios e riscos que qualquer mulher experimenta, acrescidos das especificidades que sua condição impõe.

    Nesse sentido, cada caso apresentará suas particularidades, demandas e riscos. Desta forma, uma pessoa com paraparesia, por exemplo, apresenta restrições e necessidades diferentes das enfrentadas por uma cadeirante com esclerose múltipla. Porém, pode-se abordar as situações e minimizar os riscos com a ajuda de profissionais de saúde competentes e cuidadosos.

    Vale ressaltar que, se a mulher não tiver nenhum impedimento com relação à fertilidade, ela segue tendo ciclos ovulatórios e menstruando. Por esta razão, se mantiver relações sexuais normais, pode engravidar. No entanto, essa condição muda de organismo para organismo. 

    Além disso, mesmo paralisada da cintura para baixo, a mãe pode sentir algum movimento do bebê. Apesar dela não ter a sensibilidade de outras gestantes, ela vai perceber uma movimentação diferente do que está acostumada a sentir. 

    Cuidados especiais durante a gestação da mulher cadeirante

    Uma grávida cadeirante terá que ter cuidados especiais durante a gestação. Porém, os problemas se concentram na mãe, porque o bebê se desenvolve normalmente e sem maiores riscos.

    Confira abaixo os problemas que uma cadeirante pode ter durante a gravidez:

    • Infecção urinária: Essa é uma constante possibilidade para qualquer gestante, mas em especial para uma cadeirante. Por esta razão, a grávida em uma cadeira de rodas deve ser muito vigiada pelo médico, pois a infecção urinária poderá causar complicações;
    • Problemas Circulatórios e Trombose: Indica-se que a grávida cadeirante fique atenta à sua circulação, pois existe um maior risco de aparecer problemas como a trombose. Nesses casos, se necessário, o médico receitará anticoagulantes para ajudar nessa fase;
    • Peso: O peso deve ser uma preocupação para todas as grávidas, e deve ter atenção especial pelas cadeirantes. Isto porque a obesidade pode possibilitar o aparecimento da diabetes gestacional e o aumento da pressão arterial durante a gravidez;
    • O motivo que levou a mãe ficar cadeirante: Este é um aspecto que o médico levará em consideração. Se o motivo for externo, de ordem física, não será problema. Porém se houver alguma doença que levou a mãe à condição de cadeirante, o médico solicitará exames para verificar a saúde do bebê.

    Como funciona o parto de uma mulher cadeirante?

    O parto de uma grávida cadeirante não precisa ser necessariamente uma cesariana. É perfeitamente possível que ela tenha parto normal, pois dependendo do grau da lesão da medula ela poderá sentir as contrações.

    No entanto, para ter o bebê de forma natural, é necessário que a gestante consiga fazer força e empurrar os músculos da parte baixa da barriga. Caso ela não tenha essa sensibilidade, os médicos optam por uma cirurgia de cesariana.

    Homem cadeirante pode ter filhos?

    Como já vimos anteriormente, o homem cadeirante também pode ter filhos. Entretanto, esta é uma questão que depende de alguns fatores como a extensão e o grau da lesão medular. Nesse sentido, quanto mais alta for a lesão na medula, maior será a área de impacto. Isso pois os membros deixam de receber qualquer tipo de estímulo vindo do cérebro.

    Sendo assim, pode-se dizer que a maioria dos homens continua com desejo sexual mesmo após perder os movimentos da cintura para baixo. Além disso, em muitos casos, eles conseguem ter ereção, penetração, ejaculação e orgasmo. No entanto, o que muda nestas situações é que a ereção não dura muito tempo.

    Desta maneira, é muito importante explicar que homens cadeirantes, em geral, não são inférteis e continuam produzindo espermatozóides. Porém, existem algumas exceções onde há algum trauma mais severo na região, que levou à infertilidade, como a oligospermia e a azoospermia.

    Sendo assim, homens com deficiência física podem ou não ter problemas de ereção, mas continuam podendo ter filhos. Caso haja problema na função erétil e na ejaculação, existem medicamentos e tratamentos que podem ajudar neste momento. 

    Por outro lado, se mesmo assim os procedimentos não funcionarem, é possível que os homens cadeirantes tenham filhos através de uma extração de sêmen de forma cirúrgica. Desta maneira, eles podem recorrer ao tratamento de reprodução assistida.

    Tratamentos para conseguir a ejaculação do homem cadeirante

    Existem algumas opções para viabilizar a gravidez entre os casais em que o marido seja portador de lesão medular e que não consegue ejacular espontaneamente. Desta maneira, os métodos para ajudar os espermatozoides a saírem do organismo podem ocorrer por e Eletroejaculação (EEJ).

    Sendo assim, é importante ressaltar que esse material espermático, na grande maioria das vezes, precisará ser levado ao útero. Ou, mais frequentemente, ao interior do óvulo. Isso quer dizer que, nestes casos, é preciso utilizar as técnicas de reprodução assistida, para obter uma gravidez.

    Confira como acontece o tratamento a seguir:

    Eletroejaculação (EEJ) 

    Essa técnica envolve a necessidade de anestesia geral em centro cirúrgico hospitalar, para uso de correntes elétricas intestinais a fim de se obter contrações da musculatura envolvida na propulsão do sêmen.

    Por sua complexidade, é uma técnica menos difundida, com menor praticidade em comparação à VE. No entanto, ela apresenta taxas de sucesso muito altas.

    Todavia, como é mais invasiva, é comum a sua substituição por técnicas que envolvem captura cirúrgica. Isso por conta da maior facilidade de manejo laboratorial, além de serem mais rápidas e com o menor custo financeiro.

    Cadeirante pode ter filhos com reprodução assistida?

    Como já vimos anteriormente, a pessoa cadeirante pode ter filhos de forma natural se não possuem problemas de fertilidade e se a lesão medular não comprometer a ereção e a ejaculação, no caso dos homens.

    No entanto, se há dificuldades, tanto homens e mulheres podem recorrer à reprodução assistida para realizar o sonho de se tornarem pais e mães. Nesse sentido, os casos devem ter avaliação de forma individual por um especialista. Assim, decide-se a técnica mais indicada para cada paciente.

    Veja, na sequência, as técnicas de Reprodução Humana que podem ser utilizadas:

     Em mulheres cadeirantes:

    • Indução da ovulação e orientação do coito: Esta técnica de baixa complexidade consiste na estimulação ovariana feita por medicamentos. Sendo assim, através de exames de ultrassonografia é realizado o acompanhamento dos folículos e óvulos. Assim, quando eles atingem o tamanho ideal, é o período que os casais devem manter relações sexuais com freqüência, pois as chances de gravidez são maiores.
    • Inseminação Artificial ou Intrauterina: Neste procedimento também realiza-se o acompanhamento do ciclo menstrual da mulher. Porém, quando ela entra em seu período ovulatório, o sêmen do parceiro é coletado em laboratório e introduzido, no momento certo pelos especialistas, na cavidade uterina da mulher. Desta forma, a fertilização natural é facilitada através do encontro programado dos gametas. 
    • Fertilização in Vitro (FIV): Esta técnica de alta complexidade é uma das mais utilizadas pelos especialistas por ter maiores chances de sucesso. Nesse sentido, os óvulos e espermatozóides são coletados e fertilizados em laboratório. A partir daí são escolhidos os embriões de maior qualidade para serem transferidos de volta ao útero da mulher.

    Em homens cadeirantes:

    • Fertilização in Vitro (FIV): No caso de homens que tenham sofrido alguma lesão medular, a FIV pode ser a melhor solução. Nesses casos, é necessário realizar a coleta de espermatozóides por meio de algumas técnicas como a Eletroejaculação (EEJ) ou punção direta do epidídimo ou do testículo. Desta forma, após a coleta, o material é levado para o laboratório para ser utilizado na fertilização dos óvulos da parceira. 

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  • Azoospermia: é possível ter filhos mesmo com esse diagnóstico?

    A azoospermia define-se como a ausência de espermatozoides no sêmen, ou seja, é a inexistência do gameta masculino no líquido ejaculado. De acordo com a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM), este diagnóstico pode atingir 1% dos homens em geral, e de 10% a 15% dos casos específicos de infertilidade. 

    Portanto, para entender melhor o que é a azoospermia, é necessário saber como funciona o aparelho reprodutivo masculino, desde a produção dos espermatozoides, até o momento em que ocorre sua expulsão do corpo através da ejaculação. 

    Nesse sentido, é importante explicar que os gametas masculinos (espermatozoides) são produzidos nos testículos e armazenados no epidídimo, onde amadurecem e ganham mais mobilidade. Os espermatozóides viajam pelos ductos deferentes até as vesículas seminais, onde ali permanecem juntamente com o líquido seminal produzidos pelas vesículas, até serem ejaculados, quando há estímulo sexual.

    Dessa forma, o sêmen, também chamado de esperma, é o líquido ejaculado que carrega os espermatozoides e mantêm eles vivos até o encontro com o óvulo para uma possível fecundação. Sendo assim, a azoospermia pode ter causa por falha na produção, no armazenamento ou na passagem dos espermatozoides.

    Quais são os tipos e as causas de azoospermia?

    A azoospermia é um quadro relativamente comum quando se trata de infertilidade masculina, e sua causa pode ter diferentes fatores. Nesse sentido, a ausência de espermatozoides no sêmen pode ter origem na produção, no armazenamento ou no transporte do gameta masculino. 

    Dessa forma, de acordo com a origem do problema, a azoospermia é classificada em obstrutiva e não obstrutiva:

    Azoospermia obstrutiva

    Na azoospermia obstrutiva, o problema não está na produção de espermatozoides, que acontece normalmente, e sim no seu transporte. Dessa maneira, algum bloqueio no sistema reprodutivo impede a passagem dos espermatozoides do epidídimo pelo canal deferente, até sua chegada à uretra. Além disso, a obstrução pode ter sido feita de forma proposital e consciente, como no caso da vasectomia.

    Azoospermia não obstrutiva

    Nos casos de azoospermia não obstrutiva, não existem bloqueios impedindo a passagem dos espermatozoides, porém o problema está na produção dos gametas. Nesse sentido, a azoospermia não obstrutiva pode ter como causa doenças que afetam os testículos e epidídimo, por defeitos congênitos ou por danos externos.

    Como a azoospermia é confirmada?

    A azoospermia não apresenta sintomas aparentes, e mesmo causando infertilidade, não tem relação com impotência sexual. Ou seja, o homem azoospérmico tem desempenho sexual normal, com ereção e ejaculação. Por este motivo, em muitos casos, a azoospermia só é descoberta quando o casal está com dificuldades para engravidar e passa a investigar possíveis causas de infertilidade.

    Segundo especialistas, no Brasil, cerca de 40% dos casos de infertilidade conjugal têm como causas disfunções do sistema reprodutor masculino. Dessa forma, um dos principais exames para avaliação da fertilidade do homem é o espermograma, que deve acontecer em um laboratório especializado. 

    No entanto, o espermograma identifica a azoospermia, mas não diferencia a sua origem, se é obstrutiva ou não obstrutiva. Nesse sentido, além do exame físico realizado pelo urologista e da análise do sêmem, indicam-se outras avaliações para fechar o diagnóstico. Dessa forma, o médico pode solicitar exame hormonal e genético, uma ultrassonografia dos testículos, e, se preciso, biópsia testicular. 

    Saiba mais sobre os exames que investigam a azoospermia:

    Espermograma

    Esse exame laboratorial avalia a quantidade e a concentração de espermatozoides no sêmen, além da sua morfologia e capacidade de movimentação. A amostra para o exame é coletada por masturbações ou por punção nos testículos, quando necessário. 

    Além disso, para um diagnóstico realmente preciso de azoospermia, é importante fazer a pesquisa em microgota da amostra concentrada por ultracentrifugação. Isto é determinante pois alguns homens têm uma concentração tão baixa de espermatozoides no sêmen que não aparecem na contagem convencional. Porém, após ultracentrifugação da amostra, em 30% dos casos encontram-se alguns gametas, o que caracteriza uma criptozoospermia e descarta a azoospermia.

    Outro fator importante para confirmar os resultados do espermograma é a coleta seriada de sêmen. Nesse sentido, os exames devem ocorrer em intervalo de pelo menos dois dias entre eles. Isto é necessário pois, às vezes, o mesmo homem pode ter uma amostra de sêmen com espermatozoides, e outras sem nenhum, mesmo após a ultracentrifugação.

    Análises Hormonais/Genéticas

    Para conhecer o estado de saúde do homem e confirmar o diagnóstico de azoospermia, é importante também avaliar o perfil hormonal completo, que inclui exames de:

    • Testosterona;
    • LH, FSH;
    • Prolactina;
    • Hormônios tireoideanos;
    • Andrógenos adrenais;
    • Esteróides femininos.

    Em muitos casos, uma avaliação genética também é necessária com os seguintes testes:

    • Pesquisa de microdeleções do cromossomo Y;
    • Pesquisa de mutações do gene CFTR;
    • Cariótipo bandas G de sangue periférico, com avaliação de 20 a 100 metáfases dependendo da situação.

    Exames de Ultrassonografia testicular

    Para um possível diagnóstico de azoospermia, é importante também realizar exames de imagem como uma ultrassonografia com doppler colorido e biometria testicular. Nesse sentido, podem trazer informações relevantes para a escolha e o planejamento do melhor tratamento.

    Biópsia Testicular

    O exame de espermograma alterado pode indicar a azoospermia, mas não é capaz de determinar sua origem. Nesse sentido, confirmar se há espermatozoides que estão impedidos de chegar ao sêmen, ou se o problema acontece por falha na produção do gameta, influencia diretamente no tipo de tratamento. 

    Desta forma, a biópsia no testículo é um procedimento complementar no diagnóstico de infertilidade masculina, e ajuda a esclarecer se existe azoospermia obstrutiva ou não obstrutiva. 

    Nesse sentido, o procedimento realizado sob anestesia ou sedação consiste na retirada de uma fragmento do tecido testicular, que, analisado ao microscópio, pode revelar a existência ou não de espermatozoides. 

    Quem tem azoospermia pode ter filhos?

    A resposta para essa pergunta é sim, na maioria dos casos. Porém, é importante ressaltar que os tratamentos de azoospermia ligam-se diretamente ao seu tipo e causa. Por isso, ter o diagnóstico correto é de extrema importância. 

    Nesse sentido, quando se trata de uma azoospermia obstrutiva, o tratamento busca reconstruir o caminho natural por meio de cirurgias como a reversão da vasectomia ou desobstrução urológicas. Além disso, o objetivo pode ser coletar espermatozoides, a partir de microcirurgia, para fazê-los chegar aos óvulos com métodos de reprodução assistida. 

    Por outro lado, quando a azoospermia é não obstrutiva, o problema pode ter solução com terapia hormonal, ou com tratamento de varicocele. 

    Conheça os principais tratamentos da azoospermia:

    Reversão da Vasectomia

    A vasectomia é uma das causas frequentes da azoospermia obstrutiva. Neste procedimento são seccionados os canais deferentes, ductos responsáveis pela condução dos espermatozoides dos testículos até as vesículas seminais. Dessa forma, o homem continua ejaculando sêmen, mas sem espermatozoides, inviabilizando a gravidez. 

    Porém, se o homem vasectomizado quiser recuperar sua fertilidade, ele pode recorrer à reversão da vasectomia. Dessa forma, em um processo cirúrgico, esses ductos são religados, possibilitando novamente a passagem dos espermatozoides para que se misturem ao líquido seminal e sejam ejaculados. 

    No entanto, vale ressaltar que este não é um procedimento com sucesso garantido. As chances de restabelecer uma boa contagem de espermatozoides e efetivamente conseguir nova gravidez é inversamente proporcional ao tempo da cirurgia realizada. Nesse sentido, após 10 anos de vasectomia, a taxa de gravidez gira em torno de 35%, porém, depois de 20 anos, as chances são bem menores.

    Tratamento da Varicocele

    A varicocele é uma das origens da azoospermia não obstrutiva, e consiste na dilatação anormal das veias dentro do escroto, bolsa abaixo do pênis onde encontram-se os testículos. 

    Nesse sentido, o paciente com varicocele pode ser tratado por técnica subinguinal microcirúrgica, que realiza a análise minuciosa das veias acometidas e possibilita a sua correção. Dessa forma, com a normalização da circulação do testículo, pode haver melhora nos parâmetros do espermograma. 

    Tratamento Hormonal

    Em casos de azoospermia não obstrutiva associada com disfunções hormonais, um dos tratamentos é a manipulação hormonal masculina, o que é diferente da reposição de testosterona.  Essa modalidade de tratamento aumenta as chances de espermatozoides ejaculados, além de elevar a possibilidade de se conseguir gametas retirados diretamente de dentro dos testículos, quando necessário.

    Tratamentos de Reprodução Assistida

    Os homens com azoospermia não precisam desistir do sonho de se tornarem pais biológicos. Isto acontece pois algumas técnicas cirúrgicas permitem a obtenção de espermatozoides diretamente do epidídimo ou dos testículos, por punção ou microcirurgias. 

    Dessa forma, os gametas masculinos coletados podem ser usados para gerar uma gravidez através de técnicas de reprodução assistida como a Fertilização in Vitro (FIV), ou com Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóide (ICSI). As taxas de sucesso giram entre 25-65%.

    A técnica indicadas para procura e coleta de espermatozoides no epidídimo ou testículos depende do tipo e da causa da azoospermia. Saiba mais abaixo:

    PESA (percutaneous epididymal sperm aspiration) 

    A punção percutânea do epidídimo é um método simples de obtenção de espermatozoides através de aspiração percutânea do epidídimo. É Indicado para homens vasectomizados e com azoospermia obstrutiva.

    TESA (testicular sperm aspiration) 

    A aspiração de espermatozoides no testículo é um método simples que consiste na obtenção de espermatozoides através de aspiração percutânea (punção) do testículo. É indicado para pacientes com azoospermia obstrutiva e não obstrutiva, anejaculação;

    TESE (testicular sperm extraction) 

    A extração de espermatozoides do testículo é um método para obtenção de espermatozoides por biópsia aberta. Recomanda-se para pacientes com azoospermia não obstrutiva.

    MiCRO-TESE (microdissection testicular sperm extraction)

    A microdissecção testicular para extração de espermatozoides é um método de obtenção de espermatozoides através de microcirurgia testicular. Indicado para pacientes com azoospermia não obstrutiva em que há falha nos outros métodos de obtenção cirúrgica de espermatozóides;

    MESA (microsurgical epididymal sperm aspiration)

    É um método microcirúrgico de obtenção de espermatozoides através da aspiração microcirúrgica do epidídimo, onde com auxílio de um microscópio é possível avaliar e escolher os melhores túbulos do epidídimo para coleta de fluido epididimário. Indicado para pacientes com azoospermia obstrutiva.

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  • Progesterona: entenda como o hormônio afeta a gravidez

    A progesterona é um hormônio feminino, produzido pelos ovários, responsável por regular o ciclo menstrual e preparar o útero para receber e manter uma eventual gestação. Nesse sentido, ela é liberada a partir da ovulação, perto do 14º dia do ciclo menstrual, após a ação do hormônio luteinizante (LH). 

    Embora seja mais conhecida por sua função na saúde reprodutiva de pessoas designadas mulheres ao nascer, a progesterona também está presente em níveis menores em outros corpos. Ela pode ser administrada em diferentes contextos da medicina reprodutiva, incluindo em pessoas trans ou em casais homoafetivos.

    Dessa forma, os níveis de progesterona aumentam após a ovulação e mantêm-se altos caso exista uma gravidez. No entanto, se a fecundação não ocorrer, os ovários deixam de produzir progesterona e o revestimento do útero (endométrio) é descamado e eliminado naturalmente através da menstruação.

    De acordo com a Dr. Vitória Piccinini, especialista em reprodução assistida, esse processo é natural e cíclico, mas variações nos níveis hormonais — seja por fatores ambientais, genéticos ou clínicos — podem interferir na regularidade menstrual ou dificultar uma gravidez espontânea.

    Assim, podemos afirmar que a presença equilibrada de progesterona no corpo é essencial para a capacidade reprodutiva de mulheres em idade fértil. Já a diminuição dos níveis normais deste hormônio pode resultar em problemas de fertilidade, gravidez ectópica ou abortos de repetição.

    Por isso, a dosagem de progesterona é frequentemente monitorada em tratamentos de reprodução assistida. Sua suplementação pode ser indicada como forma de aumentar as chances de implantação embrionária e sustentação da gestação nas fases iniciais.

    Qual é a função do hormônio?

    Os hormônios são pequenas moléculas que viajam pela corrente sanguínea até chegarem a um órgão. Nesse sentido, a progesterona tem a função de interagir com o útero, a vagina, o colo do útero, as mamas, bem como o cérebro, os vasos sanguíneos e os ossos. Ela desempenha um papel essencial na fertilidade e também na saúde geral de pessoas em idade reprodutiva, independentemente da identidade de gênero.

    Dessa forma, associada à gravidez, a progesterona prepara o endométrio para a gestação e estimula este revestimento a ficar mais espesso para receber o embrião (etapa fundamental para que a implantação ocorra com sucesso nos tratamentos de reprodução assistida). 

    Além disso, ela inibe as contrações musculares do útero, evitando a expulsão do embrião através de um aborto. Nesse sentido, a progesterona é fundamental para que o embrião sobreviva. Assim, durante a gestação, ela também ajuda as glândulas mamárias a se desenvolverem colaborando para a lactação.

    Por essas razões, a suplementação de progesterona é amplamente utilizada em protocolos de fertilização in vitro (FIV), ovodoação e outros procedimentos de reprodução assistida, especialmente em fases iniciais da implantação embrionária.

    Contudo, entre outras funções, a progesterona também auxilia o organismo a utilizar a gordura como fonte energética. Além disso, ela ajuda na ação dos hormônios relacionados à tireoide, renova a libido, regula o sono, ajuda a manter a densidade óssea e diminui o risco de câncer de endométrio. Também é estudada em abordagens terapêuticas integradas para saúde hormonal:

    • em pessoas que passam por variações intensas de ciclo 
    • em transições hormonais, como na menopausa ou em processos de transição de gênero.

    Progesterona durante a menstruação

    Vale ressaltar que os níveis de progesterona alternam de acordo com a ovulação. Sendo assim, no início do ciclo menstrual (durante a menstruação) o hormônio fica baixo e continua assim durante a fase folicular. Esse período é especialmente monitorado em ciclos de reprodução assistida, pois baixos níveis de progesterona nesse estágio são esperados e servem como referência para a fase seguinte.

    Por outro lado, os índices de progesterona aumentam no meio da fase lútea. Se houver gravidez, a progesterona continuará sua produção, estimulando a formação de vasos sanguíneos no endométrio que alimentarão o feto em crescimento. Esse processo, chamado de decidualização, é fundamental para a implantação embrionária bem-sucedida — tanto em gestações espontâneas quanto nos tratamentos como a FIV. 

    Uma vez que a placenta se desenvolve, ela começa também a secretar progesterona, substituindo o corpo lúteo. Por esta razão, os níveis de progesterona permanecem elevados durante a gravidez, para que o corpo não produza mais óvulos. Esse equilíbrio hormonal evita novas ovulações e contribui para a estabilidade do ambiente uterino até que a gestação esteja consolidada.

    Entretanto,  se a concepção não acontecer durante a ovulação, o corpo lúteo se decompõe, diminuindo os níveis de progesterona no organismo. Neste momento, encerra esta fase do ciclo e inicia a menstruação. A queda da progesterona, nesse contexto, serve como gatilho para a renovação endometrial. Esta etapa é fundamental para reiniciar o ciclo e, em tratamentos de reprodução, pode ser controlada com medicações para ajuste de janela de implantação.

    Progesterona alterada: quais são os sintomas e diagnóstico?

    Como já observamos, os níveis de progesterona se alteram ao longo do ciclo menstrual. No entanto, as alterações de forma exagerada ou prolongada para mais ou para menos, podem indicar problemas no corpo feminino. Saiba o que pode significar cada uma delas:

    Progesterona alta

    A progesterona alta, segundo a Dra. Vitória, normalmente não é uma condição, mas consequência de outra alteração hormonal no corpo. Nesse sentido, caso não ocorra a fecundação, um nível elevado de progesterona, pode ser um indicativo de problemas como cisto no ovário, hiperfuncionamento de glândulas suprarrenais e câncer de ovário ou de endométrio. É importante lembrar que níveis altos de progesterona em si nem sempre representam risco, especialmente em fases específicas do ciclo ou durante a gravidez. O contexto clínico e os exames complementares ajudam a interpretar corretamente cada caso.

    Assim, entre os sintomas mais comuns associados à progesterona elevada, podem estar:

    • Inchaço abdominal;
    • Sensibilidade ou dor nas mamas;
    • Fadiga excessiva ou sonolência;
    • Tonturas ou sensação de desorientação;
    • Alterações de humor (irritabilidade, ansiedade ou tristeza);
    • Dores de cabeça frequentes;
    • Queda de libido;
    • Acne ou pele oleosa;
    • Ganho de peso inexplicado;
    • Retenção de líquidos.

    Progesterona baixa

    Caso os níveis de progesterona fiquem abaixo do ideal, quem deseja gestar pode ter dificuldades para engravidar porque o endométrio não é preparado para receber o embrião. Além disso, como destaca a Dra. Vitória, pessoas com baixos níveis de progesterona e que conseguem engravidar correm maior risco de aborto espontâneo ou parto prematuro. Isto ocorre porque o hormônio ajuda a manter a gravidez. 

    Em tratamentos como a fertilização in vitro (FIV), é comum a prescrição de progesterona suplementar justamente para evitar esse tipo de falha. Isso é feito especialmente em ciclos com embriões congelados ou ovodoação, onde o corpo não produz o hormônio naturalmente.

    Conheça alguns sintomas que indicam o baixo nível de progesterona no corpo:

    • Ciclos menstruais irregulares ou curtos;
    • Dificuldade para engravidar;
    • Abortos espontâneos recorrentes;
    • Sangramento entre as menstruações;
    • Tensão pré-menstrual intensa (TPM severa);
    • Alterações de humor (irritabilidade, ansiedade, depressão);
    • Baixa libido;
    • Ondas de calor e suor noturno (mesmo fora da menopausa);
    • Sono ruim ou insônia;
    • Secura vaginal;
    • Dores de cabeça ou enxaquecas frequentes;
    • Ganho de peso, especialmente na região abdominal.

    Vale ainda ressaltar, que algumas condições como prolactina elevada, hipotireoidismo ou síndrome dos ovários policísticos (SOP) podem originar uma ovulação rara ou ausente, o que levaria a níveis baixos de progesterona. Nestes casos, a causa da progesterona baixa deve ter um diagnóstico e tratamento.

    Progesterona na gravidez: entenda a relação

    Como já abordamos, o papel da progesterona na gravidez é preparar o corpo inteiro da pessoa para receber um outro ser vivo.

    Nesse sentido, durante a gestação, a produção de progesterona ocorre inicialmente no corpo lúteo, uma estrutura que surge assim que o óvulo é liberado no ovário e que também tem a função de manter o endométrio adequado e a sustentação da gestação inicial até que a placenta esteja funcional e assuma a produção hormonal.

    Além disso, a progesterona ajuda ainda a manter a gravidez, causa o relaxamento da musculatura do útero e por fim, auxilia no desenvolvimento das glândulas mamárias, necessárias para amamentação.

    Entretanto, quando ocorre a deficiência da progesterona, pode acontecer falhas no processo de implantação do embrião. Dessa forma, pode haver prejuízo da fase inicial da gravidez, levando muitas vezes a abortos de repetição. 

    Como diagnosticar a alteração da progesterona?

    Para verificar se há alteração nos níveis de progesterona, é fundamental procurar um médico ou médica ginecologista ou endocrinologista que vai solicitar um exame de sangue laboratorial.

    Sendo assim, os valores de referência utilizados por laboratórios são os seguintes:

    • Início do período menstrual: 1 ng/mL ou inferior;
    • Antes da ovulação: inferior a 10 ng/mL;
    • 7 a 10 dias depois da ovulação: superior a 10 ng/mL;
    • No meio do ciclo menstrual: 5 a 20 ng/mL;
    • Primeiro trimestre de gravidez: 11 a 90 ng/mL;
    • Segundo trimestre de gravidez: 25 a 90 ng/mL;
    • Terceiro trimestre de gravidez: 42 a 48 ng/mL.
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    Como corrigir os níveis de progesterona?

    O tratamento para corrigir os níveis de progesterona normalmente acontece quando a quantidade do hormônio é mais baixa que o normal. Nesse sentido, indica-se o uso de comprimidos de progesterona, como Utrogestan, principalmente no caso de pessoas com dificuldade para engravidar. Já nas grávidas com elevado risco de aborto, a progesterona normalmente é administrada via vaginal pela própria paciente.

    Sendo assim, de acordo com a Dra. Vitória, na maioria dos casos, a administração deste tipo de medicamento acontece durante 10 dias seguidos e após o 17º dia do ciclo menstrual. A duração do tratamento e as doses dos medicamentos devem ter cálculos específicos para cada caso.

    Já para as mulheres na menopausa, a reposição hormonal, apesar de ser polêmica, é ainda muito indicada para normalizar os índices dos hormônios no corpo.

    Por esta razão, independente do caso, ter o acompanhamento clínico é imprescindível para assegurar a saúde e o bom funcionamento do organismo como um todo.

    Como aumentar os níveis de progesterona naturalmente?

    Para as mulheres que optam por não tomar a progesterona sintética, existem alguns cuidados que podem ajudar a aumentar a concentração do hormônio produzido naturalmente pelo corpo. Veja quais são:

    • Tomar chá de cúrcuma, de tomilho ou orégano;
    • Aumentar a ingestão de alimentos ricos em vitamina B6, como bife de fígado, banana ou salmão;
    • Tomar um suplemento de magnésio, com orientação de um nutricionista;
    • Preferir alimentos com elevada quantidade de proteína;
    • Fazer uma alimentação rica em vegetais, fruta e legumes de folhas escuras, como espinafre.

    Além disso, dar preferência para alimentos orgânicos também pode ajudar na produção de progesterona. Essa recomendação acontece uma vez que os químicos utilizados nos alimentos embalados podem prejudicar a capacidade do corpo para produzir hormônios.

    Como métodos anticoncepcionais interferem na progesterona?

    Os contraceptivos hormonais são métodos para prevenção da gravidez à base de formas sintéticas de hormônios femininos: o estrogênio e a progesterona. Alguns destes métodos combinam os dois hormônios, enquanto outros têm apenas progesterona. Nesse sentido, os contraceptivos podem agir de duas maneiras para evitar a gravidez:

    • Eles atuam para que os níveis da progesterona do corpo fiquem baixos e uniformes, inibindo o pico da ovulação. Dessa maneira, as mulheres não ovulam;
    • Espessando o muco do colo do útero, dificultando a chegada do espermatozóide ao útero;

    Além disso, eles podem ser tomados via oral, injetados, vaginal, aplicados em forma de adesivos ou implantados sob a pele. Veja mais detalhes sobre os tipos de contraceptivos hormonais:

    • Pílula oral: Existem vários tipos de pílulas, inclusive de uso contínuo;
    • Anel Vaginal: É um objeto de silicone que a mulher insere na vagina, onde os hormônios liberam-se lentamente para prevenção da gravidez. O anel, portanto, deve ficar dentro da vagina por três semanas contínuas. Na quarta semana, deve ser retirado para ocorrer a menstruação;
    • Adesivo anticoncepcional: Com aspecto semelhante a um curativo, o adesivo é colocado no corpo e os hormônios são absorvidos através da pele. Utiliza-se em esquema semelhante ao anel vaginal: três semanas com e uma semana sem o adesivo;
    • Anticoncepcional injetável: Aplica-se uma injeção a cada um ou três meses, dependendo do tipo. Contudo, quando se interrompem as injeções, a fertilidade pode demorar até sete meses para voltar;
    • Implantes contraceptivos – É um pequeno bastão implantado pelo ginecologista sob a pele, na face interna do braço não dominante, que libera progesterona. O procedimento é rápido, feito com anestesia local e é eficaz por até três anos.

    Estrogênio e progesterona: conheça as diferenças

    Os principais hormônios sexuais femininos são o estrogênio e a progesterona, produzidos principalmente pelos ovários (sob o comando da hipófise) durante a fase reprodutiva da mulher. Nesse sentido, eles são fundamentais para a puberdade e desenvolvimento das características sexuais femininas como o crescimento das mamas, pêlos pubianos, contornos do corpo e pela fertilidade da mulher.

    Todavia, apesar de atuarem conjuntamente no corpo feminino, eles possuem funções diferentes. Saiba mais sobre cada hormônio:

    Estrogênio: É o principal hormônio feminino. Ele promove o desenvolvimento das características sexuais da mulher, além de ser responsável pelo crescimento do útero, tamanho de músculos, mamas, glândulas e coxas.

    Na adolescência, o estrogênio é o hormônio de maior importância. Nesse sentido, é ele quem define as características dos órgãos sexuais femininos (pilificação, mamas, vagina), além de ser o responsável pela feminilidade da mulher como o brilho do cabelo, a textura da pele e o timbre de voz.    

    Progesterona: Hormônio que regula o ciclo menstrual, ajuda na formação do embrião, modula o sistema imune para tolerar o embrião e sustenta a gestação. Contudo, sua principal função está relacionada com o preparo do endométrio para o recebimento e manutenção da gestação. Dessa forma, se a mulher tiver alguma deficiência neste hormônio durante a fase reprodutiva, ela pode ter dificuldade para engravidar.

    Se você está tentando engravidar ou tem dúvidas sobre seus níveis hormonais, nossa equipe está pronta para acolher sua jornada com atenção e cuidado. Agende uma conversa com um de nossos especialistas e descubra o que é possível fazer no seu caso.

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  • Prolactina alterada: quais as consequências para a gravidez?

    A prolactina, também chamada pela sigla “PRL”, é um hormônio produzido pela glândula hipófise, que fica localizada na parte inferior do cérebro. Uma das principais funções da prolactina é estimular a produção de leite pelas glândulas mamárias, para que ocorra a amamentação após o parto. Por esta razão, recebeu o nome popular de “hormônio do leite”.

    Além disso, fora do período gestacional, a prolactina também controla outros hormônios femininos. Nesse sentido, ela está envolvida na regulação da menstruação e da ovulação.

    Vale lembrar que a hipófise, além de produzir a prolactina, é ainda responsável pela produção de outros hormônios que determinam funções importantes do organismo, como as gônadas, supra renais e tireoide. Sendo assim, recomenda-se verificar os níveis de prolactina e suas respectivas alterações, como um balizador da hipófise. Dessa maneira, se a prolactina estiver alterada, o médico poderá investigar uma série de complicações no organismo que podem, inclusive, afetar a fertilidade feminina e masculina.

    Tenho prolactina alta? Descubra sintomas e causas

    De acordo com a literatura médica, o aumento da produção da prolactina provoca a hiperprolactinemia, doença que pode atingir tanto mulheres quanto homens em idade adulta fértil (entre 20 a 50 anos).

    Nesse sentido, nas mulheres, pode causar alteração menstrual e infertilidade. Já nos homens, gera impotência sexual por prejudicar a produção de testosterona, além de aumentar as mamas (ginecomastia).

    Sintomas:

    Quando a prolactina está alta, vários sinais e sintomas podem atingir os pacientes. Confira os principais: 

    • Infertilidade;
    • Falta de libido;
    • Dor durante o ato sexual (dispareunia); 
    • Menstruação irregular (oligomenorreia);
    • Ausência de menstruação (amenorreia);
    • Produção de leite sem gestação (calactorreia);
    • Disfunção erétil;
    • Aborto espontâneo;
    • Dores de Cabeça (suspeita de tumor na hipófise);
    • Alterações visuais (suspeita de tumor na hipófise).

    Causas:

    Muitos fatores podem levar uma pessoa a apresentar alteração na produção de prolactina. As causas podem ser fisiológicas, farmacológicas e patológicas:

    • Fisiológica: o próprio organismo, por necessidade, aumenta a liberação de prolactina no sono, no stress físico e psicológico, na gravidez, durante a amamentação e no orgasmo sexual;
    • Farmacológica: a alta da prolactina também pode se relacionar ao uso de algum medicamento. Assim, qualquer droga que modifique a liberação da dopamina induz a alterações da prolactina. 

    Além disso, alguns medicamentos que têm a possibilidade de interferir são: antipsicóticos, antieméticos (reguladores da motilidade gástrica), metoclopramida e domperidona. Os anti-hipertensivos, antiácidos, opioides (estimuladores da secreção de dopamina), alguns antidepressivos e estrógenos (hormônios sexuais) também estão nessa lista.

    • Patológica: outra causa do aumento do hormônio é quando envolve alterações no bom funcionamento do organismo, como:
      • Lesões do Hipotálamo ou da Haste Hipofisária: a dopamina tem a capacidade de inibição da secreção de prolactina. Sendo assim, quando há problema na liberação dela, a produção de prolactina não tem controle, e a hipófise secreta o hormônio em maiores quantidades;
      • Tumores secretores de Prolactina: tumores do tipo Prolactinomas são produtores de Prolactina;
      • Demais lesões da hipófise: massas tumorais que não estejam relacionadas com tumores secretores de prolactina também podem induzir o aumento do hormônio, pois eles comprimem a haste hipofisária. Portanto, diminuem a comunicação inibitória da dopamina e a hipófise.
      • Demais Causas: hipotiroidismo, síndrome dos ovários policísticos, estimulação periférica neurogênica, falência renal ou cirrose hepática. 

    Exame de prolactina: como funciona?

    O exame de prolactina é fundamental para verificar como andam os níveis do hormônio no corpo. 

    Nesse sentido, acontece por meio de coleta de sangue, e o resultado sai, aproximadamente, em um dia. Contudo, os valores de referência da prolactina podem variar de acordo com o laboratório e o método de análise realizado.

    Quando a prolactina está acima de 100 ng/mL, a causa mais comum é o uso de remédios ou a presença de micro tumores. Por outro lado, quando os valores estão acima de 250 ng/mL, provavelmente, se trata de um tumor maior.

    Além disso, para realizar o exame, é importante estar atento a algumas recomendações.

    Gravidez e prolactina elevada: atenção para os riscos

    A prolactina elevada ocorre em aproximadamente 0.5% da população geral. Nesse sentido, pode causar infertilidade por promover alterações na produção dos hormônios FSH (folículo-estimulante) e LH (hormônio luteinizante). Eles são responsáveis pela estimulação das gônadas (testículo e ovários).

    Isto ocorre pois a prolactina tem também a função de inibir a secreção destes hormônios. Sendo assim, se a prolactina estiver alta e fora da normalidade, resulta na diminuição do LH e do FSH. Nesse sentido, a deficiência dos hormônios sexuais pode gerar diminuição do desejo sexual (libido), impotência, infertilidade, menstruação irregular ou ausência de menstruação. 

    Em muitos casos, a alteração da prolactina pode acontecer por meio de medicamentos. Caso o nível do hormônio seja estabilizado, a paciente consegue retomar a função ovariana, assim como a menstruação e a fertilidade.

    Nos casos mais graves, quando identifica-se um tumor maior na hipófise (adenoma), o tratamento é cirúrgico e, na maioria das vezes, o problema é solucionado.

    Nesse sentido, se a paciente com histórico de hiperprolactinemia engravidar, o acompanhamento pré-natal deverá ser mais cuidadoso do que o normal, já que, durante a gravidez, a mulher tem muitas alterações hormonais.

    Entretanto, se a paciente passar por ambos os tratamentos e mesmo assim não conseguir engravidar, é possível que a causa da infertilidade relacione-se a outra condição. Desta forma, ela deve recorrer a um especialista em reprodução assistida que vai avaliar o caso, e possivelmente sugerir um tratamento de fertilização in vitro.

    Tratando as alterações de prolactina com tranquilidade

    Como já abordamos anteriormente, a alteração da prolactina deve-se a vários fatores e, de uma maneira geral, há tratamento para todos. Nesse sentido, nos casos onde a hiperprolactinemia é causada pelo uso de remédios, é preciso avaliar com o médico a possibilidade de trocar o medicamento por outro que não interfira na produção de prolactina. 

    Quando a causa é um adenoma (tumor na hipófise), deve-se realizar o tratamento com medicamentos, como Cabergolina e Bromocriptina, que normalmente reduzem o seu tamanho. Apenas em casos mais raros pode ser necessário fazer cirurgia e/ou radioterapia. Entretanto, a indicação destes tratamentos só são para tumores agressivos ou malignos.

    Dessa forma, vale lembrar aos casais que possuem o desejo de ter um filho que iniciem o tratamento com antecedência. Alguns até conseguem engravidar com níveis de prolactina entre 50 a 60 ng/mL. Porém, pode ser preciso baixar ainda mais esses valores com o uso de remédios ou através de outros tratamentos. Se você está nesta situação, baixe nosso e-book “Não adie o seu sonho” e tire suas dúvidas sobre gravidez.

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  • Período fértil: saiba tudo para planejar sua gravidez

    O período fértil feminino é a fase do mês no qual a mulher tem mais chances de engravidar. Nesse sentido, podemos dizer que são os dias do ciclo menstrual nos quais há maior probabilidade de ocorrer a fecundação do óvulo pelo espermatozoide, e assim iniciar uma possível gestação.

    A determinação do período fértil leva em conta principalmente o dia da ovulação, quando o óvulo maduro é liberado pelo ovário e vai para as Trompas de Falópio onde poderá ser fecundado. Este processo acontece normalmente uma vez ao mês, sempre 14 dias antes da próxima menstruação. Além disso, o cálculo também considera o tempo que o espermatozoide tem para fecundar o óvulo, já que ele sobrevive até 5 dias no organismo da mulher.

    Dessa forma, o período fértil, também chamado de semana fértil, é o intervalo de aproximadamente 6 dias até o dia da ovulação. Porém, para muitos médicos, esse período do mês, que tem maior chances de ocorrer uma gravidez, dura até 2 dias após a ovulação.

    De qualquer forma, é importante que a mulher entenda seu ciclo menstrual e consiga determinar quando é seu período fértil. Sendo assim, o casal que quer ter filhos pode programar melhor os dias das relações sexuais, e assim aumentar suas chances de uma gravidez natural. Por outro lado, essa informação também é muito útil para os casais que querem evitar uma gravidez indesejada. 

    Período Fértil: quais os sinais?

    Identificar o período fértil é muito importante para quem está tentando engravidar. Nesse sentido, além de conhecer bem seu ciclo menstrual, as mulheres em idade reprodutiva podem identificar também alguns sinais que indicam que estão próximas da ovulação. Conheça os principais:

    Secreção vaginal transparente: 

    A secreção vaginal transparente, como a clara de ovo, e sem odor forte, pode ser sinal de que a ovulação e o período fértil estão chegando. Isto acontece pelo aumento do hormônio estradiol, que produz mais líquido que o habitual, facilitando a entrada dos espermatozoides no canal vaginal.

    Além disso, quando o muco se torna mais fluido e transparente, fica mais fácil para os espermatozoides se deslocarem até o óvulo, possibilitando assim a fecundação.

    Aparecimento de espinhas:

    O aparecimento de espinhas é outro sinal de que o período fértil está próximo. Nesta fase do mês, a pele fica mais oleosa, facilitando o surgimento de espinhas e cravos.

    Aumento da temperatura:

    O aumento da temperatura corporal basal (em repouso) ocorre como resposta à preparação do corpo para a fecundação. Nesse sentido, os folículos liberam os óvulos maduros, o que eleva a quantidade de progesterona, causando o aumento da temperatura corporal em 0,4 a 1,0ºC.

    As mulheres que estão tentando engravidar podem monitorar a variação diária da sua temperatura. A medição deve ser feita com termômetro, sempre ao acordar.

    Aumento da libido e do apetite:

    O aumento da libido e do apetite, no período fértil, também são resultados da elevação dos níveis hormonais que ocorrem nesta etapa do mês. Nesse sentido, quando o organismo está pronto para a fecundação, o desejo feminino aumenta.

    Além disso, nesta fase, ocorre também o aumento da produção de feromônios, hormônios exalados pelo corpo com a finalidade de atrair e excitar o sexo oposto. Dessa forma, a mulher também fica mais sensível e com o olfato mais apurado.

    Dor no baixo ventre:

    Sentir dor ou incômodo na parte de baixo da barriga, na altura dos ovários, é um dos sintomas frequentes do período fértil. Nesse sentido, pequenas pontadas na região pélvica ou cólicas, podem indicar que a mulher está ovulando. 

    Irritação e instabilidade emocional: 

    A variação do humor também é comum no período fértil e acontecem principalmente devido às alterações hormonais comuns do período.

    Identificando o período fértil: conheça métodos

    Como já falamos, o período fértil, também chamado de janela fértil, é determinado principalmente a partir do dia da ovulação. Dessa forma, é importante tentar identificar esta data com a maior precisão possível. Nesse sentido, além dos sintomas que algumas mulheres sentem neste período, existem também diversos métodos que podem ajudar a identificar o dia da ovulação com maior segurança.

    Vale lembrar que o corpo de cada mulher é diferente e que nenhum método é 100% eficaz para determinar o dia exato da ovulação. Dessa forma, alguns métodos podem ser usados de forma combinada, aumentando as chances de sucesso.

    O método do calendário:

    O método do calendário, popularmente chamado de “tabelinha”, pode ser usado por quem tem um ciclo menstrual regular. Nesse sentido, leva-se em conta que a ovulação acontece geralmente 14 dias antes da próxima menstruação. 

    Dessa forma, nas mulheres com ciclos de 28 dias, a ovulação deve ocorrer no 14º dia. Já para quem menstrua a cada 30 dias, a ovulação acontece no 16º do ciclo. O ideal é fazer esse acompanhamento no calendário durante alguns meses.

    Atualmente existem diversos aplicativos que além de ajudar a monitorar o ciclo menstrual, já calculam também o período fértil da mulher. São opções para ter ao alcance da sua mão, o acompanhamento dos seus ciclos menstruais e períodos férteis. Por isso deixaremos abaixo algumas sugestões de aplicativos para você realizar o seu acompanhamento:

    Aumento do hormônio luteinizante – LH 

    Conforme a ovulação se aproxima, o corpo aumenta a produção de estrogênio, hormônio que causa o espessamento do revestimento do útero criando um ambiente apropriado para o embrião. Nesse sentido, os altos níveis de estrogênio provocam o aumento do hormônio luteinizante (LH) que atua na liberação do óvulo maduro do ovário, ou seja, na ovulação. 

    Dessa forma, as mulheres que querem engravidar devem estar atentas aos picos do LH já que a ovulação ocorre de 24 a 36 horas após o aumento deste hormônio. Nesse sentido, os níveis de LH podem ser medidos através de testes de ovulação.

    Testes de ovulação

    Este teste é especialmente útil para as mulheres que têm ciclos irregulares, ou que não sabem quando estão ovulando. Nesse sentido, eles possibilitam determinar a ovulação de 24 h a 36 h antes da liberação do óvulo.

    Assim como os testes de gravidez, os testes de ovulação acontecem através da urina e muito fáceis de usar. Basta mergulhar uma tirinha na urina e verificar a cor obtida. Nesse sentido, o teste é positivo quando detecta uma grande quantidade de hormônio luteinizante LH, indicando que a mulher deve ovular em breve. 

    Método de ovulação de Billings ou Mob

    O método da ovulação Billings, ou MOB, é um meio natural para reconhecimento do dia da ovulação pela análise do muco cervical. Nesse sentido, o muco é uma secreção que apresenta características diferentes durante o ciclo menstrual. Portanto, é possível identificar, através dele, quando a mulher está no período fértil.

    Para garantir maior probabilidade de sucesso no uso desse método, recomenda-se que a mulher anote todas as variações que ocorrem em seu muco, durante alguns ciclos menstruais. 

    Registro da temperatura corporal basal (TCB)

    Esse método se baseia no fato de que a temperatura corporal basal (TCB) aumenta em 0,4 a 1,0 °C após a ovulação, fase final do período fértil. Nesse sentido, os hormônios reprodutivos têm um impacto na temperatura do corpo em repouso, que deve ser medida todas as manhãs. 

    Dessa forma, o registro pode acontecer ao longo de vários ciclos, com as seguintes indicações:

    • Medir a temperatura imediatamente após acordar, ainda na cama, antes de sentar-se na posição vertical; 
    • Fazer a medição todos os dias, no mesmo horário;
    • Usar um termômetro especial com precisão de 0.10 graus para Fahrenheit (ºF) e 0.01 graus para Celsius (ºC), para arredondamento preciso;
    • Tomar nota de quais dias são “não confiáveis” devido a fatores externos, como alterações nos padrões de sono, sono perturbado ou curto, jet lag, consumo excessivo de álcool, doença ou medicamentos, que podem causar alterações no seu ciclo menstrual; 

    Ultrassonografia

    Outra forma de acompanhar o dia de ovulação é através do exame de ultrassom. Nesse sentido, as mulheres que querem engravidar, especialmente aquelas que estão fazendo tratamento para infertilidade, podem monitorar a ovulação por meio da ultrassonografia transvaginal seriada. O exame acontece em dias alternados, para definir qual será a data mais provável da ovulação. 

    Ovulação precoce X Ovulação tardia

    O período fértil faz parte da vida de todas as mulheres em idade reprodutiva, que, desde a menarca (primeira menstruação), aprendem a importância de entender como funciona o seu ciclo menstrual. Dessa forma, podem agir no sentido de evitar uma gravidez indesejada, ou ao contrário, aumentar as chances de uma gestação desejada quando chegar o momento.

    Nesse sentido, sabe-se que a ovulação geralmente se dá no meio do ciclo menstrual regular, que normalmente tem 28 dias. Dessa forma, a ovulação ocorre por volta do dia 14. No entanto, em alguns casos, pode acontecer mais cedo (ovulação precoce) ou mais tarde (ovulação tardia).

    • Ovulação precoce: aquela que ocorre entre o 8º ao 10º dia do ciclo.
    • Ovulação tardia: aquela que ocorre após o 21º dia do ciclo.

    Essas irregularidades no período fértil podem ter diferentes causas que muitas vezes levam a problemas de infertilidade, e só são descobertos quando o casal tem dificuldade de engravidar. Dessa forma, indica-se procurar um especialista que pode avaliar cada caso e definir o melhor tratamento.

     As principais causas são:

    1. Estresse, que pode ter um impacto negativo na regulação hormonal;
    2. Uso de medicamentos;
    3. Síndrome dos ovários policísticos;
    4. Infecções;
    5. Doença da tireoide, que influencia a glândula pituitária, responsável pela liberação dos hormônios LH e FSH, que estimulam a ovulação.

    Curiosidades sobre o período fértil

    Período fértil é um assuntos que interessa a muitas mulheres, e sempre vem acompanhado de muitas dúvidas, perguntas e curiosidades.

    Veja aqui mais alguns esclarecimentos sobre este tema:

    Como é o período fértil de quem usa anticoncepcional?

    ​As mulheres que fazem uso correto do anticoncepcional, ou seja, tomam todos os dias, no mesmo horário, não têm período fértil. Isto acontece pois os anticoncepcionais orais inibem a ovulação, não possibilitando que haja óvulo maduro para ser fecundado. 

    Nesse sentido, a menstruação que vem todos os meses é o resultado da privação hormonal durante o intervalo entre uma cartela e outra, e não a descamação do endométrio que estaria à espera do embrião.

    É possível engravidar fora do período fértil?

    Em princípio, só é possível engravidar dentro do período fértil, pois somente nestes dias o corpo feminino libera óvulos maduros e aptos serem fecundados o espermatozoide. Porém, existem alguns fatores, mesmo que raros, que podem levar a uma gravidez fora da janela fértil feminina.

    Existem métodos de indução da ovulação?

    Sim, existem métodos para induzir a ovulação que visam estimular a produção e liberação de óvulos pelos ovários.

    Nesse sentido, são indicados para mulheres que enfrentam problemas de disfunção ovariana, como Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), uma das principais causas de infertilidade. Além disso, a indução também é utilizada nos casos de fertilização, quando é chamada de estimulação ovariana.

    É importante ressaltar que a indução da ovulação é sempre feita sob indicação e orientação médica, através de medicamentos, ou hormônios injetáveis (gonadotrofinas).

    Agora que você já sabe o que é o período fértil e qual seu papel na vida reprodutiva feminina, conheça também um pouco mais sobre a atuação da Medicina Reprodutiva.

    Veja como é possível driblar problemas de infertilidade para realizar o sonho de ter um filho.

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